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Transcrição
00:00O presidente Donald Trump celebrou as tarifas que vai impor a partir desta sexta-feira aos parceiros comerciais dos Estados Unidos.
00:11O magnata assegurou que a medida permite ao país ser grande e rico novamente.
00:17A declaração veio após Trump ter assinado um decreto que elevou tarifas adicionais sobre as importações brasileiras para 50%.
00:26O republicano considera que as ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
00:32constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
00:43No entanto, um total de quase 700 produtos ficou de fora da ordem executiva.
00:48Com o prazo estendido para mais cinco dias após 1º de agosto, o Planalto segue reagindo à ofensiva.
00:55Mas mantém o tom diplomático na busca por alternativas de negociação para exportação de produtos como café e carne bovina,
01:05que não entraram na lista de isenções.
01:08Apesar das exceções definidas pela Casa Branca, quais são os riscos de colapso para a indústria e para o agro-brasileiro?
01:16E de que maneira o governo e setores da economia devem se antecipar a novos possíveis rompantes do presidente norte-americano?
01:25A análise destas e de outras questões você acompanha a partir de agora no Visão Crítica.
01:41Visão Crítica
01:43Olá, tudo bem com você? Seja muito bem-vindo, começando mais uma edição do Visão Crítica,
01:51que hoje discute as consequências da tarifa anunciada por Donald Trump
01:56e também das sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
02:01Vamos repercutir, analisar, projetar quais são os caminhos possíveis para o governo brasileiro
02:08com os nossos convidados. Hoje aqui, Rodrigo Prando, cientista político, doutor em Sociologia pela Unesp
02:14e também professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
02:19Também com a gente, o Rubens Figueiredo, cientista político, diretor do CEPAC, Pesquisa e Comunicação.
02:25E participando de forma online, o Márcio Coimbra, que é cientista político,
02:30presidente do Instituto Monitor da Democracia e ex-diretor da Apex Brasil e também do Senado Federal.
02:38Agradeço demais pela participação de todos.
02:40Eu acho que vários temas, assuntos e desdobramentos para nós discutirmos e analisarmos aqui.
02:47Vou começar com o professor Rodrigo Prando, uma alegria em rever.
02:50Já participamos de vários programas juntos.
02:53Para começar, professor, o tarifácio, ontem Donald Trump assinou esse decreto que impõe essa tarifa de 50% sobre o Brasil,
03:0140% somados àqueles 10 que já tinham sido anunciados.
03:06E é preciso considerar uma lista extensa de exceções, cerca de 700.
03:12Isso indica, naturalmente, que alguns setores puderam respirar aliviados, estavam muito apreensivos.
03:18Mas isso também explica um pouco da dinâmica norte-americana de não interferir nos hábitos da sua população
03:29e também não prejudicar alguns setores específicos.
03:32Enfim, queria seus apontamentos e considerações a respeito do decreto de Donald Trump.
03:39O que achou, mas o que a gente pode projetar, esperar de reação do governo brasileiro?
03:44Quais são os caminhos possíveis?
03:45Bom, prazer estar aqui contigo, Daniel, com o Rubens, com o Márcio também, remotamente.
03:50Prazer estar com todos vocês.
03:52Bom, vamos lá.
03:54A gente conversava aqui nos bastidores que essa questão do tarifaço e outras,
03:59como a sanção imposta ao ministro Alexandre Moraes,
04:02pode ser entendida como se fosse uma cebola em que você tem várias camadas.
04:07Então, vamos explorar todas as camadas inicialmente,
04:10pra gente fazer, que eu acho que a intenção do programa é esse bate-bola, essa troca aqui com todos.
04:17Mas, primeiro, um tarifaço.
04:21Vamos lembrar que tem uma carta.
04:24Tem uma carta enviada por Donald Trump,
04:27primeiro divulgada nas redes sociais.
04:30E essa carta, ela parte de uma premissa que a gente poderia tranquilamente chamar de fake news.
04:36Qual?
04:37Dizendo que o Brasil levaria vantagem em relação aos Estados Unidos, nessa relação comercial.
04:44E os próprios dados do governo americano indicam que os norte-americanos e os Estados Unidos são superavitários.
04:50Então, assim, uma justificativa como essa, comercial,
04:55e se ficasse no campo comercial, cada presidente vai defender sua nação, o seu país, ok.
05:01Mas, logo depois, o presidente Trump conecta, ele faz essa conexão, ninguém fez, ele fez,
05:09dizendo que as tarifas seriam uma retaliação por conta de um movimento da justiça brasileira,
05:17que, nesse momento, como nós sabemos, no Supremo Tribunal Federal,
05:20um julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando isso de caça às bruxas.
05:25E, depois, o porta-voz, ontem, salvo o melhor juízo, Daniel, repetiu o termo caça às bruxas.
05:31Então, assim, o Trump, ele tem uma lógica, e populistas costumam ter uma lógica,
05:39que é sempre de misturar as coisas.
05:41Os fatos misturados com aquilo que não é fato, que são fake news.
05:47E, a partir daí, ele consegue, e depois a gente pode explorar isso,
05:52eu não vou me estender, ele consegue, Trump, e, de certa maneira,
05:55uma parte do bolsonarismo, dá uma sobrevida, um ânimo ao presidente Lula.
06:04Sabe por quê?
06:04Eu estive aqui, há algumas semanas, na ocasião, com o professor Vila,
06:09e a gente estava comentando como o Congresso hoje está empoderado,
06:13o Rubem sabe disso, né?
06:14Talvez nunca tivemos um Congresso tão forte, um presidente mais acuado.
06:19E o Lula tem, tinha pelo menos, pesquisas indicando uma desaprovação crescente.
06:24Sim.
06:25Não é?
06:25Então, a desaprovação subiu muito e a aprovação caindo.
06:28E, de repente, a gente tem uma inversão interna.
06:32O PT, pela primeira vez, junto com o governo, faz uma comunicação,
06:35taxando ali ao Columbre, o Hugo Mota e o Congresso como inimigos do povo,
06:42os super ricos, por conta da derrota que o governo teve no Congresso,
06:47na questão que o Haddad trouxe para a reforma fiscal.
06:51Enfim, tudo isso deixou o governo internamente um pouco melhor.
06:54E aí vem Trump e o bolsonarismo e dá esse presente.
06:57E o governo assume para ele uma narrativa política de defesa da soberania.
07:01Então, eu acho que esse é um dos primeiros pontos que a gente pode começar.
07:04Teriam, como eu disse, várias outras camadas para explorarmos, né?
07:08Inclusive, aqui nos bastidores já conversamos de algumas delas.
07:11Mas eu te passo aí para a gente continuar esse diálogo,
07:14se você quiser algum complemento, ou Rubens, ou...
07:16Não, é interessante essa reflexão e essa introdução à discussão, professor,
07:23porque há uma tese, uma teoria que indica que, sim, é factível esse cenário desenhado pelo senhor,
07:32mas há quem aponte que Jair Bolsonaro teria se...
07:36Donald Trump teria se utilizado do episódio que envolve Jair Bolsonaro
07:39também para atacar as questões econômicas ou chegar ao seu objetivo.
07:44Mas antes disso, só para a gente fazer a apresentação de todos,
07:47cada um descer as suas cartas, né?
07:50Trazer também o seu apontamento inicial.
07:53Você, Rubens Figueiredo, cientista político,
07:56já participou de vários programas aqui da Jovem Pan News.
07:59Queria a sua análise sobre o decreto assinado e apresentado no dia de ontem,
08:05mas que o senhor refletisse sobre as motivações dos Estados Unidos
08:08que vão além das questões comerciais e tarifárias, né?
08:11Bom, boa noite, Rodrigo, Daniel, Márcio.
08:17Eu fiz uma brincadeira outro dia assim, ó.
08:20Os Estados Unidos são como um Doberman.
08:24E o Doberman está lá e o Brasil é um chihuahua, né?
08:28O Brasil é um proto-usuário no cenário internacional do ponto de vista de trocas comerciais.
08:33É 1,3% do que se transfere comercialmente entre os países do mundo.
08:40Então, é muito pequeno.
08:42E essa iniciativa do presidente Trump é desproporcional ao tamanho que o Brasil tem.
08:52Então, está lá o Doberman e o chihuahua ficam falando.
08:55É, né?
08:55Porque os briques têm que acabar com o dólar como moeda de troca.
09:02É, o capitalismo explora o homem.
09:06É, o Trump brigou com o Harvard.
09:09E fica ali perturbando o Doberman.
09:13E o Doberman mostrou seus dentes.
09:18A gente tem que entender...
09:20A gente estava brincando aqui.
09:22Tem uma música do Chico Buarque que é Deixa Menina, né?
09:25Então, ele fala para deixar a menina.
09:27Só que a menina é namorada do outro, né?
09:29Então, ser liberal com a mulher dos outros é fácil.
09:34E o Brasil é um país hiperfechado.
09:38O Brasil é uma das maiores economias do mundo.
09:43É que tem maior tarifa.
09:45Então, os dois estão errados, né?
09:48O Trump está errado.
09:49Mas o Brasil também tem um histórico aí de fechamento da economia,
09:53de sobretaxação e de barreiras não tarifárias, né?
09:57A burocracia brasileira é mundialmente famosa.
10:00Pois é, Rubens.
10:01Depois eu quero, inclusive, pedir a sua análise sobre o papel do presidente da República
10:06que concedeu essa semana uma entrevista ao New York Times.
10:09Falou uma porção de coisas.
10:11Segundo as informações, repercussões muito negativas dentro da Casa Branca.
10:16Enfim, será que o presidente brasileiro está falando demais?
10:20Deixa eu chamar só o Márcio Coimbra.
10:22Cientista político também vai compartilhar com a gente
10:25suas reflexões e análises a respeito do decreto de Donald Trump.
10:30Inclusive, o anúncio inicial apontava para a vigência a partir do dia 1º de agosto.
10:36Isso não acontecerá, na verdade, entrará em vigor na semana que vem.
10:40Márcio, bem-vindo mais uma vez.
10:42Queria, primeiro, sua reflexão e análise a respeito desse texto divulgado ontem,
10:48uma porção de exceções, mas queria também que a gente apontasse para frente.
10:52O que a gente pode esperar da reação brasileira?
10:55O governo ainda avaliando quais são os caminhos mais adequados.
10:59Falava-se, em algum momento, em lei da reciprocidade.
11:02É preciso ter cautela.
11:06Boa noite.
11:08Obrigado pelo convite para estar aqui.
11:10É uma satisfação falar com toda a audiência.
11:12Meu abraço para o Rodrigo, Daniel, Rubens.
11:16Realmente, a gente está diante de uma situação muito difícil.
11:20O Brasil precisa encontrar soluções para problemas reais.
11:25Mas acontece que o Brasil não vem procurando saídas diante dessa crise.
11:31O presidente Lula, ele cavou esse pênalti, ele buscou essa crise.
11:38Ele vem há muito tempo acusando os Estados Unidos de uma forma intensa.
11:45Aqui no Instituto, a gente levantou algumas falas dele.
11:49Ele chama Trump de sociopata, ele chama o Trump de câncer da política internacional,
11:55que a vitória dele era uma derrota para a humanidade, que ele alimenta o ódio, a divisão e o autoritarismo,
12:02que ele tem uma retórica fascista.
12:05Ou seja, ele buscou esse resultado que a gente está vendo.
12:10E nada melhor para alguém que está com uma impopularidade como a de Lula, recente,
12:20que a gente viu nas últimas pesquisas, como os colegas já colocaram aí nos comentários,
12:25nada melhor do que você achar um inimigo.
12:29Da mesma forma que o Hugo Chávez fez no passado, quando ele elegeu os Estados Unidos também como seu inimigo,
12:38quando ele estava com a popularidade em baixa, o que fez a sua popularidade subir.
12:44Mas o presidente Lula, ele vai além disso, né?
12:49Tem as suas declarações, eu acredito que também fez parte da construção deste resultado das tarifas.
12:57Como bem colocou, acredito que foi o Rubens, a questão dele em relação aos BRICS,
13:04ou seja, o questionamento em relação ao dólar, quer dizer, foi um movimento que sequer foi acompanhado pela Rússia.
13:16O chanceler russo Segei Lavrov disse que a Rússia não acompanhava esse movimento,
13:21que esse era uma declaração e um movimento exclusivo do presidente Lula,
13:26que não era um movimento BRICS.
13:30E me parece que os Estados Unidos também podem estar usando o Brasil como um laboratório de reação
13:38sobre até onde eles podem ir.
13:41E o Brasil, me parece que não tem, Daniel, nada muito bem preparado diplomaticamente.
13:49O Brasil, ele não tem uma diplomacia que, seguindo a diplomacia presidencial deste governo,
14:00criou pontes em Washington ao longo do tempo.
14:05E me pareceu que isso ficou bem explícito agora,
14:09que a nossa embaixadora lá em Washington não consegue manter reuniões de alto nível
14:14com ninguém da administração republicana,
14:17que os nossos senadores que viajaram para lá viajaram sem agenda,
14:23viajaram sem ninguém que abrisse portas para eles lá,
14:27e que os empresários estão dependendo muito mais da diplomacia corporativa feita pelos escritórios
14:33do que efetivamente pela nossa diplomacia oficial feita pelo Itamaraty.
14:37Pois é, bons apontamentos.
14:40E, de fato, nós trouxemos, inclusive, várias reflexões a respeito dessa dificuldade.
14:45Há muitas frentes abertas com pouca efetividade.
14:49A gente pode se aprofundar nisso daqui a pouco, inclusive, viu, Márcio?
14:52Quero só retomar com o Rodrigo Prando, professor do Mackenzie,
14:57para nós continuarmos com aquele ponto que você trouxe aqui a respeito da carta de Donald Trump,
15:03depois o texto do decreto que repete algumas informações.
15:06Os nossos analistas, inclusive, ao longo da programação, disseram que Donald Trump fez uma salada,
15:13misturou uma série de temas, o que, inclusive, talvez dificulte a maneira como o governo brasileiro
15:18vai se apresentar para tentar negociar a reversão das tarifas.
15:23Pois bem, isto posto, queria que você refletisse sobre a possibilidade de Donald Trump ter se utilizado
15:30de uma situação que talvez ele até concorde, talvez ele ache que exista perseguição política,
15:35que o que estão fazendo com o Jair Bolsonaro não deveria estar acontecendo.
15:39Enfim, aquela história que a gente já escutou por diversas vezes.
15:42Mas se aproveitar disso para alcançar algum objetivo comercial e ou não.
15:49Eu creio que sim.
15:51É por isso que eu usei a metáfora, né?
15:53Tem a metáfora do Doberman com o Chual.
15:55Eu estava aqui pensando que se você estivesse assistindo uma luta de boxe, imagina o Mike Tyson.
16:02E ele pega e fala assim, vem cá, entra e vem lutar comigo.
16:04Com peso e pena.
16:05É, como é que você vai lutar com o Mike Tyson?
16:08Você viu aqui, há pouco tempo, ele entrou no ringue e ele tirou o braço várias vezes,
16:13não derrubou um oponente lá dele e tudo mais.
16:15Não, mas eu me apego a essa sua reflexão.
16:19Mas o Brasil muitas vezes parece um esquizofrênico, né?
16:22Pois é, mas e o Canadá?
16:24Porque o Trump disse que queria anexar o Canadá.
16:28O Trump falou do México.
16:30O Trump tem atacado sistematicamente vários países.
16:34A grande questão, eu acho que o que está no fundo disso tudo, né?
16:39Então eu vou sair da camada mais superficial que eu comecei com a carta,
16:43que a gente chamaria aquilo na sociologia e na política de uma evidência empírica.
16:47Porque quando a gente trabalha documentos históricos, a carta é um documento.
16:51A resposta do Itamaraty ou do Lula, inclusive recentemente com relação à sanção Alexandre Moraes,
16:58é um documento histórico.
16:59Então eu vou sair dessa camada mais superficial e vamos entrar em algo mais nuclear e profundo.
17:04Os Estados Unidos hoje têm um medo enorme de uma mudança significativa
17:10nas relações globais, nas relações de poder.
17:14Você tem um país como a China, que tem se mostrado em tecnologia e energia renovável,
17:21investindo milhões e colocando muitas vezes em xeque espaços
17:26que eram preponderantemente dos norte-americanos.
17:30Então tem isso.
17:33Quando você fala do BRICS, e bem lembrou o colega, o Márcio Coimbra,
17:39quer dizer, que o Lula falou da questão da substituição, por exemplo, do dólar como moeda corrente.
17:45Isso foi logo depois da declaração do Lula, veio a carta.
17:48Eu estava no Rio de Janeiro e um dia, de repente, fechou tudo ali na orla
17:51porque estava tendo a reunião dos BRICS.
17:53Mas a grande questão é que tem a China, tem a questão dos dados e da inteligência artificial.
18:01E, de novo, quem rivaliza com os Estados Unidos não vai ser o Brasil, não vai ser a Rússia,
18:06mas também a China.
18:07Então a gente tem um conjunto de situações e de questões, Daniel,
18:13que fazem com que o Trump, na sua ação, conjugue dimensões políticas,
18:19porque há de se convir que nós temos um deputado, salvo o melhor juízo,
18:25um dos mais votados de São Paulo nos Estados Unidos, que é Eduardo Bolsonaro.
18:30A outra mais votada está em prisão agora na Itália, Carla Zambelli.
18:34Quer dizer, os dois mais votados estavam no exterior, por São Paulo, dos mais votados.
18:38Mas o Eduardo Bolsonaro tem sido alguém que articula e, de novo, empiricamente,
18:44ele dá entrevistas, ele produz, segundo investigações que foram pedidos pela Procuradoria Geral da República,
18:51provas contra ele, porque ele está dizendo para todo mundo que ele está nos Estados Unidos
18:56pedindo sanções ao Brasil e que outras tantas poderão vir.
19:01Então tem a dimensão política.
19:03Quando você falou do Trump, Daniel, que o Trump pode acreditar,
19:06o presidente Trump pode acreditar no que ele quiser, como qualquer um de nós.
19:10A grande questão é que a gente tem no Brasil um julgamento do ex-presidente Bolsonaro por cinco crimes,
19:17dos quais alguns deles foram imputados também a Donald Trump,
19:21por conta de uma legislação diferente.
19:23Trump tem, na visão de Alexandre de Moraes e de Bolsonaro,
19:27um prenúncio do que pode ser o seu futuro.
19:30Então Trump vê nas instituições democráticas brasileiras no funcionamento,
19:34que, claro, que muita gente não vai acreditar nisso, porque a gente tem uma sociedade polarizada,
19:39Trump vê nisso também uma questão de que como vai ser o meu futuro.
19:44A gente sabe que, em grande parte, o bolsonarismo foi administrado intelectualmente
19:51por uma figura já falecida, Olavo de Carvalho.
19:53Mas a gente sabe também que, nos Estados Unidos, Steve Bannon tem feito um papel de influência com Trump
19:59e tem relações com a extrema-direita mundial.
20:02Então, Daniel, são várias camadas.
20:04Eu acredito que, sendo o Brasil um chihuahua, um protozoário ou numa conduta esquizofrênica,
20:11quem foi chamado para o ringue, quem foi chamado para a batalha foi o Brasil.
20:17A gente, de fato, não tem como enfrentar uma potência econômica ou militar como os Estados Unidos.
20:22Mas nem por isso o Brasil, que é uma potência regional, vai intervir, por exemplo, no Paraguai, no Suriname,
20:30que são países pequenos.
20:32Quer dizer, ninguém quer ser aviltado nos elementos e nos seus valores.
20:37Eu acho que o presidente Trump poderia ter conseguido tudo o que ele conseguiu ou conseguirá
20:41de uma outra forma, não fazendo uma junção política numa defesa num caso que não é dele.
20:47Daniel, sei que eu me estendi.
20:48Não, imagina, mas eu acho muito oportuna a sua colocação, porque é preciso também que nós façamos a reflexão
20:56sobre o resultado final desse anúncio.
21:02Claro.
21:02Havia uma grande preocupação, mas espera lá, houve então uma lista gigantesca de exceções.
21:08Então, se trata somente de questões comerciais ou, espera lá, não é bem isso.
21:13Claro.
21:13Quais são os outros ingredientes que estão por trás?
21:16Você traz um apontamento, uma reflexão importante a respeito dessas outras motivações.
21:21Agora, o Rubens Figueiredo fez uma analogia muito interessante a respeito dos cachorros, né?
21:27Qual seria?
21:28O Brasil seria um chihuahua do lado de um Doberman, nessa analogia do Doberman, os Estados Unidos.
21:34Agora, é preciso olhar para a figura do presidente da República.
21:38O Márcio trouxe duas frases de efeito muito boas quando a gente olha para o presidente da República.
21:46Lula cavou esse pênalti e Lula acabou cavando esse resultado, né?
21:52Cavou o pênalti e buscou esse resultado.
21:55Foram essas duas frases muito interessantes.
21:57E eu tenho escutado vários analistas dizendo, o presidente está falando demais.
22:01O presidente está falando de improviso e está errando.
22:05Diferentemente daquela gestão dele dos anos 2000, que ele fazia um discurso de improviso
22:10para aquele grupo de determinado sindicato, ninguém tinha um celular com câmera,
22:15aquilo ficava restrito àquela comunidade, àquela pequena cidade.
22:18Ele poderia falar alguma coisa fora do script e não tinha nenhuma repercussão.
22:23Agora não, as coisas mudaram.
22:25Essa dinâmica, talvez, não faça parte do dia a dia dele.
22:29Queria que você fizesse essa reflexão sobre o papel do presidente da República nesse processo.
22:35O Rodrigo bem lembrou as falas dele na cúpula do Briggs e a carta de Donald Trump, né?
22:41Pouco tempo depois, né?
22:43Digamos, acho que foi no dia seguinte ou dois dias depois.
22:46Olha que curioso.
22:47A divulgação da entrevista ao New York Times no mesmo dia.
22:52A divulgação do decreto e também o anúncio de sanção contra o ministro Alexandre de Moraes Rubens.
22:59Olha, a gente analisar racionalmente os atos do Trump é meio complicado, né?
23:06Porque...
23:07O presidente brasileiro.
23:08Chego lá.
23:09Tá.
23:09Chego lá.
23:11Então, a gente tem uma tarefa aqui, Hercúlia, que é você tentar explicar o que o Trump pensa.
23:20Claramente, ele tem um componente político e tem um componente econômico, que é minúsculo.
23:28O Brasil representa 2% do que os Estados Unidos movimentam aí.
23:33O Lula, existe um estudo, acho que o nome do pesquisador é Daniel Buarque, que ele analisa como é que a comunidade diplomática internacional vê a movimentação do presidente Lula e do Brasil.
23:51O Brasil tem uma vontade de ser uma potência, o Lula tem uma vontade de ser um líder internacional, que é completamente desproporcional ao reconhecimento que as pessoas têm da capacidade de liderança dele e do papel do Brasil no mundo.
24:09Então, nesse estudo, o Daniel, ele entrevistou cerca de 100 players na diplomacia mundial.
24:18E eles falam assim, esses players, o Brasil é uma das maiores desigualdades do mundo.
24:27Uma crise fiscal monumental.
24:30Um dos países mais violentos do mundo.
24:31Eles não resolvem os problemas dele, eles vão resolver os problemas do mundo.
24:37Então, o Brasil se mete na faixa de Gaza, Rússia, Ucrânia.
24:42Fica um negócio até meio folclórico para essa comunidade que é quem decide os destinos dos países maiores, dos países economicamente mais poderosos.
24:56E o Lula é um mestre em frases infelizes.
25:04A gente sabe, quando ele fala de improviso, o perigo que o Brasil corre.
25:16Agora, do ponto de vista...
25:18Acabou de sair a pesquisa do Datafone.
25:20É, a gente vai tratar dela.
25:21É interessante.
25:22Não sei se vocês viram.
25:24O dado muito preocupante, o Márcio, o Rodrigo e você vão concordar comigo,
25:29é que 45% dos brasileiros acham que o Bolsonaro está sendo perseguido.
25:36E se você tem um quadro dessa natureza, quase metade do eleitorado não confia naquilo que a justiça está fazendo,
25:44é ruim, é ruim para a democracia.
25:47Pois é.
25:48Deixa eu chamar o Márcio também para dar a sua contribuição.
25:50Márcio, você trabalhou na Apex, é preciso olhar também para a questão que envolve a relação comercial.
25:58Enfim, há uma tentativa de algumas autoridades brasileiras de tentarem destravar, reverter, diminuir o índice.
26:07Enfim, a gente viu que alguns países conseguiram alcançar acordos com os Estados Unidos,
26:12inclusive a produção monitorando o noticiário internacional.
26:16Há pouco, isso é uma ordem executiva do governo norte-americano, subindo a taxação dos produtos canadenses de 25% para 35%.
26:25Outros países também estão nessa nova lista, nessa atualização do governo norte-americano.
26:31Mas olhando para a relação comercial, o vice-presidente Geraldo Alckmin tem, inclusive, concedido entrevistas,
26:37vai a programas de televisão, dizendo que a partir da implementação da tarifa,
26:42é que será iniciado o processo de negociação, enfim, tentando tratar essa questão como perfeitamente contornável.
26:50Enfim, o que é preciso considerar sobre as contrapartidas, talvez, que o Brasil possa oferecer aos Estados Unidos?
26:59Ou você entende que a tônica dessa negociação deverá ser tocada pelos setores,
27:06os representantes desses setores da economia, enfim, é possível apontar algum caminho
27:11olhando para os setores que receberão essa taxação de 50%?
27:18Olha, Daniel, pela experiência que eu tenho de negociação internacional,
27:23tanto no setor privado como diretor da Apex Brasil,
27:28o que eu posso te contar é o seguinte, os canais diplomáticos que nós temos, eles estão obstruídos.
27:34Estão obstruídos pelas falas do presidente Lula, estão obstruídos pelo posicionamento do Brasil,
27:42que ele construiu dentro do BRICS e na comunidade internacional, alinhamento à Rússia.
27:49A gente pode falar também sobre as novas sanções que devem vir ao Brasil,
27:53porque o Brasil, ele está tirando vantagem das sanções de outros países democráticos à Rússia
28:01e comprando diesel mais barato, e isso vai ser alvo de sanções,
28:05então o Brasil vai responder por isso em breve, ou seja, é mais uma rodada de sanções,
28:13e os senadores que tiveram Washington já foram avisados disso.
28:17Mas no momento que nós temos canais diplomáticos obstruídos, como é no momento,
28:21ou seja, uma diplomacia que não funciona, que o Brasil não consegue fazer, se fazer ouvir pelos canais oficiais,
28:30ele precisa se fazer ouvir pelos canais dos bastidores.
28:36E isso é muito importante, isso é algo que eu já fiz várias vezes.
28:40Eu já trabalhei muito tempo em Washington e conheço esses canais,
28:46e já fiz uso deles para o governo brasileiro e para o setor privado brasileiro algumas vezes,
28:53inclusive na troca de governo do governo Temer para o governo Bolsonaro,
28:57quando se precisou abrir canais dentro da Casa Branca, Secretaria de Estado,
29:02e também no Departamento de Tesouro na época, com alguns senadores,
29:07inclusive o senador Marco Lúbio, que hoje é secretário de Estado,
29:13nós abrimos esses canais, e eles funcionaram muito bem durante um determinado tempo,
29:21mas eles não foram adiante pela nossa diplomacia.
29:25O que é que eu quero dizer?
29:26Eu quero dizer que estes canais que o setor privado acaba abrindo nos bastidores,
29:33é que são os mais importantes para você alcançar resultados.
29:39Ou seja, o que a gente tem em relação a Embraer, por exemplo,
29:44não é nenhum esforço diplomático feito pelo vice-presidente,
29:48que conversou com o secretário de Comércio e conseguiu abrandar as tarifas para o setor de aviação.
29:56Não, é a necessidade de 80% que nós temos dos jatos regionais que circulam nos Estados Unidos,
30:05que são fornecidos pela Embraer, ou seja, os Estados Unidos precisam da Embraer.
30:11E as empresas americanas precisam que a Embraer continue fornecendo jatos,
30:16continue fornecendo peças, continue fornecendo assistência para todos esses jatos que estão nos Estados Unidos.
30:23Então, a Embraer se movimentou muito bem, falando com seus clientes nos Estados Unidos
30:29e conseguiu escapar das sanções.
30:31E assim, outros setores que também têm os seus backdoor channels,
30:35também conseguem atuar nos bastidores,
30:38também tem pessoas que conseguem circular na Casa Branca,
30:42conseguem circular em outros setores,
30:44conseguiram evitar que isso tivesse um âmbito muito mais profundo do que aconteceu.
30:55Eles mostraram para a sociedade americana que a sociedade americana,
30:59ela é dependente do Brasil nesses setores
31:02e que a própria economia americana iria sofrer se mantivesse essas sanções.
31:07Então, os méritos para o que aconteceu até aqui,
31:10eles são 100% para o setor privado brasileiro
31:14e para os canais de diplomacia corporativa
31:17que foram feitos nos bastidores até aqui.
31:21Nós não podemos, até o momento, contar com o Itamaraty para nada,
31:26porque os canais do Itamaraty estão obstruídos,
31:29porque a diplomacia brasileira optou por dar as costas à administração americana.
31:34E, portanto, não existe diálogo entre os atores do governo brasileiro
31:39e os atores do governo americano.
31:42Então, eu coloco que, a partir de agora,
31:46nós temos, sim, muito trabalho a ser feito,
31:49mas um trabalho pela diplomacia corporativa,
31:52diplomacia privada, que sabe se movimentar nos bastidores
31:56e tem a urgência da sua agenda econômica e comercial
32:01e sobrevivência dos seus próprios negócios,
32:03mais do que os burocratas brasileiros,
32:06que seguem, na realidade, uma diplomacia que é baseada na ideologia.
32:11Pois é, inclusive, é uma situação que quase foi destravada
32:14sem a participação do governo.
32:16Então, não dá para acreditar ao governo
32:19essa imensa lista de produtos isentos,
32:24cerca de 700.
32:25Mas também tem a avaliação do governo norte-americano,
32:28que tentou mitigar impactos sobre a sua economia
32:31e também não, talvez, prejudicar aptos de consumo dos norte-americanos.
32:36Falava-se muito do suco de laranja.
32:39Enfim, é preciso considerar também esse aspecto.
32:41Deixa eu só passar para o Rodrigo Prando,
32:43porque o Rubens mencionou esse levantamento do Datafolha
32:47e trouxe um aspecto dessa pesquisa,
32:51uma pergunta que foi feita para esse universo de entrevistados,
32:55mas também tem a principal, que estampa a manchete
32:58dos principais portais de notícias.
33:0089% dos brasileiros acreditam que o tarifácio de Donald Trump
33:05vai prejudicar a economia.
33:07Essa é a informação principal.
33:09O ser brasileiro não é bobo, né?
33:11Está meio claro para todo mundo
33:13que essa é uma situação que interfere e prejudica a economia brasileira.
33:17O meu questionamento é o seguinte,
33:20como os grupos políticos vão se apropriar dessa informação
33:25e vão tentar encaixar isso na sua retórica?
33:28Porque eu acho que isso se estende, inclusive,
33:30para o processo eleitoral, para a campanha de 2026.
33:33Um grupo apontando o dedo,
33:35ah, Eduardo Bolsonaro e seu grupo tramaram contra a nação.
33:39O outro grupo talvez diga,
33:41olha, o presidente Lula está colhendo o que plantou.
33:44Ele atacou demais, sei lá, Donald Trump e os Estados Unidos.
33:48Bom, ouvindo os colegas aqui falando,
33:53tem uma coisa no Maquiavel,
33:54quando descreveu o Príncipe em 1513,
33:58e o Maquiavel diz que a política é o que ela é,
34:01e não o que a gente gostaria que ela fosse.
34:04Ah, mas eu gostaria que o presidente Lula
34:06falasse menos de improviso e que se portasse como estadista.
34:10Ah, eu gostaria que o Bolsonaro,
34:12ao invés de fazer motossiata,
34:13tivesse outra conduta na época da vacina.
34:16Ok, você pode querer algo,
34:19mas a política é o que ela é.
34:21Partindo desse pressuposto,
34:24a gente tem um segundo,
34:25que o Maquiavel vai chamar de
34:27virtu e fortuna.
34:29Virtu é tudo aquilo que o político tem
34:32de inteligência, capacidade,
34:34leitura do cenário,
34:36são todas as qualidades
34:38que ele constrói ao longo do tempo.
34:40E a fortuna não é dinheiro,
34:43é uma deusa que significa a sorte.
34:45Na verdade, é o contexto, é a ocasião.
34:48O Lula estava,
34:50politicamente,
34:51numa situação muito,
34:52muito difícil.
34:55E agora,
34:56como bem colocou
34:57o colega,
34:59o inimigo externo se apresentou,
35:01que é o Trump.
35:02não é desconhecido de ninguém
35:05que Lula ou a esquerda
35:07ou o PT
35:08não gostam ideologicamente
35:10dos Estados Unidos.
35:13Isso é claro,
35:14existe uma longa trajetória
35:16no Brasil da esquerda
35:18com relação aos Estados Unidos,
35:19ou o que se chamava de imperialismo.
35:20Mas o Lula
35:21ganhou,
35:24evidentemente,
35:25uma dimensão
35:26interna e externa
35:28que vai,
35:29como você bem coloca,
35:31refletir
35:32no ano que vem.
35:33A sociedade brasileira
35:34continua polarizada.
35:36Você tem,
35:37de um lado,
35:38Jair Bolsonaro,
35:39que é um líder
35:40incontestável à liderança,
35:43que está inelegível
35:44e sendo julgado
35:46pelo Supremo Tribunal Federal.
35:48Do outro lado,
35:48você tem Lula.
35:50Vamos retomar,
35:51Lula,
35:51concorreu em 89,
35:52perdeu no segundo turno,
35:54perdeu para o Fernando Henrique
35:55em 94, 98,
35:56no primeiro turno,
35:58ganhou duas vezes
35:59no segundo turno,
36:00fez a Dilma
36:00duas vezes sucessora,
36:02levou a dada
36:02enquanto estava preso
36:03para o segundo turno,
36:05voltou e ganhou
36:06do Bolsonaro
36:07no segundo turno.
36:08Ele não é tolo,
36:09politicamente.
36:10Falar de improviso
36:12ou essa retórica
36:13do Lula
36:13também pode ser atribuída
36:15ao Bolsonaro,
36:15que também falava
36:16muitas vezes
36:17e depois
36:17a coisa repercutia
36:19de um jeito.
36:19Quer dizer,
36:20é característica
36:20desses políticos.
36:22É o que nós temos.
36:23Então,
36:23cada grupo político,
36:25Daniel,
36:25vai aproveitar
36:26o que está acontecendo.
36:27A pergunta é,
36:28como vão se comunicar
36:29com a sociedade brasileira?
36:30Então,
36:3154%,
36:32é isso?
36:3354%,
36:34Rubens,
36:35acredita
36:35que a condução
36:37da justiça
36:39a respeito do Bolsonaro
36:40é uma perseguição?
36:42Então,
36:42é uma narrativa
36:43que está sendo
36:43trabalhada
36:44pelos bolsonaristas
36:46desde antes
36:47da eleição,
36:48em dois...
36:4845.
36:4945.
36:5045%.
36:51Quase metade,
36:52obrigado.
36:5445%.
36:54A outra metade
36:55crê que não.
36:57O Brasil
36:57continua polarizado.
36:58O ano que vem,
36:59a gente tem uma pergunta.
37:01Lula vai concorrer?
37:02Salvo o melhor juízo,
37:04se tiver condições de saúde,
37:05sim.
37:06Duvido que não concorra.
37:08Agora,
37:08Bolsonaro
37:08não estará presente.
37:11Quem herda
37:12esse espólio político
37:13eleitoral?
37:14Como é que cada um,
37:15por exemplo,
37:16desses governadores
37:17em São Paulo,
37:18Tarciso,
37:19Romeu Zema,
37:20Ratinho Júnior,
37:21Ronaldo Caiado,
37:23Eduardo Leite
37:23se posiciona
37:25em relação
37:25a esta questão
37:27que você colocou?
37:28Quem ganha
37:29e quem perde
37:29nesse embate
37:30com os Estados Unidos?
37:32Como o eleitor
37:33vai entender
37:34cada posicionamento?
37:37Por exemplo,
37:37e já vou passar,
37:38vou só pegar um exemplo
37:39que é o mais próximo
37:40da gente aqui de São Paulo.
37:43Tarciso,
37:44num primeiro momento,
37:46disse que Lula
37:47era o responsável
37:48pelo tarifácio.
37:49não pegou bem,
37:51ele recuou,
37:52modulou o discurso
37:53e eu adoro
37:54discurso político
37:55porque eu estudei
37:56o discurso
37:56do Fernando Henrique,
37:57do Lula,
37:57da Dilma,
37:58do Temer,
37:59do Bolsonaro,
38:00então ele modulou
38:01o discurso,
38:02aí ele tentou negociar,
38:05o Eduardo Bolsonaro
38:05se sentiu desrespeitado
38:07e aí ele recebeu
38:09um editorial duríssimo
38:10do jornal Estadão
38:12e aí ele desapareceu
38:14das redes sociais
38:15por um tempo.
38:16Então,
38:16como é que vai ser
38:17em 2026?
38:18está sendo construído
38:19agora.
38:20Cada grupo político
38:21vai tentar
38:22ou apontar o dedo
38:24para o outro
38:24dizendo,
38:25você é o culpado
38:25barra responsável
38:27e eu vou tentar
38:28salvar a pátria.
38:30Literalmente,
38:31no sentido
38:31da soberania.
38:33Isso está em construção,
38:35não dá para a gente
38:35até ver,
38:35mas que vai reverberar,
38:37vai reverberar
38:38no ano que vem.
38:39E se não reverberar
38:41porque ainda está distante,
38:42vão chamar
38:43para o ano que vem
38:43essas questões
38:44sem dúvida nenhuma.
38:45Programa Visão Crítica
38:47que hoje
38:48debate e analisa
38:49as consequências
38:50da tarifa anunciada
38:51pelos Estados Unidos
38:52ao Brasil
38:52e também
38:53a imposição
38:54de sanções
38:55contra o ministro
38:56Alexandre de Moraes.
38:57E agora a gente
38:58vira a página,
38:59tratamos das questões
39:00que envolvem
39:01o tarifácio,
39:02consequências,
39:02caminhos possíveis
39:03para o Brasil
39:04e agora eu queria
39:05chamar o Márcio
39:07para começar
39:07essa rodada,
39:08o Márcio Coimbra,
39:09cientista político,
39:10tem muita experiência
39:11inclusive no campo
39:12legislativo,
39:13participou de muitas
39:16legislaturas
39:16no Senado Federal,
39:18né Márcio?
39:18Queria sua análise
39:19e reflexão
39:20à adoção
39:22da lei Magnitsky
39:23pelos Estados Unidos
39:24contra o ministro
39:25Alexandre de Moraes.
39:26Há muitas informações
39:27que foram compartilhadas
39:29de ontem para hoje,
39:30quais são os impactos
39:32para a vida
39:32do ministro
39:33e quais são as análises
39:34que nós devemos fazer
39:35em relação a esse sinal
39:37que foi emitido
39:38pelo governo
39:39dos Estados Unidos.
39:40Enfim,
39:40para abrir esse módulo,
39:42queria primeiro
39:42sua reflexão
39:43sobre essa medida
39:45que foi tomada
39:46pelo governo
39:47norte-americano
39:48contra o ministro
39:49da Suprema Corte Brasileira.
39:52Olha, Daniel,
39:54o posicionamento
39:55dos Estados Unidos
39:56ele é muito claro.
39:58Ele colocou
39:59o Alexandre de Moraes
40:00na mesma caixinha
40:01que estão
40:02torturadores russos
40:03que estão
40:05violadores
40:06dos direitos humanos
40:07na China,
40:08em Mianmar,
40:09na Licarágua,
40:10na Arábia Saudita,
40:12ou seja,
40:13são pessoas
40:15que violam
40:16os direitos humanos.
40:17E para isso
40:17a gente precisa entender
40:18o que são direitos humanos.
40:20Porque a gente fala muito,
40:22mas muitas,
40:23muito poucas pessoas
40:24se atentam
40:25à real definição
40:26do que significa.
40:28Significa todo o direito
40:29que um cidadão
40:30tem de se defender
40:31de qualquer
40:32arbitrariedade
40:33do Estado.
40:35Portanto,
40:35quando nós vemos
40:36as atitudes
40:37do ministro
40:39Alexandre de Moraes,
40:40isso,
40:41na visão do governo
40:42americano,
40:43se encaixa
40:45perfeitamente
40:46no que os americanos
40:47entendem como
40:48violação dos direitos humanos.
40:51Não só
40:51exatamente pelo
40:53que vem acontecendo
40:54com o julgamento
40:56do ex-presidente
40:57Bolsonaro,
40:59mas com o julgamento
41:00das pessoas
41:01do 8 de janeiro.
41:02Pequenos pais
41:03de família,
41:05pipoqueiros,
41:06pessoas que estavam
41:07lá no dia
41:08e que estão
41:10sendo julgadas
41:12de uma forma
41:13que não está
41:15sendo justa
41:17perante
41:18a democracia
41:19americana.
41:20Os americanos
41:21olham,
41:22não estão vendo
41:22duplo grau
41:23de jurisdição,
41:25ampla defesa,
41:26o acusador
41:27é aquele mesmo
41:28que julga,
41:29é aquele mesmo
41:30que é a vítima,
41:32ou seja,
41:32me parece
41:33um sistema
41:34que nada
41:36tem
41:36de um sistema
41:38justo democrático
41:39e que leva
41:40os Estados Unidos,
41:41então,
41:42claro,
41:43que aí tem
41:43o objetivo
41:44político
41:45também
41:46a sancionar
41:47Alexandre de Moraes.
41:48Agora,
41:49me parece
41:49que do outro lado
41:50nós podemos
41:51ver uma união
41:53do sistema
41:54político
41:55em torno
41:57de Alexandre de Moraes,
41:59tanto da Câmara
42:00quanto do Senado
42:01nesse primeiro momento
42:02e do governo federal
42:03colocando a questão
42:05da soberania
42:05do Brasil
42:06acima
42:07do que
42:09foi acusado
42:11o ministro
42:11do Supremo Tribunal
42:13Federal.
42:14Agora,
42:14não deixa
42:15de ser também
42:16uma vergonha
42:17para o Brasil
42:18carregar
42:19essa acusação,
42:21essa sanção
42:23diante
42:24de um ministro
42:25do Supremo
42:25Tribunal Federal
42:26porque
42:27mostra
42:28que o Brasil
42:29sendo uma democracia
42:31a sua democracia
42:33ela apresenta
42:34sinais
42:35de estar arranhada
42:36de alguma forma
42:37diante da
42:39comunidade internacional.
42:41Então,
42:41eu acho
42:41que diante
42:42disso
42:43o Congresso
42:44deveria refletir
42:45mas
42:46o espírito
42:47de corpo
42:48dentro do
42:49Congresso Nacional
42:49me parece
42:50mais forte
42:51nesse momento
42:53especialmente
42:54enquanto a gente
42:55tem ainda
42:55essa composição
42:56de Congresso
42:57Nacional
42:57até o final
42:59dessa legislatura.
43:00Então,
43:01me parece
43:02que os impactos
43:03serão
43:04pessoais
43:05ao Alexandre de Moraes
43:06com muito
43:08pouca
43:09reverberação
43:10no sistema
43:10político brasileiro
43:11nesse momento
43:12mas
43:13criando
43:14mais
43:15subindo mais
43:16um degrau
43:17nessa escala
43:18de tensão
43:19entre os dois
43:19países
43:20me parece
43:21que não
43:21foi
43:22a última
43:23sanção
43:24outras
43:25virão
43:26e talvez
43:27possam incluir
43:28até
43:28novos
43:29outros nomes
43:30do ministro
43:32do Supremo
43:32Tribunal Federal.
43:34Inclusive
43:34no dia de hoje
43:35na programação
43:36da Jovem Pan
43:36nós trouxemos
43:37uma informação
43:38de bastidor
43:38que indica
43:39o convite
43:41feito pelo
43:41presidente da
43:42República
43:42aos demais
43:43ministros
43:43da Suprema
43:44Corte
43:44um jantar
43:45uma reunião
43:46para tratarem
43:47de questões
43:48que envolvem
43:49essa sanção
43:50imposta ao
43:51ministro
43:51Alexandre de Moraes
43:52e segundo as
43:53informações
43:53o presidente
43:55teria a ideia
43:55de mostrar
43:56força
43:57mostrar
43:57unidade
43:59e defender
43:59esse discurso
44:00de defesa
44:01da soberania
44:02nacional
44:03enfim
44:04e aí
44:04isso
44:05é possível
44:07conectar
44:07ao que disse
44:08o Márcio
44:09a um entendimento
44:11de representantes
44:12dessas instituições
44:13de amparar
44:15estender solidariedade
44:17ao ministro
44:18enfim
44:18mas Rubens
44:19queria que você
44:20trouxesse também
44:21suas reflexões
44:22acerca
44:22dessa
44:23sanção
44:25imposta
44:25ao ministro
44:26Alexandre de Moraes
44:27podemos falar
44:27em motivações
44:28ou dá para
44:29imputar
44:30somente
44:31a uma suposta
44:32articulação
44:32de Eduardo
44:33Bolsonaro
44:34com outras figuras
44:36como
44:36o Figueiredo
44:38enfim
44:38o que a gente
44:38precisa considerar
44:40a respeito
44:40dessa decisão
44:42do governo
44:42norte-americano
44:43em adotar
44:44a lei Magnitsky
44:45contra o ministro
44:46Moraes
44:46olha
44:47certamente
44:48houve uma
44:49tudo indica
44:51certamente
44:51não
44:51tudo indica
44:52que houve
44:53uma articulação
44:55especificamente
44:57nesse caso
44:58mas eu queria voltar
44:59eu vou discordar
45:01do Rodrigo
45:02a primeira vez
45:02na minha vida
45:03é
45:05a gente
45:07vive numa sociedade
45:08que os acontecimentos
45:09se
45:10encavalam
45:12numa velocidade
45:13espetacular
45:16vou dar dois exemplos
45:18aqui que todo mundo
45:18falou
45:19
45:20isso vai repercutir
45:21e ninguém lembra mais
45:23aquela história
45:24do Pix
45:25daquele discurso
45:27do Haddad
45:28que jogou
45:29para baixo
45:30a aprovação
45:32do Lula
45:32a avaliação positiva
45:34então faziam
45:34um monitoramento
45:35do Pix
45:36todos entendiam
45:36que isso poderia
45:37culminar
45:38numa taxação
45:38como é que eles vão
45:40eles vão vigiar
45:42como é que eu ganho
45:43meu dinheiro
45:43e 38% da economia
45:46é informal
45:47aquilo lá pegou
45:49mal
45:49ninguém mais lembra
45:51isso é que é
45:52alguma coisa
45:52mais grave
45:53Rodrigo
45:54Daniel
45:54e Márcio
45:55do que o assalto
45:57aos velhinhos
45:57do INSS
45:59isso é um negócio
46:01de uma gravidade
46:02monumental
46:03e ninguém fala
46:04então
46:05hoje
46:06então você
46:07eleição daqui
46:09um ano
46:10e três meses
46:11até lá
46:12muita
46:13muita coisa
46:14vai rolar
46:14a gente vive
46:15numa sociedade
46:16grosso modo
46:17uma sociedade
46:18que 40%
46:2042%
46:21odeia um lado
46:21e 40%
46:23e
46:24odeia o Bolsonaro
46:25e 42%
46:27odeia o
46:28o Lula
46:29então quando você vê
46:30essa pesquisa
46:31do Datafolha
46:32você vai ver
46:33que o eleitor
46:34do Lula
46:35acha o que o Lula
46:37acha
46:37e o eleitor
46:38do Bolsonaro
46:38acha
46:39então
46:39e essa rejeição
46:40é diferente
46:41das rejeições
46:41anteriores
46:42é uma rejeição
46:44parecida
46:44com ódio
46:45
46:47uma coisa
46:47é se rejeitar
46:48porque
46:48a política
46:50econômica
46:50do partido
46:51que o
46:51que a liderança
46:53representa
46:54não é aquele
46:55que você
46:56entende
46:57como melhor
46:58para o país
46:59outra coisa
46:59você odiar
47:00pessoalmente
47:01a figura
47:03da liderança
47:04oposicionista
47:06então
47:06devagar
47:09nessa avaliação
47:11porque
47:12muita coisa
47:13vai lá
47:13o que não pode
47:14acontecer
47:15do ponto de vista
47:16dos interesses
47:17nacionais
47:18é o Lula
47:19começar
47:19a peitar
47:21o Trump
47:22falar
47:23que foi
47:24uma vitória
47:25que os Estados
47:25Unidos
47:25deram
47:26para trás
47:27que era
47:28ameaçou
47:29e depois
47:31esse discurso
47:32da
47:32da
47:33posso provocar
47:34um pouquinho
47:35posso
47:35claro
47:36por favor
47:36estamos aqui
47:37para isso
47:38mas é uma
47:39provocação
47:39elegante
47:40porque o Rubens
47:40é um amigo
47:41muito querido
47:42eu não entendi
47:42ainda a discordância
47:43comigo
47:44mas a despeito
47:44de você chegar lá
47:45daqui a pouquinho
47:46o Lula
47:47está falando
47:48o que pode
47:48fazer um
47:49chual
47:49se não for
47:50latir
47:51para o Doberman
47:52ele pode ser
47:53estraçalhado
47:54pelo Doberman
47:54mas um chual
47:55não vai querer
47:56morder o calcanhar
47:57então ele vai
47:57continuar latindo
47:59então o Lula
47:59vai fazer o que
48:00ele vai ficar quieto
48:01ele tem que
48:02capitalizar
48:02politicamente
48:03já que
48:04economicamente
48:05militarmente
48:07geopoliticamente
48:07de fato
48:08o Brasil
48:09é muito pequeno
48:10mas vai fazer o que
48:11Rubens
48:12o chual
48:13o problema
48:14do chual
48:15é que se ele
48:16ficasse quietinho
48:17o Doberman
48:18não ia nem ligar
48:18para ele
48:19mas então
48:19você nunca teve
48:20um cachorinho
48:21desse tamanho
48:21não
48:23é não
48:24mas também
48:24nunca foi um dober
48:25mas o que eu estou
48:27dizendo é o seguinte
48:28é óbvio
48:29que o Lula
48:29vai tentar
48:30capitalizar
48:30já está
48:31ele tenta
48:32capitalizar tudo
48:33nos velhinhos
48:35do INSS
48:35vamos pegar
48:37dinheiro do tesouro
48:38e pagar
48:38que é um negócio
48:39sem
48:40sem perna e cabela
48:41o que eu discordei
48:42de você
48:43é que daqui
48:44um ano
48:45e
48:45três meses
48:48isso que está
48:49acontecendo agora
48:50e nós estamos
48:50analisando
48:51isso
48:51foi ontem
48:54vai ter
48:55a repercussão
48:56que a gente
48:57pode projetar
48:59isso pode ser
48:59determinante
49:00para o processo
49:00eleitoral
49:01mas eu não usei
49:02nem determinante
49:03falei que a depender
49:04da comunicação
49:05política pode ser
49:06trazido à tona
49:06eu não estou dizendo
49:07que será
49:07mas pode ser
49:08pode ser
49:09pode ser trazido à tona
49:10a gente não sabe
49:11exatamente o peso
49:12a tarifa vai continuar
49:13em cinquenta por cento
49:14você falou de uma coisa
49:16do ódio
49:16só para completar
49:17que você citou
49:17uma pesquisa
49:18sobre os players
49:19em relação ao Lula
49:20tem uma pesquisa
49:22da UFSCar
49:22Universidade Federal
49:23de São Carlos
49:24junto com pesquisadores
49:24da USP
49:25chamado
49:26que a ideia
49:27de engajamento
49:28pelo ódio
49:28Rubens
49:28você deve ter visto
49:29isso que é o seguinte
49:30percebeu-se que
49:32muita gente começou
49:33a se filiar a partido
49:34e nós temos
49:35uma política
49:37no Brasil
49:37um contexto
49:38em que o partido
49:39está indiscreto
49:39a política
49:40é desacreditada
49:41por que as pessoas
49:42estão se filiando
49:43sabe o que se descobriu
49:44Daniel Rubens
49:44que ele não está
49:46se filiando
49:46porque ele ideologicamente
49:48compartilha dos valores
49:49mas ele se filia
49:51ao lado A
49:51porque odeia o B
49:52e quem está se filiando
49:53ao B
49:54odeia a A
49:55então essa polarização
49:56é o resultado da polarização
49:57da polarização
49:58então que é o engajamento
49:59pelo ódio
50:00
50:01então só para
50:01mas eu entendi
50:02isso a discordância
50:03enfim
50:04e eu acho que nem
50:05está tão discordando
50:06assim não
50:06acho que
50:06eu que não fui claro
50:08talvez
50:08eu vou no seu churrasco
50:09vamos lá
50:11deixa eu só
50:11trazer também
50:12um outro ponto
50:13uma análise
50:14que muitos fazem
50:15viu Márcio
50:16em relação
50:17ao julgamento
50:18que acontece
50:18no Supremo Tribunal Federal
50:20que possivelmente
50:22pode determinar
50:24qual será o futuro
50:25do ex-presidente Jair Bolsonaro
50:26enfim
50:27presidente Lula
50:28se reunindo
50:30com os ministros
50:30do Supremo
50:31isso pode ser entendido
50:34do outro lado
50:35a depender da resposta
50:37como uma medida
50:38de enfrentamento
50:39não sabemos exatamente
50:40qual será
50:41o posicionamento
50:42é preciso ter cautela
50:44o que a gente pode
50:45entender também
50:47como resultado
50:48desse julgamento
50:49porque há
50:50leituras a respeito
50:52de que o resultado
50:53do julgamento
50:54e a possibilidade
50:55de uma pena imposta
50:56ao ex-presidente
50:57serviria
50:58como uma resposta
51:00à imposição
51:01dessa
51:02sanção
51:03contra o ministro
51:04Moraes
51:05a gente consegue
51:06conectar
51:06esse posicionamento
51:08recente
51:09do governo
51:09norte-americano
51:10ao julgamento
51:11que acontece
51:12que abarca
51:13muitas figuras
51:14inclusive o ex-presidente
51:15Jair Bolsonaro
51:17olha Daniel
51:20me parece
51:21que quando a gente
51:22olha para esse julgamento
51:23ele é um julgamento
51:24que já nasceu
51:26com o resultado
51:27delineado
51:28todos nós sabemos
51:29qual vai ser o resultado
51:30desse julgamento
51:31o ex-presidente
51:33Jair Bolsonaro
51:33será condenado
51:34e ele receberá
51:36uma pena de prisão
51:37e ele já está
51:38inelegível
51:39então
51:40agora
51:42me parece
51:42que em relação
51:43às tarifas
51:45em relação
51:46a todo esse resto
51:47algo me diz
51:50de que o governo
51:51Trump
51:52tem a sua simpatia
51:53em relação
51:54a Jair Bolsonaro
51:55mas que ele
51:57está usando
51:58esta questão
51:59de Jair Bolsonaro
52:00como
52:01uma espécie
52:02de desculpa
52:03para fazer
52:04movimentos
52:05geopolíticos
52:06que englobam
52:07o Brasil
52:08e colocando
52:11o Brasil
52:12numa situação
52:13aonde
52:15ele vai precisar
52:17responder
52:18em que lugar
52:19ele está
52:20dentro da geopolítica
52:21internacional
52:22se ele está
52:23do lado
52:24das democracias
52:25ou se ele está
52:26do lado
52:27das autocracias
52:28das ditaduras
52:30dos governos
52:31totalitários
52:32ou seja
52:33se ele é amigo
52:34da China
52:35ou se ele é amigo
52:36do ocidente
52:37da Europa
52:38e dos Estados Unidos
52:39só quero trazer
52:41um dado aqui
52:42que saiu hoje
52:43uma pesquisa
52:44do Poder Data
52:45com qual país
52:50acham-se melhor
52:52que o Brasil
52:52tenha relações
52:53comerciais
52:54Estados Unidos
52:55ou a China
52:5532%
52:57dizem que
52:58é a China
52:5859%
53:01preferem
53:02os Estados Unidos
53:03então me parece
53:04que existe
53:05dentro da população
53:06brasileira
53:07uma clara
53:08inclinação
53:09muito mais
53:10aos Estados Unidos
53:12à democracia
53:14ao modelo
53:15de vida
53:15europeu
53:16ao modelo
53:17de vida
53:17de liberdades
53:18do que
53:19aos modelos
53:20de vida
53:20autocráticos
53:21que é com quem
53:22o Brasil
53:23vem se alinhando
53:24ultimamente
53:26especialmente
53:27os BRICS
53:28e aí
53:29é onde
53:29entram
53:30os Estados Unidos
53:31aonde se conecta
53:33a questão
53:33da democracia
53:34a questão
53:34da liberdade
53:35a questão
53:36dos julgamentos
53:37a questão
53:37da punição
53:39em relação
53:40a sanção
53:41em relação
53:41a Alexandre de Moraes
53:43e também
53:44um posicionamento
53:46Brasil
53:46aonde vocês
53:47estão afinal
53:48do lado
53:49das liberdades
53:49das democracias
53:50ou do lado
53:51das autocracias
53:53Jair Bolsonaro
53:54é mais uma
53:55parte
53:56deste jogo
53:58mas ele não é
53:59a razão
54:00pela qual
54:01este jogo
54:02está sendo jogado
54:03e a resposta
54:05do Brasil
54:05e como o Brasil
54:06mais do que isso
54:08responderá
54:09nas urnas
54:10em 2026
54:11vai indicar
54:13muito bem
54:14quais os passos
54:15que os Estados Unidos
54:16podem seguir
54:18com outros players
54:20como por exemplo
54:21a Colômbia
54:23aqui na América Latina
54:25ou com o México
54:26também na América Latina
54:28o México
54:29já se negociando
54:30já negociando
54:31movimentando
54:32mas também
54:33sempre com
54:34o pé atrás
54:36com os Estados Unidos
54:37um pouco desconfiando
54:38afinal de contas
54:40são dois líderes
54:41de dois
54:42setores políticos
54:45opostos
54:46e antagônicos
54:47então me parece
54:48que o Brasil
54:48é esse laboratório
54:50Jair Bolsonaro
54:50é mais uma peça
54:52mas
54:53ver como
54:54nós
54:55brasileiros
54:56iremos
54:56responder
54:57em 2026
54:58é a grande
55:00resposta
55:01desse jogo
55:02que está sendo
55:02jogado
55:03nesse momento
55:04pois é muito
55:05interessante
55:06a reflexão
55:08do Marcio
55:09inclusive
55:09esse é o apontamento
55:11de vários comentaristas
55:12aqui da Jovem Pan
55:13pelo menos
55:13nós discutimos isso
55:14nos últimos
55:15três dias
55:16principalmente
55:17que essa situação
55:18de Jair Bolsonaro
55:19foi muito oportuna
55:21para Donald Trump
55:22mexer as peças
55:23no tabuleiro
55:24e enfim
55:25atendendo
55:26aparentemente
55:27os anseios
55:27de um grupo
55:28mas talvez
55:28não seja
55:29exatamente isso
55:30estamos encaminhando
55:32para o final
55:33do programa
55:33eu acho que a gente
55:34tem vários
55:35aspectos
55:36para debater
55:37e vocês
55:37sintam-se já
55:38convidados
55:39para uma outra edição
55:40também
55:41é interessante
55:42o dado
55:42que o Marcio
55:43trouxe
55:43porque esse percentual
55:45inclusive
55:45essa preferência
55:47da população
55:48para os Estados Unidos
55:49em relação
55:49com os Estados Unidos
55:50ultrapassa
55:51a base
55:52de apoio
55:52da esquerda
55:53isso pega
55:56grupos
55:56de diferentes
55:58espectros políticos
56:00só para a gente
56:00encerrar
56:01reflexão rápida
56:02de um minuto
56:03para cada um
56:04sobre os próximos
56:05passos
56:05os próximos
56:07episódios
56:08desse
56:09embate
56:10ou dessas
56:10relações esgarçadas
56:11entre Brasil
56:12e Estados Unidos
56:13professor Rodrigo
56:14se arrisca
56:15a dizer
56:16o que a gente
56:16pode esperar
56:17em um minuto
56:17eu vou aqui
56:18com o Rubens
56:19quer dizer
56:19o que pensar
56:19racionalmente
56:20do Trump
56:21o Malan
56:22dizia que no Brasil
56:23até o passado
56:23é incerto
56:24imagina amanhã
56:25imagina o futuro
56:27nós estamos falando
56:28aqui deve ter
56:29algum tarifaço
56:30alguma coisa
56:30sendo colocada
56:31bom
56:31a política
56:33ela é uma
56:33construção coletiva
56:34dentro de uma
56:35sociedade
56:36historicamente
56:37determinada
56:38pelas suas
56:39características
56:39culturais
56:41entre outros
56:41da sua cultura
56:42política
56:42o que eu gostaria
56:43um dia de a gente
56:44pensar
56:44discutir
56:45é o seguinte
56:45por que
56:46que uma questão
56:47tarifária
56:48como essa
56:48dos Estados Unidos
56:49para o Brasil
56:50atinge tão fortemente
56:52a nossa economia
56:53o que que aconteceu
56:55e quando aconteceu
56:56do distanciamento
56:57em termos econômicos
56:58do Brasil
56:59dos Estados Unidos
57:00ambos foram colônias
57:01eles dos ingleses
57:03nós portugueses
57:04por que que o Brasil
57:05não consegue fazer
57:07frente a uma situação
57:08como essa
57:09que nós estamos sofrendo
57:10então
57:10quem sabe
57:11um projeto
57:12de país
57:13possa ser pensado
57:14e quem sabe
57:14a gente supere
57:15a polarização
57:16em 2026
57:17quem sabe
57:1845 segundos
57:19Rubens
57:19o que podemos esperar
57:20tinha um presidente
57:22da Caixa
57:22que ele falou
57:24uma vez assim
57:24o Brasil
57:25você passa 15 dias
57:26fora
57:27muda tudo
57:28você passa 15 anos
57:30fora e não muda
57:32e não muda nada
57:33então
57:34o que o
57:35o que o Rodrigo
57:37falou é importante
57:38a gente precisa ter
57:38um projeto de país
57:39a nossa produtividade
57:41é 25%
57:42da produtividade
57:43do trabalhador
57:44americano
57:44não adianta ficar latindo
57:46pro dogma
57:46a finalizar
57:4845 segundos
57:49pra você
57:49Márcio
57:50é muito obrigado
57:53pelo convite
57:54obrigado
57:55pros amigos
57:56Rodrigo
57:57Rubens
57:57que estão aqui
57:58obrigado a você
57:59Daniel
58:00eu acredito
58:01que é o seguinte
58:02é
58:03numa mensagem
58:04rápida
58:04os empresários
58:06brasileiros
58:06precisam
58:07o setor produtivo
58:08brasileiro
58:09precisa se mobilizar
58:10e encontrar
58:10os seus principais
58:11canais de negociação
58:13porque o tempo urge
58:14e nós sabemos
58:16o quanto
58:16quantos empregos
58:17e quanto de renda
58:19o nosso país
58:19pode perder
58:20nós não podemos
58:22depender
58:22da diplomacia oficial
58:24nós precisamos
58:25encontrar canais
58:26efetivos
58:27e que o nosso
58:28empresariado
58:28seja capaz
58:29de fazer o seu lobby
58:30diretamente
58:31em Washington
58:32as reflexões
58:33sobre as consequências
58:34do tarifaço
58:35e também
58:36das sanções
58:37impostas ao ministro
58:38Alexandre de Moraes
58:39visão crítica
58:40de hoje
58:41recebeu o professor
58:42Rodrigo Prand
58:43ele é cientista político
58:44doutor em sociologia
58:46pela Unesp
58:46e leciona
58:47na Universidade
58:48Mackenzie
58:49também
58:50o Rubens Figueiredo
58:51cientista político
58:52diretor do CEPAC
58:53pesquisa e comunicação
58:54e participou
58:56de forma online
58:57o Márcio Coimbra
58:58que é cientista político
58:59presidente do Instituto
59:00Monitor da Democracia
59:02ex-diretor
59:03da Apex Brasil
59:04além do Senado Federal
59:06foi diretor
59:07na Casa Legislativa
59:09um grande abraço
59:09a vocês
59:10sintam-se convidados
59:11para uma outra edição
59:12e nós quatro
59:13claro agradecemos
59:14a você
59:15por essa audiência
59:16fique na Jovem Pan
59:17fique sempre bem informado
59:19Jovem Pan
59:20jornalismo independente
59:22a opinião dos nossos comentaristas
59:29não reflete necessariamente
59:31a opinião do Grupo Jovem Pan
59:33de Comunicação
59:34realização
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