Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 meses

Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00Bom, hoje é super comum, super normal a gente encontrar, conviver no trabalho com mulheres que ocupam cargos de liderança dentro das empresas.
00:08Só que será que essa convivência é natural ou ainda existe algum preconceito sobre a capacidade, o comportamento dessas mulheres?
00:15A gente vai analisar esse assunto com a psicóloga Elígia Guerra.
00:17Elígia, bom dia.
00:18Bom dia, bom dia a todos que estão em casa.
00:20Por mais que seja normal, como a gente falou, de encontrar, ainda assim a gente ouve tanta piadinha,
00:26tantos conceitos, tantos pré-conceitos estabelecidos já sobre a liderança feminina, né?
00:32É, e o que eu tenho, assim, percebido é o número crescente de mulheres pedindo uma ajuda justamente nesse sentido.
00:38Tanto no meu trabalho cotidiano de coach, quanto realmente por e-mails que chegam pra gente estar conversando aqui sobre o assunto.
00:45Porque as mulheres estão percebendo que elas estão liderando mais, mas ainda assim estão sofrendo um preconceito muito grande.
00:52E o que é mais incrível, muitas vezes, por parte das próprias colegas de trabalho, não só por parte dos homens.
00:58Esse preconceito seria em que sentido? De que parte viria esse preconceito?
01:03Não em parte de homens ou de mulheres, mas em que determinada área da atuação feminina?
01:08Parece que as pessoas esperam uma liderança feminina acolhedora.
01:13Eles estão esperando que a mulher seja boazinha, que tenha todo um jeito muito especial pra falar.
01:19Enquanto o homem realmente costuma colocar as coisas de uma forma mais objetiva.
01:24A mulher quando é mais dura, ela é a mal-amada, né?
01:26Ela é mal-amada, ela é taxada de intransigente, de antipática.
01:30É como se a mulher tivesse que fazer todo um, digamos assim, um teatro.
01:36Tivesse que dar muitas voltas a mais pra falar por vezes a mesma coisa que o homem falaria de uma forma muito mais objetiva.
01:43E o que é pior, o homem é visto como firme e essa mulher é vista, assim, realmente como intransigente.
01:49Então, essa reclamação está recorrente aqui pra mim.
01:52O número de e-mails realmente tem sido assustador nesse sentido.
01:57Então, eu diria que nós mulheres temos que mudar esse conceito e até esse preconceito.
02:02Por que a mulher tem sempre que ser essa pessoa acolhedora, doce?
02:06A mulher tem simplesmente que ser uma profissional, ser uma líder.
02:09E isso implica muitas vezes em desagradar também, né?
02:12Então, a gente tem que estar trabalhando com isso aí no dia a dia.
02:14A mulher sofre também muito ainda preconceito em relação ao período de licença maternidade, né?
02:21Tem muitos homens, muita gente que ainda não entendeu que a licença maternidade não tem nada a ver com a mulher, né?
02:27A mulher está lá só em função, é só um corpo em função do bebê.
02:29A licença maternidade diz respeito ao bebê.
02:32Mas tem muita gente ainda que torce o nariz, que acha, ah, vai ficar agora uns meses em casa recebendo e tal.
02:38E quando volta, a mulher sofre um certo preconceito, né?
02:41Olha, Gisele, eu trago até um exemplo do que aconteceu na Islândia.
02:44Dia 24 de outubro de 75, praticamente 90% das mulheres pararam as suas funções.
02:50Eu não estou falando em função só de trabalho.
02:53Estou falando em função, inclusive, materna.
02:55Saíram de casa em passeata e foram reivindicar seus direitos.
02:59O que as empresas perceberam?
03:00Que como as mulheres não foram trabalhar e realmente não ficaram cuidando dos filhos,
03:03os pais estiveram aqui com os filhos para o trabalho.
03:06Gerou um caos isso, mas também jurou, assim, eu diria, um despertar.
03:10A partir de então, muitas coisas mudaram.
03:13E cinco anos depois, estiveram a primeira presidente mulher eleita democraticamente no país.
03:18E o que a gente percebe aí?
03:20O aumento, a partir desse dia, imenso de creches muito acessíveis.
03:24E uma licença, hoje eles têm uma licença maternidade, aí, pasme, você, de nove meses.
03:29Três meses para a mulher, três meses para o homem e três meses em que eles podem alternar essa licença.
03:35Claro que a gente está falando de uma ilha, um pouco mais de 350 mil habitantes, uma média mais ou menos.
03:41Não teria muito como comparar isso em países de uma população muito maior.
03:45Mas há que se pensar que, a partir desse momento em que a mulher não é vista mais como ela sendo um problema,
03:52porque ela vai ter a licença maternidade, mas que o homem também vai ter a licença paternidade,
03:58ela não sofre mais esse tipo de retaliação.
04:01Ela começa a ser vista, então, realmente, como você falou, como uma pessoa que vai gestar,
04:06que vai trazer uma vida e que tem responsabilidades, realmente, igualitárias em relação ao homem.
04:11Agora você falou na Islândia?
04:12Islândia.
04:1375.
04:14A gente aqui está em 2015 e não conseguiu ainda a obrigatoriedade da licença maternidade.
04:19Lembrando que nem tinha rede social quando eles conseguiram mobilizar esse número de mulheres.
04:24Nós estávamos começando a pensar nisso.
04:26Então, você veja a questão da força que uma mulher pode dar para a outra.
04:31É nisso que eu gostaria muito, assim, de fortificar essa percepção do quanto nós podemos nos fortificar,
04:37sermos fortes, se nós realmente formos mais unidas.
04:40Se não passarmos a enxergar a nossa colega, a nossa amiga, como uma rival que está tirando o nosso espaço,
04:47mas como alguém que está abrindo caminhos.
04:49E quando a mulher, ela se une, ela tem essa força.
04:52E eu acredito demais nisso.
04:54É uma tônica do meu trabalho, essa união feminina, esse acolhimento das necessidades mútuas que temos
05:01e de nos fortificar nesse papel de líderes, mas também de parceiras.
05:05Lígia, agora, 2015, a gente não tem nem obrigação ainda da licença maternidade de seis meses,
05:10sendo que a recomendação da Organização Mundial da Saúde é que a amamentação seja de seis meses,
05:14por N benefícios para a criança.
05:17Que caminhos a gente tem que percorrer ainda para que a gente tenha essa consciência justamente dessa igualdade,
05:22justamente de que é necessário esse período e que isso não é um problema para a empresa.
05:29Isso, sim, é um benefício para a sociedade, porque você está criando um cidadão mais estruturado desde pequenininho.
05:34Exato.
05:35Esse é o primeiro passo.
05:36Isso que você falou é perfeito.
05:38Um cidadão mais estruturado.
05:40Um cidadão que amanhã e depois, ele vai ter valores muito mais arraigados, muito mais bem construídos,
05:45porque o pai e a mãe estarão juntos no processo.
05:48Vai ter uma saúde.
05:49Não vai depender do sistema público de saúde, porque vai ser uma pessoa mais saudável.
05:52Exato.
05:53Vai estar mais saudável no jeito de se comportar, no jeito de ser, com a sua autoestima,
05:57com a sua relação com as outras pessoas e até com as suas escolhas.
06:01Então, eu diria, primeiro passo, realmente a gente tem que mudar as nossas políticas públicas,
06:06mas nós temos que mudar também dentro de casa a educação dos nossos pequenos
06:10e principalmente conscientizar os nossos parceiros para que eles realmente não vejam isso como uma queda de braço.
06:16A mulher não quer se sobrepor ao homem, ela quer simplesmente uma questão de equidade.
06:20Nós queremos simplesmente ter os mesmos direitos e as mesmas responsabilidades.
06:25Então, quando nós vemos homens batalhando por direitos que são aparentemente nossos,
06:31como sendo deles, ou seja, eles tomam essa consciência que esse papel deles de serem ativistas nesse princípio também,
06:40a gente vai começando a dar uma equilibrada na sociedade em todos os níveis,
06:43seja no pessoal e no profissional.

Recomendado