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O Congresso Nacional impôs uma série de derrotas ao governo Lula (PT) ao derrubar vetos presidenciais e restaurar trechos sensíveis para o orçamento. Parlamentares rejeitaram vetos ao programa de renegociação das dívidas dos Estados e a pontos centrais do novo marco do licenciamento ambiental.

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Transcrição
00:00O Congresso impôs uma série de derrotas ao governo ao derrubar vetos presidenciais e restabelecer trechos sensíveis para o orçamento.
00:09Em uma sessão conjunta, deputados e senadores rejeitaram grande parte dos vetos ao programa de renegociação de dívidas dos estados
00:16e dispositivos centrais do novo marco do licenciamento ambiental.
00:22Além disso, a escalada da crise entre Congresso e governo também ameaça matérias importantes para o Planalto,
00:28como orçamento do próximo ano, PEC da Segurança Pública e a aprovação de Jorge Messias para o STF.
00:37Você, Krigner, sinal de que aquele processo de retaliação está ligado, né?
00:42Uma introdução a esse tema, um minutinho.
00:44Com certeza, Caniato, é um sinal de retaliação?
00:47Sim. De certa maneira, alguns desses vetos, eles de fato eram bastante negativos.
00:52E eu vou destacar aqui o veto que fala sobre a impossibilidade de estados e municípios
00:57de determinarem ali as suas políticas diretrizes ambientais na questão de licenciamento.
01:03E isso é negativo, porque você submete todos os estados e municípios à mesma medida ali que é federal.
01:12Ou seja, faz sentido nós pensarmos que uma medida ambiental, uma proporção, uma porcentagem ali para e um requerimento
01:21para o estado, por exemplo, de Roraima, deve ser o mesmo do que para o estado, para a região metropolitana de São Paulo.
01:27E medidas assim, em estados tão diferentes, especialmente na questão de vegetação, de preservação,
01:34sim, manter certa autonomia nos estados e nos municípios é de certa forma positivo.
01:40Mas o que chama atenção e que indica esse clima de revanchismo é a falta de parecer técnico.
01:46E aí que a gente vê.
01:48Porque, sim, as medidas, os vetos da presidência da República foram acompanhados de justificativas técnicas.
01:53Mas a derrubada do veto, não.
01:55E aí, então, indica um clima de revanchismo muito maior, Caniato.
01:58Você, Dávila, quais aspectos dessa tomada de decisão do Congresso a gente precisa destacar?
02:05É uma pena que a derrubada do veto não seja baseada em convicções, no que está no projeto.
02:14E é uma pena que foi, na verdade, um balde de derrubada de vetos como forma de retaliação política bem colocada pelo Kriegner.
02:23Que é isso aí.
02:24O negócio não tem a explicação técnica.
02:25Quando tem um embasamento muito técnico, aliás, o primeiro nessa questão ambiental que o Keremner trouxe, que é tão importante, é a questão do federalismo.
02:36Os estados têm que ter independência para fazer a sua legislação ambiental de acordo com a realidade local.
02:42Por exemplo, tinha um dos artigos lá que é aquela história de que você não pode construir nada a 200 metros da beira do rio.
02:48Bom, o que você vai fazer? Derrubar todos os prédios na Marginal Pinheiros aqui? Porque não pode?
02:52É uma coisa estúpida. Não tem nada a ver.
02:55Você tem uma propriedade, uma fazenda enorme na Bahia e você ali não tem um riacho lá.
03:01E você não pode construir a casa a 200 metros de distância do rio.
03:04Isso não faz sentido.
03:05Então, as coisas não fazem sentido.
03:07Um país com uma realidade tão diversa do Brasil, nós temos de cada vez mais descentralizar o poder, tirar o poder de Brasília e empoderar os governos estaduais.
03:20Esta é a beleza do federalismo.
03:23Ter políticas públicas que são moldadas de acordo com a realidade local.
03:28Então, esses vetos foram importantes no sentido que este governo só pensa em aprovar projetos para centralizar o poder.
03:40Seja no meio ambiente, seja a questão orçamentária ou principalmente a questão da segurança pública.
03:46Tudo isso é errado.
03:48É contra o que está na Constituição, que é o sistema federativo.
03:52Por isso, vamos honrar o sistema federativo.
03:55Aliás, essa é uma boa bandeira para os candidatos de direita e descentralizar o poder, tirar poder de Brasília e devolver poder para os estados e municípios.
04:05As análises dos nossos comentaristas sobre a tomada de decisão do Congresso Nacional,
04:11que derrubou uma porção de vetos do presidente da República sobre várias pautas,
04:16mas principalmente sobre as questões que envolvem o licenciamento ambiental.
04:20Mota, vou pedir para você fazer uma introdução ao seu próprio comentário.
04:24Daqui a pouco a gente recebe a rede, aí você poderá falar com todo mundo.
04:29Trinta segundos, só uma manchete, um destaque para aquilo que você analisou dessa tomada de decisão do Congresso a partir dos vetos do presidente.
04:40Qualquer redução de burocracia e simplificação do ambiente de negócios é bem-vinda.
04:46O Brasil é um dos países que mais protege o meio ambiente do mundo e isso é graças à iniciativa privada, não ao governo.
04:55Pois é, essa é uma discussão interessante.
04:58Quero, inclusive, reforçar a nossa audiência para participar da enquete do dia.
05:02Um tema que nós discutimos, inclusive, aqui na abertura do programa, jovempan.com.br
05:08ou então no YouTube de Os Pingos nos Is.
05:11Se você puder, participe e vote sobre as articulações políticas de olho nas eleições de 2026.
05:18Muito obrigado pela participação.
05:20Bem, antes do break comercial, nós falávamos sobre as várias derrotas para o governo nessa avaliação feita pelo Congresso Nacional
05:30que decidiu derrubar os vetos presidenciais e aí a leitura de muitos que isso seria mais um capítulo da crise
05:38entre Congresso Nacional e Palácio do Planalto.
05:41Já outros falaram, não, isso seria derrubado de qualquer maneira.
05:44O Congresso não concorda com os vetos do presidente da República
05:47e o Mota vai fazer agora análise justamente sobre essa situação.
05:52Olha, pelo que eu entendo, a derrubada desses vetos faz todo sentido.
05:57E se isso significa um movimento do Congresso de volta à sua autonomia e independência, tanto melhor.
06:09Mas vamos aguardar para ver, porque as decepções até aqui já foram muitas.
06:16Foram vários os momentos em que nós celebramos aqui decisões e atitudes do Congresso
06:22como sendo sinais de uma nova era só para a gente dar com os burros na água.
06:29E eu vou lembrar, a melhor oportunidade para o Congresso mostrar que ainda é um poder autônomo, independente,
06:38continua sendo o projeto de anistia.
06:41Agora, Kriegner, muitos refletem sobre a extensão desse processo de crise,
06:48de retaliação do Congresso, principalmente do Senado, aos projetos do Executivo Federal.
06:54Fala-se, inclusive, há quem diga que há uma chance, uma possibilidade,
06:59da indicação da Presidência da República para a Corte Suprema,
07:03essa indicação não ser aprovada.
07:05Você chegaria também a esse ponto?
07:08Entende que isso é factível?
07:10É muito difícil, Caniato.
07:12É muito difícil dizer que não seria aprovado, apesar de ter um certo clima para isso.
07:19O que, na minha opinião, é mais provável de acontecer
07:22é algo semelhante ao que aconteceu com o atual ministro André Mendonça,
07:27justamente porque todo o processo, a sabatina ali junto ao Senado foi atrasada por muitos e muitos meses.
07:37Então, eu acredito que a postura de Alcolumbre deve ser um desgaste,
07:41desgastar ainda maior essa situação, esperando mais para fazer essa sabatina.
07:47O parênteses, ele já agendou, viu?
07:49Já agendou para o dia 10 de dezembro.
07:52E aí, foi a nossa reflexão.
07:54Foi na contramão de André Mendonça, que demorou nove meses,
07:58agora ele agendou para muito próximo.
08:00Daí, fala-se, inclusive, na possibilidade do indicado não conseguir fazer aquele processo
08:05de beija-mão, de convencimento dos senadores.
08:07E ele tem tentado fazer, justamente nesse sentido.
08:10Mas eu acho que seria a segunda vez na nossa história de alguém não sendo aprovado.
08:14E eu acho que realmente é um cenário bem complicado, difícil de não ser aprovado.
08:20Apesar de ser triste.
08:21Eu falo isso, repito, todas as vezes que tenho oportunidade,
08:24porque os dois nomes ali a serem cogitados não são aquilo que interessaria ao público.
08:33Interessaria ao Brasil, justamente por serem indicações políticas.
08:37E a gente precisa partir para um STF, para uma Suprema Corte de Verdade,
08:42que seja de excelência jurídica, de carreira jurídica no judiciário,
08:47e não necessariamente alguém que vai só jogar para os times.
08:50Agora, Dávila, dá para a gente tentar fazer um exercício de compreender
08:56qual seria o objetivo de um processo de retaliação?
08:59Tem a ver com a indicação ao Supremo?
09:02E aí, na hipótese de avançar e esticar cada vez mais a corda nesse processo de retaliação,
09:07qual seria o objetivo que a presidência da República reavaliasse
09:12e indicasse uma outra figura para a Corte?
09:17Renato, nunca é a pauta em jogo.
09:19Sempre tem outras pautas por trás dessa história.
09:22Então, o negócio é...
09:24A gente precisa entender qual é a agenda oculta
09:26que nós não estamos tratando que precisa sair do caminho
09:29para poder aprovar o nome de Messias no Supremo.
09:33O fato é o seguinte.
09:36O notório saber jurídico vem sendo substituído
09:40pela notória conexão política e notória afinidade ideológica.
09:46Isso empobrece a Suprema Corte.
09:48Isso distancia a Suprema Corte do seu poder de corte constitucional.
09:54E cada vez que as indicações têm o peso da notória ligação política
10:02se sobrepondo ao notório saber jurídico,
10:05as votações vão ficando cada vez mais apertadas.
10:09Por isso, não significa que o histórico passado é garantia de futuro numa votação.
10:17A recondução de Goné foi exatamente esse exemplo.
10:24Foram apenas, Renato, quase por 4, 5 votos só.
10:28Bateu na trave.
10:30Por quê?
10:31Porque Goné atuou politicamente e contrário à sua história de ser uma pessoa técnica.
10:38Agora, o que o fez converter de um homem técnico para um homem político
10:44é outra agenda oculta que nós não sabemos.
10:49Pois é.
10:49Agora, Mota, algumas pessoas da nossa audiência aqui escrevem e cobram o Congresso Nacional.
10:56Outras até elogiam o Congresso Nacional, dizendo que o freio de arrumação para o país
11:02passa necessariamente pelo Congresso Nacional.
11:05E aí tem gente que pergunta, não poderia ser o início de um processo de mudança?
11:10Você tratou um pouco disso.
11:12Ah, quantas vezes as pessoas chegaram a estourar rojões, né?
11:16Poxa, agora vai.
11:17E aí acabam se decepcionando.
11:19Você acha que está com cara de que a gente já viu esse filme?
11:24Acho, Caniato.
11:26Infelizmente, eu vou decepcionar os nossos espectadores.
11:30E a minha explicação é muito simples.
11:33Ela vem de uma coisa que foi dita com muita propriedade pelo grande economista Milton Friedman.
11:41Tudo é uma questão de incentivos.
11:43Quais são os incentivos que movem os parlamentares do Congresso Nacional?
11:51Eles estão lá em busca de um país mais seguro, de um país próspero,
11:57de um país onde a gente viva uma vida com mais tranquilidade,
12:02onde o Estado seja menor e o indivíduo seja maior?
12:06Ou eles estão lá em busca de oportunidades para eles mesmos?
12:11Eu acho que, por uma boa parte dos nossos políticos, a resposta é óbvia.
12:18Não houve nenhuma mudança nesses incentivos.
12:21Nada aconteceu de ontem para hoje, toda semana passada para essa semana aqui,
12:26para que eles mudassem as suas ideias, os seus comportamentos.
12:31Eu vou lembrar também uma outra frase do Warren Buffett, que dá, bilionário americano, grande investidor,
12:38que explica um pouco essa questão de incentivos.
12:42O Buffett disse uma vez, olha, eu vou dar uma ideia para acabar com o déficit público dos Estados Unidos,
12:48para zerar o déficit.
12:50Basta aprovar uma lei dizendo que toda vez que o déficit for maior do que 3% do PIB,
12:59nenhum parlamentar no Congresso pode concorrer à reeleição.
13:04Você, Kriegner, dá para fazer o exercício sobre qual seria o objetivo, especialmente do Senado,
13:11nesse processo de retaliação?
13:13Há várias teses e teorias.
13:15Não seria somente por conta da situação que envolve a indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal?
13:21O desejo já demonstrado de Davi Alcolumbre pelo colega Pacheco?
13:28Com certeza, o desejo do Alcolumbre está claro.
13:31Acho que é o principal fator que a gente pode considerar.
13:34Agora, tem outros aí que vão surgir.
13:36Tem alguns indícios, mas acho que seria muito precoce poder pular para essas conclusões.
13:44Mas que existe um desembarque, Caniato, esse desembarque existe sim.
13:48Qualquer coisa relacionada ao governo federal está ficando fragilizado diante do Congresso.
13:53Qualquer indicação e tentativa de também reconciliação, a própria ruptura.
13:58E aí eu estendo isso...
13:59Proximidade com as eleições também.
14:00Pois é, e eu estendo isso para a Câmara dos Deputados também.
14:03A ruptura agora de Hugo Mota, presidente, com o líder do PT, o Lindbergh Farias.
14:10Realmente é um cenário que mostra que o governo federal está cada vez mais isolado,
14:15como já era previsto por muitos, mas que agora está se concretizando.
14:19Então, acho que o principal fator continua sendo isso.
14:21Não acataram a minha indicação, romperam aí com algum acordo que a gente tinha a portas fechadas.
14:27E o governo precisa muito do Congresso Nacional, né, Dávila?
14:30Para ter o que apresentar na campanha eleitoral.
14:35Porque muitos falam o seguinte, bom, o que ele terá para apresentar na campanha eleitoral de 26, né?
14:42Quais serão os feitos?
14:44É fundamental uma articulação efetiva com o Congresso Nacional para conseguir avançar com aqueles temas que...
14:50Mas que ele, o líder, né, julga ser estratégico e fundamental para a campanha.
14:57Sei lá, PEC da Segurança Pública.
14:59Se não tiver articulação, não vai tramitar, não vai avançar, não vai ser aprovado, não é?
15:06É, Cani, até aí não tem o que apresentar mesmo.
15:09Mas o Congresso já deu grandes presentes de Natal para o governo, como foi, por exemplo, a oposição votando,
15:15essa turma da direita votando em massa, em dar esse dinheiro da isenção do imposto de 5 mil reais para o governo,
15:21que vai fazer com que ele tenha um caixa maravilhoso para distribuir muitas benesses, bilhões de reais para distribuir benesses em 2026.
15:31O fato é o seguinte, o Congresso Nacional, a partir de agora, vai cobrar cada vez mais caro para votar coisas.
15:41Essa animosidade com o governo não vai reverter de uma hora para outra.
15:47Nós estamos aqui praticamente mais duas semanas de Congresso, depois vem recesso, aí o Congresso só volta em fevereiro,
15:54e a partir daí é modus eleitoral, vai estar todo mundo com foco na eleição.
16:00Ou seja, vamos ter Congresso Nacional praticamente março, abril, maio e junho.
16:06Aliás, em junho já acaba, porque a gente já sabe que festa de São João é o encerramento dos trabalhos e o início da campanha política.
16:13Então, não tem muito mais coisa a ser aprovada, não, e nenhum grande projeto de reforma será aprovado até lá.
16:20Então, agora é fim de festa.
16:24Acabou a história de aprovação do projeto daqui para frente, alguns projetos imaginais serão aprovados,
16:29e o Congresso já entra em 26, quando voltar do recesso, em pleno vapor de clima eleitoral.
16:36Pois é, esse desembarque anunciado, Mota, que tantas vezes alguns parlamentares já tinham apontado, sinalizado,
16:46ele deve culminar com uma rejeição por parte do Congresso àqueles projetos estratégicos,
16:51importantes para o governo federal, como a PEC da Segurança Pública?
16:58É difícil dizer, Caniato, é difícil prever até onde esse rompimento, essa rejeição vai.
17:09A gente gostaria que fosse muito longe, que chegasse ao ponto da rejeição de todos os projetos que são ruins para o Brasil.
17:19Até de rever projetos que já foram aprovados, como essa reforma tributária aí que vai ser um caos.
17:29Mas, enfim, eu não tenho essa esperança, Caniato.
17:33Eu acho que isso aí é um ajuste que está sendo feito e rapidamente as coisas vão voltar ao normal.
17:41Mota falou da reforma tributária.
17:42Eu nunca recebi na rede social aquelas mensagens de empresas especializadas
17:48que ajudam a pessoa a abrir empresa no Paraguai.
17:53Olha só, as empresas de contabilidade praticamente agora têm um departamento para ajudar os empreendedores
17:59a abrirem empresas no Paraguai.
18:01Um dia a gente trata disso.
18:02Mas você, Kriegner, quando a gente fala desse desembarque, você até usou esse termo, né?
18:07A gente tem acompanhado vários parlamentares que anunciam esse processo de desembarque
18:11e algumas figuras desses partidos do Centrão ainda se mantêm na administração federal.
18:18Alguns agora jurando amor ao presidente da República.
18:21Enfim, os partidos do Centrão devem pegar uma outra via?
18:26Devem partir para um projeto de aumento no número de cadeiras no Congresso Nacional
18:32e largar um pouco esse projeto do presidente da República?
18:36Vão largar, vão largar.
18:38Eu creio muito nisso e aí não sei se eu estou sendo contagiado aqui pelo otimismo do Dávila,
18:43mas eu creio que vão largar, Caniato.
18:45Justamente porque se você faz a conta, você vê que o cenário realmente é complicado
18:51e é difícil de se sustentar.
18:54Perto do presidente Lula só conseguem ficar aqueles que têm um discurso mais ideológico
18:59e aqueles que conseguem, diante das suas bases eleitorais, justificar o injustificável
19:05através de discursos vazios em defesa dos mais vulneráveis, em defesa dos pobres,
19:11em defesa da democracia, seja lá o que é essa defesa da democracia
19:16que envolve tantas outras frentes, mas nenhuma delas muito concreta,
19:20realmente é ideológico.
19:23E tudo indica que a eleição do ano que vem, como a gente falou aqui, já diz isso muitas vezes,
19:27ela não vai ser tão ideológica, ela vai ser extremamente pragmática,
19:31tendo como principal foco aí a questão da segurança e a solução para a economia.
19:35Se a sua ideologia não trouxer nenhum tipo de alternativa a nenhum desses campos,
19:41uma alternativa que convença de fato o público,
19:45então realmente não vai ter espaço para a ideologia dessa maneira como estão pensando.
19:50Nisso é só a esquerda radical que fica junto com o presidente Lula.
19:54Você, Dávila, essas duas pautas vão determinar os debates na campanha eleitoral de 26,
20:00a situação econômica do país e a pauta de segurança pública.
20:05Na agenda, esses dois temas são prioritários, Dávila?
20:09Com certeza, porque são prioritários para a população.
20:12A população brasileira quer uma reação do Estado dura e contundente
20:18contra o crime organizado e a insegurança que reina no país.
20:22Aliás, uma das coisas pela qual o Tarcísio de Freitas teve grande destaque em São Paulo
20:29foi justamente a sua política de segurança pública.
20:33Ele acabou com a Cracolândia, que era visto como um problema que não,
20:36só tinha que administrar porque não dava para acabar.
20:38Ele acabou.
20:39Acabou com uma política de segurança dura e uma boa política social,
20:44de dar moradia justa às pessoas.
20:45Então, é assim que a população percebe, na ponta, o que o governo está fazendo ou não
20:52para a segurança pública.
20:54E aí a direita tem uma enorme vantagem, né, Caniato?
20:56A direita, os governadores de direita são os Estados que têm os melhores indicadores de segurança pública.
21:02O problema da segurança pública está justamente nessa atitude molenga do governo federal
21:10em relação ao crime.
21:11Então, isso aí vai cair na conta do governo.
21:13Quanto à economia, nós vamos ter um crescimento medíocre.
21:17Todas as estimativas de crescimento do próximo ano estão entre 1,6% e 1,7%.
21:23É nada.
21:23É estagnação econômica.
21:25E com uma taxa de juros altíssima, que agrava a questão da inadimplência,
21:31não adianta aumentar salário se você está entregando no banco para pagar empréstimo,
21:36que você não consegue, e os preços sobem na gôndola.
21:39Então, não adianta nada.
21:40Isso aí vai anular todo esse despejo irresponsável de dinheiro que o governo está fazendo na economia.
21:46Então, economia e segurança certamente serão dois temas quentes e que beneficiam enormemente a direita.
21:55Pois é, e várias mensagens a respeito disso que os nossos comentaristas falam.
21:59Paulo César Valério Caniato, se prepare.
22:02Caiado virá com força.
22:04O Brasil terá ordem e segurança.
22:06Enfim, deve ser um entusiasta de Ronaldo Caiado, mas ele traz essa mensagem justamente nessa discussão
22:13sobre segurança pública.
22:15Mota, o que é preciso que a população também compreenda nesse debate,
22:21quando se fala de segurança pública e os problemas econômicos?
22:24Enfim, muito provavelmente a gente vai acompanhar aquelas defesas, os apontamentos,
22:29as distorções em uma campanha eleitoral.
22:32Ah, isso deu certo.
22:33Vamos fazer isso.
22:34Enfim, quais são os alertas que você gostaria de fazer para aquelas pessoas que sempre acompanham
22:41campanha eleitoral e, na propaganda eleitoral, parece que o Brasil pertence à elite do mundo.
22:49Nós começamos o programa falando sobre o que é ser de direita.
22:56E eu digo a vocês que existe uma distinção claríssima, inequívoca e evidente que você pode fazer
23:08entre pessoas que são de esquerda e pessoas que são de direita.
23:15E isso é evidente para qualquer um que se dedicar a prestar um pouco de atenção.
23:21A esquerda, a esquerda raiz, a esquerda progressista, socialista, marxista,
23:28não acredita que criminoso deva ser punido.
23:32Eles vão empacotar essa posição deles com inúmeras justificativas.
23:41Eles vão dizer que é pelos direitos humanos, que é porque as prisões estão lotadas,
23:47que é porque o criminoso é um pobre coitado que não sabia o que está fazendo,
23:51que é por causa da situação econômica.
23:53Eles vão dourar a pílula.
23:56Mas o centro da posição deles é esse.
23:59Quem é de esquerda não acredita que o criminoso deve ser punido.
24:04E isso explica a trajetória da legislação penal e do nosso sistema de justiça criminal
24:10nas últimas décadas.
24:12Já quem é de direita acredita que o criminoso sabia o que estava fazendo.
24:18Ele é responsável pela sua ação e, como eu disse em outro comentário,
24:23ele é movido a incentivos e punições.
24:25Então, você tem que criar punições duras o suficiente para que ele,
24:30apesar da sua falha moral, apesar da sua decisão equivocada,
24:34ele não comenta mais crimes.
24:37Então, sempre me surpreende, Caniato,
24:40como é que políticos que têm essa posição clara,
24:45alguns disfarçam, mas outros não.
24:47outros declaram com todas as letras.
24:52Como é que esses políticos conseguem ainda ter algum apoio
24:58num país onde 40 mil pessoas são assassinadas por ano,
25:02num país onde todo mundo já foi assaltado
25:05ou já teve alguém da sua família, algum amigo, assaltado.
25:09Então, eu acho que isso é o que mais me chama a atenção
25:14quando a gente entra nesse debate com vistas a eleições.
25:21Pois é, inclusive o Cláudio escreveu o seguinte,
25:24a insegurança irá derrubar o projeto da reeleição.
25:29Querendo dizer, bom, isso vai ser tratado de maneira muito franca,
25:33na campanha eleitoral,
25:35e aí os índices não ajudariam o grupo que hoje está no poder.
25:39Você acha, concorda, Kriegner?
25:41É o teto de vidro do governo, né?
25:43Com certeza, e é o teto de vidro não só agora, né?
25:46É uma questão histórica,
25:48como o Mota e o Dávila colocaram também.
25:51Isso nunca fez parte da tradição de defesa de políticas públicas
25:55de nenhum partido de esquerda.
25:56Nenhum partido de esquerda ousou trazer propostas de segurança
26:00justamente por esse ponto central,
26:02que é a falta do entendimento da responsabilidade individual.
26:07Ou seja, sempre o indivíduo, ele é uma vítima do sistema, né?
26:11Como eu trouxe o Mota aqui, ele é uma vítima do todo.
26:15Se ele tivesse mais oportunidades, ele não teria optado pelo crime.
26:19Se ele tivesse o melhor amparo estatal,
26:22ele não teria optado pelo crime, o que não é verdade, né?
26:25Porque a gente vê isso sendo desbancado aí pelos números, pelos casos.
26:29Agora eu percebo também que existe uma desconexão, Caniato,
26:32que está sendo redimida agora com essas últimas aprovações,
26:38com o PL antifacção e toda a cobertura que tem se feito a esse respeito.
26:43Antigamente, não existia uma conexão direta na mentalidade da população
26:47em relação à política e segurança pública.
26:50Segurança pública se pensava mais uma questão de policial e juiz, né?
26:54Uma coisa assim, judiciário e força policial.
26:56E não necessariamente na questão de políticas públicas.
27:00Por exemplo, quando tem as eleições municipais,
27:02as pessoas nos debates, alguém traz alguma coisa de segurança pública,
27:06o primeiro argumento é, peraí, constitucionalmente,
27:09o prefeito, o município não faz nada em relação à segurança pública.
27:13O que não é verdade.
27:14Constitucionalmente, a gestão das polícias é sim, de fato, do governo estadual.
27:18Mas política de segurança pública, de prevenção de criminalidade,
27:22redução de crimes, começa desde iluminação na rua,
27:25até uma série de outras etapas,
27:28para depois chegar na questão do acionamento de forças policiais.
27:31Então, essa desconexão entre política e segurança,
27:35eu vejo que tem se reduzido.
27:38E as pessoas estão entendendo mais e vão cobrar isso na urna no ano que vem.
27:42Para ter segurança de verdade,
27:44uma polícia bem equipada, bem amparada,
27:47e que tem um judiciário ali que vai fazer o seu trabalho,
27:50e você precisa, em primeiro lugar, ter boas leis,
27:53bem definidas, bem delimitadas,
27:55para que sejam, então, cumpridas por essas forças.
27:58Pois é, uma discussão interessante.
28:00Dávila, queria, só para a gente fechar esse capítulo aqui do programa,
28:04as várias discussões que certamente acontecerão na campanha eleitoral,
28:09e aquilo que muitos vão pregar,
28:11prometer, tem que fazer isso,
28:13vamos pegar esse caminho,
28:15endurecimento da legislação.
28:16O que é possível para um presidente da República
28:19e também para os governadores,
28:21quando a ideia é mudar a situação da segurança pública,
28:26enfrentar verdadeiramente o crime organizado?
28:28Quais são as ferramentas possíveis
28:30para os chefes do Poder Executivo,
28:33tanto na esfera federal quanto nos estados?
28:37Bom, vou começar pelos estados.
28:38Quer ver uma batata quente para um governador
28:41disputar a eleição, prometer,
28:42e que vai...
28:44É a favor do que a população quer,
28:45mas, no fundo, ela não quer que seja no quintal dela.
28:49Construção de presídios.
28:50Todo mundo é a favor.
28:52Faça uma pesquisa.
28:53Todo mundo acha que tem que construir mais presídios.
28:55Ah, mas na minha cidade, não.
28:56Não quero um presídio aqui na minha cidade.
28:59Não quero ver essa família de presos
29:00vindo aqui todo fim de semana.
29:02Então, o negócio é o seguinte,
29:03onde é que vai construir o presídio?
29:05Em Marte?
29:07Entendeu?
29:08Mas é uma coisa...
29:09É uma demanda real.
29:11Agora, se começar a falar,
29:13onde é que vai ser?
29:13Me mostra aí o mapa.
29:14Onde é que você vai construir os presídios?
29:16Você vai perder voto naquelas regiões
29:17em vez de ganhar voto.
29:19E essa é uma responsabilidade dos governadores.
29:22Então, veja só, às vezes,
29:23como é uma assimetria
29:25entre o que a população quer
29:27e na hora que você define
29:29onde é que essa política pública vai ser implementada,
29:32capaz que esse candidato ao governador
29:33vai perder voto naquelas regiões,
29:35não ganhar voto.
29:36Então, esse é um ponto interessante
29:38para refletir nas campanhas estaduais.
29:42Na campanha presidencial,
29:44a grande questão
29:45é desmantelar o crime organizado.
29:48Essa é uma responsabilidade federal.
29:51Essa é a história de coordenar as ações
29:53com polícia civil, militar,
29:57promotorias, receita federal.
29:59Isso é uma política federal.
30:01Afinal de contas,
30:02a droga entra pelas fronteiras brasileiras.
30:05Quem é responsável pela fronteira brasileira
30:06é o governo federal.
30:08Armas estão entrando pelas fronteiras brasileiras.
30:11E aí nós precisamos aprovar a tal da lei antimáfia
30:13que eu defendo aqui,
30:14a ferro e fogo.
30:15Então,
30:16o grande tema do governo federal
30:19é o que você vai fazer
30:20para acabar com o crime organizado
30:22ou enfraquecer dramaticamente o crime organizado
30:26para o Brasil não virar um narco-estado.
30:27E para os governadores federais
30:29é como é que eu vou,
30:30por exemplo,
30:31construir mais presídios
30:32e não perder voto.
30:33Esse é o desafio para os governadores.
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