- há 4 meses
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DiversãoTranscrição
00:00Mas agora a coisa degringolou de vez, olha aí, uma taxa extra nova, o que é isso?
00:041.200 reais pra quê?
00:06Limpeza de caixa d'água?
00:07Essa mulher vai mandar limpar essa caixa com o quê? Com pó de ouro!
00:10E ela só vai lavar a caixa d'água dessa coluna, né?
00:13Porque mês que vem ela cobra mais 1.200 pela coluna de trás!
00:16Quer dizer, a gente tem aqui no Jambalaya 10 blocos, com 15 andares cada um,
00:218 apartamentos por andar, nós vamos ter, deixa eu ver, 8 vezes 15, 120.
00:279 vezes fora, Jorge, e vezes 10, 1.200, 9 vezes dentro, Mário.
00:33Mais isso, sobe uma selinha, divide por dois Arnaldos, o resto irrita.
00:39A monstra vai recolher 1.440.000 só este mês!
00:44E a água continua imunda!
00:45Você colocar num copo de papel do lado de um pastel, passa por caldo de cana tranquilo, né?
00:51É verdade!
00:53Ultimamente eu tenho feito a limpeza profunda na piscina,
00:57porque pelo menos tem cloro, não é?
00:59Outro dia eu fui lavar uma calcinha na pia e ela saiu tinturada!
01:05Cara, olha, não ficou ruim, mas era branca e agora até bege!
01:10Até eu tô usando, você quer ver?
01:12O que é isso, Copélia?
01:13Toma vergonha nessa cara, Copélia!
01:15Na cara eu só tomo um bom tapa, meu filho!
01:18E quando o bofe é de responsa!
01:19Aliás, vou falar em responsa!
01:23Você já pensou no presente que vai dar a selinha no aniversário dela?
01:27Eu sei o que ela quer!
01:29Eu também sei!
01:30Ela não faz segredo, ela quer o anel!
01:32Porque segundo ela, Mário Jorge, você jamais deu!
01:36Ela disse que o senhor nunca mencionou!
01:38Que pediu lá em casamento a seco!
01:40Praticamente empurrou a coitada aqui pra dentro!
01:41O meu presente já está até embrulhadinho!
01:45E você vai dar o que pra selinha?
01:47Olha, na verdade o presente é pra ela, mas vai ser aplicado em você!
01:51Ah, não, pelo amor de Deus!
01:52Às vezes precisamos usar de artimanhas pra repor o que faz falta, não é?
01:57Bom, eu vou dar um presente à Celia Regina, que ela vai desabrochar como a flor!
02:03Eu quero ver tudo desabrochando, por cima e por baixo!
02:05Tudo desabrochando!
02:06Olha, ela vai preferir o anel desabrochando no dedo, viu?
02:08Mas eu não tenho como comprar um anel de brilhantes pra selinha!
02:12Você não tá vendo a minha situação?
02:14Como é que eu vou pagar uma taxa extra de mil e duzentos reais?
02:18Oi!
02:20Tá tudo pela hora da morte!
02:24Deixei metade da lista lá nas prateleiras, nem me dei o trabalho de pesar, viu?
02:29Olha, a coisa tá tão feia que tinham duas mulheres chorando no submercado!
02:34Tinha uma que tava lá agarrada numa lata de conserva, assim, se despedindo!
02:39Parecia que tava se despedindo de um ente querido!
02:43Aqui, ó, mãe!
02:45Olha só, um anúncio que eu ganhei no sinal, anúncio de uma joalheria!
02:49Bonito esse anel, né?
02:52Menina!
02:53Esse anel é igualzinho a um que o amante meu usava, um belga, comedor de batatas fritas, uma loucura!
03:00Tivemos um romance violento em Bruxelas, mas ele usava um anel igualzinho a esse, só que um pouco maior!
03:10Mas é um anel tão feminino, mamãe!
03:12Ele não usava no dedo, Célia Regina!
03:15Parece que não entende as coisas!
03:16Dá isso aqui, deixa eu mostrar pro Mário Jorge!
03:19Bem, olha que lindo, ó, não é lindo esse anel?
03:23Ai, mas vai ficar lindo no dedo da senhora, da Célinha!
03:28Ai, tá aí, ó!
03:29Uma ideia aí, pra quem ainda não sabe o que tem que dar de presente!
03:35É lindo, meu bem, é lindo!
03:41Célinha, olha aqui, meu bem, estamos sendo achacados novamente!
03:45Olha aqui, uma taxa extra nova de 1.200 reais!
03:49Dona Álvaras está perdendo o...
03:51Falando mal de mim, pelas costas!
03:56Desde quando eu falei bem da senhora, quando o seu nome chega na minha boca, eu cuspo longe!
04:00Miserável!
04:00Eu vou espalhar por aí, viu, Mário Jorge?
04:02Que o senhor tem chato!
04:04Que o senhor!
04:04Nunca mais vai poder mergulhar na piscina sem que os moradores reclamem!
04:09Quem sabe até lhe agridam!
04:11Pois eu quero saber no que a senhora vai gastar 1.200 reais por unidade, hein?
04:15Pra limpar uma caixa d'água!
04:17Onde é que já se viu isso, hein?
04:191.200 reais!
04:21Eu quero saber onde é que a senhora vai gastar esse dinheiro, monstro!
04:24É caro, caro, caro mesmo!
04:25Olha aqui, Mário Jorge, a caixa d'água está imprópria porque Dona Copelha leva homem pra lá!
04:33Isso é verdade, mamãe?
04:34É!
04:35Agora, sabe por quê?
04:36Porque me proibiram de usar a piscina de madrugada!
04:39A caixa d'água não é ideal, não dá pra fazer o nado sincronizado, né?
04:45E eu e Jatobá gostamos de fazer amor como as baleias, nadando lado a lado!
04:51E quem é Jatobá?
04:57É um garagista do bloco F!
04:59Garagista, mamãe?
05:00Olha o preconceito, né, hein?
05:02Ninguém nessas horas fica jogando a carteira profissional assim, não!
05:06Depois, se lhe interessa saber, Jatobá é mestre em manobra!
05:11Mas é só um exorcismo para aplacar o fogo dessa herege!
05:20Olha aqui, essa mulher é uma... é uma... é uma pirolímpica!
05:24Acesa 24 horas!
05:26Dona Álvora, a senhora vai me explicar uma coisinha aqui?
05:281.200 reais, isso aqui é uma vergonha!
05:31Por 50 reais, eu mandava a Bozena limpar!
05:34Ela é a que mais gosta de mim daí!
05:35Álvora, todo mundo aqui anda falando que você está desviando verba
05:41para construir a cidade da Álvora
05:44do que sobrou da área preservada do Matagal!
05:48É verdade!
05:49Essa cidade da Álvora está custando uma fortuna!
05:52Mas eu estou...
05:53Dizem até que a senhora mandou fazer um mini estádio!
05:57O Alvarão!
05:57Mas isso é para preservar o nosso patrimônio
06:02antes que a favela invada tudo, seus estúpidos!
06:05Graça!
06:07Vai embora da minha casa!
06:08Vai embora da minha casa agora!
06:09Está pensando o quê?
06:10Vou interditar esse estádio!
06:12Está pensando que nós vamos pagar sem gritar?
06:14Está muito enganada!
06:15Pode sair!
06:16Sai agora!
06:16Sai agora!
06:17É tarde demais!
06:19Eu vou inaugurar o Alvarão em 15 dias, Dona Celinha!
06:23Vamos ver!
06:24Eu já contravei a Banda Calypso!
06:29Para fazer o show de abertura!
06:34Mas Jorge...
06:35Banda Calypso...
06:38Chonô, chonô!
06:41Chonô, chonô!
06:44Mas Jorge...
06:45Adora Banda Calypso!
06:47Adora!
06:48Dona Celinha!
06:49Dona Celinha!
06:50Adora!
06:50Dona Celinha!
06:51Para!
06:51A senhora se acalmar e não disser nada, eu...
06:56Eu até lhe apresento a Joelma e o Chimbinha.
07:00E quem sabe até lhe dou também uma pulseirinha da área VIP.
07:04Aceita?
07:05Aceito!
07:06Eu também aceito, porque eu tenho que mostrar uma coisa para o Chimbinha.
07:10O quê, mamãe?
07:12Prefiro não comentar.
07:15Todo mês é esse inferno.
07:17Você já sabe quanto é que cada coisa custa.
07:19É, mas cada mês custa diferente, tá?
07:21Eu espero que esse investimento dê em alguma coisa.
07:24Porque até agora eu só te vejo deprimido pelos cantos.
07:27Eu não sei por que você quer aprender inglês.
07:29Você não fala com ninguém.
07:30Eu não pedi para nascer.
07:31Se você não queria a responsabilidade de ser pai, que tomasse mais cuidado.
07:34É, não pediu para nascer, mas está pedindo para matar o seu pai.
07:38Com essa despesa toda, garoto chato.
07:40Meu Deus do céu, se todo mundo soubesse como o filho da porrinhação, sabia?
07:44A superpopulação do planeta estava resolvida.
07:46O problema é que a gente só se dá conta disso depois que eles crescem, né?
07:52Eu tenho teoria.
07:54Eu acho que o filho é o retrato da nossa incapacidade.
07:58Acontece que quando se é jovem, os hormônios falam mais alto, né?
08:02E se falam, viu?
08:03E como falam, meu Deus do céu.
08:06Falam tanto a ponto de fazer.
08:07Uma criatura asquerosa como Mário Jorge me dá um anel desse.
08:11Olha só.
08:13Impressionante, né?
08:14É, são coisas do ser humano, né?
08:16A natureza humana é assim mesmo.
08:17Ô pai, faz esse cheque de uma vez.
08:19Se você não pagar o colégio, eu não posso fazer as provas.
08:22E por que você vai fazer prova?
08:23Me diz.
08:24Por que você não passou direto?
08:26Eu não quero discutir.
08:27Me dá esse cheque.
08:28Eu não vou pagar nenhuma psicóloga.
08:31Você está cada vez pior.
08:32Se você não pagar a doutora Percy, eu vou roubar pra continuar o meu tratamento.
08:37Entendeu?
08:38Quer que eu te dê esse desgosto?
08:41Arnaldo, meu querido.
08:43Tô com uma bocada pra você.
08:46Cuidado, Arnaldo.
08:46Que bocada dessa aí que faz arrancar pedaços.
08:49Ô mãe, o Arnaldo é dentista.
08:50Sim.
08:51Dentista precisa de ouro.
08:52Sim.
08:53Não é não, Arnaldo?
08:53Precisa ou não precisa?
08:54Ouro.
08:55Claro.
08:56Claro, ouro.
08:56Pra botar lá nas obturação.
08:58E se não for na obturação, vai pelo menos ali com investimento.
09:01Não é não?
09:01Olha aqui, Arnaldo.
09:02Presta atenção.
09:03Tem uma quantidade de ouro, meu amigo, aqui pra te vender.
09:06Nossa, por um preço muito melhor do que tá aí no mercado.
09:09É mesmo?
09:09Ó.
09:10Dá uma olhada.
09:11Pera aí.
09:11O que que tem isso aqui?
09:12São obturações velhas.
09:14Um dente usado.
09:15Olha aí.
09:16Um relógio feminino, uma armação de óculos.
09:18Olha esse dentinho aqui.
09:20Tá até com feijão grudado ainda.
09:21Mas onde é que você arrumou essa porcaria toda, Isadora?
09:26Ah, não interessa.
09:27Interessa?
09:27Opa, se interessa.
09:28Isso aí tá com cara que foi tudo roubado.
09:30Pelo menos os donos não vão poder reclamar.
09:32Olha.
09:33Mas isso aí é o material que eu peguei lá no terreirão do Vai com Deus.
09:36Eu já ouvi falar.
09:37É uma área de desova pra lá da favela.
09:40Isso aí é tudo dente de presunto.
09:42Larga isso.
09:42Larga isso.
09:43Não toca mais nesse negócio.
09:45Tira isso da minha casa.
09:46Eu não quero isso aqui dentro.
09:46Ela pegou na desova da favela.
09:49Isso aí me fecha os caminhos todos.
09:51Pelo amor de Deus.
09:52Além de fechar os caminhos, isso aqui é muito perigoso.
09:54Pode dar cadeia.
09:55Tá?
09:56Toma.
09:56Oferece pro teu pai.
09:58Oferece pra ele.
09:59E vê se sai com isso daqui pra não me comprometer.
10:01Tá, Isadora?
10:02Escuta aqui.
10:03Tu joga fora as tuas oportunidades, viu?
10:05Aí depois não sabe porque tá atendendo aqui na sala de visita.
10:09Vai ficar difícil, né?
10:13Porque aí eu tenho que dar razão a ela.
10:15Tá coberta de razão.
10:16Meu Deus do céu, Arnaldo, entra e sai dessa sala.
10:18É uma coisa surreal.
10:19Entendeu?
10:20E depois que você ainda começou com esse plano popular do Dom Tojamba, meu Deus, essa
10:23sala vive cheia de favelado.
10:25Pela aí, Rita.
10:26Você, pelo amor de Deus, você é uma mulher sem compaixão, Rita.
10:30É.
10:30Essas pessoas são necessitadas.
10:32São pessoas que precisam.
10:33Sim, mas não sou eu que vou suprir as necessidades desse povo.
10:36Tá certo?
10:37Escuta aqui, eu tenho o direito.
10:38Eu não quero mais ver favelado na minha sala.
10:40E não quer falar mal de mim, você fala.
10:42Fala o quanto quiser.
10:43Agora eu vou avisando, o próximo favelado que entrar aqui dentro, eu vou botar pra fora
10:48a vassourada.
10:50Olha lá.
10:51Pega a vassouradona e vou começar com o Mário Jorge.
10:54Eu vou pra minha terapia.
10:55Que eu não vou pagar.
10:57Vai pagar sim, pai.
10:58Você vai pagar?
10:59Por quê?
11:00Você não quer ter um filho no crime.
11:01Entendeu?
11:02Não por isso.
11:03Eu tenho uma filha criminosa com aquele ali e já estão me adaptando.
11:06Toma, toma, toma, toma, toma, toma o cheque, garoto chato.
11:11Toma.
11:12Muito obrigado.
11:13Levo o teu tênis.
11:14Obrigado, meu.
11:17E vai, vai, vai.
11:19Quem tá me olhando?
11:20Por acaso estou olhando pra sua cara?
11:22Não estou.
11:23Estou olhando pra esse anel que você tem no dedo.
11:25Ah, a única coisa decente que você me deu.
11:29O que você quer?
11:30Eu quero o anel de volta.
11:31O quê?
11:32Esse anel lhe dei no momento de grande distúrbio emocional.
11:36Eu estava tão perturbado naquela época que acabei me casando com você.
11:40O resultado são esses dois filhos que nós tivemos.
11:43Qualquer juiz me dá ganho de causa.
11:44Me dá o anel pra cá.
11:45Tirar a mão daí.
11:46Eu ganhei esse anel.
11:47Meu Deus do céu, porque eu fiz jogo duro.
11:50Arnaldo, você não sabe.
11:51Esse homem me levava para o cinema.
11:52Ele me apalpava tanto que eu mal conseguia me concentrar.
11:55Ele mexia nos meus peitos como quem mudava uma estação de rádio.
11:58Entendeu?
11:59Olha aqui.
12:00Eu ganhei esse anel por merecimento, tá?
12:03E experimenta tirar do meu dedo.
12:04Vem, vem, experimenta.
12:06Não me obriga a usar força.
12:08A Celinha quer um anel e eu estou sem dinheiro.
12:10Vou dar esse aí.
12:11Me dá esse cara pra cá.
12:12Peraí, peraí.
12:12Peraí, peraí.
12:13Se você quer o anel da Rita, então pede pra Celinha devolver o que eu dei pra ela.
12:17E ela não usa.
12:18Tá, você pode ficar tranquila, meu bem.
12:20Tá, porque o meu é muito mais caro.
12:21Tem um valor muito menor.
12:23Valeu.
12:24Olha aí, Celinha.
12:25Celinha, o senhor Maris está aqui me assaltando.
12:27Ele quer arrancar esse anel que ele me deu no meu dedo pra repassar pra você.
12:31E já que é assim, você devolve o anel que eu te dei porque tem muito mais que lápis.
12:36Ah, aquilo é meu, meu filho.
12:38Eu estou guardando pra uma eventualidade.
12:40Sei.
12:41Você, Marjorie.
12:43Eu não quero mais anel nenhum.
12:44Mas eu quero.
12:46É meu e eu não quero mais dar pra ela.
12:48Me dá esse anel de volta, outro.
12:49Caralha, tu quer.
12:51Oi, Celinha.
12:51Você quer que eu te peguei?
12:52Você está me assaltando.
12:53Marga ela, Marjorie.
12:55O que é isso?
12:56Oi, oi, oi, oi, oi.
12:59Que conclusão é essa?
13:01Ai, aqui é o seu pai me assaltando.
13:04Que palhaçada?
13:05Que roupa é essa?
13:06Isso.
13:07Acabei de ser nomeado sargento da mídia.
13:12Milícia do Djambalaya.
13:14Mas espera aí, você já entrou como sargento?
13:16É, se eu tivesse cedido aos assédios sexuais da síndica, eu já seria coronel.
13:22Mas a minha função é saber se está tudo em ordem nos apartamentos.
13:27Meu Deus, a do que me faltava.
13:28Um filho que está ingressando nas fileiras daquela tirana.
13:31Olha aqui, eu não quero saber de ninguém espionando nada aqui dentro.
13:33Você está me ouvindo?
13:34Não posso fazer nada.
13:35O mercado de trabalho não me absorve.
13:37Eu tenho dois filhos.
13:38Eu tenho dois filhos.
13:39E, Tatalo, por falar nisso, como é que vão as crianças?
13:43Estão com problema de fala.
13:45E como estão sendo criados pela macaca, ainda não estão conseguindo articular palavra nenhuma.
13:51Mas no lado motor é impressionante.
13:54O arreli sobe numa árvore em dois tempos.
13:59E Mariri, já está lá em cima esperando.
14:02Jogando coquinho na cabeça do irmão.
14:04Ah, que gracinha.
14:06Amor, que gracinha.
14:07Bonitinho.
14:08Vocês estão ouvindo, né?
14:10Essa é a nossa descendência.
14:13Me dá esse anão pra cá.
14:18Doutor Arnaldo, posso entrar?
14:21Oh, da licença, dona Damiana.
14:24Claro, fica à vontade.
14:26Ué, mas eu tenho alguma hora marcada com a senhora?
14:28Ah, não, senhor.
14:29Eu só vim agradecer pelo que o senhor fez na minha boca e na boca das crianças.
14:33Eu fiquei tão feliz, tão feliz, tão feliz, porque agora eu estou mastigando direito.
14:40É que eu queria até lhe dar um presente.
14:42Ah, que isso.
14:43Eu fico feliz, sabe?
14:45Eu só cumpri com a minha função, né?
14:47Mesmo assim, como eu não posso lhe dar um presente, eu lhe trouxe um leitão.
14:54Um leitão?
14:55É, eu crio, eu crio aí mesmo na favela, sabe?
15:00Olha a minha porca.
15:02Teve 12 filhos.
15:03Eu vendi quatro, fiquei com oito e um eu vou dar aqui pro doutor.
15:09Só um instantinho, espera só um instantinho.
15:12Não precisava, dona Damiana.
15:14Que loucura isso.
15:16Pronto.
15:17Aqui.
15:18Olha aí.
15:20Olha aí.
15:20Eu quero que o senhor faça bom proveito.
15:22Poxa, muito obrigado.
15:24Muito obrigado mesmo.
15:26Eu estou muito feliz.
15:27O senhor aceite, viu?
15:28Aceite, porque senão eu vou ficar muito ofendida.
15:31Não, eu vou aceitar.
15:32Aceitar?
15:33Então, muito obrigada.
15:34Muito obrigado, dona Damiana.
15:36Passa bem.
15:37Deixa eu segurar aqui o porquinho.
15:38Tchau.
15:39Que gratinho.
15:40Olha aí.
15:41Tão bonitinho.
15:42Porco, era só isso que me faltava.
15:46Não, não faltava não.
15:47A gente já teve um porco aqui na temporada passada.
15:50Aqui já teve de tudo.
15:51Porco, peru, sapatão, travesti.
15:56Mário Jorge, vamos embora.
15:57Esquece essa história de anel.
15:59Pelo menos eu vou assistir a banda Calypso.
16:02Ih, falando nisso, minha querida.
16:04Se quiser, é só me contactar, porque eu tenho vários convites pra área VIP do Alvarão.
16:08Mas o que é isso?
16:10Mas o que é isso aqui?
16:12Mas o que é isso?
16:13Mas isso é um porco.
16:16Sargento Tatalo.
16:17Dona Álvaro.
16:18Munte a sargentária.
16:19É pra já.
16:20Mas por que multar o quê?
16:21Tá maluco?
16:22E multar nada?
16:23A senhora pensa que nós somos trouxas?
16:25Não penso.
16:26Ou vai parar de pensar?
16:28Porque aqui ninguém vai pagar mais taxa extra nenhuma pra a senhora erguer aquela monstruosidade
16:32no que sobrou do Matagal.
16:34Olha aqui, dona Rita, a cidade da Álvaro é uma realidade.
16:38Quer a senhora queira, quer não.
16:40E o Alvarão vai ser inaugurado, inaugurado de qualquer maneira.
16:44Quem foi que espirrou?
16:51Pai misericordioso, o porco tá gripado.
16:54Pai misericordioso, o porco tá gripado.
17:24Fala entre si, falsa calma, e aí o temporal.
17:29Um relevo baixo, retrato esculástico, do amor no país do carnaval.
17:36Toma lá da cá, e no rola rola, embola o que há aí aqui.
17:45Ah, né?
17:46Esse aqui tá errado, gente.
17:47Essa calculadora não tá boa, não.
17:49Arnaldo tá lá na área, enfiando um termômetro nos fundos do porco.
17:52Eita.
17:54Poucas vezes eu me senti tão humilhada na minha vida.
17:56Mas já vou avisando, hein?
17:58Assim que esse porco melhorar, aquele termômetro vai pro lixo.
18:01Vem cá, mãezinha.
18:03E aí, tá querendo alguns convitinhos pro show do Calypso?
18:06Ô, minha filhota, você podia descolar umas cortesias nessa área VIP aí pra sua mami?
18:11Ah.
18:11Se você devolver o anel do meu pai.
18:15O que é isso?
18:16Esse anel é meu, garoto.
18:17Que história é essa?
18:18É o seguinte, vou abrir o jogo contigo.
18:21Papai me deu quinhentinho pra eu roubar o teu anel.
18:24Sim.
18:25Mas como eu sou uma boa filha, não vou fazer isso, vou tentar adiantar teu lado.
18:29Tô de meu lado.
18:29Você tá maluco?
18:30O anel é meu.
18:31Sim, mas nós vamos fazer uma cópia.
18:33Aí, você pega essa cópia de latão e vidro que a gente vai fazer, entrega pra Celinha e eu te devolvo aí a original.
18:41Socorro?
18:41Sabe que não é uma má ideia, né?
18:43Que quando a Celinha descobrir que o Mário Jorge deu uma falsificação pra ela, teu pai vai ter o que merece.
18:49Ué, então.
18:49Olha, o Sansão, meu porquinho, ele só vai ter aula amanhã ou depois.
18:55Você precisa ver que gracinha, Rita.
18:58Não, é muito bonitinho.
18:59E quando ele me vê, ele fica em pé assim, sabe?
19:01Fica batendo as patinhas, faz um, um.
19:03E fica batendo as patinhas assim, que nem dois alicates, assim.
19:06Um, um, um, um.
19:09Ah, é muito bom.
19:11Eu me afei suei ao porquinho, não sei por quê.
19:13O Arnaldo, esse seu porquinho, nosso querido Sansão, ele sujou a área toda.
19:18A dona Marlene, do 1106, tá reclamando, porque ela tem a área dela colada com a nossa.
19:23Diz que o fedor já tá invadindo o apartamento dela.
19:26Ah, não.
19:26Peraí, a dona Marlene não pode falar nada, não.
19:28Porque ela também já invadiu o nosso apartamento, vocês não lembram?
19:31É.
19:31Daquela vez que o marido dela tava incestando, e aí ela foi lá e pulou da área dela pra nós?
19:35É, ela pulou, mas de desespero, tava com medo de apanhar, né?
19:38Meu Deus do céu, aquela mulher podia ter caído.
19:40Eu juro que quando eu vi ela caída na área, eu achei que era uma invasão terrorista.
19:44Mas depois, quando o marido pulou atrás, aí eu não vi mais nada.
19:47Porque quando ela perdeu o primeiro dente, eu perdi o sentido.
19:51E aí, mãezinha?
19:53Vai rolar o lance aí do anel, ou não?
19:56Toma.
19:57Toma.
19:58Toma que teu pai vai ter o que merece.
20:06Meu bem.
20:09Meu bem, eu tive uma ideia.
20:11A gente podia sair só nós dois.
20:13Olha, olha que ideia.
20:15Vamos comer uma pizza.
20:16Uma pizza bem romântica, hein, Celinha?
20:19E depois, só nós dois, quietinho, no chamego, vamos assistir ao show da banda Acalipso.
20:24Que tal?
20:25Melhor do que isso?
20:27Só dois dias.
20:29Mete na sua cabeça que eu não quero falar com você, Marujogio.
20:33Eu tô muito magoada, viu?
20:36Quando você me nega um anel de noivado, no fundo você tá negando a nossa relação.
20:40Mas, meu bem, você já tem o anel que o Arnaldo te deu.
20:44Coloca no dedo, diz que fui eu quem deu.
20:47Quem é que vai pedir recibo pra comprovar?
20:50Mas o meu coração, Marujogio, sabe que não foi você que deu.
20:53Pai, tá aqui.
20:56Conseguiu o anel, rapaz?
20:57Consegui.
20:58Eu sabia que você ia conseguir, mal caráter.
21:01Toma, toma.
21:02Esse anel é da Rita.
21:04Não, não, não.
21:05Esse anel é meu.
21:06Eu paguei por ele.
21:07Ele esteve no dedo da Rita durante os anos em que eu fui casado com ela.
21:10Agora é seu, que é você que eu amo.
21:15O que o Arnaldo deu é melhor.
21:16Sim, mas ele não tem como tirar o anel que ele te deu, porque você guardou no cofre.
21:22Fica com os dois, olha aqui.
21:23Já sei, já sei.
21:24Você pega o anel do Arnaldo e aí faz uma cópia, entrega pra ele e ele para de encher o saco.
21:29Ótima ideia.
21:30Vou tirar do cofre hoje mesmo.
21:33E vou ficar com esse também, vou ficar com os dois.
21:34Pronto.
21:35Pronto.
21:36A Marilena tá me xingando aí embaixo.
21:39Diz que o cheiro que tá vindo dessa ala tá incomodando os vizinhos.
21:42Ah, meu Deus, é o Sansão.
21:43O porquinho do Arnaldo.
21:45Ô, meu Deus, mas ele tá num apego com aquele bicho.
21:49Meu Deus, é uma coisa impressionante.
21:50Trata como se fosse cachorro.
21:52Vai vendo, hein?
21:53Lá em Pato Branco teve a história.
21:55Ah, não.
21:55Teve a história de flor nascente.
21:57Uma fazendeira que plantava milho tinha um cachorro muito fiel, de nome Poente.
22:02Depois que o Poente morreu, ela se apegou a um porquinho recém-nascido.
22:05Deu ele o nome de Adnei.
22:06Adnei era muito brincalhão, esperto.
22:09Uma vez pegou fogo lá no paiol de milho por causa de uma lanterna acesa que foi chutada por uma vaca louca daí.
22:14Aí, nossa, Adnei, fui correndo, fui correndo até o quarto de flor nascente.
22:19A bocanhou a camisola dela e disse...
22:22Au! Au!
22:24A flor acordou apavorada, porque ela sabia que porco não latia daí.
22:29Graças a isso, salvou a colheita e o paiol.
22:32Mas é impressionante. Ela não economiza.
22:35Ela acha que nós somos obrigados a ficar sentados aqui ouvindo esses bifes estapafúrdios.
22:40Mas é uma história e tanto.
22:41O melhor ainda está por vir.
22:44Flor apaixonou-se e casou-se com Magro Reluzente,
22:47um parapsicólogo famosíssimo do Sudoeste do Paraná.
22:51Assim que Magro viu Adnei, ele disse...
22:54Adnei é a reencarnação do cachorro poê...
22:59Ai, meu Deus, que impressionante.
23:03O mais impressionante foi o Adnei ter cruzado com a cadela balalaica.
23:08Da cruza deles, nasceu uma raça que só se vê na região de Pato Branco.
23:12A cruza de um porco com um cão.
23:14Um porcão?
23:15Não, um cachorco.
23:18Atualmente, há um bando de cachorcos selvagens dizimando as plantações locais.
23:23Ainda mordem os danados.
23:25Você está ficando completamente louca.
23:28Isso não existe!
23:39A dona Deise e a síndica saíram no tapa lá embaixo.
23:43Eu fui separar e olha o meu estado.
23:46Pô, Zena, me arranja um copinho de água com açúcar, pelo amor de Deus.
23:51Sim, mas que horror!
23:53O que aconteceu, mamãe?
23:55Uma porcaria seria literalmente uma porcaria.
24:02Olha, a Deise foi reclamar com a síndica igual eu vi.
24:08As duas estavam emboladas no chão.
24:13A minha primeira impressão é que era sexo.
24:19Mas depois eu vi que a coisa era briga mesmo.
24:22O porco do Arnaldo, o tal de Sansão, pegou a Xena, cachorra do sapatão.
24:36Porco safado.
24:37Deixou a Xena de barriga.
24:39Olha aí, tá vendo?
24:40Eu falei.
24:41Agora nós vamos ser assolados por uma praga de cachorcos.
24:45Vai ser um salto e vai ser quem puder.
24:47Chega pra cá, meu bem, que eu vou te ensinar a nova danca do estado do...
25:05Chega pra cá, meu bem, que eu vou te ensinar a nova danca do...
25:10Estava onde, filho?
25:14Estava tentando consolar meu pai.
25:16Ele ficou muito arrasado depois da morte do porco.
25:18Ah, meu Deus do céu.
25:20E descobriram quem que matou o porco?
25:22O mistério foi resolvido.
25:24Encontrei uma travessa de costeletas na cozinha de Dona Deise.
25:27A eficiência da mija.
25:29Mais uma vez comprovada.
25:30Então, mas por que a Dona Deise foi matar o porco do Arnaldo?
25:33Ué, ela quis lavar com sangue a honra de Xena.
25:36Eu tentei explicar que um porco jamais poderia ter cruzado com uma cadela,
25:39mas Dona Deise preferiu acreditar na bozena.
25:41Jamais poderia ter cruzado? Por quê?
25:44Porque espécies diferentes, parenta, não fazem esse tipo de coisa.
25:49Aí é que você se engana, parente.
25:51Eu, certa vez...
25:53Não quero ouvir!
25:54Se você continuar, eu vou ser obrigado a lembrá-la de que você é minha avó!
25:58Não!
25:59Minha avó!
26:00Parenta!
26:01Minha avó!
26:02Parenta!
26:02Tata Alô, você quer ouvir a minha história?
26:08Não, Copela, eu ainda não vivi o bastante.
26:12Olha, eu ainda tenho que descer para ver os últimos preparativos para o show mais tarde.
26:16Ai, Tata Alô, quero dar um beijo na Joelma.
26:19Ah, pode deixar. Só não esquece de usar a pulseirinha VIP.
26:21Tá bom.
26:22Opa, tudo bem?
26:24Uma barbaridade, Celinha.
26:26O quê?
26:27Mataram o meu porco.
26:30Mas eu sei quem foi.
26:31Foi a Dona Deise.
26:32Nós não podemos afirmar, Arnaldo, costeletas de porco é uma coisa que se compra no supermercado.
26:38Não é assim, não.
26:38Costeletas de porco se compra no supermercado, mas Dona Deise tinha uma travessa imensa.
26:43Ela é sozinha, todo mundo tem medo de entrar na casa dela.
26:46Ah, mas eu quero levar essa história até o fim, sabe?
26:49O porco era meu, era um porco, mas era meu.
26:52Ninguém tinha que matar esse porco.
26:54Ó, daqui a pouco isso aqui vira uma terra de ninguém.
26:56O que que é?
26:56Ah, meu Deus do céu.
26:57Esquece esse porco, homem.
26:59Pelo amor de Deus, nós com tanto problema e você aí pensando no destino de um bicho que podia ter nos passado uma gripe mortal.
27:05Mas que coisa chata.
27:08Quero isso.
27:08Chato é meu pé.
27:10Arnaldo é insuportável.
27:11Mas eu tenho direito, gente, de receber uma explicação.
27:14A Dona Deise tinha motivos pra matar o Sansão.
27:16Que motivos, Arnaldo?
27:18Segundo ela mesma, o pobre do Sansão cruzou com a cachorra dela, a Xena.
27:24Meu Deus, mas isso é loucura da bozena. Onde já se viu um porco cruzar com uma cachorra?
27:29Olha, eu acho que aí você está enganada.
27:33Uma vez em Cancun, eu estava tomando um banho de mar, a luz da lua.
27:38Certamente nua.
27:40É claro.
27:41Eu só entro no mar nua, como se estivesse me entregando a uma amante.
27:45Pois, muito bem, eu estava lá, assim, boiando, gostosa.
27:49Quando, de repente, eu senti umas mãos que tocavam todo o meu corpo.
27:54Eu até pensei que eram os mexicanos amigos meus.
27:57Pablo, Pablito, Rua, Gutiérrez, Chávez.
28:01Eram povo nem. Você acredita?
28:05Eu acredito. E acho que você teve muita sorte.
28:08Você podia ter saído desse banho de mar grávida de uma copelinha com oito braços.
28:12Celinha.
28:15O quê?
28:15Eu quero te falar uma coisa.
28:17Eu fiz uma coisa que eu não gostei de ter feito.
28:19Eu não estou me sentindo bem com isso.
28:20Não quero levar adiante essa farsa, entendeu?
28:23O anel que Mário Jorge me tomou para dar a você era uma cópia que Isadora fez.
28:29Então, eu também vou devolver o seu.
28:31Não me sinto bem com ele.
28:32Por favor, amiga.
28:33Feliz aniversário.
28:34Fica com o seu anel.
28:35Pronto.
28:35Amiga, tudo bem.
28:40Esse é falso também.
28:42O verdadeiro está lá guardado dentro do cofre.
28:46A Isadora fez uma cópia do meu também.
28:48Meu Deus do céu.
28:49Mas agora eu estou me dando conta de que essa garota pode ter feito uma cópia de cada anel.
28:53Espera aí.
28:54Será?
28:55Claro.
28:56É, ela fez sim.
28:57Segura essa aqui.
28:57Deixa eu ver.
28:58Vai lá, vai lá, meu bem.
28:59Vai lá.
29:00É claro que ela fez isso.
29:01É.
29:02Isadora não se emenda.
29:03Olha, Arnaldo, para você ter uma ideia, eu me lembro, eu estava na maternidade, quando
29:07essa garota nasceu, tia Eda chegou para mim.
29:08Pelo amor, quem tem eu no mitório de tia Eda, ô, Mário Jorge?
29:11Isadora não vale nada.
29:12Aquela garota não se emenda.
29:14Olha aí, se for verdadeiro, ele corta vidro.
29:17Eu vou pegar um cofre.
29:17Não, não, eu preciso.
29:18Gente, imagina.
29:20Eu conheço um brilhante verdadeiro.
29:23É vidro.
29:25Isadora passou vocês para trás.
29:29Eu estou mal caráter.
29:30Olha, Rita, eu devia te processar.
29:33Você tinha a obrigação de ter me avisado que o teu DNA ia dar nisso.
29:38Meu DNA é uma vírgula.
29:39A garota é você de peruca.
29:42Ai, meu Deus do céu.
29:43Ai, meu Deus do céu.
29:44Eu preciso de ajuda.
29:45A senhora vai fazer o favor de dar meia volta, porque ninguém pronunciou seu nome.
29:49Eu sei, mas aconteceu uma tragédia.
29:52Ai, meu Deus do céu.
29:54Interditaram a cidade da Álvaro.
29:56Ai, o show.
29:57Eu não sei o que fazer.
29:58O povo está lá, possesso, gritando com os ingressos na mão.
30:02E a banda Calypso?
30:04Joelma e Timbinha estão aqui no playground.
30:07No playground?
30:07É, eu tenho que passar uma escova no caminho.
30:10Ai, meu Deus do céu.
30:12Ai, meu Deus do céu.
30:13Ai, meu Deus do céu.
30:14Ai, meu Deus do céu.
30:21Alguém pode me dizer onde é que fica meu camarim, por favor?
30:24Responde, responde a Joelma, dona Álvaro.
30:27Eu tenho péssimas notícias, Joelma.
30:29Chibinha.
30:30Ah, eu acho que você não vai gostar de ouvir essas notícias.
30:34Dá uma chegadinha aqui, por favor.
30:36Chegadinha?
30:37Aonde?
30:38Aqui dentro, Joelma.
30:39Eu tenho uma coisa pra te mostrar, Chimbinha.
30:42Você quer mostrar o quê pro meu marido?
30:45Prefiro não comentar.
30:46É melhor, melhor a senhora falar de uma vez pra eles, dona Álvaro.
30:52Timbinha.
30:54Timbinha.
30:55Ai, Timbinha.
30:56Que jeito de mim.
30:57Eu não tenho o que fazer.
30:58Eu não tenho o que fazer.
30:59Eu não posso me conversar, por favor, Timbinha.
31:01Bom, então nesse caso é melhor eu dizer.
31:04Caríssimos, Timbinha, Joelma, vocês entraram, caíram no conto do vigário.
31:09Não vai haver show nenhum.
31:11Mas o cachê já foi pago.
31:12Então viu, Timbinha.
31:13Mas então caímos nós no conto do vigário.
31:15Porque essa dona Álvaro aí construiu o Alvarão com o nosso dinheiro.
31:20E agora vocês não podem se apresentar.
31:22Porque a prefeitura tá dando choque de ordem lá.
31:24Ai, que vergonha, meu Deus.
31:25Deixa eu explicar, deixa eu explicar.
31:28Deixa eu explicar, eu sei o que que é.
31:29Só que o problema é que aqui nesse condomínio, dona Joelma,
31:34um porco engravidou a pitbull de um sapatão.
31:37Você não, pelo amor de Deus, Rosana.
31:39Pelo amor de Deus, por quê?
31:41Porque eu sou empregada e não posso falar com a Joelma?
31:43O que que é isso?
31:44Eu sou um povo, ok?
31:45A banda Calypso é um povo, né?
31:48Peraí.
31:49Ô, Joelma, e aí, minha querida?
31:51Tava te procurando.
31:52Ficou interessada na minha mercadoria?
31:54O que mercadoria?
31:55O que?
31:56O anel?
31:57Celinha?
31:58Celinha, essa menina tá vendendo os nossos anéis.
32:01Ela mandou fazer uma centena de cópias.
32:03Uma centena?
32:04Vendeu pro bloco H inteiro.
32:06Passou a manhã no parque aquático gritando,
32:09pregoando a mercadoria.
32:10Conta na parcela!
32:12Mas já tô com os originais aqui, tá?
32:15Bem, pode ficar com isso aqui, que é tudo porcaria.
32:17Olha a vergonha, garota mal caráter.
32:19Vocês me desculpem, viu?
32:20Joelma, Chimbinha é minha filha.
32:22Inclusive, Chimbinha, você pode levar essa garota pra fazer show.
32:25Vai lançar o Calypso do Olho Junho.
32:27Sim, olha só.
32:28Tem que ser joelho.
32:32Cheque, cheque.
32:32Tá bom, tá bom.
32:33Eu sei fazer.
32:34Eu dei que eu saí.
32:35Filho, filho, ai meu Deus, não tô nem acreditando.
32:38Pega uma máquina lá pra tirar uma foto minha com a Joelma.
32:40É, Chimbinha, será que você se incomodaria de dar um pulinho até aqui do lado,
32:44sentar na minha cadeira de dentista?
32:46Seria assim uma propaganda muito boa pra mim.
32:48Ia me ajudar muito, se você não se incomodar.
32:50Eu não vou pegar máquina nenhuma.
32:52Vocês estão constrangendo essas pessoas.
32:54Minha filha, eu acho que nós queremos numa roubada.
32:57Vamos embora.
32:58Pelo amor de Deus, Chimbinha.
33:00Pelo amor de Deus, escutem o meu apelo.
33:03Olha, eu, hoje é aniversário da minha mulher, e eu me enrolei, meti os pés pelas mãos,
33:08acabei não dando o presente que ela queria, que era um anel, porque eu tô meio desprevenido.
33:13Portanto, eu queria pedir que vocês cantassem uma canção.
33:17Uma canção pra eu poder, eu poder ofertar de presente pra ela.
33:21pra provar o quanto eu amo essa mulher.
33:24Eu vou até me ajoelhar, porque por amor a gente se ajoelha e não passa vergonha.
33:31Por amor a gente faz, vamos fazer isso?
33:33Vamos, vamos fazer.
33:34Por amor a gente faz isso.
33:35Vem cá, eu também vou me ajoelhar, sentando na cadeirinha pra tirar uma fotinha.
33:39Não rola não, Chimbinha?
33:41Prefiro não comentar.
33:42Se a vontade deseja, meu praça me tem de amor,
33:48Que o meu coração chonou, chonou, chonou.
33:51Que ama me toca, que não tem mais volta, amor.
33:56Porque meu coração chonou, chonou.
33:59Quando você chega junto, pego fogo de paixão.
34:17Me sinto dominado, uma criança pobre em suas mãos.
34:22Tento resistir, mas tem um imã que me prende.
34:24Que eu me prende.
34:26Que eu me prende.
34:27Não dá pra segurar a força desse amor.
34:32Que leva entre os braços, quero o teu calor.
34:36Confesso, não dá mais pra esconder.
34:39Que estou apaixonada por você.
34:43Que a boca deseja, que abraça e me tem de amor.
34:48Que o meu coração chonou, chonou.
34:52Que ama me toca, que não tem mais volta, amor.
34:56Porque meu coração chonou, chonou.
35:00Que a boca deseja, que abraça e me tem de amor.
35:06Que o meu coração chonou, chonou.
35:10Que ama me toca, que não tem mais volta, amor.
35:14Que a boca deseja, que abraça e me tem de amor.
35:18Que o meu coração chonou, chonou.
35:22Que ama me toca, que não tem mais volta, amor.
35:26Porque meu coração chonou, chonou.
35:30Que a boca deseja, que abraça e me tem de amor.
35:34Que o meu coração chonou, chonou.
35:38Que ama me toca, que não tem mais volta, amor.
35:42Porque meu coração chonou, chonou.
35:46Quando você se aproximou e me parou na rua.
36:08Meu coração quase deu piripaque.
36:10Eu viajei na maionese, eu parei na sua.
36:14Quando me disse se é sua metade.
36:16Será que foi de pera?
36:18Ou foi de brincadeira?
36:20Linha na fogueira pra me incendiar.
36:22Será que vai rolar?
36:24Será que foi zoeira?
36:26Tô nem aí, já tô na chuva, quero me molhar.
36:32Imaginando o teu corpo colado no meu.
36:38Vivo perdida no mundo da lua.
36:42Como vou me controlar, se esse amor que está em mim.
36:48Já te esparou há mais de seis, estou a fim.
36:52Acelerou, acelerou, acelerou, acelerou meu coração.
36:56Eu quero te amar.
36:58Eu quero te amar.
37:00Eu quero te amar