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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil tomou a atitude correta em relação ao tarifaço de Donald Trump e reforçou que o país não pretende sair da mesa de negociação. Acompanhe a análise de Priscila Silveira, Henrique Krigner e Márcia Dantas em Tempo Real.

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Transcrição
00:00O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou mais cedo que o Brasil tomou a atitude correta em relação ao tarifácio
00:07e reforçou que o Brasil não vai sair da mesa de negociação. Vamos ouvir.
00:13Mas o mais importante é mostrar que a atitude do Brasil tem sido a atitude correta.
00:19De argumentar, levar à consideração do governo dos Estados Unidos os pontos de vista sóbrios, serenos e maduros do Brasil
00:29buscar mais cooperação. Nós temos um bloco econômico aqui, que é o Mercosul, que não pode sofrer com desequilíbrios internos.
00:39Isso provoca um desequilíbrio dentro do Mercosul. Então, há uma série de efeitos colaterais indesejáveis dessas medidas.
00:46Então, nós vamos, conforme eu disse, nós nunca saímos da mesa, não é agora que vamos sair.
00:513h54, vamos ouvir então os nossos analistas do dia, a Priscila Silveira e o Henrique Kringner,
00:58começando pela Priscila. Quando a gente vê aí essa calma dos ministros, o que a gente imagina que vai ser colocado
01:05hoje nessa reunião, que como trouxe com exclusividade Bruno Pinheiro e Janaína Camelo, vai ter uma reunião
01:12seis horas da tarde, seis, sete horas ali no final do dia com os ministros e mais o presidente Lula.
01:19O que vai ser colocado nessa mesa, vocês imaginam? Começando pela Priscila.
01:24Em março, a gente já falou sobre a questão da contingência, para sanar possíveis prejuízos
01:30que eventualmente possam ocorrer diante da mantença dessa sanção, enfim, desse tarifácio.
01:36Mas o ministro Haddad ali coloca todo o tempo, ele deixa claro que o Brasil quis sim fazer tratativas com o Trump.
01:44Mas eu acho que o Trump, num primeiro momento, esperava que o Brasil fosse colocar ali algum tipo de sanção.
01:50Mas como não aconteceu, a gente começa a observar, como a gente citou aqui em tempo real,
01:56afastamentos, sessões ali a esse tarifácio.
02:00Então eu acho que, neste momento, eles vão observar o que precisa ser feito para, na verdade, diminuir o problema desse tarifácio.
02:08E a gente pode ainda esperar, eventualmente, alguma contraproposta.
02:12Eu não vejo uma coisa mais agressiva, porque não foi feito até então, mas algo que possa, de alguma forma,
02:18contra-argumentar esse tarifácio de 50%.
02:22E a gente tem observado que a maneira de agir do governo, seja através dos seus ministros,
02:27até pelas falas do presidente Lula, é de mais prudência com relação a como reagir.
02:32Márcia.
02:33É, muito se falou, inclusive, Kriegner, que Alckmin seria essa pessoa mais prudente ali dentro do governo,
02:39à frente das negociações.
02:41Você acredita que Lula também deve atenuar um pouco a narrativa?
02:46Com certeza, Márcia.
02:47Esse seria o principal ponto.
02:49Sendo Alckmin o articulador, ou sendo o chanceler Mauro Vieira,
02:53quem for apontado pelo governo federal precisa ter o respaldo do presidente da República.
02:58A razão pela qual o chanceler ainda não foi recebido lá nos Estados Unidos,
03:03a razão pela qual a comitiva dos senadores também não foi recebida lá por nenhuma autoridade
03:10de relevância e poder de decisão nesse cenário,
03:13é justamente porque o governo americano sabe muito bem que quem vai tomar a decisão,
03:18quem tem a caneta na mão, é o presidente Lula.
03:21E se o chanceler, o vice-presidente Alckmin, ou mesmo os senadores,
03:25vem com um tom de conciliação, mas o presidente Lula continua apostando nas bravatas,
03:32nos ataques e mesmo até nas ironias, dessa maneira é impossível que haja algum tipo de avanço.
03:39Eu não estou aqui tratando dos Estados Unidos como sendo o inocente da história
03:43e que toda a responsabilidade está para o nosso lado,
03:46mas nós precisamos ter um olhar frio e realista sobre os pesos
03:49e também as capacidades dos dois atores aí na jogada.
03:53Estados Unidos está em vantagem nessa negociação.
03:57Quem perde mais numa cisão entre os dois países é o Brasil e não os Estados Unidos.
04:02Por isso, nós precisamos fazer uma lição de casa dobrada
04:05para poder oferecer nessa mesa de negociações alternativas tanto econômicas
04:10quanto sistêmicas também relacionadas às questões de segurança
04:13que foram apontadas pelo governo americano,
04:16como também jurídicas em relação aos casos apontados como abusos
04:21por parte do governo americano, que são os casos relacionados à família Bolsonaro.
04:25Isso precisa entrar em alguma maneira.
04:27Se vai ser a suspensão do processo, se vai ser uma atenuação das sanções
04:31impostas domesticamente, isso aí é um passo dois da conversa.
04:36Mas, em primeiro lugar, precisa ter minimamente uma disposição de conversa
04:40nesse sentido também.
04:41É, e o governo brasileiro já disse que sobre o caso Bolsonaro não vai negociar.
04:46Obrigada, Henrique Kriegner e Priscila Silveira, pelas análises do dia.
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