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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez duras críticas ao projeto de lei da dosimetria das penas, que vem sendo articulado pela cúpula do Partido Liberal (PL) com o aval de Jair Bolsonaro.

Em tom de advertência, o magistrado afirmou categoricamente que "não se pode tolerar flerte contra a democracia".

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/u8JMX3ZGhC4

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Transcrição
00:00No Senado, debatendo o projeto da dosimetria, o ministro Alexandre de Moraes afirma que não é possível o país acertar, flertar contra a democracia.
00:10Janaína Camelo, também de Brasília, chegando com as informações, em qual contexto ele deu essa declaração. Tudo bem, Janaína? Boa noite.
00:21Tudo bem com você, Tiago? Boa noite, boa noite pra todo mundo.
00:25Pois é, o ministro Alexandre de Moraes não citou especificamente o PL da dosimetria, mas ele deu essa declaração no final do julgamento de hoje do Núcleo 2, que condenou mais cinco réus ali na trama golpista.
00:37Ele disse isso, que qualquer assunto nessa linha no Congresso Nacional, se for aprovado, seria ali um recado à sociedade brasileira de que o Brasil flerta contra a democracia.
00:50Foram essas palavras do ministro hoje, relator ali no caso da trama golpista.
00:55A gente separou exatamente esse trecho pra ouvir agora. Tiago, vamos ouvir.
00:59Não é possível mais discursos de atenuante em penas, em penas aplicadas depois do devido processo legal,
01:10aplicadas depois da ampla possibilidade de defesa, porque isso seria um recado à sociedade de que o Brasil tolera ou tolerará novos flertes contra a democracia.
01:27Pois é, lembrando que esse assunto, o PL da dosimetria, está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado amanhã,
01:38mas ainda há muita divergência ali entre os senadores.
01:42O próprio presidente da CCJ, o senador Otto Alencar, disse que além, o projeto indo além dos processos do 8 de janeiro, isso não passa.
01:52O relator do projeto no Senado, que é o senador Espiridion Amin, já tem uma outra ideia.
01:57Ele defende o texto como veio da Câmara dos Deputados, mas defende fazer alguns pequenos ajustes com relação àquela questão toda
02:03que está sendo discutida nesses últimos dias, de que como está esse texto pode acabar beneficiando outros criminosos, outros tipos de crimes.
02:12Então, tudo está sendo ajeitado ali de última hora até amanhã, para saber se é possível construir um novo texto para ser votado amanhã,
02:20para ser analisado ou não, ou pode haver um pedido de vista, por exemplo, para que esse caso possa ser discutido só no ano que vem.
02:27Tiago.
02:28É isso. Bom, Janaína, você acompanhou também a sessão do Supremo, mais uma sessão do julgamento do núcleo 2 da trama do golpe.
02:36Daqui a pouco você vem com esses detalhes. Deixa eu perguntar para o Cristiano Villela.
02:40O Villela, ele não cita o PL da dosimetria, mas mandou o recado dele, né?
02:48Agora sim, Villela.
02:50Acho que agora sim, né?
02:52Agora sim.
02:53Mandou o recado, colocou o seu posicionamento e eu, pessoalmente, não imaginaria que o posicionamento,
02:59pelo menos oficial, um discurso do Supremo, ele seja no sentido contrário a qualquer projeto de lei nesse sentido.
03:06O que eu vejo que o Supremo Tribunal pode fazer é tolerar.
03:11É dentro desse espírito de se chegar ali a um certo consenso, de virar a página desse tema na história política do Brasil,
03:19de eventualmente tolerar algum tipo de dosimetria, até porque seria um ato que viria por parte do Poder Legislativo,
03:27que tem autonomia para isso, tem competência constitucional para isso.
03:31Nesse sentido, quando o relator da Câmara, o deputado Paulinho da Força, por exemplo, coloca que ele entende que não haverá nenhum óbvio por parte do Supremo,
03:40eu entendo que o Supremo visualiza que não há o que fazer, que não vai se posicionar de uma forma contrária,
03:47que não vai, de alguma forma, questionar a constitucionalidade daquela medida.
03:51Agora, que de fato, a partir do momento que qualquer juiz, isso não vale só para essa decisão do Supremo,
03:58qualquer juiz toma uma decisão, estabelece uma pena,
04:01bem verdade que nenhum juiz vai gostar ou gosta, de uma forma geral,
04:05de que haja algum tipo de reforma naquilo que ele decidiu.
04:09Pois é, Eduardo, ele falou isso numa sessão, pelo menos nesse ponto tudo bem?
04:13Olha só, o ministro não falou isso por acaso, muito menos falou sozinho, né?
04:21Falou de maneira isolada.
04:23Evidentemente que esse tipo de manifestação é algo que tem o seu lugar, tem o seu propósito,
04:29e o propósito foi exatamente esse, mandar esse recado ao Supremo, ao Congresso,
04:36é como pensa o Supremo, isso não quer dizer que o Congresso deva seguir o que o Supremo diz,
04:43é como pensa.
04:45Agora, isso também, esse tipo de posicionamento, que não é isolado, repito,
04:51também desmonta aquela tese de que tudo isso, o texto da Câmara,
04:57foi negociado e amarrado anteriormente com o Supremo.
05:02Aliás, o relator lá na Câmara, o deputado Paulinho da Força,
05:06fez uma descortesia com o tribunal,
05:10quando, no dia em que foi agora anunciado que o tema seria pautado,
05:15ele disse o seguinte, olha, nessas palavras,
05:19o que a Câmara aprovar, o Supremo vai bater o martelo.
05:23Ele usou essa expressão, extremamente descortês.
05:28Então, pelas movimentações que aparecem no Senado,
05:33e amanhã a gente vai ver, foi uma mudança de tom total,
05:37porque a coisa vinha caminhando relativamente tranquila,
05:40e aí os ventos mudaram.
05:43O senador Alessandro Vieira já antecipou o voto dele,
05:48hoje completamente contrário, o presidente da CCJ é contrário,
05:52o relator no Senado, Esperidião Amin,
05:57diz que do jeito que está não passa, precisa mudar.
06:00Então, amanhã a gente vai ver como é que fica,
06:04nesse balanço, nesse ambiente, o Davi Alcolumbre,
06:08porque o presidente do Senado havia prometido,
06:12ao presidente da Câmara, se comprometido,
06:14não só que o tema seria pautado, mas que seria aprovado.
06:18Pois é, e deixa eu só que...
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