00:00Caio, agora, hoje no Brasil parece que qualquer decisão do Executivo ou lei do Legislativo
00:06pode ser neutralizada por uma decisão monocrática de um ministro do STF.
00:11O senhor entende que existe hoje no STF ativismo judicial e, se for eleito presidente,
00:19pensa em fazer alguma coisa para coibir esses excessos?
00:21Eu não vou partir para esse generalismo, porque, na verdade,
00:27vamos aí reconhecer também, fui deputado e senador,
00:32quando a matéria é vencida, aqueles que não concordam com a derrota, recorrem para o Supremo.
00:40Você tem que medir o que é que é. Você não pode generalizar esse debate.
00:44Acho que tem excessos, tem.
00:46Mas tem também outras situações que o Congresso Nacional não se impõe como casa terminativa sobre aquele assunto.
00:55Então, esse é um fato.
00:57Olha, se amanhã reconheceu ali o marco temporal,
01:04se reconhece que aquele assunto ali foi revisto e que teve uma ampla maioria em relação ao problema da dosimetria,
01:15olha, não é uma decisão monocrática que vai tirar também a posição do Congresso Nacional.
01:22Aí, sem dúvida nenhuma, é uma afronta ao Congresso Nacional.
01:26Mas e os momentos em que, está certo, alguns partidos não concordaram e, como tal, entraram no Supremo,
01:34provocaram o Supremo para aquilo.
01:36Então, nem tanto ao céu, nem tanto à terra.
01:38Nós temos que saber esses excessos que acontecem em todo o âmbito do poder legislativo,
01:47do poder executivo e também do poder judiciário.
01:50O que compromete hoje o poder judiciário são exatamente escândalos que atingiram membros do Supremo
01:59e que isto não foi, de maneira nenhuma, absorvida pela população,
02:07porque isso até agora não foi dada uma resposta ao que aconteceu.
02:11Então, essa indignação é que está crescendo.
02:14Esse nível de envolvimento e corrupção do Plano Master, do Banco Master,
02:18com todas as áreas e todos os poderes constituídos no Brasil.
02:23Isso sim, você desacredita os poderes e você estimula o cidadão a ir para a desobediência civil.
02:31Esse é o risco que a democracia brasileira vive neste momento.
02:35Por quê?
02:35Por falta de bom exemplo.
02:37Por isso que eu falei no início da entrevista que a discussão com o PT, o candidato Lula,
02:43vai ser no campo moral.
02:46Esse é que é o campo.
02:47E o nosso candidato, ele tem que estar acima de qualquer suspeita.
02:51Ele não pode pedir aqui o princípio ali de que ele realmente tem direito de se explicar no segundo turno.
03:01Esse é o lado que eu quero aqui resumir para dizer.
03:06Medidas têm que ser tomadas.
03:07Tem problema de ordem pessoal, corte na carne e resolva o problema.
03:13Essa é a conduta que eu sinto, usei na minha vida como rotina nos meus posicionamentos.
03:19Eu ia interrompendo o senhor porque eu acho que o senhor fez um raciocínio muito interessante aí
03:22que não se acostuma a fazer.
03:24É de que o Supremo, ou talvez alguns ministros do Supremo,
03:27não têm se sentido confortáveis para derrubar ou suspender decisões do parlamento ou do executivo
03:33exatamente porque esses poderes não estão se dando ao respeito bastante.
03:36Se fossem poderes que estivessem consolidados, talvez os ministros não se sentissem à vontade de questionar.
03:42Eu queria perguntar se é exatamente isso.
03:45E, complementando, na perspectiva hoje de que tem muito candidato ao Senado
03:50cuja única proposta, o único compromisso é votar a favor do impeachment de um ministro do STF,
03:57o senhor acha que o impeachment de um ministro do STF, nas condições que estão postas hoje,
04:00ele ajudaria o Supremo Tribunal Federal a melhorar ou pioraria o Supremo?
04:05Olha, eu sou um homem que já vivi muitas crises.
04:09Talvez seja o único que viveu a cassação de um presidente na Câmara dos Deputados
04:14e a cassação de uma presidente no Senado Federal.
04:21Então, a toda crise, você deixa de discutir temas relevantes para a sociedade.
04:27Você desvia o foco.
04:28O foco já não é mais o problema que o cidadão está sofrendo.
04:32O problema do transporte, da saúde, da educação, do fidei, da segurança, isso tudo.
04:36Esquecido.
04:37E a pauta fica dominante somente essa.
04:40Qual é a tese que eu defendo pessoalmente em relação a isso?
04:43Eu defendo até buscando situações que, à época, eu diria a você, que eu aplaudi.
04:52Itamar Franco era presidente da República e ele tinha uma pessoa de uma ligação,
04:58um homem muito inteligente.
04:59Convivi com ele muito tempo, era no Parlamento Brasileiro, chamado Agrifes.
05:06Essa pessoa, ele era assim, e é uma, Itabir, é uma pessoa muito preparada,
05:10e ele era o chefe da Casa Civil do Itamar Franco.
05:13E teve uma denúncia contra ele.
05:16Naquela época, também, denunciar todo mundo.
05:19O Itamar Franco chamou e disse, olha, pelo nosso relacionamento, pelo cargo que você ocupa,
05:26você vai ser pedido a demissão do cargo.
05:30Você vai sair do cargo.
05:32Ele vai se explicar lá fora.
05:34Se você não tiver nada, você volta.
05:36Sem dúvida nenhuma.
05:37Foi o único presidente que ouviu fazer isso.
05:39Realmente, ele provou a inocência dele e voltou para o cargo.
05:43Eu falo isso porque, quando você tem um problema de ordem pessoal,
05:47o problema de ordem pessoal não pode contaminar nem o seu partido,
05:50nem o Congresso, nem o Supremo,
05:54e nem órgão algum que sejam colegiados.
05:58O Supremo Tribunal Federal, a palavra já de Supremo,
06:02órgão maior de poder ordenar as normas constitucionais no país
06:08e a última instância de recurso,
06:11ele não pode, ao momento em que se tem uma denúncia contra qualquer membro,
06:15que ela não seja explicada.
06:18E se ela não tem como ser explicada,
06:20o primeiro ponto que precisa é dele deixar o cargo
06:24e se explicar isso como pessoa física,
06:28mas não comprometer a integridade do poder,
06:32a imparcialidade do poder.
06:35E, nessa hora, ali, a instituição sofre por um problema de ordem pessoal de um terceiro.
06:43E o poder, a instituição Supremo,
06:47a instituição Congresso e da Presidência da República,
06:51ela tem que estar acima de qualquer dúvida.
06:55E não estão hoje.
06:56Então, eu sugiro que, antes que caminhe para esse fato que você colocou,
06:59que é uma verdade, veja a preocupação.
07:01Se o Supremo, hoje, internamente, eles decidissem
07:06que os dois ministros que estão aí,
07:10denunciados nos fatos que ocorreram,
07:13tanto o Alexandre Moraes quanto o Toffoli,
07:15que eles realmente respondessem isso fora do Supremo,
07:20você viria uma acalmia total.
07:23E a pauta para eleger senador seria qual?
07:27Como é que você vai defender meu Estado?
07:30Qual é que é a sua proposta?
07:31O que é que você tem para avanço de projetos estruturantes para o país?
07:35Está certo?
07:36Agora não.
07:37Qual é a pauta hoje?
07:38A pauta hoje é,
07:40você vai votar para caçar o ministro Supremo?
07:42Ah, se você não declarar isso publicamente, eu não voto em você.
07:46Essa é a pauta dominante no país hoje.
07:49Olha o risco que nós estamos levando no processo.
07:52Por quê?
07:53Por uma ausência de iniciativa de um poder,
07:56você pauta hoje uma eleição de Senado,
07:59com dois terços sendo eleitos a partir do dia 4 de outubro,
08:04aonde a pauta vai ser o quê?
08:05Levar ministros para o Supremo para serem caçados no Senado Federal.
08:10É lógico, é um rito mais simples.
08:11Não tem que passar pela Câmara dos Deputados.
08:14Mas é algo que vai o quê?
08:15Você acha que alguma outra pauta vai ser discutida nesse período?
08:19Quanto tempo será esse processo,
08:22sendo que nós não temos nem no regimento interno
08:24a cassação de um ministro Supremo?
08:26Nós temos na Constituição a prevogativa do Senado caçá-los.
08:30Mas você não tem no regimento essa pauta de como fazer.
08:33Então tudo isso vai levar um tempo
08:37e que o Brasil vai vivendo de crise em crise,
08:39de crise em crise,
08:41e a governabilidade fica em segundo lugar.
08:43Então o que se aconselha neste momento é o bom senso do Supremo.
08:47Essas pessoas respondam pelas dúvidas
08:51ou as denúncias que foram feitas contra ele
08:54do lado de fora da instituição.
08:56Para que a pauta do Senado não seja essa
08:59que você acabou de falar e que é a verdade.
09:01e muita gente às vezes fala
09:02não é bem assim.
09:03Então vá para a rua.
09:04Vá ver a realidade de hoje
09:05o que está acontecendo em todo o Estado do Brasil.
09:08Então eu acho que é a hora do Brasil,
09:12das instituições, dos líderes
09:13terem responsabilidade sobre o futuro do nosso país.
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