00:00Agora, Mano, eu quero te ouvir também sobre essa questão do indulto, né?
00:02Eu já trazei esse tema de uma maneira mais presente aqui no nosso debate.
00:06Por quê? O Presidente da República, ele concede o indulto de Natal, agora no dia 25,
00:10só que ele exclui crimes contra a democracia, aqueles que cometeram violência doméstica
00:15e também os chefes de facção.
00:18Então, o Presidente da República coloca no mesmo bloco de excluídos da possibilidade de acesso a esse benefício
00:24aqueles que cometeram esses três crimes.
00:26E mais especificamente sobre os crimes contra a democracia, como é que você avalia a decisão do Presidente Lula, Mano?
00:34Pois é, Evandro, tem também uma condicionante que os indultos historicamente não podem,
00:41até por determinação constitucional, englobar aqueles crimes que são considerados hediondos.
00:46Então, pessoas que cometeram homicídio qualificado ou comparados, equivalentes a hediondos,
00:54como é o caso de tráfico de drogas.
00:56Então, na prática, quando a gente fala, por exemplo, da questão dos chefes de facção,
01:03acaba entrando um pouco como correlato a isso.
01:06E isso também nos traz aquela velha discussão que foi colocada até sobre a inconstitucionalidade,
01:14ou pelo menos a tese de inconstitucionalidade,
01:17do que seria uma anistia para crimes contra o Estado Democrático de Direito.
01:22Porque a interpretação jurídica seria que crimes contra a democracia são correlatos a crimes hediondos
01:30e, portanto, não seriam passíveis de perdão.
01:34O Presidente Lula, ao trazer o indulto com esses excludentes, deixando esses crimes de fora,
01:42ele acaba somando a sua força política a essa interpretação da Constituição que é contra a anistia.
01:53E também, vale dizer, dado que o Presidente já anunciou que no 8 de janeiro fará o veto à lei da dosimetria,
02:01o veto vai precisar trazer argumentos jurídicos.
02:05E esses argumentos vão justamente, muito provavelmente, ir por essa mesma linha
02:10de que crimes contra a Constituição, crimes contra a democracia,
02:15não seriam passíveis de perdão ou de serem amenizados.
02:21Por isso, na minha visão, acaba sendo uma atitude previsível do Presidente Lula,
02:27porque ele, ao tomar esse cuidado de excluir os crimes contra a democracia do seu indulto,
02:35ele fortalece a sua narrativa política de oposição aos crimes contra a democracia.
02:43E, com isso, claro, tem o elemento do jogo político sendo sempre reforçado, como falamos aqui ontem,
02:49que, na eleição de 2026, o Presidente se colocará como aquele que garantiu a democracia,
02:57uma espécie de piador da democracia e da estabilidade,
03:01em contraposição aos seus adversários, pintados como os baderneiros ou os agentes do caos.
03:08Não à toa, né, Bruno Musso?
03:09O Presidente da República pretende fazer um evento para vetar o PL da dosimetria,
03:13como uma maneira de, justamente, se posicionar desse jeitinho que o Mano Ferreira falou.
03:18Eu sou o Presidente que defende a democracia.
03:21Então, já tem, claro, além do cumprimento da Constituição,
03:24de não poder oferecer esse benefício a esses condenados por crimes contra a democracia,
03:30mas o Presidente acaba se colocando no papel de defensor da democracia
03:35ao tomar várias atitudes que, coincidentemente, acontecerão na sequência,
03:41uma da outra, e num ano eleitoral,
03:45em que o principal nome que deve aparecer de oposição
03:48é aquele que vai repetir um cenário muito parecido com o de 2022,
03:53um Bolsonaro.
03:54Neste caso, agora, Flávio.
03:56Mas, mesmo assim, expondo, mais uma vez, a polarização aqui no país.
04:00Musa.
04:01É, sem dúvida.
04:02E aqui expõe, mais uma vez, o que o Mano falou no primeiro comentário dele
04:06dos viés de confirmação.
04:07Então, cada um vai defender ali o seu lado,
04:09cada um defende a sua própria narrativa,
04:12atribuindo o 8 de janeiro a se foi uma tentativa de golpe ou não.
04:17A minha opinião, eu sempre exponho aqui, sem problema nenhum.
04:20E aí, eu acho que cada um vai usar a sua própria narrativa.
04:24Essa é uma das bandeiras que o Lula vai utilizar
04:26para eventual tentativa de mais um mandato dele.
04:30Digo eventual, porque, na minha opinião, como eu menciono aqui todos os dias,
04:33está absolutamente tudo em aberto.
04:35Quando eu falo absolutamente, na minha opinião, é realmente tudo mesmo.
04:39Ainda temos tempo para essa definição real da coisa.
04:42Então, essas narrativas serão usadas dos dois lados.
04:45Essa polarização será intensificada.
04:48E, veja, eu acho que essa polarização,
04:51ela aconteceria, talvez em menor grau,
04:53imaginemos que viesse Tarcísio,
04:56e não o Flávio Bolsonaro, como falávamos algumas semanas atrás aqui.
04:59A polarização também ocorreria, acredito que, em um menor grau, de fato.
05:03Mas, ainda há uma divisão muito grande na sociedade,
05:07que eu atribuo isso ao amadurecimento político da sociedade como um todo.
05:12Num primeiro momento, essa polarização faz parte de debater ideias.
05:16Quando a população ainda não é majoritariamente politizada,
05:19esse debate é mais raso.
05:21Mas faz parte do aprendizado de todos nós.
05:23E isso vai aprofundando esse debate ao longo dos anos,
05:26ao longo do tempo.
05:27Mas, sem dúvida nenhuma, em 2026,
05:29veremos mais uma polarização, na minha opinião, independente do cenário.
05:33Mas mais intensificada se, de fato,
05:35concretizar a candidatura de Flávio,
05:38e também concretizar, de fato, a candidatura de Lula.
05:41Agora, 4 horas e 25 minutos.
05:42Quem nos acompanha pela rádio, um rápido intervalo.
05:44Daqui a pouco espero vocês.
05:46Nas outras plataformas seguimos.
05:47Mano, levanta a mão e depois eu quero ouvir o nosso amigo Zé Maria Trindade,
05:50que chega também ao vivo aqui para o nosso 3 em 1.
05:52Diga, mano!
05:52Eu queria pegar o gancho do que o Bruno estava falando,
05:55porque hoje parece que virou moda
05:58tratar a polarização como se ela fosse um problema por si.
06:02Eu diria que todo processo político tem polarização.
06:06A questão é entender quais são os elementos,
06:09qual é a narrativa que polariza.
06:12E, muitas vezes, quando nós vivemos democracias saudáveis,
06:16em que temos projetos de país com clareza apresentados por eleitor,
06:22a polarização se dá em torno de projetos,
06:26em torno de uma visão.
06:27Então, a economia liberal ou uma economia estatizante
06:31é uma política de segurança pública mais punitiva
06:35ou mais garantista.
06:37Aí nós temos polarizações em torno de ideias e projetos para o país.
06:42O que eu acho que a gente tem assistido no Brasil nos últimos anos
06:45é uma polarização que, no lugar de ter como elemento central
06:50os projetos de país, ela acaba tendo como elemento central
06:55uma polarização afetiva, que é quase uma visão de mundo,
06:59um estilo de vida ou um modo de se colocar no mundo,
07:04uma forma de se identificar com um líder populista,
07:08no lugar de se identificar, de fato, com propostas concretas
07:13de políticas públicas para o país,
07:15que é o que, afinal de contas, significa o debate e a disputa eleitoral.
07:20Então, eu acho que sempre tem polarização.
07:23A questão é, a polarização de 2026 será capaz de debater
07:29os temas que, de fato, importam para o futuro do Brasil
07:32ou seguiremos numa polarização entre personalidades e cultos apopulistas?
07:39Eu acho que essa é a questão que está colocada.
07:42Sim, mano.
07:43Zé Maria Trindade, eu quero te ouvir também sobre essas situações.
07:46Apesar de não haver uma concessão do indulto de Natal
07:49para aqueles que cometeram crimes contra a democracia,
07:52o presidente da República consegue, a partir da sua defesa
07:55e da necessidade médica que foi comprovada pelos peritos,
07:59sair agora no dia 24, passar pela cirurgia no dia 25
08:02e ter a sua recuperação garantida para depois retornar
08:06à superintendência da Polícia Federal.
08:08Como é que você avalia essas questões?
08:09O que as necessidades do presidente da República
08:12e as decisões que são tomadas pelo presidente Lula
08:15em relação à concessão do indulto de Natal?
08:19Boa tarde.
08:20Muito boa tarde, boa tarde a todos.
08:22Olha, o ano tem completa razão.
08:25Eu vim de uma cidade do interior
08:27onde havia uma polarização muito grande
08:30e, inclusive, emocional.
08:32Com nomes, apelidos jocosos de um lado, de outro.
08:35Aí eu fui para a capital, Belo Horizonte, de Minas Gerais,
08:38e lá também a polarização era muito grande.
08:41Depois, Brasília, eu entendi a polarização nacional.
08:44E olhando, eu tive o cuidado de olhar os últimos resultados eleitorais,
08:48as últimas eleições foram decididas nos detalhes, né?
08:53Ali atrás, quando Fernando Henrique ganhou no primeiro turno,
08:56depois de lá pra cá, a polarização tomou conta.
09:00O Aécio perdeu para Dilma Rousseff por poucos votos.
09:04Quase o Aécio Neves era o presidente da República
09:07e estaríamos numa situação diferente.
09:10Não sei se melhor ou pior, mas bem diferente, né?
09:12Então, a polarização, ela é escrita nos gráficos
09:16dos últimos resultados das urnas eletrônicas.
09:19Só que agora se polariza até chinelo na rua.
09:22Então, assim, a falta de racionalidade e conceitos
09:27acabou confundindo tudo.
09:29E aí cai a polarização, inclusive, sobre o general Heleno.
09:34Quem é, em sã consciência, que pode entender
09:36que o general Heleno, naquela condição, oferece riscos à sociedade
09:41e que deve continuar na cadeia sem saber o que está acontecendo com ele?
09:46É claro e evidente que está correta a decisão
09:49de mandá-lo para a prisão domiciliar.
09:53Eu acho até que ele nem deveria ser condenado
09:55diante da situação e da participação dele no episódio.
10:00Mas, enfim, foi condenado.
10:01Então, assim, é muito claro isso.
10:03Mas há quem defenda que ele continue assim.
10:06Da mesma forma, o ex-presidente Jair Bolsonaro,
10:09ele não é um preso comum.
10:11Não há polarização que possa indicar
10:13que Jair Bolsonaro é um preso perigoso,
10:16que tem que ficar em segurança máxima
10:18e que não deve ser tratado.
10:20Olha, ele está sob os cuidados do Estado.
10:23O preso, o condenado, o sentenciado, né?
10:26Que é lá o nome que dê.
10:27Ele não tem vontade própria.
10:29Ele não pode ter vontade própria.
10:31Quem tem vontade própria para ele é o Estado.
10:33Então, o Estado, com essa vontade própria
10:36emprestada do sentenciado, tem que cuidar, né?
10:40E esse cuidado leva o ex-presidente Jair Bolsonaro
10:44a fazer as cirurgias necessárias.
10:47E veja bem que ele nem está onerando o Estado.
10:50Ele está indo para um hospital particular, né?
10:53E não está exatamente onerando o Estado no SUS.
10:56Então, é óbvio que essa atenção deve ser levada ao ex-presidente.
11:02E o ministro Alexandre de Moraes sabe muito bem disso.
11:05Todas as decisões dele são de muito cuidado com a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro.
11:11A autorização expressa para visita de médicos
11:14sem nenhum pedido especial, né?
11:17E uma determinação de que ele deve estar atendido a todo instante.
11:22houve até o cuidado da Polícia Federal de fazer ali um contato com o corpo de bombeiros
11:27se precisar de uma emergência e assim por diante.
11:30Então, essa polarização leva a uma disputa e um debate sobre coisas banais e óbvias, né?
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