00:00Eu quero falar agora de economia aqui com o nosso Alan Gani, porque a balança comercial fechou a primeira semana de fevereiro com um déficit de 647 milhões de dólares.
00:09Eita, Gani!
00:10Pois é, né? Começamos o ano já com um déficit na balança comercial.
00:15A balança comercial do Brasil, que é exportações, menos as importações, ela é historicamente superavitária.
00:22Acontece que este superavit vem diminuindo nos últimos tempos.
00:27Tem a ver com talifácio?
00:28Não, não tem tanto a ver com tarifácio, tem a ver com excesso de importações pelo Brasil.
00:35Essas importações estão muito ligadas, claro, ao setor empresarial, mas também pode ser um sinal, e isso que é bastante importante, do tal do déficit gêmeos.
00:47Ou seja, o déficit fiscal, governo gastando muito, impacta na balança comercial.
00:54Déficit o quê?
00:55Gêmeos, porque você tem um déficit na balança fiscal, no resultado fiscal, e esse déficit fiscal impacta na balança comercial devido ao aumento das importações, e aí também importações do governo.
01:11Gente, balança comercial, resultado que se tem entre o que se exporta e o que se importa.
01:15Quando há um desequilíbrio, ou seja, um aumento nas importações, aí a gente registra déficit.
01:20Quando há um aumento de exportações e a importação é menor, aí você tem um superavit, quer dizer que o Brasil exportou mais do que importou.
01:28Exatamente.
01:28E aí esse déficit, vamos entender a razão desse déficit, né?
01:32Então, nesse caso, o Brasil está exportando menos e está importando mais.
01:37Agora, por que está importando mais?
01:39Primeiro, porque o dólar está barato, então isso incentiva as importações.
01:45Segundo, Evandro, que a economia está ainda aquecida, embora em desaceleração isso também estimula as importações, mas também ligado ao gasto do governo.
01:55O governo gastador importa mais.
01:58É isso que a gente chama de déficit gêmeos, ou seja, o déficit fiscal gera um déficit na balança comercial.
02:05Olha só, agora, Ogani, esse governo não tem dado nenhuma demonstração, no seu ponto de vista, de que poderia ajudar, então, a equilibrar.
02:13Inclusive isso, porque é muito interessante perceber que quase todos os temas e resultados da economia passam pela maneira como o governo administra as suas contas e a vontade que se tem ou não de promover cortes.
02:24Você vê alguma possibilidade disso acontecer diante de resultados que começam a impactar também na balança comercial ou nesse déficit gêmeos que você mencionou?
02:32Boa pergunta, Evandro. Não vejo, justamente porque se trata de um ano eleitoral.
02:37Até agora, o que a gente viu? Somente medidas focadas em aumento de gastos.
02:42E não apenas do governo federal, a gente viu também no Congresso.
02:46O governo federal já liberou 1,5 bi em emendas para o Congresso Nacional.
02:52Também permitiu ali reajustes no poder legislativo, criou cargos no poder executivo.
02:58Então, em ano eleitoral, a gente pode esquecer isso, mas você tem toda a razão.
03:02Está tudo interligado.
03:04Então, quando esse fiscal piora, impacta a balança comercial, sobem os juros de mercado, pega na inflação.
03:11Você tem um resultado aí que acaba sendo sistêmico, contaminando várias variáveis macroeconômicas.
03:17Muito obrigado, meu amigo.
03:18Até.
03:18Até já.
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