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A escalada da crise no Irã aumentou a repressão, ampliou o número de mortos e expôs o risco de colapso político no país. Felipe Machado analisou a falta de lideranças, a pressão dos Estados Unidos e os impactos geopolíticos globais para o Brasil e o mercado internacional.

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Transcrição
00:00Lá nesse assunto agora, quem tá chegando aqui ao estúdio é o Felipe Machado pra falar com a gente sobre o Irã,
00:05porque a situação no Irã tá muito crítica, né? Isso fala-se já em dois mil mortos, né, Felipe?
00:10Boa tarde pra você, seja bem-vindo aqui ao Radar.
00:12Boa tarde, Marcelo, boa tarde a todos.
00:14Marcelo, a situação no Irã é crítica, como você falou, né?
00:17E a situação, o que deixa ela talvez mais crítica, mais sensível, é que não há exatamente uma certa liderança
00:23em quem que poderia ocupar esse lugar do governo.
00:27Por exemplo, se o governo cair, vira um caos.
00:29O que acontece? Existe uma liderança fora do que tá no exterior, que é o Reza Palev, né?
00:35Que ele é filho do Shah Reza Palev, antigo Shah, que governou o Irã ali entre 1941 e 1979.
00:42Mas ele não é uma liderança que é exatamente vista com bons olhos.
00:45Porque vamos lembrar um pouquinho da história do Irã, né?
00:47O próprio Shah Reza Palev, que assumiu nos anos 40, ele tinha sido...
00:51Ele acabou entrando no governo, né?
00:54Assumindo o governo depois de um golpe de Estado, com o apoio das forças do Ocidente.
00:58E ele governou, o Irã teve um crescimento, né?
01:01Ele se aproximou do Ocidente, teve um crescimento econômico, mas ele se aproximou demais do Ocidente
01:05e acabou também caindo por essa razão quando Ayotolá Comayini assumiu o governo.
01:10Só queria falar um pouquinho do contexto da época, né?
01:13O Shah Reza Palev, quando saiu do poder em 79, ele era odiado pela maioria da população.
01:18Ele era também um dirigente autocrático, né?
01:21Ele era muito autoritário, tinha relatos de torturas, de abusos aos direitos humanos.
01:26E a esperança que eles tinham em 79 e vários movimentos diferentes da sociedade que se reuniram
01:31era a esperança de trazer democracia para o Irã.
01:34Só que muita gente não percebeu que naquele movimento poderia haver uma nova ditadura.
01:39E o medo permanece agora.
01:41Quem garante que não vai sair esse regime dos Ayatollahs, que a gente sabe que também é muito cruel, né?
01:46É muito autocrático, para não colocar também um outro tipo de regime ali que seja tão ruim quanto.
01:53A gente sabe que as forças no Irã são muito diluídas, né, Felipe?
01:57Exatamente.
01:57Tem ali uma parte da oposição que quer uma democracia dos modos ocidentais.
02:01Tem uma parte ali que apenas não quer um governo teocrático,
02:04mas também quer o tipo de governo que continue, por exemplo, forçando as mulheres a usar o véu, entre outras coisas.
02:13Tem vários tipos de oposição diferentes ali.
02:17A gente não sabe o que vai sair se cair o governo, esse vácuo do poder aí, o que ele vai produzir, né?
02:22Exatamente.
02:23É isso que eu estava falando, mais ou menos, sobre o que torna mais caótica a situação, é justamente por isso.
02:29Mas vamos lembrar, né, Marcelo, como você lembrou bem, que o Irã vive essas fases.
02:32Então, a gente teve uma queda de governo que entrou, o Reza Palavra, que trouxe uma coisa, um pensamento mais ocidental,
02:39que foi bom para o lado para a economia, mas, claro, ele era um ditador do mesmo jeito,
02:42que assassinava opositores e tudo mais, uma coisa que a gente tem visto também hoje.
02:46A única coisa que tinha, entre muitas aspas aqui, de bom, nesse tempo, é que, assim, na questão dos costumes,
02:53era um pouco mais liberal, né?
02:54As mulheres que queriam usar o véu, usavam, as que não queriam, não usavam.
02:57Se você quisesse ser religioso, você era, se você não quisesse ser, não tinha problema.
03:01Nesse ponto, era mais tranquilo.
03:03Exatamente, uma aproximação mais com o Ocidente, né?
03:07Mas isso era visto também com maus olhos por uma parte que queria mais a tradição.
03:10E justamente quando ele acabou saindo, né, forçado do país, quando o Ayatollah Khomeini assumiu,
03:15ele instituiu, justamente, essa república mais teocrática.
03:18Então, o que a gente está vivendo agora é que, ao contrário do que a gente viu em 2022,
03:23quando teve ali uma, quando a Mahi Sissi, né, Mahi Sissi, fugiu o nome dela agora,
03:30uma jovem que foi assassinada pelo governo por...
03:34Armini.
03:35Armini, obrigado.
03:37Márcia Armini.
03:37Márcia Armini, obrigado, Marcelo.
03:40Quando ela foi assassinada pelo governo, por não ter usado o véu, né,
03:43aquele caso que gerou também protestos, era uma questão de luta de conservadores contra mais liberais e tudo mais.
03:49Mas o que a gente está vendo agora é que a economia do país está muito ruim,
03:51ou seja, afeta todo mundo, né?
03:53Então, essas revoltas que a gente está vendo no Irã, inclusive, um pouco provocadas,
03:58não provocadas pelo presidente Donald Trump, mas o presidente Donald Trump está nas redes sociais,
04:01convocando os iranianos a continuar na rua, dizendo que em breve vai chegar o socorro e tudo mais.
04:06Então, colocando mais lenha na fogueira ali.
04:09Então, é uma situação realmente muito sensível.
04:10E são protestos que a gente não via há muitos anos, né?
04:13Nem em 2022 a gente viu protestos tão grandes, né, Marcelo?
04:15Então, realmente é uma situação muito sensível que o Irã vive agora.
04:18A gente tem sinal já de Michigan, na cidade de Detroit, onde o Trump vai falar daqui a pouquinho.
04:23Está todo mundo esperando aí para ver esse discurso dele.
04:26Ele vai discursar aí num evento chamado, se eu não me engano,
04:30Fórum Econômico...
04:34É, Detroit Economic Club, que ele vai falar nesse lugar aí, né?
04:38Bom, daqui a pouco a gente vai ver, então, ao vivo, a gente vai transmitir para vocês.
04:41Enquanto ele não fala, Felipe, só falando um pouco mais do Irã, né?
04:45Acho que o regime dos ayatolás, ele está resistindo tanto tempo,
04:49porque ele conseguiu adicionar ali uma certa flexibilização no que eles chamam de democracia.
04:55Porque, assim, não é um regime em que os ayatolás tomam todas as decisões.
04:59Eles controlam o fator chave ali, por exemplo, o exército, né?
05:02Mais chave do que isso, impossível.
05:04Mas, por exemplo, o presidente de lá, que é eleito mais ou menos democraticamente,
05:08controla a economia.
05:10Então, se a economia não está bem, eles não acham ruim protestar contra o presidente de plantão.
05:14Porque daí está sendo o desgaste ali de um partido político.
05:18O que eles não admitem é protestar contra os ayatolás, contra os líderes supremos,
05:22que é o que está acontecendo agora.
05:23É o que está acontecendo agora, exatamente.
05:24Já teve vários momentos da história em que trocou-se o presidente e a crise se resolveu, mais ou menos.
05:29Agora, eu estou dizendo isso não para falar que tem uma democracia lá.
05:32Porque, assim, tem um fator importantíssimo que o Conselho de Guardiões,
05:36que é, né, faz parte aí o líder supremo e tal,
05:40eles têm poder de veto nas eleições.
05:41Então, não é que você vota livremente em quem você quer.
05:45Você vota livremente em quem eles permitem concorrer.
05:48Isso faz toda a diferença, né, Felipe?
05:50Com certeza.
05:51E voltando para o que eu ia falar desse líder, né, do Reza a Palavra,
05:54que está fora do Irã, mora nos Estados Unidos,
05:57e tem um contorno um pouco mais ocidental,
05:59ele está tentando se projetar como um possível caminho,
06:02como um possível líder para voltar.
06:03Mas ele não tem um grande apoio da população.
06:06Então, isso que torna a situação mais caótica, entendo.
06:08Quer dizer, se ele fosse um príncipe herdeiro e tivesse algum tipo de legitimidade,
06:13tivesse uma proximidade ou uma representação até no Irã,
06:16mas ele não tem.
06:17Ele é o único líder que começa a aparecer como um possível nome para assumir,
06:21talvez com o apoio dos Estados Unidos, enfim, né,
06:23é muito polêmico esse apoio dos Estados Unidos,
06:26porque o Irã é um país que não sei se aceitaria um apoio americano atualmente,
06:30a população não aceitaria, né.
06:32Então, um líder apoiado pelos Estados Unidos ou pelo Ocidente de uma maneira geral
06:35teria também uma repressão, uma forte oposição internamente.
06:39Então, não temos lideranças locais que se apresentam, né,
06:43com uma certa unidade,
06:45e o líder que é do exterior também não tem essa unanimidade dentro do país.
06:50Então, não tem quem assumir o poder se o governo cair, né.
06:53Então, essa cria uma situação, acho que, talvez mais delicada ainda, Marcelo.
06:56É, a dificuldade para o príncipe herdeiro aí é que toda a família real daquela época,
07:01e não só a família real,
07:03todo mundo que estava no entorno ali foi praticamente expulso do Irã.
07:06Os que ficaram, muitos acabaram mortos, né.
07:08Então, assim, muita gente não arriscou ficar,
07:10o que era a elite econômica, a elite política da época.
07:13Então, depois de tantos anos, né,
07:14você até me ajuda com a matemática aí de 79 para cá,
07:17já se passaram quase 50 anos, né,
07:1945, 46 anos, não é isso?
07:22Mais um pouco.
07:23É.
07:23Então, depois de tanto tempo, é muito difícil você imaginar
07:26que a família real tem algum tipo de ramificação na sociedade iraniana ainda,
07:30porque foi muito parecido com o que a Rússia fez na Revolução de 17, né.
07:34Exatamente.
07:34Todo mundo que tinha qualquer tipo de ligação ali com o Kizar,
07:38acabou sendo expulso do país, né,
07:39fugindo até para não morrer.
07:41Eu conheci em Londres muita gente que fazia parte,
07:44não da família real, mas dessa elite econômica
07:47que fugiu do Irã em 79.
07:50Tem uma população, uma diáspora gigantesca aí, né,
07:53mas é muito difícil imaginar que eles estejam dispostos a voltar para o país agora.
07:57Talvez eles não queiram voltar tão cedo,
07:59a não ser que uma revolução de verdade aconteça ali,
08:02a situação fique mais tranquila,
08:04porque, assim, para muitas dessas pessoas voltar para o Irã,
08:06significa ir para a cadeia ou até morrer.
08:08Com certeza.
08:09E o próprio Reza Palev, que está colocando, talvez, como possível líder,
08:13a última vez que ele esteve no Irã foi em 78, né,
08:15quer dizer, antes do pai cair, ele já foi, ele já saiu para estudar fora,
08:19até para estudar em escolas militares e tudo mais.
08:23Ou seja, ele viveu praticamente a vida inteira como um playboy, né,
08:26quer dizer, aqueles playboys...
08:28É isso mesmo.
08:29...vivendo no exterior da família, né, da fortuna da família,
08:32porque eles levantaram, ficaram milionários, né, com o governo iraniano.
08:36Então, ele viveu como um playboy agora,
08:38então ele não teria, muita gente da população,
08:39acho que ele não teria uma legitimidade para voltar para o Irã agora.
08:42Então, eu acho que isso que torna essa situação bastante caótica.
08:45Não há uma liderança que poderia assumir o governo de forma legítima
08:49se cair o governo atual, né.
08:51Então, é uma situação bastante difícil.
08:54É, enquanto isso, a gente vê os Estados Unidos aí pressionando cada vez mais
08:58e agora tem aquela ameaça de tarifa de 25%
09:01para os países que continuarem negociando com o Irã.
09:04Vamos ver a reportagem.
09:06Essa ordem é definitiva e conclusiva,
09:09disse Trump em sua rede, Trump Social.
09:11Os principais parceiros comerciais do Irã são China, Turquia, Emirados Árabes e Iraque,
09:18segundo a base de dados econômicos Trading Economics.
09:21Pelo menos 648 manifestantes morreram no Irã
09:24desde o início do movimento de protesto contra o governo, em 28 de dezembro.
09:30A informação é da ONG Iran Human Rights.
09:33Os ataques aéreos seriam uma das muitas opções sobre a mesa para o comandante em chefe,
09:37indicou hoje a porta-fostas da Casa Branca,
09:39que ressaltou que o Irã tem um canal diplomático aberto
09:42com o enviado especial de Trump, Steve Wyckoff,
09:45e que o que Teira diz em privado
09:48é bem diferente do que diz em declarações públicas.
09:51Felipe, por aqui o Itamaraty, para dizer o mínimo,
09:55está sendo muito discreto em relação ao Irã.
09:58Não está falando muito, não está condenando aí essa repressão brutal,
10:01as manifestações, porque a gente sabe que, em termos geopolíticos,
10:05o Irã é um aliado do Brasil.
10:07Exatamente, inclusive o Irã faz parte dos BRICS,
10:09aqueles novos países que foram acrescentados à lista dos BRICS nos últimos tempos.
10:14A situação do Irã é uma situação delicada.
10:17Olha aqui, essa é a figura muito bem apessoada,
10:21um chá muito elegante.
10:24Ou o candidato a chá.
10:25Candidato a possível chá.
10:27Mas, enfim, eu acho que é curioso também essa questão da...
10:30A escolha, o Steve Wyckoff,
10:32que acabou virando uma iminência parda nesse governo do presidente Trump,
10:36toda vez que tem uma situação mais delicada, ele é enviado, engraçado.
10:39E ele não era um diplomata,
10:41ele era do ramo do setor imobiliário,
10:43é um amigo do Trump, um aliado de longa data,
10:45mas não tem uma carreira na diplomacia,
10:48mas sempre que tem um problema no Oriente Médio, na Rússia,
10:51o Steve Wyckoff é enviado.
10:53Agora, o presidente Donald Trump postou,
10:54nesse post que ele fez na Truth Social,
10:57na rede social dele,
10:58onde ele convoca os iranianos a continuar na rua,
11:01a pressionar, que a ajuda está chegando e tal,
11:03ele diz que não, que encerrou todas as negociações com o Irã.
11:07Mas o Irã diz que está tendo negociações,
11:10está conversando com o enviado Steve Wyckoff.
11:13Então, está uma situação um pouco nebulosa,
11:15não sabemos exatamente o que está acontecendo.
11:17Lembrando que a relação entre o Irã e os Estados Unidos,
11:19vamos lembrar que não é das melhores,
11:21desde que o presidente Donald Trump mandou bombardear
11:23aqueles bunkers, quando teve aquela crise Israel-Irã no ano passado,
11:27o presidente Donald Trump usou aquelas bombas de alta tecnologia,
11:31que perfuravam as bombas anti-banker,
11:34para atingir parte do arsenal nuclear do Irã.
11:37Então, realmente as relações entre o Irã e os Estados Unidos
11:39continuam muito delicadas.
11:41A gente continua com esse assunto depois do intervalo.
11:43Fique com a gente aqui no Times Brasil,
11:45licenciado exclusivo CNBC, líder mundial em negócios no Brasil.
11:49O radar volta já já.
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