00:00Esse novo tarifácio do Donald Trump pode gerar impacto sobre a economia brasileira e global.
00:05A CNI apontou qual país será o mais afetado.
00:09E ao vivo, quem explica pra gente esse estudo é a repórter Beatriz Manfredini.
00:14Beatriz, bom dia pra você. Bem-vinda aqui ao Jornal da Manhã.
00:19Oi, Nonato. Bom dia pra você também, pra Soraya, pra todos que nos acompanham aqui no Jornal da Manhã.
00:25Olha, são muitos os afetados, inclusive o próprio Estados Unidos, né?
00:30O país, de acordo com esse levantamento da CNI, que é feito com base em diversos números, por exemplo, do IBGE, dos ministérios aqui do país
00:40e também números de levantamentos de autoridades exteriores, demonstram, por exemplo, que o PIB estadunidense vai cair 0,37% em média,
00:51pelo menos é isso que o estudo demonstra, em razão dessas barreiras tarifárias impostas não só aqui ao Brasil, como também à China e a outros 14 países.
01:02Então, eles devem ter uma diminuição no produto interno bruto por lá.
01:07Além, claro, tem taxas impostas também à importação de automóveis, aços de outras nações.
01:12Então, a média que eles tiraram de tudo isso é uma queda de cerca de 0,37% no PIB dos Estados Unidos.
01:20Além disso, eles também tiraram uma média de quanto pode cair o PIB dos países que vão sofrer essas sanções, né?
01:27Que podem sofrer essas sanções.
01:29Aqui no Brasil, por exemplo, o tarifácio pode reduzir o PIB em 0,16%, assim como o PIB da China.
01:37Também a estimativa é de queda de 0,16%.
01:40Eles estimam também uma queda de 0,12% na economia global e uma retração de 2,1% no comércio mundial.
01:50Quer dizer, na prática, né?
01:52Que entre Estados Unidos, Brasil e China, quem vai sair perdendo mesmo são exatamente os norte-americanos com essas tarifas.
02:00A retração no PIB é maior do que a estimada aqui no Brasil e aqui na China.
02:05Apesar disso, falando especificamente do Brasil, a expectativa da ACNI é que a gente tenha uma diminuição de 52 bilhões de reais nas exportações aqui do país
02:16e o desaparecimento de cerca de 110 mil empregos.
02:20Alguns dos setores mais afetados devem ser, por exemplo, a indústria de tratores e máquinas agrícolas,
02:24também indústria de aeronaves e embarcações, produtores de carnes, por exemplo, de aves também, com bastante alteração a partir dessas tarifas.
02:36E, para fechar, no Nato, a gente tem também um ranking da ACNI dos estados mais afetados no Brasil.
02:42São Paulo lidera a queda estimada no PIB de cerca de 4 bilhões de reais,
02:47seguido do Rio Grande do Sul e Paraná, 2 bilhões, mais ou menos, de queda no PIB.
02:54Também em Santa Catarina, 1,7 bilhão e Minas Gerais, 1,6 bilhão.
03:00Então, estados do sudeste e do sul do país mais afetados pelo tarifasso.
03:05Muito obrigado, Beatriz Manfredini, em São Paulo.
03:08Obrigado, Bia.
03:09E a gente já traz aqui para a nossa conversa os nossos comentaristas de hoje.
03:12José Maria Trindade e Cristiano Vilela estão com a gente nesta manhã.
03:17Bom dia para os senhores.
03:18Queria começar com vocês, Maria, porque a gente tem aí tanto o Alcolumbre quanto o Mota,
03:25integrados ali ao vice-presidente Geraldo Alckmin,
03:27tentando passar ali uma noção de uma coisa mais coesa para se encontrar uma saída para isso.
03:32Por outro lado, esse estudo da CNI dizendo que os Estados Unidos é que serão os principais afetados por esse momento tarifário.
03:39E aí, quem sabe, uma pressão interna possa fazer com que o Trump recue em alguns pontos,
03:44assim como já fez em vários deles.
03:46Mas olhando aqui para o nosso quintal, o que dá para a gente esperar em torno dessa coesão
03:52que parece haver agora entre o Legislativo e o Executivo,
03:55para encontrar uma resposta para os americanos, Zé?
03:58Mais uma vez, bom dia.
03:59Pois é, os quatro poderes se uniram, né?
04:02O governo, evidentemente, que está na frente das negociações.
04:05Os presidentes da Câmara e Senado definindo ali que estão à disposição do governo para reagir.
04:12O Supremo Tribunal Federal, que foi o primeiro a dizer que não há o que conversar nem negociar.
04:18E agora, o outro poder, que é o poder empresarial do país, que é muito forte, né?
04:23Pois é, muito bom dia.
04:26Bom dia, Soraya.
04:27Bom dia, Vilela.
04:28E bom dia a você que nos acompanha aqui.
04:30Olha, o presidente norte-americano Donald Trump bagunçou geral a mesa de negociação e o comércio exterior.
04:40E não foi só isso, não.
04:41Ele mudou mesmo o eixo do mundo ao mexer na cultura, no sistema de migração, na economia e na política.
04:50É assim.
04:51Ninguém sabe exatamente onde é que isso vai dar.
04:54Até o mercado, que é um tipo de entidade que sabe de tudo, que tudo sabe, está perdido.
05:01Uma hora vai para lá, outra hora vai para cá e não sabe exatamente o que vai acontecer com o valor internacional do dólar
05:08e também com a economia dos Estados Unidos, que acaba afetando a todas as outras economias.
05:15Até ontem, o governo não tinha como e nem abertura para negociação.
05:21O ministro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, abriu a porta.
05:25E o governo agora está otimista sobre a possibilidade de negociação que todos querem.
05:30Um confronto será pior para o Brasil, é o acordo geral.
05:35Mas o governo está na frente das negociações.
05:39Olha, os presidentes da Câmara e Senado são agentes políticos, sensíveis.
05:43E viram a pesquisa indicando que quase 80% da população indicam que é o momento de governo e oposição se unir.
05:53Então, houve mesmo essa união e uma demonstração de força.
05:57Se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomar conhecimento do que está acontecendo aqui no Brasil,
06:03aí ele vai entender que não é uma briga de Jair Bolsonaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal.
06:09As instituições, os poderes estão, sim, funcionando e, embora divergentes, se unem em momentos como este agora.
06:18É uma crise forte, pode simplesmente deletar, sumir com alguns setores.
06:26Porque não envolve toda a economia, mas alguns setores aqui no Brasil trabalham exclusivamente com exportação para os Estados Unidos.
06:34E aí, meu amigo, entrou dinheiro no meio, não tem essa história de aliado político, de correligionário, nem nada.
06:41Empresários foram ao governo, Senado Federal manda uma comissão, já formou, já oficializou,
06:47manda uma comissão ao Osto, apresentar o que está acontecendo aqui no Brasil.
06:52E esta reação uniu mesmo alguns deputados e senadores de oposição com o governo.
06:58Ficou ali isolado o grupo mais raiz bolsonarista do Congresso, que só critica de longe.
07:05Zé, muito bom dia para você também.
07:07Cristiano Vilela, bom dia aos dois, sejam bem-vindos.
07:10Agora, Vilela, de fato, política e economia parecem que são uma coisa só, né?
07:15Virou um bloco e nesse quesito nem se fala, né?
07:19Mas o próprio vice-presidente Geraldo Alckmin falou ontem que questões políticas
07:23podem estabelecer aí precedentes preocupantes, que não é bom para o comércio exterior,
07:28enfim, não dá para influenciar nessas tarifas.
07:31E já tem a possibilidade de senadores indo a Capitólio para tentar essa negociação.
07:36Você vê que há possibilidade deles fazerem Trump mudar de ideia,
07:41de que forma eles podem fazer a diplomacia funcionar nesse sentido.
07:47Olha, Soraya, um ótimo dia você, o Nonato, Zé Maria e todos que acompanham o Jornal da Manhã.
07:53Eu vejo que agora, nesse momento, a gente já está num patamar muito mais racional de diálogo,
07:59de discussão, do que aconteceu naqueles primeiros dois dias, logo após o anúncio do presidente americano.
08:05Naquele início, me preocupou bastante porque eu via, por parte do governo e também por parte da oposição,
08:11uma politização excessiva do tema.
08:14Você veja que logo no dia seguinte, o presidente já esteve ali num evento no Espírito Santo,
08:19num caráter bem palanqueiro, fazendo discursos fortes contra Donald Trump e tal,
08:24enquanto o próprio ministro da Fazenda também, com discurso mais político, acentuado, enfim.
08:29Quando, na verdade, o mais importante é essa tônica que a gente está vendo agora.
08:33E essa reunião envolvendo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara e do Senado,
08:38elas vão justamente nesse sentido, no sentido de buscar o diálogo, no sentido de buscar a negociação.
08:45E quando se trata de uma questão como essa, que envolve um impacto econômico muito forte para os dois países,
08:52o fundamental é a negociação.
08:55Os demais países do globo que tiveram sucesso com relação à redução desse aumento de taxa,
09:00desse tarifaço americano, isso se deu justamente no campo da negociação.
09:05E eu vejo que esse é o caminho.
09:07Evidentemente, muitas vezes, ainda precisa encontrar o tom, encontrar a sintonia.
09:12Talvez uma comissão parlamentar não seja o melhor caminho para promover essa negociação.
09:18Eu vejo que é uma negociação muito mais técnica, feita por quadros da Fazenda e por quadros do Itamaraty.
09:24No entanto, já mostra um avançar.
09:27Mostra que agora governo e oposição estão com um olhar muito mais voltado para a solução técnica,
09:33para a solução do diálogo e para a solução racional dessa questão,
09:37do que para o estardalhaço político, que acaba sendo bem do ponto de vista eleitoral.
09:42Mas do ponto de vista pragmático, não faz bem para ninguém.
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