00:00O Comitê de Política Monetária, COPOM, deve manter, na próxima quarta-feira, a taxa básica de juros estacionada em 15% ao ano
00:10e suavizar um pouco o tom do seu discurso depois de uma evolução favorável do cenário econômico nas últimas semanas.
00:17No encontro anterior, em julho, o colegiado do Banco Central interrompeu a sequência de altas de juros com a Selic no maior nível desde 2006
00:27e adotou uma linguagem mais cautelosa ao falar dos próximos passos, prevendo uma continuação na interrupção do ciclo em setembro.
00:37E um aspecto que pode chacoalhar a economia é a possibilidade de endurecimento do tarifaço de Donald Trump.
00:46Sobre isso, em artigo publicado neste domingo no jornal americano The New York Times,
00:51o presidente Lula enviou uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
00:58Nessa mensagem, ele afirma que o Brasil está disposto, sim, a negociar, mas que a soberania e democracia são inegociáveis.
01:08Vamos ver o que disse o atual presidente.
01:11As falas aqui de Lula.
01:14Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos,
01:21mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta.
01:26E ele segue dizendo que, em seu primeiro discurso, Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2017,
01:32o senhor afirmou que nações fortes e soberanas permitem que países diversos, com valores, culturas e sonhos diferentes,
01:42não apenas coexistam, mas trabalhem lado a lado com base no respeito mútuo.
01:49É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos,
01:53duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos.
02:02E para falar não somente sobre a taxa de juros, como também sobre a expectativa do mercado do tarifácio de Trump
02:10e ainda a repercussão dos julgamentos de Jair Bolsonaro, estamos com Jason de Oliveira,
02:16Jason Vieira, ah, Jason de Oliveira, estou ficando gaga aqui, nosso especialista em economia.
02:22Jason, para começar, vamos falar sobre a taxa de juros.
02:25Todo mundo do mercado espera que ela continue em 15% e, como é uma super quarta,
02:32também devemos ter o anúncio da taxa de juros lá nos Estados Unidos.
02:36Enquanto a que deve ficar estacionada, lá começa a cair.
02:41Muita gente esperando em 0,25.
02:43O que é que essas duas confirmações eventuais da expectativa do mercado pode afetar aqui para o Brasil?
02:50Boa tarde.
02:51Boa tarde.
02:53Mais uma vez, nos Estados Unidos, a perspectiva de corte de juros pode facilitar a vida do Brasil em alguns aspectos,
02:58especialmente em relação ao dólar.
03:00Mas isso não redime o que nós estamos passando em termos da economia.
03:05Nós tivemos o IBCBR hoje, que veio acima da queda do IBCBR, acima da mediana do mercado,
03:10muito próximo das projeções de 0,5% de queda.
03:13Nós já estávamos, há algum tempo, projetando uma recessão técnica para o segundo semestre deste ano.
03:20E esses indicadores de atividade econômica, eles ainda não conseguem ganhar o estímulo
03:24que está sendo dado nos Estados Unidos com corte de juros,
03:28porque nós temos a questão fiscal no meio do caminho.
03:30Então, o Banco Central, sim, deve aliviar um pouco o discurso,
03:33exatamente porque os indicadores econômicos já estão afetando a economia através da taxa de juros,
03:37mas também através dos problemas criados pelo governo.
03:40E, efetivamente, ele pode começar a sinalizar que, em breve,
03:45nós estamos a ter um corte de juros no Brasil,
03:48que, pela projeção da mediana do mercado, está ali logo no começo do ano.
03:51Seja janeiro, que é a primeira reunião, ou março,
03:54que aí já está praticamente abriu, perdão, que está indo já para o segundo trimestre.
03:59Então, as expectativas estão balançando nesse sentido.
04:02Nos Estados Unidos, existe uma pressão muito grande,
04:04tanto do mercado quanto do Trump,
04:06quanto, inclusive, do próprio Powell, que é o presidente do Federal Reserve,
04:09para que aconteça esse corte, independente das últimas inflações que vieram bem altas.
04:13Ou seja, está se olhando muito para o mercado de trabalho e muito menos para a inflação.
04:18E, por lá, nos Estados Unidos, é esperado que caia cerca de 25 pontos percentuais, não é isso?
04:24Tem um ou outro que acha que pode ser 0,50.
04:26O Trump, certamente, é um dos que gostaria que fosse esse número.
04:29Mas o mais provável é 0,25, não é?
04:31É 0,25, é a projeção da mediana do mercado.
04:34Inclusive, se vai haver ou não mais cortes, todos eles provavelmente vão ser dessa monta,
04:40porque o Federal Reserve precisa observar muito cautelosamente,
04:43pois, como nós já citamos, a inflação está muito sensível e muito próxima de gerar problemas.
04:50Está longe da meta, especialmente os últimos números que saíram nos Estados Unidos.
04:54O CPI mostrou uma inflação ainda com força e mesmo que o mercado de trabalho,
05:00que sazonalmente teve uma queda expressiva no mês de agosto,
05:05ele pode ter uma recuperação em setembro e isso faz com que não haja garantia, por exemplo,
05:09de que vá haver o próximo corte.
05:11Aposta, sim. Garantia, não.
05:14Wilson Lima.
05:16Jason, eu queria juntar dos assuntos para a gente entrar no nosso debate,
05:22parafraseando o nosso grande Zé Inácio.
05:26O fato de você ter uma indicação de corte de juros lá nos Estados Unidos,
05:30isso pode antecipar alguma eventual decisão do Banco Central aqui no Brasil?
05:35E outra questão, até que ponto que o tarifácio do Trump,
05:40ele pode, de fato, complicar a vida do Banco Central nesse sentido,
05:47de tentar uma redução de corte de juros?
05:49É, pelo primeiro fato, pelo corte de juros nos Estados Unidos,
05:54como já é a expectativa já arraigada,
05:56não há nenhuma sinalização local de que isso pode ser uma influência.
06:00Os mercados separaram bem as coisas e ainda o dólar, de certa maneira,
06:04ajuda a inflação no Brasil,
06:07porque nós temos um componente muito pesado,
06:09inflacionário e contabilizado em dólares,
06:12e com isso, óbvio, um corte de juros nos Estados Unidos,
06:14significa uma taxa de juros menor,
06:16uma taxa de juros menor significa que o custo dos títulos do Tesouro Americano
06:19são menores, menos atraentes,
06:21e isso faz com que haja menor demanda por dólares em nível global.
06:24Ao mesmo tempo, quando se observa mais para frente,
06:28em relação à questão de política monetária,
06:31o Brasil tem o complicador do fiscal,
06:34coisa que nos Estados Unidos tem também, mas eles ligam menos,
06:37porque, obviamente, eles são uma maior economia global,
06:40eles têm condições de segurar a questão fiscal de maneira diferente,
06:42fora que a questão das tarifas para os Estados Unidos,
06:45agora falando especificamente dos Estados Unidos,
06:47acaba sendo fiscalmente positivo,
06:49houve um aumento expressivo da arrecadação.
06:51Para o Brasil, a questão de tarifas é outra dúvida,
06:55porque, apesar de que estamos aí com uma tarifa bem complicada,
06:59porque é uma tarifa que atinge parte dos itens,
07:02não atinge uma outra parte,
07:0350%, 10%, algumas caíram para 10%,
07:07outras se mantiveram em 50%,
07:09o que traz maior disso é a incerteza,
07:12e nós não temos ainda certeza se vai haver mais tarifação.
07:16Aparentemente, até pelo que a porta-voz do governo americano chegou a citar,
07:20em termos de tarifação, talvez não ocorra mais nada.
07:24Então, esta complicação está relativamente sendo deixada de lado.
07:28A complicação talvez venha de novas sanções,
07:31mas é específica às pessoas e à questão da Magnitsky,
07:34que também, não sabemos, está totalmente em aberto.
07:38Então, todo esse imbróglio político de curto prazo,
07:41ele ainda não afeta a decisão do Copom de maneira direta,
07:46mas traz dúvidas em relação ao cenário,
07:48com que faz com que a autoridade monetária se mantenha,
07:51de certa maneira, cautelosa.
07:54Jason, uma pergunta aqui em relação ao dólar.
07:57Hoje o dólar está chegando a 5,30,
07:59um nível bastante positivo para o real.
08:03Isso é já antecipando essa semana,
08:06onde deve ter corte de juros nos Estados Unidos,
08:08onde o Brasil se tornaria mais atraente?
08:11Seria isso também aliado a um não aumento no tarifácio, por enquanto?
08:16É um otimismo no mercado nacional que está guiando essa queda do dólar?
08:21Ou é apenas algo lá fora,
08:24não necessariamente ligado ao Brasil, ao real?
08:27Existe uma conexão muito maior, o DXY,
08:30ou seja, o movimento que acontece lá fora,
08:32do que o que acontece aqui dentro do Brasil.
08:34E nós vemos isso,
08:35porque em momentos muito semelhantes ao que estamos passando agora,
08:38o dólar já tinha disparado para 6.
08:40Mas é que o dólar internacional também não estava em queda,
08:43estava em alta.
08:45Mas agora, nós estamos com um movimento muito forte
08:49de queda do dólar em nível global.
08:51E para os Estados Unidos é positivo,
08:52porque se você pensar no caráter exportador dos Estados Unidos,
08:55isso acaba sendo benéfico para as relações de troca,
08:59fazendo com que haja maior competitividade dos produtos americanos.
09:03Então, de certa maneira,
09:04os Estados Unidos gostam de um dólar desvalorizado,
09:06mantém essa premissa no curto prazo,
09:09e o Brasil acaba sendo beneficiado,
09:10porque nós temos uma dolarização tão grande da nossa economia,
09:14que qualquer queda do dólar acaba sendo benéfico.
09:17Óbvio, os preços de mercado já estão começando a dar uma estabilizada,
09:20várias quedas de preços que são conectadas a alimentos,
09:24são questões sazonais,
09:26mas nós temos ainda uma pressão de serviços aqui no Brasil,
09:30e essa pressão de serviços é o que está mantendo o Banco Central atento.
09:33Dá uma última pergunta, Wilson, se você...
09:35Não, é coisa simples.
09:39Qual foi o impacto no mercado do resultado do julgamento do Jair Bolsonaro
09:42e uma eventual sanção pela Magnitsch?
09:45Houve alguma mudança?
09:48Ou o mercado falou,
09:48olha, isso aqui não é assunto da gente,
09:50isso aqui é um assunto do Supremo?
09:52Rapidamente.
09:52É mais ou menos isso,
09:53é mais ou menos que o assunto do Supremo,
09:55digamos assim.
09:55Não há muito impacto no curto prazo no mercado financeiro,
09:58mesmo porque o mercado financeiro está olhando muito mais agora
10:01para um aspecto de 2026, 2027 do que agora,
10:05e mesmo que haja tendo tido um pequeno repique
10:08da popularidade do presidente Lula,
10:10o mercado não tomou isso a ferro e fogo,
10:13entende que pode ter sido exatamente o julgamento
10:15do presidente Bolsonaro que influenciou aquelas pesquisas,
10:19mas que o presidente Lula,
10:20a depender do candidato à direita,
10:22ele não tem competitividade,
10:24e por isso que talvez também tenhamos efeitos nos juros,
10:27dólar, tudo que está acontecendo,
10:28ou seja, o mercado se antecipando
10:30a uma possível alternância de poder.
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