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Pesquisa Genial/Quaest divulgada no domingo, 2, aponta que 64% da população do estado do Rio de Janeiro aprova a megaoperação de 28 de outubro contra o Comando Vermelho.

O levantamento também mostra que, entre os lulistas, 59% desaprovaram a ação, enquanto entre os de esquerda que não votam em Lula, o índice de rejeição chegou a 70%.

Entre eleitores bolsonaristas, 94% aprovaram a ação. Entre os de direita não bolsonaristas, o índice de aprovação foi de 93%, e, no grupo dos que se dizem independentes, 61% aprovaram a megaoperação.

Ainda segundo a pesquisa, 72% dos moradores do estado do Rio de Janeiro apoiam “enquadrar organizações do crime organizado como organizações terroristas”.

Felipe Moura Brasil, Duda Teixeira e Ricardo Kertzman comentam:

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Transcrição
00:00Bom, pesquisa Genial Quest, divulgada no domingo 2, aponta que 64% da população do estado do Rio de Janeiro
00:07aprova a mega-operação de 28 de outubro contra o Comando Vermelho.
00:11Vamos exibir o primeiro slide que a gente separou desse levantamento.
00:16Olha aí, aprova 64%, nem aprova nem desaprova 6%, desaprova 27%, não sabe, não respondeu 3%.
00:24O segundo recorte que separamos mostra que entre os lulistas, 59% desaprovam a ação,
00:32enquanto entre os de esquerda que não votam em Lula, o índice de rejeição chegou a 70%.
00:39Vocês estão vendo ali na terceira fila desse slide, o desaprova.
00:45Então você tem na primeira coluna lulista, o segmento de eleitorado mais ligado à figura do Lula.
00:51O lulista que desaprova 59%, esquerda não lulista desaprova 70%.
00:57Mas vocês vejam que mesmo nesses segmentos, o segmento lulista e a esquerda não lulista,
01:04você tem uma aprovação de 35%, você tem uma aprovação de 27%.
01:09E aí quando você vai ali para o meio, o eleitor independente, o eleitor que não tem um posicionamento ideológico,
01:16o eleitor que não passa pano para políticos nenhum lado, como queira definir, cada um define de um jeito,
01:22o chamado centro algumas vezes e tal.
01:25Tem várias definições, eu tenho as minhas favoritas, mas só para deixar claro aqui,
01:30que é uma figura que escolhe o candidato em corrida eleitoral de acordo com a circunstância,
01:35pesando prós e contras, não tem uma pré-determinação a escolher um lado.
01:40Então o independente, ele tem 61% de aprovação, que é a fatia do eleitorado que em geral decide uma eleição,
01:49principalmente no segundo turno polarizado.
01:52Essa maioria independente aprova a mega-operação policial.
01:57Então a esquerda fica sendo minoritária.
01:59Entre a direita não-bolsonarista, os eleitores da direita não-bolsonarista, 92% aprovam.
02:06E entre os bolsonaristas, 93%.
02:10Bom, está aí.
02:12E agora vamos ao terceiro recorte que separamos dessa pesquisa.
02:15De acordo com o levantamento, 72% dos moradores do estado do Rio
02:19apoiam enquadrar organizações do crime organizado como organizações terroristas.
02:24Vou repetir, 85%, 85%, não, 85% é aquela fatia em azul que é a favor de aumentar a pena para condenados por homicídio.
02:37É a segunda linha, enquadrar organizações do crime organizado como organizações terroristas, 72%.
02:45E aí 23% contra.
02:48E aí você tem outros itens.
02:51Retirar o direito à visita íntima, obrigatoriedade dos policiais em trocar informações,
02:57proibir as saidinhas, PEC da segurança,
03:01cada estado tem sua própria lei,
03:05ou facilitar compra e acesso a armas de fogo.
03:08Você vê que fora o facilitar compra e acesso a armas de fogo,
03:11em tudo você tem uma maioria a favor.
03:14em todos aqueles itens que passam, pelo menos, uma impressão de combate à criminalidade,
03:19embora cada um possa fazer o juízo específico sobre cada item.
03:23Duda Teixeira, o que você destaca?
03:25Esses dados são todos muito interessantes,
03:27mas a gente vê, então, uma propensão muito maior da sociedade
03:33a que haja uma nova legislação,
03:38considerar organizações criminosas como terroristas,
03:44a favor das ações em favelas,
03:46mas, curiosamente, a gente tem uma maioria que é contra
03:51a facilidade nas vendas de armas, não é isso?
03:55Que é um dos pontos do bolsonarismo,
03:59que nunca desceu direito na população geral brasileira.
04:04O bolsonarismo, não a direita, a direita é muito mais ampla,
04:10mas o bolsonarismo especificamente importou dos Estados Unidos
04:16aquela emenda de permitir a venda de armas.
04:22Isso tem raízes ali na própria Revolução Americana,
04:28foi o próprio povo ali que participou da luta contra a Inglaterra.
04:34Ok, e aí, principalmente, Eduardo Bolsonaro,
04:36que trouxe isso para o bolsonarismo e essa coisa
04:39de permitir aqueles clubes de tiro, ampliar os carros e tal.
04:45Mas pesquisas no Brasil sempre mostraram que a maioria da população é contra isso.
04:50A população brasileira entende que você facilitar a compra de armas,
04:55ela acaba gerando mais criminalidade.
05:00E essa é uma relação que existe em outros países do mundo.
05:04Quanto mais acesso a armas, mais você aumenta os dados de criminalidade.
05:11Então, esse é um ponto interessante.
05:12E aí, o outro é em relação a essa coisa de considerar o crime organizado
05:17como organizações terroristas.
05:20Acho que esse é um tema que vai estar forte essa semana.
05:25Certamente vai ser muito falado lá na CPI do crime organizado,
05:30que começa, se não me engano, amanhã, lá no Congresso em Brasília.
05:34E acho que é um tema que a sociedade precisa discutir.
05:38Eu estava até entrevistando aqui a Yasmin Issa,
05:42que é uma pesquisadora que já fez estudos baseados nas cartas
05:48que o Comando Vermelho trocava.
05:51Os integrantes do Comando Vermelho trocavam na favela entre si.
05:55E eu perguntei para ela,
05:56você teve acesso a esse material do Comando Vermelho na prisão?
06:01Eles têm um projeto político?
06:04Acho que esse é o ponto que mais a gente sente falta no Comando Vermelho.
06:10Ela me explicou, olha, tem várias gerações.
06:14Na primeira geração, eles falavam, sim,
06:17olha, precisamos de justiça social,
06:20a gente precisa resistir à violência estatal.
06:24Então, ela disse que havia alguns traços de discurso político
06:28nesse comecinho do Comando Vermelho.
06:32Mas depois isso foi diluindo.
06:34Hoje é basicamente uma instituição que está querendo só ganhar dinheiro, lucrar.
06:41Você vê mais um pragmatismo e não um projeto político
06:44para toda a sociedade, como acontece com grupos terroristas normalmente.
06:50Agora, independentemente da definição se encaixar ou não,
06:54aí eu acho que tem uma outra discussão a ser feita no Congresso Nacional,
06:58que é, se a gente considerar o crime organizado,
07:03essas facções criminosas do Rio de Janeiro como entidades terroristas,
07:09o que a gente ganha com isso?
07:12Vai ficar mais fácil identificar um membro dessa organização
07:16que entrar nos Estados Unidos?
07:19Vai ser mais fácil rastrear o envio, o fluxo de dinheiro?
07:24Bom, se facilitar, aí tudo bem.
07:29Abre-se ali um puxadinho no conceito e ok.
07:34Legalmente a gente vai considerar facções como grupos terroristas.
07:39Ainda que sejam coisas até diferentes conceitualmente,
07:42as ciências sociais vão chamar de coisas diferentes,
07:45mas ok, do ponto de vista legal há benefícios.
07:50Isso é o que os parlamentares vão decidir agora.
07:54E se houver benefício, a sociedade claramente está apoiando esse movimento.
07:59E a Quest ouviu 1.500 moradores do estado do Rio de forma presencial e domiciliar
08:03entre os dias 30 e 31 de outubro.
08:05O nível de confiabilidade da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais.
08:10O que você destaca, Ricardo?
08:13Felipe, o seu xará, o Felipe Nunes, o fundador, o CEO da Quest,
08:17ele recentemente cunhou dois termos que eu acho bastante interessante
08:22e que ficam muito claros aqui nessa pesquisa.
08:26Um é a calcificação política e o outro é a polarização afetiva.
08:30Porque quando você observa esses estratos da sociedade
08:34e você vai totalmente à esquerda, aos lulistas convictos,
08:38você percebe claramente como eles padecem, entre aspas, usar essa expressão,
08:46dessa polarização afetiva.
08:50Porque ao mesmo tempo em que eles se colocam contra a operação,
08:55eles reconhecem dentro dessa mesma pesquisa
08:58que o estado não tem condições, o estado não está preparado
09:02para enfrentar o crime organizado.
09:05Ou seja, se por um lado eles dizem assim, olha, o estado precisa se reforçar,
09:10ele está em condição inferior,
09:12ao mesmo tempo ele se nega a reconhecer a legitimidade e a eficiência
09:17de uma operação militar justa e exclusivamente por questões políticas.
09:22Não tem nada a ver com a própria segurança.
09:24Ao mesmo tempo, Felipe, que quando você observa que 72% dos entrevistados
09:29são contra facilitar a aquisição de armas,
09:33você também fica, isso também fica muito claro,
09:36que como a esquerda normalmente enxerga os bolsonaristas
09:40como aquelas pessoas que querem que as armas transitem livremente,
09:45sejam comercializadas livremente pela sociedade.
09:48E aqui, pelo menos nessa pesquisa, isso não fica claro.
09:51Ao contrário, o que fica claro aqui é que a maior parte da população,
09:55da sociedade, não quer o armamento circulando dentro dos civis,
10:00mas quer que as forças policiais, quer que o Estado fique melhor preparado
10:04para poder combater o crime.
10:06Nesse momento, Felipe, o que eu acho que é extremamente lastimável aqui,
10:10o que é muito ruim, é que por causa dessa polarização afetiva,
10:14dessa calcificação política, os opostos, os extremos,
10:18eles se negam a caminhar juntos no sentido de fazer uma pressão política juntos,
10:24com uma pressão em desfavor da classe política,
10:30em desfavor do próprio judiciário,
10:33visando a maior proteção de todos nós da sociedade.
10:36Porque a esquerda ou a direita, todos nós,
10:39somos vítimas dessa violência urbana.
10:42O bandido, o criminoso, ele não pergunta para uma pessoa antes de assaltar,
10:47antes mesmo até de assassinar alguém,
10:49se essa pessoa é eleitora do Lula ou se essa pessoa é eleitora do Bolsonaro,
10:52se é de esquerda ou se é de direita,
10:54todos nós somos vítimas.
10:56E só a sociedade em conjunto, pressionando o poder público,
11:00é que a gente pode encontrar algum caminho para poder se livrar desse buraco sem fim,
11:04um buraco cada vez maior.
11:06Pois é, esse é um ponto sobre o qual também gostaria de falar nessa semana,
11:11talvez escreva a respeito,
11:12e comecei a falar um pouquinho em algo parecido com o que você está falando
11:16na nossa reunião de pauta hoje,
11:18é que talvez esse seja um grande ponto de união da sociedade brasileira,
11:23em meio a um cenário de polarização política,
11:27ou pelo menos deveria ser,
11:30já que o crime organizado, as facções criminosas armadas,
11:35são aqueles vilões mais claros possíveis,
11:39são bandidos, são criminosos que oprimem a população,
11:43que matam, que torturam, que sequestram, que estorquem.
11:47Então, a gente que trabalha para trazer informações muitas vezes inconvenientes
11:52a grupos que se identificam com determinada figura de liderança, etc.,
11:58a gente tem um trabalho bem difícil de mostrar que certas condutas individuais
12:04elas não condizem com o discurso de determinados políticos.
12:09Isso é difícil de entrar na cabeça de muita gente, lamentavelmente.
12:13Obviamente, quanto menor a capacidade cognitiva de segmentos grandes da população,
12:21mais difícil é ter essa noção de que um ladrão de gabinete pode gritar
12:25Deus, pátria, família.
12:27De que um corrupto de estatal pode gritar
12:29direitos humanos, justiça social, igualdade, democracia.
12:34E, mesmo assim, eles estarem roubando.
12:37E, eventualmente, esses dois lados estarem juntos,
12:40tomando certas medidas para se proteger,
12:42mesmo que finjam se combater um ao outro.
12:46Mesmo que, na retórica, no discurso, na rede social,
12:49estejam fazendo ali uma postura de confronto.
12:52Então, é difícil você mostrar para determinadas pessoas
12:57que a conduta individual daquela liderança de um grupo
13:00com o qual ela se identifica é uma conduta repugnante.
13:04Agora, não é difícil, não é tão difícil, ou não deveria ser,
13:08para aqueles grupos que ainda resistem a acreditar,
13:11mostrar que os traficantes, líderes de facções criminosas
13:15que dominam certos territórios,
13:17são figuras que escolheram uma vida bandida,
13:20uma vida ruim, pessoas que fizeram uma escolha imoral.
13:24Essas são as figuras mais parecidas com o vilão do filme
13:27da Sessão da Tarde.
13:28O sujeito manifesta a sua delinquência na prática e na retórica.
13:35Ele não é um sujeito que tem uma atitude bandida,
13:39mas que na retórica posa de santo.
13:42Na própria retórica, a gente vê pelos vídeos
13:44que essas pessoas, muitas vezes, declaram uma guerra,
13:48mostram o seu poder,
13:49afetam todo aquele poderio bélico
13:53de uma maneira ostensiva, hostil.
13:56Então, um ponto de ligação dos segmentos da sociedade
13:59é o repúdio a tudo isso.
14:01E quando a esquerda vem com um discurso acadêmico,
14:05cheio de frases de efeito,
14:06que não condizem com o sentimento da população,
14:09ela tem um desgaste nessa população.
14:11E isso deveria levar a uma união dessa sociedade,
14:14como o Ricardo estava falando.
14:15O que a esquerda agora está fazendo
14:19é tentando criar um discurso
14:23de que está a favor da lei e da ordem.
14:28E está tendo muita dificuldade nisso.
14:31Mas é isso.
14:32O Ricardo trouxe o conceito do Felipe Nunes,
14:36da calcificação, que é muito interessante.
14:39Está no livro, até a biografia do abismo,
14:41que o Felipe Nunes publicou,
14:44acho que foi ano passado,
14:44ou dois anos atrás,
14:46que é essa coisa de que tem...
14:50O bolsonarista nunca vai votar no Lula.
14:55E o lulista nunca vai votar alguém do bolsonarismo.
14:59Então, essa turma está calcificada.
15:02Eles não mudam de lugar.
15:04Mas você tem o meio,
15:06e aí o Felipe mostrou ali
15:07os independentes naquele slide da Quest,
15:10que mostra a maior parte da população brasileira
15:15aprovando essa mega operação policial.
15:19Acho que o número ali dava 61% à prova
15:22e acho que 30% reprova.
15:23Ou seja, está meio que dois para um ali.
15:27E aí, o que está acontecendo?
15:29É o Lula mandando para o Congresso
15:31a lei antifacção,
15:33ou falando ali da PEC da segurança.
15:36Quer dizer, tentar se colocar como alguém a favor
15:39do lado da polícia, vamos dizer assim,
15:44para ter alguma chance
15:45nas eleições do ano que vem.
15:47É uma tentativa,
15:49está cheio de tropeços aí,
15:51mas é o que estão tentando fazer.
15:52Pois é, mas com cinco mandatos presidenciais,
15:55o PT não conseguiu apresentar resultado.
15:58A gente só vê o crescimento
15:59das facções criminosas armadas.
16:01Em mandatos estaduais,
16:03tampouco, como a gente está vendo,
16:04a violência estourar,
16:05as facções crescerem no seu domínio territorial,
16:09no Ceará, na Bahia.
16:11Então, eles precisam dizer
16:13que estão mobilizando os parlamentares
16:15para votar determinada proposta, etc.
16:18E a gente vai esmiuçar, evidentemente,
16:21esses itens,
16:22mas em geral,
16:23são coisas assim que estão sendo feitas
16:27para que haja uma cartada política
16:29num debate de corrida eleitoral na TV.
16:32É para quando se apontar o dedo,
16:33ah, vocês defendem o bandido.
16:34Não, a gente fez uma operação contra o PCC,
16:37a gente propôs uma PEC,
16:39a gente propôs uma...
16:41Qual é a outra lei da PEC que você falou agora?
16:43Lei antifacção.
16:44A lei antifacção.
16:45Exatamente, é para ter uma retórica,
16:48um discurso de campanha.
16:50A gente não vê a efetividade prática
16:52de uma política que tenha sido implementada
16:56com consistência, com durabilidade
16:58ao longo dos mandatos do PT
17:00e que tenha surtido efeito na vida das pessoas.
17:03Então, isso realmente não aconteceu.
17:06Os resultados estão aí.
17:07As pessoas estão vivendo sob violência.
17:20Obrigado.
17:21Obrigado.
17:22Obrigado.
17:23Obrigado.
17:24Obrigado.
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