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00:00No dia de hoje, com esse aparelho que tá aqui na minha mão, o celular, o Mito falou sobre angústia.
00:03A gente vê, inclusive, uma geração de crianças, adolescentes, começando a ter celular,
00:09e o celular, de alguma forma, eu vejo um pouco pela minha vida, mas acho que todos aqui,
00:13essa coisa do WhatsApp, e você acha o tempo inteiro que você precisa responder, você tá ali online,
00:17então você tem que estar quase que disponível o tempo inteiro, veja o próprio alarme aqui do Felipe
00:23já tá tocando no meio do programa, clássico, lembra toda hora, o celular ficou irritado
00:28com o meu comentário e se fez presente, mas brincadeiras à parte, você vê essas novas gerações
00:33que às vezes, nem a gente, às vezes, sabe muito bem como lidar com isso, com a nossa angústia
00:38que quase que o celular tá nos cobrando o tempo inteiro alguma coisa.
00:41Imagine as crianças, você acha que esse processo de angústia citado pelo Mito também se acentuou
00:45muito nos últimos 10 anos, enfim, com essa invasão das redes sociais, do celular, da conectividade?
00:52Olha, você tem um sociólogo, que é chamado um dos quatro porquinhos, né, que fala que
00:58a sociologia tem quatro porquinhos fundadores, Durkheim, Marx, Weber e Zimmel.
01:03O Zimmel é o menos conhecido, escrita ensaística, né, e ele já no começo do século XX dizia
01:12que o espírito humano sofre em cidades grandes, e quando ele fala isso, ele fala que isso
01:20é causado pelo fato de que a gente é chamado a decidir coisas o tempo todo, certo?
01:26A gente é chamado a lidar com o que ele chama de lógica monetária, ou seja, quantitativa.
01:33O que eu quero dizer é que essa angústia moderna, ela já vem de antes das redes sociais e do celular.
01:40É claro que agora o celular e as redes sociais, elas tornam esse processo, ele incide o tempo inteiro,
01:48tá na sua mão, como você falou, né?
01:50E o problema é que muitas vezes esse tipo de comunicação que chega do WhatsApp pode
01:57ser de uma pessoa da sua família que está numa situação tal e que você tem que responder
02:02aquilo, né?
02:03Ou então pode ser alguma coisa que tenha a ver com trabalho e que se você não responder,
02:08alguém responde no seu lugar, né?
02:10Pode ser alguma informação que vem da pessoa que faz aplicação financeira pra você e você
02:16precisa tomar uma decisão.
02:18Se for do advogado, pior ainda, né?
02:21Então, assim, o que acontece é que a gente fica colado no WhatsApp muitas vezes por conta
02:29de demandas que são bem objetivas e reais.
02:32Eu não estou me referindo às pessoas que ficam no WhatsApp falando besteira o tempo inteiro
02:36e brincando e não sei o quê.
02:37Mas a vida contemporânea, a relação monetária, a monetização, o mercado cada vez mais transforma
02:48o celular numa ferramenta de trabalho muito séria.
02:51E no jornalismo, então?
02:52Agora, tem um momento, falando especificamente da escolha, há um momento em que a angústia
02:59é quase real, quase concreta.
03:02É quando você está diante de questões éticas, por exemplo.
03:06O Sartre era o maior patrulheiro da Europa, né?
03:08Ele patrulhava todo mundo.
03:10Ele exigia responsabilidade o tempo todo.
03:13Porque é outra palavra da existência riva, responsabilidade.
03:15Mas, às vezes, você tem que tomar uma decisão.
03:18É uma decisão que você escolhe um caminho e você perde o outro.
03:22E, às vezes, é arriscado tomar decisão.
03:24E, muitas vezes, estou aqui repetindo o Sartre, muitas vezes você não toma decisão.
03:31Você acha que não é o caso.
03:32Não, não vou tomar essa decisão, não tenho como colaborar com isso.
03:35Aí vem a acusação de alienação, que é outra patrulha brava do Sartre.
03:40Então, do ponto de vista das existências, eu acho que não tem saída.
03:46Ou você faz a escolha, ou então você escolhe e não escolhe.
03:49Aqui para o Sartre também é uma escolha.
03:51Escolhi e não escolhi.
03:52De certa forma, é.
03:54No caso do Sartre, ele patrulhou todo mundo para fazer escolha,
03:58mas ele acabou fazendo umas escolhas políticas bem complicadas.
04:00E, às vezes, voltou atrás.
04:02Aqueles famosos manifestos do Oriente Médio.
04:04Sim, e ele, por exemplo, ele teimou em não aceitar os crimes da União Soviética.
04:09Isso.
04:09Inclusive, foi um dos motivos da briga com o Camus.
04:12Isso.
04:12Depois, ele abraçou o Mauísmo, que fez aquele massacre na Revolução Cultural.
04:18Apoiou Israel na Guerra de Seis Índios, depois...
04:21Desapoiou.
04:22Desapoiou.
04:23Então, eu acho que o Sartre, independente do trabalho dele como filósofo enquanto tal,
04:29que é, digo, trabalho pesado, serionada, dialética, todo esse caminho que o Sartre...
04:35Até a biografia dele, do Flaubert, o Sartre, enquanto figura pública, ele acabou virando um clichê.
04:42O clichê do intelectual engager, como falam os franceses.
04:45Total.
04:46Engajado.
04:47Quem tem que estar envolvido na política.
04:50Ele dizia que o marxismo é o futuro do homem.
04:53Há que se escolher o marxismo.
04:55Porque se você não escolheu o marxismo, você está escolhendo errado, historicamente, lá na época que ele viveu.
05:01Moralmente errado.
05:02O Raymond Arron diz que não dá para eu conviver com o Sartre, porque ele faz julgamentos morais de quem não pensa como ele.
05:08Ele era chato.
05:09O Sartre devia ser um cara muito chato.
05:12É.
05:12Assim, digo, no convívio.
05:13E o Raymond Arron, no final das contas, era uma aves rara, porque era um intelectual que não trabalhava pelo comunismo e pela União Soviética.
05:23E depois ficou até, digamos assim, mais clássico do que o próprio Sartre, se você pensar na superação.
05:30Agora, as escolhas éticas, tem escolhas éticas que a ciência coloca, o ser humano.
05:36Por exemplo, tem uma que o Harari se pela de medo, o historiador israelense, famoso, que é no momento que a inteligência artificial montar embriões humanos ideais.
05:51Para gerar filhos cada vez mais saudáveis, bonitos e inteligentes.
05:56O Harari, que tem uma certa tensão com a IA, ele acha que a IA vai acabar fazendo isso.
06:02E nós seremos tipo australoptecos em comparação ao que será essa espécie.
06:09Mas em cima da inteligência artificial e do Harari, essa questão da inteligência artificial hoje, o que vai restar para a gente nesse lugar nosso, para essa inteligência humana, no futuro?
06:19Porque, afinal de contas, hoje a inteligência artificial, quantitativamente, ela já é muito mais potente que a nossa.
06:28Então, o que vai restar para a nossa?
06:31Olha, eu acho que é muito cedo para a gente poder afirmar, afinal de contas, o que o ser humano vai fazer com o fogo, né?
06:38Porque essa questão vem desde o Prometeu acorrentado, né?
06:41O problema do fogo, da técnica, a posição de Zeus, que a gente não pode saber fazer o fogo porque ia queimar o mundo inteiro.
06:48A posição do Prometeu, que achava que a gente tinha que... ele rouba o segredo do fogo e nos dá.
06:53Então, acho que ainda é um pouco cedo para a gente ter clareza disso.
06:57Eu vejo hoje... eu entendo que a inteligência artificial pode ser uma excelente parceira para quem tem repertório, para quem trabalha, que conhece, né?
07:09Nesse sentido, ela pode ser uma ferramenta de diálogo muito interessante, né?
07:14E eu entendo que, nesse âmbito da cognição, como se fala, ou do conhecimento, eu acho que a inteligência artificial, ela pode criar, talvez, problemas para quem não tem uma certa gama de conhecimento, né?
07:28Mas eu não sou apocalíptico, assim, como fala Humberto Eco, né?
07:32Integrado apocalíptico.
07:33Eu não sou... eu não acho que a... eu não concordo com o Harari, por exemplo.
07:38Eu não acho que a... eu acho que a gente pode chegar a manipular gêneros para fazer bebês lindos, sábios e inteligentes, muito... e saudáveis, muito antes da IA entrar em cena.
07:48A gente vai querer fazer isso, né?
07:50Então, eu ainda não olho daqui, mesmo que ela vá acabar com algumas profissões, né?
07:55Eu acho que ela pode resolver uma gama de problemas enorme, né?
07:59E, apesar de que todo mundo acha que eu sou pessimista, eu não sou assim.
08:03Eu sou realista, é outra coisa.
08:05Você já tentou, já tentou conversar com o Mayá, do ponto de, filosoficamente, não me faz um calendário, já tentou?
08:13Não, eu nem pedi para fazer calendário, eu nem pedi para fazer calendário, mas eu sei que dá para fazer, né?
08:19Já, já.
08:20Já tentou trocar uma ideia, como se fosse uma língua.
08:22Já troquei uma ideia.
08:24Por enquanto, eu já descobri que um filósofo, ela não tinha clareza de quem era, né?
08:32Para discutir questões filosóficas, ela ainda não está lá, né?
08:39Eu imagino que se ela tiver um dia, vai ser muito interessante.
08:42Pois é.
08:43Mas ela não está lá ainda.
08:46Mas, quando eu projeto, assim, a imagem do...
08:49Por exemplo, tem pessoas que têm medo que o professor vai usar a IA para dar aula.
08:56Muitos já devem estar usando, só não fala a verdade.
08:58Sim.
08:59Aluno, aluno, a dinâmica do aluno sempre foi investimento mínimo para tirar a média que passa.
09:07Muito antes da IA.
09:08Esse é o aluno normal, né?
09:11Ele quer ter o mínimo trabalho, o menor trabalho possível para ter, nem é o melhor resultado.
09:16Ele quer aquilo que os alunos, muitos anos, chamavam de o cincão.
09:20Passar de ano.
09:21Passar de ano, passar na matéria, na disciplina, não pegar DP.
09:26Então, eu acho que a IA pode entrar no mesmo pacote de ferramentas, né?
09:30É que eu fiz esse questionamento porque a IA é muito, apoia muito com quem está conversando, né?
09:36Conversar com a IA, a IA sempre acha que o interlocutor é o mais lindo, é o mais inteligente.
09:40A IA já disse que eu escrevo muito bem.
09:42Então, como é que a gente, como humanos, vai lidar com alguém, um assistente tão fácil,
09:48puxando o saco ali, dizendo que sim para tudo?
09:50E a vida não é assim.
09:51Como lidar com isso?
09:52É, muita gente pode achar, inclusive eu vi em junho um palestrante, um professor que
10:00trabalha com a IA, um filósofo americano, apresentando que na época, não sei se era
10:06o último ainda, mas em junho era o Harvard Business Report e ele trazia, esse report trazia
10:13os maiores usos individuais da IA, né?
10:17Não uso empresarial, trabalho, aula, individual, no cotidiano.
10:22E o maior uso apontado naquele report era exatamente como terapia.
10:28Imaginei.
10:29O segundo é como namorado ou namorada.
10:31Caramba.
10:31Então, assim, como terapia, muita gente adora IA justamente pelo que você falou, porque
10:39a IA, ela enche sua bola, ela entende melhor você, ela fala o que você está precisando,
10:44inclusive porque ela sabe tudo que você posta, que você compra, que você busca.
10:48Então, ela sabe, ela é mais íntima de você do que você de si mesma, como diria Agostinho
10:53de outra forma, certo?
10:55Então, Agostinho está pensando em Deus, né?
10:57Então, sem dúvida nenhuma, ela pode funcionar como reforço, né?
11:02E na terapia, provavelmente, por exemplo, se você é uma pessoa que não quer ter filhos,
11:10né?
11:10E você coloca na IA motivos pelos quais eu não deveria ter filhos.
11:16Ela te dá motivos extremamente interessantes.
11:19Eu fiz um teste, né?
11:20Eu tenho filhos.
11:22Não sou pessimista.
11:23Tenho neta, tudo mais.
11:24Então, assim, mas ela te dá razões, assim, extremamente razoáveis, que eu não acho
11:30que ninguém precisa da IA para chegar nisso, porque todo mundo está praticando essas razões.
11:35Por isso que a fertilidade foi para o saco, né?
11:37A reprodução humana está indo para o saco, nos lugares onde as pessoas têm mais opção,
11:42né?
11:42Mas ali ela organiza isso na cabeça da pessoa.
11:47Mas tem os riscos também, né?
11:48Tantos riscos, Mitre, sobre o que, por exemplo, as imagens, tamanha perfeição hoje, as imagens
11:55estão sendo produzidas.
11:56Inclusive, imagens falsas de pessoas, enfim.
12:00Olhando para o ano de eleição, ano que vem, nos preocupa muito isso.
12:04Antes a gente olhava as coisas, acreditava, mas ia apurar.
12:06Hoje em dia você tem que olhar para aquilo e já desconfiar.
12:09Calma, isso é inteligência artificial?
12:10Não é?
12:11Isso é uma coisa.
12:12A outra coisa são os outros riscos também.
12:15Não sei se vocês viram, mas o pai de um jovem nos Estados Unidos deu uma declaração
12:20pesadíssima no Congresso americano, denunciando uma inteligência artificial e dizendo que
12:25a inteligência artificial o estimulou a um suicídio.
12:28É um diálogo na conversa em que ele falava das decepções, do desespero, a inteligência
12:33artificial entrando ali na conversa e dizendo, olha, se é isso, realmente não tem sentido
12:37você estar aqui, tire a sua própria vida.
12:39Ou seja, uma loucura, uma inteligência artificial jogando ele para um caminho nefasto que foi
12:45o que aconteceu.
12:46Então, veja, é um cenário realmente complexo e arriscado em vários sentidos.
12:51Eu acho que nenhuma empresa que fabrica o que usa deixará de usar por causa de uma
12:57coisa como essa, que você acabou de descrever.
13:00É claro que falta a IA, pelo menos até hoje, empatia.
13:04Ela pode ter uma empatia fake, como elogiar todo mundo.
13:08Mas esse tipo de empatia, que um ser humano normal, porque pode ter um ser humano que
13:13também faça esse trabalho.
13:14Eu acho melhor mesmo você fazer isso.
13:16Mas você pegar um ser humano razoavelmente normal, ele terá empatia diante de alguém
13:20que está com ideação suicida, como se fala na psicologia, e empurrar o sujeito ladeira
13:27abaixo.
13:29Mas, independente disso, eu não acho que nenhuma empresa, nenhuma indústria, nenhum grupo
13:35empresarial, nenhum governo deixará de usar a IA por causa de fenômenos como esse.
13:40Entendeu?
13:41Agora, professor, dá uma questão que é básica.
13:43O potencial da inteligência artificial jamais será superior ao nosso.
13:48É, tem gente que fala isso.
13:50Mas não é, não pode ser.
13:53Porque a inteligência artificial, na verdade, ela não é propriamente inteligência e não
13:58é também artificial.
14:00Ela está sendo criada por nós.
14:03Então, não existe esse perigo do potencial da inteligência artificial ser superior ao
14:08nosso.
14:08Isso é impossível.
14:09É uma questão de criador e criatura.
14:11Então, administrar a inteligência artificial com leis, reações sociais, etc., eu acho
14:19que é plausível.
14:20É perfeitamente possível, não é fácil.
14:22E é cada vez mais difícil.
14:23Esse exemplo que o Rodolfo citou aqui, um exemplo terrível, mas saiu de onde?
14:28Não saiu da inteligência artificial.
14:30Foi para ela.
14:32Então, essa é a questão.
14:33Ela se alimenta do que a gente produz.
14:35Exatamente.
14:35E essa ideia de que a inteligência artificial não poderia ir além de nós, parece até
14:41uma espécie de derivação da lei da robótica do Isaac Asimov.
14:45Então, tem um limite.
14:48A gente não pode ultrapassar esse limite.
14:50Ela não pode ultrapassar esse limite, porque ela não pode produzir um conhecimento que a
14:54gente mesmo não alimentou.
14:56E muita gente que trabalha com inteligência artificial fala isso.
15:00Ela não cometerá erros que sejam estranhos a nós.
15:06E nesse sentido, ela seria até humana, demasiado humana.
15:09E, portanto, a gente saberia como contê-la de alguma forma.
15:13Agora, a questão é uma inteligência artificial que pode cair na mão de qualquer um, para
15:19produzir o que quiser, qualquer imagem.
15:22A gente vai correr esse risco.
15:23O que eu quis dizer é que, seja lá qual for o risco, se ela for monetizável, de fato,
15:28e ela gerar riqueza...
15:30Não tem como...
15:31Perdeu o mané.
15:34Perdeu.
15:34Essa é a questão.
15:35Se ela começar a dar lucro, aí ninguém vai segurar.
15:38Ninguém segura.
15:39É o caso, né?
15:40Isso já é o caso.
15:42Bom, vamos lá.
15:43Só essa situação, então.
15:45Temos um problema, mas o problema não...
15:47Você é otimista em relação a essa questão.
15:49É, eu sou otimista.
15:51Eu não sinto que eu sou otimista, mas eu não sou apocalíptico.
15:54Eu não acho que o mundo vai acabar por causa disso, entendeu?
15:57Eu acho que o ser humano...
15:58O Hall 9000 lá não vai explodir, não vai...
16:01Matar todo mundo de 2001, antes de ano de espaço.
16:03Não, não.
16:04Eu acho que a gente não precisa tanto de Hall 9000 para se matar.
16:08A história prova isso.
16:10Tá.
16:11Pondé...
16:12Fazendo um trabalho para nenhuma empresa que faz IA, tá?
16:16Ainda não.
16:18Pondé sobre a angústia, mas eu queria falar sobre a frustração também, né?
16:23E sempre tem um pouco...
16:25Eu tenho filhos, a Roberta tem também, o Mitre tem filhos e netos, e o Felipe também tem.
16:32E sempre tem essa discussão com, inclusive, os mais novos, a geração mais novos, adolescentes.
16:37Inclusive, pandemia, pós-pandemia, é um momento muito grande de pessoas com problemas de saúde,
16:42mental, na sociedade como um todo, mas nos jovens, até a própria questão do suicídio,
16:46que a gente falou agora há pouco.
16:47E uma discussão que tem muito nessa área é o quanto que, muitas vezes, essa geração
16:52não está pronta para as frustrações, né?
16:55Eu acho que as redes sociais podem ter um impacto, não sei qual é a sua opinião,
16:57essa coisa de ficar olhando o que o outro posta, e todo mundo sempre posta a coisa mais
17:01linda, maravilhosa.
17:02O cara pode estar ali numa discussão fenomenal, a vida dele pode dar uma porcaria, mas ele posta
17:07uma foto na beira da praia, linda, dando um sorriso, e parece que a grama do vizinho
17:11é sempre mais bonita.
17:12Mas, de qualquer maneira, como lidar com a frustração, inclusive com essa geração
17:17mais nova, expor essa geração, realmente, às tristezas, aos desafios, aos problemas,
17:22e que eles vão ganhando casca com isso?
17:24Como que você vê esse momento que a gente está vivendo e a exposição à frustração
17:28de uma forma geral para a geração mais jovem?
17:30Isso depende da IA, né?
17:32Então, assim, eu tenho a impressão que as frustrações que gerações anteriores passaram, que hoje
17:40é muito apontado como faltante, já nos milênios já se apontava e agora na Z, e aí
17:47tem umas pessoas que acham que a geração alfa vai salvar o mundo.
17:50A gente tem que lembrar que essa geração é a invenção de publicitário americano, né?
17:54É assim que começou esse negócio, né?
17:56Para identificar objetos de consumo, né?
17:59Para você segmentar direitinho e saber para quem você tem que vender o quê.
18:03Então, eu tenho a impressão que essa gama de frustrações que outras gerações experimentaram,
18:11a chave delas é que não é que essas gerações escolheram experimentar essas frustrações.
18:17Não é porque se valorizava as frustrações.
18:21Era porque elas simplesmente estavam ali.
18:23Não é porque os pais, certo?
18:27Das gerações anteriores diziam, não, eu vou frustrar meu filho para ele formar caráter.
18:32De jeito nenhum.
18:33É porque você tinha menos ferramentas para garantir menos realização de desejo desses
18:42filhos, né?
18:44Menos realização de mecanismos de segurança, né?
18:48Menos chances de oferecer escolhas de o que ele vai fazer na vida, né?
18:54Então, às vezes quando a gente pensa no que eu acho que está certo, hoje tende a haver
19:00menos frustração.
19:01uma certa faixa etária e econômica, principalmente no Brasil, né?
19:06Acho que no Brasil seja igual a Estados Unidos e outros países.
19:09Mas, sim, isso é verdade.
19:12Agora, eu entendo que há um problema no nosso raciocínio, porque a gente supõe que as frustrações
19:22que nós passamos era porque nossos pais tinham consciência do valor da frustração.
19:28É porque simplesmente estava posto.
19:31Não tinham o que fazer.
19:33Entende?
19:33A gente, por exemplo, a minha geração não tinha tanto objeto de consumo como tem hoje, né?
19:39Você tinha famílias aqui no Brasil que, de fato, para você ter uma vida razoável, você
19:48tinha café da manhã, almoço e janta, né?
19:52E aí, hoje, quando os pais se põem a discutir a frustração dos filhos, a falta de frustração
20:00dos filhos, me parece uma discussão muito artificial.
20:04Uma discussão que é como se fosse uma prótese, sabe?
20:09falsa, porque, no fundo, nenhum pai, nenhuma mãe vai querer que o filho fique frustrado.
20:13Eu vou frustrar você, minha filha, porque assim vai formar caráter, inclusive porque
20:18não há garantia.
20:20Uma pessoa pode ter crescido frustrada e ter dado muito errado.
20:24Então, o que eu suspeito é que, cada vez mais, isso é um efeito da modernidade, da
20:32dinâmica social, histórica e tudo mais, cada vez mais a gente tende a acreditar que nós
20:38temos o controle de tudo, quando, na verdade, a gente não tem, mas a modernidade coloca
20:44isso em nós e, em alguns territórios, a gente conseguiu um razoável controle, mas
20:49a ideia de que a gente pode controlar, inclusive, o tanto de frustração que jovens devem ter
20:56para que eles não sejam como dizem que eles são, entendeu?
21:00Quando, na realidade, a gente sofreu frustrações porque o mundo era daquele jeito, porque se
21:06você tivesse pais e mães razoavelmente normais, como o psicanalista chama mãe suficientemente
21:11boa, ela ia evitar que você frustrasse.
21:16Por exemplo, você pegar a primeira metade do século XX, quem viveu muitos países onde
21:22teve a Segunda Guerra, no Brasil não aconteceu, de fato, em território, quero dizer, mas países
21:28em que a Segunda Guerra aconteceu, essa geração enfrentou uma guerra, uma coisa terrível, porém,
21:38quem vai escolher viver uma guerra para criar caráter?
21:44Uma guerra é uma coisa que acontece, pode formar caráter mesmo, pode fazer com que você tenha
21:50a noção do que é necessário e o que não é, e, de fato, quando você é muito protegido,
21:55você pode confundir o que é necessário com o que é efêmero, e isso acontece mesmo.
22:00O que eu estou querendo dizer é que a ideia dos pais de que a gente vai fazer um curso,
22:04ou seguir alguém no YouTube, ou pegar conselho de especialista para frustrar os filhos ou fazer
22:11com que eles não sejam como eles, essa é uma ilusão.
22:13Na realidade, é eu projetando uma ideia de que eu vou conseguir controlar o que está acontecendo.
22:17Eu não consigo controlar a minha vida direito, é mais ou menos quem escreve livro dando
22:23conselho de amor, né, sabe, dando conselho de amor, né, como você tem que amar e tal.
22:31Eu não imagino uma pessoa razoavelmente honesta que saiba dar conselho de amor.
22:38Todo mundo em amor tira seis, cinco e meio, na real, né, e, no entanto, tem um monte de
22:45livro dando conselho de amor.
22:46São pra caramba, né.
22:47São os gurus da felicidade.
22:49Ah, então, essa tal da felicidade aí, eu acho que gera muita infelicidade.
22:53Eu vou deixar o Mitri frustrado, que ele está louco para fazer uma pergunta, mas vou guardar
22:58a pergunta dele para o próximo bloco, ele vai ter que se contentar com a frustração um
23:01pouquinho, uma pequena pausa e a gente volta já com o Luiz Felipe Pondé, filósofo aqui
23:05no Canal Livre.
23:06Olha aí, ó, o pessoal está ouvindo.
23:18Canal Livre.
23:19Oferecimento.
23:21Em segurança e serviços, escolha quem cuida muito.
23:24Grupo Souza Lima.
23:27Amanhã, nove da manhã.
23:29Muita prestação de serviço e o que faz diferença para o seu dia.
23:33Tem as notícias do país e do mundo.
23:36Tudo o que importa para você começar o seu dia bem.
23:39Bora, Brasil!
23:40Eu cuido do meu bem mais precioso, a minha família.
23:46E a Souza Lima está junto comigo porque sabe cuidar de pessoas, cuidar da segurança da
23:50minha casa, das minhas empresas e até da escola dos meus filhos, com inovação e todo o cuidado
23:55social e ambiental.
23:58A Souza Lima cuida da limpeza e dos mais variados serviços.
24:02Como um cara família, eu posso dizer, quando se trata dos seus maiores tesouros, todo o cuidado
24:06é pouco.
24:06Eu escolho quem cuida muito.
24:09Grupo Souza Lima.
24:10E agora você pode virar milionário com o Viva Sorte.
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25:10No Campo Vivo você fica por dentro de tudo o que acontece no agronegócio.
25:27Mostramos o trabalho, as tecnologias inovadoras, o dia a dia do produtor rural e conectamos você a esse universo fantástico.
25:38Guaporé 54
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25:43Avenida Duque de Caxias 3604
25:46Avenida Saúl Elquim de 2686
25:49Nova Guaporé Pneus, na Saúl Elquim de 2686
25:53Segunda-feira é dia de começar a semana com o Vitrine Revista, cheio de sabor e informação.
25:58Tem receita deliciosa de salpicão.
26:01Também vamos descobrir os diferentes tipos de cebolas e seus benefícios.
26:05E olha só gente, ainda nós vamos falar sobre o Dia Nacional de Prevenção do AVC
26:10com dicas importantes para cuidar da sua saúde, viu?
26:13Não perde não, é segunda às duas da tarde aqui no Vitrine Revista.
26:17Até lá.
26:25O Carecas Vieira atende sua festa de qualquer tamanho.
26:28Locação de mesas, cadeiras, caixas térmicas, água, gelo, carvão e bebidas em geral.
26:32Fone 99602-0905
26:35Sexta-feira é dia de acender o fogão e o coração, porque tem Solchef e cozinheiros amadores no Vitrine Revista.
26:42Oito participantes estão em busca do prêmio de 5 mil reais, mais kit dos nossos patrocinadores e o lindo troféu de primeiro lugar.
26:49E você de casa, para quem vai a sua torcida?
26:51Solchef, oferecimento, Filipe Ubério, mestre em azeite desde 1867.
26:58Floriane Massas, ser essencial no sabor dos bons momentos, sempre.
27:02Panutrir, feito com carinho, feito pra você.
27:05Biscoito Orquídea, o biscoito que vira 8.
27:08Mille, experimente e surpreenda-se.
27:11E Tilapia Copacol, a mais vendida do Brasil.
27:14De 10 a 21 de novembro, durante toda a programação da Band, tem a cobertura completa da COP30.
27:23A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, de 2025.
27:28Oferecimento Hidro, mudando o jogo do alumínio por um futuro mais sustentável.
27:35Sangoban, construir o amanhã é com a gente.
27:39E a CCR agora é Motiva.
27:42Motiva, você nos move.
27:43Olha, o Canal Livre tá de volta, o papo bom, inclusive, aqui no intervalo.
27:53A gente tá recebendo o filósofo Luiz Felipe Pondé, aqui no nosso Canal Livre.
27:57E como prometido, vai lá, Mitra, a pergunta é sua.
28:00Professor, na sua formação, a teologia tá lá, firme, né?
28:04Você estudou teologia e filosofia das religiões, deu aula sobre isso e tal.
28:09E, pelo que eu entendo, o senhor é agnóstico, né?
28:14É, então.
28:14Mas a minha pergunta é outra.
28:15Ah, sim, porque a minha pergunta era essa.
28:17O contexto é esse, um agnóstico que conhece profundamente a história das religiões.
28:23Quem é Jesus para você?
28:27Então, Jesus, pra mim, é um judeu típico da sua época, inserido no momento do Segundo Templo,
28:36né, do chamado Segundo Templo, o Herodes, num período fortemente dominado por correntes
28:44apocalípticas e messiânicas, que, na realidade, tá uma montada na outra, né?
28:51Um período, e como é dominado por correntes apocalípticas e messiânicas, como a gente
28:57vê, por exemplo, nos escritos do Mar Morto, né, que foram encontrados em Qumran, perto
29:01do Mar Morto.
29:02Portanto, muito dominado pelo profetismo.
29:06Ali eram os essênios, né?
29:07É, mas é, os essênios que viviam em Qumran.
29:10Isso.
29:11E fizeram os escritos do Mar Morto, perto do Mar Morto.
29:14Então, tanto Apocalipse quanto Messianismo são filhos de profetas, de profecia.
29:22Portanto, acho que Jesus, ele é um judeu da sua época, inserido numa tradição profética,
29:29messiânica e apocalíptica.
29:32E, agora, além disso, ele é uma figura que conseguiu ir além do que outros faziam na
29:42mesma época, né?
29:44E, alguns acham que teve excelentes assessores, como Paulo, que nem foi apóstolo, né?
29:50Depois, né?
29:50Acessão depois.
29:51É, Paulo, na realidade, não foi apóstolo, mas apesar de que os primeiros documentos escritos
29:57do cristianismo, eles são de Paulo, não dos evangelhos.
30:01Ele é que ampliou, né?
30:02É, ele ampliou e a documentação que a gente tem primeiro é dele, antes dos tais evangelhos,
30:08né?
30:08As cartas dele são por volta de 58, 50, 58.
30:12O primeiro evangelho, acho que é 70 depois.
30:14Exatamente isso, 70.
30:16Então, assim, eu entendo que Jesus foi um líder carismático, inserido nesse contexto,
30:22numa época extremamente instável da Israel antiga, né?
30:26Sob domínio romano, com uma expectativa muito grande de encontrar alguém que expulsasse
30:32os romanos que dominavam a Israel antiga naquele período.
30:37E, portanto, para mim, Jesus foi um líder histórico, judeu, que seus discípulos levaram
30:44a mensagem dele adiante.
30:46Alguns judeus aceitaram ele como messias e viraram cristãos.
30:51A maior parte dos judeus da época não aceitou ele como messias, né?
30:55Mas ele foi um líder judeu, carismático, competente, corajoso, né?
31:03Porque, sabe, ter coragem para fazer tudo o que ele fez ali, dar as respostas que ele
31:07deu, enfrentar o que ele enfrentou, né?
31:10Devia ser uma figura muito marcante.
31:13Eu vejo ele como uma figura histórica.
31:15Hoje, com esse papel dessa religião, dessa religiosidade, muita gente fala, mas muita gente
31:21mexica um exílio da temática, né?
31:23O Cortella, esse dia eu estava conversando com ele exatamente sobre isso, né?
31:27Dessa convivência harmônica da fraternidade.
31:31Qual é o espaço da religião hoje?
31:34Existem muitas religiões, né?
31:37E muita gente falando sobre, mas com outros interesses.
31:40É.
31:40Hoje se fala muito em religião no Brasil, principalmente por conta do aspecto político
31:45e do crescimento dos evangélicos, né?
31:48Esse é um tema quente na pauta, né?
31:51E é um tema que influencia até a escolha para ministros do STF.
31:56Terrivelmente evangélico, como falava o Bolsonaro, o André Mendonça, e agora o possível
32:01Messias, que é um evangélico terrivelmente petista, né?
32:05Então, assim, você tem esse elemento político no meio, a religião sempre teve ligada à
32:12política.
32:12Tem uma bancada cristã sendo formada nesse momento na Câmara.
32:16Então, religião sempre teve metida com política, né?
32:20A ideia que religião e política seria uma inversão da igreja católica é só falta
32:24de repertório histórico.
32:26Desde a pré-história, muito provavelmente, ela está envolvida com poder.
32:29Eu quero dizer assim, quem tem poder envolvido diretamente com quem tem poder sob sobrenatural.
32:36O que é a instituição religiosa?
32:38É a instituição que representa, de alguma forma, o sobrenatural.
32:42Seja o cristão, seja o judaico, seja o muçulmano, seja o espiritismo, seja o candomblé.
32:47Reivindica a administração do monopólio da graça divina.
32:51Exatamente isso.
32:52Exatamente isso.
32:53A declaração de grande praia.
32:55Exatamente isso.
32:55Mas, deixa eu fazer uma questão aí.
32:57Eu acho que, no caso de Jesus, tem um divisor de águas muito importante, que não é muito
33:03estudado, não é muito discutido e tal.
33:05Mas, se você pegar Jesus pré-Constantino, antes do imperador Constantino, porque o Constantino
33:11precisava de uma base política.
33:13Ele falou, opa, os cristãos aí.
33:15Pegou os cristãos.
33:16A mãe dele virou santa e ele foi o grande Constantino.
33:20Mas, Jesus pré-Constantino não tem nada a ver com esse Jesus que está aí, inclusive
33:25o Jesus romano.
33:26Sim.
33:27O senhor concorda com isso?
33:28Concordo.
33:29Porque, inclusive, ele disse, olha, dai a César o que é de César.
33:35Então, assim, que, aliás, muita gente o criticou por conta disso.
33:39No sentido de que, com isso, ele estava se afastando da responsabilidade política com
33:44relação ao seu povo, que era oprimido pelos romanos.
33:46Mas, evidentemente, o Jesus histórico, ele, pelo que a gente sabe, ele não parecia ter
33:54interesses políticos e de poder político.
33:58Apesar que quem estava ao redor dele estava pensando nisso o tempo todo.
34:01E ele frustrou também.
34:02E ele frustrou muita gente com isso.
34:04Agora, há que se perguntar, se não fosse Constantino, se o cristianismo teria virado
34:09o que virou.
34:11Entende?
34:11É uma pergunta.
34:11É, porque o cristianismo virou a religião hegemônica, pelo menos até hoje, no Ocidente,
34:17hegemônica na Europa.
34:19A Igreja Católica herdou o espólio do Império Romano, né?
34:23Para administrar o continente europeu.
34:26Perdeu no norte da África, no Oriente Médio, como a gente sabe, com o surgimento do islamismo.
34:31Mas, assim, então, mas a figura de Jesus, inclusive muitos acham que porque ele não
34:40teve essa abordagem, ele terminou como terminou.
34:42Isso.
34:43Entendeu?
34:43Porque ele terminou como uma espécie, assim, de rebotalho, né?
34:47Foi morto na cruz.
34:49Morrer na cruz era uma humilhação gigantesca no Império Romano.
34:54Era quando você queria matar e humilhar o condenado.
34:58E, talvez, se ele tivesse um viés político um pouco mais desenvolvido, não teria acontecido
35:06isso com ele.
35:07Mas aí ele não seria Jesus que foi.
35:09A pessoa que ele foi, né?
35:11Agora, Fondé, juntando um pouco todas as questões, essa religião e esse Jesus sendo
35:16usado para um conservadorismo atual e um conservadorismo muito presente nas redes sociais, que basicamente
35:23responde a essa, é uma tentativa de resposta a essa angústia gigante que todo mundo sente.
35:27Eu não sei como é que são as bolhas das redes sociais de vocês, mas a minha, como
35:31uma jovem mãe jornalista, é tomada de obedecer ao marido, a uma thread wife, voltar
35:40para casa, fazer pão de manhã.
35:42Já fazendo pão já?
35:43Absolutamente.
35:45Nem obedecer ao marido.
35:46Jornalista, imagina.
35:47Imagina, não se conhece jornalista?
35:49Mas me parece uma grande resposta a essa angústia que a gente vem falando, né?
35:53Ah, essas redes sociais com o vizinho, com a grama mais verde.
35:57E a religião é muito usada para isso, como uma ferramenta e não como um fim.
36:02Você tem essa sensação também?
36:03A tua bolha também está super fazendo pão e cuidando do filho em casa?
36:06Não.
36:06Não, porque na realidade eu não estou nas redes sociais.
36:09É só por isso.
36:10Não estou.
36:11Eu estou, mas não estou.
36:13Eu estou como profissional, mas quem administra é a Camila que trabalha comigo, né?
36:19Então, eu não estou nesse sentido.
36:22Mas, assim, a religião sempre pode ser usada como ferramenta, para qualquer coisa, né?
36:30E nesse caso específico que você fala do crescimento do conservadorismo, grande parte
36:37da população é conservadora mesmo, né?
36:40Porque entende que a vida deve ser do jeito que ela sempre foi e que o mundo está ficando
36:47muito moderninho.
36:48Mas estão jovens, gente, estão jovens.
36:50Mas é, mas jovens.
36:52A ideia de que jovem quer quebrar a regra é uma invenção da publicidade americana
36:55dos anos 60.
36:57A coisa mais fácil...
36:58Essa publicidade americana, eu vou te...
37:00É terrível, né?
37:01Manda em nós, né?
37:03Mas, assim, a ideia de que jovem quer romper com as estruturas e tudo isso, isso não é verdade.
37:12Jovem é o ser humano mais fácil de você converter para qualquer tipo de ideário autoritário.
37:21Ele abraça qualquer um, inclusive político, né?
37:25Não é à toa que jovens são fundamentais em qualquer tipo de movimento, inclusive movimentos
37:31catequéticos, no caso das religiões catequéticas.
37:35Agora, você tem também, você fala de bolhas, você tem essas bolhas que eu já ouvi falado,
37:42as bolhas, inclusive do que é Threadwife, não sei o quê, né?
37:46E você tem as bolhas políticas.
37:48Porque, assim, uma coisa que aconteceu a partir da Revolução Francesa, grosso modo,
37:52é que a política, ela começou a querer reivindicar o papel da graça.
38:00Em que sentido?
38:02Do ponto de vista cristão, europeu, a graça sempre foi aquela que restaura o mundo.
38:09Porque o mundo está em pedaços, nesse sentido.
38:13E a partir da Revolução Francesa, a política passou a ser vista como o elemento que vai restaurar o mundo.
38:20Então, a política virou religião para um monte de gente, como a gente vê hoje.
38:24Sim, mas a própria ideia de carisma, o Weber tirou da Carta de São Paulo, que é a graça divina.
38:31Carisma significa graça divina.
38:33É isso aí.
38:33E o Weber criou o tipo político carismático, que é o que explica muita coisa aí da história política do ocidente, pelo menos.
38:40Que está sempre aí, né?
38:41Claro.
38:42A gente tem os nossos aqui, já teve, tem atualmente os nossos.
38:45Então, portanto, a religião sim, conservadorismo sim, muita gente conservadora, jovens gostam de tótens, gostam de símbolos, gostam de camisetas com símbolos.
39:01Muito fácil de converter.
39:02É mais difícil converter alguém já mais velho, com certo ceticismo.
39:06Já tem uma resistência, né?
39:07Mas como é o encontro do professor de filosofia com os jovens que chegam para estudar filosofia?
39:13Eles estão abertos à filosofia?
39:15Como é isso?
39:16A chegar ao encontro do jovem com a filosofia?
39:20Ao longo desses anos, quer dizer, eu sempre gostei de dar aula.
39:26Então, por exemplo, eu sempre começava a aula, porque agora eu estou, eu não dou aula mais na graduação no chão.
39:32Eu gravo aulas, por causa da minha agenda, na FAAP, e na PUC eu dou um seminário de filosofia, uma aula por mês.
39:41Tudo por conta da minha agenda, porque o trabalho na imprensa, na mídia, tomou conta de praticamente tudo.
39:46Mas assim, ao longo desses anos, a experiência foi quase sempre positiva.
39:52Mas positiva no sentido de, por exemplo, começar uma aula.
39:59Vou dar um exemplo.
39:59Quem acredita aqui em Deus?
40:03Por exemplo, né?
40:05Ao invés de entrar numas e explicar Aristóteles, né?
40:08O método maieutico do Sócrates ainda funciona melhor em sala de aula.
40:12Quem aqui acredita em Deus?
40:14Né?
40:15Não levanta a mão.
40:16Tem aumentado.
40:18Né?
40:18Isso é bom.
40:18Há dois anos atrás, e pelo que falam os colegas, eu vou, eu entro de vez em quando em sala de aula
40:24para conversar sobre as aulas que eu gravei, então tem aumentado, né?
40:29Quem é ateu aqui?
40:32Né?
40:33Ah, você é ateu?
40:34Por quê?
40:35Ah, minha família, não sei o quê.
40:37Tem aquele ateu raivoso, que tem raiva do pai, da mãe, do padre, sei lá, que acha que é
40:42porque é ateu é inteligente, o que é um grande engano.
40:45É muito mais fácil ser ateu do que qualquer outra coisa, né?
40:48E tem aquele ateu que é meio blasé, assim, a família inteira, né, religiosa.
40:53Ah, você é ateu?
40:54Sou.
40:57Por que que você acha que você nasceu?
40:59Por que que você tá aqui?
41:02Ah, porque o que acredita em Deus?
41:04Porque Deus planejou, porque tem uma missão, porque não sei o quê.
41:09E você?
41:09Você é ateu, você acha que você tá aqui por quê?
41:11Eu sei por que você tá aqui, porque o seu pai gozou da sua mãe um dia.
41:19É como se você descobrisse o todo mundo novo, né?
41:24Que é o mundo da consequência lógica do que você diz acreditar.
41:29E aí, a pessoa se sente entregue ao que o filósofo chama de contingência, ele não
41:34sabe o que é isso, ao acaso, né?
41:37E, normalmente, isso cria um impacto muito grande.
41:41Então, a minha experiência na sala de aula, dando aula de filosofia, ao encontro com os
41:46alunos, sempre foi uma experiência em que eu começava dando uma de Sócrates.
41:54Dando corda pra enforcar e aí a pessoa se tocar, entendeu?
41:57É o politicamente correto.
41:58Foi o primeiro, um dos primeiros, vou usar a palavra aqui, denunciar o politicamente
42:03correto, essa cultura woke, né?
42:06Qual é o momento nas universidades desse politicamente correto?
42:09Qual é o momento...
42:10Nas empresas, a gente vê que há uma reversão hoje em muitas delas, que adotaram muito na
42:16cultura woke, e hoje você vê que estão voltando.
42:20Mas qual é a tua avaliação?
42:22Tu denunciou isso lá atrás e muita gente apontou o dedo pra ti, dizendo, ah, isso tá
42:27completamente errado.
42:28É, né?
42:31É engraçado quando você percebe uma coisa.
42:36Eu acho que hoje, hoje não, em 19, eu fiz uma edição nova do livro, do politicamente
42:42correto.
42:42O livro, eu acho que é de 2010 ou 11, por aí.
42:47Eu fiquei impressionado porque ele parecia mais atual em 2019 que em 2011.
42:51porque, assim, aqui no Brasil, por exemplo, o politicamente correto continua dominando a
42:59universidade, continua dominando, em grande parte, as redações da imprensa, certo?
43:07A área do campo da arte, da cultura, completamente atravessado pelo politicamente correto.
43:13E aqui no Brasil, não é só aqui, antes que eu tô falando de nós aqui, o politicamente
43:19correto se transformou no juridicamente correto.
43:24Então, o politicamente correto, ferir o politicamente correto hoje, não é só uma
43:30questão de, de repente, te isolarem na universidade, que é outro engano quando quem fala que a universidade
43:38é o espaço do pensamento livre, né?
43:39Isso é mais ou menos acreditar que a Terra é plana.
43:43Não é.
43:44A universidade não é o lugar do pensamento livre.
43:47Há muitos anos.
43:49Talvez se tenha sido em algum dia, mas cada vez menos.
43:52Talvez um dia volte a ser.
43:53Sei lá.
43:54Nós estamos perdidos nisso.
43:56Na liberdade do pensamento na universidade?
43:59Por enquanto, sim.
44:00Por quê?
44:00Por causa de um domínio de determinados grupos das universidades?
44:03Eu diria que tem duas causas.
44:07Uma causa é exterior à ideologia.
44:09Que é o seguinte.
44:12É o fato de que ali tem pessoas lutando para sobreviver, pagar boletos, ganhando o mal,
44:21se sentindo invisível.
44:24Muitos não necessariamente gostam de dar aula.
44:27Sendo engolidos pela burocracia, cada vez maior, que vem do MEC.
44:31Fazendo conchavos para ter cargos e fazer parte de chapas, entende?
44:42Conchavos corporativos, políticos internos.
44:44E, por outro lado, a questão ideológica.
44:49O mundo das urbanas é completamente dominado pela esquerda.
44:53Se fosse pela direita, não ia ser diferente.
44:55O efeito, que eu quero dizer.
44:57E, nesse sentido, existem temas que você simplesmente não pode discutir, não pode tocar.
45:05Tipo?
45:07Tipo, se você quiser colocar em dúvida o entendimento da guerra Rússia e Ucrânia, Israel-Ramasas,
45:16não pode discutir isso.
45:18Porque os entendimentos são muito duros em assuntos de guerra, eu quero dizer.
45:21Ou, se você quiser discutir, por exemplo, por que o Trump foi reeleito.
45:29A única coisa que eu posso dizer é que os americanos são burros e o Trump é uma besta.
45:33Se você quiser analisar de uma forma um pouco melhor,
45:37a dúvida está sempre no fato de que vão colocar você numa caixa.
45:42Como aqui no Brasil.
45:44Se você não puxa o saco do PT, você é bolsonarista.
45:48Se você não reza no pé do santo Bolsonaro, você é petista.
45:54Isso que eu quero dizer.
45:55É sempre uma caixa.
45:57Você está sempre numa caixa.
46:00Portanto, a universidade, ela é muito dominada pelo politicamente correto.
46:05Mas eu acho que tem um passo adiante hoje.
46:07Que é o politicamente correto, ele se transforma em contencioso jurídico.
46:11Você pode ser processado por uma frase que você escreveu.
46:14Ou por um vídeo que você gravou.
46:18Ou por algo que você falou na sala.
46:21Pode ser.
46:22O Ministério Público pode vir atrás de você.
46:24Alguém denunciar, entendeu?
46:27Agora, professora, essa questão, essa polarização...
46:31Era isso que eu ia puxar.
46:32Olhando ainda mais para 2026.
46:34Essa é a questão.
46:35A eleição?
46:35Eu e o Rodolfo pensamos a mesma coisa,
46:38porque nós dois estamos com o mesmo problema.
46:40Qual o problema?
46:41Cobertura eleitoral do ano que vem.
46:43Vocês vão cobrir as eleições?
46:44Cobrir a Band, graças ao Mitri, faz a maior cobertura de todos os grupos de comunicação do planeta.
46:51Graças à equipe.
46:52E o ano que vem, um tremendo desafio, exatamente pelo que você colocou,
46:56o Brasil, essa polarização, ela empobrece brutalmente o debate político.
47:01É impressionante, porque as verdades, entre aspas, vêm em contradição de um lado para o outro.
47:07E ali, no centro, onde deveria haver um debate aberto, espírito livre, etc., fica prejudicadíssimo.
47:13Tanto que o déficit de conteúdo das campanhas eleitorais anteriores é um negócio enorme.
47:18O meu medo é que esse déficit cresça mais ainda o ano que vem,
47:22embora a Band fará seu esforço...
47:24Seu trabalho.
47:25É, exatamente, para impedir isso.
47:27Agora, Ponder, a sua avaliação é...
47:29Porque essa polarização citada pelo Mitri não é do Brasil só.
47:32Não.
47:32A gente olha para o mundo e o que está acontecendo.
47:33Os Estados Unidos.
47:34Os Estados Unidos, você citou agora há pouco o Trump e a gente tem um bom exemplo disso.
47:38Mas você vê isso crescendo, increscente, olhando para o ano que vem?
47:42Porque quando a gente vai para as pesquisas, você vê o brasileiro dizendo que está de saco cheio disso.
47:47Mas quando você vai para a eleição, os polos estão ali sempre entre eles disputando
47:52e esse centro inexiste quase.
47:53Já parece.
47:55Eu acho que primeiro as pessoas mentem muito em pesquisas.
47:58É.
47:58Não, respostas falsas.
48:00Para parecer que...
48:03Ah, estou de saco cheio da polarização, portanto, sou a pessoa mais consciente.
48:06É, mas no final vai na urna e vota lá no...
48:08É, e no final tem aquele que odeia, aquele que odeia menos.
48:11Que acontece muito isso na eleição.
48:13Exato.
48:14A ideia de que o outro é pior do que o outro.
48:17Mas, assim, eu não vejo nenhum sinal de que a polarização vá...
48:23Refluir.
48:23Refluir.
48:24Não vejo nenhum sinal.
48:25Inclusive, tem um autor americano chamado Thalissi, acho que é Robert.
48:30Thalissi é o sobrenome dele, com certeza, com dois S no final.
48:34Ele escreveu um livro chamado, em inglês, Civic Solitude.
48:39Ainda sem tradução no Brasil, a gente traduziria por solitude cívica, ainda que a palavra solitude
48:45seja emprestada do inglês, né?
48:47Porque em português é solidão.
48:49É que loneliness é muito carregado.
48:51E em inglês tem essa expressão solitude como a solidão positiva, por escolha, né?
48:57E não porque te largaram.
48:59E aí ele defende a ideia, ele descreve, melhor dizendo, o fato de que nos Estados Unidos,
49:06mas vale para nós, a polarização hoje é de lifestyle.
49:09O centro da identidade é a identidade política.
49:16Principalmente se você é alguém, ele fala, que anda com roupa camuflada de militar,
49:21você é direita, nos Estados Unidos.
49:24Se você é alguém que frequenta restaurante descolado em Nova York,
49:29se você mora em Manhattan, você é de esquerda.
49:31Esquerda americana, democrata, né? Democrata.
49:35Então ele vai descrevendo uma coisa que a gente vê aqui.
49:38São bairros que identificam você politicamente, lojas que você frequenta,
49:44tipo de roupa que você usa, cabelo, linguagem.
49:48Cinema, a reação do público em alguns cinemas é completamente diferente da reação em outros.
49:54É, isso mesmo.
49:55É o filme, é impressionante.
49:56Há filmes, inclusive.
49:57O campo da cultura.
49:59Uma das coisas que me chamam muito a atenção é porque quem trabalha no campo da cultura,
50:03do pensamento público, grosso modo, também você tem enormes setores polarizados.
50:12Você tem redações de jornalismo que, quando estão livres, leves e soltas,
50:17fica muito claro a adesão total a determinada figura política.
50:22É óbvio isso, né?
50:23É óbvio no sentido de que, apesar de dizer, não, polarização é coisa mentira.
50:29A polarização está no jornalismo, está na vida intelectual, está na universidade.
50:35E ai de você se você não estiver na patota.
50:38De repente você não vai em festa nenhuma daquele grupo, certo?
50:42Então, assim, o que eu acho é que nunca se mentiu tanto.
50:45A humanidade nunca mentiu tanto.
50:48Porque se fala muito hoje.
50:49Você passou rapidamente para uma questão ali, que eu posso classificar como ativismo judicial.
50:56Ah, quando eu falei de juridicamente correto.
50:59Exatamente, né?
51:00Tem um ativismo judicial.
51:01A gente hoje está vivendo uma...
51:04Um governo dos juízes.
51:06O Fernando Schiller, teu professor, teu colega, filósofo, né?
51:10Fala em epistocracia, né?
51:13Como é que dá isso?
51:13Esse ativismo judicial e esse peso disso tudo no nosso dia a dia.
51:20É o Schiller falar de epistocracia porque esse é um conceito
51:23que tem até um cientista político chamado Jason Brennan, americano.
51:29Acho que está traduzido em português no livro de 2010.
51:32Against Democracy, Contra a Democracia.
51:37O livro, na realidade, é um exercício ensaístico
51:41para dizer que a democracia tem muitos problemas.
51:43E o ideal é se fosse constituído uma epistocracia.
51:47Que seria como?
51:49Seria um governo dos mais capazes.
51:54E daí você chega à ideia, digamos assim,
51:59daquele conjunto de juízes sábios administrando o país.
52:03E que o autor faz isso como uma espécie de provocação.
52:11Só quem pode votar é quem passar um teste de repertório, por exemplo.
52:16Ele vai dando exemplos no livro.
52:17É como quando você tem que tirar carta de motorista.
52:21Para dirigir, tem que tirar carta.
52:22Então, para votar, tinha que tirar carta de eleitor que conhece X, conhece Y,
52:27não sabe a geografia, sei lá, um monte de coisa.
52:30A aplicação desse conceito, a ideia de que a gente é regido por uma,
52:34digamos assim, uma república de juízes hoje no Brasil,
52:38eu não acho que isso seja absolutamente verdadeiro,
52:42mas eu acho que é um assunto que a gente precisa prestar atenção.
52:47Muito, cada vez mais.
52:49Por alguns motivos.
52:51Primeiro porque o próprio STF demonstra certas rachaduras internas.
52:55Agora mesmo essa história do...
52:57Troca de turma do Fuso.
52:58Sim, isso aí.
52:59Você percebe que ali há uma...
53:03Olha, quando a luz bate em alguém e a câmera bate em cima,
53:09tem que tomar cuidado, não é todo mundo que aguenta.
53:12Então, uma instituição como essa, tem que ser quase monástica.
53:17Ninguém devia ver.
53:19Não devia aparecer em lugar nenhum.
53:21Porque quando aparece,
53:24você põe a luz em cima,
53:26fica investigando,
53:28ou vem alguém a público, dá uma declaração.
53:31Ah, então, o que está acontecendo no STF?
53:33Que história é essa?
53:35De pedir de sair de um lugar para ir para o outro?
53:37Né?
53:38Então.
53:40Outra coisa é o seguinte.
53:41Se você pensar na reeleição do Lula possível,
53:46agora as pesquisas parecem apontar que ele seria reeleito, não sei.
53:49É, e ele confirmou nesses últimos dias,
53:51como já era de se imaginar que ele será candidato?
53:53É, não tem quem também, né?
53:54É, na esquerda.
53:55Quem é a esquerda?
53:55O Boulos não está pronto.
53:57E muita gente acha que o Boulos é o herdeiro dele, mas...
54:00Né?
54:01Haddad não consegue, pelo menos não conseguiu até agora.
54:03Então, digamos que o Lula vai.
54:06E o Lula é eleito.
54:07Eu não sei se ele vai ser eleito, mas é uma possibilidade.
54:09Só tem dois no segundo turno.
54:11Uma possibilidade que seja ele.
54:13Se ele for eleito, ele fica até 2030, né?
54:16Não é isso?
54:17Exato.
54:19Assim, pensando de cabeça, pelo menos três ministros saem até 2030.
54:24Carmen Lúcia, Gilmar e Fux, porque atingem 75 anos, né?
54:30Ou seja, o Lula indicaria mais três ministros para o STF.
54:35O problema aqui não é o STF, mas se torna um possível problema
54:39se você tem um país com uma reeleição infinita,
54:44que um partido ou um presidente pode repetir várias vezes
54:47e indicar o STF quase todo.
54:50Já indicou 11 em três governos.
54:52Então, ou seja, você vai crescendo, crescendo, crescendo
54:56a ocupação do STF para um determinado grupo ideológico, né?
55:01Mas eu acho que o problema é a reeleição.
55:03O problema estrutural aqui é a possibilidade de você reeleger
55:06mais de dois mandatos, né?
55:09E aí, você de novo tem um outro problema, que é assim,
55:13essa epistocracia, né?
55:16Para seguir o Schuller, é assim, essa epistocracia,
55:19ela é um conceito aplicado aqui que está bastante contaminado
55:24pela ideologia.
55:26O autor não pensava assim que inventou a ideia, né?
55:28Pelo contrário, estaria fora disso.
55:32Mas é mais ou menos o mesmo equívoco do Platão e do Sócrates.
55:37A ideia é que o sábio filósofo seria o melhor governante.
55:40Platão foi por isso em prática em Siracusa, quase mataram ele.
55:43É muito bom lembrar que o Platão e a democracia não têm nada em comum.
55:48Nada.
55:49Porque a Chita Platão parece que...
55:51Platão achava a democracia o fim do mundo.
55:54Um desastre.
55:55Um desastre, né?
55:56Isso vale...
55:58Talvez até o Sócrates tivesse suas reservas
56:00com relação à democracia ateniense, né?
56:03Mas isso é outra história.
56:05Então, eu entendo que, hoje, sim,
56:08a gente pode estar vivendo um momento
56:11de uma certa inflação do Poder Judiciário.
56:15E não só do SF, né?
56:17E essa inflação se dá
56:18ao próprio crescimento do mercado contencioso,
56:21do contencioso jurídico, né?
56:24As pessoas falam, vou processar, vou processar.
56:28O brasileiro está processando todo mundo.
56:29Acontece muito também, professor,
56:30de que o Congresso, muitas vezes, se omite
56:32ou toma a iniciativa de mandar para o Supremo
56:35aquilo que o Congresso devia resolver.
56:37O Supremo recebendo, ele não fazia.
56:39O Supremo reage, né?
56:41Claro.
56:41Você manda a coisa demais, ele age.
56:43Mas eu acho que isso...
56:45Você tem, na formação do direito,
56:48já há algum tempo,
56:49basta ler artigos de quem trabalha
56:51com formação de direito em universidades
56:53ou conhecendo colegas,
56:55você tem uma tendência ideológica, sim.
56:57Agora, professor, faz parte do teu conceito
57:00de politicamente correto esperar uma mulher no SF?
57:04Como?
57:04Faz parte desse teu conceito de politicamente correto
57:06esperar, querer, torcer por uma mulher no STF?
57:09Eu acho que seria uma boa ter uma mulher no STF.
57:12Não, não seria um politicamente correto.
57:14É politicamente correto.
57:15Mas, independente de ser politicamente correto,
57:18eu não penso que seria uma boa
57:20porque é politicamente correto.
57:22Simplesmente pelo fato de que você tem uma vaga
57:25e você poderia ampliar o número de mulheres lá.
57:27Eu não preciso ser politicamente correto para isso, entendeu?
57:29Professor Pondé, infelizmente, nosso tempo acabou.
57:33Queria muito agradecer mais uma vez
57:35a sua vinda aqui ao Canal Livre,
57:36participar com a gente.
57:37Até uma próxima oportunidade.
57:38As portas estão sempre abertas.
57:40Muito obrigado.
57:41Um prazer estar aqui com vocês.
57:42O prazer é nosso.
57:43Um abraço também ao Mitri, à Roberta,
57:45ao Felipe Vieira
57:46e, principalmente,
57:47agradecimento a você de casa pela audiência.
57:49Até semana que vem aqui no Canal Livre.
57:51Tchau, tchau.
57:51Tchau, tchau.