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Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que os Estados Unidos serão os mais prejudicados pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Com base em dados do IBGE, do Ministério do Desenvolvimento e da UFMG, a projeção aponta uma possível queda de 0,37% no PIB americano, como reflexo das barreiras comerciais aplicadas ao Brasil, China e outros países, além das taxas sobre importações de aço e automóveis. Cristiano Vilela e José Maria Trindade comentaram.
Reportagem: Beatriz Manfredini
Comentaristas: Cristiano Vilela e José Maria Trindade

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Transcrição
00:00Esse novo tarifácio do Donald Trump pode gerar impacto sobre a economia brasileira e global.
00:05A CNI apontou qual país será o mais afetado.
00:09E ao vivo, quem explica pra gente esse estudo é a repórter Beatriz Manfredini.
00:14Beatriz, bom dia pra você. Bem-vinda aqui ao Jornal da Manhã.
00:19Oi, Nonato. Bom dia pra você também, pra Soraya, pra todos que nos acompanham aqui no Jornal da Manhã.
00:25Olha, são muitos os afetados, inclusive o próprio Estados Unidos, né?
00:30O país, de acordo com esse levantamento da CNI, que é feito com base em diversos números, por exemplo, do IBGE, dos ministérios aqui do país
00:40e também números de levantamentos de autoridades exteriores, demonstram, por exemplo, que o PIB estadunidense vai cair 0,37% em média,
00:51pelo menos é isso que o estudo demonstra, em razão dessas barreiras tarifárias impostas não só aqui ao Brasil, como também à China e a outros 14 países.
01:02Então, eles devem ter uma diminuição no produto interno bruto por lá.
01:07Além, claro, tem taxas impostas também à importação de automóveis, aços de outras nações.
01:12Então, a média que eles tiraram de tudo isso é uma queda de cerca de 0,37% no PIB dos Estados Unidos.
01:20Além disso, eles também tiraram uma média de quanto pode cair o PIB dos países que vão sofrer essas sanções, né?
01:27Que podem sofrer essas sanções.
01:29Aqui no Brasil, por exemplo, o tarifácio pode reduzir o PIB em 0,16%, assim como o PIB da China.
01:37Também a estimativa é de queda de 0,16%.
01:40Eles estimam também uma queda de 0,12% na economia global e uma retração de 2,1% no comércio mundial.
01:50Quer dizer, na prática, né?
01:52Que entre Estados Unidos, Brasil e China, quem vai sair perdendo mesmo são exatamente os norte-americanos com essas tarifas.
02:00A retração no PIB é maior do que a estimada aqui no Brasil e aqui na China.
02:05Apesar disso, falando especificamente do Brasil, a expectativa da ACNI é que a gente tenha uma diminuição de 52 bilhões de reais nas exportações aqui do país
02:16e o desaparecimento de cerca de 110 mil empregos.
02:20Alguns dos setores mais afetados devem ser, por exemplo, a indústria de tratores e máquinas agrícolas,
02:24também indústria de aeronaves e embarcações, produtores de carnes, por exemplo, de aves também, com bastante alteração a partir dessas tarifas.
02:36E, para fechar, no Nato, a gente tem também um ranking da ACNI dos estados mais afetados no Brasil.
02:42São Paulo lidera a queda estimada no PIB de cerca de 4 bilhões de reais,
02:47seguido do Rio Grande do Sul e Paraná, 2 bilhões, mais ou menos, de queda no PIB.
02:54Também em Santa Catarina, 1,7 bilhão e Minas Gerais, 1,6 bilhão.
03:00Então, estados do sudeste e do sul do país mais afetados pelo tarifasso.
03:05Muito obrigado, Beatriz Manfredini, em São Paulo.
03:08Obrigado, Bia.
03:09E a gente já traz aqui para a nossa conversa os nossos comentaristas de hoje.
03:12José Maria Trindade e Cristiano Vilela estão com a gente nesta manhã.
03:17Bom dia para os senhores.
03:18Queria começar com vocês, Maria, porque a gente tem aí tanto o Alcolumbre quanto o Mota,
03:25integrados ali ao vice-presidente Geraldo Alckmin,
03:27tentando passar ali uma noção de uma coisa mais coesa para se encontrar uma saída para isso.
03:32Por outro lado, esse estudo da CNI dizendo que os Estados Unidos é que serão os principais afetados por esse momento tarifário.
03:39E aí, quem sabe, uma pressão interna possa fazer com que o Trump recue em alguns pontos,
03:44assim como já fez em vários deles.
03:46Mas olhando aqui para o nosso quintal, o que dá para a gente esperar em torno dessa coesão
03:52que parece haver agora entre o Legislativo e o Executivo,
03:55para encontrar uma resposta para os americanos, Zé?
03:58Mais uma vez, bom dia.
03:59Pois é, os quatro poderes se uniram, né?
04:02O governo, evidentemente, que está na frente das negociações.
04:05Os presidentes da Câmara e Senado definindo ali que estão à disposição do governo para reagir.
04:12O Supremo Tribunal Federal, que foi o primeiro a dizer que não há o que conversar nem negociar.
04:18E agora, o outro poder, que é o poder empresarial do país, que é muito forte, né?
04:23Pois é, muito bom dia.
04:26Bom dia, Soraya.
04:27Bom dia, Vilela.
04:28E bom dia a você que nos acompanha aqui.
04:30Olha, o presidente norte-americano Donald Trump bagunçou geral a mesa de negociação e o comércio exterior.
04:40E não foi só isso, não.
04:41Ele mudou mesmo o eixo do mundo ao mexer na cultura, no sistema de migração, na economia e na política.
04:50É assim.
04:51Ninguém sabe exatamente onde é que isso vai dar.
04:54Até o mercado, que é um tipo de entidade que sabe de tudo, que tudo sabe, está perdido.
05:01Uma hora vai para lá, outra hora vai para cá e não sabe exatamente o que vai acontecer com o valor internacional do dólar
05:08e também com a economia dos Estados Unidos, que acaba afetando a todas as outras economias.
05:15Até ontem, o governo não tinha como e nem abertura para negociação.
05:21O ministro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, abriu a porta.
05:25E o governo agora está otimista sobre a possibilidade de negociação que todos querem.
05:30Um confronto será pior para o Brasil, é o acordo geral.
05:35Mas o governo está na frente das negociações.
05:39Olha, os presidentes da Câmara e Senado são agentes políticos, sensíveis.
05:43E viram a pesquisa indicando que quase 80% da população indicam que é o momento de governo e oposição se unir.
05:53Então, houve mesmo essa união e uma demonstração de força.
05:57Se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomar conhecimento do que está acontecendo aqui no Brasil,
06:03aí ele vai entender que não é uma briga de Jair Bolsonaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal.
06:09As instituições, os poderes estão, sim, funcionando e, embora divergentes, se unem em momentos como este agora.
06:18É uma crise forte, pode simplesmente deletar, sumir com alguns setores.
06:26Porque não envolve toda a economia, mas alguns setores aqui no Brasil trabalham exclusivamente com exportação para os Estados Unidos.
06:34E aí, meu amigo, entrou dinheiro no meio, não tem essa história de aliado político, de correligionário, nem nada.
06:41Empresários foram ao governo, Senado Federal manda uma comissão, já formou, já oficializou,
06:47manda uma comissão ao Osto, apresentar o que está acontecendo aqui no Brasil.
06:52E esta reação uniu mesmo alguns deputados e senadores de oposição com o governo.
06:58Ficou ali isolado o grupo mais raiz bolsonarista do Congresso, que só critica de longe.
07:05Zé, muito bom dia para você também.
07:07Cristiano Vilela, bom dia aos dois, sejam bem-vindos.
07:10Agora, Vilela, de fato, política e economia parecem que são uma coisa só, né?
07:15Virou um bloco e nesse quesito nem se fala, né?
07:19Mas o próprio vice-presidente Geraldo Alckmin falou ontem que questões políticas
07:23podem estabelecer aí precedentes preocupantes, que não é bom para o comércio exterior,
07:28enfim, não dá para influenciar nessas tarifas.
07:31E já tem a possibilidade de senadores indo a Capitólio para tentar essa negociação.
07:36Você vê que há possibilidade deles fazerem Trump mudar de ideia,
07:41de que forma eles podem fazer a diplomacia funcionar nesse sentido.
07:47Olha, Soraya, um ótimo dia você, o Nonato, Zé Maria e todos que acompanham o Jornal da Manhã.
07:53Eu vejo que agora, nesse momento, a gente já está num patamar muito mais racional de diálogo,
07:59de discussão, do que aconteceu naqueles primeiros dois dias, logo após o anúncio do presidente americano.
08:05Naquele início, me preocupou bastante porque eu via, por parte do governo e também por parte da oposição,
08:11uma politização excessiva do tema.
08:14Você veja que logo no dia seguinte, o presidente já esteve ali num evento no Espírito Santo,
08:19num caráter bem palanqueiro, fazendo discursos fortes contra Donald Trump e tal,
08:24enquanto o próprio ministro da Fazenda também, com discurso mais político, acentuado, enfim.
08:29Quando, na verdade, o mais importante é essa tônica que a gente está vendo agora.
08:33E essa reunião envolvendo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara e do Senado,
08:38elas vão justamente nesse sentido, no sentido de buscar o diálogo, no sentido de buscar a negociação.
08:45E quando se trata de uma questão como essa, que envolve um impacto econômico muito forte para os dois países,
08:52o fundamental é a negociação.
08:55Os demais países do globo que tiveram sucesso com relação à redução desse aumento de taxa,
09:00desse tarifaço americano, isso se deu justamente no campo da negociação.
09:05E eu vejo que esse é o caminho.
09:07Evidentemente, muitas vezes, ainda precisa encontrar o tom, encontrar a sintonia.
09:12Talvez uma comissão parlamentar não seja o melhor caminho para promover essa negociação.
09:18Eu vejo que é uma negociação muito mais técnica, feita por quadros da Fazenda e por quadros do Itamaraty.
09:24No entanto, já mostra um avançar.
09:27Mostra que agora governo e oposição estão com um olhar muito mais voltado para a solução técnica,
09:33para a solução do diálogo e para a solução racional dessa questão,
09:37do que para o estardalhaço político, que acaba sendo bem do ponto de vista eleitoral.
09:42Mas do ponto de vista pragmático, não faz bem para ninguém.
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