- há 5 meses
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DiversãoTranscrição
00:00Sabará, você viu se meu filho passou aí pela portaria?
00:17Tá bom, tá bom, já sei.
00:20O que foi que ele disse, dona Celinha?
00:22Que é a vigésima vez que eu pergunto.
00:25Porque se continuar assim, não vai me atender mais.
00:27Tá desaforado esse Sabará.
00:37O que foi?
00:41Nunca me viu, não?
00:43Tô nervosa!
00:46Não tá vendo?
00:48A essa hora, 15 anos atrás, eu tava com o meu bebê recém-nascido no colo.
00:53Ai, meu Deus, 15 anos, gente, como é que o tempo passa?
00:5915 anos!
01:00Bozena, eu quero que quando a dona enxergue, ele encontre a festa toda pronta, com tudo muito lindo.
01:0715 anos, uma data emblemática, uma data de passagem.
01:1115 anos, Bozena, é a idade mais linda de todas as idades.
01:18Dá pra ver o que é de passagem.
01:20A senhora não para de passar de um lado pro outro?
01:23Parece que vai parir de novo.
01:24Deixa eu andar, Bozena.
01:26Me deixa andar que eu relaxo.
01:32Bozena, hoje o Adonis vai deixar de ser um menino pra ser um rapaz.
01:38Cadê o pai dessa criança?
01:39Estou aqui, Celinha.
01:44Fecha a porta, gente, ele não pode ver.
01:48Comprou o presente pro seu filho?
01:53Nos 15 anos de um filho, o mais importante não é o presente, não é a matéria.
01:57São os conselhos, a base emocional e a preparação para os rudes golpes da vida.
02:03É, como, por exemplo, o rude golpe de ter um pai pão duro.
02:06Renato, se você não sair daqui agora e não for comprar um presente pro Adonis, a Rita pode se considerar uma mulher viúva.
02:13Não, não, você não seria capaz de fazer isso comigo.
02:16Celinha, onde é que eu vou enterrar o presunto?
02:19Você tá louca?
02:20O marido tem de casa que ocupa um espaço enorme, imagina, morto.
02:24O que é que eu vou fazer com o corpo?
02:25Gente, o enterro tá pela hora da morte, você tá louca?
02:27É, isso sem falar que o Adonis teria que estar no cemitério no dia do seu próprio aniversário.
02:33Você quer isso?
02:34Quer?
02:34Pelo menos lá ele ia ter um monte de vela pra pagar, né?
02:36Porque aqui, o Marcelinha ficou tão preocupado com o bolo e com os doces, esqueceu a vela.
02:41A vela.
02:43Esqueci a vela.
02:45Bozena, vigia esse povo.
02:47Vigia.
02:49Eu vou descer pra comprar a vela e vou ver se eu procuro o Adonis.
02:52Será que se meteu esse menino?
02:54Será que ele tá no parque aquático com a princesa?
02:56É mais fácil a senhora encontrar ele na veterinária, dando banho e tosa nela daí.
03:02Gente, mamãe, cara.
03:04Celinha tem uma mão pra doce, hein?
03:06Que delícia.
03:07Não, do que loucura, ela é sensacional.
03:10Olha esses salgadinhos.
03:12O que foi você que fez, né, Bozena, danada?
03:15Lá em casa você não demonstra esse talento todo, né?
03:19Mas não é falta de talento não, Dona Arita, é falta de tudo daí.
03:22Ei, mas que corrida foi essa?
03:27Vocês não voltavam nunca?
03:28Achei que já estavam mortos lá no Matagal, atraindo o Urubu daí.
03:32Nunca mais eu faço joguem com a Copélia.
03:34A gente fica mais tempo em pé do que correndo de cinco em cinco minutos.
03:38Ela diz, peraí que eu vou ali no mato e já volto.
03:40Mário Jorge, eu sou uma mulher educada.
03:43Tem muita gente lá no Matagal que eu preciso cumprimentar, cara.
03:47Ali é minha área.
03:49Eu tenho um recado pra senhora também, Dona Copélia.
03:51Uma tal de Dona Neiva tá passando aí um abaixo assinado pra senhora parar de ficar nua.
03:55É?
03:56Primeiro pergunta a Neiva se o marido dela quer assinar.
04:00Porque ele é o primeiro a gostar de me ver nua.
04:04Dona Copélia, você há de convir que não é uma coisa normal se você ficar nua por aí.
04:09Mas, Mário Jorge, quem foi que te disse que eu sou normal?
04:14Olha aqui, olha aqui, cara.
04:16Cinco atestados provando o meu desequilíbrio.
04:20Copélia não bate bem da bola.
04:22Da bola eu bato bem, linda.
04:25O que eu não bato bem é da cabeça.
04:30E, além do mais, a minha nudez jamais será castigada.
04:35Querem ver alguma coisa?
04:36Querem?
04:37Querem.
04:38Galera, vocês querem que eu pare de ficar nua?
04:45A voz do povo é a voz de Deus.
04:49Copélia, pelo amor de Deus, né?
04:51Tem um pouco mais de compostura.
04:53Hoje é o aniversário de 15 anos, do Adonis.
04:56Fala nisso, você vai dar o que pra ele?
04:59Uma aí da casa de Madame Teriak.
05:01É algum restaurante japonês?
05:06É, bem...
05:08Madame Teriak é especialista em cones.
05:11Olha aqui, Rita.
05:17Eu tô aqui me segurando pra não dizer, não verbalizar o que eu penso de você.
05:22Mas já que você está sentada aí na minha sala com essa cara de pau, eu me sinto obrigado.
05:26Meu Deus do céu.
05:27Você é muito baixa quando se tratam de negócios.
05:30Eu tô entendendo do que você tá falando, Mário Jair, mas o que que é isso?
05:35Olha, meu bem, não é só porque esse seu joguinho não está dando certo, porque você continua gordo, é que você tem que descontar isso em cima de mim, hein, meu filho?
05:42Ah, se ele tá gordo é por causa dos biscoitos e dos sorvetes.
05:45Vira e mexe lá na geladeira, fuçando atrás do sorvete.
05:47Alguém te perguntou alguma coisa?
05:50Alguém pediu a sua opinião?
05:52Eu não entendo o estado do Paraná.
05:54Deixam a gralha azul ficar extinta e preservam esta polaca faladeira.
05:58Cavalo!
06:01Sou um cavalo, sim.
06:03Sou um cavalo.
06:05E é relinchando que eu vou pedir que você saia da minha casa, Rita.
06:08Você vai o quê?
06:10Ah, pelo amor de Deus.
06:11Vocês agora não vão começar a brigar justo no dia do aniversário do Adonis, não é, Mário Jorge?
06:16Me desculpe, me desculpe, Arnaldo.
06:18Mas eu não vou ficar embaixo do mesmo teto que essa trambiqueira.
06:21Trambiqueira?
06:22Trambiqueira, mas o que é isso?
06:23Sabe por que eu consegui vender o apartamento aqui de baixo pra Dona Leda?
06:28Sabe por quê?
06:28Porque você não teve condição, você não soube fazer isso.
06:31Toma vergonha na tua cara.
06:32Como é que eu não tive condição?
06:34Todo mundo sabe que você tá aí aliciando Dona Leda, inclusive ofereceu os serviços de graça do Arnaldo.
06:42Alto lá, eu só apliquei anestesia porque a Dona Leda me disse que ia fazer um procedimento estético e sentiria muita dor.
06:49Eu apliquei anestesia, tá?
06:51E depois o anestésico é do meu marido, ele aplica em quem e aonde ele quiser.
06:54Essa história tá muito mal contada.
06:56Muito mal contada.
06:58Que procedimento estético é esse que obriga a Dona Leda a tomar uma anestesia na casa do dentista?
07:03A Leda fez o retoque na boca, Mário Jorge.
07:06Sim, e por que o médico que fez o retoque não aplicou ele mesmo a anestesia?
07:10Porque não é médico.
07:11Quem fez o retoque na boca da Leda foi o Ladir.
07:17Mas isso é um absurdo.
07:19Seu Ladir não pode ficar retocando a boca dos outros.
07:21Dona Álvaro sabe disso.
07:23Não fala, não me fala.
07:25Mas será?
07:28Boa tarde a todos.
07:30Eu vim só saber a que horas começa a festinha.
07:32Resta saber se a senhora foi convidada, não é, Dona Álvaro?
07:35Ah, eu sou a presidenta do Jambalaya Ocean Drive, Dona Rita.
07:40Eu não preciso de convite.
07:42Eu tenho essa pulseirinha VIP eternamente agarrada no meu pulso, Mário Jorge.
07:51Bom, eu vou tomar um banho gostoso e colocar uma roupa mais confortável.
07:57Eu já disse o que eu tinha pra dizer.
08:00Eu quero os dois fora daqui.
08:03Os dois não são bem-vindos aqui.
08:06Peraí, você tá nos enxotando, Mário Jorge?
08:09Não entendeu?
08:10Quer que eu desenhe ou quer que eu pegue o cabo da vassoura?
08:12Rá, ré, li, ró, rua.
08:17Rua.
08:18Todos os dois.
08:19Pouca vergonha.
08:20Toma vergonha, Rita.
08:21Dona Álvaro.
08:22Dona Álvaro.
08:23Aproveita e toma o seu rumo junto com eles.
08:27Fui.
08:29Arnaldo, você viu o que o Mário Jorge fez?
08:31Ele nos expulsou da casa dele.
08:33Você não vai fazer nada?
08:35É claro que sim.
08:36O que eu vou fazer?
08:37O que você quer que eu faça?
08:38Eu devia fazer uma coisa drástica, viu, doutor Arnaldo?
08:41Se fosse lá, DIR, ia lá dentro, atrás de Mário Jorge,
08:46aproveitava que ele está nu no banheiro
08:48e pegava ele de jeito.
08:50Sim, eu imagino, sabe?
08:53Mas eu não aceito as práticas do seu ladinho, não.
08:57Viu, dona Álvaro?
08:58Ah, é?
08:59Então, se ele não nos quer aqui na casa dele,
09:02vamos aproveitar e vamos levar a festinha
09:05lá para o apartamento de vocês.
09:07Vamos lá.
09:07É isso que nós vamos fazer.
09:08Vamos levar o salgatinho.
09:09Pega o bolo.
09:11Você não acha que eu levo o bolo.
09:12Mexa-se.
09:13Mãe, olha, na minha terra o nome é de serrobo daí.
09:16Acontece que...
09:17Ai, meu Deus.
09:17Acontece que a sua terra é muito longe daqui, tá?
09:20Então, meta-se com a sua vida e mexa-se.
09:22Vem, Rita, vamos lá.
09:24Escuta, essa fruteira aí nem faz parte da festa daí.
09:28Ah, é?
09:30Então, a única coisa, né,
09:32o máximo que eu posso fazer, dona Bozena,
09:34é deixar uma banana para você.
09:39Uma banana pode comer, Bozena.
09:47Já tá chegando, tananã.
09:53Já tá chegando, tananã.
09:56Já posso destapar os olhos?
09:57Ainda não.
09:59Vai estragar a surpresa.
10:01Só mais um pouquinho.
10:03É um, é dois, é três.
10:08Surpresa!
10:11Tapa de novo, tapa de novo.
10:13Afinal, é pra tapar ou pra destapar?
10:15Espera, espera.
10:20Surpresa!
10:21Surpresa!
10:21Gente, falei surpresa.
10:29Não tô achando graça nenhuma.
10:34Eu falei surpresa, podem aparecer.
10:38Podem aparecer.
10:41Eu...
10:42Que gritaria é essa, Celinha?
10:43Mãe, eu posso ou não posso destapar os olhos?
10:46Espera, meu filho, você demorou 15 anos pra fazer 15 anos.
10:49Pra que a pressa agora?
10:50Cadê todo?
10:52Cadê todo mundo?
10:54Mandei Rita e Arnaldo embora porque eu tenho vergonha na cara.
10:56Botei na rua.
10:58Não vou admitir aquela mulher querendo festejar aqui dentro
11:00depois de levar minha cliente na mão grande.
11:02Mário Jorge, hoje é aniversário do Adonis.
11:0615 anos, aniversário do meu filho.
11:08Melhor pra ele.
11:09Vai ter duas festas, uma aqui e outra do lado de lá.
11:12Por falar nisso, vamos cantar logo esse parabéns
11:14com o meu bolo que eu quero ver o telejornal.
11:16Vai cantar parabéns como se levaram o bolo, Mário Jorge?
11:19Levaram tudo.
11:21Levaram até a empregada.
11:23Levaram até a minha fruteira.
11:28Só deixaram uma banana.
11:30Então, quer dizer que a surpresa da minha festa,
11:33a surpresa é não ter festa.
11:35Tudo bem.
11:37Não, filhinho, peraí.
11:38Tudo bem, não.
11:38Você vai aonde?
11:39Acho que vou fazer as malas e vou mais listar pra lutar no Iraque.
11:42Não precisa me esperar pra jantar nos próximos dois anos.
11:45Não, senhor.
11:47Isso não vai ficar assim.
11:57Arnaldo Moreira.
11:58Eu posso saber quem foi que lhe deu a autorização
12:02de roubar a festa de aniversário do seu próprio filho?
12:06Ih, olá, quando chama pelo nome e sobrenome,
12:08que a coisa tá feia, hein?
12:09Calma, minha loura.
12:10Eu tenho pena verde, por acaso?
12:13Tenho bico amarelo?
12:14Então, não sou sua loura.
12:16Sua loura é quem lhe dá o pé e eu não estou lhe dando nada.
12:19Aliás, estou lhe dando uma banana.
12:21Ah, agradecida.
12:23Muito agradecida.
12:24Ô, Celinha, Celinha, eu não roubei nada, Celinha.
12:27Não, não roubei.
12:28A Rita é que pediu, não foi, meu bem?
12:31Eles loubaram a sua fruteira, Dona Celinha, lá do lado do bolo daí.
12:34Em Guaruda, não foi nada disso.
12:36A fruteira foi ideia da Álvaro, da Dona Álvaro, era pra decoração.
12:40Ninguém ia pegar nada, a gente ia devolver.
12:44Celinha, é o seguinte, tá?
12:47Mário Jorge nos expulsou da sua casa.
12:49Mas, visual da direita, vocês roubaram o bolo, os doces,
12:52salgando o que eu fiz.
12:54Olha como que o garoto está!
12:56Mãe, eu estou muito bem.
12:58Eu só quero ir pra casa fazer um araquiri.
12:59Ah, me dá a receita que eu faço esse araquiri daí, daí.
13:02Ô, Adonis, não se estressa, não.
13:04Olha pra mim, meu caso é muito pior.
13:07Quando eu fiz 15 anos, sabe o que meu pai me deu?
13:09Um barbante.
13:11E ainda disse que quando eu fizesse 18 anos, ele me dava o resto do ioiô.
13:15E eu, eu, quando nasci, esqueceram na maternidade, meu filho.
13:20Se não fosse tia Eda, eu hoje estaria sendo criada no interior de Goiás.
13:24Foi tia Eda que lembrou de você?
13:26A única.
13:27Mas, enquanto viva, sempre disse que eu não valia nada.
13:30Eu não valia mesmo.
13:32A Isadora gastava o dobro de fraldas descartáveis.
13:36Garota mau caráter.
13:39Era impressionante.
13:40Ela chorava, eles acordavam.
13:42Iam trocar a menina.
13:44Sem saber que fazia tudo parte de um plano.
13:48Exatamente, do jeito que você tá falando.
13:50Isadora, impressionante, viu?
13:52Era a gente deitar, você sujava a fralda.
13:54Isadora, eu acho que eu fui o único bebê que fazia cocô à prestação.
13:57É hoje.
13:58Não, isso então explica muita coisa, viu?
14:02Mas olha aqui, Adonis.
14:04E papai não esqueceu de você, não.
14:07Viu, Celinha?
14:09Olha aqui pra você, um presente inesquecível.
14:12Pô, pai, ficou até sem graça.
14:17E o que eu vou fazer com o alicate?
14:20Não, eu acho uma heresia chamar de alicate um boticão de época.
14:24Isso foi comprado num antiquário, meu filho.
14:28O seu avô me deu de presente quando eu entrei pra faculdade, entendeu?
14:32E eu guardei pra te dar, e tô te dando agora.
14:37Inclusive eu fiquei anos guardando esse presente, sabe, Adonis?
14:42Olha, gente...
14:44Senhor, desculpa.
14:47Eu tô muito emocionado.
14:50Mas pai, eu não pretendo fazer...
14:51Pai, eu não pretendo fazer odontologia, e sequer tô na faculdade.
14:56Mas garoto é chato.
14:58Não tá vendo que seu pai tá emocionado? Aceita logo esse alicate.
15:01Boticão!
15:03Como é que seja!
15:05Tá se emocionando muito, hein, Arnaldo?
15:07Isso é idade, viu?
15:09Ontem ele chorou assistindo Nemo.
15:12Eu já não posso ver Dumbo.
15:15Me lembra minha mãe.
15:17Ela também trabalhou no circo.
15:20Mamãe!
15:21Eu mereço.
15:23Devo ter sido Gengis Khan na última encarnação.
15:25Só isso explica o fato de ter nascido nessa família
15:28e ganhar um boticão enferrujado do meu pai como presente de 15 anos.
15:31Arnaldo, também pensa.
15:32O que o seu filho vai fazer com esse jazz, esse alicate, hein?
15:35Esse ladrão de brigadeiro!
15:37Ei!
15:37Ei!
15:39Não quis comprar nada.
15:41Não quis pagar a festa de 15 anos do próprio filho.
15:45Ai, Arnaldo, Arnaldo.
15:47Se você entrasse no meu pensamento, você não saía vivo de lá.
15:51Eu gostei desse lance.
15:53Dá pra prender as rodas da minha bicicleta.
15:55Eita!
15:5610 pratas.
15:58Fechado.
16:00Espera aí.
16:01Esse boticão é uma relíquia.
16:03Isso aqui é um símbolo que deve ficar na família por gerações.
16:08Eu não posso ter esses Gengis.
16:10Eu devo ser fruto de alguma experiência científica.
16:13Arnaldo, o seu símbolo não é um boticão.
16:16É uma mão fechada.
16:20Chega de comer a festa do Adonis.
16:23Seus trombadinhas de salgadinho.
16:24Bozena, recolhendo tudo.
16:27Vamos lá.
16:28Não, peraí.
16:29A festa volta lá pra casa.
16:31Mas tá tudo bem.
16:32Pode voltar.
16:33Acabou a palhaçada.
16:34Mas peraí, Nessa.
16:35Caramba, caramba.
16:36Mas ninguém é isso.
16:38Acabou, palhaçada.
16:38Olha aí.
16:39Tu entra cá já e sai cá que casamento hoje é isso aí.
16:46Toma lá da cá e no rola rola, em bolo que há aí aqui.
16:53Entre Copacabana e o sonho de Pócaroí.
17:02Vivendo e dançando, dois pra lá e dois pra cá.
17:07Porta a porta o amor fala entre si.
17:13Falsa, calma e aí o temporal.
17:16Um relevo baixo, retrato escolar.
17:20Do amor no país do carnaval.
17:24Tu entra cá já e sai cá que casamento hoje é isso aí.
17:31Toma lá da cá.
17:33Teu presente.
17:33Obrigado, Isadora.
17:35Peraí.
17:37Uma identidade?
17:39Falsa.
17:42Escuta.
17:43Dê o pepino com os homens e apresenta essa.
17:45Tá vendo?
17:46Botei até uma foto sua aqui, ó.
17:48Fizeram um serviço, meu filho, de profissional.
17:51Valéria?
17:53Mas aqui diz que meu nome é Valéria.
17:55Você diz que joga no meu time?
17:57Se os homens te pegarem, você diz
18:00Eu sou Valéria no corpo de Adonis.
18:03Tá me estranhando?
18:04Dora Dez, e quando os homens te pegam, a senhora diz o quê?
18:08Os homens não me pegam, Mário Jorge.
18:11O último que tentou, no momento, se chama Lavínia.
18:16Minha avó com essa identidade falsa, vai Adonis.
18:19Meu filho não vai se meter com confusão não, tá, Isadora?
18:22Prefiro usar a minha.
18:23Muito obrigado.
18:24Vai lá, Rosiana.
18:27Vou ver quem é.
18:28É muito da cara de pau mesmo, não é?
18:35Foram enxotados e ainda tem a semvergonhice tenta bater aqui na campainha da gente.
18:40Alivia, Bozena.
18:41Alivia que eu preciso me alimentar.
18:42Estou te devendo esse favor.
18:44Celinha, eu não vou deixar de abraçar meu filho só porque o Mário Jorge e a Rita estão
18:49se estranhando, não é?
18:50Afinal de contas, Mário Jorge e Rita se estranham desde antes de serem casados.
18:54Na verdade, eu acredito que eu nunca tenha tido uma real intimidade com o Mário Jorge.
18:59Falta agora você dizer que nós fizemos dois filhos nas coxas.
19:02Olha, quase, viu?
19:05Por falar em filho, a Gelda telefonou.
19:09O leite dela secou.
19:11Ei, coitada, manda ela tomar canjica.
19:14Ai, meu Deus do céu, eu não sei como é que essa menina pode estar se virando com james.
19:17Coitados, eu não vou decorar esses dois nomes nunca.
19:21Arreli e Mariri.
19:23Gente.
19:24Mas, ó, a Gelda descolou uma ama de leite.
19:27Ah, meus filhos estão sendo amamentados por uma camela.
19:36Camela?
19:37Uma camela com corcova?
19:40Duas, duas.
19:41É, porque senão é dromedária, Daniel.
19:44Gente, é uma camela que tá no circo que ainda dá leite.
19:49Não é demais?
19:50Ah, é demais.
19:52Meus dois netos, seus sobrinhos, estão sendo aleitados por uma camela.
20:00Bom, pelo menos vão aprender a sobreviver no deserto, né?
20:03Eu espero.
20:04Ô, pai, então, podemos participar da festa?
20:08Se você de casa acha que os Moreira podem participar da nossa festa,
20:11diz que 0800 396, meio mole, meio dura.
20:14Se vocês acham que os Moreira não podem participar, diz que 0800 396 00, bananal.
20:21Se alinha, decide.
20:34Bom, não é todo dia que se faz 15 anos, né?
20:38É.
20:39Entra.
20:42Aí, Adorno, seu pai voltou, sem boticão.
20:45Graças a Deus.
20:46Hum, Mário Jorge, olha, a dona Deise tá bebendo sem parar.
20:53Cuidado, que eu já ouvi dizer que ela já quebrou um bar inteiro, hein?
20:57Isso é verdade.
20:58Até escutei que nos bons tempos da Deise, ela era capoeirista.
21:01Uma egímia capoeirista.
21:03Como o quê?
21:04O quê?
21:05Uma egímia capoeirista.
21:07Mas o quê?
21:08O que foi que você falou, garoto?
21:09Não, vocês ouviram isso?
21:10Você ouviu isso, Rita?
21:11Sua filha, nascida de suas entranhas.
21:14Ela disse que dona Deise era um egímio sapatão.
21:19E o que foi que você disse, garota?
21:20O que foi?
21:21Ih, o quê?
21:22Falei que ela era uma egímia capoeirista, porque não era.
21:25Exímia, ignorante.
21:27É isso, exímia, eu sei.
21:29Com Z, claro.
21:30Não, com X, camela.
21:33Ué, mas com X, então, é exímia.
21:36Exímia, eu a tua cara de bolacha?
21:39Garota mal carato.
21:40Isso é o problema do olho junto.
21:42Você escutou?
21:43Exímia, intimia.
21:45O olho junto não deixa espaço pro cérebro operar normalmente.
21:49Vândala.
21:51Tanta mensalidade gasta no colégio desta menina
21:53e ela espanca a língua portuguesa cotidianamente.
21:58Olha, Rita, você arranja uma ocupação pra essa garota
22:00agora que ela foi caçada, senão eu não sei não, hein?
22:03É, Isadora, Isadora é incontrolável.
22:05É curioso, viu?
22:07Sempre que eu me remeto à minha experiência de maternidade,
22:10à imagem que me vem, sou eu.
22:12Hum?
22:13Um aviãozinho em chamas.
22:15Sei.
22:16Descendo em parafuso.
22:19Ah!
22:20Ingressão ao solo, Ana.
22:22Não, não.
22:25Eu, hein?
22:25Ó, oi, pode ficar tranquila, tá?
22:28Porque eu já tô estudando umas propostas
22:30e se Deus quiser eu vou arrumar logo o marido rico.
22:33Isso você já arrumou, né?
22:34Só que ele explodiu nos ares.
22:36Você tem outra alternativa?
22:38Ela recebeu uma proposta pra posar nua.
22:40Mas a Copélia acha uma vergonha cobrar pra tirar a roupa.
22:45Isadora agora, por enquanto vai trabalhar no SPP.
22:49Sapatos pelo progresso.
22:50Ô, dona Deise.
22:53Quem?
22:54Pra começo de assunto, dá licença, Arnaldo e Rita.
22:57Eu gostaria que a senhora ficasse sentada de costas pra porta.
23:01Vem cá, vem.
23:01Já sei.
23:02Sapatão sentado de costas pra porta, o que foi?
23:06Não, é que não é nada.
23:07Mas só pra você não ficar chateada, mas é que é uma superstição.
23:09Mas a senhora sabe isso mesmo.
23:10A senhora conhece, não conhece.
23:11Mas eu já disse que sapatão sentado de costas pra porta traz sorte.
23:15E sapatão deitado na cama alheia traz morte.
23:18Que horror.
23:19O que é isso, Bozena?
23:20Que agressividade.
23:22Que tom é esse?
23:23A dona Deise toma muita liberdade comigo.
23:25Só porque eu sou empregada daí.
23:27Acha que pode assoviar toda vez que eu passo.
23:30Não é isso.
23:31É que eu quero regularizar a minha situação com você, brancona.
23:35Mas eu não gosto de mulher.
23:39Alguém quer, por favor, meter isso na cabeça dela.
23:41Eu?
23:43Eu não tenho coragem de meter o que quer que seja na dona Deise.
23:46Não me arrisco.
23:49A dona Deise já bebeu demais e ela continua bebendo.
23:53E ela, quando bebe, dá alteração.
23:55Eu já vi ela chamar o coronel pavão pra briga.
23:58Pegou uma garrafa, quebrou na mesa e partiu pra cima dele.
24:01Que porê.
24:03Vê quem é primeiro.
24:05Vê quem é.
24:05É a dona Coppelha e um pato gigante daí.
24:16Dona Leda, o que que aconteceu?
24:18Eu juro que quando ela entrou por aquela porta,
24:20achei que era a camela que tinha vindo cobrar a conta do leite.
24:24Leda!
24:25Olha o Arnaldo aí.
24:27Dona Leda, o que que houve na sua boca?
24:29Tá esquisito, não tá?
24:31Eu mesma, quando vi, achei que a Leda tinha exagerado
24:35no atendimento.
24:36Que atendimento?
24:38Prefiro não comentar.
24:41Doutor Arnaldo, eu vou lhe processar.
24:44Isso é uma reação alérgica.
24:46Isso é um edema.
24:48A minha boca está bicuda.
24:51Olha, o senhor quer saber de uma coisa?
24:52Eu não estou sentindo nenhuma sensibilidade nessa área.
24:57Até fumei um charuto do lado contrário
24:59e nem me dei conta.
25:02A senhora perdeu a sensibilidade
25:03porque a senhora exagerou no produto que aplicou na cara.
25:06Entendeu?
25:07Não sabe envelhecer com dignidade,
25:08agora tá aí com esse bico de pato insensível.
25:12Tá me chamando de velha?
25:14O senhor está me chamando de velha?
25:17Pois olha, eu vou anexar este deboche
25:20no processo que eu vou fazer contra o senhor.
25:23Ai, babei na blusa.
25:25Dona Leda!
25:28Dona Leda, o meu marido prestou um favor, senhora.
25:31Não, não, não, não, Rita, alto lá.
25:33Não, não, não leva mal, mas o Arnaldo tá errado.
25:36A Leda, coitada, não pode mais fazer o que ela mais gostava, cara.
25:41E o que que ela mais gostava, mãe?
25:44É, prefiro não comentar também.
25:48Nunca fui tão insultada como tenho sido nesses últimos dias.
25:52Eu fui tomar meu sol matinal lá no parque aquático
25:55e uma velha louca passou por mim,
25:58jogou um pano na minha cara e gritou
26:00cubra as suas intimidades.
26:05E eu não paro de babar.
26:08Quem foi que botou essa minhoca aí na sua boca, dona Leda?
26:11O ladir?
26:14É, procede, né?
26:16Olha aqui, dona Leda, se a senhora quer processar alguém,
26:19processe o seu ladir que lhe aplicou isso na beixola.
26:22A dona Álvaro que paga as custas do processo.
26:34Ah, vê-se que dona Leda
26:38não é já estar se entendendo com o carniceiro do 1101.
26:44Ele certamente não é estar acusando o meu marido
26:48pela reação alérgica causada pela anestesia vencida
26:53que ele lhe aplicou na boca.
26:55Não foi, dona Leda?
26:56É, vê-se.
26:57Peraí, vencida?
26:58Olha aqui, dona Álvaro, quem tá vencida é a senhora.
27:01Tá entendendo?
27:02E desde quando o seu ladir está balizado ou credenciado
27:06pra aplicar o que quer que seja na boca de alguém?
27:08Me diz.
27:09Protético, hello, se liga.
27:12Quando o ladir trabalhava numa boate com o nome de Dylan Thomas,
27:15era ele quem chefiava o tráfico de silicone.
27:18Botei muita pomete.
27:20Pomete é mara.
27:22Lá em Pato Branco tinha uma mulher.
27:27Mas que coisa é cacete.
27:29Meu Deus do céu.
27:30Tinha uma polaca denomia Alberto que também botava pomete daí.
27:34Depois começou a mexer na boca, foi perdendo o controle
27:37e acabou conhecida como pata branca daí.
27:48O coito do cavalo.
27:49Seu ladir, afinal de contas, o que foi que o senhor aplicou
27:57no bico de dona Leda?
27:59Algo mara.
28:02Eu acho, por exemplo, que você fez um jeitinho aqui.
28:06O quê?
28:08Outro aqui.
28:11A bochecha.
28:13Que isso? Larga a minha bochecha, seu ladir.
28:15E agora vamos ver se o popô está caindo.
28:17O que é isso, seu ladir?
28:18Seu ladir, o senhor se arrisca um dia desse
28:21se encontrar um sujeito de maus bofos e vai tomar uns tapas
28:24se quiser ver o popô do cidadão.
28:26Que história é essa, dona Alvara?
28:27Desde quando o meu popô está aberto à visitação pública?
28:30E vamos acabar com esse blá, blá, blá,
28:32porque eu quero uma reparação.
28:34E eu vou chamar a polícia.
28:35Ah, babei outra vez.
28:38Olha aqui, dona Leda, a senhora devia era chamar um cirurgião, entendeu?
28:44A senhora quer se ressarcir dessa barbaridade que fizeram na sua beissola?
28:49A senhora devia era processar seu ladir.
28:52Eu fiz tudo perfeitamente bem.
28:55Coloquei uma minhoquinha mara.
28:58A anestesia estava fora da data.
29:00Por favor, aprova.
29:02Olha aqui, olha aqui.
29:04Estão aqui comigo os vidrinhos.
29:06Ele não só aplicou anestesia fora do consultório,
29:12como utilizou um produto vencido.
29:14Processe o doutor, dona Leda.
29:16Aqui estão as provas.
29:18As provas aqui dos vidrinhos.
29:32Me dá esse vidrinho.
29:37Ninguém pega esses vidrinhos da minha mão.
29:39Ninguém pega esse vidrinho.
29:41Me dá esse vidro.
29:41Me dá esse vidro.
29:41Me dá esses vidros.
29:46Rapaz, rapaz, essas provas.
29:50Olha aqui esses vidros.
29:52E essas provas são forjadas.
29:53Eu nunca apliquei esse anestésico na minha vida.
29:57Rapaz, rapaz.
29:59Eu tenho muito testosterona.
30:01Se eu ficar nervoso, eu bato todos os vidros.
30:06Pai, pelo amor de Deus, hoje é meu aniversário.
30:10O quê?
30:11Parabéns.
30:11Obrigado.
30:13Muita saúde, muita paz.
30:14Obrigado.
30:15Senhor Tamar.
30:16Mãe, mãe, por favor, canta esse parabéns logo de uma vez
30:18que eu estou tendo uma crise de angústia.
30:20Filhinho, come um risole que passa.
30:22A mamãe tinha uma tia que ela curou das crises de pânico
30:26comendo empada de palmito.
30:28Então você vai cantar o parabéns que horas?
30:31Na hora que tiver que cantar.
30:33Agora eu estou servindo o cachorro quente.
30:35Eu comia minha salsicha?
30:37Não.
30:39Quando você mordeu o pão, ela pulou e foi para baixo do sofá.
30:45Copélia, você viu só?
30:47A salsicha pulou para baixo do sofá
30:51e eu não senti nada.
30:53Eu estou completamente sem sensibilidade na boca.
30:57Isso é grave, companheira.
30:59Gravíssimo.
31:00Eu acho salsicha maravilhosa.
31:05Senhor Ladinho, me responde uma coisa.
31:07Eu estou pensando em botar boca.
31:09O que o senhor acha?
31:10Boca onde, mau caráter?
31:11No trombone?
31:12Minha filha, você não pode estar falando sério,
31:14mas nessa idade você vai fazer isso?
31:16Hello.
31:18Em que mundo você vive, mãe?
31:19Hoje em dia a gente começa cedo.
31:21É.
31:22A filha do Sabará, por exemplo,
31:23faz escola progressiva no cabelo
31:24desde que tem um ano.
31:27Nossa, por isso que a menina grita a noite toda.
31:31Vou denunciar.
31:33Ah, então aproveita e denuncia também a filha da Moema.
31:36Sim, porque a menina já foi fazer uma mamomplastia.
31:38Uma o quê?
31:39Mamomplastia.
31:40Mamomplastia.
31:42Mamomplastia.
31:42Mas que coisa insuportável.
31:44Você é ignorante.
31:45Se não, sabe, não fala.
31:46Não fala, minha filha.
31:47Faz mímica.
31:48Ela foi fazer...
31:51Ah, é, tá bom.
31:53Foi lá, tututututu, botou peito.
31:55É isso que ela fez.
31:56E fez com 12 anos, tá, Sérgio?
31:58Nossa.
31:59Agora me dá licença.
32:00Seu Ladir, o que o senhor me aconselha?
32:03Bom, pra começo, bico.
32:07Mulher bicuda.
32:09É mara.
32:12Bom, gente, por favor.
32:13Vamos cantar parabéns pro meu filho, né?
32:16Parabéns.
32:16Parabéns.
32:16Essa festa aqui eu fiz com tanto empenho.
32:18Fiz tudo sozinha.
32:2015 anos, gente.
32:2215 anos.
32:22Uma data muito importante.
32:24Se ele fosse menina, tava dançando valsa.
32:27Eu dancei valsa.
32:28Eu não.
32:30Eu não.
32:30Esqueci a gravata.
32:32E não me deixaram entrar no bairro.
32:35Bom, mas tá tudo certo.
32:36Mas vamos cantar logo parabéns,
32:37que depois eu quero ir pra polícia.
32:39Vamos embora.
32:39Tá bom, dona Leda,
32:40só não foi babar no bairro.
32:41Não, peraí,
32:42se ela pode babar no bairro.
32:43Deixa eu ficar perto do meu filho.
32:45Ai, vamos lá.
32:48Parabéns pra você.
32:51Essa data tá ruim.
32:53Tá doendo.
33:00Tá doendo onde, dona Leda?
33:01Aqui, aqui.
33:04Ai, mano, Jorge.
33:05Ai, mano, senhora.
33:06Será que é infarto?
33:07Não.
33:08É amor.
33:12Ai, eu me envolvi, cara.
33:15Eu tô apaixonada.
33:17Apaixonada.
33:17Dona Leda, por favor, agora não.
33:19Agora é hora do parabéns.
33:20Agora sim.
33:21Eu quero falar do meu amor.
33:23Dona Deise,
33:26o senhor tá vendo
33:27essa frigideira aqui na minha mão?
33:30Ela pode se materializar na sua cabeça
33:33se a senhora não se comportar daí.
33:36É, e por favor,
33:37continue de costas pra porta
33:39que amanhã eu tenho um negócio pra fechar.
33:41Falou?
33:41Ai, quer sair um braço?
33:43Sim.
33:44O que é isso, dona Leda?
33:44Quer?
33:45O que é isso?
33:46Vamos lá pra fora que eu te...
33:48O que é isso, dona Leda?
33:50Dona Deise, eu falei pra senhora não beber.
33:53Olha, vamos que eu parto a tua cara.
33:55Olha, gente...
33:56Gente, a Deise é um sapatão à moda antiga.
33:59Do tipo que ainda manda flores.
34:01Dona Deise, ó.
34:02Por favor, tá?
34:03Por favor, tá?
34:04Por favor, Tatal, Tatal.
34:05Segura ela.
34:05Eu?
34:06Tá doida?
34:07Olha pra mim.
34:07Dona Deise me parte ao meio na primeira chifrada.
34:10Então, vamos apagar a luz.
34:14Acende aí a vela.
34:15Vamos lá.
34:16Apaga a luz, Bozena.
34:22Acende a luz, Bozena.
34:24O que foi, Donal?
34:26Passaram a mão em mim, Mário Jorge.
34:28Mas como, Donal?
34:29A senhora tava sozinha lá no bar.
34:32Então, acho que fui eu mesma.
34:33Apaga a luz, Bozena.
34:37É um, é dois, é três.
34:40Chega!
34:42Acende a luz, Bozena.
34:43Chega!
34:44Eu quero me internar.
34:45Eu quero sumir daqui.
34:47Eu tenho 15 anos.
34:4815!
34:49As minhas estruturas ainda não estão solidificadas.
34:53Eu posso degringolar.
34:55Vocês não pensam nisso, não?
34:57Eu sou obrigado a comemorar o meu aniversário com essa fauna
35:00que vocês conseguiram reunir aqui dentro.
35:03Incluindo um sapatão bêbado, alcoolizado, um ex-transformista e Donaleda
35:08que não consegue nem identificar aquilo que tá comendo.
35:10Parente, isso é o pior.
35:12Vai por mim.
35:13O resto se tira de letra.
35:15Fala sério.
35:17Não saber o que está comendo é muito perigoso.
35:21Mãe, eu tomei uma decisão.
35:23Já que vocês não escutam os meus apelos, eu resolvi protestar.
35:28Protestar de que jeito, meu filho?
35:31Eu tô me oferecendo pra adoção.
35:33Tatalo, fez aquilo que eu te pedi?
35:35Tá lá fora, eu vou buscar.
35:37E o que você pediu pro Tatalo?
35:39Uma placa.
35:42Olha aí, ceguinha.
35:44Fruto de família disfuncional,
35:47busca ajuda e oferece-se para adoção.
35:51Inteligente, limpo e saudável,
35:54realiza pequenos trabalhos e é organizada.
35:59Mas o que que é isso, Adonis?
36:02Você ficou maluco, Adonis?
36:03É um gesto, pai.
36:04É um símbolo.
36:05Eu vou estar nos jardins do Djambalaia com essa placa.
36:08Filho, se você me dá um desgosto desse,
36:11eu não sei nem de quem que eu sou capaz, hein?
36:13Eu não sei nem de quem que eu sou capaz.
36:15Mas eu sei do que eu sou capaz.
36:18Não vai ficar no jardim com essa placa coisa nenhuma.
36:20Me dá essa placa.
36:21Eu sou dono do meu corpo.
36:23Levante as mãos para os céus,
36:25eu não sou dono nem da minha boca.
36:28Tá bom.
36:29Me dá essa placa aqui, Adonis.
36:30Me dá essa placa.
36:31Olha aqui o que eu vou fazer com essa placa.
36:33Estão vendo?
36:36Esse é o verdadeiro Arnaldo Moreira.
36:39Esse é o homem que me deformou.
36:44Babei na blusa.
36:46Quer saber?
36:47Cansei.
36:49Eu vou para o meu quarto.
36:51Mas você estava até quebrado o negócio, menino.
36:53Você é um desastre.
36:55Você é um desastre.
36:56Olha, eu também cansei, viu?
36:58Eu também cansei.
37:00Olha aqui, dona Leda.
37:01Se a senhora quiser me processar,
37:02processe.
37:03Mas antes,
37:05investigue e veja o que foi que seu ladinho
37:06aplicou na sua beissola.
37:08Eu quero ver se algum juiz
37:09vai dar ganho de causa
37:10a uma mulher que sequer consegue conter
37:12a saliva dentro da própria boca.
37:14Vamos embora, Rita.
37:15Acabaram-se os 15 anos do meu filho.
37:18Vamos embora.
37:18Vamos embora.
37:20Olha, e esse moleque aí ainda vai dar valor
37:22ao pai que tem?
37:23Ah, se vai.
37:24Eu espero.
37:25Vamos, meu amor.
37:26Vamos embora.
37:27Sabe de uma coisa?
37:29Eu acho que eu vou pegar uma colinha
37:31e aproveitar essa placa
37:33e ficar um pouquinho lá no jardim.
37:35Quem sabe alguém se compadece de mim, né?
37:38Celinha?
37:38Hum?
37:39Quer saber do que mais?
37:40Pra mim, essa festa também já acabou.
37:43Boa noite a todos.
37:44Eu vou me deitar.
37:45Eu também quero saber de uma coisa.
37:49Vou cuidar do meu marido,
37:51que eu tô exausta.
37:52Nunca vi festa mais movimentada.
37:55Começou aqui, foi pra lá, voltou pra cá.
37:58Não quero mais saber de nada.
37:59Também já tô com desgosto.
38:01Sabe o que eu vou fazer?
38:03Bozena, bota todo mundo na rua e tranca a porta.
38:07Bozena, então você, querida,
38:09aproveite e corte um pedaço bem grande de bolo
38:13que eu vou levar para casa
38:14para comer de noite com o Ladir.
38:16Ô, Leda, você também não quer um pedacinho?
38:20Não, não, obrigada.
38:21Porque eu pensando em comer o bolo
38:23já me sinto toda lambuzada de glacê.
38:27Depois eu vou ter que subir
38:28porque vou levar uns 40 minutos
38:30escovando os dentes.
38:32Sem contar que eu vou me secar
38:34porque eu vou ficar toda molhada.
38:37Bom, Copela e eu,
38:39vamos dar um rolê.
38:41Antes vamos desolvar a Deise em casa
38:43porque ela não tá dizendo mais
38:45coisa com coisa.
38:46Ela já saiu da casinha.
38:48Então vamos empurrar ela de volta.
38:50Isa, quer vir com a gente?
38:52Não, não, obrigada.
38:55Botar a Deise na cama
38:56não é uma coisa que eu gosto muito de fazer.
38:59Seguinte,
39:00já que Mário, Jorge e Celinha
39:01resolveram dormir,
39:03que tal a gente continuar nessa festinha?
39:05Mais um pouco.
39:06Ai, adorei, adorei a ideia.
39:10Então quer dizer que hoje
39:12teremos swing?
39:13Não, não, não.
39:16Não, não, Álvaro, hoje não.
39:18Hoje é o aniversário
39:19de 15 anos do Adonis.
39:22O parente hoje vai deixar
39:23de ser menino
39:24pra tornar-se homem.
39:28Isso não vai acabar bem.
39:30Mário Jorge,
39:37Mário Jorge,
39:38meu amor.
39:40Mário Jorge?
39:42O Adonis sumiu.
39:43Ele não tá no quarto,
39:44Mário Jorge.
39:45Ai, meu Deus,
39:46será que o garoto
39:46tá lá no jardim
39:47com aquela placa?
39:48Não, calma, calma, calma.
39:50Pera aí.
39:50Adonis sumiu?
39:52Sumiu.
39:53Liga pra tua mãe,
39:54vai por mim.
39:56Oh, não, senhora.
40:00Alô?
40:05Mamãe, cadê a Adonis?
40:07Calma, calma, Celinha.
40:10Relaxa,
40:11que eu já tirei
40:11da cabeça do Adonis
40:12aquela história
40:13de sumir de casa, tá?
40:15Já, já eu levo ele de volta, cara.
40:17Tá bom, mamãe,
40:18mas onde vocês estão?
40:20Na casa de Madame Teriak.
40:23Fica tranquila, Nen.
40:27Como é que eu vou ficar
40:28tranquila, mamãe?
40:29Mário Jorge,
40:31mamãe levou Adonis
40:33pra casa de Madame Teriak.
40:37Isso ia acontecer
40:39mais cedo ou mais tarde,
40:40Celinha.
40:42Relaxa, meu bem,
40:42é assim mesmo.
40:44Hoje você deixou
40:45de ter um filho menino
40:47e passa a ter um filho homem.
40:50A vida passa, Celinha.
40:52A vida passa.
40:57Como é que ele está?
40:58Ladi,
41:01ele está
41:03no oufuro
41:04com três garotas.
41:06E em Xinlin.
41:08Fui eu que escolhi as bolsas.
41:16Vamos sair, Ladi.
41:18Vamos deixar o Adonis
41:20curtir
41:20os seus 15 anos,
41:22porque afinal
41:23é a mais linda
41:25das idades.
41:26E passá-los
41:28no oufuro
41:28com Xinlin
41:30não é pra qualquer um.
41:32Essa noite
41:33ele jamais vai esquecer.
41:35Sabe por quê?
41:36Eu sei,
41:38mas prefiro não comentar.
41:41Isso são segredos.
41:45Segredo
41:45do oufuro.
41:46O oufuro.
41:48O oufuro
41:49é maravilhoso.
41:51quem foi que disse...
42:07Foi tia Eda que lembrou de você?
42:16A única.
42:18Mas enquanto viveu,
42:19sempre falou muito mal de mim.
42:21É, falava mesmo.
42:23Falava mesmo.
42:24Falava mesmo.
42:25Não era mal.
42:27Desculpa.
42:27Não tem filha.
42:28Falia nada.
42:30Se você acha
42:30que a família é ao lado,
42:33pode...
42:41Fico todo doido em casa
42:42que ela me dá tanta porra.
42:44Ela nem é minha mulher.
42:46Tô achando a patéia
42:46muito fraca hoje.
42:51Vai.
42:53Joga a culpa
42:56na patéia.
42:58É aquela senhora ali, ó.
43:00Que me dá pra cá.