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Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União-GO) criticaram a PEC da Segurança Pública em uma reunião com governadores de direita.

O encontro ocorreu às vésperas da apresentação do texto final da proposta no Congresso, reforçando o coro da oposição. Reportagem: Matheus Dias.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/vVqs9eAVcsU

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Transcrição
00:00Falando sobre segurança, a PEC em debate no Congresso Nacional hoje,
00:03dois governadores de oposição à Lula estiveram no Congresso Nacional
00:09para tratar dessa questão.
00:11Repórter Matheus Dias chegando com as informações,
00:14foram críticas feitas ao projeto.
00:16Bem-vindo, Matheus, agora sim, boa noite.
00:21Agora sim, viu, Tiago. Boa noite para você, boa noite a quem nos acompanha.
00:25Então, às vésperas da apresentação da PEC da Segurança Pública,
00:29pauta tão debatida, pauta que gera tantas polêmicas entre ambos os lados políticos
00:34e, como o Coba falou, vai ser bastante explorado, principalmente no ano que vem,
00:38esse tema da segurança pública.
00:39Hoje, então, teve uma comissão especial na Câmara dos Deputados
00:42e que contou com a presença de dois dos governadores que são considerados presidenciáveis,
00:47inclusive Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo,
00:50e Ronaldo Caiado, governador de Goiás.
00:52Eles participaram da comissão especial para afinar ali,
00:55debater as últimas ideias, os pontos a serem acertados nessa PEC da Segurança,
01:01que boa parte do centro-direita critica a forma como foi estipulado e desenhado
01:06ali esse projeto pelo governo federal, pelo Palácio do Planalto.
01:10Então, hoje, Tarcísio e Ronaldo Caiado usaram o tempo que tiveram para discursar,
01:16não só para criticar a PEC, mas também para fazer um tom de campanha ali, Tiago.
01:21Eles que bateram bastante na tecla da segurança pública.
01:24Caiado defendeu bastante que, na visão dele, o estado de Goiás é o estado mais seguro do país.
01:30E Tarcísio de Freitas falou bastante, inclusive, do combate à Cracolândia
01:34e como os números da criminalidade no estado de São Paulo têm caído cada vez mais.
01:40Mas se esse discurso começou em tom de campanha, logo virou em tom de ataque,
01:45pelo menos do lado do governador de Goiás, como você bem disse, Caiado,
01:49gerou bastante entrave ali entre os parlamentares de esquerda.
01:53Ele que começou com um discurso mais ameno, mas logo começou a atacar prontamente o PT.
01:59Ele fez duras críticas, dizendo, inclusive, que o partido é aliado a facções criminosas.
02:05Vamos ouvir.
02:06A complacência e a conivência do PT com as facções criminosas é algo muito nítido, muito claro, muito identificado.
02:19Essa parceria entre a parte criminosa das facções e a convivência do Partido dos Trabalhadores.
02:27Isto provoca uma facilidade para que as facções possam trabalhar no Brasil, ampliar cada vez mais as suas ações
02:38e enfrentar com uma retaguarda muito grande do governo federal.
02:49Pois é, mesmo que em um tom mais ameno que o do governador de Goiás, Tarcísio de Freitas,
02:54também criticou a PEC da segurança como ela foi desenhada pelo governo federal.
02:59Ele disse, entre alguns pontos e fazendo algumas comparações de projetos,
03:04mas que da forma como foi estipulada, ela fere a autonomia dos estados no combate à criminalidade,
03:11no quesito da segurança pública.
03:13Tarcísio disse que o modelo de São Paulo deveria ser seguido, assim como o modelo de Goiás,
03:17e, segundo ele, saiu satisfeito da reunião feita hoje,
03:22no projeto, então, que é relatado por Mendonça Filho, o deputado Mendonça Filho,
03:26Tarcísio acredita que a pauta será mais próxima do que pensa o centro e a direita,
03:32e diferente do que foi estipulado no primeiro projeto.
03:35A gente percebeu logo de cara, Ronaldo Caiano,
03:39que a PEC era cosmética,
03:42que ela não resolveria os problemas.
03:44Porque, na verdade, simplesmente o que ela estava fazendo, deputado Mendonça Filho,
03:47era elevar ao status de emenda da Constituição aquilo que já está previsto na lei única,
03:53na lei do Sistema Único de Segurança Pública, a lei do SUSP.
03:58Isso significa que o Estado brasileiro está admitindo que a lei do SUSP não pegou,
04:04que a lei do SUSP fracassou.
04:06E aí, é um clássico no Brasil, se a lei do SUSP fracassou,
04:10eu tenho que elevar isso ao status constitucional para tentar dar envergadura,
04:14para tentar fazer pegar.
04:15Isso não faz o menor sentido.
04:17Tiago, e na mesma linha, e ao mesmo tempo,
04:23numa tangente ali, enquanto o Tarcísio e Caiado participavam da reunião na Câmara dos Deputados,
04:28no Senado Federal, então, hoje teve também uma comissão de Constituição e Justiça
04:32para discutir o marco legal do combate ao crime organizado.
04:37Essa aqui é uma outra pauta, mas na mesma linha.
04:39O senador Alessandro Vieira, que é também o relator dessa pauta,
04:42ele disse que vai criar um fundo para financiar o combate ao crime organizado,
04:47e os recursos para esse fundo, que vão apoiar ali uma série de delimitações novas na segurança pública,
04:55os recursos a serem usados nesse fundo vão ser tirados de taxações,
04:59ABETs e Fintechs, que é isso que a gente vai discutir daqui a pouco, Tiago.
05:03Mas falou que a proposta, originalmente apresentada pelo Poder Executivo,
05:08vai ser votada na CCJ, vai passar pelo plenário do Senado,
05:12e depois, se tiver tido alguma modificação pelos senadores,
05:16aí volta para a Câmara dos Deputados.
05:19Dois projetos ao mesmo tempo, um na Câmara dos Deputados,
05:22o outro no Senado, mas com o mesmo fim.
05:24Tema que no ano que vem será tão debatido e usado por muitos políticos
05:28como trampolim de campanha, né, Tiago?
05:31Você volta falando dessa aprovação no Senado,
05:34em relação às BETs e também às Fintechs.
05:37Está daqui a pouquinho, Matheus, Dora Kramer e Nelson Kobayashi.
05:40Kobayashi, comece por você, que os dois governadores são contrários
05:44a essa PEC da segurança, isso a gente já sabe faz tempo,
05:47por causa de autonomia dos estados, muita discussão.
05:50Mas a artilharia vai sendo mais pesada, né,
05:53porque Ronaldo Caiada é pré-candidato à presidência
05:55e Tarcísio de Freitas é vai e não vai para o Planalto.
05:59Sim, e aí junto ao último agradável para ambos, né,
06:03porque eles têm os seus fundamentos como governadores de Estado,
06:06eles estão vendo competência, não saindo, mas sendo compartilhada
06:10das suas polícias, a Polícia Civil com a Polícia Federal
06:12e a Polícia Militar com a Polícia Rodoviária Federal,
06:15que inclusive mudaria de nome, segundo o texto da proposta
06:17da Emenda Constitucional da Segurança Pública,
06:20e isso naturalmente é ruim para eles.
06:22Eles perdem poder, compartilham poder com a União
06:26e com as Forças Federais de Segurança.
06:27E por outro lado, aproveitam esse argumento para atacar
06:31a proposta do governo, já que estarão certamente em polos opostos.
06:35Sejam candidatos ou não, certamente Tarcísio e Caiado
06:38não estarão no mesmo palanque que Lula no ano que vem.
06:41Se não forem candidatos, estarão apoiando algum candidato
06:44de oposição ao presidente da República.
06:46E com a pauta que a gente tem repetido aqui,
06:48que é aquilo que mais preocupa a população,
06:50segurança pública.
06:51E a PEC da Segurança, de fato, não resolve o problema.
06:54Ela trata muito mais da estrutura do que propriamente
06:58do combate ao crime e de valorização das forças policiais.
07:02E, na verdade, do meu ponto de vista,
07:04quando a gente ocupa demais a Polícia Federal com outras coisas,
07:07cada policial federal cuidando do que um policial militar,
07:10um policial civil faz, é um policial federal a menos,
07:12cuidando de corrupção com verbas federais.
07:16Odora, politicamente, o governo corre o risco
07:18de perder essa batalha em relação à PEC da Segurança?
07:22Não, talvez, porque o projeto não possa ser aprovado,
07:25mas por ser desfigurado?
07:29Olha, entrou perdendo,
07:32porque, tradicionalmente, o governo, a esquerda,
07:35o campo ideológico que o governo representa,
07:39não entrou nunca nessa discussão da segurança pública
07:44de uma maneira séria e, principalmente,
07:48quando entra, entra em dissonância com o que pensa a população.
07:52Agora, é super bem-vinda essa discussão,
07:56que o tema da segurança esteja em foco,
08:00porque, realmente, uma hora,
08:02esse problema precisaria ser encarado pelo poder público.
08:06Agora, a gente viu nessas duas participações
08:10dos governadores Tarcísio e Caiado uma diferença.
08:14O governador Tarcísio discute o mérito.
08:17Foi para isso que eles foram chamados,
08:20para discutir o mérito da PEC da Segurança.
08:24E ele externou a posição dele, ok.
08:26Já o governador Caiado faz ataques,
08:31palanqueiros, ataques,
08:33meu ponto de vista, leviano,
08:35quando acusa um partido de ser cúmplice de facção.
08:40Ele está fazendo uma acusação grave, né?
08:42Eu acho que isso é uma posição
08:45que torna o governador Caiado,
08:49coloca ele numa posição em que ele não pode criticar
08:52o governo quando faz a mesma coisa, né?
08:56Também acusa a direita, os seus oponentes,
09:01intercúmplice da matança,
09:03da não proteção aos direitos humanos.
09:06Enfim, quando essa discussão vai para o palanque,
09:10ela perde totalmente o sentido
09:13e eu acho que tende a afastar o eleitorado.
09:17Então, a discussão de mérito
09:18que fez o governador Tarcísio, ok,
09:21a gente pode concordar ou não
09:22com a visão que ele tem,
09:24mas pelo menos coloca a posição.
09:27Na questão do projeto anti-facção,
09:29que o governo prefere que chame de marco legal,
09:32até esqueci o nome,
09:33mas o nome que ficou
09:35é o projeto anti-facção.
09:38A boa notícia é que tem um relator
09:41completamente comprometido
09:44com o conteúdo.
09:46E eu acho que, acho não, tenho certeza
09:49que assim ele vai levar o relatório.
09:52Agora, o que fará o plenário do Senado
09:57e depois o plenário da Câmara
09:59quando, com as modificações,
10:01isso voltar para os deputados,
10:03aí a gente já não sabe.
10:04Talvez caia nesse campo minado
10:07que é o palanque eleitoral.
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