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O fundador e CEO da Setin Incorporadora, Antonio Setin, previu em entrevista ao Show Business que o mercado imobiliário para a classe média "vai voltar e vai voltar com força". Segundo ele, isso acontecerá assim que a taxa de juros atingir um patamar "razoável" de um dígito, entre 7% e 8%, o que ele acredita que "deve acontecer ainda em 27".

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Transcrição
00:00Ele é graduado em arquitetura e urbanismo, começou no setor de construção levantando casas populares na periferia de São Paulo,
00:11até estar no comando de uma das principais empresas do segmento imobiliário do Brasil.
00:18Nós vamos receber neste bloco do show business Antônio Cetin, fundador e CEO da Cetin Incorporadora.
00:26Antônio, obrigado pela presença aqui em nosso estúdio.
00:30Vocês, assim como concorrentes de vocês, que já passaram inclusive aqui no programa,
00:38vocês mudaram aí um pouquinho o perfil da incorporadora nos últimos tempos
00:42e têm focado em prédios, sobretudo para o cliente de alto padrão.
00:48Talvez, eu imagino, porque esse cliente de alto padrão não é tão impactado com uma taxa de juros tão expressiva
00:58como a gente vive hoje no Brasil, 15% ao ano.
01:02O que, na sua avaliação, vai acontecer quando a taxa de juros cair no Brasil?
01:11Bem, Bruno, a gente se adapta ao momento da economia do Brasil.
01:16O dinheiro custa caro. Temos que trabalhar para quem tem,
01:20porque quem não tem está com um pouco mais de dificuldade de acessá-lo.
01:25O que vai acontecer, no meu entendimento, no curto, talvez no médio prazo,
01:30um curto para médio prazo, é que vai ter uma demanda não atendida
01:34e esse mercado vai voltar e vai voltar com força.
01:37A gente vive uma taxa de juros no país que não é compatível com a evolução de qualquer país.
01:44A segunda maior taxa do mundo.
01:47E a hora que ela cair para um patamar razoável, não precisa ser excelente, razoável,
01:53a classe média, média alta, que é onde a minha empresa e outras atuam,
01:57volta e volta com força. Esse é o meu entendimento.
02:00O que é uma taxa de juros adequada para o setor de construção e setor imobiliário?
02:06Para ser simplista, um dígito.
02:09Um dígito?
02:09Um dígito. Mas um dígito pode ser 9,9%.
02:12Eu diria que 7, 8%, que seria uma inflação mais 3, 4% de juros real,
02:18que já é um juro alto, é uma taxa de juros decente e esse mercado volta e volta com força.
02:26Eu diria até que quem quiser comprar, que fique atento ou tente comprar agora
02:30ou o mais breve possível, porque isso deve acontecer ainda em 27.
02:35Agora, afinal, como andam as vendas no setor? E na sua companhia também, né?
02:42Era para não estar andando. Pensa.
02:46Nós estamos convivendo aí com uma taxa de juros real de 9, 10%.
02:49Isso é uma loucura. É melhor ficar em casa do que ter uma empresa.
02:52Mas ela está acontecendo.
02:55Porque eu acho que o brasileiro, primeiro, ele não confia tanto na política, na economia.
03:02Ele quer fazer um pouco de poupança em tijolo.
03:06E tem também o crescimento da população, né?
03:11A maturidade que vem chegando e as pessoas precisam casar, precisam morar.
03:15Esse mercado está funcionando.
03:17Qualquer economista diria, isso seria impossível, mas...
03:22Isso é inviável.
03:23Seria inviável, exatamente.
03:25Mas tem acontecido, então.
03:27Esse ano, por exemplo, na sua incorporadora, vocês vão fechar no azul?
03:32Esse ano nós vamos fechar no azul.
03:35Por incrível que pareça, me dava muito medo.
03:38Especialmente por ser véspera de uma eleição, né?
03:41Mas, graças a Deus, estamos indo bem.
03:44Poderíamos ir melhor, e eu espero ir muito melhor.
03:48Mas não posso reclamar.
03:50Antônio Cetim, muito tem se falado no setor sobre uma escassez de mão de obra no Brasil.
03:57E no setor de construção tem um impacto forte.
04:02O que explica esse apagão de mão de obra no país?
04:06Estamos todos sofrendo com o problema de mão de obra, né?
04:09Todos os setores.
04:10Até o doméstico, né?
04:12Veja bem, hoje com a uberização, a pejotização e com os auxílios todos, Bolsa Família, etc.,
04:22as pessoas querem ou não trabalhar, ou trabalhar sem compromisso,
04:28trabalhar no ar-condicionado, como dirigindo um automóvel no Uber,
04:33fazer delivery, fazer o seu próprio horário.
04:36e as pessoas não querem aquele compromisso de chegar às sete horas da manhã, por exemplo, numa obra.
04:42Numa obra minha, ou do meu concorrente, tem um fenômeno muito interessante.
04:48Os pedreiros, os funcionários, a maioria já tem um pouco de cabelo branco.
04:52O filho dele não quer trabalhar.
04:54Ele não quer?
04:54Não quer trabalhar.
04:55E eu imagino que esses cabelos brancos que passam pelas suas obras,
05:00eles têm, talvez, na família, pessoas que trabalhavam em obras também.
05:05Eu tenho um exemplo que eu vivenciei esses dias.
05:08Eu estava conversando com um mestre de obra na minha obra,
05:11um funcionário meu, antigo pedreiro, que evoluiu,
05:15e disse que o filho dele não quer ser pedreiro, nem mestre de obra, nada.
05:19Ele prefere trabalhar em Uber.
05:22E eu peguei um Uber, onde ele disse que o pai dele era pedreiro,
05:26e ele falou para o pai,
05:27eu vou trabalhar no ar-condicionado, pai, fazer meu horário,
05:30eu serei o patrão.
05:32Então, esse é um fenômeno que está fazendo com que a condição civil também sofra.
05:37Você tem mil a mil e duzentos profissionais, entre diretos e indiretos.
05:42E você, hoje, eu imagino que é uma preocupação sua em relação a futuro, talvez?
05:50É uma preocupação presente, pensando já no presente, que dirá no futuro.
05:57Por exemplo, nós acabamos de implantar um programa numa obra nossa,
06:00nós queremos que isso seja um programa perene.
06:03Nós estamos treinando mulheres para serem, não diria pedreiras,
06:09mas azulejistas, eletricistas, pintoras,
06:13porque a mulher tem um olhar com mais carinho nesse aspecto.
06:16Então, nós temos um programa, hoje, de treinamento de mulheres,
06:19com o objetivo de retê-las em nossas obras.
06:23Deixa eu voltar agora ao setor em que o Antônio Cetin está inserido, né?
06:28Uma incorporadora que nasceu em mil novecentos e setenta, meados ali, né?
06:34Setenta e oito.
06:35Mil novecentos e setenta e oito.
06:37E passou, como eu falei na abertura, por uma mudança de perfil nos últimos tempos,
06:43mais ali do médio para o alto padrão.
06:47Há uma certa competição maior nos últimos tempos por terreno
06:52nas áreas nobres das cidades, por exemplo, como São Paulo?
06:58Estávamos falando da falta de mão de obra.
07:00Agora vamos falar da falta de terreno?
07:03Está faltando tudo, Antônio Cetin?
07:05Está faltando tudo.
07:05Veja bem, na medida em que você sobe a pirâmide,
07:11você começa a ter que achar produtos mais sofisticados.
07:16E o terreno é um produto, para a classe média alta, para a classe alta,
07:19é um terreno, é um produto sofisticado.
07:21A gente não compra mais terreno, Bruno.
07:24A gente constrói terreno.
07:25A gente compra imóveis, junta esses imóveis e faz ali uma área para poder fazer um empreendimento de alto padrão.
07:35Então, há uma competição, especialmente porque há uma ausência de terrenos para essa finalidade.
07:44E como é que está a busca em relação a isso?
07:48Como é que é feita, aliás, essa busca?
07:49A minha empresa, por exemplo, tem uma área que a gente chama de área de novos negócios,
07:53onde a gente prospecta.
07:56Nós temos um corretor, alguns corretores, que vão para as ruas que a gente detecta que tem uma demanda por imóveis.
08:05Ele bate na porta de cada casa e pergunta se não quer vender.
08:09E faz ofertas ostensivas.
08:11Eu posso pagar tanto pelo seu imóvel.
08:15Então, é dessa maneira, é sofrida, é difícil, leva um ano, leva dois anos.
08:20Já levei 15 anos para comprar um terreno, por exemplo.
08:23Mas é a única maneira que você tem de conseguir esses terrenos.
08:28Como um rapaz de origem muito pobre, que começou levantando casas na periferia de São Paulo,
08:35se transformou num homem de grandes prédios de luxo em São Paulo.
08:42Nunca passou pela minha cabeça, Bruno, quando eu carregava tijolo, fazia concreto,
08:47jogava a telha para cima das casas, das casinhas na periferia.
08:51Nunca tinha passado pela minha cabeça ser empresário.
08:54Não era esse o objetivo.
08:55Gostava daquilo.
08:57No tempo que me sobrava da marcenaria que eu tinha com meus irmãos, ainda bem jovem,
09:02sobrava um dinheirinho e, às vezes, um final de semana e a gente ia fazendo essas coisinhas.
09:08E isso ficou impregnado.
09:11Eu fiz arquitetura, assim que eu me formei, eu falei, poxa, eu acho que agora eu posso aprimorar isso.
09:17Mas sempre pensando numa coisa prazerosa.
09:21Eu acordo de manhã, eu chego na empresa, normalmente junto com a copeira, talvez um pouco antes,
09:27mas eu chego com prazer, com vontade, eu gosto do que eu faço.
09:30E muitas vezes eu entrego um empreendimento sem margem.
09:34Acontece, principalmente com a taxa de juros que nós estamos vivendo.
09:38Mas é muito bom ver uma pessoa receber a chave daquilo que vai ser o novo lar dela, a felicidade.
09:45Isso me realiza.
09:49Então, cheguei onde cheguei porque acho que Deus quis me fazer chegar aqui.
09:55Mas eu faço isso com muita realização.
09:59E até como arquiteto que sou de formação, isso também é um complemento pra minha alma.
10:07Você já me falou, Antônio, que na sua vida, na sua trajetória,
10:13muito dos acontecimentos que foram se sucedendo foi meio por acaso.
10:21Inclusive, a sua faculdade de arquitetura foi meio por acaso.
10:26Afinal, o que é o acaso?
10:29E qual a importância, o impacto do acaso na sua trajetória?
10:33Olha, na minha trajetória, o acaso teve grande impacto.
10:38Porque senão eu não teria oportunidade daqui conversando com você no seu programa.
10:44Mas é você também estar atento às coisas.
10:49Prestar atenção na aula.
10:52Prestar atenção nas oportunidades.
10:54Por exemplo, eu estava fazendo o colégio.
10:57Era um colégio técnico.
10:58E apareceu alguém lá oferecendo um teste vocacional.
11:02E era de graça.
11:04Eram dois testes.
11:06Eu levantei a mão.
11:07E fiz.
11:09Eu ia fazer engenharia mecânica.
11:11O teste deu 100% arquitetura.
11:15Eu fiz arquitetura.
11:16E hoje eu seria um engenheiro mecânico frustrado.
11:19E eu não sou um arquiteto que faz projetos.
11:21Mas eu sou um arquiteto que sabe discutir com quem faz os meus projetos.
11:25De igual pra igual.
11:26Então, essas coisas vão construindo um futuro.
11:31Mas claro que eu tinha um objetivo de vida.
11:35Eu tinha um ponto focal que era evoluir.
11:39Não ser tão pobre quanto foram os meus pais.
11:43Pais maravilhosos.
11:45Mas com pouquíssimos recursos.
11:47E eu queria vencer aquilo.
11:49Não queria ter aquilo pra mim.
11:51Pra sempre.
11:52Então, a evolução vem de eu ficar prestando atenção e pegando as oportunidades quando elas aparecem.
12:01Como foi a fundação da sua companhia?
12:06Quase por osmose.
12:07Foi?
12:08Eu comecei fazendo uma coisa...
12:10Isso que eu falei de você estar na periferia de São Paulo levantando casas, você não tinha ainda a sua companhia?
12:16Não.
12:17Não tinha.
12:18Era o que?
12:18Você prestava serviço?
12:19Eu construía essas casinhas.
12:20Não.
12:21Eu construía essas casinhas com as sobras dos recursos da marcenaria que eu tinha com meus irmãos.
12:26E alugávamos.
12:29Criávamos mais uma rendinha.
12:32E assim foi nascendo e nasceu o seu negócio.
12:34E assim foi quando eu estava prestes a terminar a arquitetura, um ano antes.
12:38Eu falei, poxa, eu tenho a marcenaria que toma quase todo o meu tempo.
12:43Mas eu tenho algum tempo e algum dinheiro que eu posso fazer isso de maneira mais organizada.
12:49Então, eu tendo um escritório mais organizado, tendo um CNPJ, além de eu atender meus clientes de marcenaria de uma forma mais profissional,
13:00eu também posso construir, fazer coisas e ganhar algum dinheiro.
13:05E o que mudou?
13:06Eu fiz a pergunta do que não mudou.
13:09Mas o que mudou de mais relevante no setor imobiliário nos últimos tempos?
13:15Informação.
13:16Informação?
13:16O nosso cliente, o cliente em geral, não é só do setor imobiliário, ele é muito bem informado hoje.
13:25Hoje ele tem informação financeira.
13:28Hoje ele entra na internet, conhece meu empreendimento e vai me fazer perguntas que talvez eu não saiba responder.
13:34E ele sabe.
13:36Então, esse cliente hoje, ele é muito preparado.
13:40Não é mais aquele cliente desavisado que um mau vendedor possa ludibriá-lo.
13:45Hoje ele vem com consistência, né?
13:49Ele tem acesso a todas as informações.
13:52Ele chega sabendo qual é a prestação que ele vai pagar.
13:55Ele chega sabendo qual é a face que bate mais sol, né?
13:59Mas ele faz questão de vir conversar com o corretor ou comigo ou com o meu diretor e fazer um complemento dessas informações que ele tem.
14:10Para poder tomar a decisão final.
14:11É uma decisão, normalmente, muito assertiva.
14:16Não é mais desavisado.
14:17Antônio, você tem um perfil de executivo, de fundador de empresa que eu particularmente adoro aqui no show business.
14:25Por conta da sua história.
14:27Eu volto a repetir.
14:28Antônio Cetim, do norte da Itália.
14:31Quantos irmãos?
14:33Somos em oito irmãos.
14:34Oito irmãos.
14:36Você sempre falou, né?
14:37Família muito pobre.
14:39E você venceu na vida.
14:43Você é fundador de uma companhia extremamente relevante no setor imobiliário.
14:50O que é determinante para essa ascensão avassaladora na vida?
14:56Bom, primeiro você precisa, eu sempre faço uma referência com as minhas obras, né?
15:04Eu posso ter o dinheiro que eu quiser, mas eu não consigo fazer um prédio em 30 dias.
15:08Porque o concreto precisa secar.
15:10Eu preciso fazer as fundações e eu preciso esperá-las curar, secar, para poder fazer a edificação, para depois fazer o acabamento.
15:18Se você não tiver um objetivo de vida e não acreditar que aquilo que você quer é possível, né?
15:28Eu faço sempre referência à navegação.
15:31Eu tive a oportunidade de navegar com o Schurman no final de semana.
15:35Família Schurman.
15:37Navegação é assim.
15:38Você vai para aquele lugar, para a África.
15:41Mas dependendo do vento, você pode estar navegando para trás, para o lado.
15:46Mas o objetivo é aquele.
15:47Eu estabeleci um objetivo na minha vida.
15:50Eu queria deixar de ser, ter tanta dificuldade como eu tinha.
15:56E eu falei assim, eu vou crescer.
15:58Hoje, talvez a melhor coisa que eu possa fazer seja usufruir a vida.
16:05Deixar a empresa para os meus filhos ou fechar a empresa.
16:09Mas eu tenho um objetivo.
16:11Eu quero que o dia que eu não estiver aqui, sintam muita saudade de mim.
16:15Das coisas que eu fiz e das coisas que eu faço.
16:19É mais do que ganhar dinheiro.
16:21Ganhar dinheiro, para mim, é consequência.
16:24De verdade.
16:25Porque eu tenho um objetivo.
16:28O meu objetivo é até subjetivo.
16:32Não é metro quadrado.
16:35É muito mais que isso.
16:37Se a pessoa tiver essa percepção, essa força de vontade,
16:42e acordar cedo, e trabalhar mais do que oito horas por dia,
16:46e às vezes perder alguns finais de semana,
16:49porque para ter sorte precisa trabalhar também.
16:51E aí
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