Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Laura Hauser, socióloga e pesquisadora de IA, analisou como a possível ampliação da produção do chip H200 da Nvidia impacta a guerra fria digital entre Estados Unidos e China, a corrida por autossuficiência tecnológica, o papel do software da Nvidia e os efeitos geopolíticos da inteligência artificial.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Em meio à Guerra Fria, digital, entre China e Estados Unidos, pela liderança da inteligência artificial,
00:05a NVIDIA considera ampliar a produção do chip H200.
00:09Para entender o que isso significa nessa batalha, eu recebo aqui no estúdio Laura Hauser,
00:13que é socióloga e pesquisadora de IA.
00:16Boa noite, Laura. Tudo bem com você?
00:17Boa noite. Muito obrigada pelo convite.
00:19Eu que agradeço a sua presença aqui.
00:21Laura, eu queria que você explicasse um pouquinho, né?
00:23O H200 é um chip um pouco mais sofisticado.
00:26Ele ficou durante um tempo proibido de ser vendido para a China.
00:29O presidente Donald Trump tinha aquela ideia de que seria negativo para a economia americana.
00:34Mas agora o Jason Huang da NVIDIA conseguiu convencê-lo de alguma maneira.
00:37O que muda nessa guerra entre Estados Unidos e China?
00:41A mudança e a possibilidade dos Estados Unidos vender o H200 para a China?
00:45Então, pois é. Eu acho que é um símbolo de um dilema geopolítico que a gente vê aqui nesse chip H200,
00:52que, aliás, é bem mais potente do que o anterior, o H20, que era vendido para a China.
00:58Era comercializado.
01:00Então, assim, tem um dilema grande aqui, que é se, por um lado, eu restrinjo a venda dos chips à China,
01:09ok, eu tenho a ilusão de que os chineses, então, têm uma distância maior de desenvolvimento da inteligência artificial,
01:17que impacta, inclusive, em fins bélicos.
01:19Por outro lado, eles ganham velocidade em autossuficiência.
01:24Então, por exemplo, um pouco antes do Trump liberar a venda sob sanções, sob taxas de 25%, claro,
01:33o governo chinês colocou a Huawei como uma das possíveis fornecedoras.
01:41Isso não tinha acontecido antes.
01:42Então, a gente entra numa competição por autossuficiência também.
01:46Se eu libero, as pessoas ficam com medo pela segurança nacional, porque a competição pela IA é absurda.
01:53É uma corrida tipo guerra fria mesmo, uma guerra fria digital.
01:57A gente fala de uma cortina de ferro digital.
01:59Então, tem uma corrida muito grande e isso diminui a distância entre Estados Unidos e China,
02:05Estados Unidos estando na frente dessa corrida.
02:07Laura, o que eu lembro um pouquinho, um tempinho atrás, é que o Jensen Huang, ele acabou virando uma pessoa interessante,
02:14quase que um embaixador ali da inteligência artificial.
02:17Ele lida com os Estados Unidos, ele lida com a China, ele nasceu em Taiwan.
02:20Então, ele tem toda essa triangulação que é super interessante.
02:23Agora, eu lembro que ele também convenceu o presidente Donald Trump dizendo o seguinte,
02:26olha, é importante que o padrão mundial seja o padrão americano.
02:30Exatamente.
02:30Porque nós temos esse poder de controlar um pouco como é que a tecnologia avança entre os países.
02:35É mais ou menos por aí o interesse do Jensen Huang, que ele conseguiu convencer o presidente Donald Trump?
02:40É mais ou menos por aí?
02:41Perfeito.
02:42Aliás, é um ótimo argumento de convencimento.
02:44Porque não adianta a gente ter os maiores GPUs, ou seja, as maiores ferramentas de funcionamento,
02:51de treinamento de IA, sem um bom software.
02:55E o software que está sendo o padrão mundial hoje é o da NVIDIA.
02:59E isso é um diferencial geopolítico, um diferencial econômico de negócio que é imenso.
03:08E se, caso as restrições sejam muito fortes, a China pode tentar tomar esse local do software
03:16que ocupa esse centro mundial ali, esse padrão mundial.
03:20Hoje, o software da NVIDIA, acho que domina mais de 90% do padrão aqui.
03:26Agora, a gente tem visto essa competição também na área dos LLMs, dos Large Language Models.
03:32A gente vê, por exemplo, a OpenAI brigando.
03:35Estão vendo aqui o Satya Nadella da Microsoft, enfim.
03:39Mas a OpenAI brigando com a XAI do Elon Musk.
03:43O Gemini 3 do Google vindo com muita força também.
03:47Antropic com o Claude.
03:48Como é que você vê essa disputa entre as empresas americanas em relação às chinesas?
03:54No caso, a Huawei, a Baidu.
03:55Baidu também, acho que também tem um LLM importante.
03:59A Xiaomi.
04:00Enfim, como é que você vê a disputa entre os LLMs americanos e chineses?
04:04É uma boa comparação.
04:05Embora a gente tenha mais LLMs do que empresas como a NVIDIA.
04:09E como a empresa de semicondutores, a TSCM, de Taiwan.
04:15A empresa de semicondutores de Taiwan.
04:17Então, assim, a gente vê um monopólio maior nesse tipo de empresa.
04:20A gente tem muito menos.
04:21O LLMs, a gente está tendo muito mais.
04:24Então, a guerra é um pouco maior e mais diversificada.
04:26Mais aberta.
04:27E mais aberta.
04:28Então, de fato, a gente tem isso.
04:29Mas é um bom paralelo.
04:30Porque como é que se ganha essa guerra?
04:33Por que a OpenAI sai tão na frente, muitas vezes?
04:36Porque ela tem um bom software.
04:37Porque ela tem uma boa usabilidade.
04:39É fácil usar o chat GPT.
04:41Tanto que as outras a copiam, muitas vezes, por ser esse padrão mundial.
04:47E é isso que a NVIDIA quer continuar a ser dentro da sua área,
04:51que é o desenho desses grandes chips, dessas GPUs.
04:55Ela não toca, ela não fabrica o chip em si.
04:58Mas dentro do desenho desses chips, que são os grandes treinadores de inteligência artificial.
05:03E como é que você viu quando a gente surgiu ali ao longo do ano?
05:06A gente viu o DeepSeek, que era aquela plataforma chinesa que acabou sendo um pouco revolucionária.
05:12Acabou derrubando um pouco as ações da NVIDIA, porque ela fazia mais ou menos o que a OpenAI fazia.
05:17Enfim, com menos recursos, um pouco mais barato.
05:19E código aberto.
05:20A China tem essa característica.
05:22A maioria das empresas tem código aberto.
05:23Como é que você vê a chegada desses players com código aberto e também nessa competição entre Estados Unidos e China?
05:28É um aviso.
05:29Se antes a gente tinha na Guerra Fria a corrida espacial, agora a gente tem a corrida da tecnologia de inteligência artificial.
05:37Então, é um belo aviso de conseguimos fazer também com menos recursos e talvez com uma performance tão elevada quanto.
05:47Embora a gente ainda não tenha essas mesmas ferramentas.
05:51Daí a necessidade de importar o H200.
05:55Tem essa falha.
05:56Mas você trouxe o CEO da NVIDIA e eu acho simbólico.
06:03Realmente é uma figura simbólica aqui de codependência.
06:06Que simboliza muito a codependência desse mercado de inteligência artificial entre Estados Unidos e China.
06:13Ou seja, ao mesmo tempo é uma competição ferrenha para quem sai na frente, para quem tem os melhores modelos, autossuficiência, os softwares.
06:21Mas também é uma codependência total.
06:22Então, se a NVIDIA tem o melhor desenho de GPUs e de software desse chip essencial para o modelo de treinamento, ela não consegue produzir sem a China.
06:33Agora, outro ponto, Laura.
06:35Porque tem tanta coisa para a gente falar de inteligência artificial.
06:37Isso praticamente virou a grande estrela da economia americana, de uma maneira geral.
06:43Você pega a SP500, a maioria das empresas ali, quase toda a bolsa americana está sendo movida por essas grandes empresas.
06:50Agora sim, em relação à China.
06:51O que me parece também que é uma visão diferente entre os dois países, os Estados Unidos estão muito buscando aquela inteligência artificial generativa, inteligência artificial geral.
07:00Sem entrar muito em detalhes técnicos, mas parece a inteligência artificial mais voltada para modelos de negócio e modelos de criação, que podem ser aplicados em empresas de uma maneira geral.
07:12Enquanto a China parece optar por um caminho mais voltado para a automação, para a parte mais prática da inteligência artificial, para as suas fábricas, para as suas linhas de montagem.
07:21Você acha que tem essa diferença também entre os dois países?
07:24E qual você acha que é a visão correta, vamos dizer assim, se é que há uma?
07:28É, correta é uma palavra forte.
07:30Mas eu acho que são modelos de fato diferentes.
07:33Por exemplo, você falou do DeepSeq, uma diferença do modelo chinês, além do código aberto, é o controle dos dados.
07:41Existe um controle muito maior do estado dos dados e não são poucos dados, né Felipe?
07:46Basta ver a população chinesa.
07:47A gente tem super apps na China, como o Tencent, por exemplo, em que você faz tudo, desde marcar consulta médica até pagar conta e todos os seus dados estão lá.
07:55Isso para treinamento de inteligência artificial é algo absurdo.
07:59A gente está falando da ordem dos trilhões de dados.
08:01É muito mais difícil você treinar inteligências artificiais com bancos de dados separados, como é nos Estados Unidos, como é aqui no Brasil.
08:09Também onde a gente não tem esse super apps e esse controle dos dados centralizado no estado.
08:16Então, de fato, são modelos diferentes.
08:19Nos Estados Unidos eu vejo esse modelo empresarial também de vários LLMs, de várias empresas diferentes batalhando ali.
08:27Tanto que uma coisa engraçada é a gente, com essa questão do H200, a gente gera uma competição.
08:33A gente vê a competição não só entre Estados Unidos e China, mas dentro das próprias empresas americanas.
08:39Porque a NVIDIA e o Google, por exemplo, mandam fabricar seus chips na empresa de semicontores de Taiwan.
08:47Então, eles também estão competindo por essa demanda ali, pelos chips que tem, porque a oferta ainda é inferior ao que eles precisam.
08:56Então, assim, são modelos totalmente diferentes ali.
09:01Eu não acho que existe uma maneira correta.
09:03Eu acho que tem questões éticas nas duas, muito fortes.
09:08Por exemplo, na China, a questão do uso de dados para a escola social.
09:13Aqui, no nosso modelo, a questão de compliance e governança de inteligência artificial, de quem?
09:19Quem leva a culpa, se algo der errado?
09:22Temos questões éticas diferentes.
09:24Na Europa, você já tem uma regulação muito maior, né?
09:27Mas que é complicada também.
09:29A gente tem hoje dois grandes modelos de regulamentação.
09:32Pois é, na Europa, ela é transversal.
09:35Ela passa todos os modelos, todos os tipos de negócio.
09:38Qual que é o problema?
09:39Às vezes, ela fica muito generalista.
09:41Ou eles querem detalhar demais.
09:44E aí, isso atrasa o processo.
09:46Tanto que a Europa está meio fora do jogo.
09:49Aí, já o político da inteligência artificial.
09:51E nos Estados Unidos, a regulamentação vai muito por setor.
09:57Cada setor se autorregula.
09:58Qual que é o problema aqui?
10:00Um setor pode estar muito regulado e outro pouco.
10:03Então, é difícil ter essa transversalidade.
10:04Mas é algo que ele avança mais.
10:07E agora, com o Trump, a gente tem leis que estão liberando muito mais o processo de avanço.
10:12Como a própria lei dos chips, que ele lançou agora.
10:16E também, ele acabou com uma série de ordens executivas que foram feitas no governo Biden.
10:22Que tinham atrasado, com muitas aspas, na verdade.
10:27Adquiriam o desenvolvimento mais responsável, mais lento da inteligência artificial.
10:31Muito bem.
10:32Laura Hauser, socióloga e pesquisadora de IA.
10:35Laura, super obrigado pela sua presença.
10:36Você volta aqui para a gente conversar mais?
10:38Com certeza.
10:38Poderíamos conversar horas sobre isso.
10:40Por favor.
10:40Com certeza.
10:41Então, obrigado e boa noite para você.
10:42Tchau, tchau, tchau.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado