- há 7 meses
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DiversãoTranscrição
00:00Ô Rita, não tô entendendo, Rita. Não estou entendendo por que esse estresse todo.
00:05Só porque eu não te avisei que a minha mãe veio almoçar hoje.
00:07Mas a visita da sua mãe tem que ser avisada com no mínimo de dois meses de antecedência.
00:11Arnaldo, pra gente preparar o espírito e fechar o corpo.
00:14Ô Rita, hoje é dia das mães. Entendeu? Ela tem direito, poxa.
00:17Não, sua mãe não tem direito a nada. Devia estar presa, encarcerada, sem direito à visita.
00:21Não, Rita, você exagera, tá? Exagera muito.
00:25A mamãe tem gênio, eu sei, mas ela é uma pessoa muito legal, tá?
00:30Ah, é? É muito legal, é muito boa.
00:32Uma pessoa que teve no ano 36 empregadas, Arnaldo, e teve que ir oito vezes ao Instituto Médico Legal fazer exame de corpo dele.
00:41Hitor, você acha o quê? Que as empregadas dela espancaram ela pra troca de quê? Da bondade dela?
00:47Poxa, Rita, eu falei pra ela vir, entendeu?
00:51Porque nós íamos almoçar fora, não vai te dar trabalho nenhum, poxa.
00:54Eu mereço, meu Deus do céu, eu mereço.
00:56Arnaldo, olha uma coisa, meu bem, bota uma coisa na sua cabeça, contatá-lo indo visitar a Gélda lá no circo do interior,
01:04Isadora metida no porco fumado, tudo o que eu queria.
01:08O quê?
01:08Era um dia das mães sem apurrinhação.
01:11Entendeu?
01:11Não basta assim, a gente não dá sumiço do Mário Jorge, o Celinha ficar ligando aqui de dois em dois minutos,
01:16saber se a gente tem notícia.
01:17É, isso realmente, até eu tô ficando preocupado, viu?
01:21Agora me diz, eu mereço?
01:24Voltei, mãe!
01:26Eu mereço, eu já entendi, mereço.
01:30Poxa, mãe, achei que você ia ficar feliz me ver.
01:32Achei que você não merecia passar essa data sem pelo menos um filho ao lado.
01:35Hoje é seu dia, né?
01:36É, então, isso me falou bem, Tatálio, é o meu dia.
01:40Então, enquanto todos os outros são seus, da Isadora, do Arnaldo.
01:44E aí, tem presente, hein? Cadê?
01:47Umas flores, um cartão?
01:49Eu trouxe uma conserva, que a Golda, irmã da Gelda, tá vendendo pra levantar mais um troco.
01:56O quê?
01:57Peraí, a irmã da Gelda se chama Golda?
02:01É, é porque Gelda era pra ser Gilda, só que o escrivão tava de porre e tascou a Gelda.
02:07Aí, quando a irmã nasceu, o pai disse, dessa vez vai ser Gilda.
02:11Só que o cara tava bêbado outra vez e botou um ó ao invés de ir, ficou Golda.
02:15Ah, eu sei.
02:16Tá aqui, ó.
02:17Feliz Dia das Mães.
02:19Interessante, né?
02:20Tá bom.
02:21Arnaldão, querido, liga, cancela o almoço com sua mãe.
02:23Não, mas...
02:23Mãe, eu vim, em parte, por você, em parte, por causa do almoço do Dia das Mães.
02:28Eu tô varado de fome.
02:29Ah, então, Tatálio.
02:31Pô, vem almoçar com a gente.
02:33Olha, a mamãe já tá chegando.
02:34Dona Cidalva?
02:36Acho que eu vou declinar do convite.
02:38Então se vira, viu, filhão?
02:40Porque eu não fiz nada, não tem nada.
02:41Você pega uma pizza.
02:42Pizza?
02:43Pizza eu não quero.
02:44A Gilda tá aprendendo a cozinha natural e é isso que eu quero ensinar pro meu filho.
02:48Amor pela natureza e pela mãe terra.
02:51Ih, a história é essa de amor pela natureza da mãe terra?
02:55Que negócio é esse, menino?
02:56Se foi criado em playground, sabe de nada.
03:00Primeira vez que conheceu minhoca foi pela internet.
03:03Ah, Natálio, seu pai sumiu.
03:07Sumiu?
03:07Sumiu como?
03:09Desde ontem, com a coapélia.
03:11Então ele não sumiu, né?
03:13Ele se achou.
03:17Interfone, Arnaldo.
03:18Alô.
03:19Oi, fala, Sabará.
03:21O quê?
03:22Mas como é que foi acontecer isso?
03:25Não, Sabará, fala pra ela subir, pelo amor de Deus.
03:27O que foi, Arnaldo?
03:30Ô, Rita.
03:33Rita, a mamãe chegou.
03:36Parece que ela foi assaltada aí na porta.
03:39Meu Deus.
03:49Mãe, mãe, mãe, relaxa.
03:51Aconteceu alguma coisa, Adonis.
03:52Meu coração tá dizendo.
03:54Mãe, mãe, fica calma, mãe.
03:55Notícia ruim, tem perna curta.
03:56Se tivesse acontecido alguma desgraça, a gente ficava sabendo logo.
04:00Mas o Mário Jorge saiu de casa ontem, depois do almoço, pra buscar minha mãe.
04:04Meu Deus do céu, o juiz de fora.
04:07Até agora ele não deu notícia.
04:08Ele sabe que eu fico preocupada.
04:10Lá em Pato Branco teve uma mulher que se especializou em divulgar essa tragédia.
04:13Ficou conhecida por Nanete Boca de Caixão.
04:15Quando Nanete batia na porta de alguém, a gente já sabia.
04:18Tinha acontecido alguma tragédia.
04:20E a troco de quê você lembrou dessa mulher, Bozina?
04:22Que hora mais imprópria.
04:23É que eu acho que eu via Nanete hoje aqui no Jambalaia.
04:26Calma, calma, calma, calma, calma, calma.
04:28Respira, respira, respira, respira, respira.
04:30Olha aí, Adonis, olha aí.
04:31Mais um sinal.
04:32Ai, meu Deus do céu, eu não acredito que eu vou passar por uma tragédia no Dia das Mães.
04:36Calma, Dona Celinha.
04:37A tragédia maior vai ser quando Adonis e a princesa resolverem dar cria.
04:40Aí sim a senhora pode começar a se preocupar.
04:42Celinha, Celinha.
04:44Trouxe a Deise pra ajudar na investigação, porque ela já foi cana.
04:46Nesta e em todas as outras encarnações.
04:50Mas agora eu tenho que fazer umas perguntas.
04:52A que horas o Mário Jorge desapareceu?
04:56Ontem, depois do almoço.
04:58Comeu, feitou um boi e depois pegou a estrada.
05:01Vai ver que cochilou e caiu um barranco.
05:04Calma, calma, calma.
05:05Cala a boca.
05:07Cala a boca, Brancorna.
05:08Não vê que a Celinha tá nervosa?
05:10Olha, Celinha, fica calma que eu já botei os meus homens do porco fumado atrás do meu pai da Copélia.
05:15Daqui a pouco eles estão me dando notícia.
05:16Celinha.
05:17Me diz uma coisa, você sabe se o Mário Jorge por um acaso tem alguma ligação com facções criminosas?
05:25Que eu saiba, não. Nunca.
05:27E sua mãe?
05:28A mamãe eu já não sei responder, né?
05:31Mamãe não bate bem da cabeça.
05:36Alô?
05:38Pepe, onde é que tu tá, mulher?
05:41Cadê meu pai?
05:43Hã?
05:44Que?
05:45Me veja aqui.
05:45Mamãe, cadê o Mário Jorge?
05:48Cadê meu marido?
05:50Eu quero meu marido!
05:53Onde, mamãe?
05:56Onde vocês estão?
05:58Na polícia?
06:00Cadê o Mário Jorge?
06:01Tá sendo interrogado?
06:03Calma, calma, calma, calma.
06:05Me dá, me dá.
06:07Pepe, me escuta, sou eu, Isa.
06:10Me fala o que tá acontecendo, onde é que vocês estão?
06:12Pergunta, em qual delegacia?
06:15É, vocês, vocês estão em que delegacia?
06:21Ah, meu Deus, como é que vocês foram para aí?
06:23Estão numa delegacia na subida da serra.
06:25O Ibirissu manda lá.
06:27Deixa que eu vou ligar pra ele.
06:28Oh, minha loura, vem cá.
06:33Não chora, minha loura.
06:36Eu vou trazer o gorducho de volta.
06:40Olha aqui, dona Deise.
06:42Primeiro que eu não sou só loura.
06:44E segundo que meu marido não é gorducho.
06:46Meu marido é forte.
06:48Fete forte.
06:51Então, essa dona fala, o que foi que aconteceu?
06:55Olha, a situação é cabeluda.
06:58O que foi, meu Deus?
06:59É, olha só, o que aconteceu é que parece que a Copélia, meu pai e uma terceira pessoa
07:09foram parar nesse motel de beira de estrada.
07:12Que terceira pessoa?
07:16Papai do céu?
07:18Seu ladinho.
07:19Não, não, peraí, peraí, peraí.
07:20A gira tá ficando pesada.
07:22Peraí, parenta e seu ladinho no motel com o Mário Jorge.
07:26É, e parece que meu pai se estressou e deu uns tapas numa traveca que tava lá.
07:33O quê?
07:34Isso mesmo, Celinho.
07:35Isso mesmo, é melhor eu dizer tudo logo.
07:37Meu pai foi preso com a Copélia, seu ladinho e, se eu entendi bem, ainda tinha um travesti.
07:44Agora a coisa fedeu.
07:46Seu Mário Jorge nunca me enganou.
07:52Esquecer, mamãe.
07:53Vamos esquecer, por favor.
07:55Não.
07:55Esquece isso.
07:58Esquece, olha aqui, olha aqui, olha aqui, toma.
08:00Esquece isso, bebe água, bebe, cuidado.
08:03Esquece isso, mamãe.
08:04Por que nós vamos estragar esse dia?
08:06Um dia tão bonito, um dia que é seu.
08:09Ah, falando isso, olha aqui, ó.
08:12Feliz dia das mães.
08:13Só se for o próximo, porque esse já tá desgraçado.
08:17Mamãe, um colar que pertenceu à sua avó, meu filho.
08:21Burra fui eu de ter vindo pra esse lugar aqui que é tão perigoso com aquele colar.
08:25Porque vocês moram num lugar muito baixo.
08:28Começou, Cidalva?
08:29Tá aberta a temporada de ofensas?
08:31Ah, assim, como é que ela chama mesmo?
08:34Rita.
08:34Mãe.
08:34Rita, olha aqui, Rita.
08:35Você lembra daquela colônia que você me deu no dia das mães no ano passado?
08:40Eu não te dei nenhum presente de dia das mães se dava porque você não é minha mãe.
08:43Ô, mamãe, quem deu a colônia pra senhora fui eu, hein?
08:48Você gostou?
08:49Fiquei toda empipocada.
08:51Mas o que é isso?
08:52O que é isso?
08:53É outra colônia.
08:55Você peca pela originalidade.
08:57Tatalo, Tatalo, acho bom você tentar se amarra em algum lugar porque vem aí uma tsunami, entendeu?
09:04De grosseria e maus modos.
09:06Se vocês me dão licença, eu vou lá na Celinha porque lá sempre tem comida.
09:10Celinha, sim.
09:12Aquela é uma moça prendada.
09:14É uma moça maravilhosa.
09:15Eu fiquei mais triste do que o Arnaldo no dia que ele separou dela.
09:19Eu acho que eu só fiquei tão triste assim no dia que você casou com essa.
09:23Mamãe, puta!
09:24Tua mãe.
09:25Mãe, calma, calma.
09:27Esse foi um jab de direita.
09:29Mas respira fundo, segura pra não cair.
09:31Tenta acertar o kiss dela, o kiss dela.
09:34Meu filho, eu botei o pé pra fora do táxi e o meliante arrancou o colar do meu pescoço.
09:41Esqueça.
09:41Meu Deus do céu.
09:42Onde mais você pode ser assaltado assim?
09:45Em qualquer lugar, dona Cidalva.
09:47Em qualquer lugar de uma grande cidade.
09:49Onde é que a senhora pensa que mora?
09:50Hein?
09:50Isso aqui é uma selva.
09:51A bicharada acorda e não sabe se foi dormir.
09:53Boa!
09:54Mãe, mãe, é.
09:56Bafon, você não sabe.
09:57Coisa tá feia.
09:58Lá na casa da Celinha parece que meu pai foi preso com acopélia, seu ladinho, num hotel
10:03de beira de estrada e ainda tinha um travesti no meio.
10:05Ô, Isadora, olha a mamãe aqui.
10:08Mamãe, Isadora.
10:10Um travesti?
10:11Mas isso é pior do que eu pensava.
10:14Tu ainda não viu nada, coroa.
10:17Doutor Arnaldo, eu preciso de ajuda, pelo amor de Deus.
10:23Copélia arrastou o Ladir para um motel de beira de estrada.
10:27Estão todos presos.
10:29Ladir não vai resistir.
10:30Arnaldo não vai resistir.
10:31Calma, dona Álvaro.
10:32Para de escândalo.
10:33A Deise já foi lá tirar eles da cana.
10:35Para com isso.
10:36Gente, pelo amor de Deus, dona Álvaro.
10:39Gente, a minha mãe nunca vem aqui.
10:41Será que a gente não pode ter um dia das mães tranquilo?
10:43Dona Álvaro, eu não estou preocupado, entendeu?
10:47Com a patifaria que Copélia e seu Ladir aprontam por aí, não.
10:51Tá entendendo?
10:52Eu sou um homem de bem, tá?
10:53Se a senhora não se incomoda de ser casada com um homem que atende pela alcunha de Dila Thomas,
10:59o problema é seu, tá?
11:01Agora me deixa.
11:02Vou me deixar quieto.
11:03Eu não vou deixar quieto.
11:04Deixa ele quieto.
11:07Eu só espero que esse problema não atrase meu almoço.
11:11Porque eu não tenho outros planos.
11:13Dona Cidalve, é uma situação delicada.
11:15Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer.
11:17Não me interessa o que aconteceu.
11:19Eu tenho meus problemas e eles me bastam.
11:21Mamãe.
11:22Me larga.
11:22Me larga.
11:23Me larga.
11:25Aqui, ó.
11:26Eles estão chegando.
11:26Estão chegando.
11:27Meu amor, meu amor, meu amor de Deus.
11:30Meu amor, meu amor.
11:32Onde está lá, filho?
11:33Onde está lá, filho?
11:35Mário Jorge, que ódio que eu estou de você.
11:41O que foi que aconteceu?
11:43Nem te conto, Celinha.
11:44Nem te conto.
11:46Nunca mais eu pego tua mãe onde quer que seja.
11:49Eu vivi um pesadelo, Celinha.
11:51Que história é essa de travesti, Mário Jorge?
11:54Celinha, escuta aqui.
11:56Não é nada do que você está pensando.
11:58Com você eu converso outra hora, mamãe.
12:00Eu estou esperando uma resposta, Mário Jorge.
12:04Onde está a ladir?
12:05Onde está o meu marido?
12:07Ficou detido.
12:08Foi ele que começou a confusão.
12:10E uma amiga dele, uma tal de Janine.
12:15Mário Jorge, você ainda não me respondeu.
12:18Que travesti era esse?
12:20Olha, eu preciso saber.
12:23Eu quero saber.
12:24Por favor, não me polpem.
12:25Que travesti era esse?
12:32Eu vou lhe responder.
12:33Quer saber quem era o travesti?
12:35Era seu ladir.
12:37Tu entra cá já e sai cá, que casamento hoje é isso aí.
12:47Toma lá da cá e no rola rola, embola o que há aí, aqui.
12:53Entre Copacabana e o sonho de Bacarói.
13:02Vivendo e dançando, dois pra lá e dois pra cá.
13:09Porta a porta o amor fala entre si.
13:13Falsa calma e aí o temporal.
13:17Um relevo baixo, retrato escolar.
13:20Do amor no país do carnaval.
13:25Tu entra cá já e sai cá que casamento hoje é isso aí.
13:32Álvaro, Álvaro, fica calma.
13:35Eu já falei com os homens.
13:37Ladir sai em 24 horas.
13:39Azul, cara, azul.
13:41Ai, coitado de Ladir.
13:43Ele foi preso vestido de mulher.
13:46Foi.
13:47O delegado não quis aliviar.
13:49Disse que ele podia vir com a gente.
13:51Mas ele preferiu esperar o vestido.
13:54Que vestido era esse, mamãe?
13:55Celinha, o seu Ladir tava montado, tava vestido de mulher.
13:59Quando eu cheguei em Juiz de Fora, ele já tinha se transformado em Dirlatomas.
14:03E não queria tirar a roupa de maneira alguma.
14:06Aí veio.
14:07E era essa também, bêbada, feito um gambá, torta no carro.
14:11Com o seu Ladir dando alteração de pestana, postiça e tudo.
14:15Mas por que não obrigaram Ladir a vestir suas roupas masculinas, Mário Jorginho?
14:20Culpa sua.
14:21Culpa sua, dona Álvaro.
14:23Ele disse que a senhora não deixa ele usar vestido lá no seu apartamento.
14:27Aí quando ele pode, ele quer aproveitar, ué.
14:30Essa história é verdade, mamãe?
14:32Não sei, não sei, porque eu estava desacordada.
14:36Só acordei no motel.
14:38Celinha, eu parei no motel porque eles estavam dando tanta alteração dentro do carro, bêbados,
14:44que eu tava vendo a hora de acontecer um acidente na estrada.
14:46Eu falei, vou parar no motel pra tomar um banho frio, esfiar a cabeça de todo mundo.
14:50Só que aí, quando eu tava me registrando naquela coisa,
14:53seu Ladir pegou e ligou pra uma amiga dele que morava na área, uma tal de Janine.
14:58É, Janine. Janine que na verdade se chama Robson, né?
15:03Ô, Celinha, eu se fosse você não me surpreenderia.
15:06A gente já viu coisas piores.
15:07Eu chego a ter saudades de épocas que eu não vivi.
15:11Eu queria viver numa época com mais valores morais.
15:14Alto lá. Alto lá, parente.
15:17Janine tem altos valores morais.
15:20Ela gosta de se vestir de mulher. Qual é o problema?
15:22E põe valor moral nisso.
15:24Eu fui tomar um banho, tava tomando um banho,
15:27A tal de Janine entrou e sem a menor cerimônia tirou um documento pra fora e começou a urinar.
15:33Pai, essa cena eu queria ter visto.
15:36Não, não, não queria ter visto não, te garanto.
15:39Foi assustador.
15:40E segundo o delegado, o Mário Jorge agrediu o travesti.
15:44Não agredi não.
15:45Não agredi não.
15:46Pedi educadamente que ela saísse do banheiro.
15:49Aí seu Ladir começou a gritar, começou a dar escândalo,
15:51dizendo que aquilo era preconceito, que travesti também tinha direito de urinar em pé.
15:55E aí eu me enrolei numa toalha e saí pra tentar fazer o seu Ladir calar a boca antes da confusão piorar.
16:01Foi nessa hora que eu acordei.
16:04Acordei com os gritos do seu Ladir e dou de cara com o Mário Jorge nu,
16:08agarrando, se atracando com o seu Ladir e se desviando das boçadas da tal Janine.
16:13Eu até comecei a me animar um pouco, né?
16:18O problema é que o gerente do hotel ouviu os gritos e já tinha chamado a polícia.
16:23Aí quando a bicha viu que o motel tava cercado pela polícia,
16:27falou que ou eu dava 50 mil, ou ela ia dizer que tinha ido lá fazer um programa comigo.
16:31Que horror, Mário Jorge.
16:34E o que que cê fez, meu amor?
16:3550 mil, Celinha.
16:39Eu ri na cara da bicha, né?
16:41Eu falei que se ela arrumasse 50 mil, eu dava até 30 pra ela cortar o Bilal.
16:46É mais caro do que isso.
16:48Como é que cê sabe disso, Adonis?
16:51Foi um cara lá do colégio que pediu pra eu pesquisar na internet.
16:54Ele se chama Carlos, mas já resolveu que assim que fizer 18 anos vai virar Cátia.
16:58Todo mundo tá andando bem depressa, mãe.
17:02Acredite.
17:03Celinha, sabe qual é o meu medo, Celinha?
17:05Meu medo é que isso tenha vazado pra imprensa.
17:08Meu medo é que essa história saia nos jornais.
17:10Tá pensando o quê?
17:12Que alguém vai lhe dar algum espaço na imprensa?
17:16A troca o de quê?
17:17Qual o seu feito?
17:18Sua importância?
17:19Ela tá me ofendendo, Celinha.
17:21Quem é isso, Bozana?
17:22Quem tá ofendendo é ele.
17:24Foi ele quem ofendeu a família?
17:26Sendo preso num motel com um travesti.
17:29Lá em Pato Branco, teve um fazendeiro de nome Bento Caixota,
17:33que uma vez foi preso num motel com um travesti.
17:36Pois foi condenado a usar peruca durante 15 anos.
17:40O homem tocava o rebanho com uma cabeleira ruiva daí, sabe?
17:44Termina, Bozana.
17:46Já terminou daí?
17:48Bento Caixota continuou macho de peruca e até se afeiçoou o cabelo longo,
17:53sedoso assim, porque a peruca era feita de cabelo natural.
17:56Depois de um certo tempo, não sei sabe porquê,
17:58Bento Caixota que passou a ser chamado de Bento Cabelo,
18:02é assim que até hoje o povo de Pato Branco conhece o homem daí.
18:08Terminou?
18:09É, basicamente.
18:11Sei nem o que dizer.
18:14Eu acho que o tempo andou depressa demais e esqueceram de me avisar.
18:18Pelo amor de Deus!
18:19Hoje é dia das mães.
18:21Planejei um almoço, um assado, um almoço tranquilo, um clima agradável.
18:29Olha o estado que está na minha sala.
18:31Parece até galpão de refugiado.
18:33Ô, dona Deise, que mal lhe pergunte.
18:38Já não tem mãe, não?
18:40Não.
18:42Minha mãe faleceu há muitos anos.
18:45Ela foi atropelada por um lotação na minha frente quando eu era mocinha.
18:50Essa data é muito pesada pra mim.
18:54Ai, eu fico muito deprimida.
18:55Agora a coisa se explica.
19:02O problema de dona Deise foi trauma.
19:07Ai, gente, sei nem o que dizer, né?
19:11Fica pra almoçar!
19:13Fica pra almoçar!
19:17Dona Celinha, muito obrigada, viu, dona Celinha?
19:21Eu vou aceitar.
19:22Sim, eu vou ficar pra almoçar, porque...
19:25Pelo visto, não é?
19:27Ladir não vai aparecer.
19:28Obrigada, dona Celinha.
19:30Dona Álvaro, eu convidei a dona Deise.
19:33Deixa, Celinha, deixa.
19:35Ela não vai sair daqui nem que a gente arraste.
19:37Isto é de uma solidão.
19:41Celinha!
19:43Não pense que eu esqueci o dia de hoje, não, viu?
19:47Eu sei que eu não fui uma boa mãe, meu amor.
19:49Mas você é uma mãe mara!
19:53Feliz dia das vãs.
19:57Ora, mamãe, a intenção foi boa, mas veio até com as raízes.
20:01Olha aí!
20:02Olha aqui as minhas margaridas!
20:06Monstra!
20:07Esta mulher está destruindo os jardins do Jambalaya.
20:11Não, não, não, não.
20:12Me salve aqui, não.
20:13Larga!
20:14Isso aqui foi do motel onde se deu a confusão.
20:16O gerente não tinha nada que chamar a polícia.
20:21Eu me vinguei.
20:23Ainda trouxe o mimo pra Celinha.
20:25Olha só a confusão que você me meteu.
20:30Pai de candidata contra vesti no motel?
20:33Pai de Isadora Motosserra?
20:35Você está em todos os jornais.
20:37Em todos os jornais.
20:38Os repórteres estão enfurecidos lá embaixo
20:40e o Sabará não está contendo a confusão.
20:43Hein?
20:43Como é que eu saio dessa agora?
20:44Garoto mau caráter!
20:46Viu o que você fez?
20:49Cadê o Adonis?
20:50Adonis, por favor, escreva alguma coisa pra mim
20:53porque eu quero dizer palavras à imprensa
20:55e alguma coisa curta porque senão não decoram.
20:56Hum, deixa.
20:58Eu falo com o Ibirissu.
20:59Eu falo com ele.
21:01Eu falo com ele e ele resolve o problema da traveca.
21:04A gente dá uma prensa nela
21:06e ela assina dizendo
21:08que tentou extorquir o gorducho.
21:11Olha que odeio se você avise ao senhor Ibirissu
21:16que eu quero o meu marido de volta.
21:19Vestido de mulher.
21:21Eu até gosto.
21:24Bom,
21:25se vocês me darem licença,
21:27vou lá dar um beijo na minha avó
21:28que hoje ela veio almoçar na casa do meu pai.
21:30A dona Cidão, ela está aí?
21:31Ih, meu filho,
21:32se ela perguntar por mim,
21:33diz que eu não estou em casa, não.
21:34Tarde demais.
21:41Eles já estão aqui.
21:42Olha essa aqui, mamãe.
21:44Essa foto,
21:46que bonitinha.
21:46Fico até emocionado.
21:48Poxa,
21:48quantos anos eu devia ter?
21:49Alguns meses, não é?
21:50Essa aqui.
21:52Como você era feio nessa idade, meu filho.
21:56Era uma coisa horrorosa.
21:59Quando a gente saía na rua,
22:01eu botava uma fralda no seu rosto
22:02pra ninguém olhar.
22:03eu tinha muita vergonha.
22:06Poxa, mamãe.
22:07Até a coruja
22:08acha seus filhos lindos.
22:11Eu nunca fui coruja.
22:12Sempre gostei de dormir cedo.
22:15Bom, bom, bom, bom.
22:16Eu acho que já está na hora
22:18da gente ir pro restaurante.
22:20Se não, a gente não vai mais encontrar lugar.
22:22Não é mesmo?
22:23Que a gente já...
22:24Tarde demais.
22:27Já fomos invadidos pela imprensa.
22:33Eu estou muito sem palavras.
22:46Ai, minhas palavras.
22:47Obrigada.
22:47Digo, é...
22:50Estou muito chocada.
22:53Ai, muito.
22:54Mas preciso respeitar a intimidade de meu pai.
22:58Seu companheira, eu também estava no motel.
23:02Estava no motel.
23:03Estava nua.
23:05Não, não sei ainda
23:09ou o que você passou
23:10ou...
23:11Mas antes preciso dizer
23:12que nenhum de nós
23:13escolhe os pais que tem.
23:15Espera só um instantinho
23:22que eu vou trocar a roupa
23:24por uma mais sexy.
23:26Porque eu passei a noite toda
23:27na delegacia com essa roupa aqui.
23:29Só um momentinho.
23:31Mamãe, não piora as coisas.
23:33Olha, por favor,
23:34meu marido é inocente.
23:35Ei, não, dona Celinha.
23:36Seu marido é muito vaidoso.
23:37Uma vez ele me mandou trocar sandália
23:39porque eu não combinava
23:40com a saia daí.
23:41É mentira?
23:42É mentira dela?
23:43É mentira.
23:46Quem levou o travesti para o motel
23:47foi o marido da síndica.
23:55Eu lamento muito
23:58que meu pai tenha...
24:00Tenha nos...
24:01Que isso?
24:02Tenha...
24:03Nos dado...
24:05Dado esse desgosto
24:06no dia em que honramos
24:09a figura central da família,
24:11a mamãe.
24:12Muito obrigada.
24:13Isso.
24:14Isadora, Isadora, por favor,
24:16você acha que um incidente desse
24:17pode atrapalhar o futuro político
24:18de uma jovem candidata?
24:21Acidente?
24:21Que acidente, meu filho?
24:22Quem falou de acidente?
24:23Não teve acidente nenhum.
24:24Eu disse incidente.
24:26Ai, depois a burra sou eu, né?
24:28Eu, hein?
24:28Ai, meu filho,
24:29você me dá um tempo, tá?
24:30Você quer mostrar,
24:31você mostra a coisa
24:31que tem a que ser mostrada.
24:33Você mostra muito amor,
24:35muito carinho, entendeu?
24:37Fotografa eu dando um presente
24:38de dia das mães para minha mãe.
24:39Vem cá, vem comigo.
24:40Mãe, mamãe, olha só.
24:44Quero te dar um fotógrafo, fotógrafo, fotógrafo.
24:45Quero te dar o presente de dia das mães.
24:48Ai, menina, que coisa linda.
24:52Puxa, Isadora, que gesto bonito, Isadora.
24:56Olha isso, a mãe ficou até emocionada.
24:58Olha aí.
24:59Fiquei mesmo, filha.
25:00Que coisa linda, gente.
25:02Olha só, se dá o presentinho
25:04que eu ganhei da minha filha.
25:05Olha só, mãe.
25:06Olha aí.
25:08O meu colar.
25:09O meu colar que foi roubado.
25:12Me dá isso aqui.
25:13Não, não, não.
25:14Não, não, não, não, não, não, não, não.
25:15Olha a imprensa aí, mamãe.
25:17Olha a imprensa aí, mamãe.
25:19É bom que a imprensa mesmo
25:21saiba o que aconteceu.
25:22Olha, eu fui roubada de manhã
25:24por um melhante de bicicleta.
25:27Uma joia de família.
25:28E agora essa joia aparece
25:29na mão dessa menina aqui
25:30pra vocês verem
25:32onde foi que o coitado do meu filho se meteu.
25:34Não, isso é bobagem.
25:36A mamãe tá exagerando.
25:38É, não é nada disso.
25:38Isadora, conta pra gente
25:40onde foi que você comprou esse colar.
25:43Na mão da bozena.
25:46E quem é a bozena?
25:48É...
25:48Siga-me.
25:52Eu não tenho...
25:54Não, não, não.
25:56Fotografa, que coisa infernal.
25:59Essa.
25:59É a empregada.
26:01A verdadeira bozena.
26:04E aí, você não?
26:05Diga,
26:06onde é que você arrumou esse colar
26:08que você repassou pra Isadora?
26:09Comprei aí embaixo,
26:10na mão de um piá.
26:11Por 30 reais.
26:13Depois eu vendi pra Isadora
26:14por 50 e tive um lucro de 20.
26:17Tudo em menos de meia hora daí.
26:19É mentira!
26:20É mentira!
26:21A empregada roubou!
26:23Roubou nada, dona Cidalva.
26:24Eu boto minha mão no fogo pela bozena.
26:29Muito obrigada, viu, dona Celinha?
26:30A senhora me defende
26:31enquanto os daí da frente
26:33me acusam daí.
26:34Cidalva.
26:38Cidalva.
26:40Há quanto tempo
26:41o passado voltando.
26:43Cidalva.
26:47Daisy.
26:51Faz tempo, não é?
26:54Muitos.
26:56Muitos anos, Cidalva.
26:58Mas, ô, Daisy,
27:01de onde é que você
27:02e minha mãe se conhecem?
27:05Preciso não comentar.
27:11Bom, mamãe,
27:12vamos embora, não é?
27:14Você já recuperou o seu colar,
27:17entendeu?
27:17Agora está tudo bem.
27:19Por favor, mamãe,
27:20vamos almoçar.
27:21De jeito nenhum!
27:23Eu faço questão de dar parte.
27:26E se vocês sabem,
27:27eu tenho a impressão
27:28que essa gentinha aqui
27:29está envolvida.
27:30É, ó, Cidalva
27:32tem toda a razão
27:34porque volta e meia
27:36há uma confusão
27:37neste apartamento.
27:39Dona Nábala,
27:40o que é isso?
27:40A senhora se convida
27:41para almoçar na minha casa
27:42e não fala mal da gente?
27:43É, porque eu sou famosa
27:45pela minha franqueza,
27:47não é, dona Celinha?
27:47Eu não posso resistir.
27:51Estão prontas
27:52para as fotos, meu amor.
27:53É!
27:58E essa aí, quem é?
28:00Sou mona de equê,
28:01meu amor.
28:02Dignidade.
28:05Seja cabalheiro bofe.
28:08Eu sou travesti,
28:10meu amor.
28:11Mamãe, para com isso.
28:33Que história é essa de travesti?
28:35Agora ela não é travesti nada, tá?
28:36Ela é minha mãe.
28:37Desce daí.
28:38Desce aí que eu tô pelas
28:39cantando contigo.
28:39Desce daí.
28:40Você tá doida?
28:42Ela não é travesti coisa nenhuma.
28:44Minha sogra,
28:45mãe da minha mulher
28:45e todo condomínio
28:47sabe que ela é mulher
28:47porque a coisa que ela mais faz
28:49é andar nua por aí.
28:50Então não houve travesti
28:52nenhum na história?
28:53Oh, houve sim,
28:54o marido da síndica.
28:57Meu marido é um artista.
29:00Ele é uma estrela.
29:01Ele gosta de se vestir
29:03de mulher
29:03porque é uma expressão
29:06de sua arte.
29:07Mas esse condomínio
29:08é bem animado.
29:09Ih, bota animado nisso,
29:11meu querido.
29:12Lá pra trás do bloco H
29:13tem um matagal
29:14onde acontece de tudo.
29:16É verdade.
29:17É verdade.
29:18Uma madrugada
29:19eu também fui atacada
29:20no matagal.
29:22Mas o que a senhora
29:22foi fazer de madrugada
29:23no matagal?
29:24Eu prefiro não comentar.
29:28Você?
29:29Quem é?
29:29Eu?
29:30Isso.
29:30Eu sou filho do Mário Jorge
29:32com aquela ali
29:33que mora em frente.
29:34Eu sou desempregado
29:36e minha mulher
29:37tá grávida
29:37encolhindo espada
29:38num circo mão bem.
29:41E esse outro rapazinho aí,
29:43quem é?
29:44Eu sou filho do marido
29:44da mãe dele
29:45com a mulher do Mário Jorge.
29:46Filho do marido
29:47da mãe dele
29:47com a mulher do...
29:48Não, peraí, peraí,
29:49porque agora eu
29:50é que fiquei confuso.
29:51Mas afinal de contas,
29:51quem é filho de quem?
29:52Olha, somos todos
29:53filhos de todos, entendeu?
29:55Isso é praticamente
29:56uma comunidade.
29:58O senhor só não vai encontrar
29:59as flores, o incenso,
30:00mas o resto é tudo igual.
30:02E nós, inclusive,
30:02mantemos as portas abertas
30:04sem chave
30:05pra que o acesso
30:06seja livre.
30:07É uma pouca vergonha, viu?
30:09Eu, como síndica,
30:11tento impedir,
30:11mas eles...
30:12Eles são cínicos.
30:14Porque aqui
30:15a coisa corre e solta.
30:19E a senhora, quem é?
30:21Eu sou mãe dele
30:22que foi casado com ela.
30:23O senhor acredita nisso?
30:25Olha este ambiente
30:27desta casa.
30:28A suavidade das cores.
30:30Como ela é bem arrumada.
30:32Celinha é um brinco
30:34de dona de casa.
30:36E meu filho
30:37separou dela pra casar.
30:39Como é que ela chama mesmo?
30:40Com a Rita ali?
30:41Pois é.
30:42E você...
30:43Peraí, peraí, peraí.
30:44Vocês já fotografaram
30:45a casa deles dois lá?
30:47Se não fotografaram,
30:48fotografe.
30:50Por aqui, por favor.
30:50Por aqui, por favor.
30:51Você é fotográfica?
30:52Não, por favor.
30:53Provoco, provoco, provoco.
30:56Não provoco, provoco, provoco.
30:58E depois você ainda quer
31:00que eu vá almoçar com ela, né?
31:02Releva, Rita.
31:03Releva, abstrai.
31:05Ela infernizava a minha vida
31:07quando era casada com a Arnaldo.
31:08Aquilo ali é uma peste.
31:10Eu vou lá controlar a minha avó.
31:12Vem cá.
31:14Diz lá pra mãe do teu pai
31:15que se ela continuar pegando
31:16no meu pé,
31:17eu entrego ela pra impressa.
31:18Tá entendendo?
31:19Eu tô sabendo
31:19que só de benefício fantasma
31:21ela tem cinco bolsa-família.
31:23Você tá entendendo?
31:24Que isso?
31:25É, aquela mulher não vale nada.
31:27Só dá esse recadinho pra ela.
31:28Não, pode deixar.
31:29Eu vou dar o recado, sim.
31:30Bom, né?
31:32Será que eu podia
31:32ter a minha casa assim
31:33só pra mim?
31:35O seu repórter,
31:36o senhor sabe qual é?
31:37Meu sonho?
31:37Qual?
31:38Uma cena íntima, assim, né?
31:40Só com dois personagens.
31:42Eu e meu marido, por exemplo,
31:45discutindo a relação,
31:46mas eu não consigo.
31:47Quando eu vejo,
31:48já tem uma tropa
31:49dentro da minha casa.
31:50Isso vai me deixando nervosa.
31:53Vamos saindo, por favor, né?
31:54Vamos saindo?
31:55Tá certa, Celinha, tá certa.
31:57Vamos, P.P.E.,
31:58adiantando a vida
31:58que a gente ainda tem
31:59que ir no churrasco
32:00dia das mães
32:00que eu tô promovendo
32:01lá na comunidade.
32:02Eu não acredito.
32:02Você vai se enfiar ainda
32:04hoje no porco fumado?
32:05Sim.
32:06Hoje me rende muitos votos.
32:08Você, então,
32:08é favorável
32:09à venda de votos agora?
32:10Ai, meu filho,
32:11olha só.
32:13Voto pra mim
32:14é que nem supermercado.
32:15Eu compro
32:16aonde é mais barato.
32:17Entendeu?
32:17E nesse churrasco
32:20me rende pelo menos
32:21uns 15 votos
32:22por espeto.
32:23Tchau.
32:24Escutou isso,
32:25não escutou?
32:26A mau caráter
32:27do olho junto
32:28acaba de inventar
32:28o voto picanha.
32:30Nossa, Celinha,
32:31tá até uma senhorinha dizendo.
32:32Eu tô pedindo
32:33com educação.
32:33Mas e o voto picanha?
32:34Com isso aí, por favor!
32:39Olha aqui,
32:40o que eu tô querendo
32:40dá pra senhora, por favor.
32:42Para com isso,
32:42por favor, para!
32:43De jeito nenhum!
32:45Mamãe, por favor.
32:46Eu fui roubada
32:47e faço questão
32:48de dar parte.
32:49Ah,
32:50isso não é necessário.
32:52Mas é claro
32:52que é necessário.
32:53Então hoje de roubada
32:54e não faz nada.
32:55Vou dar parte sempre.
32:56Mas não foi nenhum de nós
32:57que roubou a senhora.
32:58Será que a senhora
32:59ainda não entendeu, mamãe?
33:01Olha a confusão
33:02que a senhora
33:02tá arrumando aqui.
33:03A confusão
33:04que entendeu
33:05foi o marido dela
33:06que se meteu
33:07com um travesti
33:08no hotel.
33:10A Cidalva
33:10sempre foi
33:11dura na queda.
33:13É.
33:14Ela perdia a cabeça
33:15nas aulas de bordado
33:17da irmã Rosário
33:17e era expulsa
33:19da sala.
33:20Irmã Rosário?
33:21Irmã Rosário.
33:23Cidalva e eu
33:23fomos internas
33:25juntas.
33:30Eu era muito
33:31chegada
33:32à irmã Rosário.
33:33e Cidalva
33:37ficava
33:37com ciúme.
33:44A irmã Rosário
33:45que gostava
33:46de pegar
33:47no meu pé.
33:48Não adianta.
33:49Eu faço questão
33:50de dar parte
33:51e vou
33:51à delegacia.
33:52Oba!
33:52Vamos todos
33:53para a delegacia.
33:54Eu adoro
33:55delegacia.
33:57Que isso, mamãe?
33:57a senhora vai
33:58para a delegacia
33:58vestida desse jeito.
33:59Mas esse é o vestido
34:00adequado para a ocasião,
34:02Celinha.
34:02Deixa comigo,
34:03que de delegacia
34:04eu entendo.
34:05Vamos todos.
34:06Dona Álva,
34:06levanta já desse sofá.
34:08Mas eu também.
34:09Claro.
34:10Afinal de contas,
34:10um dos travestis
34:11era seu marido.
34:12Eu não vou.
34:14Fiz almoço
34:15e quero almoçar
34:15em paz.
34:16Vão vocês,
34:17então, né?
34:18Já que vocês querem,
34:19vão.
34:19Eu vou ficar aqui.
34:21Vou tomar
34:22minha cervejinha
34:23e vou comer
34:24meu assado.
34:26O assado!
34:27O que foi?
34:29Meu Deus!
34:32O meu assado!
34:35O meu assado,
34:36meu Deus!
34:37Agora fedeu.
34:39Eu queria
34:39dar o meu assado!
34:46Não consigo entender
34:48porque é sempre
34:48a empregada
34:49que tem que vir
34:49carregando as pizzas.
34:51Com dois homens gordos,
34:53sem fazer nada.
34:54O que a palavra já diz, tá?
34:56Você é empregada.
34:57Mas não sou escrava,
34:58daí.
34:59A princesa já assinou
35:00a lei há muito tempo.
35:01A princesa assinou
35:02a lei Áurea
35:03Estrupício do Paraná.
35:05Você é negra,
35:06por acaso?
35:06Não sou, daí.
35:07Mas então,
35:08teoricamente,
35:09você pode ser escrava.
35:10Ah, pode mesmo.
35:12Agora eu embatuquei.
35:14Vou servir as pizzas.
35:15Sirvo louca?
35:16Ah, serve lá na Rita.
35:17Já teve gente
35:17o suficiente
35:18aqui em casa hoje.
35:19Ah, dá pra sujar.
35:20Minha casa serve, né,
35:22Celinha?
35:22Ah, minha filha,
35:23quer saber,
35:23eu tô nem com fome.
35:24Eu já me aborrecio bastante.
35:26Ah, vamos, vamos, vamos.
35:27Bozena,
35:28vem comer aqui em casa.
35:29Vamos comer aqui.
35:29Vem, gente, vem.
35:31Não vou.
35:31Vem, Celinha.
35:32Vem, Celinha.
35:33Ah, meu Deus!
35:34Agora que eu lembrei
35:35a minha mãe.
35:37Eu esqueci minha mãe.
35:39Minha mãe na delegacia,
35:40o Rita.
35:40Não, Arnaldo.
35:41Você não tá lembrando.
35:42Ela pegou uma carona
35:43com a Teice.
35:44E agora deve estar
35:45botando a vida em dia.
35:48Porque elas foram
35:49colegas de colégio interno.
35:51Não esqueçam.
35:53Vejam que coincidência.
35:55Agora,
35:55a coincidência maior
35:57foi eu também
35:57ter conhecido
35:58a irmã Rosário.
35:59Conheceu como, mamãe?
36:02Ela largou o hábito, né?
36:03Quebrou os votos
36:04e fundou o primeiro
36:04clube de mulheres
36:06motociclistas do Brasil.
36:08Eu a conheci
36:09com o nome de
36:09Rosarito Carvalho de Aço.
36:12É.
36:13Eu cheguei até
36:13a fotografar
36:14para um calendário
36:15montada
36:15numa moto dela.
36:16Não, não precisa completar.
36:18Deixa que eu completo
36:19inteiramente nua.
36:20Mas é claro.
36:22Esse é meu estado natural.
36:23Mário Jorge,
36:27só sentar aí, vai.
36:30Arnaldo.
36:31Ah, vem cá.
36:32Mãe,
36:33eu acho isso
36:34pura jogada comercial.
36:35Mas você merece.
36:38Feliz Dia das Mães.
36:42Ai, filho,
36:43nem acredito.
36:45Obrigada, viu, filho?
36:49Oi!
36:50O que é isso?
36:51Uma revista?
36:52Não, não.
36:52Na verdade é um mangá,
36:53uma revistinha japonesa.
36:55Eu fiquei pensando
36:57entre comprar
36:57o seu presente
36:58ou ela.
36:59Aí eu pensei,
37:00olha que ideia,
37:00por que não juntar
37:01as duas coisas?
37:04Que boa solução, né, filho?
37:07Você vai ler agora?
37:09Não, não,
37:10claro que não.
37:11Então,
37:11você pode me emprestar?
37:15Claro, filho,
37:15eu te dou.
37:16Obrigado, mãe.
37:20Toma, Celinha.
37:22O que é isso, mamãe?
37:23Meu boletim.
37:24De ocorrência.
37:27Teve uma época
37:28que eu colecionei até,
37:29não é?
37:30Ô, mãe,
37:31olha,
37:32foi mal aí pelo colar, tá?
37:34Sei que eu tô te devendo um presente.
37:36O que é isso, minha filhinha?
37:37Se você conseguir
37:38não ser presa
37:39nos próximos anos,
37:40já é o melhor presente
37:42que você pode me dar.
37:43sentir o cheirinho
37:48de pizza
37:49lá da cobertura.
37:51Trouxeram de quê?
37:52Não é possível,
37:52a dona Álvaro é resgate
37:53de outra encarnação.
37:54Ah, não tem peça
37:55a entrada dessa mulher?
37:56Não, deixa, Rita,
37:57deixa, dona Álvaro, vem.
37:58Olha,
37:59a senhora chegou bem
38:00na hora da nossa surpresa,
38:01viu?
38:02Como a senhora
38:02não tem filhos,
38:03a senhora pode ficar
38:04pra participar.
38:05Por favor,
38:05senta.
38:06Eu não tenho filhos
38:07biológicos,
38:09mas é como se
38:09Ladir fosse o meu bebê.
38:12Ladir,
38:13ele é
38:14a minha boneca.
38:18Então,
38:19agora as mamães
38:20fiquem à vontade
38:20porque a gente preparou
38:21uma homenagem
38:22pra vocês.
38:23Vamos lá, vamos lá.
38:23Agora, Álvaro,
38:24você fica por aí.
38:25Vai ter show?
38:26Ah, então eu quero
38:27me apresentar também.
38:29Agora,
38:30eu vou apresentar
38:32uma dança típica
38:33que eu aprendi
38:34com a diva
38:35em Fazenda Nova,
38:37a Periquita do Sertão.
38:42Sossega a Periquita,
38:43mamãe!
38:45Sossega a Periquita!
38:49Mário Jorge,
38:49por favor,
38:50vamos lá
38:50com a sua homenagem
38:51que eu tô exausta.
38:52Ah,
38:52a gente vai ter
38:53um probleminha, né?
38:53Ah, é, gente,
38:54desculpa,
38:55eu já ia esquecendo.
38:55Obrigado por ter me lembrado.
38:56Gente, olha,
38:57o negócio é o seguinte,
38:58nós vamos fazer um coral,
39:00mas infelizmente
39:01não vamos poder contar
39:02com a presença
39:03da Deise
39:04porque parece que ela
39:05sumiu com a minha mãe,
39:07né?
39:07Então,
39:08vamos esquecer esse assunto,
39:10vamos direto aqui mesmo.
39:11É, a gente vai ficar
39:11sem a voz do baixo
39:12porque a Deise
39:13é que fazia a voz do baixo.
39:15Mas vamos em frente.
39:16Olha lá aí!
39:18Voltei!
39:19Voltou, Deise.
39:19Já cantaram?
39:20Não, Deise.
39:21Chegou bem na hora.
39:22É.
39:23E a minha mãe, Deise?
39:25Ah, deixei sua mãe em casa?
39:26Ela está com um gênio
39:27pior do que nunca, Arnaldo.
39:30É, é, é.
39:31Então, vamos mudar de assunto
39:32e vamos apresentar
39:34o que preparamos para as mães.
39:36Vamos lá.
39:37Atenção, hein?
39:38É um, é dois, é três.
39:40Mamãe, mamãe, mamãe
39:47Tu és a razão dos meus dias
39:51Tu és feita de amor e esperança
39:55Ai, ai, mamãe
39:59Volto a ti e me sinto criança
40:03Mamãe, mamãe, mamãe
40:07Eu me lembro o chinelo na mão
40:11O avental todo sujo de ovo
40:15Se eu pudesse, eu queria outra vez
40:19Começar tudo, tudo de novo
40:23Vai, vai, vai
40:27A razão dos meus dias