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No Visão Crítica, a professora de Relações Internacionais Flávia Loss de Araújo analisa os desdobramentos da tensão entre Estados Unidos e Venezuela, destacando a ausência de um plano claro e os riscos de decisões improvisadas no cenário internacional.

Ela diz que há uma expectativa equivocada de que a ONU teria poder para resolver a situação, quando, na prática, o organismo enfrenta limites estruturais e políticos. Flávia aponta que a escalada já era esperada, especialmente diante do deslocamento de frotas militares, o que indicava uma movimentação prévia no tabuleiro geopolítico.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/itxL7Ae-n7M

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Transcrição
00:00Professora Flávia Lozera, justamente essa mesma questão, se para a senhora foi uma surpresa ou não a invasão, o ataque de tropas de assalto, captura ou sequestro, depende da leitura, do casal Maduro e as consequências a curto prazo no campo do direito internacional.
00:17Prazer estar aqui com o professor Vila, com o colega Gustavo e muito interessante a fala do Gustavo, agradeço também ao professor Vila por abrir esse espaço para essa conversa entre as nossas áreas, relações internacionais e história, porque as pessoas nas redes sociais têm se manifestado muito, por que a ONU não faz nada?
00:35O sistema internacional morreu, a ordem internacional e você deu uma ótima explicação de como as coisas funcionam. A ONU, as regras, os regimes internacionais dependem da adesão dos estados a esses valores e princípios e os Estados Unidos são um grande arquiteto dessa ordem internacional, que é o resumo de tudo isso que o Gustavo falou, para o século XX, começo do século XXI.
00:58Então eles começam a desmantelar isso, a gente pode aprofundar aqui na conversa por que que isso está acontecendo e as pessoas ficam confusas mesmo, porque acham que a ONU vai ter o poder então de resolver essa situação, é importante que a gente esclareça ou traga um pouco do que as nossas áreas dizem a respeito disso.
01:17E voltando para a sua pergunta inicial sobre a Venezuela, a gente já esperava, até porque foi a maior deslocamento de frotas dos Estados Unidos para a América Latina desde a crise dos mísseis de Cuba.
01:33Isso tem um custo gigantesco para os Estados Unidos, custo financeiro mesmo, de pessoal e tudo mais, então se esperava alguma ação militar de alguma forma.
01:43Não sabíamos o que, porque vocês devem lembrar que mês passado o Donald Trump falou sobre a CIA, que seria uma operação da CIA, não deixava claro como seria essa operação, mas de fato ocorreu aí na virada do ano, que é justamente uma ação de marketing político muito importante, uma demonstração de força também, tem tudo a ver com essa nova política externa que o Trump traz para os Estados Unidos.
02:07E voltando para a questão do direito internacional, o que a gente vê agora é o desmantelamento.
02:13Isso já vinha ocorrendo há algum tempo, a gente pode traçar aí dentro de uma linha, pelo menos desde 1999, quando a OTAN decide bombardear a antiga Iugoslávia, ali já se falou da morte do direito internacional.
02:27Começa uma ruptura nesse arcabouço que a gente chama de ordem mundial liberal, mas com 11 de setembro é quando a gente tem um rompimento mesmo, porque a gente tem um ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão sem autorização do Conselho de Segurança da ONU em 2001 e depois 2003 no Iraque.
02:47Então você tem intervenções mesmo dos Estados Unidos passando por cima da ONU para mudar, segundo o que os americanos alegaram nessa época, para lutar contra o terrorismo, para fazer o mundo mais justo e mais seguro, coisa que não aconteceu.
03:05Até o Gustavo comentou sobre essa comemoração de alguns brasileiros e até venezuelanos, mas a gente sabe a consequência terrível que ocorreu após essas intervenções, essas ocupações, no caso do Afeganistão e do Iraque.
03:18Na Venezuela a gente está vendo um cenário ainda mais confuso, não teve uma ocupação, mas está tendo uma ingerência direta na política doméstica desse país, inclusive com o controle das suas reservas de petróleo e das finanças.
03:34A gente está falando do erário público que está sendo aí administrado, não sabemos como.
03:39Algo que ficou muito explícito no que a gente pode chamar de operação que ocorreu é o amadorismo, porque você não tem um plano para o que vai acontecer hoje na Venezuela.
03:50O Marco Rubio deu uma entrevista ontem dizendo que sim, ele já tem pelo menos três pontos do que ocorrerá na Venezuela.
03:57E assim, três pontos extremamente rasos.
04:00Então a situação é de extrema insegurança, não só para a questão da Venezuela, mas para todo o sistema internacional.
04:07Porque abre precedentes sim para que outros países façam o que querem aí no sistema internacional e usem principalmente da força.
04:15É como se a gente estivesse voltando para relações internacionais, enquanto relações entre os países, da era pré-segunda guerra mundial.
04:25Parece que a gente está voltando ali para o final do século XIX, comecinho do século XX, que você não tem regras mínimas de convivência entre os estados e vale a lei do mais forte.
04:35Perfeito. Professor Marcos Vinícius de Freitas, muito obrigado por ter aceito o nosso convite.
04:41Eu passo essa questão ao senhor, lembrando a quem nos acompanha também, e a questão eu coloco também ao professor Marcos Vinícius,
04:49do que nossos dois convidados aqui no estúdio destacaram.
04:52E lembrar quem nos acompanha que a antecessora da ONU foi a Liga das Nações e que fracassa justamente na década de 30 do século XX.
05:00Curiosamente, a Liga das Nações é criada fundamentalmente por causa do presidente Wilson, norte-americano.
05:07Só que o Congresso norte-americano não aprova a entrada dos Estados Unidos na Liga das Nações.
05:12Então ela já nasce, apesar da forte proposta do presidente Wilson, sem a presença dos Estados Unidos.
05:18E um último dado, e eu já passo ao professor Marcos Vinícius, o Brasil fez parte das Ligas das Nações,
05:23mas saiu, por incrível que pareça, em 1926, do governador Bernardes,
05:27porque havia um problema de um conselho, que seria mais ou menos o Conselho de Segurança,
05:32mais ou menos parecido ao Conselho da ONU, das Liga das Nações,
05:35e o Brasil queria ser membro permanente, houve um atrito e o Brasil resolve sair.
05:39Mas a gravidade da Liga das Nações era na década posterior, dos anos 30,
05:43as questões que envolvem fundamentamente a Europa, e uma questão que envolve a Abissínia,
05:47mas que seria a Etiópia, na África, mas a questão grave no caso da Europa.
05:52Agora a situação é muito mais complexa.
05:54Professor Marcos Vinícius, passo ao senhor, como é que fica essa questão?
05:58Foi uma surpresa ou não para o senhor? E como é que fica o direito internacional?
06:03Sr. Vila, em primeiro lugar, é sempre um prazer participar do seu programa
06:08e aprender também com as suas falas nesse processo todo.
06:12Mas o que a gente nota é que o desenho de 1945 das Nações Unidas
06:19foi feito pelas potências que venceram aquela guerra
06:22e que criaram um sistema que, por mais que a gente diga
06:27que tinha a possibilidade de ser um sistema mais justo,
06:32ele foi basicamente feito para que as potências pudessem utilizar daquele sistema
06:39para avançar a sua agenda.
06:41Então, nós não podemos nunca deixar de observar
06:44que, tanto no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional,
06:48nas próprias Nações Unidas, em todo o contexto das Nações Unidas,
06:52nós sempre tivemos ali organizações que fizeram muito
06:58e avançaram muito da agenda dos Estados Unidos
07:01e das suas potências, e das potências ocidentais.
07:04Inclusive, a gente até nota a dificuldade que existe, por exemplo,
07:09no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional, de fazer reformas.
07:13Então, a ordem internacional sempre prejudicados
07:16porque eles entendem que o hemisfério ocidental
07:19está deixando de ser a sua área de influência.
07:23Então, isso é uma coisa que nós notamos no documento
07:26que os Estados Unidos fizeram recentemente.
07:28É interessante notar, professor Vila,
07:30que o John Kerry, quando era secretário de Estado dos Estados Unidos
07:34no governo Obama, disse que a doutrina Monroe estava liquidada,
07:38que ela tinha morrido e que não deveria ser mais executada,
07:41e agora Trump vem porque ele nota que os Estados Unidos
07:46têm continuamente perdido a sua influência dentro da região.
07:50E os chineses têm um ditado que eu gosto bastante,
07:52é você matar uma galinha para espantar os macacos.
07:56E o que fez esta ação, basicamente?
07:59colocou Colômbia, Cuba, México e vários países da região
08:05em estado de alerta sob a hipótese de que qualquer aproximação
08:09que eles fizessem, por exemplo, com a China
08:11poderia sofrer e gerar consequências negativas para eles.
08:17Então, o que a gente nota é que o presidente Trump
08:19tenta reafirmar a sua ação no continente americano
08:27à base da força.
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