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Em entrevista exclusiva ao programa JP Ponto Final, o deputado Fernando Marangoni fez uma análise aprofundada do cenário político, defendendo o fim da polarização e cobrando foco em resultados concretos para o país.
Segundo o parlamentar, o Brasil vive um "clima de tensão" e precisa urgentemente superar a "guerra de narrativas". Para ele, a prioridade deve ser a entrega de políticas públicas efetivas que melhorem a vida da população.

Na área de habitação, Marangoni destacou a necessidade de soluções diversas, como programas de casa própria e locação social, defendendo novos modelos de moradia. Ele ressaltou o papel importante das frentes parlamentares na conexão entre habitação, saneamento e mobilidade urbana.

O deputado também alertou para os desafios demográficos e o déficit de políticas estruturais em saneamento e infraestrutura. De acordo com ele, sem parcerias público-privadas e ajustes no orçamento, o país pode enfrentar um colapso a partir de 2027.

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Transcrição
00:00E ao lado da moradia tem o transporte.
00:03Eu vejo uma dificuldade muito grande do transporte público no Brasil.
00:08Não há transporte público, porque o transporte público verdadeiramente dito é trens e metrôs.
00:15Perfeito.
00:16Os ônibus, vans e tal são de ligação, ou deveriam ser.
00:21Deveriam ser.
00:22Deveriam ser de ligação.
00:23A gente vê, por exemplo, aqui o coração do poder brasileiro que foi projetado para carro.
00:27Eles dizem que o brasiliense é composto de cabeça, tronco e rodas.
00:35A gente não precisa.
00:36Mas está errado, né, deputado?
00:37Com certeza.
00:38Eu acho que a mobilidade urbana...
00:40E vem passando por transformações, a própria micromobilidade.
00:43A gente falava um pouco do planejamento urbano.
00:46Quando você pega, por exemplo, a capital...
00:48Hoje, os estudos mostram que é uma cidade policêntrica.
00:52Antigamente, a gente ficava...
00:54Olha, o comércio está no centro.
00:56E a habitação mais periférica.
00:59Então, você tinha...
01:00Todo mundo deslocando.
01:01Todo mundo deslocando.
01:03No mesmo horário.
01:04No mesmo horário.
01:05E hoje, a gente já está entendendo que, primeiro, a gente precisa ter habitação no centro.
01:10E aí, nós fizemos a primeira PPP de habitação da América Latina no centro de São Paulo.
01:15Que foi um grande sucesso.
01:17Para que as pessoas morem no centro, trabalhem no centro, trabalhem próximo ao seu trabalho.
01:22E isso é um novo conceito de planejamento urbano que tem impacto direto na mobilidade.
01:27E a verticalização também, né?
01:28E a verticalização também.
01:29Mudou.
01:30Antigamente, todo mundo execrava a verticalização.
01:33Prédios, né?
01:34A ideia era expandir e tal.
01:36Aí, hoje, está comprovado que não, né?
01:38A verticalização pode ser melhor do que a horizontalização.
01:43Sem sombra de dúvida.
01:44E principalmente nas regiões metropolitanas.
01:45Onde a gente já não tem mais oferta diária.
01:50Mas também, por outro fator.
01:52Implantação da infraestrutura.
01:54Quando a gente vai espraiando e nessa horizontalização, como você bem colocou, Zé,
02:00eu não posso esquecer que o custo de infraestrutura fica muito mais caro.
02:05Não é só transporte, né?
02:06Tem toda uma estrutura.
02:07Drenagem, saneamento, o serviço público de gestão, por exemplo, de resíduos.
02:13O caminhão tem que andar mais.
02:16Enfim, então, encarece todo o custo de manutenção desse bairro, dessa comunidade,
02:24desse condomínio que você espraia.
02:28Ele cresce sobremaneira.
02:30E aí, hoje, a verticalização vem como uma solução, principalmente para baratear o custo do solo.
02:38Porque eu tenho um aproveitamento maior.
02:40Onde eu iria construir quatro, cinco moradias, hoje eu tenho 20, 30 moradias,
02:47numa verticalização que barateia também o custo do solo.
02:50Olha, nós estamos vivendo na política um momento diferente sobre partidos políticos.
02:56Hoje, as frentes parlamentares tomaram ali uma força muito grande no Congresso Nacional.
03:01São importantes.
03:02Funcionam ali, até às vezes, mais importantes que partidos políticos.
03:06São lobbies.
03:08E aí, eu gosto de falar esse nome de uma forma muito positiva.
03:12Que são maneiras de levar ao deputado e ao senador informações que ele não tem e que o gabinete não é capaz de produzir.
03:20E as frentes parlamentares reúnem ali técnicos que vão convencer.
03:25E não o que a gente chama aqui de lobby da mala, que é pagar a deputada.
03:31Então, assim, as frentes cumprem esse papel de convencer em vez de pagar.
03:35O senhor, por exemplo, participa de frentes, né?
03:39Existem várias frentes.
03:40O senhor é presidente de várias frentes.
03:43Eu presido quatro frentes.
03:45Participo de mais de 150 frentes.
03:47Mas as frentes que eu presido é a Frente do Desenvolvimento Urbano Sustentável e Habitação.
03:51Por isso que a gente está falando muito sobre isso, né?
03:54Exato.
03:54Presídio da Frente de Saneamento Básico, Gestão de Resíduos Sólidos e Economia Circular e Consórcios Públicos.
04:01E eu vou te explicar o porquê.
04:02Porque me incomoda, e eu sei que você gosta muito de urbanismo e planejamento urbano,
04:08a gente estava vendo as discussões...
04:10São curioso disso.
04:12A gente estava vendo as discussões sempre acontecer de forma segregada.
04:16Então, você tinha um grupo específico discutindo soluções de saneamento.
04:20Você tinha um outro grupo discutindo soluções de gestão de resíduos.
04:23Você tinha um outro grupo discutindo habitação.
04:26Você tinha um outro grupo discutindo mobilidade urbana.
04:28Quando, na verdade, a gente precisa discutir a cidade.
04:33O planejamento urbano é uma política transversal.
04:36A gente tem que discutir isso junto.
04:38Por isso que a gente conseguiu encampar essas frentes,
04:42para que a gente tenha uma discussão integrada dessas políticas que são transversais e tão importantes.
04:47Eu tenho duas curiosidades sobre isso.
04:50A primeira, esse assunto não dá a volta.
04:52Por isso que a frente parlamentar não é tão grande como a EFPA.
04:57A EFPA.
04:58Da saúde.
05:00Quando diz frente da saúde, não é querendo melhorar a vida da UPA, não.
05:05São as empresas, os hospitais.
05:07É esse pessoal que está na frente da saúde.
05:10Em primeiro lugar, eu acho dificuldades de voto.
05:13E, em segundo lugar, esse é um assunto tradicionalmente da esquerda.
05:19Por quê?
05:19Pois é, porque a política habitacional, ela não deixa de ser uma política social.
05:25E por ser uma política social, a política de habitação de interesse social,
05:30sempre foi atrelada, muitas vezes até só por levar o nome de habitação de interesse social,
05:37já atrelam ela ao campo da esquerda.
05:40Mas eu digo o seguinte, a gente tem que fazer, e é assim que eu penso, a gente tem que fazer política com ciência.
05:46Então, hoje os dados são alarmantes do déficit habitacional no Brasil.
05:50E eu estou falando do déficit quantitativo.
05:51Mas a tendência é de estar crescendo o déficit?
05:54Ele não está reduzindo.
05:57Isso é o que incomoda.
05:59Então, a gente teve, no Minha Casa Minha Vida, na primeira versão, a gente teve uma grande produção.
06:06Depois houve aí uma paralisação dessa produção.
06:09E o déficit não para.
06:10A cidade é dinâmica, você tem um crescimento demográfico natural, e isso vai demandar moradia.
06:19Então, a gente tem que fazer política com ciência.
06:23A gente tem um problema de déficit muito grave.
06:26Então, nós temos, independente do voto ou não, nós temos um problema sério no Brasil para resolver.
06:31E quando eu falo de déficit habitacional, eu estou falando da ausência, inclusive, de saneamento.
06:35Nós temos 100 milhões de brasileiros sem coleta de esgoto.
06:38Nós temos 50 milhões de brasileiros sem água tratada.
06:42Nós temos um quarto maior custo logístico do Brasil, o que emperra muito o desenvolvimento.
06:48Então, eu acho que a gente tem muitas questões estruturais para tratar no Brasil,
06:54ao invés de ficar nessa guerra de narrativa ideológica.
06:59Até porque nós estamos num país que alia a décima maior economia do mundo a uma das maiores desigualdades.
07:05Mas os dados mostram, conversando aqui com o diretor do IPL, me mostrando o seguinte,
07:12que em 58, a média de natalidade do Brasil era de 6 por casal.
07:19Uns mais, outros menos, em 1958.
07:22Isso foi diminuindo, nós estamos hoje em 1,5 por casal, em média.
07:26E em 2035, chegaremos ali a 1 a 1 para 45 negativo.
07:34Ou seja, vai morrer mais gente do que nascer no Brasil.
07:38Isso muda tudo, inclusive essa demanda e as políticas públicas.
07:42Sem sombra de dúvida.
07:43Inclusive, outro dado que preocupa é que nós estamos no auge do bônus demográfico do Brasil.
07:48Então, a população economicamente ativa...
07:51Já está decrescendo.
07:52Já está decrescendo.
07:54Então, isso preocupa porque nós temos tanta coisa ainda para desenvolver no Brasil.
07:59E a gente perdendo a população economicamente ativa a cada ano, isso só vai se...
08:03O país está ficando velho.
08:04Está ficando velho.
08:06Então, a gente tem que agir e agir rápido.
08:09Por isso que eu insisto muito que o caminho não é essa polarização e esse extremismo que nós estamos vivendo.
08:17Aliás, as políticas públicas que deixaram o legato no Brasil foram todas feitas pelo Centro Democrático.
08:23Deputado, eu sinto falta de um projeto de Brasil que possa ser defendido por todos e tal.
08:30O que está acontecendo?
08:32Que não há uma...
08:34A gente vê um debate no Congresso ali, é sobre colocar um projeto na votação, mas por interesses próprios, de grupos.
08:42Está faltando debater e aprovar assuntos relativos ao Brasil.
08:49Como diz o Churchill, onde estão os homens de bem?
08:52Onde estão os homens de coragem no Brasil?
08:55Infelizmente, nos últimos anos, o que a gente vê na política é a ausência completa de propostas e guerra de narrativa.
09:03São raras as entrevistas em que a gente fala de conteúdo, como estamos falando.
09:07Exatamente.
09:08Vou te dar um exemplo, Zé Marcos.
09:10Pega as eleições da capital.
09:14Lembra dos debates?
09:17Cadeirada, soco na cara de assessor.
09:20Quando você assistia o debate para as eleições municipais, aquilo parecia um entretenimento.
09:30Eu não sei, um stand-up, comedy, alguma coisa nesse sentido, menos um debate sério com conteúdo e com propostas.
09:39O que a gente viu e quem a gente viu unicamente trazer propostas e etc.
09:43O prefeito, que foi reeleito.
09:47Mas, de resto, era entretenimento.
09:49É entretenimento.
09:49Você ligava a TV para assistir o debate e para dar risada.
09:53É triste a gente ver o rumo que a pauta política, que o debate político no Brasil está tomando.
10:02Pois é.
10:03E nesses debates públicos, há um posicionamento muito importante, que é as PPPs, as parcerias público-privadas.
10:11Houve um momento em que o Estado tinha capital e, por isso, criou grandes empresas, como os em Minas, a Rede Ferroviária Federal, Petrobras.
10:21Hoje, o Estado não tem mais dinheiro.
10:24Nem a União, nem o Estado, nem o município.
10:27Daí a necessidade do aporte de capital privado.
10:30Perfeito.
10:30Entram as PPPs.
10:32Perfeito.
10:33Isso é um sinal de futuro?
10:35Deve ser assim?
10:36Sem sombra de dúvida.
10:37É o que a gente...
10:37Primeiro, o que a gente prega e acredita.
10:39É um Estado cada vez mais eficiente, mais enxuto, cuidando das políticas públicas básicas.
10:46No ordenamento.
10:48No ordenamento e na regulamentação.
10:50E fiscalização.
10:50E aí eu vou te dar um exemplo, por exemplo, do marco regulatório do saneamento.
10:56O Brasil, para cumprir a meta de universalização do saneamento básico até 2033, precisa de investimentos
11:03da ordem de 780 bilhões.
11:07Não tem.
11:08Obviamente, o Estado não tem condição alguma de fazer esses investimentos.
11:13Veja, numa política pública de saneamento, que é básica, é o que dá dignidade para as pessoas.
11:19Então, o novo marco do saneamento, que abriu para as concessões, para as PPPs, etc.,
11:26é onde a gente está conseguindo captar recursos.
11:29Então, é o caminho.
11:30Eu acredito muito nisso.
11:32E o Estado ficar como regulamentador e cuidando especificamente das políticas públicas de base.
11:38Da nossa segurança, da soberania, da saúde, da educação, das políticas de desenvolvimento social,
11:44que não tem como não vir do Estado.
11:47Mas, sem sombra de dúvida, é o caminho.
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