00:00Ô Bruno Musa, você acha que faz sentido insistir nessa conversa de classificar como terrorista a facção criminosa,
00:08depois de toda a divergência que esse trecho do projeto já indicou?
00:13Eu acho que sim, se a gente quer voltar no tema anterior que nós falamos a respeito de sairmos da ponta do iceberg e ir à raiz do problema,
00:22eu sou a favor que seja classificado, outros terão argumentos contra, mas eu acho que faz sentido o debate.
00:30Sim, uma sociedade madura, que nós claramente não somos, mas a gente precisa começar a caminhar nesse sentido da maturidade,
00:37o debate faz parte, o debate é necessário, não há engrandecimento sem debate.
00:42Como é que você vai colocar as suas ideias à prova se você não ouve o outro lado, se você não se permite ouvir o contrário?
00:48No Brasil nós estamos na moda agora de calar todo mundo e calar significa não comente, não fale, é assim, sou eu quem quero e ponto final.
00:57Não deve ser assim uma sociedade madura, uma sociedade que pensa em ter um país desenvolvido.
01:02As suas ideias sempre podem ser colocadas à provas com outros fatos, dados e nada contra, se você for contra,
01:09continuar divergente do meu posicionamento.
01:14Está tudo bem, mas vamos partir de um debate mais maduro com dados, fatos e números.
01:19E no Brasil pouco se olha fatos, pouco se olha números, pouco se olha práticas internacionais.
01:25Então vamos analisar o que as facções terroristas pelo mundo fazem, quais são as ações que elas repetem ao longo do processo em vários países.
01:34E como elas se comportam aqui, portanto, há algum tipo de semelhança ou não?
01:38Então eu acho que sim, faz total sentido, na minha opinião, esse debate, porque o crime já passou e muito do óbvio aqui no Brasil.
01:49Em 1992, o Gary Becker, que ele escreveu um livro que chama Teoria Econômica do Crime.
01:56E eu já mencionei isso aqui sem dar nome a ele, agora vamos dar que ele foi o Prêmio Nobel lá de 92.
02:01E ele mostra claramente como o crime é como qualquer decisão que nós fazemos.
02:06Ou seja, você calcula, mesmo que intuitivamente, instintivamente, o risco daquela atuação versus o benefício que você pode ter.
02:14No Brasil, o risco de você ser pego com um crime é muito baixo e o benefício que você pode ter é muito alto.
02:21Ou seja, se você não é moral e não é ético, o crime no Brasil compensa claramente.
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