00:008h33, vamos falar de economia agora, porque o secretário de economia do México, Marcelo Ebihardt,
00:06disse que descarta um acordo de livre comércio com o Brasil.
00:10Na declaração feita durante entrevista a jornalistas, a autoridade disse que o país tem acordos de complementariedade
00:19e a ideia é atualizá-los porque foram assinados há mais de 20 anos.
00:24Os negócios citados pelo secretário mexicano foram assinados entre o Mercosul e o México, isso em 2002,
00:31e estão em vigor desde 2003.
00:33Um desses documentos compreende produtos não automotivos, eliminando ou reduzindo tarifas de importação
00:39para cerca de 800 posições tarifárias, por meio da concessão de margens de preferências recíprocas entre o Brasil e o México.
00:49O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, disse que a reunião de trabalho com a presidente do México,
00:56Cláudia Schimbau, foi muito proveitosa e que o Brasil e o México estão cada vez mais próximos.
01:03É mais um assunto para a gente tratar aqui com os nossos analistas de hoje, Roberto Mota e Acácio Miranda.
01:09Ô Mota, como é que você vê essa declaração aí do secretário mexicano descartando um acordo de livre comércio,
01:15mas propondo uma afinação de outros acordos já existentes, até porque estão assinados há mais de 20 anos,
01:24e é importante a atualização dos mesmos. Mota?
01:27A gente fica sem entender muito bem essa estratégia de ir ao México,
01:35tentar buscar ali alguma forma de compensar as sanções impostas pelos Estados Unidos.
01:41Vale lembrar que o México e o Canadá foram, se não me engano, dois dos primeiros países a sofrer com sanções econômicas dos Estados Unidos.
01:51Donald Trump disse que aquelas sanções tinham sido provocadas pela falta de disposição do México e Canadá
01:59de ajudar a policiar a fronteira e impedir a entrada de drogas nos Estados Unidos.
02:05Essas tarifas foram seguidas por negociações entre México e Estados Unidos.
02:11O México está numa posição muito difícil, porque é vizinho dos Estados Unidos e está sujeito a todo tipo de pressão.
02:19Então é difícil acreditar que o México vai se interessar em alguma iniciativa com o Brasil
02:27que alivie o Brasil justamente das sanções que foram impostas pelos Estados Unidos.
02:33Acácio, como que você interpreta tudo isso e se essa relação de fato Brasil-México pode ser benéfica para os dois países?
02:42São dois países, como o Mota bem disse, que sofreram formas de sanção dos Estados Unidos.
02:49E é óbvio, sob a lógica da produção, se você produz determinada quantidade e perde, entre aspas, um cliente,
02:58é natural que você busque outros caminhos, que você busque outros clientes para que eles absorvam essa sua produção.
03:07E é o que o Brasil tem feito com o México, com o Canadá e com diversos outros países mundo afora.
03:14Porque é importante nós ressaltarmos o seguinte, a China é o principal parceiro econômico do Brasil
03:21e, em segundo lugar, disputam ali sempre Estados Unidos e Argentina.
03:26Se a gente perder uma parcela deste segundo ou terceiro colocado, a gente precisa repor.
03:32Então nós batemos as portas do primeiro, do terceiro, do quarto, do quinto,
03:38até que, de uma forma ou de outra, este prejuízo, estas perdas do tarifácio, sejam superadas.
03:45Então eu vejo como um movimento natural, até porque, ideologicamente,
03:51o México também não é um país que, alinhado com o governo brasileiro,
03:55já foram feitas, inclusive, críticas da presidente mexicana ao Brasil.
04:01Ela tentou, por diversas vezes, uma aproximação com Donald Trump.
04:06A questão é que Donald bateu tanto na questão do México durante a campanha,
04:11que ele não tem condições de se alinhar a ela.
04:15Tchau.
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