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  • há 6 meses

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:00O que é que custa, Mozena? A gente não precisa assumir compromisso, é só físico.
00:04Sai, carapato! Não tá vendo que eu sofri uma ventana no Matagal?
00:09Ai, que dor!
00:11Essa geladeira aqui de casa é o que a gente pode chamar de natureza morta, né?
00:16Pena que não haja aqui um talento suficiente para pintá-la.
00:21Vocês não estão ouvindo? Eu fui vítima de uma bala perdida!
00:24Então faz o seguinte, tá? Você faça umas compras e coloque um pouco de...
00:27Ressuscita essa criatura, tá? Coloca um pouco de vida dentro dessa natureza morta,
00:31porque eu tô cansada, você tá me entendendo?
00:33Eu me cansei de ser atacada por todo mundo. Por quê?
00:35Porque eu sou a única responsável por encher essa geladeira?
00:38Hein? Ó que saco, você tá entendendo?
00:40Porque entra programa, sai programa, e eu só vejo vocês todos reclamando da aridez da geladeira, tá?
00:45Saiba o senhor, os senhores, que metade da população mundial não tem sequer uma geladeira.
00:51Eu sou dessa metade. Lá em casa só tem um isopor daí.
00:54Poupe-me do relato da sua pobreza.
00:59Viu, Bozena? Desgraça a gente ler no jornal, tá?
01:02E você está como está? Essa casa aqui também está como está?
01:07Porque você tá ajudando aí, fazendo hora extra, aquele velhote lá do bloco F.
01:12Pensa que eu não vi você empurrando ele lá naquela cadeira de rodas no parque aquático, hein?
01:17Eu vi, eu vi. Por isso que você tá sendo negligente com o serviço.
01:22Que serviço? Que serviço? Não tem mais nada pra fazer nessa casa.
01:26Já arrumei o quarto, já pendurei as roupas, já varii a casa. Não tem mais nada pra fazer aqui.
01:32Eu sou acompanhante de velho com muita honra.
01:35O seu barrafum é um senhor muito educado e eu tô precisando do dinheiro daí.
01:39Bozena, o que aconteceu com você? Por que você tá mancando?
01:42Ah, é uma história longa.
01:44Bom, se for longo, acho que eu prefiro novo.
01:47Mas agora eu vou contar.
01:49Eu tava no parque aquático com o seu barrafum, ele disse que queria me dar um presente.
01:55Ele comprou um bilhete de loteria. Comprou na mão do Sabará daí.
01:58Sintetiza, Bozena, sintetiza. Olha pra começo de conversa.
02:02O Sabará não pode ficar vendendo por aí bilhete de loteria nessa área aqui do condomínio, que não é permitido.
02:07E se ele quiser fazer hora extra, ele que vai fazer outra coisa, entendeu?
02:10É melhor ele vender bilhete de loteria, pai.
02:12O faxineiro do bloco K tá ganhando um extra assaltando os moradores.
02:15Olha, vocês dois, vocês deixam o Sabará em paz, tá entendendo, Arnaldo?
02:19Porque até eu já comprei bilhete na mão dele, tá?
02:22É desagradável, mas ele entrou comigo junto no elevador,
02:25veio logo perguntando a data do meu nascimento, dizendo que tinha o número ali.
02:28Não, não, e é insistente, hein?
02:30Sabará é insistente e ele cospe tanto que a pessoa cobra pra se livrar do chafariz.
02:36Posso continuar a minha história?
02:38Continua, Bozena.
02:39Bom, como eu estava sem uniforme, portanto sem bolsos, coloquei o bilhete dentro do paletó dele.
02:46Só que quando eu fui me curvar pra enfiar o bilhete, eu ouvi o estampido, minha bunda explodiu em jantos.
02:52Ô, Adonis, não me diga que você...
02:54Não fui eu.
02:56Eu já sei.
02:57Você foi atingida pelo maníaco atirador, o tal da espingarda de sal.
03:03Ele já atirou em meio de uma balaia.
03:05Dizem que é o Barrento, filho da dona Keira do bloco F, mas...
03:08Não temos provas.
03:12Ah, é ele, sim.
03:14Eu sei que é ele.
03:15E o mané já até perdeu a vergonha na cara.
03:17Por causa da impunição unidade desse condomínio, ele tá atacando a luz do dia.
03:21Peraí, fui eu quem ouvi isso?
03:23Eu tô maluco.
03:24Eu ouvi por causa de mecanicidade?
03:26Como é que é?
03:27Impunição unidade.
03:28Impunição unidade?
03:29É.
03:29Mas vem cá, como é que elegera essa menina vereadora, meu Deus?
03:33Não, Adonis, meu querido, os eleitores devem falar bem pior que ela.
03:38Olha só pra registro, Isadora, é impunidade.
03:41Mas eu me arrependo, viu, de não ter visto um discurso seu no plenário, Isadora.
03:45Mas deve ter sido uma comédia, né?
03:49Fique a senhora sabendo que eu tinha assessores que escreviam os meus discursos, tá?
03:54Você não sabe ler?
03:55É, não sei ler, mas eu não sei ver o que que tá acontecendo.
04:00E alguém, que é o barrento filho dessa dona Keila, tá atingindo as pessoas.
04:05É, antigamente ele agia na salada da noite, quando ninguém tava vivo.
04:08Salada?
04:11Salada?
04:11Que salada?
04:12Você pode me dizer?
04:14Salada?
04:15Salada de Matagal?
04:17Calada?
04:18Calada?
04:18Não, não falo mais disso.
04:20Mas que antes ele estava atingindo as pessoas na salada da noite, ele estava.
04:24Ai, que dor nos quartos.
04:26Ô, da próxima vez, Bozeno, você aproveita esse salzinho que tá incrustado aí na sua bunda
04:31e lança na salada da Isadora.
04:34Tá ardendo, tá bom?
04:36Bozeno, o que arde cura e o que aperta segura.
04:40Ai, cavalos.
04:41Eu tenho medo de morrer, sabia?
04:45Pra onde é que a gente vai quando morre?
04:47Pro Jardim das Empregadas, Bozeno.
04:49Um lugar lindo, onde todas ficam uniformizadas, com o espanadorzinho branco, assim, esperando
04:55a Anja Celinha chegar.
04:59Olha, vocês vão rindo, vão rindo aí.
05:02Mas lá em Pato Branco eu tinha uma prima, de nome Distante, que morreu assim.
05:07E eu sofri muito, porque Distante era muito chegada daí.
05:10Mas o nome da sua prima era Distante?
05:13O pai abandonou a mãe antes da guria nascer, então a mãe colocou o nome na filha de Distante
05:18de Ti daí.
05:19Peraí, agora eu fiquei confuso.
05:21O nome dela é Distante de Ti ou é Distante de Ti daí?
05:25Distante de Ti daí de Sousa.
05:28Levou um tiro de sal no Joanete, morreu de repente.
05:31Do tiro?
05:32Não, depressão alta, porque o sal foi se espalhando pelo corpo e ela ficou seca feito um bacalhau
05:37de alegrete.
05:38Ih, tem bacalhau em alegrete?
05:40Ninguém sabe, porque de tão seco ninguém vê.
05:42Chega!
05:42Chega!
05:43Chega!
05:44Chega, mas você confunde as pessoas, Bozena.
05:47Você vai sugando as pessoas por seu delírio psicótico.
05:51Por favor.
05:52Agora fica quieto e vá trabalhar lá dentro, por favor.
05:55Mas eu tô ferida, tô avariada.
05:56Mas vai, manca!
05:58Mas vai!
05:59Eu vou ir pro meu quarto descansar um pouco.
06:01E eu posso repousar ao seu lado, na sua cama?
06:03Ei, vó.
06:04Alguém quer fazer alguma coisa contra um menino adolescente que não para de me perceber?
06:08E eu já não sei mais o que eu faço daí.
06:11Adonis, Adonis, meu filho.
06:12Controles.
06:13Doutora Percy acha que eu devo viver a plenitude da minha explosão hormonal com a empregada
06:17da casa.
06:18Ela é muito apegada às tradições, pai.
06:20Sim, mas não fica nada bem você ficar andando atrás dela que nem um cão farejador.
06:24Não, e ele espicha a língua do nariz.
06:26Só precisa ver.
06:27Olha, eu vou lá pro meu quarto.
06:28A senhora segura o guri aí um pouquinho, que eu vou descansar, tá bom?
06:35Tô atirando de novo.
06:37E agora?
06:39Quem terá sido a vítima dessa vez?
06:41Ladir foi atingido na nádega esquerda.
06:47Ai!
06:48Eu acho isso um absurdo, um absurdo.
06:51Concordo plenamente.
06:53A síndica tem que tomar uma providência.
06:55Pois eu proponho uma passeata de repúdio contra esses atos de vandalismo.
07:01A senhora não tem que fazer passeata nenhuma.
07:03A senhora tem que tomar uma atitude contra esses vândalos.
07:05Nesse condomínio tá um perigo.
07:07Ninguém mais pode andar em paz aqui.
07:08Tem gangues saqueando os carros.
07:11Duas moradoras foram atacadas outro dia à noite.
07:13Agora eu lhe pergunto como é que eu, um homem de bem, um pai de família, crio uma
07:16filha nesse ambiente.
07:17Mas quem atacou as moradoras foi Isadora.
07:21Garota, mau caráter.
07:23E o que a senhora fez?
07:23Ela me subornou.
07:27Não sai mais de casa.
07:28Minhas compras agora peço tudo pro telefone.
07:31Ai, o sapatão foi atingido também.
07:35Dona Álvaro, eu vou abrir um processo contra esse condomínio.
07:39Eu fui atingida na nádega direita.
07:43E eu na nádega esquerda.
07:45Se juntarmos as duas, passei que se encaixa.
07:49Estão dizendo por aí que o tal atirador misterioso é o filho de Dona Keila, o Barreno.
07:55Não, olha aqui, Keila, alto lá.
07:57A Keila é tesoureira-chefe da minha administração.
08:01Eu não admito insinuações falsas contra um membro da minha equipe.
08:08Agora tá explicado.
08:10Eu não acredito, Dona Álvaro, que a senhora está cobertando o marginal porque ele é
08:14filho da sua tesoureira.
08:15Mas, Dona Celinha, ela tem muitas coisas contra mim.
08:20Que coisas?
08:21Coisas, olha, as coisas.
08:23Ela sabe tudo sobre o financeiro aqui do Jambalaya.
08:29Ela sabe o que entra, o que sai.
08:33Ela tem documentos comprometedores.
08:37Contra a senhora!
08:39Olha só, Mário Jorge, que pouca vergonha.
08:41Agora as pessoas não têm mais vergonha de ser corruptas, não, né?
08:44Que mundo, meu Deus, que mundo!
08:46É, mas a resistência aqui afirma que Dona Álvaro quer forjar um incêndio pra apagar as
08:53provas.
08:53Mentira!
08:54Mentira do sapatão, mentira!
08:56A administração do Jambalaya precisa passar por reformas urgentes.
09:01A fiação está toda gasta, a infiltração por toda parte, pilhas e pilhas de papéis velhos,
09:10uma fagulha e tudo aquilo voa pelos ares.
09:14Eu aposto que a senhora vai arriscar o fósforo.
09:16Calada, sapatão!
09:18Calada!
09:19Ou eu posso transformar a sua vida num inferno.
09:22Esse tipo de comportamento aqui no Jambalaya eu não admito.
09:27Ambiguidade sexual eu não aceito.
09:31A Álvaro é preto no branco.
09:33Me admira muito a senhora ter preconceito contra mim e é casada com seu Ladir.
09:37Ladir, Ladir, Ladir, venha cá, olha lá.
09:42Ladir, ele é muito macho, ele é muito macho.
09:45Mas muita testosterona.
09:49A minha temperatura é mais alta que o normal.
09:51Você ferve, Ladir.
09:52Fervo.
09:53Você ferve, Ladir.
09:54Você ferve, Ladir.
09:55Eu fervo.
09:58Dona Álvaro, a senhora não bate bem na cabeça, não.
10:00Ah, definitivamente a senhora é uma pessoa desequilibrada.
10:04E Dona Deise, que mal lhe pergunte.
10:06O que faz com que a senhora leve um tiro de sal na bunda e venha bater na minha porta?
10:11Porque eu fui ferida e eu vim aqui pra alguém retirar essa pedra de sal da minha bunda.
10:17E a troca de que a senhora acha que alguém aqui vai ficar cavucando a sua bunda pra tirar uma pedra de sal?
10:21Acho.
10:22Toma vergonha na cara, vai procurar um ponto de socorro, ó.
10:24Bom dia.
10:26Bom dia.
10:27Ô, mamãe, saiu cedo?
10:28Não, Celinha.
10:30Eu estou chegando tarde.
10:32Já tomou café?
10:33Não, mas vou tomar.
10:35Ladir, quer uma cervejinha?
10:36Uma vodka.
10:38Que isso, minha gente?
10:39São nove e meia da manhã.
10:40Então mistura um pouco de laranja.
10:42Aí fica sendo meu breakfast.
10:45Mamãe, onde a senhora estava?
10:46Sai igual, amiga.
10:48Fui fazer compras.
10:49Ontem à tarde.
10:50A culpa foi da camiseta, Ney.
10:52Ó, eu pensei que as pessoas iam achar engraçado.
10:55Mas muita gente levou a sério.
10:57Eu queria voltar pra casa, mas não deixavam.
11:00Sabe como é que é?
11:01Você sabe, não é?
11:03Não, mamãe, eu não sei como é que é.
11:05O dia que eu usei uma camiseta como esta, eu cheguei na minha casa nu.
11:11Ih, eu tive uma ótima ideia.
11:14Mário Jorge, eu tive uma ótima ideia.
11:16O que é isso?
11:17Tá bom, mamãe?
11:18Alba.
11:19Tá maluca?
11:20Eu vou obrigar a dona Deise a usar uma camiseta com os dizeres.
11:26100% sapatão.
11:28Ela tá me provocando, hein?
11:31Álvaro, respeita a opção sexual da dona Deise.
11:36Mas, meu amorzinho, a gente tem que tomar cuidado...
11:38Mais uma palavra que esse porrada...
11:41Mas o que é isso?
11:47Vocês enlouqueceram?
11:51Vocês estão com as bundas feridas?
11:54Arrastando as pernas e já querem brigar aqui dentro?
11:57Copélia, eu tenho certeza absoluta que você sabe quem é esse misterioso atirador que está ferindo as pessoas aqui no Jambalaia.
12:03Ó, dizem que é o filho da Keyla.
12:06É possível, porque o filho da Keyla, quando fez 15 anos, assaltou um posto de gasolina.
12:10Houve tiroteio e ele foi atingido na cabeça.
12:14Sobreviveu, mas ficou maluco.
12:15Passou três anos na cadeia.
12:17E como é que você sabe disso?
12:18Eu sei, porque eu sempre vi a Keyla no presídio nos dias de visita.
12:22Eu não falava com ela, porque ela ia visitar o filho e eu fazia outro tipo de visita.
12:27Que outro tipo de visita?
12:29Íntima, Serinha.
12:30O que é isso?
12:37Estão atirando outra vez, hein?
12:39Meu Deus.
12:40Daqui a pouco ninguém mais anda nesse condomínio.
12:43Escrevam que eu estou dizendo.
12:44O que é isso, dona Álvaro?
12:46A senhora agora resolveu sapatear também?
12:48O que é isso?
12:49Se eu tomar uma atitude contra o filho da Keyla, ela me bota na cadeia.
12:57Álvaro, a cadeia é maravilhosa.
13:02Mãe!
13:06Atingiram a doutora Percy.
13:07Ela estava dando uma consulta no parque aquático e o tarado deu um tiro de sal na coxa esquerda da minha terapeuta.
13:12Ai, filhinho, mas também não pensei ficar nesse estado, meu filho.
13:15Mas ela cancelou as sessões, mãe.
13:17Ela cancelou as sessões, mãe.
13:19Como é que eu respiro sem a doutora Percy?
13:22Me diz.
13:22Não sei, meu filho.
13:23Eu não sei.
13:24Não sei.
13:24Lê um livro.
13:25Lê um livro.
13:26Tua vó não te deu um livro.
13:27Parenta!
13:29Livro que a parenta me deu só tem figuras.
13:31Uma edição ilustrada do Kama Sutra.
13:35Mas para que palavra, senhora Regina?
13:39Se um simples movimento de cabeça já diz tudo.
13:42Ganhei, ganhei o primeiro prêmio acumulado do rico do milionário.
13:51Peraí, gente, peraí, peraí.
13:52Não, não, é, não cabe todo mundo aqui, não, gente.
13:54Não aperto, não passo mais.
13:56Que história é essa?
13:57Tô riquíssima.
13:59Riquíssima como?
14:00Boziana ganhou o bilhete premiado do velho, que ela toma conta aqui no condomínio.
14:04São 10 milhões.
14:0610 milhões?
14:07Cadê o bilhete?
14:08Tá com ele, que eu não sou besta, né?
14:10Mas decorei o número.
14:119-6, 6-6, 6-9, 9-9 daí.
14:17Mas você é doida?
14:19Você é imbecil?
14:20Sem o bilhete você não recebe o prêmio?
14:22Ih, é verdade, Boziana.
14:25Por que você deixou o bilhete lá com o velho?
14:27Por quê?
14:27Porque eu vivo com vocês.
14:29Ninguém aqui tem escrúpulos.
14:32Mas esse bilhete não, esse bilhete é meu.
14:34Seu barafum me deu.
14:35Eu acho melhor você correr na casa do seu barafum e pegar esse bilhete de volta.
14:39E não faça alarde, porque se o velho descobrir...
14:43Mas se ele souber que o bilhete é premiado, ele não vai dar nada pra Boziana.
14:46Mas tem toda razão, Boziana.
14:47Você vai lá, mas não diga nada.
14:49Como é que vai, seu barafum?
14:51Tudo bem?
14:51Pá, pá, pá.
14:51Pegou o bilhete e voltou correndo pra cá.
14:53É.
14:55Deixa aqui o apelo.
14:55Pela Pé.
14:57Ai, meninas.
14:58Eu não tô...
14:58Eu não tô...
14:59Alô.
15:00Ô, Sabará.
15:01Vira essa boca pra lá.
15:04Vira pra lá, boca pra lá.
15:07Sabará.
15:08Sabará.
15:09Tô ouvindo.
15:10Sabará.
15:10Não é melhor você pensar no caso de ficar desdentado, Sabará?
15:14Esses dentes tão uma desgrata, tão te fazendo cuspir de...
15:17Sei.
15:19Dona Álvaro tá aqui, sim.
15:20Sim, sim.
15:21Sei.
15:21Ela...
15:23Faleceu um morador aí do prédio.
15:26E a viúva tá querendo que a senhora empreste o salão de festa pra ela fazer o velório.
15:32Ela...
15:32Não, ela já vai descer.
15:35Ela já...
15:35Quem foi que morreu, hein, Sabará?
15:38Seu barafum?
15:39Seu barafum acaba de morrer.
15:44Tu entra ca já e sai ca que casamento hoje é isso aí.
15:51Toma lá, dá cá, e no rola, rola, embola o que há aí e aqui.
16:00Entre Copacabã e o sonho de Bacarói.
16:07Vivendo e dançando, dois pra lá e dois pra cá.
16:14Porta a porta o amor fala entre si.
16:17Falsa calma e aí o temporal.
16:21Um relevo baixo, retrato escolar.
16:25Do amor no país do carnaval.
16:31Tu entra ca já e sai ca que casamento hoje é isso aí.
16:37Não, mas você não devia ter deixado Isadora e Tatalo irem até lá com a Bozena.
16:44Aqueles dois juntos já caracterizam, sabe o quê?
16:47Formação de quadrilha.
16:48Ai, Arnaldo, será que a Bozena vai dar alguma coisinha assim pra gente?
16:55Ah, mas tem que dar, ué.
16:57Ela tem que dar.
16:58Depois de todos esses anos que nós nos dedicamos a ela.
17:01Não é?
17:01Oi, gente, aí, Anny.
17:03E aí, tem alguma novidade?
17:05Ah, gente, olha aqui, eu vou falar a verdade, tá?
17:07Eu achei uma loucura vocês permitirem a Isadora e com a Bozena.
17:10Eu sei que a filha é de vocês, mas aquela garota é desequilibrada, né?
17:13Já que eu tenho que te dar razão, viu, Celinha?
17:15Nossa filha é um pouco violenta, não é, Marjorie?
17:18Eu já tenho medo dela usar de brutalidade, dela agredir a viúva Barafon.
17:22É, mas pelo menos tem uma coisa de bom, né?
17:25Se o bilhete estiver no corpo do morto, Isadora recupera.
17:28Ela vai trazer de volta.
17:30Pra isso, pelo menos, a garota serve.
17:32Não é, isso é.
17:33E aí, minha filha, conseguiu?
17:34Não.
17:35Nem pra isso ela serve.
17:37Aqui, a viúva, a dona Anastácia Barafon,
17:40tava trancada no quarto vestindo velho.
17:43A Isadora queria botar a porta abaixo,
17:45mas eu consegui evitar o pior.
17:47Você olha, mas me dá um ódio, viu?
17:49Mas me dá uma raiva, gente.
17:50Porque eu também comprei o bilhete da Lhama Cuspideira lá do Sabará.
17:54Agora, quem ganha?
17:55Quem ganha?
17:56Eu, na Bozena.
17:57Que ódio, que me dá.
17:58Isso não é justo, gente.
17:59Ih, mãe, não fica assim, não.
18:01Porque nada é justo nesse mundo.
18:03Fiquei sabendo disso
18:04quando descobriu o que fizeram com a coitada da justiça.
18:08E o que que...
18:09o que que fizeram com a...
18:11com a coitada da justiça?
18:13Mas vocês não ficaram sabendo, não?
18:14Cegaram ela, gente.
18:17É.
18:17Olha, eu ouvi dizer um babado forte lá na Câmara
18:20que aconteceu o seguinte.
18:21Um vereador junto com um juiz que vendia a sentença.
18:25Fizeram isso.
18:26Cegaram.
18:26Porque era pra não ver mais nada, entendeu?
18:30Senadora,
18:31quer dizer que segundo a sua concepção,
18:34a justiça é cega porque sofreu um ato criminoso
18:38de um vereador em colunio com o juiz.
18:42É isso?
18:43É.
18:43Isso, pai.
18:44Enfiaram a faca nas vistas dela.
18:47É.
18:47A bichinha até usa um paninho aqui que é pra tapar.
18:50Você tá tomando alguma coisa, imbecil?
18:51O quê?
18:51Tá?
18:52Não.
18:53Tá intoxicada?
18:53É, não.
18:54Não uso tóxicos.
18:56A justiça é cega em todos os países, idiota.
19:00Ah, então vai ver que é um mal de família, né?
19:05Ô, pai, vem cá.
19:06Vem cá.
19:08Desiste.
19:09A Isadora não entende a justiça
19:11porque ela não entende conceitos abstratos.
19:14Ela acha que a justiça é uma pessoa.
19:16Quer ver?
19:18Isadora.
19:18Ah, com quantos anos a justiça está?
19:22Ah, sei lá.
19:24Mas muitos, né?
19:25E ela mente a idade.
19:26Eu soube até que ela já fez mais do que uma plástica.
19:30É fronteiriça.
19:32Mas, gente, o que importa
19:34é que a justiça, sendo cega, tem um lado bom.
19:37A gente vai poder agir e ela não vai ver.
19:39Não vai ver o quê, garota?
19:40Não vai ver o que a gente vai fazer.
19:42O seguinte, nós vamos trocar o bilhete da bozena
19:45por esse aqui da mamãe que não vale nada.
19:48Mas agora a mal-caráter teve um rasgo de genialidade.
19:54Menina, mas é exatamente isso que nós vamos fazer.
19:58Uma ógua!
20:01Imagina que eu vou permitir que a bozena seja roubada assim.
20:04Vocês me desculpem,
20:06mas ainda me restam um pouquinho de escrúpulos.
20:08Não é muito, mas ainda me restam alguns.
20:11Oh, Celinha, depois de você roubar a bozena,
20:14não vai restar nada deles.
20:16Não vai sobrar nada.
20:18Oi, bozena.
20:28Conseguiu o bilhete?
20:30Não tô com sorte daí.
20:32A viúva encasquetou que quer enterrar o velho
20:34com a mesma roupa com que ele morreu.
20:37Meu bilhete vai junto, dentro do paletôde.
20:39Mas não vai nem por um cacete.
20:42Nem que eu tenha que pegar uma pá e desenterrar o corpo desse infeliz.
20:45O meu bilhete premiado ele não vai levar assim na mão grande.
20:48Essa história é tão parecida como a que aconteceu lá em Pato Branco.
20:51Nós não estamos interessados com a história de Pato Branco.
20:55Nós queremos saber do bilhete.
20:57Mais do que eu, ninguém quer saber.
21:01O problema é enfiar a mão dentro do paletô do velho morto.
21:05Eu tenho medo de ser presa no velório daí.
21:07E vem cá, onde é que vai ser esse velório?
21:09Aqui dentro do salão de festas mesmo.
21:11Então nós vamos todos a esse velório.
21:14Meu bem, coloca o vestido preto porque nós vamos ao velório do Barafum.
21:18Mário Jorge, mas nós nem conhecemos o morro.
21:20Não interessa.
21:21Vamos todos.
21:22Vamos todos.
21:23O Mário Jorge tem razão.
21:24Vá vestir o luto.
21:25Eu também vou botar o terno preto.
21:27Nós vamos levar essa história do Barafum até o fundo.
21:30Do Barafum até o...
21:32Até o...
21:33A licença.
21:34Vocês não vão acreditar, o caixão está fechado.
21:45Meu Deus, como é que nós vamos fazer?
21:48Meu Deus do céu.
21:49Eu vou lá em casa pegar um pé de cabra.
21:51Você está doido?
21:52Para com isso.
21:54Deixa que eu sei como fazer.
21:55Pai, não vai fazer graça que a gente está no velório.
21:58Que graça?
21:58Você está doido?
22:00Vamos embora, gente.
22:01Olha o mico.
22:01Ninguém vai entender a nossa presença aqui.
22:03Não, senhora.
22:05Vamos cumprimentar a viúva.
22:06Que isso, Mário Jorge?
22:10Madame Barafum, eu vim lhe trazer nossas condolências em nome da família da sua.
22:18Meus sentimentos.
22:19Essa aqui é minha esposa, Célia Regina.
22:21Meus filhos, Isadora e Tatalo, também gostavam muito do falecido seu Barafum, viu?
22:29É.
22:30Meu bem.
22:30Meus pêsames, viu, senhora Barafum?
22:35Obrigada.
22:37Foi tão inesperado.
22:38É.
22:39Então, de repente, o Barafum tinha ido dar um passeio lá no parque aquático.
22:46Aí, chegou, tomou um mingau, um fricote e morreu.
22:53Lá, em Pato Branco, teve um homem de nome Elpidio Mondrete, que também se foi assim.
23:00Foi um pouco diferente no caso dele, porque primeiro ele morreu e depois comeu o mingau.
23:05Cala a boca!
23:05Desculpa, Madame Barafum, eu sou Arnaldo Moreira, eu sou o dentista do Bloco C.
23:12Essa aqui é a minha esposa Rita Moreira.
23:15Nós ficamos muito consternados com o ocorrido, não é?
23:19É.
23:20Como vai?
23:21Meus sentimentos, viu?
23:22Realmente, o seu Barafum deixou uma lacuna que dificilmente será preenchida.
23:31Novamente, não é?
23:33A senhora não pretende abrir o caixão?
23:36A senhora conhecia o meu marido?
23:37Muito, mas muito, mas desde o tempo que vocês vieram morar aqui.
23:42Quer dizer, quanto tempo isso aí faz o quê?
23:44Dois meses.
23:45Então, nesses dois meses, eu e seu Barafum conversamos de tudo.
23:52É, nós até tínhamos combinado de refazer uma ponte, não é?
23:58Um trabalho, tínhamos combinado um orçamento, mas infelizmente o destino não permitiu que
24:02nós nos envolvêssemos com esse trabalho, não é?
24:05E hoje mesmo, Madame Barafum, eu estava aqui, estávamos todos lembrando, nós gostávamos
24:10muito, né Arnaldo?
24:11Tomar uma cervejinha no parque aquático, seu Barafum adorava ver as garotas de biquíni,
24:17o cara ficava doidão.
24:20O que é isso, Marujoso?
24:21Ficou maluco, Marujoso.
24:22Curioso, vocês falam de um Barafum que eu não conheci.
24:27Mas é assim mesmo, nega, ok?
24:29Homem é tudo igual, em casa eles são de um jeito, na rua a outro, né?
24:33Com todo respeito.
24:34É, Madame Barafum, abre o caixão.
24:39Vamos ver o defunto.
24:42Despedir, despedir, por favor.
24:43Abre, abre, abre, abre, abre.
24:45Abre, abre, abre.
24:46Eu não quero vê-lo de novo, daquele jeito.
24:49Mas a senhora não pode impedir, nós que somos amigos, queridos, dar o último abraço
24:54no Barafum.
24:58Ô, dona Álva, a senhora tem que fazer alguma coisa, porque a viúva não está querendo
25:02abrir o caixão.
25:03Não, vai ser muito mais difícil.
25:04Depois saquear o defunto lá no cemitério.
25:06Deixa, deixa comigo.
25:09Madame Barafum, enquanto presidenta do Jambalaya, venho trazendo os sentimentos de todos os meus
25:18condomínios.
25:19Dona Álva, eu queria agradecer muito por a senhora ter permitido que eu fizesse o velório
25:26aqui.
25:27Eu conhecia o seu marido.
25:30Ele era amada.
25:33Estes são Ladir e Deise.
25:36Obrigada, dona Deise.
25:41Obrigada, seu Ladir.
25:46Eu sou o Ladir.
25:48E eu sou Deise.
25:50É.
25:51Vocês são um casal?
25:52Mas o que é isso?
25:53Ladir é meu marido.
25:55Meu Deus!
25:56Olha aqui, ô, ô, ô, ô, ô, Madame Barafum.
26:00Infelizmente, a senhora está me causando um sério problema, viu, Madame Barafum?
26:06O estatuto aqui do Jambalaya só permite velório de caixão aberto.
26:13Que história é essa?
26:14É isso que a senhora ouviu, viu, Madame Barafum?
26:16Olha aqui, aqui.
26:19Ou o caixão fica aberto, ou a senhora vai plantear o seu defunto não pra freguesia.
26:27Está tentando não pra freguesia.
26:29Abre esse caixão agora.
26:30Abra.
26:31Abra o caixão.
26:31Abra o caixão.
26:32Abra o caixão.
26:33Não, não me pressionem.
26:36Eu não vou abrir o caixão.
26:40Vai sim, Madame Barafum.
26:44Eu tenho o direito de me despedir de Barafum.
26:48E eu posso saber por quê?
26:50Porque Barafum era meu amante.
26:54O que foi que a senhora disse?
27:13O que a senhora ouviu?
27:15Barafum era meu amante.
27:17A senhora está maluca, está maluca.
27:20A senhora é demais, a mulher está sofrendo.
27:23Pois vai sofrer duplamente.
27:25Porque eu e Barafum tivemos uma temporada incrível no Caribe.
27:31Oh, não.
27:33O Barafum nunca foi ao Caribe.
27:35Isso é o que você pensa.
27:38Lembra daquelas férias que vocês não passaram juntos?
27:41Quando eu fui pra Teresópolis.
27:43Isso, tu foi pra Teresópolis.
27:46E Barafum pro Caribe.
27:48Comigo.
27:48Abre esse caixão.
27:51Eu quero te despedir de Barafum.
27:53Ah, não.
27:55Não.
27:56Ninguém pode me obrigar.
27:58Álvaro, explique pra ela como funciona o jambalaya.
28:02Sim, meu bem.
28:03Vou explicar.
28:04Madame Barafum.
28:05Olha aqui, Madame Barafum.
28:07Se você não cooperar,
28:10não vai haver velório de jeito nenhum.
28:12Ouviu?
28:13Sabe por quê, Madame Barafum?
28:15Porque atrás do bloco Jota há um imenso matagal.
28:20E nós podemos desovar o seu divunto lá no matagal.
28:25Ouviu bem, Anastácia?
28:28Ouviu bem, Anastácia?
28:29Isso aqui é o jambalaya.
28:33Aqui não é para amadores.
28:36Aqui, ó.
28:37Aqui, aqui, ó.
28:39Aqui é pra profissionais.
28:41Isso aqui é pra profissionais.
28:43Abre esse caixão.
28:44Mas assim, a senhora não me dá escolha.
28:46Nenhuma!
28:48Nenhuma!
28:49Nenhuma!
28:50Abre esse caixão!
28:51Abre esse caixão!
28:52Abre esse caixão!
28:53Mãe!
28:53Mãe!
28:54Onde é minha mãe?
28:55Óbvio!
28:56Não me pressionem!
28:58Ô, mãe, eu tô indo passar uns dias com a doutora Persinha e Miguel Pereira.
29:01Que história é essa, meu filho?
29:03Ela tá muito assustada com o tiro de sal que levou na coxa.
29:05Como eu não posso abandonar as minhas sessões, eu vou ter que ir com ela.
29:09Peraí, isso dá um tempo, mamãe.
29:11Deixa eu pensar.
29:11Mas, Jorge, você acha normal uma psicóloga levar o cliente adolescente pra passar um final
29:19de semana no sítio dela e Miguel Pereira?
29:21Não!
29:22Não, não, não.
29:22Não, não, não.
29:23Então vai com Deus, meu filho.
29:25Eu volto pro Natal.
29:27Graças a Deus que esse menino vai passar uns dias fora.
29:31Tava tarado de um jeito nos últimos dias, tava obrigado a trabalhar de calça plástica.
29:35Eu tô toda assada.
29:38Vamos abrir a caixão?
29:39Não, vamos abrir.
29:41Toma.
29:43Ai, ai, ai.
29:46Barafum, Barafum.
29:48Ai.
29:50Ai, Barafum.
29:51Gente, devagar, devagar.
29:53Vocês vão deixar o defunto do Buda esse jeito.
29:55E, aliás, era como ele queria se despedir da vida.
29:58No empelo.
29:59Que história é essa?
30:01Sim, exatamente.
30:02Ele me confessou, ele e eu dividimos o mesmo gosto pela nudez, madame Barafum.
30:09Ele me confessou que queria ser enterrado nu em pelo.
30:14Que horror.
30:16Então vamos tirar as roupas?
30:17Ótimo, vamos todos tirar a roupa.
30:19Para com isso.
30:22Vocês enlouqueceram.
30:24Deixem a mulher, por favor, velar o marido dela em paz.
30:27Olha aqui, dona Barafum.
30:29A senhora, em nome de todos nós, eu lhe peço desculpa.
30:32Vamos embora, minha gente.
30:33Fechem o caixão.
30:34Ô, colicinha.
30:35Vamos embora.
30:36Só um instantinho.
30:36Acuma aqui.
30:37Ô, Celinha.
30:38São 10 milhões, não é, Celinha?
30:40É, e se ele for enterrado, o bilhete vai junto com o velho.
30:44Celinha, eu trouxe até o meu para a gente ficar botando o lugar.
30:47Não quero saber, não quero saber.
30:49Isso já é demais.
30:50Vai ver, esse dinheiro não era para ser nosso.
30:53Nós vamos embora daqui.
30:54Fechem o caixão.
30:56Obrigada, minha filha.
30:57Um momento, dona Celinha.
30:59Um momento.
31:00Eu perdi um brinco no meio das flores.
31:03É só um momentinho, galera.
31:04Um momentinho só.
31:09Epa!
31:10Esse homem tá vivo?
31:14Tragam o espelho para colocar em frente à face do defunto.
31:19Por quê?
31:20Ele vai querer se retocar?
31:23Não, pra ver se ele tá respirando.
31:26Mas não é preciso, protético.
31:28Eu tô sentindo.
31:30Sentindo o quê?
31:32Prefiro não comentar.
31:33Prenda essa mulher.
31:42Ela tentou me matar.
31:44Queria me enterrar.
31:45Vivo.
31:46Vivo.
31:47Fizerável.
31:49Tudo por culpa dessa gentalha.
31:51Vamos linchar ela.
31:53Mas é o que querido?
31:54Cala a boca, calada, sapatão.
31:56Essa fala é minha, gente.
31:57Essa fala é minha.
31:59Vamos linchar ela.
32:00Vamos linchar ela.
32:01Silêncio!
32:06Vocês estragaram um plano de vida.
32:11Nossa.
32:12Merecem morrer.
32:14Todos vocês.
32:16Vou sair por aquela porta.
32:25Se vocês me seguirem, vão levar tiro.
32:28Tô avisando.
32:29O quê?
32:30Sabe qual foi o meu erro, Barafon?
32:32Qual?
32:33Foi ter alugado apartamento nessa pocilga.
32:36Sim, porque se a gente estivesse morando num lugar decente,
32:39o dinheiro do seu seguro de vida já estaria na minha conta.
32:44Não precisa ofender, não, viu?
32:45Também não é assim, não.
32:47A gente é pobre, mas é decente.
32:48Qual é?
32:49Não, não, não.
32:50Menos a dona Daisy, porque ela é sapatão.
32:52Não pode.
32:53O que é isso, Alva?
32:54Ela é sapatão.
32:55Mas que história é essa?
32:57Eu tô sofrendo uma campanha difamatória neste programa.
33:02O que a senhora tem contra mim, dona Álvaro?
33:04Por que a senhora faz isso comigo?
33:06Sei lá, porque eu me divirto.
33:09Eu me divirto.
33:13Adeus, Barafon.
33:15Já vai tarde.
33:25Caiu vítima do atirador misterioso.
33:29Levou um tiro de sal na bunda.
33:31E agora?
33:34Seu Barafon, esta confusão toda é porque o senhor está com uma coisa que nos pertence.
33:40Um bilhete que o senhor hoje de manhã deu a bozena.
33:45Está com o senhor?
33:46É verdade, está comigo, sim.
33:48Ela pediu pra eu guardar aqui no meu bolso.
33:50Deixa eu mostrar aqui.
33:51Ó, tá aqui.
33:53É esse.
33:53É nosso, é nosso.
33:56Veja se é o bilhete premiado.
33:58É assim, ó.
33:599, 6, 6, 6, 9, 9, 9, 9.
34:069.
34:07Alguém colocou mais um 9 aqui?
34:09Como assim alguém colocou mais um 9 aí?
34:13Está errado, né, gente?
34:14Vocês não perceberam?
34:15Ela se enganou.
34:16Isso não é bilhete premiado nenhum.
34:17Eu não posso acreditar, eu não posso acreditar nessa presepada toda.
34:23Foi porque essa polaca imbecil errou o número do bilhete.
34:29Impressionante um 9 pode acabar com a vida.
34:33Já 9 vezes, meu bem, podem fazer a gente feliz por mês.
34:39Vamos lá, galera.
34:40Peraí, peraí.
34:41E eu, eu, eu aqui?
34:43Me ajuda a sair daqui.
34:44Eu, hein?
34:45Tu fica aí, compadre, que não serviu pra nada essa história.
34:47Perdemos tempo à toa.
34:48Não, não, como perderam tempo à toa?
34:50Afinal de contas, vocês salvaram a minha vida.
34:53O que a gente tem a ver com a sua vida, ô, seu barafu?
34:55A gente estava interessado, era um bilhete.
34:57Claro, eu tenho bilhete, eu sou que se lixo.
34:58Vamos embora daqui.
34:59Vai passar a casa, seu barafu.
35:00Era o que faltava.
35:01Agora vamos ficar, porque a gente vem doido.
35:03A gente vem aqui.
35:05Tira esse velho do cachorro.
35:06Tira ele do cachorro.
35:07Tira ele do cachorro.
35:08Vai pra sua casa.
35:09Manda ele pra casa.
35:10Vamos embora daqui.
35:15Ai, ai, ai, ai, ai!
35:19Acertaram o barafu.
35:21Põe na bunda, barafu.
35:23Olha, barafu.
35:25Não liga, não.
35:27É de sal.
35:28Arde, mas não mata.
35:30Tem depois...
35:30Ô, seu barafu.
35:31Ô, o senhor, levante as mãos pro céu, viu?
35:33Que o senhor tá vivo.
35:34Um pouco salgado, mas tá vivo.
35:36Tu não mata, não.
35:38É que aqui no Jambalá é assim mesmo, viu?
35:40É sempre assim, um dia depois do outro.
35:42Então agora é cem noites no meio.
35:52Já fiz de tudo e apendurei as roupas?
35:56Não, eu posso falar da minha fala.
35:58Agora, eu lhe pergunto,
36:00como é que um homem de bem como eu, um pai de família,
36:02pode criar uma filha nesse condomínio?
36:05Mas quem atacou as moradoras foi Isadora.
36:09Garota mal de caráter!
36:14Eu esqueci.
36:15Só pra você não achar que eu sou louca.
36:17Sabe o que aconteceu?
36:18Era uma baratinha desse tamanho,
36:20ele falando e ela andando aqui em você.
36:23Isso aqui era um cemitério escravo.
36:25Saiu.
36:26Porrada que levou.
36:28O que é isso?
36:31Atingiram a doutora Percy.
36:34Ela tava dando uma consulta no parque aquático.
36:37e eu desconcentrei por causa dessa porcaria.
36:41Nós temos que ter uma solução para o barafum.
36:44A história do barafum.
36:46Só o final, ok?
36:47Vamos até o fim no barafum.
36:52Fala aí você, amor.
36:53Vamos levar até o...
36:54Vamos levar essas...
36:55Vamos...
36:56Vou levar a história do barafum até o fim.
36:58Vou levar a história do barafum até o fim.
36:59Vou levar a história do barafi...
37:00Do barafum até o fim.
37:01É, a base bichu...
37:02A base bichu de...
37:04Vladir, ele é muito macho!
37:06Ele é muito macho!
37:07Mas muita testosterona.
37:11É mais normal toda a minha sangue.
37:16A minha sangue.
37:18A minha temperatura é mais alta que o normal.
37:21Vamos ficar lá, lá, lá, lá.

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