- há 2 meses
- #papoantagonista
No Papo Antagonista desta quarta-feira, 29, Felipe Moura Brasil, Dennys Xavier e Duda Teixeira comentaram a guerra de narrativas em torno da megaoperação da Polícia do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho.
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Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.
Apresentado por Felipe Moura Brasil, o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.
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NotíciasTranscrição
00:00O Desastre e o Sucesso da Guerra no Rio de Janeiro
00:04Esse é o título de uma análise que eu publiquei em oantagonista.com.br
00:08e que vou trazer aqui para a abertura do programa como editorial.
00:11A guerra de narrativas é inerente às guerras contemporâneas,
00:15porque a opinião pública sobre cada batalha interfere na imagem de pessoas, grupos e governos,
00:21rendendo maior ou menor apoio às suas teses e condutas,
00:25o que pode definir os rumos não apenas das vidas humanas em jogo,
00:29mas do poder político, militar, policial, cultural, econômico e cívico.
00:34Seja em Gaza, na Ucrânia ou no Rio de Janeiro,
00:38a pressão decorrente da percepção geral tem efeitos diretos e indiretos
00:43sobre os desdobramentos da guerra em si e, para além dela, inclusive,
00:47sobre as margens de ação e reação de cada uma das partes envolvidas.
00:51A guerra propriamente dita, em razão do fogo cruzado e das barricadas,
00:55já impõe dificuldades práticas e logísticas à cobertura jornalística.
01:00A guerra de narrativas turbina essas dificuldades à medida que multiplica a oferta e a circulação
01:06de sínteses enganosas, de forte apelo emocional,
01:11fabricadas para gerar empatia com um lado e ojeriza a outro,
01:15quando não apenas uma afetação genérica de virtude pacifista.
01:19Extrair os fatos objetivos da guerra propriamente dita,
01:23em meio à guerra de narrativas,
01:26para só então analisar responsabilidades específicas e demais questões de interesse público,
01:31é o desafio de um jornalismo responsável e independente.
01:35A Guerra do Rio, estourada com a mega-operação policial de terça-feira 28
01:39nos complexos do Alemão e da Penha,
01:41é mais um episódio politicamente divisivo,
01:44desses que contrapõem de imediato uma esquerda historicamente leniente com o crime organizado
01:50em nome dos direitos humanos
01:52e um bolsonarismo historicamente leniente com abusos policiais em nome da ordem.
01:58A esquerda, alinhada ao presidente Lula, do PT,
02:01mistura de antemão bandidos e moradores inocentes em sua alegada defesa da comunidade,
02:06enquanto o bolsonarismo, alinhado ao governador Cláudio Castro, do PL,
02:09sai em defesa de qualquer operação, a despeito de eventuais erros e excessos.
02:14Esses posicionamentos dependem muito pouco de fatos objetivos de cada episódio,
02:20como se atesta até pela rapidez com que são manifestados
02:23nas arenas virtuais e midiáticas,
02:26antes de virem à tona as circunstâncias das mortes e demais elementos esclarecedores.
02:32Enquanto escrevo este artigo, e era eu escrevendo para o portal, por exemplo,
02:37o número de mortos na mega-operação de terça passa de 130, segundo a Defensoria Pública.
02:43Há certezas sobre a morte de quatro policiais e de dezenas de membros de facção,
02:47mas enquanto a Polícia Civil identifica os corpos,
02:50ainda não há evidência disponível de que todos os demais eram bandidos,
02:54nem tampouco de que eram inocentes.
02:57Já o governo do Rio afirma que foram 119 mortos sendo,
03:01aspas, 115 narcoterroristas.
03:04Fecho aspas.
03:05E depois que eu publiquei isso, o governo atualizou o número para 121 mortos.
03:11Um dos motivos pelos quais eu, Felipe, contrariando o bolsonarismo,
03:15defendo há anos a necessidade de câmeras em uniformes policiais
03:18e em demais equipamentos usados em operações como essa,
03:22é justamente para que seja possível esclarecer com vídeos
03:24as dúvidas sobre as circunstâncias de cada morte.
03:28As imagens divulgadas até o momento são suficientes para levar à conclusão
03:31de que o Comando Vermelho reagiu aos policiais com disparos de fuzil e drones bomba,
03:37mas insuficientes para esclarecer todos os casos.
03:41De todo modo, ficou evidente o domínio territorial do CV,
03:44bem como seu poder bélico, até porque quase 100 fuzis foram apreendidos
03:48e mais de 80 criminosos acabaram presos.
03:53Dois dias antes, 70 faccionados ainda tentaram invadir o Morro da Quitanda,
03:58dominada pelo Terceiro Comando Puro, uma facção rival.
04:01No tiroteio, duas pessoas inocentes morreram,
04:04um jovem de 30 anos e Marli Macedo dos Santos, de 60,
04:09que estava em casa com um irmão,
04:11quando um criminoso do CV invadiu o local para fugir de traficantes do TCP.
04:16Eles metralharam a residência e lançaram granadas para tentar matar o invasor.
04:21Quando a polícia militar chegou, Marli, ao contrário de seu irmão, estava ferida.
04:25Ela ainda foi levada para um hospital em Realengo, mas não resistiu e morreu.
04:30A mega-operação no Alemão e na Penha buscava cumprir 100 mandados de prisão
04:35e conter a expansão territorial do CV,
04:38que, como visto, já vinha provocando mortes de inocentes.
04:42Mas a esquerda, assim como ignora palestinos executados pelo Hamas
04:46e civis ucranianas assassinadas por drones russos,
04:49ignora também brasileiros inocentes mortos em guerras entre facções.
04:54Sem judeus nem policiais envolvidos, nunca há a mesma atenção esquerdista,
04:59porque os fatos não se encaixam em suas narrativas binárias sobre opressores e oprimidos.
05:04As ideias de que criminosos devem ser presos para não voltarem a cometer crimes
05:08e de que, em caso de reação armada, podem ser eliminados em legítima defesa das forças de segurança e da sociedade,
05:16soam reacionárias demais a mentes complacentes com uma mortezinha aqui e outra ali de civis,
05:22ademais oprimidos e extorquidos pelas facções.
05:26Essa esquerda política e midiática rapidamente chamou de desastre a mega-operação,
05:32ao que Castro reagiu chamando de sucesso.
05:35Ambos são rótulos simplistas para um episódio complexo e dramático ainda não inteiramente esclarecido,
05:43nem em seus efeitos.
05:45O desastre sabido, no entanto, é a falta de soberania do Estado brasileiro e de democracia
05:51em territórios dominados pelo crime organizado, e o único sucesso seria retomá-los,
05:57preservando o máximo possível de vidas inocentes.
06:00Em meio às guerras propriamente ditas e de narrativas, o problema de sempre é, no percurso,
06:06avaliar o preço de cada escolha.
06:10Denis Xavier, eu quero ouvir você, nós conversamos muito ontem aqui no programa,
06:15o que você destaca de todo esse episódio?
06:17Ontem, quando acompanhei os comentários de vocês sobre esse evento infausto,
06:27mas, a meu ver, necessário, eu me lembrei de uma entrevista que eu assisti há um bom tempo.
06:34Essa entrevista deve ter uns 15 anos, aproximadamente,
06:37de um fotógrafo especialista em, exatamente, ambientes de guerra,
06:44de combate civis, de guerras sangrentas, África subsaariana e coisa parecida.
06:50E ele contava que assistiu uma vez a uma cena que o tocou particularmente,
06:56a respeito da natureza humana.
06:58Ele viu dois adultos conversando sobre jogo de futebol,
07:03carregando o corpo de uma criança, no meio de uma rua, assim, meio inóspita,
07:07numa vila africana, e fizeram uma gangorra com esse corpo dessa criança
07:14e jogaram num monte de corpos espalhados ali naquele pequeno vilarejo.
07:21E ele ficou espantado com aquilo e foi até os adultos
07:24e descobriu que se tratava do pai e do avô da criança.
07:27Ele falou assim, mas como é que vocês estão falando de futebol numa situação como essa?
07:31Ele disse, é uma forma de a gente não enlouquecer.
07:36Nós convivemos com isso no nosso dia a dia,
07:38então nós meio que naturalizamos isso.
07:42O Rio de Janeiro não é uma cidade, não é um estado que eu frequente cotidianamente,
07:47mas eu vou ao Rio de Janeiro.
07:49E nos últimos 10, 15 anos, a cada vez que eu vou ao Rio de Janeiro,
07:53tem um amigo para me dizer assim,
07:56olha, aquele lugar que você frequentou, agora já não dá mais para ir.
07:59Olha, aquele lugar ali, que era super tranquilo, agora já não está mais tranquilo.
08:05E quando o lugar está tranquilo, como eu fui agora recentemente na Feira do Livro com a minha esposa,
08:12alguém disse assim, não, ali naquele lugar é tranquilo de ficar.
08:15Eu disse, só pode ser por concessão de bandido.
08:18Não deu outra.
08:19Entrei no Uber, falei, o pessoal está falando que aqui é mais tranquilo.
08:22Não, porque aqui é área de milícia, ninguém se mete com a milícia.
08:25Então é mais seguro.
08:26Ora, nós não podemos naturalizar certas coisas.
08:30Essa naturalização da barbárie.
08:33A gente falava aqui semana passada sobre a ribres, sobre a agressão, sobre a violência.
08:39Então, o que está acontecendo com o Rio de Janeiro hoje, e com o Brasil como um todo,
08:45é exatamente o pagamento de uma dívida que não foi observada lá atrás.
08:51E não é possível combater esse grau de criminalidade, uma criminalidade profissional, organizada, com equipamentos militares,
09:02sem esse tipo de enfrentamento e sem algum tipo de efeito colateral.
09:09Esqueçamos.
09:11Esqueçamos.
09:12Nós deixamos correr demais.
09:14A coisa avançou muito.
09:15Então, chegar agora e dizer assim, não, porque só pela inteligência, não, porque se nós fizermos a estratégia correta, ninguém morre.
09:25Não existe isso.
09:27Quem conhece um pouquinho do Rio de Janeiro, sabe, que é o mar pressionando de um lado, a montanha pressionando do outro,
09:33em termos territoriais, tudo muito estreito, tudo muito densamente povoado,
09:38e bala comendo para todo lado, numa situação como essa, desculpa.
09:44Isso vai, inevitavelmente, trazer ainda mais dores.
09:49Mas é aquela dor necessária, eventualmente, para uma correção de um problema que não deveria ter alcançado essa dimensão.
09:57Então, finalizo esse ponto do meu comentário, existe esse elemento de adaptação biológica no ser humano,
10:03que, em certos momentos, nos salvaguarda, nos protege.
10:08Nós precisamos nos adaptar a certas situações periclitantes, duras, porque em alguns momentos da vida nós precisamos sobreviver.
10:16Mas existe o outro lado, que é a adaptação àquilo que não deve ser motivo de adaptação.
10:22Você não pode naturalizar.
10:24Entrar numa cidade lindíssima, com uma potência de vida, como o Rio de Janeiro,
10:30e eu estou falando do Rio de Janeiro apenas como um caso mais emblemático, porque isso está pelo Brasil,
10:35e dizer assim, é normal a gente não entrar ali, é normal centenas e centenas de barricadas espalhadas pela cidade,
10:43impedindo circulação, seja de agentes estatais, seja de população civil.
10:49O tráfico que entra e toma conta da sua casa e diz, agora essa casa não é mais sua,
10:54você já não é mais bem-vindo aqui, porque agora é ponto da boca.
10:58Quer dizer, não dá para naturalizar isso.
11:02E o resultado é, vamos ter que partir sim, para um enfrentamento muito mais duro,
11:08especialmente quando do outro lado você tem sim, centenas e centenas de pessoas
11:13portando fuzis de roupa camuflada prontas para a guerra.
11:18Duas, Teixeira.
11:19O Denis colocou muito bem isso.
11:22Acho que teve, Denis, até um aspecto meio didático nessa mega-operação toda,
11:29que foi expor essa realidade para o Brasil inteiro.
11:33São quatro milhões de pessoas, o Rodrigo Pimentel citou isso aqui ontem no Papo Antagonista,
11:39quatro milhões que vivem atrás de barricadas,
11:42que têm a vida completamente determinada pelo crime organizado.
11:48Só podem contratar um serviço específico de internet, que é o serviço do crime organizado.
11:56Tem hora para sair, tem coisa que pode fazer fora, coisa que não pode.
12:01E isso daí, obviamente, a gente não pode naturalizar.
12:05E em relação a essa guerra de narrativas, ficou muito claro que tinha muita gente,
12:12muito jornalista, comentarista, diretor de ONG, que eles já tinham a narrativa pronta.
12:22E aí, quando sai uma operação no Rio de Janeiro, eles já saem falando aquelas coisas
12:27que já estão pré-feitas na cabeça deles.
12:32E isso a gente também viu quando aconteceu a guerra lá entre Israel e o grupo terrorista Hamas
12:38na faixa de Gaza.
12:39Também a gente tinha essa disputa por narrativas.
12:42Agora, eu acho que a situação no Brasil é bem diferente,
12:46porque na faixa de Gaza era muito difícil obter informação sobre o que estava acontecendo de fato lá.
12:54Muitas vezes aqui a gente recolhia aquelas informações que estão em base de dados abertos.
13:00Era difícil a gente apurar, ter fonte.
13:03A gente teve um trabalhão aqui para checar, conferir tudo o que vinha de lá.
13:10E em relação ao que acontece no Rio de Janeiro, tem uma produção muito maior de informação,
13:17de vídeo que as pessoas gravam no celular, colocam nas redes sociais.
13:21Tem muita fonte ali.
13:24Tem as pessoas que moram no Rio de Janeiro e que contam para a gente como é que é viver.
13:32Todo carioca que passou por São Paulo, as pessoas perguntam,
13:36é assim mesmo lá?
13:38E o cara te conta uma história.
13:39E aí eu acho que aqui no Brasil vai ficar mais difícil dessas narrativas fantasiosas sobreviverem,
13:49porque a gente está vendo muito de perto o que está acontecendo.
13:53Então vamos lá.
14:05E aí
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