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O governo brasileiro informou nesta segunda-feira (25) que Mercosul e Canadá vão reiniciar negociações para um acordo de livre comércio, em meio às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos contra produtos mundiais. Alan Ghani, Cristiano Vilela e José Maria Trindade analisaram.
Reportagem: Igor Damasceno
Comentarista: Alan Ghani, Cristiano Vilela e José Maria Trindade

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00:00O Mercosul e o Canadá vão retomar o Acordo de Livre Comércio, que estava parado desde 2021.
00:08Nós temos mais informações sobre esse assunto com o Igor Damasceno, que tem os detalhes na capital federal.
00:13Pois não, Igor?
00:17Roberto, as tratativas para a retomada desse acordo bilateral ocorrem depois de uma reunião presencial
00:26entre o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento da Indústria, Geraldo Alckmin,
00:31e o ministro do Comércio Internacional do Canadá, o Meninder Sindhu.
00:36Essa reunião aconteceu na esplanada dos ministérios na tarde de ontem
00:40e, segundo uma nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento da Indústria,
00:45foi uma reunião muito positiva que pode viabilizar a retomada desse acordo comercial
00:52entre o Bloco Econômico dos países daqui da América do Sul e também o Canadá.
00:59Essa parceria que está praticamente paralisada desde 2021.
01:04De acordo com Geraldo Alckmin, há sim possibilidades para a retomada desse acordo bilateral,
01:11que pode, inclusive, proteger os nossos produtores agrícolas e os nossos empresários.
01:16Tanto o Brasil quanto o Canadá têm sofrido com a taxa imposta pelo presidente dos Estados Unidos,
01:24Donald Trump, então é de comum acordo, é uma convergência entre os dois países
01:29que é necessário abrir o mercado para outros parceiros comerciais.
01:33Então o Canadá, segundo disse Geraldo Alckmin, tem interesse em retomar com essas tratativas aqui no Brasil.
01:40Para que, de fato, isso se concretize, essa parceria com o Mercosul,
01:45o presidente e vice-presidente Geraldo Alckmin vai até o Canadá em outubro
01:50com uma comitiva presidencial, também com empresários, justamente para avançar nas negociações.
01:57Lembrando que, nesse segundo semestre, o Brasil é o presidente do Mercosul,
02:02o que pode facilitar nas negociações.
02:05A expectativa é que o Bloco Econômico e o Canadá avancem nas tratativas a respeito de mineração,
02:14agrobios, fertilizantes, defesa, energia renovável e complexo industrial de saúde.
02:20Tudo isso está em jogo e pode marcar essa retomada da parceria comercial.
02:26Então, ontem, essa discussão começou a avançar.
02:30Em outubro, o martelo deve ser batido e é aí uma posição, uma convergência entre os dois países
02:37para encontrarem alternativas de mitigarem os efeitos, tanto do Canadá quanto aqui do Brasil,
02:43para a imposição das taxas dos Estados Unidos.
02:47Voltamos ao estúdio.
02:48Igor Damasceno, muito obrigado.
02:50Direto de Brasília, atualizando essas informações para a gente.
02:53É assunto, para a gente passar aqui para o nosso comentarista de economia,
02:55Alan Gani, que está com a gente novamente.
02:57É uma boa essa retomada aí do Canadá em negociação com o Mercosul, Gani?
03:03É uma ótima para ambos, né?
03:05Quando a gente fala num acordo de livre comércio, ambos os blocos saem ganhando
03:11e os países pertencentes a esses dois blocos, né?
03:15Então, no caso do Canadá, não seria um bloco, mas o país.
03:19E o Mercosul, os países pertencentes ao Mercosul, principalmente o Brasil.
03:24Num acordo de livre comércio, cada país se especializa naquilo que é mais produtivo e exporta para o outro.
03:34Sabe quem sai ganhando?
03:35É a população de ambos os países, com produtos mais barato e de maior qualidade.
03:42Além do que, aumenta a corrente de comércio entre os países, gerando renda e emprego.
03:48Se a ideia inicial de Donald Trump com o tarifaço fosse justamente aproximar,
03:55mesmo que na base da pressão, os países aos Estados Unidos,
03:58acreditando que eles iam continuar exportando na mesma quantidade,
04:03e com isso os Estados Unidos arrecadariam mais com as tarifas protecionistas,
04:08o tiro pode ter saído pela culatra.
04:10Isso porque, no mundo real, os países começam a buscar alternativas em relação aos Estados Unidos.
04:19E aí, algo que não era inimaginável no passado, justamente o Canadá,
04:25um aliado histórico norte-americano, pertencente ao NAFTA, fazendo fronteira com os Estados Unidos,
04:31vejam só, buscando uma parceria comercial com quem?
04:35Justamente com o Mercosul.
04:38O Gani, dá para imaginar uma negociação relativamente rápida?
04:42E aí, quando a gente fala de rápida, a gente vai colocar em um ano, mais ou menos,
04:46o que pode atrasar ou dificultar esse acordo?
04:50Então, Soraya, esse rápido aí, aí é a má notícia.
04:54O acordo de livre comércio entre Canadá e Mercosul seria excelente para a população de ambos os países.
05:01Mas tem um problema, demora muito tempo,
05:04porque tem que chegar em tarifa externa comum, alinhar com todos os membros.
05:09Então, veja, dentro do Mercosul, há uma série de produtos ainda que não há esse nivelamento de tarifas,
05:16que não entraram aí no escopo do livre comércio.
05:20O mesmo vale para o acordo que a gente há tanto tempo discute entre Mercosul e União Europeia.
05:26Então, a intenção deste acordo Mercosul e Canadá é excelente.
05:31Agora, operacionalizar isso aí demora muito tempo, Soraya, infelizmente.
05:38Valeu, Gani. Até já, hein?
05:39Valeu.
05:40Bom, é assunto para a gente tratar também aqui com os nossos comentaristas de hoje.
05:45José Maria Trindade e Cristiano Vileli estão com a gente nesta manhã.
05:50José Maria, é interessante como o Gani destacou aí essa retomada de negociação Mercosul e também Canadá.
05:58É impressionante como as ações do Trump fazem com que novos blocos, novos players comecem a se conhecer um pouco melhor
06:07ou pelo menos retomar antigas conversas, Zé.
06:10Pois é, o Galileu Galilei, quando definiu ali, mostrou que a Terra não era o centro do universo, né?
06:16E foi punido por isso, ele respondeu.
06:19O movimento dos astros é previsível.
06:22O imprevisível é o movimento dos poderosos.
06:25O Donald Trump, ele desarranjou o mundo que estava ali, todo certinho, e a China estava ganhando.
06:32Ele é presidente dos Estados Unidos, não é presidente do Brasil nem do mundo.
06:35E nesse desarranjo, ninguém sabe o que vai acontecer com a economia norte-americana.
06:41Reduziu o superávit, aliás, o déficit enorme, o déficit norte-americano, a dívida norte-americana muito grande,
06:49mas reduziu também o fluxo comercial e o comércio.
06:52Quer dizer, a população americana vai pagar por esse movimento.
06:56Mas ele deu uma sacudida.
06:57Nós estamos em pleno rearranjo do comércio internacional.
07:02Essa é a realidade.
07:02Daí essa junção de vários países.
07:06O Brasil, por exemplo, está agora com um problema que disseram aqui em Brasília,
07:10de que a Fávia, que é a associação dos fabricantes de veículos,
07:16está vendo um fluxo muito grande de veículos chineses para o Brasil.
07:20Isso aí já é em virtude da dificuldade de exportação para os Estados Unidos.
07:25Ou seja, haverá um rearranjo e ninguém sabe o que vai acontecer.
07:29Pode até ser que esta reunião de vários interessados possa isolar os Estados Unidos.
07:37O que eu acho muito difícil.
07:39Trata-se de uma economia muito forte.
07:41Ainda é a maior economia do mundo.
07:43Dizem alguns que é a China.
07:45Mas, enfim, é um país muito importante.
07:47Portanto, nós estamos nesta reacomodação e tudo deve acontecer de forma de interesse de cada região e de cada país.
07:57Falando em ampliação de negócios, de novos mercados,
08:00hoje, inclusive, é aquela comitiva viajar ao México para justamente tentar e ver se o México pode ser, de fato,
08:07uma alternativa para receber os produtos brasileiros.
08:09Veja que, mesmo diante das adversidades, oportunidades surgem e têm que ser aproveitadas pelos governos.
08:18No caso, pelo governo brasileiro.
08:21Agora, veja que, diante de um contexto de crise, a pior saída que o governo deve fazer
08:26é se esconder dentro de um buraco e não identificar, não encarar de frente o problema.
08:32E o que é pior, no caso aqui do governo brasileiro, nós temos visto um uso político, midiático, exagerado desse tema.
08:41Um grave conflito de natureza comercial como esse, especialmente com um parceiro de enorme relevância,
08:48como são os Estados Unidos da América, o Brasil não pode fazer disso um cavalo de batalha
08:55e isso utilizar de um tom palanqueiro, de um tom eleitoral, por mais que, eventualmente,
09:01isso possa trazer alguns pontinhos na aprovação do atual governo.
09:05Na verdade, o foco tem que ser esse foco adulto, racional, de diálogo, de construção de alternativas.
09:11E quando a gente olha a composição atual, os atores do governo no quadro atual,
09:17a gente percebe, por exemplo, que o vice-presidente Geraldo Alckmin tem feito esse papel de adulto na sala,
09:23da pessoa que tem procurado esse diálogo, que tem cataneado esse diálogo
09:28e que pode render frutos importantes, frutos que, eventualmente,
09:32venham a ultrapassar os limites históricos desse contexto do tarifaço,
09:37mas que podem fazer com que as relações entre Mercosul e Canadá e outros parceiros comerciais
09:42se aprofundem cada vez mais e que o Brasil saia desse episódio fortalecido.
09:48É importante, acima de tudo, ter diplomacia e ter a capacidade de enxergar a economia,
09:55muito além do que a capacidade eleitoral, do que o horizonte eleitoral,
09:59que, via de regra, não faz bem para o país.
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