00:00Alan Gani, vem pra cá, vamos falar um pouquinho de PNAD contínuo agora, né, e sobre os números que foram divulgados.
00:05Como estamos, hein, seu Gani?
00:07Olha só, recorde na taxa de desemprego, menor nível da história, 5,1%.
00:12Se a gente comparar com o trimestre imediatamente anterior, 5,6%.
00:17Então isso mostra um aquecimento do mercado de trabalho.
00:20E no último trimestre de 2024, né, 6,2%.
00:25Então ela foi de 6,2% para 5,1%, encerrou o ano em 5,1%.
00:31Agora, Evandro, a gente tem 5,5 milhões de pessoas desempregadas no país, 103 milhões de pessoas empregadas.
00:38Agora, o que me chama a atenção, eu acho que este deve ser o desafio.
00:42A gente tem um contingente de 66 milhões de pessoas com idade para trabalhar, mas que optaram por não trabalhar.
00:53Seja porque recebe auxílio do governo, seja porque é herdeiro, seja porque não quer fazer nada, mas é muita gente.
01:00Para um país que precisa crescer, sair da pobreza, né, a gente tem aí um verdadeiro desperdício de mão de obra.
01:06Ou seja, Gani, falta um olhar então de uma maneira mais específica para esse grupo na hora de contabilizar esses números?
01:12Com certeza, porque esses 66 milhões de pessoas não são consideradas desempregadas.
01:18É uma questão técnica, porque você optou por não trabalhar, mas elas não estão trabalhando.
01:24É um desperdício de mão de obra para o país, ainda mais para um país emergente.
01:29Então tem que entender por que elas não querem trabalhar, por que elas estão fora do mercado de trabalho.
01:36Será que é incentivos de programas governamentais?
01:40Não sei, mas precisa ser estudado, porque isso de fato é um desperdício de crescimento econômico do Brasil.
01:47Olha, eu vou fazer igual o Rodrigo Viga, quebrar o protocolo aqui, contar um bastidor para vocês,
01:51porque o nosso Alan Gani fica sentado aqui no cantinho esperando a gente chamá-lo.
01:54Aí a Lari Pansani, que é a nossa editora-chefe, faz assim, ó, fala aí, Lari.
01:58Vem, posiciona.
02:01E aí, não é, ela não é tão assim bonitinho, né, ela fala, bora, Gani.
02:06E ele, vai, vai, Lari, conta a verdade.
02:09Olha lá.
02:10E ele está sentado na cadeira e ele faz assim, ó, simplesmente se posiciona para entrar aqui no nosso giro da economia.
02:16E a Lari Pansani, você está muito bom dos joelhos.
02:18É, isso, né, tem que fazer musculação também.
02:20Ó, nossa, olha a Lari Pansani, o nosso bodybuilder aqui do Jornal da Manhã.
02:25Um abraço, meu amigo.
02:25Um abraço.
02:26Vamos seguir aqui e conversar um pouquinho com os nossos comentaristas também sobre essa situação do desemprego.
02:31É interessante, Cristiano Vilala, perceber que os números, eles são bastante positivos, né, recorde de desemprego,
02:37mas ainda há umas camadas profundas que precisam ser observadas para que se tenha, de fato, um crescimento da economia
02:44e também da empregabilidade de maneira sustentável aqui no país.
02:48Exatamente, Evandro.
02:50E o Alan Gani colocou muito bem o grande X da questão.
02:54Quer dizer, por que que nós temos hoje em dia números tão importantes, números tão interessantes nessa questão do desemprego?
03:02Números que estão demonstrando recordes de menor desemprego, de menor índice de desemprego na história.
03:08Ora, porque nós temos um contingente cada vez maior de pessoas que fica fora dessa contabilidade,
03:15que são pessoas que acabam não trabalhando.
03:18Muitas vezes, como já foi colocado pelo Gani, pessoas que recebem auxílios governamentais
03:24ou pessoas que têm muita renda, de uma forma geral, a experiência nos mostra que tem mais gente recebendo auxílio governamental
03:31do que grandes herdeiros que recebendo uma grande renda.
03:34Então, isso tudo pode explicar por que muitas vezes esses números são comemorados,
03:39mas onde, na verdade, no fundo, no fundo, não existe tanto o que comemorar.
03:44O Brasil não pode abrir mão, não pode prescindir de um número tão significativo de mão de obra produtiva
03:51sem efetivamente produzir nada para o crescimento do país.
03:55Então, é importante que haja um novo olhar no sentido de ensejar a atividade produtiva,
04:02ensejar que o cidadão se dedique à atividade produtiva e não fique à mercê e à espera da ajuda governamental.
04:09Mota, para a gente também concluir já esse assunto, muito se questiona exatamente sobre isso,
04:15sobre as formas, a metodologia desse cálculo do desemprego por parte do IBGE por meio da PNAD contínua,
04:22mas também, ao mesmo tempo, nós observamos em várias cidades, sobretudo aquelas que têm grandes polos industriais,
04:28o que, entre muitas aspas aqui, acaba sendo chamado de sobra de vagas,
04:34quando, na realidade, trata-se da dificuldade dessas empresas de alcançar candidatos,
04:40devido, muitas vezes, nos relatos dessas indústrias, aos programas sociais e à falta de capacitação.
04:47Então, números que o governo comemora em uma ponta, mas que em outra acaba esquecendo de olhar com preocupação?
04:52É exatamente isso, Beatriz, isso é uma realidade.
04:58O Brasil precisa crescer 6% ao ano, se algum dia quiser se desenvolver,
05:05mas o nosso crescimento está abaixo de 2%.
05:07E, ainda assim, é um crescimento movido a gastos do governo.
05:11A gente vê esses números dizendo que o desemprego está em baixa,
05:16mas no Brasil existem 94 milhões de pessoas que recebem algum tipo de auxílio do governo.
05:24A conta não fecha.
05:26Muitos economistas dizem que esses altos gastos do governo
05:30produzem um consumo insustentável,
05:35tudo orientado em função das eleições.
05:37O resultado final é uma aparência de crescimento econômico
05:42que não tem qualquer sustentabilidade,
05:46também conhecido como voo de galinha.
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