Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Gesner Oliveira, economista e sócio da GO Associados, afirma que o Brasil entrou em um círculo vicioso fiscal. Com dívida bruta em 79% do PIB, sucessivos déficits e falta de âncora crível, cresce o risco de uma “bomba fiscal” em 2027. Ano eleitoral tende a piorar o quadro, mantendo juros altos e travando o crescimento. Entenda quais possíveis medidas o governo pode adotar para tentar reduzir rombo.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00E são vários assuntos para a gente repercutir na conversa ao vivo agora com o Gessner Oliveira,
00:05economista, sócio da GEO Associados e professor da Fundação Getúlio Vargas.
00:10Gessner, boa noite, bem-vindo.
00:12Boa noite, Natália. Muito boa noite, Vinícius. Um prazer estar aqui.
00:17Prazer o nosso te receber aqui nessa noite.
00:19Bom, Gessner, vamos começar por esse patamar da dívida bruta do governo?
00:23Em novembro, então, chegou a 79% do PIB.
00:26Qual que é a sua interpretação? Esse número te preocupa?
00:30Olha, é preocupante, eu concordo com a análise que o Vinícius fez há pouco,
00:35que nós estamos num círculo vicioso.
00:39Na verdade, há uma sequência de déficits, não há uma âncora fiscal com grande credibilidade,
00:49que as pessoas julguem que realmente o governo está caminhando para o equilíbrio das contas públicas.
00:56Pelo contrário, o que se percebe são sucessivos déficits, um aumento de gasto e um conjunto de circunstâncias
01:06que faz com que você tenha esse aumento de gasto e não há uma perspectiva de uma reforma mais profunda.
01:16O que poderia romper esse círculo vicioso para ir para o círculo virtuoso usando a boa figura que o Vinícius usou há pouco?
01:27Nós precisaríamos de algumas reformas profundas.
01:31É inescapável uma reforma profunda da Previdência, uma reforma administrativa enxugando a máquina pública,
01:39uma desindexação dos gastos orçamentários do salário mínimo e uma nova regra para o salário mínimo
01:47que seja compatível com o aumento da produtividade.
01:52Nada disso está no horizonte.
01:55Portanto, nós temos uma trajetória preocupante.
01:59Tem alguns dados positivos da economia no curto prazo,
02:03porém, quando a gente olha no médio e no longo prazo,
02:07acho que o governo que assumir em 2027 terá uma bomba fiscal nas mãos.
02:15É, então, e considerando tudo isso que seria importante, essencial,
02:19para transformar o ciclo vicioso em virtuoso,
02:24em ano eleitoral, como a gente vê aí,
02:26qual que é a perspectiva, o que se pode esperar na vida real,
02:31levando em conta, então, esses cenários, contextos de eleição, Géssia?
02:36Olha, Natália, no eleitoral, tipicamente, é um ciclo político
02:41que é desfavorável do ponto de vista fiscal.
02:45Tipicamente, há um aumento de gasto nas três esferas governamentais,
02:51e isso coloca mais pressão ainda sobre o orçamento,
02:56maior dificuldade para cumprir a meta fiscal.
03:00A meta fiscal desse ano de 2025 deverá ser cumprida formalmente.
03:07Quer dizer, você tirou uma série de itens de despesa,
03:11o precatório, Brasil soberano, ressarcimento para aposentados,
03:18tirando tudo isso, daí você cumpre a meta fiscal.
03:22E, para o ano que vem, a perspectiva, infelizmente,
03:25não é boa para cumprimento da meta fiscal,
03:28se ela for realmente para valer.
03:31E, além disso, tem a pressão do ciclo político.
03:34Portanto, realmente, do ponto de vista da economia brasileira como um todo,
03:40a grande fragilidade reside na política fiscal.
03:46A gente tem até boas perspectivas, oportunidades de investimento
03:51em vários segmentos da economia,
03:54um potencial de competitividade muito grande,
03:58porém, do ponto de vista fiscal,
04:00há uma fragilidade muito grande,
04:02o que leva a uma taxa de juros muito elevada,
04:05que, naturalmente, freia a atividade econômica.
04:10Gésner, também queria te ouvir sobre outras duas importantes divulgações
04:13que foram feitas hoje sobre o mercado de trabalho.
04:16Uma é do IBGE e outra é do Ministério do Trabalho.
04:19Queria saber, então, o que te chama a atenção,
04:21o que esses números te mostram sobre a economia brasileira.
04:25Olha, chama a atenção, realmente,
04:28o nível baixo da taxa de desemprego.
04:31Embora a gente sempre olhe para a taxa de desemprego,
04:35mas os espectadores precisam olhar também para o subemprego.
04:40O subemprego é maior, está na faixa de 13%.
04:44A taxa de informalidade está próxima a 38%.
04:49A gente tem que lembrar que o mercado de trabalho no Brasil
04:53é extremamente heterogêneo e ainda tem dificuldades estruturais,
04:57apesar da taxa de desemprego muito baixa.
05:00O que nós temos observado, Natália,
05:04é que alguns segmentos têm realmente sentido
05:08uma escassez de mão de obra,
05:11uma elevação de salário bastante grande.
05:13Quando a gente pega segmentos que estão investindo,
05:16alguns segmentos de infraestrutura,
05:18é um aspecto até positivo da economia,
05:21estão investindo e há realmente uma pressão forte
05:25do ponto de vista dos salários,
05:28de escassez de mão de obra, etc.
05:30Isso está acontecendo.
05:31Há uma heterogeneidade muito grande no mercado de trabalho.
05:35Por outro lado, em outras regiões, em outros mercados,
05:40há uma sobreoferta de mão de obra, desemprego, etc.
05:44Então, a gente continua convivendo com esses problemas estruturais,
05:49com pressões fortes ali onde a atividade de investimento é maior.
05:54Só que a pressão que isso exerce sobre a inflação do serviço,
06:00há pouco o Vinícius também falava muito bem sobre isso,
06:03ela é, de certa forma, atenuada pelo comportamento do dólar.
06:09Se nós olhamos esse ano, nós tivemos uma apreciação da taxa de câmbio.
06:14Olhando para o próximo ano, também não devemos ter,
06:18a gente deve ter uma pequena apreciação da moeda em termos reais,
06:24portanto, a pressão sobre a inflação não é tão grande.
06:27Então, a gente convive com pressão do mercado de trabalho,
06:31mas com menor pressão via dólar, via taxa de câmbio.
06:36Nessa situação, o Banco Central poderá, em algum momento no primeiro trimestre,
06:43reduzir a taxa de juros.
06:45Certo.
06:45Vou puxar o Vinícius para a conversa também, Gésner.
06:48Vini.
06:49Gésner, boa noite.
06:51Voltando para o nosso tema.
06:53Boa noite.
06:54Boa noite, nosso tema eterno.
06:56Problema fiscal.
06:58Muito se diz que em 2027 a gente vai estar com um problema.
07:02Se não vai explodir em 2027, ele vai precisar de uma solução.
07:05Em 2027, para que a gente não tenha risco de bomba grave aí na economia.
07:10Bom, aí se diz que o governo, um eventual governo Lula 4,
07:13com a reeleição do presidente Lula,
07:15seria um governo menos propenso a fazer esse ajuste.
07:18Ou não faria de jeito algum.
07:19Continuaria na atual política fiscal.
07:22E que um governo de oposição, provavelmente de direita,
07:25faria o ajuste.
07:26Até que o mercado financeiro estava apostando nisso
07:28e que poderia ter um candidato viável para fazer isso.
07:31Bom, agora você acredita que, um,
07:34o presidente Lula, eleito, reeleito,
07:38tenderia a continuar na polícia fiscal,
07:40com a mesma polícia fiscal,
07:42ele teria condição de fazer isso?
07:44Ou ele já teria alguma noção de que algo precisa fazer?
07:47Por um lado.
07:48E por outro,
07:49no caso de uma vitória da oposição,
07:51provavelmente de direita,
07:53se ganhar a eleição,
07:54eles fariam a grande reforma,
07:57fariam uma reforma de previdência de novo,
07:59das indexações todas,
08:01das isenções fiscais,
08:03do gasto tributário,
08:04quer dizer,
08:05os dois lados teriam uma oposição muito diferente,
08:08haveria alguma convergência?
08:09Você acha que o governo Lula tomaria consciência de alguma coisa
08:12e mudaria em 27?
08:14E a direita, a oposição,
08:16faria essa grande reforma decisiva?
08:18O que você acha que acaba resultando em 2G27?
08:21Seja qual for o eleito.
08:24Olha, Vinícius, é difícil.
08:26Não tem essa bola de cristal.
08:28Porém, eu acho que é a questão central,
08:30do ponto de vista de expectativas ao longo de 26.
08:34Eu tenho a impressão que em qualquer cenário,
08:38haverá necessidade de algum tipo de reforma.
08:43Isso vai ser imposto pela realidade.
08:46Quer dizer, infelizmente, o governo atual
08:48não tem levado a cabo uma política fiscal séria,
08:54mas a situação vai se tornar insustentável.
08:59Quer dizer, nós vimos com os resultados até agora,
09:02desse ano,
09:03a gente vê o déficit da previdência.
09:05É impossível continuar com um déficit tão elevado.
09:10Quer dizer, nós temos uma situação
09:12na qual os gastos com a previdência
09:15superam a soma de gastos com segurança,
09:20saúde e assistência social.
09:22Quer dizer, é impossível um país
09:25ter uma pressão de gastos previdenciários tão grande.
09:29Quer dizer, algo terá que ser feito.
09:31Por outro lado, a pressão sobre a taxa de juros,
09:36quer dizer, se a gente imagina essa continuidade
09:40do crescimento do endividamento,
09:43que você há pouco assinalava,
09:45essa continuidade do endividamento
09:47vai colocar uma pressão sobre o custo de colocação
09:52de títulos no Tesouro,
09:54elevando a taxa de juros de uma maneira insustentável.
09:57Portanto, haverá um ajuste.
10:00Acredito que o atual governo
10:02não tem no seu programa,
10:05na sua plataforma,
10:07esse ajuste.
10:08Uma candidatura que consiga formular
10:11um ajuste consistente,
10:13há pouco nós falávamos,
10:15uma reforma administrativa
10:16consistente,
10:19que enxugue a máquina pública,
10:21que seja, inclusive, gradualista,
10:24que tenha diferentes etapas,
10:25que respeite direitos adquiridos,
10:29mas, ao mesmo tempo,
10:30para os novos servidores,
10:31coloque novas regras.
10:33Algo inteligente,
10:35que combine essa reforma administrativa,
10:37que aumenta a produtividade,
10:39uma reforma da Previdência profunda,
10:43realmente que vá à raiz do problema,
10:46que realmente consiga adequar
10:49o sistema de Previdência
10:51à nova realidade,
10:52ao novo mundo do trabalho,
10:53à nova pirâmide etária do Brasil.
10:58O Brasil, hoje,
10:59tem uma população envelhecida
11:01muito maior,
11:03três vezes maior
11:04do que há 20, 30 anos atrás.
11:06Então,
11:08quem tiver coragem
11:10de colocar uma plataforma
11:12dessa natureza,
11:13eu acredito
11:13que conseguirá
11:15o apoio necessário,
11:18extremamente difícil,
11:19vai precisar, naturalmente,
11:22uma articulação muito boa
11:24com o Congresso
11:25e com os demais poderes,
11:29naturalmente,
11:29com o Judiciário,
11:30para que isso
11:31possa ser levado a cabo.
11:33Eu acho que,
11:34no Brasil,
11:35Vinícius,
11:36Natália,
11:36a verdade é que as reformas
11:38foram se impondo.
11:40Nós demoramos
11:41para derrotar
11:42a superinflação
11:43e a hiperinflação.
11:44Finalmente,
11:45depois de muitas tentativas,
11:47conseguimos.
11:47a questão da dívida externa,
11:50a reforma trabalhista,
11:52a reforma da Previdência
11:53que ocorreu em 2019,
11:56tudo isso
11:57demorou para ser feito,
11:59mas acabou sendo feito.
12:00Eu acho que algo
12:01seria muito bom
12:04para a sociedade brasileira
12:05se ela já tiver amadurecido
12:08para fazer aquilo
12:09que precisa ser feito
12:11a partir de 27.
12:12Perfeito.
12:13Quero agradecer
12:14Gésner Oliveira,
12:15economista,
12:15sócio da GO Associados,
12:17professor da Fundação
12:18Getúlio Vargas,
12:19pela participação com a gente
12:20nessa noite.
12:22Obrigada,
12:22até a próxima
12:23e boa virada de ano.
12:24Prazer,
12:24boa noite.
12:25Até a próxima.
12:26Tchau.
12:26Tchau.
12:27Tchau.
12:28Tchau.
12:29Tchau.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado