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  • há 8 meses
Série sobre o bicheiro Castor de Andrade e sua participação no Bangu Atlético Clube e na Mocidade, mostrando também seu envolvimento no crime organizado.

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:00:00E o que é mais fácil?
00:00:06É dirigir a outra cidade ou o bambu?
00:00:09Ambos são difíceis.
00:00:10São dois filhos queridos, mas que me dão muito trabalho.
00:00:14Então ele tinha que defender o clube dele de alguma forma.
00:00:17E a forma, às vezes, era com ação.
00:00:20É um homem extremamente violento.
00:00:25Esse era o jeito dele lidar com a situação.
00:00:27Eu tenho sofrido nessas últimas vezes.
00:00:33Injustiças diversas, calúnias, intrigas.
00:00:36O Caçor de Andrade é uma das figuras lendárias da história do Rio de Janeiro.
00:01:06O Caçor, esse bichinho tão simpático e que a gente via tanto em Bangur na época do Caçor,
00:01:13continua a ser visto lá.
00:01:14O Caçor continua vivo.
00:01:18Alanto, se você vai fazer um documentário sobre o Caçor de Andrade e não tiver jogo de bicho,
00:01:24futebol e carnaval, nós estamos jogando conversa fora.
00:01:27Nós vamos falar de quê?
00:01:29Um homem que conseguiu reunir muitas facetas evidenciadas, escancaradas no ambiente do futebol.
00:01:36Ali a gente pôde ver claramente o mecenas, o homem que ajudava o paizão de muitos,
00:01:42mas também o homem violento, o homem corrupto,
00:01:45que usava desses meios também para conseguir tudo aquilo que ele queria.
00:01:49As cenas mostram o massacre e eu não vi nada disso.
00:01:55O Caçor de Andrade nos tirou de pelotas mil direitos.
00:01:59Um cara extremamente familiar, um cara extremamente perigoso,
00:02:02um cara extremamente respeitoso e um cara extremamente malandro.
00:02:07Um bom ser humano, um ser humano singular.
00:02:10Ele era o rei do Rio.
00:02:11Um paizão, né, para o Bangu, né?
00:02:29Ele levou ao título em 66, levou a três vice-campeonatos nos anos 60,
00:02:35levou a dois vice-campeonatos nos anos 80.
00:02:37O Caçor para essa torcida era um deus.
00:02:53Era um deus.
00:02:54Ele era um sedutor.
00:02:56Um sedutor voltado para o mal.
00:02:58Mas um sedutor.
00:03:00Para a gente, no clube, era o nosso deus, né?
00:03:02Esse bicho que entende sou eu.
00:03:03E o meu bicho sempre foi muito melhor do que qualquer outro bicho.
00:03:06De forma que, no negócio de bicho, eu já estou ganhando o problema.
00:03:10Por trás desse castor, né, socialmente, uma pessoa respeitada,
00:03:16havia um verdadeiro capo.
00:03:19Havia o líder, o chefe de um grupo criminoso, né,
00:03:23de um grupo de contraventores muito perigoso, né,
00:03:27que explorava uma atividade também considerada por muitos
00:03:32aparentemente inocente, que é o jogo do bicho.
00:03:36O jogo do bicho é uma mera contra a reação penal.
00:03:39A sociedade é muito hipócrita.
00:03:41As elites tinham compromisso.
00:03:43E o povo em geral é pobre.
00:03:45Os caras são Boa Praça no subúrbio.
00:03:48No subúrbio.
00:03:49Que maravilha.
00:03:51Financiam meu clube de futebol.
00:03:53Minha escola de samba, campeã na passarela.
00:03:56O cara vai lá, beija a bandeira.
00:03:59Um bandidaço daquele.
00:04:00Na quarta-feira de cinza, aquilo ali,
00:04:02em cada barraca tinha uma quadrilha ali.
00:04:05Aquele bandido herói, querido por todo mundo.
00:04:08A gente tinha a proteção do policial,
00:04:10a gente tinha a proteção dos bandidos.
00:04:12Um amigo extraordinário.
00:04:15Extremamente vaidoso.
00:04:18Muito elegante.
00:04:19E muito solidário.
00:04:22Um gangster sem escrúpulos,
00:04:27que se travestiu de um personagem
00:04:30que era o carioca apaixonado por samba e carnaval.
00:04:34Transitava nesses dois mundos com muita tranquilidade.
00:04:38O mundo das pessoas cultas,
00:04:41das pessoas que estudaram,
00:04:44e o mundo da violência.
00:04:45do que eu digo dos crimes vermelhos,
00:04:50de sangue.
00:04:52Transitava por aí muito bem.
00:04:53Não posso falar pelos demais.
00:04:56Tá certo?
00:04:57Mas o castor, com certeza,
00:05:00nunca cometeu um crime de sangue na vida.
00:05:03sequer um crime de ameaça.
00:05:05Os bicheiros não podem ser julgados
00:05:07nem com privilégio,
00:05:08nem com rigor,
00:05:09nem com perseguição.
00:05:11Devem sim ser julgados com humanidade.
00:05:13E o cap de tutti cap.
00:05:15Quer dizer, o chefe de toda a máfia.
00:05:18Ele teve um apogeu,
00:05:19ele teve admiração,
00:05:21ele exerceu um fascínio enorme,
00:05:23mas nada é pra sempre.
00:05:26Uma hora, a casa cai.
00:05:28E foi o que aconteceu.
00:05:29O que foi diferente pra ele.
00:05:39O banheiro do corpo do bicho da Cor de Andrade
00:05:42é hoje considerado um corajivo pela justiça.
00:05:49Vitória na cabeça!
00:05:56Vitória!
00:05:56A visão que a Zona Oeste tem,
00:06:12que o subúrbio tem desse homem,
00:06:14talvez seja diferente
00:06:15do que alguém que a Zona Sul tenha.
00:06:18É importante ressaltar isso.
00:06:19Ele é uma figura mítica
00:06:35e é uma figura importantíssima
00:06:37porque é conhecida na Zona Oeste
00:06:39pela sua generosidade,
00:06:41por ser mão aberta,
00:06:42por amar o clube de futebol
00:06:44e amar a escola de samba,
00:06:46de fazer o bem pra comunidade.
00:06:49Até hoje,
00:06:53todo mundo diz,
00:06:54poxa, se o doutor estivesse aqui,
00:06:56a nossa região seria outra,
00:06:58a nossa cidade seria outra,
00:07:00o Bangu seria outro, né?
00:07:16Todo mundo que nasce em Bangu
00:07:18tem um pouquinho de Castor de Andrade.
00:07:20Um dos bairros que tem mais cara malandro
00:07:22de resenha, de bate-papo,
00:07:25de boêmio,
00:07:26daquela coisa antiga,
00:07:28é o bairro de Bangu.
00:07:29É, Guanabara, aí,
00:07:30Carrefour, aí,
00:07:30o Perno Miguel,
00:07:31o Suracap, aí, ó.
00:07:35RQ, sou eu,
00:07:36RQ, sou eu, hein?
00:07:37Ninguém vê o Castor como contraventor.
00:07:42Ninguém vê.
00:07:43As pessoas só enxergam o lado bom dele.
00:07:47E é assim que eu vejo também,
00:07:48é assim que todo mundo tem que ver.
00:07:50E ele fez um esforço incrível
00:07:51pra ser visto,
00:07:53pra ser bem visto.
00:07:54Pra sair das páginas policiais,
00:07:55entrar na página do Carnaval,
00:07:57entrar na página de esportes.
00:07:58Ele fez o esforço dele.
00:08:00E conseguiu.
00:08:00O Bangu esteve afastado
00:08:05das manchetes esportivas
00:08:07do futebol brasileiro.
00:08:08Passou em branco
00:08:09pela década de 70.
00:08:11Mas o tempo das vacas magras,
00:08:13ao que tudo indica,
00:08:14acabou.
00:08:15Voltou a ser grande de novo.
00:08:16Sabe por quê, parceiro?
00:08:17Porque tinha de volta
00:08:18o grande Castor de Andrade.
00:08:21O rei da cocada
00:08:22no futebol,
00:08:24no samba
00:08:25e na contravenção.
00:08:26E tem o dito,
00:08:27cumpade.
00:08:28Esse aqui é o dito.
00:08:29Domingos Elias Alves Pedra.
00:08:36Ele ia pra Portugal,
00:08:38pra Grécia,
00:08:39pra Arábia.
00:08:40Acabou no Bangu, der.
00:08:41Por quê?
00:08:43Bom, acabou assim,
00:08:44ficou um termo
00:08:44meio pegajoso.
00:08:46Eu acho que eu estou apenas
00:08:47começando
00:08:49aqui no Bangu,
00:08:50já que foi onde
00:08:51praticamente eu iniciei
00:08:52na minha vida profissional.
00:08:541967,
00:08:55aí com meus 17 anos.
00:08:57Bons tempos aqueles.
00:08:58Então,
00:08:59a nossa finalidade
00:09:00foi essa.
00:09:00O homem nos contratou,
00:09:02o homem, entre aspas,
00:09:02chama-se Castor de Andrade.
00:09:04Uma fera.
00:09:05É mesmo?
00:09:06Então,
00:09:06nos contratou e disse,
00:09:07olha moçada,
00:09:08eu quero que vocês
00:09:09levantem o Bangu.
00:09:10O Castor gostava
00:09:11desse jogador bandido.
00:09:12Ele gostava desse jogador
00:09:13malandro,
00:09:14e o jogador boiame.
00:09:15O Dé,
00:09:16os salários são bons
00:09:17e estão em dia.
00:09:18E os bichos?
00:09:19Ah,
00:09:20isso aí você já entrou
00:09:21num terreno
00:09:21meio minado.
00:09:23Isso aí é só com
00:09:24o nosso simpático
00:09:25Castor de Andrade,
00:09:26que é bom de chifra,
00:09:27é bom de dar.
00:09:28Diferente,
00:09:29malandro,
00:09:29desses falsos cartolas
00:09:31aí do futebol brasileiro.
00:09:32Esse é um cartola
00:09:33esperto.
00:09:35O Farme ria na mão.
00:09:36Era esse o tempo
00:09:37da malandragem.
00:09:39E no tempo
00:09:39da malandragem,
00:09:40se não tiver o otário,
00:09:42como é que o malandro
00:09:42vai viver?
00:09:43O Bangu,
00:09:44que estava na taça de prata,
00:09:45venceu o Berlândia
00:09:46por 4 a 0,
00:09:47classificando-se
00:09:48para a taça de ouro.
00:09:49O Flamengo chora,
00:09:50mas não adianta nada.
00:09:51Lá o sapão
00:09:52de Moça Bonita.
00:09:53O Bangu foi mais time
00:09:54e ganhou com o gol chorado.
00:09:56O Vasco perdeu
00:09:57a invencibilidade.
00:09:583 a 2 para o Bangu.
00:09:59A zebra carioca
00:10:01na taça de ouro.
00:10:02O Bangu exagera
00:10:03contra o Fluminense
00:10:04em Moça Bonita,
00:10:053 a 0.
00:10:06Outra falta,
00:10:06agora para o Bangu
00:10:07e Marco Antônio.
00:10:08Ex-Vasco faz
00:10:09o golaço no ângulo.
00:10:10Marco Antônio,
00:10:11um dos maiores jogadores
00:10:12do futebol brasileiro
00:10:13de todos os tempos.
00:10:15Cracar de bola.
00:10:16Mas você nunca gostou
00:10:17muito de treinar, né, cara?
00:10:19Você é bem preguiçoso.
00:10:21Marco Antônio cruza de novo,
00:10:22desce ou desvia
00:10:23com um toquinho de cabeça.
00:10:24Gostava dos birinites,
00:10:26gostava do samba,
00:10:27gostava da noite.
00:10:28Mas tinha que estar
00:10:29de manhã cedo
00:10:30no treinamento.
00:10:31Por quê?
00:10:31Se não fosse,
00:10:32o Castor mandava pegar.
00:10:33Tinha aquela rodinha
00:10:34de bobo, né?
00:10:35Que fica um cara no meio,
00:10:37todo mundo tocando a bola.
00:10:38E o Marco Antônio,
00:10:39em vez de participar com a gente,
00:10:40tinha uma baliza,
00:10:41aquela baliza móvel, né?
00:10:43Que era de ferro.
00:10:45A baliza móvel
00:10:45não era de madeira,
00:10:46era de ferro.
00:10:47E o Marco Antônio
00:10:48encostou ali,
00:10:49botou a cabecinha dele do lado
00:10:51e puxou o maior Bernardo,
00:10:53o malandro.
00:10:55Começou a roncar,
00:10:56o malandro.
00:10:56Eu peguei e saí do rodinha,
00:10:58subia aqui,
00:10:59bancada,
00:10:59Castor, Castor.
00:11:00Marco Antônio
00:11:01está puxando o maior ronco ali,
00:11:03está dormindo ali,
00:11:04encostado na baliza.
00:11:05Ele desceu, o malandro.
00:11:08Aí chegou a uma distância
00:11:09do Marco Antônio,
00:11:10mais ou menos assim,
00:11:11de uns sete ou oito metros.
00:11:14Veio, abaixou assim,
00:11:16ele tinha uma pistola
00:11:18que ele usava aqui na perna.
00:11:21Olha a malandrade, compadre.
00:11:23Aí pegou a pistola assim,
00:11:25levou a mãozinha
00:11:27e solteu o dedo, malandro.
00:11:28Quatro dedos em cima da cabeça
00:11:32do Marco Antônio,
00:11:34compadre.
00:11:35Eu nunca vi tanta disposição
00:11:37para o jogador, cara.
00:11:38Marco Antônio o levantou,
00:11:40veloz que nem um foguete,
00:11:42e puxou o treino.
00:11:43Foi o primeiro da fila, cara.
00:11:45Começaram a criticar o Bangu,
00:11:46dizendo que o Bangu
00:11:46é time de jogadores idosos,
00:11:49jogadores velhos.
00:11:50E estão mostrando aí,
00:11:50a moçada com preparo físico,
00:11:52com a boa vontade.
00:11:53Eu cito aqui o exemplo do Moisés.
00:11:54O Moisés está brincadeira,
00:11:55parece que tem dezoito anos.
00:11:56Eu tenho que falar no Moisés, cara.
00:11:59Que saudade do Moisés, cara.
00:12:02Futebol e garra,
00:12:03Moisés sempre teve.
00:12:04Isso ninguém duvidou,
00:12:05nunca duvidou.
00:12:06Mas com essa idade toda,
00:12:08ainda correndo desse jeito, Moisés?
00:12:10Eu, graças a Deus,
00:12:11fui dotado de uma condição
00:12:12física excelente,
00:12:13acredito que uma das melhores
00:12:14talvez do país.
00:12:15Moisés era um filho para o Castor.
00:12:18Talvez a pessoa que o Castor
00:12:19mais respeitava
00:12:20lá no clube
00:12:22era o Moisés.
00:12:23Ele era tipo
00:12:24o representante do Castor
00:12:25no elenco de atletas.
00:12:28Imaginam que você,
00:12:29um zagueiro,
00:12:30só dava porrada nos outros.
00:12:32A bolinha dele
00:12:32era desse tamanho, cara.
00:12:34Mas ele se impunha.
00:12:35Você tem algum recado
00:12:36para mandar para o Chicão?
00:12:38Não, é para ele vir
00:12:39bastante tranquilo.
00:12:40Cada galo
00:12:41canta no seu terreiro.
00:12:42E aqui,
00:12:43quem realmente vai cantar
00:12:44sou eu.
00:12:44O Moisés começava
00:12:45a dar carrinho à toa.
00:12:46O Moisés começava
00:12:47a dar carrinho daqui
00:12:47para sair lá no portão.
00:12:49Porque ele sabia
00:12:50que o Castor gostava.
00:12:51Esse carrinho na beira do campo
00:12:52assim,
00:12:52na máspera da torcida ali,
00:12:53nossa,
00:12:54o Castor adorava.
00:12:55Já era uma tática
00:12:57que eu usava
00:12:58realmente
00:12:59para amedrontar
00:13:00o atacante.
00:13:01Já na primeira jogada
00:13:03até os 10 minutos
00:13:03já entrava duro,
00:13:05uma entrada violenta,
00:13:07mas leal
00:13:08para realmente
00:13:09deixar o atacante
00:13:10preocupado,
00:13:11dominar com dificuldade,
00:13:12ter uma preocupação
00:13:13de olhar a bola
00:13:14e olhar o zagueiro.
00:13:15Duas pestes.
00:13:17Não tem condição
00:13:18nenhuma de ser santificado.
00:13:19mas se fosse depender
00:13:21de mim,
00:13:22seria São Castor,
00:13:24um,
00:13:25e seria
00:13:26São Moisés,
00:13:27o Beato,
00:13:28dois.
00:13:29E o xerife?
00:13:30Vem cá, xerife.
00:13:30Vem cá, xerife.
00:13:31O xerife está pisando aí.
00:13:32Como é que está o xerife?
00:13:33Está polindo a estrela.
00:13:35Esse é aquele xerife
00:13:35din, din, din.
00:13:36Se eu tivesse que escolher
00:13:38uma pessoa
00:13:39para ser o cidadão carioca
00:13:42de todos os tempos,
00:13:44eu escolheria o Castor de Andrade.
00:13:45Castor é patrono,
00:13:46advogado,
00:13:48diretor,
00:13:49carrasco,
00:13:50torcedor,
00:13:51tudo era ele.
00:13:52O Vangu foi jogar
00:13:53contra a Internacional.
00:13:55Nós tivemos uma vitória,
00:13:57rapaz,
00:13:57que foi uma coisa
00:13:58maiúscula.
00:13:58Um troço despontaneitário,
00:14:01uma garra,
00:14:01um vestiário,
00:14:03um louco.
00:14:03Nós vamos,
00:14:04hoje,
00:14:05todos nós,
00:14:06para o puteiro,
00:14:06fazer uma farra.
00:14:08Santidão.
00:14:09Vamos festejar
00:14:10esse negócio.
00:14:11Aí tem o puteiro
00:14:12lá no lado
00:14:12do Porto Alegre.
00:14:13Como é que é o puteiro?
00:14:14Tem o puteiro?
00:14:15É só malandrar,
00:14:18é só gíria,
00:14:19rapaz.
00:14:19É a linguagem
00:14:19do boleiro.
00:14:21E, porra,
00:14:22xingando para que falar,
00:14:23para lafrão,
00:14:23para cacete também.
00:14:25Nós precisamos,
00:14:26mais do que nunca,
00:14:28ganhar esse jogo do mundo.
00:14:29Quem ganha da boa
00:14:30de qualquer maneira?
00:14:31De qualquer maneira?
00:14:32Naquele dia lá,
00:14:34naquele dia lá,
00:14:35ele deu quatro cartões
00:14:36para o Guaduco
00:14:37e três para o Palmeiro.
00:14:38Tu acha que ele era
00:14:39o rei da cocada
00:14:40por acaso?
00:14:41Pelo menos é nome de bicho.
00:14:43Bicho é uma boa,
00:14:44né?
00:14:46Moisés não era
00:14:46só um zagueiro.
00:14:48O Moisés era um líder,
00:14:50era um capitão,
00:14:51era um homem de confiança.
00:14:52E o sargento
00:14:53fez alguma homenagem a você?
00:14:54O sargento não estava.
00:14:55Ah, não estava?
00:14:55Não estava.
00:14:56Essa senhora
00:14:56estava apresentando.
00:14:58Vem cá,
00:14:58e você chegou a falar
00:14:59lá com o Mestre?
00:15:01Não, não, não,
00:15:01falei com ninguém.
00:15:02Só trouxe a conta
00:15:03para eu me pagar.
00:15:04Trouxe a conta.
00:15:05Moisés,
00:15:06embora sendo jogador,
00:15:07você vai a São Paulo
00:15:08contratar o Mário?
00:15:09De momento,
00:15:10eu tive essa ordem
00:15:11no domingo,
00:15:11mas inclusive eu conversando
00:15:13com o Castor
00:15:13numa reunião
00:15:14e nós estamos aguardando
00:15:16dois jogadores,
00:15:16são dois goleadores,
00:15:17um vem do Blumenau
00:15:18e outro de Paranavaí.
00:15:19Ele foi contratado
00:15:20para ser zagueiro
00:15:21e depois ele resolve
00:15:22continuar no clube.
00:15:24Ele pensou em se candidatar
00:15:24a vereador
00:15:25na época de 82,
00:15:27mas eu acho que ele sacou
00:15:28que era mais lucrativo
00:15:30ele ser um braço direito
00:15:31dentro do clube,
00:15:32que ali ele ia conseguir
00:15:33uma projeção maior.
00:15:34Então quando o Jorge Vieira
00:15:36sai em 83
00:15:37e ele estava ali
00:15:38no meio,
00:15:39ali sendo um assessor
00:15:40especial do Castor,
00:15:42ele vira técnico.
00:15:43Moisés,
00:15:44o zagueiro
00:15:45estreia como técnico.
00:15:47Moisés,
00:15:49quais são as chances
00:15:50do Bangu no estadual?
00:15:52As melhores.
00:15:52Nós estamos preparando
00:15:53uma equipe jovem,
00:15:55uma equipe realmente
00:15:56mentalizada
00:15:57para jogar
00:15:58um futebol ofensivo
00:15:59e um futebol atual.
00:16:00Aquele técnico
00:16:01sem camisa,
00:16:02dando treino,
00:16:03falando besteira
00:16:04nos jornais,
00:16:06ele queria mostrar
00:16:07aquele descompromisso.
00:16:08Me passa uma ideia
00:16:09de um descompromisso
00:16:10bem calculado,
00:16:11uma imagem
00:16:12do malandro
00:16:13calculada.
00:16:14Os jogadores do Bangu
00:16:15estão esperando
00:16:16a figura principal
00:16:17para poderem começar
00:16:18o treino.
00:16:19Moisés,
00:16:20é isso,
00:16:20chuva,
00:16:21chegou mais tarde,
00:16:22o que é?
00:16:22O horário era 5 horas,
00:16:24mesmo eu tive
00:16:24de dar uma reunião
00:16:25agora com o pessoal ali,
00:16:26mas o horário
00:16:27é padrão,
00:16:295 horas.
00:16:29Eu acredito que o Bangu
00:16:30vai se apresentar
00:16:31muito bem
00:16:31nesse campeonato.
00:16:33Já contra o Vasco
00:16:34eu espero um bom resultado.
00:16:40Tenho uma ideia
00:16:41de bordar a camisa
00:16:42e fazer um desenho.
00:16:44É um desenho estilizado
00:16:45do Castor,
00:16:46para dar mais peso,
00:16:46para dar...
00:16:47E no short também.
00:16:48Inicialmente,
00:16:49tinha no short também.
00:16:50Tinha Castor aqui
00:16:51e tinha Castor aqui.
00:16:52Tinha um palmo
00:16:53de Castor na camisa.
00:16:54Pô, não podia ser
00:16:55um Castor menorzinho,
00:16:56não.
00:16:56Porra,
00:16:57malandro,
00:16:57ele ficou injuriado.
00:16:59Porra,
00:16:59malandro,
00:16:59tinha que botar
00:17:00a Castor
00:17:01nessa camisa toda.
00:17:02O jogador saber
00:17:03para quem ele está jogando,
00:17:04para o adversário saber
00:17:05quem é,
00:17:06a quem aquele clube pertence.
00:17:08Tem um app que tiraram,
00:17:08quiseram tirar o Castor.
00:17:09Ele falou,
00:17:11pô,
00:17:11eu que pago aquela merda lá,
00:17:12por que vai tirar o Castor?
00:17:13Se tirar o Castor,
00:17:14eu saio de campo também,
00:17:15não pago mais.
00:17:16o Castor.
00:17:46O time de 83 era muito bom.
00:18:10Você tinha o Marinho,
00:18:11você tinha o Arturzinho,
00:18:12você tinha o Mário.
00:18:13E no Maracanã,
00:18:14uma olhada histórica
00:18:15do Bangu no Flamengo,
00:18:166 a 2.
00:18:17O time do Bangu
00:18:18tinha uma coisa de bom,
00:18:19tinha personalidade.
00:18:22A defesa parou,
00:18:23o Arturzinho lançou
00:18:23para ele mesmo
00:18:24e deu um lindo toque
00:18:25sobre o Doné Ardeira.
00:18:26Vencendo uma equipe
00:18:28que era campeã mundial,
00:18:30campeã brasileira
00:18:31por três vezes,
00:18:33dentro do Maracanã,
00:18:35com uma equipe menor,
00:18:36que era do Bangu,
00:18:37sem sombra de dúvidas,
00:18:39foi uma das melhores
00:18:39atuações do time.
00:18:41O Arturzinho para o meio,
00:18:42de calcanhar,
00:18:43a grande atração do momento
00:18:51é o Bangu,
00:18:52que graças ao carisma
00:18:53de Castor,
00:18:54a boas contratações
00:18:55e ao talento
00:18:56do artilheiro Arturzinho,
00:18:58se mantém invicto
00:18:59a sete partidas.
00:19:00O Arturzinho ficou até
00:19:01meio constrangido,
00:19:02de repente coroado,
00:19:03assim,
00:19:04com homenagem
00:19:05tanto ridícula
00:19:06para o grande jogador.
00:19:08Eu acho que o resultado
00:19:09foi muito bom para o Bangu.
00:19:10Agora o Bangu tem uma semana
00:19:11para descansar
00:19:12e preparar a sua equipe.
00:19:14Aí o Flamengo que se cuide.
00:19:15Ele prendia,
00:19:16ele mandava soltar,
00:19:17ele pagava.
00:19:18Aliás,
00:19:19como pagava bem, cara?
00:19:20Ele chamou dinheiro, cara.
00:19:22E gostava de dar.
00:19:23Porque para a gente
00:19:24é dinheiro,
00:19:25para ele parecia trocado, tá?
00:19:27Dinheiro é dar com pau.
00:19:28Tomava banho,
00:19:29se ligava com dinheiro.
00:19:30Marco Antônio fala isso,
00:19:31Castor é a serra pelada
00:19:32da minha vida.
00:19:33Ele nunca teve limite
00:19:34para dinheiro,
00:19:35até porque, né,
00:19:35naquela época,
00:19:36dinheiro era igual água,
00:19:37igual lixo aí,
00:19:38para ele naquela época.
00:19:40Não tem na história
00:19:41do futebol
00:19:42nenhum jogador
00:19:43que não quisesse jogar
00:19:44nos tempos de Castor
00:19:45no Bangu.
00:19:46Dinheiro vivo.
00:19:48Ele não pagava
00:19:49com cheque,
00:19:51não depositava nada
00:19:52em banco.
00:19:53Geralmente,
00:19:53você ia lá
00:19:54na tesouraria
00:19:55e recebia
00:19:56dinheiro vivo
00:19:57e rigorosamente
00:20:00em dia.
00:20:00O primeiro contrato
00:20:01que eu fiz com o Castor
00:20:02até eu fiquei estranho,
00:20:03né?
00:20:04Acertei tudo,
00:20:05ele escrevendo
00:20:06num papel,
00:20:07tal,
00:20:08e ele foi embora.
00:20:11Eu assinei
00:20:11e ele chegou
00:20:12na minha casa
00:20:12com uma bolsa
00:20:14de dinheiro,
00:20:15até tomei um susto,
00:20:16mas ele falou
00:20:17aqui, garota,
00:20:17a palavra é palavra.
00:20:19Pum,
00:20:19jogou a bolsa.
00:20:20Depois de acertadas
00:20:21as coisas aqui
00:20:22no Palmeiras
00:20:23em relação
00:20:24à minha transferência,
00:20:26eu fui para o Rio de Janeiro.
00:20:27Só que eu fui
00:20:28para a Toca do Castor,
00:20:29que era uma casa
00:20:30onde abrigava
00:20:31os atletas,
00:20:32onde era concentração
00:20:33e tudo mais,
00:20:33uma casa grande
00:20:34com piscina
00:20:34e todos nós
00:20:35ficávamos lá.
00:20:37Eu cheguei lá
00:20:38à noite,
00:20:38deitei lá
00:20:39no meu quarto
00:20:40e no dia seguinte
00:20:41quando eu acordei
00:20:42tinha um senhor
00:20:43bateu na porta
00:20:44e falou,
00:20:45você que é o Gilmar?
00:20:46Eu falei,
00:20:46sou,
00:20:47o doutor mandou
00:20:48te entregar isso aqui.
00:20:49Ele me deu
00:20:50uma caixa
00:20:50de uma marca
00:20:53esportiva.
00:20:55Eu falei,
00:20:55caramba,
00:20:56aqui o negócio funciona.
00:20:57Eu cheguei,
00:20:57eu saí,
00:20:57mas era chuteiro
00:20:58ou tênis
00:20:59para treinar,
00:20:59não sei o que é.
00:21:00A hora que eu abri
00:21:00era o dinheiro
00:21:01que ele havia me prometido
00:21:03de luvas.
00:21:04Fui no banco,
00:21:04os caras davam risada,
00:21:05o cara contando
00:21:07aquelas coisas.
00:21:07Eu lembro até o Juênio,
00:21:08que era o gerente do banco,
00:21:10falou,
00:21:10você está de brincadeira.
00:21:11Eu falei,
00:21:11não sei,
00:21:12as coisas aqui são assim.
00:21:13O jogador do Bangu
00:21:14não se preocupava
00:21:16com a bandidagem,
00:21:18não se preocupava
00:21:19com o assalto,
00:21:20porque ninguém tinha
00:21:21a coragem
00:21:22de roubar
00:21:24a atleta do Bangu.
00:21:25A gente não tinha medo,
00:21:26porque ali,
00:21:27quem tinha medo
00:21:27eram os bandidos.
00:21:28Os bandidos tinham medo
00:21:29da situação,
00:21:30porque o Castor
00:21:30era muito forte.
00:21:31Aquele dinheiro todo,
00:21:33então a gente ficava
00:21:33meio assustado,
00:21:34mas como a gente
00:21:35tinha a proteção,
00:21:37a proteção do Castor
00:21:38de Andrade,
00:21:39que ali em Bangu
00:21:40era a lei,
00:21:41então a gente tinha
00:21:43a proteção do policial,
00:21:45a gente tinha a proteção
00:21:46dos bandidos,
00:21:47então durante esses
00:21:48três anos e meio
00:21:48ninguém mexia com a gente.
00:21:50A gente viveu
00:21:51num paraíso,
00:21:52com certeza.
00:21:53Ele sentado,
00:21:54aí ele botava,
00:21:55o cachorro sempre
00:21:55andou armado,
00:21:56uma pistola bonita
00:21:57que ele botava
00:21:57em cima da mesa.
00:21:58E a mesa de vidro,
00:21:59não tinha como o cara
00:22:00concentrar e olhar para ele.
00:22:00O cara baixava a cabeça
00:22:01e via dinheiro.
00:22:02O cara olhava para cá
00:22:02e na mala dele
00:22:03de couro jacaré
00:22:04era dinheiro.
00:22:04Porque as notas grossas,
00:22:05grossas, novinhas, limpinhas,
00:22:06ficavam na mala dele de jacaré.
00:22:08Aquela mala fantástica,
00:22:11lindo, lindo, lindo, lindo, lindo, lindo.
00:22:13Tu ia com a pedida na cabeça.
00:22:14Pô, vou pedir 10 mil reais,
00:22:15vou pedir 10 mil reais,
00:22:16o cachorro vai pagar 10 mil reais.
00:22:18Quando o cara,
00:22:18ele a mala,
00:22:19acima da mesa dele
00:22:19uma bolsa assim,
00:22:20dinheiro dentro da espera dele,
00:22:21vou pedir 10,
00:22:22não, vou pedir 20,
00:22:2320, 20, 20.
00:22:24Aí ele falava,
00:22:24pô, é o que paga essa merda aqui?
00:22:25Se eu não for poder dar palpite,
00:22:26eu vou dar palpite aonde?
00:22:28Quem dava a proteção
00:22:29não era o técnico,
00:22:30era o Castor de Andrade.
00:22:31Só que naquele dia,
00:22:33o Castor não pôde ir.
00:22:34Eis que o Moisés,
00:22:35pô, vou aproveitar
00:22:36para vocês adiantarem.
00:22:38Aí ele pegou o papel,
00:22:39leu o primeiro nome.
00:22:40O time vai jogar com Tobias.
00:22:43E aí, quando foi ler a linha de baixo,
00:22:46ele não entendeu.
00:22:48Ele, porra, olhou,
00:22:49mexeu aqui no olho,
00:22:51para cá, para cá,
00:22:52assim,
00:22:52não está enxergando nada.
00:22:54Aí ele soltou essa.
00:22:56Puxa vida, malandro.
00:22:58Está cada vez mais difícil
00:23:00entender essa letra do doutor Castor.
00:23:03Porra, cumpadre,
00:23:04como é que vai ter para a eleição
00:23:05depois disso?
00:23:06Cara, isso é.
00:23:07O time já vinha escalado.
00:23:09O Castor dava ao Moisés
00:23:11o time que ia jogar, malandro.
00:23:13E o Moisés aceitava tudo numa boa.
00:23:15Ele falava, pô, Marinho,
00:23:16você tem que fechar mais o lado,
00:23:17não vai muito ali, não.
00:23:18Ó, você fica aqui, Oliveira,
00:23:20segura um pouco aí,
00:23:21dá o Gilmar ali atrás,
00:23:22vê se fala com os caras.
00:23:23Aí, ninguém entendi.
00:23:24O Moisés falava assim,
00:23:25não, doutor tem razão.
00:23:27Aliás, disse muito bem.
00:23:28Eu vi ele no vestiário,
00:23:29ele gritando,
00:23:30dando expor em jogadores de nome,
00:23:32jogadores de seleção brasileira,
00:23:33orientando, escalando o time,
00:23:34botando o dedo,
00:23:35faz assim, faz assado.
00:23:37Então, eu peguei essa fase
00:23:38dele, justamente,
00:23:41quando eu era gandula
00:23:42e ajudante de roupeiro.
00:23:44Vamos fazer a diferença
00:23:45agora no segundo tempo?
00:23:46Eu preciso que alguém lance
00:23:48ao Marinho.
00:23:49Eu falei,
00:23:49não tô entendendo, cara.
00:23:50Se você tem um treinador,
00:23:51não tava entendendo.
00:23:52Castor de Andrade ficou trancado
00:23:54com os titulares dentro do vestiário
00:23:56por mais de 40 minutos.
00:23:58Costumo, já,
00:23:58toda vez depois dos jogos,
00:24:01antes dos coletivos,
00:24:02ele procura conversar com a gente
00:24:04e, às vezes,
00:24:05dá uma xingadinha também,
00:24:06mas é normal.
00:24:07No Maracanã,
00:24:08jogaram Vasco e Bangu,
00:24:09que logo descobriu o mapa da mina.
00:24:10Perivaldo levanta,
00:24:11Cláudio Adão sobe
00:24:12e marca Bangu 1 a 0.
00:24:14Foi uma grande situação minha
00:24:15e o Castor ficou muito feliz,
00:24:17que depois ele falou,
00:24:18ele conversando depois,
00:24:20falou,
00:24:20hoje eu vou encher o saco de ori,
00:24:21porque eu te tirei de lá
00:24:23e você fez quatro gols.
00:24:24Parabéns, Cláudio Adão.
00:24:25Pô, que legal,
00:24:26que beleza.
00:24:27Tô muito feliz.
00:24:28Então,
00:24:28isso me deixou mais alegre ainda.
00:24:30Marinho levanta
00:24:31para a entrada rápida
00:24:32do artilheiro Cláudio Adão.
00:24:33Belo gol,
00:24:34final Bangu 4,
00:24:35Vasco 0.
00:24:37É, o Bangu,
00:24:38na década de 80 com o Castor,
00:24:39ele é quarto colocado
00:24:40do Campeonato de 80,
00:24:40quarto colocado
00:24:41do Campeonato Carioca de 81.
00:24:43Ele chega nas quartas de final
00:24:44do Brasileiro de 82,
00:24:45ele é eliminado pelo Corinthians
00:24:46nas quartas de final
00:24:47e vai para o triangular final
00:24:49do Campeonato Carioca de 83
00:24:51com o Flamengo
00:24:52e com o Fluminense.
00:24:53Então,
00:24:54os resultados surgiram, né?
00:24:55Você tem investimento forte,
00:24:57você tem dinheiro em cima,
00:24:59você tem contratações melhores,
00:25:00você tem um time melhor
00:25:01e o time quase chegou.
00:25:04É sempre assim,
00:25:04é sempre no quase.
00:25:05Quando ele assinar o cheque,
00:25:06quando ele amparar logo os 10 milhões de pontos,
00:25:08deixa aí.
00:25:09Dá isso para o exercício agora,
00:25:10porque eu tenho que trazer esse dinheiro aqui
00:25:11para baixo a roda.
00:25:12Tchau.
00:25:13Sr. Castor,
00:25:14tem bicho até no coletivo hoje?
00:25:16Não, não tem não.
00:25:17O bicho é para a partida de domingo,
00:25:19se Deus quiser.
00:25:20Um bicho bem compensador.
00:25:21Não estou avisando,
00:25:22chega a um milhão.
00:25:24Capaz até de passar,
00:25:26dependendo do comportamento deles
00:25:27nessa partida.
00:25:28O salário era pequeno,
00:25:30porque era assim na época.
00:25:35Mas os bichos não param.
00:25:36Posso garantir a vocês
00:25:38que eu ganhava 20 vezes mais de bicho
00:25:43e nas mordidas que eu dava no castor de Pufó
00:25:46do que com o salário que eu ganhava no Bangu.
00:25:50Esse nome bicho, né,
00:25:51é muito curioso,
00:25:52porque era assim que ele motivava os jogadores do Bangu
00:25:56e a expressão, ela vem também do jogo do bicho,
00:26:00porque no início lá do século,
00:26:02quando o futebol ainda não era profissionalizado,
00:26:04os jogadores não podiam ter contratos
00:26:06e ganhavam meio que por fora.
00:26:08Mas como é que você ganhou esse dinheiro?
00:26:09Ah, ganhei no bicho.
00:26:10E aí virou essa premiação extra,
00:26:12ganhei no bicho.
00:26:13Ele dava dinheiro para tudo.
00:26:15Dinheiro para gol em treino,
00:26:18dinheiro para pente.
00:26:21Aí chegava da tribuna,
00:26:22que treino maravilhoso!
00:26:24Valeu!
00:26:25Paga o bicho e o pessoal no treino.
00:26:26Os caras olhavam assim,
00:26:27bicho no treino?
00:26:29Pode pagar o bicho para cada um.
00:26:31Só que o time de lá tinha que ganhar.
00:26:32E era um jogo que era para a gente ter ganho,
00:26:35de quatro, cinco.
00:26:36Mas o colega não entrava.
00:26:37Bora aí, foi um a um o jogo.
00:26:39Aí nós estávamos todos no vestiário tomando banho
00:26:41e ele apareceu e ficou aquele silêncio,
00:26:44porque a gente sabia que ele ia dar uma comida.
00:26:46Ele ia chegar e ia comer o toco de todo mundo.
00:26:49Eu falei, putz,
00:26:51olha o doutor ali,
00:26:51os caras tomando banho assim e tal.
00:26:54Aí ele falou,
00:26:54ó, seguinte,
00:26:56eu vou dar esse dinheiro aqui,
00:26:57mas ó,
00:26:58estou com vergonha.
00:27:00Queria pagar o bicho inteiro,
00:27:01mas fazer o quê?
00:27:02Pegou o pacote,
00:27:04fez assim, ó.
00:27:05Aí,
00:27:06nossa,
00:27:07só vinha um tal de neguinho
00:27:08pegando dinheiro no chão e tal.
00:27:10Eu fiz uma promessa
00:27:12que iria pagar-lhe um prêmio
00:27:14se ele fosse artilheiro.
00:27:15Vai logo que começou o campeonato
00:27:16e eu paguei o prêmio adiantado.
00:27:18Ele fazia uns desafios
00:27:19que eram muito gostosos.
00:27:21Ó,
00:27:21se você for artilheiro do campeonato,
00:27:23eu vou te pagar tanto.
00:27:24Se você não for,
00:27:26você também vai embora.
00:27:27O Castor de Andrade,
00:27:28Arturzinho,
00:27:29vai levar um belo bicho
00:27:30por esse gol que ele fez,
00:27:31não vai não,
00:27:31Castor?
00:27:32Ele já merece tudo quanto é bicho.
00:27:33Ele já tem o maior bicho
00:27:34que é o Castor,
00:27:35que ele conquistou.
00:27:36Jogar no Bangu
00:27:37realmente é
00:27:38orgulho
00:27:39para qualquer jogador,
00:27:40é uma satisfação.
00:27:42Um bicheiro
00:27:42de patrono
00:27:43com dinheiro
00:27:44já representa
00:27:45muita coisa.
00:27:46O Bangu
00:27:47tinha dois.
00:27:48Carlinho Manacanã,
00:27:50foi presidente
00:27:51do Madureira
00:27:52nos anos 60,
00:27:53bicheiro também,
00:27:55presidente de honra
00:27:55da Portela também.
00:27:57E quando ele vem,
00:27:58ele vem para dividir
00:27:59as funções,
00:27:59na verdade.
00:28:00Ele vai cuidar
00:28:01da parte juvenil,
00:28:02juniores,
00:28:03enquanto o Castor
00:28:04fica só nos profissionais.
00:28:05Por incrível que pareça,
00:28:06Carlinho Manacanã,
00:28:07na época,
00:28:08era presidente da Portela
00:28:09e Castor na mocidade.
00:28:11Então,
00:28:11a rivalidade de samba
00:28:12independente do campo.
00:28:14Em algum momento,
00:28:14eles devem ter sido inimigos
00:28:15por briga de pontos
00:28:16no início dos anos 70,
00:28:18mas depois,
00:28:18nos anos 80,
00:28:19fizeram uma parceria
00:28:20muito boa dentro do clube
00:28:21que durou até 93.
00:28:22Os jogadores do Bangu
00:28:24tiveram um sábado
00:28:25totalmente diferente
00:28:26aqui na toca do Castor.
00:28:27Eles assistiram
00:28:28em primeiríssima mão
00:28:29ao filme
00:28:30Águia na Cabeça
00:28:31de Paulo Thiago.
00:28:33Moisés,
00:28:34uma nova atividade no Bangu.
00:28:36O Bangu sempre inovando, né?
00:28:37Eu acho que foi excelente.
00:28:39Os jogadores,
00:28:40inclusive,
00:28:40estão gostando.
00:28:41Você acha que
00:28:42tem alguma referência
00:28:43ao Dr. Castor,
00:28:44ao Carlinho Manacanã,
00:28:45nesse filme?
00:28:46Não.
00:28:46Eu acho que,
00:28:47é lógico,
00:28:48o jogo de bicho
00:28:49é uma tradição,
00:28:50é uma transação
00:28:50desde a época do Barão.
00:28:51e eu acho que não tem
00:28:53relacionamento nenhum.
00:28:54Inclusive,
00:28:55porque o Castor
00:28:56já está afastado
00:28:57há muito tempo
00:28:58da contravenção.
00:28:59Diz uma coisa,
00:29:00a referência direta
00:29:01ao jogo do bicho
00:29:02tem a ver também
00:29:03diretamente com o Castor
00:29:04e o Carlinho Manacanã?
00:29:05Bom,
00:29:10eu acho que as pessoas,
00:29:13o Brasil vive
00:29:13uma realidade dupla,
00:29:15uma realidade
00:29:16que,
00:29:18a realidade legal,
00:29:19a realidade que se fala,
00:29:21que está nas páginas
00:29:21dos roais
00:29:22e a realidade
00:29:23que as pessoas conhecem
00:29:24daquilo que é real.
00:29:25Todas as pessoas
00:29:26sabem, na verdade,
00:29:27o que o Castor
00:29:28e o Carlinho Manacanã
00:29:29fazem.
00:29:30Isso é público.
00:29:31Então,
00:29:32para mim,
00:29:32dá uma grande satisfação
00:29:33de mostrar esse filme,
00:29:35que é um filme
00:29:36que trata do assunto
00:29:37do jogo do bicho
00:29:39e que trata também
00:29:40de coisas ligadas
00:29:43à vida brasileira,
00:29:44a política,
00:29:45a luta pelo poder
00:29:46e tudo isso,
00:29:48para pessoas
00:29:48que têm a ver
00:29:49com o filme.
00:29:49É como se eu estivesse
00:29:50exibindo o filme
00:29:51para pessoas
00:29:52que, de certa forma,
00:29:54são personagens
00:29:55do próprio filme.
00:29:57Zezé,
00:29:58um lançamento
00:29:58também diferente
00:29:59para você, né?
00:30:00Numa concentração
00:30:01aqui no Bangu,
00:30:02aí na cabeça,
00:30:03você como principal atriz.
00:30:05Eu estou achando ótimo.
00:30:06Acho que é a prova
00:30:07de que eu concordo
00:30:08com essa ideia
00:30:09e a minha presença
00:30:10aqui na concentração
00:30:12do Bangu.
00:30:13Achei genial,
00:30:13achei muito justo
00:30:15se fazer essa homenagem
00:30:17aqui ao Castor
00:30:18e à turma toda do Bangu.
00:30:20Uma pergunta técnica.
00:30:22Por que não tem Castor
00:30:24no jogo do bicho,
00:30:25apesar de ter Castor
00:30:26no jogo do bicho?
00:30:28Muito trinjeita a pergunta,
00:30:30como sempre,
00:30:31tudo que vem de você.
00:30:31realmente
00:30:33eu devo culpar
00:30:34o Barão de Drummond,
00:30:35que naquela época
00:30:36não tinha no zoológico
00:30:37um Castor.
00:30:38A lista dos 25 bichos
00:30:40do Barão,
00:30:41lá de 1892,
00:30:42é a mesma lista
00:30:44que a gente usa
00:30:45até hoje
00:30:45no jogo do bicho.
00:30:46Os mesmos de 25 bichos.
00:30:48O jogo começou
00:30:48muito inocente, né?
00:30:50Pelo Barão de Drummond,
00:30:52que era o dono
00:30:52de um zoológico,
00:30:53na época,
00:30:54em Vila Isabel.
00:30:55E o zoológico dele
00:30:56não ia muito bem
00:30:56nas pernas.
00:30:57Ele precisava ganhar
00:30:58um dinheirinho extra
00:30:59e ele teve a ideia
00:31:00de fazer uma rifa.
00:31:01E a rifa era
00:31:02com os animais
00:31:02do zoológico.
00:31:03Foi um sucesso.
00:31:04Foi um sucesso.
00:31:06Isso começou a,
00:31:08digamos assim,
00:31:09despertar o interesse
00:31:10de outros investidores,
00:31:12que gostavam dessa história
00:31:15da jogatina,
00:31:16das apostas,
00:31:18e se inspiraram
00:31:19no modelo lá
00:31:20do Drummond
00:31:22para montar
00:31:24o seu próprio negócio
00:31:25ligado também
00:31:27a números e bichos.
00:31:30Isso se expandiu
00:31:31no Rio de Janeiro
00:31:33da virada do século,
00:31:3519 para o século XX.
00:31:37No primeiro momento,
00:31:37a polícia não ligou,
00:31:39mas quando a coisa
00:31:40cresceu demais,
00:31:41houve, assim,
00:31:43uma primeira onda
00:31:44de repressão
00:31:45e eu acho que daí
00:31:46a parte da repressão
00:31:48vem também
00:31:49os primeiros sinais
00:31:50de uma máquina
00:31:51de corrupção
00:31:52que só cresceu
00:31:53a partir de então.
00:31:54O Brasil sempre teve
00:31:55uma massa
00:31:56de trabalhadores
00:31:57que teve muita dificuldade
00:31:58de entrar no mercado formal,
00:32:00assim como ele tem hoje.
00:32:02O jogo do bicho
00:32:03empregava antigos escravos,
00:32:04empregava imigrantes
00:32:05que vieram para o Brasil,
00:32:07foi um dos primeiros lugares
00:32:08a empregar mulheres
00:32:09que precisavam sustentar
00:32:10suas famílias,
00:32:11por exemplo, também.
00:32:12Muito provavelmente
00:32:13a avó do Castor
00:32:14é uma dessas pessoas,
00:32:16trabalhadoras,
00:32:18pobres,
00:32:19que perceberam no jogo,
00:32:21perceberam naquela,
00:32:23perceberam ali,
00:32:24naquela prática,
00:32:26uma possibilidade
00:32:26de ganhar dinheiro.
00:32:27e deve ter sido realmente
00:32:29a dona Euridice,
00:32:30a dona Iaiá,
00:32:31a primeira apontadora
00:32:33de bicho de Bangu.
00:32:34Olha, eu tinha uma avó
00:32:36que chamava-se Euridice
00:32:37e ela naquela época,
00:32:40como é que diz,
00:32:40para julgar,
00:32:41era viúva,
00:32:42para ajudar
00:32:43a manutenção da casa,
00:32:46ela escrevia
00:32:46o jogo do bicho
00:32:47numa casinha modesta
00:32:49de sapé
00:32:49na rua Fonseca,
00:32:50em Bangu.
00:32:52Minha irmã,
00:32:52minha mãe,
00:32:53trabalhava
00:32:54no laboratório
00:32:55farmacêutico
00:32:57e a minha outra tia,
00:32:58tia santa,
00:32:59ajudava a minha avó,
00:33:01como é que diz,
00:33:02a escrever
00:33:03o joguinho de bicho dela.
00:33:05Meu pai,
00:33:06que era condutor de trem,
00:33:07casou-se com a minha mãe
00:33:08e tinha outro tipo
00:33:12de negócio,
00:33:13mas por influência
00:33:14da família da minha mãe,
00:33:15eu acho que o sangue
00:33:16da minha mãe,
00:33:17forçou e ele começou
00:33:18a ter também
00:33:20ligação na contravenção
00:33:21no jogo de bicho.
00:33:22E daí, a origem.
00:33:23A dona Eurídice começou,
00:33:25ela tem uma filha
00:33:27chamada Carmen
00:33:28e a Carmen
00:33:29casa com o pai
00:33:30do castor,
00:33:31com o seu Eusébio,
00:33:33o zizinho,
00:33:34que seria presidente
00:33:35do Bangu Futebol Clube.
00:33:37Vai se casar
00:33:38com a dona Carmen
00:33:38em 1924
00:33:40e vai ter o primeiro filho
00:33:42dele em 1926,
00:33:43que é o castor.
00:33:44O seu zizinho,
00:33:44que amava o futebol,
00:33:46ele geria o bicho
00:33:49para a mulher,
00:33:50mas ele não gostava
00:33:51tanto de fazer esse papel.
00:33:53Então, o castor,
00:33:55ele nasce
00:33:56para ser o sucessor,
00:33:58para ser o sucessor
00:33:59e para comandar
00:34:00aquele bicho.
00:34:01O castor é um cara
00:34:02que tem um berço
00:34:03diferente de qualquer morador
00:34:05do bairro de Bangu.
00:34:06Ele era um cara
00:34:07mais almofadinho.
00:34:08Ele teve uma educação
00:34:09esmerada.
00:34:10Os pais foram muito cuidadosos
00:34:12na educação dele.
00:34:14Ele estudou
00:34:15no Colégio Pinto II,
00:34:17se formou
00:34:17na Faculdade Nacional
00:34:19de Direito
00:34:19da Universidade do Brasil,
00:34:22que na época era,
00:34:23e acho que ainda é,
00:34:24a melhor faculdade
00:34:25do Rio de Janeiro.
00:34:26Tinha, inclusive,
00:34:27inscrição da UAB.
00:34:28Tinha a carteira da UAB.
00:34:30Eu montei um escritório
00:34:31ali na rua da Assembleia
00:34:32e te iniciei
00:34:34com dois advogados
00:34:35e nós três
00:34:36iniciamos uma banca
00:34:38de advocacia ali,
00:34:39mas depois
00:34:40os negócios
00:34:41foram mudando,
00:34:42a vovó começou
00:34:44com uma influência
00:34:45na minha filha.
00:34:47E eu fui seguindo
00:34:48o caminho da vovó.
00:34:51Ter um doutor
00:34:52na família
00:34:53era um traço
00:34:56de distinção
00:34:56daquela família.
00:34:58E isso já
00:34:59separava
00:35:01a família Andrade
00:35:02das outras famílias
00:35:04do bar de bomba.
00:35:12A ditadura
00:35:13tinha que provar
00:35:14à sociedade
00:35:14os seus bons propósitos,
00:35:16né?
00:35:17E o ato institucional
00:35:18número 5,
00:35:19ele também vem,
00:35:20ele não foi só
00:35:21direcionado
00:35:22para a repressão
00:35:24política
00:35:25contra as organizações
00:35:27de esquerda
00:35:27e os inimigos
00:35:29políticos do regime.
00:35:31esse ato
00:35:32também teve
00:35:32uma conotação moral.
00:35:34Os banquinhos
00:35:34do jogo do bicho
00:35:35nunca foram
00:35:36adversários
00:35:38do regime.
00:35:40A prisão
00:35:40em 68
00:35:41é muito mais
00:35:42para dar uma justificativa.
00:35:43Prende
00:35:44estudante,
00:35:46comunista,
00:35:47mas e esses
00:35:48caras aí
00:35:48que fazem o jogo
00:35:48do bicho?
00:35:49Todo dia
00:35:50na minha porta,
00:35:51na minha esquina,
00:35:53os caras
00:35:53vão vender
00:35:54jogo do bicho
00:35:55dentro de quartel,
00:35:56nem eu vendia
00:35:57jogo do bicho
00:35:57dentro do quartel.
00:35:58A prisão
00:35:59dos bicheiros,
00:36:00pelo menos
00:36:00os bicheiros
00:36:01mais conhecidos,
00:36:02ela tem a ver
00:36:03com isso,
00:36:04vamos tirar
00:36:05esses caras
00:36:06que são
00:36:07mal para a sociedade
00:36:08porque ganham
00:36:09dinheiro com
00:36:10jogatina,
00:36:13vamos tirá-los
00:36:14de circulação
00:36:14e mostrar
00:36:15à sociedade
00:36:15que a gente
00:36:15veio aqui
00:36:16para moralizar.
00:36:18O Castor
00:36:18já era
00:36:19um bicheiro
00:36:20conhecido,
00:36:21já estava
00:36:22ligado
00:36:22ao Bangu,
00:36:25era uma referência,
00:36:26e ele foi preso
00:36:27por conta disso.
00:36:28e ele foi preso
00:36:58a mocidade
00:37:09independente
00:37:10de Padre Miguel
00:37:10nasceu
00:37:11de um clube
00:37:12de futebol
00:37:13do mesmo nome.
00:37:14Seu forte
00:37:15é a sua bateria,
00:37:16organizada
00:37:17pelo famoso
00:37:18mestre André.
00:37:19O Castor
00:37:20chegou na mocidade
00:37:21e logo vira
00:37:22o dono da escola
00:37:22pela figura dele
00:37:24centralizadora,
00:37:25muito carismática
00:37:27e por muito dinheiro.
00:37:28Ele chega
00:37:29despejando dinheiro
00:37:29na escola
00:37:30e aí cria-se
00:37:32no carnaval
00:37:32essa figura
00:37:35do patrono
00:37:35que existe até hoje,
00:37:37né?
00:37:37Você tem o nome
00:37:38patrono
00:37:38ou presidente de honra.
00:37:39Nesse período
00:37:4060, 70
00:37:42até 80
00:37:43nós temos
00:37:44Castor
00:37:45entrando na mocidade,
00:37:47Anísio
00:37:48e Nelson,
00:37:49Nelson,
00:37:49irmão de Anísio,
00:37:51tomando a beija-flor.
00:37:53A expressão
00:37:54que eu uso
00:37:54é tomar.
00:37:56Nós temos
00:37:56Luizinho Drummond
00:37:57indo para a Imperatriz.
00:37:59Esses bicheiros
00:38:00vão entrar
00:38:00como Castor
00:38:01em escolas
00:38:02de menor porte.
00:38:04Por quê?
00:38:05Porque a classe média
00:38:06e a sociedade
00:38:07estava começando
00:38:09a consumir
00:38:10o carnaval
00:38:11e a entrar
00:38:12nas escolas
00:38:13como um espaço
00:38:15de reconhecimento
00:38:16de um fenômeno
00:38:17cultural
00:38:18e artístico
00:38:19muito forte.
00:38:20O que os bicheiros
00:38:21veem?
00:38:22Os bicheiros veem
00:38:22nas escolas
00:38:23de samba
00:38:24uma forma
00:38:25de legitimar
00:38:27o seu papel
00:38:29na sociedade.
00:38:30Justamente porque
00:38:31a classe média
00:38:31está ali.
00:38:32quando o Castor
00:38:33entra na mocidade
00:38:35convidado
00:38:35para ser o presidente
00:38:36ele não aceita
00:38:37ser
00:38:38assumir
00:38:40este cargo.
00:38:41Ele quer ser
00:38:42o patrono
00:38:43da escola
00:38:44mas ele indica
00:38:46uma pessoa
00:38:46para ser
00:38:47o presidente formal.
00:38:49Osman Pereira Leite
00:38:50e quem era
00:38:51Osman?
00:38:52Um policial
00:38:53que já
00:38:53trabalhava
00:38:55como segurança
00:38:56e como matador
00:38:57para Castor
00:38:58desde os anos 60.
00:39:00Espero que este ano
00:39:01com a proteção
00:39:02de Deus
00:39:03a proteção
00:39:04divina
00:39:04evidente
00:39:05e com o auxílio
00:39:06do público
00:39:07eu possa trazer
00:39:09para Padre Miguel
00:39:11esse título
00:39:12tão almejado.
00:39:13Os dois
00:39:14são citados
00:39:15na imprensa
00:39:16e são alvo
00:39:18de inquéritos
00:39:18algumas vezes
00:39:20por conta
00:39:20dos crimes
00:39:21cometidos.
00:39:23Um desses crimes
00:39:24foi contra
00:39:25uma pessoa
00:39:26chamada
00:39:26Pedro
00:39:27que foi
00:39:29vítima
00:39:31de
00:39:31tiros
00:39:33dos matadores
00:39:34a mulher dele
00:39:35foi atingida
00:39:36pelos tiros
00:39:37mas sobreviveu
00:39:38e o que eles
00:39:40esses matadores
00:39:41queriam com Pedro
00:39:42eles queriam saber
00:39:44a localização
00:39:45de um amigo
00:39:47dele chamado
00:39:48Joinha
00:39:48e quem era Joinha?
00:39:50Joinha era
00:39:50acusado
00:39:51de estar
00:39:53roubando
00:39:54pontos de bicho
00:39:55do Castor
00:39:56a Vilma
00:39:57sobrevive
00:39:58a esse atentado
00:40:00no hospital
00:40:01ela diz
00:40:01para a polícia
00:40:02que as pessoas
00:40:03que atiraram
00:40:04foram as mã
00:40:05e um outro policial
00:40:06e diz
00:40:08que a mando
00:40:09de Castor
00:40:09de Andrade
00:40:1010 anos depois
00:40:11em 73
00:40:12nós temos
00:40:14um outro caso
00:40:15que não é esclarecido
00:40:16é o assassinato
00:40:19de Vicente
00:40:20de Paula
00:40:20da Silva
00:40:21Vicente de Paula
00:40:22era um funcionário
00:40:24de Castor
00:40:25e que num momento
00:40:27de briga
00:40:28chama Castor
00:40:29de Andrade
00:40:30de ladrão
00:40:31Castor
00:40:32não era alguém
00:40:33de perdoar
00:40:33as pessoas
00:40:34o corpo
00:40:36de Vicente de Paula
00:40:38aparece na Rio Magé
00:40:39crivado
00:40:41de balas
00:40:42e com uma mão
00:40:43cortada
00:40:44a mão esquerda
00:40:45nunca foi esclarecido
00:40:48o crime
00:40:48o Brasil de Portugal
00:40:53com o destino
00:40:54antes
00:40:54e em diante
00:40:55o Gabriel
00:40:56comandando as carabelas
00:40:58e a fazer
00:41:00e a fazer
00:41:00a transação
00:41:02a transação
00:41:03com o clave
00:41:04a canela
00:41:05e de repente
00:41:07e de repente
00:41:09o mar
00:41:10transformou
00:41:12esse gigante
00:41:23que hoje se chama
00:41:38Bracinho
00:41:39Veracruz
00:41:40Veracruz
00:41:43Santa Cruz
00:41:44aquele navegante
00:41:46descobriu
00:41:47descobriu
00:41:48que depois
00:41:49se transformou
00:41:51esse gigante
00:41:52que hoje se chama
00:41:53Bracinho
00:41:54e a muda
00:41:55a muda
00:41:56do poeta
00:41:58e a vira
00:42:00do compositor
00:42:02o desfile
00:42:17do descobrimento
00:42:18do Brasil
00:42:18foi lindo
00:42:19mas por outro lado
00:42:21o que acontecia
00:42:22foi um desfile
00:42:22típico
00:42:23dos anos 70
00:42:24de exaltação
00:42:26ao Brasil
00:42:27e que revela
00:42:28uma ligação
00:42:31a já ligação
00:42:32que os bicheiros
00:42:34e o caso
00:42:34o Castor
00:42:35de Andrade
00:42:36tinha
00:42:37com o próprio
00:42:39regime militar
00:42:40de elogio
00:42:41ao regime militar
00:42:42se você pegar
00:42:51o samba
00:42:51que é de um
00:42:52craque
00:42:53do Samba Enredo
00:42:54que é o compositor
00:42:55Toco
00:42:55você vai ver
00:42:56que a primeira parte
00:42:57do samba
00:42:58todo
00:42:58não fala
00:42:59do descobrimento
00:43:00do Brasil
00:43:00o descobrimento
00:43:01do Brasil
00:43:02só é contado
00:43:04na segunda parte
00:43:05do samba
00:43:05a primeira parte
00:43:06é toda de exaltação
00:43:08ela tem versos
00:43:09como
00:43:09Brasil
00:43:11Brasil
00:43:11avante meu Brasil
00:43:13vem participar
00:43:14do festival
00:43:15ela na verdade
00:43:23é uma exaltação
00:43:25ao Brasil
00:43:26do regime militar
00:43:27ao Brasil
00:43:28daquela época
00:43:29ela reproduz
00:43:31ela reproduz
00:43:31o pra frente
00:43:32Brasil
00:43:33dos anos 70
00:43:34do início
00:43:34dos anos 70
00:43:35nós estamos falando
00:43:36de 79
00:43:36então
00:43:38esse é o carnaval
00:43:39que o Castor faz
00:43:39é um carnaval
00:43:41que mostra
00:43:43a ligação dele
00:43:43com o regime
00:43:44e ao mesmo tempo
00:43:45é um carnaval
00:43:46em que o presidente
00:43:47da escola
00:43:48é um policial
00:43:49matador
00:43:50o julgamento
00:43:51dos desfiles
00:43:52das escolas
00:43:52de samba
00:43:53foi hoje
00:43:53no quarto
00:43:54batalhão
00:43:54da polícia
00:43:55militar
00:43:55no Rio
00:43:55como havia
00:43:56muita confusão
00:43:58por conta
00:43:59dos resultados
00:44:00havia muito
00:44:01disse-me-disse
00:44:02sobre resultados
00:44:04armados
00:44:05para que uma escola
00:44:07ou outra
00:44:07fosse campeã
00:44:08a polícia
00:44:10sempre estava
00:44:11envolvida
00:44:12para que
00:44:12não degrinolasse
00:44:14o que aconteceu
00:44:15algumas vezes
00:44:15em briga
00:44:16no carnaval
00:44:17de 79
00:44:18é que
00:44:19os dois
00:44:20Osman
00:44:21e Castor
00:44:22estão sentados
00:44:23lado a lado
00:44:24um
00:44:24o comandante
00:44:26do jogo
00:44:27do bicho
00:44:28da cúpula
00:44:28do jogo
00:44:29outro
00:44:30um acusado
00:44:32de assassinato
00:44:33na única nota
00:44:34de enredo
00:44:34a mocidade
00:44:35tirou 10
00:44:36e passou
00:44:37para o primeiro lugar
00:44:38a vitória
00:44:38se confirmou
00:44:39no último quesito
00:44:40alegorias
00:44:41e adereços
00:44:42o presidente
00:44:43da escola
00:44:44Osman Leite
00:44:44ficou emocionado
00:44:46a maior festa
00:44:47popular da cidade
00:44:48e a comemoração
00:44:50é feita por
00:44:50dois bandidos
00:44:52que é a palavra
00:44:54que nós podemos usar
00:44:55e que nós devemos usar
00:44:56dois bandidos
00:44:57comemorando
00:44:58numa transmissão
00:44:59da televisão
00:45:00ao vivo
00:45:02mas como é que vai ser
00:45:03a festa da mocidade
00:45:04maravilhosa festa
00:45:05eu quero que a bateria
00:45:07em peso
00:45:07esteja na rua
00:45:08agora
00:45:08e o poço
00:45:09que eu vou parar
00:45:10com o cachorro
00:45:10quantos litros de chope
00:45:12hein
00:45:12não sei
00:45:13nós não sabemos
00:45:14não cuidamos de chope
00:45:16nós cuidamos da alegria
00:45:17do povo
00:45:18do dia
00:45:18o Brasil
00:45:19o Brasil
00:45:19o Brasil
00:45:20o Brasil
00:45:20o Brasil
00:45:21o Brasil
00:45:21o Brasil
00:45:22vem participar
00:45:23o festival
00:45:24que a bonidade
00:45:27e o chope
00:45:28apresentarei o carnaval
00:45:33Um dos camarotes mais bonitos, mais sofisticados da avenida é o de Castor Ambrás,
00:45:38que foi o primeiro folião do Carnavalesco para ter uma ideia de decorar o seu próprio camarote.
00:45:43Como você não tem essa ideia? O todo inclusive está sendo imitado por outros camarotes.
00:45:47Eu sei.
00:45:48Na abrigação de cada escola, decorar o seu camarote.
00:45:51Porque paralelamente haveria outro concurso, o concurso de camarotes.
00:45:54Além do concurso da escola, haveria o concurso de camarotes.
00:45:57Você está querendo lançar o concurso de decoração de camarotes?
00:46:00Eu acho que é uma boa para todos os senhores.
00:46:02Mas vocês iriam sempre ganhar então?
00:46:04Não.
00:46:05Filma Carrilho, moradora do bairro, nascida no bairro de Bangu.
00:46:08E ela é filha de um jogador dos anos 10 para 20, 19 para 20, chamado Anquizes Carrilho.
00:46:15Eles se conheceram praticamente em 45 e em 49 se casaram.
00:46:20Castor, você colocou sua esposa para cuidar do futebol e ela cuida bem como você cuida do masculino?
00:46:25Não, eu não coloquei não. Ela que se colocou, ela que me impôs isso.
00:46:29Pelo contrário, fui até certo, ponto contrário a isso.
00:46:33Porque no princípio estava dando muito prejuízo, muita despesa.
00:46:35Despesa com que?
00:46:37Com grana, né? E ela não estava tendo resultado.
00:46:40Eu disse para ela, vou acabar com esse futebol.
00:46:42Quase que ela me provoca um desquite, quase que requer um desquite.
00:46:46Aí fui obrigado a ser generoso e conceder.
00:46:50Não, sai se é quem tem.
00:46:53Cantor Castor, ele é um homem que tem muitos conceitos.
00:46:56Ele deve ser elite.
00:46:58A greve de cala foi direito.
00:47:00O que merece? O que merece? O que merece? O que merece? O que merece?
00:47:05O Dona Rima era fã do futebol feminino.
00:47:08E o Castor começou a pegar gosto, porque o time Bangu ganhava em todo mundo.
00:47:11E era só goleada.
00:47:12E na verdade só dava prejuízo o futebol feminino, né?
00:47:15Acho que você não tinha público para aquele jogo ainda.
00:47:19Bangu jogava inclusive preliminares no Maracanã, de jogos profissionais.
00:47:23No time feminino, não tinha jogadoras boas.
00:47:26Em 83, tendo esse longo primeiro turno no campo do Bangu lotado.
00:47:30Eu era Gandula, Bangu e Radar.
00:47:33As duas maiores equipes que tinha na época.
00:47:35Havia muita rivalidade entre as meninas. Por quê?
00:47:37O Radar era um time vencedor.
00:47:39Se formou uma seleção e aquela seleção do Bangu não queria perder.
00:47:44Aquela equipe movimentou a torcida, movimentou o subúrbio.
00:47:56Teve um gol no primeiro tempo do Radar, né? Um chute.
00:48:00Dizem que estava impedido. Não sei se estava.
00:48:03Bangu jogando muito bem, massacrando o Radar, massacrando o Radar.
00:48:07Mas tomamos um gol que, teoricamente, todo mundo falou que estava impedido, que não valeu.
00:48:12Bangu está jogando bem.
00:48:14Está jogando bem, está sendo prejudicado pelo Bandeirinha.
00:48:17Está sendo prejudicado.
00:48:18Nosso povo já estava na beira do campo. Castor, mas a equipe dele, né? O suporte.
00:48:23Ele sabia que ia dar problema nesse jogo se o Bangu perdesse ali.
00:48:25Ele tinha certeza que ele ficou tomando conta.
00:48:27Ele dava a volta no campo, acalmava a torcida, acalmava o nego se xingando.
00:48:31Acalma, acalma que nós vamos virar. E a coisa não foi acontecendo.
00:48:34A coisa não foi acontecendo.
00:48:43Ele vai lá por causa do lance do gol do Radar que teria sido impedido.
00:48:46Que aí vai lá tirar satisfação, fazer aquela pressão básica, a pressão do jogo, né?
00:48:53Um gol, escandalosamente, o que sabe para o Radar.
00:48:59Eu estou achando o time do Bangu maravilhoso.
00:49:02Agora o juiz, está meio esquisito, hein?
00:49:04O homem foi ficando vermelho, foi ficando vermelho, meu irmão.
00:49:06Que chegou no finalzinho, que ele terminou o jogo, o homem não aguentou.
00:49:10Quando termina a partida, tem a invasão de campo, né?
00:49:13Foi uma cena cômica.
00:49:15Estão correndo atrás do juiz de futebol para agredi-lo.
00:49:19Foi uma barbárie, né? E com muita sorte não morreu gente.
00:49:23Não, não houve isso.
00:49:25Quando o Castor dá aquele primeiro pitch para cima do juiz,
00:49:29Ah, meu irmão, aí o fogo veio com tudo.
00:49:31Aí os seguranças vieram, meu irmão, e foi aquilo que...
00:49:34O que aconteceu foi deprimente.
00:49:36Bateram muito no juiz, muito, muito, muito.
00:49:39Meu irmão, não sei como é que ele saiu vivo.
00:49:41Ninguém encostou a mão no juiz, nesse episódio, não.
00:49:44Agora, o Castor já teve outros entrevelos com os juízes.
00:49:48Isso não foi o único.
00:49:50Mas nesse, especificamente, ele sequer chegou perto do juiz
00:49:54porque a segurança não deixou, agarrou-se no Castor.
00:49:57E detalhe, o Castor encostou um dedo nele.
00:50:00Mas só ele para cima do juiz, pô, já sente que os pessoal só precisaram de incentivo.
00:50:03Pega! Aí deu... igual o cachorro. Pega, pega!
00:50:06Meu irmão, foi todo mundo para cima.
00:50:08O juiz foi quase linchado.
00:50:11Quase exagero, foi linchado.
00:50:13Massacre de Bangu.
00:50:15Ricardo Duranes, o juiz agredido em Moça Bonita
00:50:18no jogo feminino de quarta-feira entre Bangu e Radar,
00:50:21já entregou o relatório da partida na Federação de Futebol do Rio de Janeiro.
00:50:25Foi uma covardia impressionante.
00:50:29Uma coisa que realmente não pode mais existir no nosso futebol.
00:50:33Principalmente o futebol feminino que está começando.
00:50:36E está começando mal.
00:50:38pelo que eu estou vendo.
00:50:40E realmente analisei dirigentes despreparados e covardes.
00:50:47Realmente dirigentes covardes.
00:50:49Que incitaram e deram ordens para que toda essa sorte de agressões fosse realizada.
00:50:54Você viu claramente quem te agrediu?
00:50:59Quem me agrediu eu não vi claramente porque na situação daquela que todos viram aí pela televisão não há quem visse alguma coisa.
00:51:05No momento eu só pensava em salvar minha vida.
00:51:08Agora quem mandou agredir eu vi quem foi e foi o dirigente Castor de Andrade.
00:51:12Segurança, ele só correu para segurar o Castor, para não deixar que o Castor agredisse o juiz.
00:51:17Eu corri ao encontro do juiz com o firme propósito de dizer, não saia de campo, aguarde dentro de campo a polícia.
00:51:26E ao me aproximar correndo dele gritando, não saia de campo, não saia de campo.
00:51:30Ele interpretou, talvez com aquele meu gesto, que eu tivesse a intenção de agredir.
00:51:35Ele saiu correndo e eu saí correndo atrás dele e ele disse, não corra, não corra, não corra.
00:51:38Não corra, e ele dando o pique, e ele dando o pique para cima do juiz.
00:51:41Tanto é que ele bota a mão assim, é que isso não alcançou, mas ele queria dar o primeiro soco.
00:51:45O motor de arranque dele não estava inteiro para chegar no cara.
00:51:48Pode ver que o juiz saiu inteiro.
00:51:51As cenas mostram o massacre e eu não vi nada disso.
00:51:54Não tem escoriação nenhuma.
00:51:55A verdade, o fato é que ninguém saiu contundido de lá, ninguém saiu machucado.
00:51:59Não houve nenhuma lesão corporal, o rapaz está inteiro.
00:52:03O próprio hábito está com a sua integridade física garantida.
00:52:06Os caras de dois metros batendo assim, assim, marretado no cara, soco de lado, tudo quanto é lado.
00:52:11O juiz mostra o dente assim, sem um pedaço do dente aqui, meu amor.
00:52:14Imagina o tamanho do muro que ele tomou.
00:52:16Eu não sei nem mais onde é que eu vou dizer que eu estou machucado, porque todos viram.
00:52:19Eu estou machucado em todos os lugares.
00:52:20A associação de árbitros quer saber quem eram aqueles homens armados no campo do Bangu.
00:52:25Eu acredito que fossem policiais, que sejam policiais.
00:52:28Do contrário, a polícia militar teria que chegar lá e meter para o porte de arma ilegal.
00:52:32Os agressores, todos eles, pertenciam a uma pseudo-segurança do Bangu Atlético Clube.
00:52:41E todos eles estavam armados.
00:52:43Todos três já foram demitidos.
00:52:45Ricardo, você está bem abalado com o que aconteceu ontem, né?
00:52:48Eu prefiro dizer que eu estou bem feliz por estar vivo e dando essa entrevista para você.
00:52:53O presidente do conselho do Bangu, Castor de Andrade, chegou à corrigedoria numa Mercedes-Benz branca, aparentando muita calma.
00:52:59Ao terminar o depoimento, três horas depois, já identificado e indiciado no inquérito policial, a calma já era.
00:53:06Agora vocês me permitem, que eu já me sinto, já.
00:53:09Eu estou massacrado por nós.
00:53:11Naquele julgamento veio à tona.
00:53:13Todos os seguranças do Castor eram policiais militares e pessoas que estavam armadas dentro do campo.
00:53:19Então, quer dizer, isso aí já era uma mudança de rumo na estrutura da contravenção, nos meios e nos objetivos do jogo do bicho.
00:53:28Quando se retrata o julgamento, é aquilo que a gente diz, ali entra o lado do poder, o poder obscuro.
00:53:34Neste julgamento, o nome de maior projeção entre os acusados é o de Castor de Andrade.
00:53:39Mas três policiais, o agente penitenciário Kleber, o detetive Vanderlei e o delegado Roberto Simas,
00:53:46podem ser condenados, influindo decisivamente no inquérito administrativo com perda de função policial.
00:53:53O ex-PM Jerônimo Lopes, um miúdo, já foi expulso da corporação.
00:53:57Entre os indiciados estão ainda o motorista da polícia Fernando Gordo,
00:54:01o ex-pugilista Walter Segurança de Castor e duas jogadoras do Bangu, Sara e Elizabeth.
00:54:07O jogo é vendo fora de Bangu, é uma seara que ele domina, né?
00:54:11A tese unificada da defesa é de que as agressões ao árbitro Ricardo Durães
00:54:16e aos bandeirinhas do jogo Radar e Bangu foram motivadas pela paixão do futebol
00:54:21e seria difícil identificar os autores.
00:54:24Esse processo ganhou um foro de publicidade tão grande que nós quisemos mostrar
00:54:28que a absolvição seria possível usando o próprio videotape como prova em favor da defesa
00:54:34e foi o que aconteceu.
00:54:36Ele foi julgado em Bangu e absolvido porque não chegou sequer a haver ameaça.
00:54:40Ele correu até o juiz para reclamar.
00:54:43Se fosse em qualquer outro local ou com qualquer outro juiz que não conheceria,
00:54:47talvez tivesse tido alguma pena.
00:54:49O juiz era um juiz rigoroso, absorveu todo mundo, não havia isso.
00:54:54Ele era o dono de Bangu, vai ser julgado numa vara de Bangu.
00:54:57Chega ao fim o caso Castor.
00:54:59O juiz Carmine Savino, filho da oitava vara criminal do Fórum de Bangu, anunciou ontem a sentença.
00:55:04Aí o resultado desse julgamento é uma coisa, como é que você vai dizer, uma coisa de gangster.
00:55:10É uma coisa que só acontece com as grandes gangues.
00:55:13Quem foi condenado, foi condenado a penas leves, a cestas básicas.
00:55:19Quer dizer, ninguém pagou o preço da violência que o juiz sofreu.
00:55:23O que você está achando?
00:55:25Do samba ou da sentença?
00:55:32Um circo todo armado, a escola de samba esperando a saída dele para ele ser carregado em triunfo.
00:55:41Portela parabeniza Castor, salve a justiça.
00:55:44A faixa feita com antecedência, muito samba e até flores, comemoraram a absolvição de Castor de Andrade,
00:55:51o mais famoso entre os nove acusados de agressão ao árbitro Ricardo Duranes.
00:55:56Uma festa em frente ao Fórum de Bangu.
00:55:58O Carlinhos Maracanã ligou, traz as mulatas, traz todo mundo, bateria, faixa da Portela.
00:56:03Pô, foi uma situação onde o cara estava sendo processado por agressão, eu não sei o quê, e no final da festa.
00:56:12No final da Portela lá fora, todo mundo cantando, todo mundo feliz.
00:56:15Cara, parecia que todo mundo já sabia qual era o resultado final.
00:56:21Cara, isso é o Rio de Janeiro dos anos 80, né? Isso é diferente.
00:56:27Isso que a gente não tem mais hoje em dia, né? Essa alegria, é o escárnio total, né?
00:56:32A justiça é uma seara que ele domina totalmente.
00:56:34Por exemplo, nos anos 70 tem várias acusações de crimes contra ele,
00:56:38e quando chegava nele o processo não ia. O processo não andava, você não conseguia imputar uma culpa ao Castor.
00:56:45E ele tinha a certeza da impunidade, em primeiro lugar, porque ele tinha força policial.
00:56:51E ele tinha certeza que a justiça não tinha instrumentos para puni-lo.
00:56:56Nós estamos falando antes da Constituição de 88.
00:57:00A justiça existia para carimbar processos. Só isso.
00:57:04De modo que ele estava certo da impunidade.
00:57:06Tanto é que ele levou à escola de samba, que ele sabia que ele ia ser absolvido.
00:57:12Ele nunca prevê. O crime organizado nunca prevê. Um ponto final.
00:57:17E ele toma.
00:57:26Eu poderia dizer que ele já é um capo.
00:57:28Ele já é a estrutura mafiosa estruturada na cidade com os seus crimes.
00:57:34Ele ia dar um teco no juiz, pô!
00:57:36E todo o Maracanã parado, todo mundo filmando aquilo, né?
00:57:40Se há uma estrutura corrupta, uma instituição corrupta no nosso país, é o futebol.
00:57:47O Castor estava lavado, estufado no pescoço.
00:57:52Ele falou, esse homem vai mandar matar alguém.
00:57:54Ado na cobrança. Partiu. Bateu.
00:57:58Eu sou frustrado pra caramba por isso.
00:58:01Parece que o mundo desagou em mim.
00:58:03Eu fiquei uns três dias sem dormir.
00:58:06Pensando no jogo.
00:58:08Se você falar de Bangu, você tem que falar de Castor de Andrade.
00:58:11Se você falar de Castor de Andrade, você tem que falar de Bangu.
00:58:13Eles subiram junto e eles desceram junto.
00:58:16Ele percebeu que o Bangu não ganhava nada.
00:58:18Essa é a velha.
00:58:20Eu não quero mais ter papo com os jogadores.
00:58:22A mocidade tinha mais chances de ganhar.
00:58:24De levá-lo ao topo.
00:58:25De dar a ele a imagem vencedora que ele quer.
00:58:28Mocidade, meu coração é de vocês.
00:58:31Todos aqueles que morreram e que não ficou comprovada a autoria
00:58:37eram pessoas que atrapalhavam a formação da culpa.
00:58:42Em algum momento, se recebe a informação
00:58:45de que há seguranças dos bicheiros armados em volta do fórum.
00:58:52Era um maldácio.
00:58:54Um maldácio.
00:58:57Quando eu tinha meus policiais, eu fui atrás deles.
00:59:00Me tragam aqui.
00:59:02Custo o que custar.
00:59:03A filha leva a custódia que eu sei lá.
00:59:08Uma manobra exatamente daquela que deveria ser imparcial.
00:59:12Meu temor é que ele pudesse ser baleado por um policial.
00:59:17Porque no mesmo modo que ele era querido, ele também era odiado por uma parte da polícia.
00:59:23A polícia do Rio apreende uma lista com nomes de pessoas suspeitas de receber tropina do jogo do bicho.
00:59:29Havia registros de lançamento de propina para candidatos à presidência,
00:59:36governo de outros estados, deputados federais.
00:59:39Autoridades, deputados, juízes, delegados.
00:59:42Isso é uma falta de idade.
00:59:44Aí as pessoas perceberam, não, isso aqui é muito mais grave.
00:59:47Isso aqui sai do asfalto e chega até os palácios.
00:59:50Os palácios.
01:00:20Os palácios...
01:00:22Os palácios de referência para breatharem.
01:00:24Estam nois...
01:00:25Os palácios de renda o jejum.
01:00:26Vocês têm boas marchas em nove de vários anos?
01:00:27Tem muitos aí.
01:00:28E agora até a minha кровinha de freirí.
01:00:30Os palácios não conseguem nos...
01:00:31Os palácios derais.
01:00:33Caos que a gente fez Kosos,
01:00:34até asfalto e até ajudar as folhas oura,
01:00:36eles dizem aquelas que a gente fez Kônia Santos,
01:00:37Uma vida e a necessidade que你知道....
01:00:39Eu lovei quem.
01:00:41O built費 que se realizou.
01:00:42Que foi bom!
01:00:43Os palácios.
01:00:45As человекes até os palácios planetas?
01:00:47Aasta é o mais classeTV.
01:00:50Legenda Adriana Zanotto
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