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Centenas de iranianos foram às ruas pedindo o fim da República Islâmica. O aiatolá Khamenei reagiu dizendo que não vai ceder, enquanto autoridades ameaçam punição severa aos manifestantes.

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Transcrição
00:00O líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Kamenei, advertiu que o seu país não vai ceder
00:05diante de uma onda crescente de protestos que, para ele, representam um sério desafio à República Islâmica.
00:13Aos gritos de morte ao ditador, iranianos pedem abertamente nas ruas de Teherã e de outras cidades
00:20o fim do sistema teocrático xiita, depois de quase duas semanas de um movimento
00:27inicialmente ligado ao descontentamento com o alto custo de vida.
00:32O Ayatollah Ali Kamenei, líder supremo do Irã, reagiu nesta sexta-feira num discurso diante de seus apoiadores
00:40adotando um tom incisivo num pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
00:47Kamenei disse que todos sabem que a República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas
00:56e que não vai recuar diante de sabotadores.
01:00Ele acusou ainda o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ter as mãos manchadas com o sangue de mais de mil iranianos,
01:09em aparente referência à guerra de 12 dias com Israel, em junho do ano passado,
01:15da qual os Estados Unidos participaram ao bombardear instalações nucleares da República Islâmica.
01:22Um dia antes, Trump havia voltado a ameaçar atingir duramente o Irã, caso as autoridades matassem manifestantes.
01:31O discurso de Kamenei acontece um dia depois dos grandes protestos na capital iraniana, Teherã.
01:39Reza Parlavi, filho do chá deposto em 1979 e figura da oposição no exílio,
01:46convocou nessa sexta uma nova demonstração de força nas ruas para ampliar a mobilização
01:52e enfraquecer ainda mais o poder repressivo do regime.
01:57O chefe do sistema judicial iraniano, Golan Hossein Egei, advertiu que a punição aos revoltosos
02:04será decisiva, sem nenhuma compaixão legal.
02:09Já o braço de inteligência da Guarda Revolucionária, o Exército Ideológico do Irã,
02:14afirmou que a continuação dessa situação é inaceitável.
02:19Para a Guarda, proteger a revolução é sua linha vermelha.
02:23São os maiores protestos no Irã desde 2022.
02:28As manifestações acontecem no momento em que o país está enfraquecido,
02:33depois da guerra com Israel e de golpes sofridos por vários de seus aliados regionais.
02:39Organizações de defesa dos direitos humanos acusaram as autoridades iranianas
02:45de abrir fogo contra manifestantes, matando dezenas de pessoas
02:50desde o começo dos protestos, no dia 28 de dezembro.
02:54Eu volto a conversar com o nosso analista de negócios, Guilherme Havasci.
03:02Guilherme, esse caos pode acabar sendo bom para os Estados Unidos?
03:06Olha, essa é uma pergunta muito boa, né, Cris?
03:08Porque depende do ponto de vista.
03:11Para o Trump, que é um opositor do governo iraniano,
03:17para os Estados Unidos, que há décadas se opõem ao Irã,
03:22ter uma queda ou uma mudança de governo, sim, seria positivo.
03:28Mas é importante lembrar que, sendo um grande produtor de petróleo,
03:33a posição geográfica ali no Oriente Médio também pode gerar muita instabilidade.
03:39E para os Estados Unidos, agora, o risco é ter uma guerra em duas frentes,
03:44uma batalha em duas frentes.
03:46Ter que controlar ou ter que domar o futuro na Venezuela
03:53e também ter que administrar o Irã num eventual colapso do governo no país.
04:01Porque não é claro, né, se o que sair, seja na Venezuela ou no Irã,
04:06nesse momento, o que viria no lugar.
04:08Sem essa visibilidade, sem essa clareza, é difícil governar, é difícil investir,
04:13é difícil convencer empresas, como a gente viu agora na reunião do Trump
04:18com empresas de petróleo, entrarem e investirem em países.
04:22E isso é importante para que os países consigam fazer uma mudança,
04:28uma transição de regime.
04:29E para o Trump seria relativamente fácil acelerar esse processo de queda no Irã.
04:36Ele já disse que não vai aceitar que manifestantes sejam mortos,
04:40e os manifestantes têm sido mortos, já se fala aí, em dezenas de mortos no país.
04:45Ele poderia usar isso como justificativa para um bloqueio de navios que levam petróleo.
04:52Hoje os navios são sancionados, né, eles são sancionados, mas eles não são confiscados.
04:57O confisco do navio e sua carga, sem dúvida, geraria um impacto muito grande para a economia do Irã.
05:04Obrigada, Guilherme, mais uma vez.

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