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A Casa Branca se pronunciou sobre o julgamento de Jair Bolsonaro no STF. A porta-voz Karoline Leavitt disse que os EUA estão prontos para usar seu poder econômico e até militar para defender a liberdade de expressão.

A fala repercutiu no Brasil e aumenta a pressão internacional no momento mais delicado para o ex-presidente.

Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Transcrição
00:00A porta-voz da Casa Branca, Caroline Leavitt, justificou nesta terça-feira a aplicação de tarifas econômicas contra o Brasil e outros países como uma medida de proteger a liberdade de expressão.
00:13Em coletiva com jornalistas, Caroline afirmou que a medida é necessária para garantir que os países não punam os cidadãos com censura.
00:22A porta-voz acrescentou que o presidente Donald Trump não tem medo de utilizar o poder econômico e militar dos Estados Unidos para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo.
00:35A fala foi compartilhada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil no seu perfil do X.
00:41Vamos ver essa manifestação de Caroline Leavitt.
00:52He himself faced censorship in his road back to this beautiful Oval Office here in Washington, D.C.
00:58So he takes this very seriously, as does, I know, the vice president of the United States and the entire Trump administration,
01:04which is why we have taken significant action with regards to Brazil in the form of both sanctions
01:09and also leveraging the use of tariffs to ensure that countries around the world are not punishing their citizens in this way.
01:16And at the same time, the president is, while he's leveraging the United States to safeguard our interests abroad,
01:22he's also making sure that freedom of speech remains here in the United States of America.
01:27So I don't have any additional actions to preview for you today, but I can tell you this is a priority for the administration
01:33and the president is unafraid to use the economic might, the military might of the United States of America
01:39to protect free speech around the world.
01:41O governo brasileiro reagiu.
01:44Em nota oficial, Itamaraty afirmou que condena o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso de força contra a nossa democracia.
01:53Aí está a fala do Itamaraty.
01:56O governo brasileiro condena o uso de sanções econômicas e ameaças do uso de força contra a nossa democracia.
02:01O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia
02:07e respeitar a vontade popular expressa nas urnas.
02:11É esse o dever dos três poderes da República que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania.
02:18O governo brasileiro repudia tentativas de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros
02:25para coagir às instituições nacionais.
02:29Aí está, portanto, a nota.
02:31Vamos falar agora com Wilson Lima e com Rodolfo Borges.
02:36Vamos começar com o Rodolfo.
02:38Meu caro, o que é que você achou primeiro dessa manifestação dos Estados Unidos,
02:43falando em poder militar, situando termos, digamos assim, um pouco exóticos
02:49numa discussão que era mais econômica e diplomática, né?
02:54Pois é, vamos localizar.
02:56A porta-voz da Casa Branca foi perguntada sobre o Brasil.
03:00E aí eles só falam sobre o Brasil lá nos Estados Unidos porque eles são perguntados sobre o Brasil.
03:03Eles não têm exatamente esse interesse tão intenso em relação a nós.
03:07Foi uma declaração irresponsável, aparentemente desleixada até, porque ela foi muito além do que era a questão ali.
03:16E, assim, para deixar claro, os Estados Unidos não têm que zelar pela liberdade de expressão de nenhum outro povo que não seja o americano.
03:23Não faz sentido o que ela falou ali.
03:25Eles têm as prerrogativas deles e podem sim.
03:27O presidente Donald Trump tem a prerrogativa de defender a liberdade de expressão nos Estados Unidos.
03:31Ele não tem nada o que fazer sobre liberdade de expressão no Brasil ou em qualquer outro país.
03:35E aí, o que isso acaba proporcionando é uma oportunidade para o governo Lula se fazer de vítima e fazer o seu discurso.
03:43Por exemplo, o deputado Guilherme Boulos apareceu num vídeo ontem ao lado do ex-ministro José Edceu,
03:50que foi condenado no julgamento do Mensalão, para defender a soberania e a independência do Brasil.
03:55Em cima de um comentário irresponsável de uma porta-voz da Casa Branca.
04:00Então, assim, acho que a gente tem que dar a dimensão que as coisas têm.
04:03Não foi o governo americano, apesar de a embaixada americana surfar todas as ondas que aparecem
04:09quando o Trump fala alguma coisa e também quando ele fala sobre o Brasil.
04:12É porque ele é perguntado diretamente sobre o Brasil.
04:14Não parte nunca dele falar sobre o Brasil por um interesse que ele tenha no Brasil.
04:19A embaixada americana replicou, que também é uma conduta irresponsável.
04:24E aí o governo Lula surfa em tudo isso.
04:26No final das contas, são marolas políticas que o governo Trump faz, provoca.
04:34E aí o governo Lula tenta transformar em ondas gigantes para ficar defendendo esse discurso de soberania.
04:39Existe uma expectativa por uns e temor por outros que, ao final do julgamento de Bolsonaro,
04:46com ele sendo condenado, existiria repercussões de mais sanções americanas.
04:52Você acredita que isso pode, digamos assim, catalisar as sanções brasileiras dos Estados Unidos,
04:58que já estariam sendo analisadas desde a semana passada?
05:02Tudo isso parece que está na mesa, mas assim, não faria sentido, né?
05:05Porque, primeiro, que o governo americano não demonstra tanta preocupação assim com o julgamento do Bolsonaro.
05:11O próprio Donald Trump não tem nenhuma noção sobre em que estágio está esse julgamento.
05:16e também não sabe, sei lá se sabe, ou nunca se manifestou sobre a prisão domiciliar do Bolsonaro.
05:23Ele só fala nesses assuntos de Brasil quando ele é questionado diretamente por repórteres brasileiros.
05:28Agora, se o governo americano vai aproveitar, ou vai se aproveitar, né, o Trump pessoalmente,
05:34do que está acontecendo no Brasil para impor mais tarifa, é outra história.
05:39Eu só acho, é bom a gente localizar assim, são pretextos.
05:42Não é que exatamente o Trump está lutando pela liberdade de expressão no Brasil.
05:45Ele está se aproveitando disso.
05:47E vamos falar agora sobre a discussão jurídica em torno do julgamento de Jair Bolsonaro.
05:53Isso porque a retomada do julgamento de Jair Bolsonaro marcou a discussão sobre algumas categorias de crimes
06:01que não são tão simples como a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
06:09Esses crimes se sobrepõem?
06:11Qual a diferença entre ato preparatório e ato executório?
06:17E isso implica na definição da pena?
06:20Para discutir isso, estamos com o doutor Rubens Bessac, especialista em Direito Constitucional.
06:27Doutor Rubens, muito boa tarde.
06:30O que o senhor destaca nesses dois dias de julgamento,
06:34onde temos as falas dos ministros em todas as suas justificativas,
06:41mostrando o seu embasamento, por que que pensam assim, por que que votam assim,
06:46qual o seu balanço desses dois primeiros dias com os votos de Alexandre de Moraes.
06:51Já tivemos também Flávio Dino e agora Luiz Fux.
06:54José Inácio, muito prazer estar consigo.
06:59Boa tarde, o Rodolfo estava ouvindo antes o Wilson, prazer estar no programa.
07:04Eu diria que caiu realmente, eu vi que um dos comentários aí do site,
07:10de uma das pessoas que estava pondo o seu posto ali,
07:14falou que a lona caiu.
07:15Eu não sei se a lona chegou a cair,
07:17mas certamente o voto do ministro Fux vem como uma bomba.
07:22De certa maneira se esperava um voto divergente dele,
07:26eu pessoalmente não imaginava que fosse ser tão divergente assim,
07:30mas que será utilizado pela defesa dos condenados,
07:35particularmente estamos falando do ex-presidente Bolsonaro,
07:38pra tentar, depois de terminado o julgamento, um recurso.
07:42Primeiro um recurso que nós chamamos em bagos infringentes,
07:46por se ter uma divergência manifestada num voto.
07:50É bem verdade que isso não será fácil,
07:53porque a jurisprudência do Supremo tem sido no sentido de que,
07:57isso muito recentemente, que se precisa de dois votos divergentes
08:01pra se abrir a possibilidade de uma reconsideração,
08:05de um reexame pela própria turma.
08:07Mas certamente o time de defensores do ex-presidente,
08:10dos réus todos ali do Nucleon, vai aproveitar isso.
08:13Especialmente também, se você me permite prosseguir, José Inácio,
08:17não só nessa questão da nulidade absoluta,
08:21que ele até coloca como uma possibilidade,
08:24se não a nulidade absoluta,
08:26e o processo voltar pra primeira instância,
08:28onde ele deveria ter começado,
08:30eu pessoalmente concordo,
08:31teria sido a melhor solução,
08:33ou um exame pelo pleno,
08:36pelos 11 ministros,
08:38que também já houve uma decisão lá atrás,
08:42de que os delitos criminais apurados em ação penal,
08:46o exame é feito pelas turmas.
08:48Mas isso será usado fatalmente pela defesa
08:51em pedidos de recursos.
08:53Bem, a questão dessas categorias naquela lei de 2021,
09:02veja que, paradoxal,
09:03até promulgada pelo presidente Bolsonaro,
09:06e que realmente essas categorias,
09:08pra ficar em duas delas, né,
09:10a ameaça ao Estado Democrático de Direito,
09:13a tentada ao Estado Democrático de Direito,
09:15e a tentativa de golpe.
09:16São categorias que talvez as pessoas especialistas,
09:20eu tô na área do direito constitucional,
09:22consigam perceber certa diferença
09:25no que seria um, no que seria outro.
09:27Mas, realmente, na apuração de crimes,
09:30e são crimes conexos,
09:32aí todos sendo julgados ao mesmo tempo,
09:35pode dar uma confusão,
09:37não só para o destinatário final,
09:40que é o povo que analisa o que está sendo feito,
09:42que não consegue entender,
09:44como pode dar uma dosimetria um tanto exagerada.
09:47Penso que a lei, lá atrás,
09:50deveria ter sido feita de uma outra maneira,
09:53mas foi assim que ela vem em redação final,
09:56promulgada,
09:58e depois sancionada pelo presidente da República.
10:01Mas, certamente,
10:02esta dubiedade que existe
10:06em perceber o que é um,
10:08o que é o outro crime,
10:09vai ser explorada também.
10:12Rodolfo Borges.
10:13Eu queria explorar, assim,
10:16diante dessa perspectiva,
10:17de que talvez até nem tenha espaço
10:19para a defesa apresentar embargo infringente,
10:21porque não vai ter esse segundo voto,
10:23estamos imaginando que não vai ter,
10:26eu queria a tua impressão
10:27sobre a forma como o Fux está lidando
10:30com cada crime.
10:33E aí eu pergunto mesmo do ponto de vista
10:35de como esse julgamento vai ser interpretado,
10:38politicamente.
10:39Porque, ao contrário do que fizeram,
10:41o Alexandre de Moraes e Flávio Dino,
10:42e mesmo o próprio Fux,
10:45nos casos do 8 de janeiro,
10:47quando ele é mais minucioso e fala
10:49olha, eu vou ver caso por caso,
10:52soa, me parece,
10:53para quem está assistindo,
10:54mais justo.
10:55Vamos ver cada conduta de cada um
10:58e como é que ela está sendo julgada.
11:00Que foi algo que foi muito criticado ali
11:01no julgamento dos condenados pelo 8 de janeiro.
11:04Meio que, ah, vamos julgar todo mundo,
11:05porque estava todo mundo junto,
11:06estava participando de uma mesma coisa.
11:08Ainda que a gente não consiga distinguir
11:09cada categoria de crime,
11:11eles estavam todos lá e, portanto,
11:12todos devem ser punidos meio que da mesma forma.
11:16Para quem está assistindo o leigo,
11:18como é que o senhor acha que isso
11:19se interpreta a partir da diferença
11:23do voto do Fux para o dos outros ministros?
11:25Rodolfo, obrigado pela pergunta.
11:29É uma certa tecnicidade que eu vou tentar explicar
11:32de uma maneira mais simples.
11:35Na verdade, eu não sou criminalista,
11:37eu sou constitucionalista,
11:38mas, na verdade, sei.
11:39O direito criminal brasileiro,
11:40o direito penal,
11:41adota de há muito uma teoria
11:43que é a teoria monista.
11:45Ou seja, tendo vários partícipes
11:48num determinado delito,
11:49num determinado crime,
11:50mesmo que todos não participem
11:53daquilo que é o crime mais grave,
11:55a pena será aplicada,
11:56quando dada, no caso da procedência
11:59dessa ação penal,
12:00para todos.
12:01Por exemplo,
12:02algo que se inicia
12:03como um furto com vários agentes,
12:05para dar um exemplo muito simples,
12:07mas que um dos agentes,
12:08um dos futuros réus,
12:10tendo a ação penal,
12:11acaba transformando em roubo,
12:13com o uso da violência, por exemplo,
12:14eventualmente aplicada.
12:16Esse réu vai ser dado a todos,
12:18mesmo que um só tenha participado
12:20de uma parte inicial,
12:21pretendia só ocultar um celular.
12:23Então, essa é uma teoria
12:25adotada pelo Brasil,
12:26diferentemente de outros ordenamentos
12:28que adotam uma teoria
12:31de análise da participação
12:34de cada um no perfazimento do crime
12:36e já fixando que as penas
12:38não serão as penas máximas para todas.
12:41Então, de um ponto de vista,
12:42de uma análise muito técnica
12:44do direito criminal,
12:46e eu ressalto,
12:46eu não sou criminalista,
12:47eu estou procurando
12:48simplificar ao máximo
12:49a explicação,
12:51talvez eu não concorde
12:53com o que o ministro Fouca
12:55está colocando,
12:55porque realmente
12:56não é como o direito brasileiro
12:59penal ver a matéria
13:00de doutrina
13:01e de jurisprudência
13:03de muito, muito tempo.
13:05Agora, é preciso lembrar
13:07que o Supremo Tribunal
13:08é uma corte política,
13:09o direito constitucional
13:11é onde se faz a interface
13:13do direito com a política.
13:15Então, realmente,
13:17ao ele chamar a atenção
13:20de que existe uma falta de análise
13:25pela turma,
13:26e eventualmente ele propõe
13:27que isso seja julgado
13:28em todas as instâncias,
13:29começando pela primeira
13:30ou até pelo plenário,
13:31mas ele diz que está se colocando
13:36como que comatados
13:37todos os crimes
13:39que não deveriam ser,
13:40porque realmente
13:41as participações
13:43de cada um dos agentes ali,
13:45dos atuais réus,
13:46é completamente diversa.
13:49Ao ele falar do Mauro Cid,
13:50ele, de certa maneira,
13:51já mostra como é diferente
13:52a atuação do coronel Mauro Cid
13:56com relação aos outros réus.
13:58Então, isto será explorado, sim,
14:00na interposição
14:02de eventuais embargos infringentes,
14:04você próprio relembrou,
14:05é um tanto difícil
14:06a admissibilidade disso,
14:08mas eu acho que é um campo aí,
14:11um horizonte que a defesa,
14:15que já estava mais preocupada
14:17em cuidar da dosimetria,
14:19um recurso na dosimetria,
14:21ou pedir prisão domiciliar
14:23ao ex-presidente Bolsonaro,
14:24mas apareceu essa possibilidade
14:26de se agarrar nessa boia aí
14:29e tentar uma revisão.
14:31O ministro Fux explora,
14:33prosseguindo aí,
14:34sem a licença de vocês,
14:35me dando,
14:36muito o lado político do julgamento.
14:38Se não me falha a memória,
14:39logo hoje de manhã,
14:41ele realçou muito isso,
14:42e até usando o jogo de palavras,
14:46dizendo que a decisão do Supremo ali
14:48tinha que ser menos dada pela política
14:50e sim muito mais pela tecnicidade.
14:52Obviamente é uma corte político-jurídica,
14:55mas ele mostrando, talvez,
14:57como a análise daquelas preliminares
15:00não contamina,
15:01e eu concordo plenamente
15:03que elas mesmas
15:04possam ser analisadas agora
15:07no momento do julgamento em si.
15:09Então ele está abrindo uma divergência
15:11com uma série de significâncias
15:13que não são detalhes,
15:15são realmente muito importantes
15:17e vamos ver como é que,
15:20depois de terminado o julgamento,
15:21a defesa explorará isso.
15:31E aí
15:36E aí
15:42E aí
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