00:00A COP30 será aberta em menos de um mês em Belém do Pará, de 10 a 21 de novembro, com o desafio de unir os países do mundo para continuar o combate à mudança climática.
00:19Hoje começou em Brasília uma cerimônia chamada Pre-COP, uma reunião de preparação que conta com a participação de 67 países.
00:30Os presidentes da sociedade civil e negociadores de todo o mundo se reúnem durante dois dias para alinhar posições e discutir questões chaves antes do início da cúpula oficial.
00:42Fernanda Haddad, que é o ministro da Fazenda, Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, participaram das reuniões desta segunda-feira.
00:53Com a presença de 67 países, a Pre-COP é uma oportunidade estratégica para que as nações alinhem posições políticas e técnicas sobre os principais desafios da agenda climática global,
01:09como financiamento climático, transição energética, adaptação e preservação da biodiversidade.
01:15Durante os dois dias, a presidência da COP30 conduzirá as sessões plenárias, reuniões temáticas e consultas informais.
01:26Do lado de fora do Centro Internacional de Convenções do Brasil, ativistas do Greenpeace pediram para que as autoridades da COP30 ajam pelas florestas.
01:37A COP30 surge como uma oportunidade para o setor empresarial assumir um papel de protagonismo no combate à crise climática.
01:51Para isso, o Pacto Global da ONU, a Rede Brasil, lançou o Pacto Rumo à COP30,
01:59que é um programa que mobiliza empresas para essa conferência em Belém do Pará.
02:04Com o foco em ações coletivas, a iniciativa ajuda empresas a superar o desafio de por onde começar?
02:14O que eu tenho que fazer nessa transição para uma economia sustentável?
02:18Quem vai nos responder isso para ajudar a gente a entender?
02:21Está aqui a Daniela Grelã, que vai nos dar detalhes.
02:26Ela que é diretora executiva do Pacto Global da ONU, Rede Brasil.
02:31Daniela, prazer te receber.
02:33Bom, a gente está já numa contagem regressiva, o mundo inteiro, e nós, especialmente os brasileiros, de olho na COP30.
02:41Há um encontro de países, todos os países que compõem o sistema ONU estão convidados, ok.
02:47Só que os países são feitos de pessoas, pessoas trabalham em empresas.
02:51Então, antes de chegar numa esfera de poder, tem uma esfera da vida cotidiana, da economia prática.
02:58Como é que as empresas podem ajudar ou mitigar esse que talvez deve ser o grande desafio do século XXI, o aquecimento global?
03:07Marcelo, obrigada por nos receber.
03:10As empresas têm um papel central nas ambições que o mundo tem de transição para o desenvolvimento sustentável.
03:19Nenhum país é capaz de cumprir as suas metas de descarbonização da economia, de redução de gases do efeito estufa,
03:27sem que as empresas estejam verdadeiramente engajadas, para transformar essas ambições,
03:33esses compromissos que são negociados ali na diplomacia climática, em negócios, em ação, em soluções práticas na economia real.
03:45E a COP30, portanto, é um, digamos assim, um palco para que as empresas brasileiras
03:51tragam as suas melhores soluções para o desenvolvimento sustentável.
03:58Daniela, claro que quando a gente fala de empresas brasileiras, acho que todo mundo consegue contextualizar muito bem,
04:05mas o quanto que nós estamos nessa nossa capacidade de descarbonização, entre outros aspectos,
04:12em comparação com a América do Norte, estou falando dos Estados Unidos, com a Europa Ocidental, estou falando da zona do Euro,
04:18do Japão, da China, que são vanguardistas de tecnologia agora no século XXI, no caso da China.
04:26Nós estamos bem aí nessa lista ou ficamos ali para a zona de desclassificação?
04:33As empresas brasileiras têm muito o que ensinar ao mundo em todas essas áreas que você citou.
04:39Na energia renovável, por exemplo, as empresas de geração e distribuição de energia brasileira
04:46conseguem juntas compor uma matriz energética sustentável.
04:51O Brasil já alcançou, por assim dizer, o ODS que fala da energia sustentável acessível.
04:58O Brasil também tem muito a ensinar em termos de sistemas alimentares, agricultura tropical regenerativa,
05:05muito a ensinar, inclusive, a zona do Euro, aos países da Europa, expandindo o leque de referências e parâmetros da agricultura,
05:16que normalmente ainda são muito eurocêntricos, mas que têm muito a aprender pelo que nós temos sido capazes de produzir aqui no Brasil
05:24em termos do agronegócio sustentável, da agricultura regenerativa tropical.
05:30Daniela, eu vou te pedir um exemplo. Vamos transformar isso, trazer mais para a prática essa teoria que você apresentou para a gente.
05:39Sei que quando a gente fala de economia brasileira, desenvolvimento e tudo mais, existem os gargalos da infraestrutura,
05:46de algumas coisas que a gente ainda está patinando.
05:49Você colocou a gente num patamar bastante elogioso.
05:53Me dá um exemplo prático aí, você que escolhe o setor.
05:56Eu acho que eu vou falar do setor de energia renovável.
06:02O Brasil é referência no mundo em termos de matriz energética sustentável.
06:09E talvez você pense, mas isso é resultado do nosso privilégio, dos nossos ativos ambientais naturais.
06:18E é verdade que nós temos tudo isso a nosso favor, né?
06:23As possibilidades de energia hidrelétrica, eólica, solar.
06:29Nós temos esses recursos, mas nada disso seria possível sem um comprometimento plurianual de longo prazo
06:36que foi capaz de traduzir essa potencialidade em uma matriz energética sustentável que é exemplo para o mundo inteiro.
06:45Esse é apenas um exemplo que a gente cita de como o setor privado é força matriz, beneficiário e parte interessada nessa transição sustentável,
06:56nessa jornada de desenvolvimento sustentável.
06:59Deixa eu pegar mais um pedacinho disso que você estava falando, da gente estender essa conversa sobre energia renovável.
07:05Claro que nós temos vantagens que outros países não têm, hidrelétrica.
07:10E as nossas, por mais que haja reservatórios, a gente teve que construir um dique para concentrar água,
07:17a gente tem quedas de águas naturais.
07:20Foz do Iguaçu talvez seja o melhor exemplo mundial disso.
07:24Mas além das hidrelétricas, do complexo Itaipu, a gente também tem as fazendas de energia eólica,
07:32os nossos painéis solares, nós chegamos a este ponto de eficiência, como você está falando, Daniela?
07:39Nós chegamos como resultado de um comprometimento de longo prazo.
07:45E isso é verdade para todas as possibilidades, todas as potencialidades de desenvolvimento sustentável.
07:53As soluções não são obtidas de forma curta, ela exige uma visão de longo prazo, mas que começa hoje.
08:02Eu diria que a economia do futuro é uma economia verde, uma economia inclusiva, uma economia digital.
08:10E as empresas que saíram à frente e incorporaram a ambição dos negócios sustentáveis,
08:16a sua estratégia e operação saíram na frente.
08:20Daniela, eu estava aqui inspirado por imagens que a gente estava vendo do mar.
08:25Nós temos um enorme litoral e entre os compromissos aqui apresentados pelo Pacto, listados,
08:32está o combate ao lixo no mar.
08:36Nós temos um litoral gigantesco a ponto de governos mais recentemente terem criado um ministério dedicado à pesca.
08:43A piscicultura é algo muito importante para a nossa, não só cultura, para a nossa economia.
08:50A subsistência de comunidades desde o extremo norte até o extremo sul.
08:56Como é que o Brasil vai resolver isso?
08:57Que é um dos grandes problemas que a gente pensa no impacto ambiental.
09:01A primeira coisa que vem à cabeça é a atmosfera.
09:03Mas a gente tem um enorme compromisso com diminuir ou tentar reverter a poluição do mar.
09:09Como é que nós estamos nessa escala?
09:10A economia azul, o Brasil tem excelentes exemplos e o Pacto tem sido um articulador de soluções nesse setor.
09:20Por exemplo, na própria COP30 nós lançaremos o Guia Empresarial de Combate à Poluição no Mar.
09:28Esse Guia Empresarial é resultado de um trabalho das empresas e é destinado às empresas.
09:34Ele é baseado no compromisso das empresas que acompanham o Reinova, que fez um trabalho muito importante de inventar e categorização e mapeamento das fontes de lixo que chegam no mar.
09:49E a partir desse inventário, dessa classificação, dessas evidências que foram criadas nesse grupo, fornecem insumo para as empresas que queiram, a partir do design dos seus produtos, dos comportamentos de uso e de descarte,
10:06já incorporarem às suas operações práticas de design e produção sustentável, visando mitigar os escapes e as portas de entrada de lixo para o mar.
10:19Ótimo, muito esperançoso tudo isso.
10:23Agora, deixa eu te contar, Daniela, uma experiência particular.
10:26No começo do ano eu estive em Davos para cobrir o Fórum Econômico Mundial e eu estava ali num ambiente que era uma demonstração de executivos brasileiros.
10:36Aí, de novo, estamos falando da indústria, eram empresários apresentando novas tecnologias de biocombustível.
10:46O Brasil já se tornou uma referência internacional?
10:49Lá atrás, vamos voltar 40 anos no tempo, com o etanol, os carros bicombustíveis e a apresentação da fórmula foi ovacionada.
11:00As pessoas eram aplaudidas de pé com o Brasil apresentando essa tecnologia do biocombustível a partir de uma matriz de carbono e que tem um outro impacto quando a gente fala de poluição.
11:11E aí a gente pensa, ah, isso vai para carros? Eles também estavam apresentando uma variação para irem aviões.
11:18O que seria, o que vai vir a ser uma importante página virada.
11:24Porque é um tipo de veículo que, óbvio, consome muito e deixa um rastro de poluição, deixa uma pegada importante.
11:31Eu lembrei, porque eu assisti em loco, tem mais um, a gente falou aqui muito de transição energética, do mar, de mitigação do lixo nos oceanos.
11:42O Brasil também pode se destacar e o pacto tende a apresentar alguma coisa que o Brasil, no final, o saldo seja ser aplaudido de pé também.
11:53Que novidade vocês estão guardando na manga para apresentar?
11:56E eu quero furar essa novidade.
11:58Marcelo, nesse tema mesmo que você falou do biocombustível e eletrificação do setor de transporte,
12:06uma das coisas que a gente pretende levar na COP é o resultado do trabalho de um grupo que a gente chama de hub de biocombustíveis e elétricos.
12:16A gente vai trazer um guia também para as empresas com as experiências bem sucedidas, as evidências voltadas justamente para a descarbonização do setor de transporte.
12:29E, muito frequentemente, o que merece os nossos aplausos é não só a inovação técnica, mas a capacidade de dar escala à implementação dessas tecnologias sustentáveis.
12:41E é isso que o hub de biocombustíveis e elétricos procura.
12:45Não só trazer as diferentes soluções tecnológicas, mas incentivar, induzir, até por meio de políticas públicas, promover o alinhamento de incentivos para que essas tecnologias ganhem escala e consigam ter o efeito sistêmico que a gente deseja.
13:04Agora, para a gente partir para o final da nossa conversa, Daniela, vocês tiveram uma preocupação, e eu vou pegar a palavra, repetir, escala,
13:14porque, ok, vamos fazer um guia, a preocupação de vocês de repassar essas boas práticas.
13:19Uma coisa é fazer uma instrução para uma petrolífera estatal que tem 200 mil funcionários e uma produtora de sacos de carvão para churrasco,
13:32que é uma empresa familiar que tem poucos funcionários e tem uma atuação local.
13:37Nós estamos falando de grandezas completamente diferentes.
13:40As instruções, ou então esse manual de boas práticas, existe essa preocupação de caber para indústrias de grandíssimo porte e para gente que se enquadra em pequeno e médio porte?
13:53Sim.
13:53Entre as muitas, muitos recursos que são oferecidos pelo Pacto Global Rede Brasil, a sua rede de participantes,
14:00que é composta de mais de duas mil empresas, isentes têm recursos na parte de formação, de capacitação, de disponibilização de ferramentas concretas,
14:12além dos guias, é claro, para que cada empresa possa, a partir desses recursos, customizar a sua própria jornada e acelerar a sua jornada de transição sustentável.
14:24Então, assim, o nosso chamado é que as empresas encontrem a sua própria maneira de começar e de transformar essa ambição em ação.
14:34É isso que o Pacto propõe, colocar todos à mesa, o setor privado, em diálogo com os entes públicos, com os organismos multilaterais, com o terceiro setor,
14:45para que juntos a gente consiga promover essa transformação sistêmica.
14:49Porque, como você bem sabe, a transição sustentável só é realidade quando ela for uma ação coletiva.
14:57Bom, eu quero fazer o meu agradecimento público à Daniela Grelin, que é diretora executiva do Pacto Global da ONU à Rede Brasil,
15:06que explicou aqui para a gente essa função empresarial que vai ter na COP30.
15:10Ali, naquela câmera, eu quero agradecê-la publicamente, te dar meus parabéns por esse trabalho, Daniela,
15:19e contar um outro caso muito pessoal, né?
15:21Vou sair dessa função de jornalista, falar como um pai de família, eu sou pai de dois meninos e tal.
15:28Muito recentemente, estávamos nós três, eu e os meus dois filhos, assistindo televisão
15:33e passavam uma reportagem, um documentário, sobre os riscos do aquecimento global.
15:38E eles ainda, que estão na segunda infância, foram oníssonos em virar para mim e me dizer
15:43então isso tudo que vocês fizeram vai ficar para a gente resolver.
15:48Eu falei, é, é isso mesmo.
15:50Bom, Daniela, você dá essa esperança para eles que vai ter solução, hein?
15:54É, eu acho que a mensagem para eles e para todos nós é
15:58estamos na segunda metade da década da implementação.
16:01Ainda há tempo de alcançarmos a Agenda 2030, mas não há tempo a perder.
16:07Está com compromisso firmado.
16:10Daniela Grelan, que é da Rede Brasil, do Pacto Nacional, desculpa, do Pacto Global da ONU.
16:17Obrigado, até uma próxima para a gente ir ticando tudo que a gente conquistou.
16:22Sim, vamos deixar marcado.
16:23Eu estava.
16:24Obrigado mais uma vez.
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