A taxa de desemprego do trimestre, encerrado em outubro de 2025, caiu para 5,4%, repetindo a menor taxa da série histórica, que teve início em 2012. Alan Ghani analisa o cenário.
Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtube.com/live/ntSxZdaQUsM
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal: https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
00:00A taxa de desemprego do trimestre, encerrado em outubro de 2025, caiu para 5,4%, repetindo a menor taxa da série histórica que teve início lá no ano de 2012.
00:13Quem volta com a gente é o Alan Gani, que traz mais informações para a gente desse dado, Gani.
00:17É, pois é, Paula. Taxa de desemprego muito baixa, isso mostra um aquecimento no mercado de trabalho e a audiência deve estar se perguntando agora com toda a razão.
00:27Peraí, há pouco tempo eu disse que o Caged veio pior do que o esperado, menos vagas foram criadas no mercado de trabalho formal e agora o dado do IBGE, da PNAD, mostrando um aquecimento no mercado de trabalho.
00:43Na verdade, são metodologias diferentes. Lá no Caged é apenas os empregos formais.
00:50Aqui no IBGE, o dado da PNAD, ele é mais amplo, então ele pega também aquele trabalhador autônomo, ele pega a informalidade e também pega um efeito estatístico.
01:02Por exemplo, se a pessoa desistiu de procurar emprego ou se resolveu viver de um auxílio do governo, ela saiu da força de trabalho e ela não entra mais na taxa de desemprego.
01:15De qualquer maneira, isso mostra um mercado de trabalho aquecido e provavelmente isso será utilizado na campanha eleitoral do ano que vem.
01:25O aquecimento do mercado de trabalho vai ser uma das bandeiras do presidente Lula, assim como foi também da ex-presidente Dilma no ano de 2014,
01:36tentando mostrar aí uma situação, pelo menos do lado do mercado de trabalho, mais favorável na economia.
01:42Cani, isso aí é um geralzão, né? Você tem lá esse cenário, 5,4%, como você destacou, uma boa taxa em relação ao desemprego.
01:51Mas isso não diz nada sobre qualidade desse emprego, né? Isso aí a gente precisaria de um raio-x um pouco mais minucioso.
01:57Ótima pergunta, Nonato, porque o que a gente observa hoje, e não só no Brasil, nos Estados Unidos também, o que que acontece?
02:05Você tem um mercado de trabalho aquecido, nos Estados Unidos praticamente também em pleno emprego, aqui no Brasil, né?
02:12Para as condições aqui do Brasil, a gente pode considerar também quase próximo do pleno emprego,
02:18mas há uma insatisfação muito grande por parte da população.
02:23Então, em parte, essa insatisfação é porque as pessoas têm emprego, elas trabalham muito,
02:29mas elas não conseguem compor o seu orçamento.
02:33Então, muitas vezes, elas têm que trabalhar dobrado.
02:35O que a gente verifica hoje também é que muitas pessoas fazem turnos dobrados com aplicativos
02:42ou elas estão trabalhando em aplicativos, mas não necessariamente é a profissão que elas escolheram inicialmente,
02:50aí elas não têm alternativa.
02:52Então, essa qualidade do emprego é bastante questionável.
02:57E isso seria até bastante interessante, as universidades, enfim, o meio acadêmico estudar,
03:02que é justamente como é que a gente tem um fenômeno que o desemprego, em vários países, ele é muito baixo,
03:08mas há uma insatisfação por parte da população.
03:12Isso passa, a hipótese passa, porque a renda não tem crescido, não está acompanhando o custo de vida
03:19e também porque as pessoas acabam trabalhando muito mais para conseguir fechar as contas no final do mês.
03:28É isso.
03:28Até já, Gani.
03:29Até já, Gani.
03:30Deixa eu passar para os nossos comentaristas, assunto para eles também.
03:33Primeiramente, Roberto Mota.
03:34Mota, aquecimento no mercado de trabalho nesse dado mais amplo que o Alan Gani trouxe para a gente,
03:39você vê como uma boa pauta para a esquerda utilizar no próximo ano para tentar se reeleger?
03:45Não há dúvida nenhuma, a esquerda vai tentar usar quaisquer pautas para a reeleição.
03:54Como o Gani explicou, esses índices medem coisas diferentes.
04:00Por exemplo, se você está desempregado, mas desistiu de procurar emprego,
04:06você não é contado como desempregado.
04:09De qualquer forma, isso mostra um mercado aquecido,
04:14embora as pesquisas não tragam informações sobre o tipo de emprego nem sobre a renda do brasileiro.
04:22E essas pesquisas também não apagam o fato de que o país tem uma enorme quantidade de pessoas
04:30vivendo de benefícios do Estado.
04:33em alguns estados da federação, há mais pessoas vivendo de auxílio do governo
04:40do que trabalhando com carteira assinada.
04:43Deise Siocari, como é que você vê esses números apresentados aí relacionados ao desemprego?
04:48Como o Gani falou, quase um pleno emprego.
04:52E que é o que o Mota está dizendo.
04:54Certamente deve ser usado aí pela esquerda o ano que vem
04:57para corroborar o cenário político à tentativa de reeleição.
05:00Você pensa desse jeito também, Deise?
05:02Nonato, deve ser utilizado, obviamente, 5,4%.
05:07Mas o Gani trouxe algumas informações que são bem relevantes aqui.
05:11A gente tem uma qualidade de emprego que é muito ruim.
05:15A gente tem praticamente 40 milhões de brasileiros que estão em empregos informais,
05:20não tem carteira assinada.
05:22E mesmo assim, a gente ainda não tem os números de 10 anos atrás,
05:27ali de 2014, quando o Brasil tinha pleno emprego,
05:30a renda estava crescendo, existia uma perspectiva de futuro.
05:35Hoje a gente não vê essa perspectiva, né?
05:38O emprego formal mais forte.
05:40E tem um dado curioso, uma sensação política curiosa,
05:44porque a Dilma caiu quando o Brasil estava crescendo em relação aos empregos formais.
05:49E a gente apresenta agora esse mesmo dado, um dado que é visto como teoricamente positivo,
05:55mas a gente não vê a popularidade do presidente Lula crescendo.
05:59E o que eu quero dizer com isso?
06:01Porque não existe hoje o que existia 10 anos atrás,
06:05que era justamente essa perspectiva de futuro,
06:08essa taxa de emprego formal muito alta.
06:11Ou seja, Nonato, os números são bons, mas a narrativa ainda é frágil.
Seja a primeira pessoa a comentar