00:00O Brasil tem potencial para se tornar um centro global de inteligência artificial e tecnologia,
00:06mas para isso precisa definir regras claras e estratégias para se destacar na corrida mundial.
00:11E é sobre governança que eu converso agora ao vivo com a especialista Daniele Andrade,
00:16que é fundadora e CEO da AELabs.
00:18Bom dia para você, Daniele. Seja bem-vinda.
00:21Bom dia, Marcela. Uma alegria estar aqui com você, viu, e com a sua audiência.
00:25Obrigado, o prazer é nosso.
00:26Bom, quando a gente fala do Brasil se tornar um dos grandes players internacionais de IA,
00:31a briga aí é boa, hein, Daniele?
00:32Porque China, Estados Unidos e Europa estão muito à nossa frente, né?
00:37É verdade, né?
00:38E quando a gente fala de competitividade corporativa, a gente está falando do uso consciente.
00:44Isso passa por governança e por não só empoderar, mas conduzir o uso do indivíduo,
00:50mas também trazer objetos ali de utilização de inteligência artificial numa camada B2B, né?
00:57Vamos tentar desmistificar aqui um pouquinho como isso funciona na prática dentro das corporações, né?
01:02Isso.
01:03Agora, quais são os primeiros passos para o Brasil construir uma governança sólida em IA?
01:09Eu acho que o primeiro passo é a formação dos comitês dentro das companhias, né?
01:13Eu acho que negar a utilização de inteligência artificial, eu acho que é um grande risco nesse momento, né?
01:20E mediar a forma com que se utiliza pode ser um grande ganho.
01:25O primeiro passo que a empresa, que as empresas acabam tomando na utilização de inteligência artificial
01:30é pelo meio das ferramentas generativas disponíveis.
01:35E qual que é o espaço de governança nisso, né?
01:38Primeiro é trazer políticas e diretrizes de uso, né?
01:42Quando a gente fala de utilização de ferramentas como o CHPT,
01:46o Altman estava numa entrevista anterior falando do ganho do uso individual,
01:51é exatamente ali que começam os primeiros riscos, né?
01:55Que a empresa começa a se questionar o quanto que ela pode utilizar ou não.
02:00Então, nesse lugar, conscientização, palestras de semana de compliance, integridade,
02:07que mostra como que o indivíduo pode usar, como que ele traz esse uso pessoal
02:12que ele já tem hoje no seu dia a dia, fazendo as suas consultas
02:16e criando mais, digamos, que velocidade no seu trabalho,
02:20mas ainda no âmbito do indivíduo, né?
02:22Essas ferramentas apoiam muito as pessoas.
02:24Nesse momento, ela começa a entregar melhor aquilo que ela sempre fez.
02:29E o que isso vai acontecer?
02:30O ano que vem, a gente vai ter que discutir meritocracia dentro dessas companhias.
02:35E não vai ter como não analisar um indivíduo que usa inteligência artificial
02:38e aquele que não usa ainda as empresas que tiveram a adoção consciente e orientada
02:43e empresas que deixaram esse tema um pouco mais solto.
02:46Então, acho que o primeiro grande passo,
02:49e na sequência vem um outro tema super importante,
02:53que é a adoção de agentes.
02:54Então, como primeira medida, é de fato esclarecer o tema de como usar,
03:00o que usar e quando usar,
03:03e tentar deixar um território, no mínimo, com equidade,
03:07para que as pessoas possam ter direito ao uso
03:09e ao dia a dia de inteligência artificial no seu trabalho.
03:14Experiências de outros países, você acha que podem servir de referência para o Brasil?
03:18Tem países em que esse letramento em IA está muito mais avançado do que aqui?
03:22Eu acho que existe uma camada um pouco mais de utilização em agentes
03:31de forma não como um consumo direto,
03:35e aí vamos dar exemplos até que a Gartner, mês passado,
03:40acabou divulgando que as pessoas estão saindo do entusiasmo da utilização de agentes
03:46para a utilização de agentes como estratégia.
03:49Eu acho que nisso o Brasil, diferente de movimentos europeus, por exemplo,
03:54que acabaram adotando agentes numa visão inicialmente processual
03:59e depois foram identificar onde poderiam instalar essas melhorias e automatizações,
04:06o Brasil meio que aproveitou o hype, né?
04:08Acho que todo mundo se perguntou como que eu faço um agente,
04:11não para que eu faço um agente.
04:13Eu acho que isso, de fato, a gente teve um grande engajamento das companhias
04:16e muito motivado pelo indivíduo, né?
04:19Que acaba tendo acesso a esse conhecimento de que a inteligência artificial
04:24pode trazer uma melhoria do seu trabalho, pode contribuir com a companhia.
04:28Então, acho que no território agentes, eu acho que a gente teve uma grande largada,
04:32uma grande busca e procura por como fazer,
04:36e o movimento acabou não sendo pautado para quê, né?
04:39E o que isso me traz como retorno.
04:41Então, acho que há uma desaceleração.
04:43Então, o Gartner aponta que mais de 40% dos agentes serão descontinuados até 27, 28,
04:51o que deve ser uma verdade.
04:53Por quê?
04:54Porque a gente vai ter uma maturidade do conhecimento de como aplicar a inteligência artificial
04:58num formato muito mais estratégico e não apenas usar por usar.
05:03Agora, vamos falar um pouco de regulamentação.
05:07Obviamente, esse é um campo novo que ele requer muito cuidado das autoridades, né?
05:11A gente tem questões aí envolvendo, por exemplo, direitos autorais,
05:15tem questões envolvendo sigilo de informações.
05:17Agora, como evitar que uma regulamentação muito rígida atrapalhe a inovação,
05:22atrapalhe o avanço do uso da IA?
05:25Legal.
05:26Eu acho que esse é um tema importante e de várias perspectivas também, né?
05:31Se a gente imaginar aqui do território de inteligência,
05:36do uso da inteligência artificial para você buscar ali o autor de alguma coisa,
05:42a gente fala muito de alienação, de trazer alguma informação que não seja tão verdade.
05:47Então, a gente tem esse território, né?
05:49Como que a gente pode utilizar a inteligência artificial e tirar dela coisas verídicas, né?
05:55De verdade.
05:55Ela pode alienar, né?
05:57Eu acho que no segundo território, a gente está falando de como que você é visto,
06:02a sua empresa é vista dentro dessas ferramentas, né?
06:07Você perguntar, né?
06:08O que falam da minha empresa?
06:10Então, já existe muita empresa procurando consultoria nesse território, né?
06:14Como que...
06:15Hoje eu procuro no Google o que falam da minha empresa,
06:18parece um ambiente mais controlado,
06:20mas e na inteligência artificial, né?
06:21Que recebe uma injeção de prompt ali.
06:23E eu acho que quando a gente fala de legislação,
06:25a gente vê uma legislação brasileira olhando muito mais comportamento do que a ação.
06:33E que isso é importante também, né?
06:34Eles estão ali preocupados em trazer a ética, a equidade,
06:38mas e aí essa inteligência artificial, ela traz vieses?
06:42Ela não traz?
06:43Então, assim, há muito mais no âmbito brasileiro um cuidado
06:47sobre como que a gente está tratando esses dados,
06:49e lá fora a gente vê um movimento europeu muito mais preocupado
06:52na segurança, no acesso, nas restrições.
06:56Então, eu acho que são matérias complementares, né?
06:59Se eu sento hoje numa cadeira de compliance, numa companhia,
07:02eu acho que utilizaria as duas vertentes, digamos que legais,
07:08para incluir inteligência artificial na minha companhia de uma forma ampla,
07:12porque eu acho que as duas matérias agregam muito no final.
07:14Agora, qual que você acha que deve ser o papel das empresas e das universidades
07:20para construir essa estrutura que você está falando aí?
07:24Olha, o primeiro passo, vocês tinham falado de letramento, né?
07:28Eu acho que é uma corrida das companhias em trazer esse tema para dentro,
07:34e muitas vezes o papel delas seria,
07:37vamos organizar essa história primeiro, né?
07:39Vamos dizer quem faz o quê, e aí a gente decide como e quando juntos.
07:45Então, assim, eu atendo muitas empresas e diversas áreas, né?
07:50Como eu falei, eu acho que mora um aspecto muito importante
07:54para o pessoal de compliance mergulhar.
07:58E aí, quando a gente está falando de conhecer bem
07:59o que é uma matéria de um agente,
08:02como fazer a governança das ferramentas,
08:06e como que impulsiona essa empresa para o futuro,
08:08e ali ele distribui papéis.
08:10E distribui para quem?
08:11Distribui para a tecnologia, que tem que olhar.
08:14Poxa, mas as ferramentas, elas avançam todos os dias.
08:18Quais são as ferramentas que a gente pode compor nesse quadro
08:21para trazer uma eficiência para o colaborador,
08:25para trazer um crescimento estratégico com outros resultados?
08:28E eu acho também que o Recursos Humanos,
08:30ele faz também um grande trabalho
08:32quando ele começa a olhar esse organograma organizacional
08:36e consegue colocar uma camada acima,
08:39que é, e a utilização de inteligência artificial nesses departamentos?
08:43O que muda?
08:45Qual que é a hierarquia de poder nessa história?
08:49Então, essa agenda de instalar inteligência artificial
08:52de forma estratégica e trazendo resultado,
08:55ela vai passar por esse mapeamento,
08:57pela construção de políticas,
08:59pela conscientização,
09:00pela distribuição meritocrática
09:03para garantir essa equidade de acesso.
09:05E esse é um assunto que a gente pensa que não é...
09:08Ele é dito todos os dias nas empresas,
09:10do cafezinho à sala do CEO.
09:14Poxa, mas aquela área já está fazendo tanto uso
09:16de inteligência artificial.
09:18Será que eles não estão com mais vantagem do que a outra área?
09:22Aquela pessoa possui quatro IAs.
09:25Então, assim, uma alienou,
09:26uma não está entregando uma performance muito bacana.
09:28hoje, ela entra na outra.
09:30E aí, essa pessoa vai ser melhor avaliada
09:32no ciclo de performance.
09:34Ela vai ser promovida, ela não vai ser...
09:36Então, eu acho que organizar esse território
09:39é uma agenda corporativa,
09:40é uma agenda que mexe no resultado da companhia,
09:44porque ela traz ali uma nova forma de trabalhar.
09:47Não tenha dúvida.
09:48Daniela Andrade, fundadora e CEO da AIA Labs.
09:51Muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
09:54Bom dia.
09:55Bom dia, eu agradeço.
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