00:00E o aumento das vendas dos chips H20 da NVIDIA para a China continuam rendendo comentários.
00:06Daniel Newman, CEO da Futurum, acredita que a gigante de tecnologia tem uma relação simbiótica com a China.
00:14O CEO também fala da liderança em inteligência artificial no mundo, que hoje é dos Estados Unidos,
00:20mas que a China pode sim tomar esse lugar a qualquer momento. Vamos assistir um trecho.
00:25Agora é a NVIDIA e a AMD que receberão as licenças para vender seus chips nos mercados chineses.
00:35Esse é o caso de a China precisar mais das empresas norte-americanas ou vice-versa.
00:40Vimos um momento de busca profunda no início deste ano. E, é claro, há empolgação em torno disso.
00:45Mas nos diga se você sabe quem precisa mais de quem.
00:48O relacionamento é simbiótico, mas acredito que a China precisa mais da tecnologia dos Estados Unidos neste momento.
00:54Agora, os Estados Unidos também precisam de coisas da China. Nós sabemos disso.
00:58Então, novamente, essa foi uma grande parte da negociação, mas, neste momento,
01:03a IA será o fator decisivo para a liderança econômica em escala global nas próximas décadas.
01:08Vemos que há uma razão pela qual Mark Zuckerberg está pagando centenas de milhões de dólares a pesquisadores individuais
01:14e que estamos vendo essa corrida por talentos.
01:16E estamos vendo essas empresas sendo adquiridas por essas grandes empresas,
01:19seja o Google, seja a Meta, como mencionei, ou a OpenAI.
01:24E, é claro, esses grandes pesquisadores da China que estão sendo contratados por empresas como a Meta
01:28é porque há grandes talentos na China.
01:30Portanto, há uma relação simbiótica.
01:32Elas estão muito próximas uma da outra, mas a NVIDIA, para ser bem claro, tem a melhor tecnologia.
01:38A AMD tem uma ótima tecnologia comparável.
01:40Seu software está um pouco atrasado, mas está se recuperando.
01:42Mas a China quer os chips.
01:44Há uma razão para haver tanta demanda reprimida,
01:47para que tantos bilhões de dólares desses chips tenham sido vendidos.
01:50Mesmo que, tecnicamente, eles não sejam tão capazes quanto esses chips de matriz de nuvem da Huawei,
01:55mas a pilha, a visão geral da NVIDIA, isso é realmente pegajoso.
01:59E acho que a China e os Estados Unidos têm uma grande oportunidade.
02:02E a demanda por IA é realmente grande, mas gosto de ver a China na equação nesse contexto.
02:07A NVIDIA havia alertado que as restrições reduziriam a receita em 15 bilhões de dólares.
02:17Agora, com o fato de que isso não é mais cortado de uma vez,
02:21a empresa detinha 95% de participação no mercado chinês.
02:25Isso foi reduzido para 50%,
02:27e foi basicamente assumido pela Huawei na ausência da NVIDIA,
02:30agora que eles conseguiram entrar novamente no mercado.
02:34Como você vê a essa participação?
02:35Você acha que ela voltará para 95%?
02:40Nossos modelos indicam que a NVIDIA está recuperando uma boa parcela do mercado
02:44e surgiram preocupações sobre a exportação de chips da NVIDIA.
02:48A Huawei estava realmente diminuindo a demanda da NVIDIA?
02:51Sabíamos que essa demanda havia permanecido muito alta,
02:54e sabemos que os H20, que originalmente seriam baixados,
02:57serão facilmente vendidos para esse mercado sem nenhum problema.
03:00Dito isso, nossos modelos em geral mostram que a participação de mercado da NVIDIA
03:04está voltando a subir.
03:06Acreditamos, no entanto, que a determinação da China tem.
03:09O país tem um interesse incrível em ser um líder em tecnologias de IA também.
03:13Ela não quer ser 100% dependente dos Estados Unidos,
03:16mas entende claramente que a tecnologia dos Estados Unidos neste momento é superior.
03:20Ela permitirá que suas empresas avancem mais rapidamente.
03:22Seus pesquisadores a desejam.
03:25Portanto, de modo geral, vemos que o país está voltando a essa direção,
03:29mas será muito difícil recuperá-la porque a própria China promoverá seus interesses nacionais
03:34e vai querer ver a Huawei criar produtos mais competitivos.
03:38Mas a NVIDIA continuará um passo à frente,
03:40e os pesquisadores e as empresas chinesas continuarão a querer usar essas tecnologias.
03:45Daniel, então, sobre a recuperação de participantes nacionais como a Huawei.
03:49Como você vê essa linha do tempo?
03:51Com que rapidez você acha que eles podem realisticamente recuperar o atraso?
03:54Ou ainda estamos olhando para um horizonte de tempo mais longo?
03:58Bem, acho que a recuperação do atraso também será determinada por uma série de fatores.
04:03Mais uma vez, lembre-se de que os chips que os Estados Unidos estão permitindo
04:06que sejam exportados para a China têm várias gerações.
04:09Em alguns casos, tecnologia com 3 ou 4 anos de idade,
04:13e até mesmo o novo B30 será baseado em uma série de recursos obsoletos.
04:16Portanto, em nível técnico, em nível de especificação,
04:20a tecnologia da Huawei está mais próxima dos chips NVIDIA de ponta atuais.
04:23Marques, agora, há outras complicações.
04:26Há tudo, desde as bibliotecas até o fato de os desenvolvedores poderem usar as ferramentas.
04:31Você ouvirá falar sobre o fosso CUDA e também sobre a familiaridade.
04:35E é claro, essa tecnologia geralmente não é difundida em um único lugar.
04:39Muitas empresas são globais, multinacionais.
04:40Talvez elas já tenham a tecnologia NVIDIA em outro lugar.
04:44O processo de recuperação será complexo devido às restrições das máquinas de litografia avançadas
04:51como as da ASML e TSMC para a fabricação dos nós mais modernos.
04:56A recuperação do atraso será desafiadora devido a esses fatores intencionais.
05:02Neste momento, a China está obtendo acesso a diversos recursos,
05:05o que certamente impulsionará seu progresso.
05:07Isso irá beneficiar as empresas americanas.
05:10Contudo, acredito que ainda há um certo atraso,
05:13a menos que a China use táticas robustas, como fez no passado,
05:16para contornar as restrições impostas a eles,
05:19que vão além dos chips e aceleradores de IA específicos.
05:26E com esses esforços, parece que a NVIDIA pode contar com sua exposição de receita à China por enquanto.
05:34Mas quais são os riscos geopolíticos que existem e os investidores estão avaliando esses riscos agora?
05:41Bem, a única coisa boa que saiu do atraso original ou dos controles de exportação que vieram no último trimestre foi
05:47acho que o mercado viu que, mesmo sem o mercado da China à disposição da NVIDIA,
05:51eles ainda conseguiram superar.
05:53Eles ainda estavam orientando em uma direção muito positiva.
05:58Isso tem muito a ver com o Oriente Médio.
06:00Tem a ver com o fato de que a tecnologia NVIDIA e a demanda nos Estados Unidos,
06:04ouvimos falar sobre esses projetos múltiplos de vários gigawatts de empresas,
06:07seja o Google, seja a Meta, e é claro, não se trata apenas da NVIDIA.
06:11Há algumas AMD, pode ser alguma Broadcom.
06:13Mas, em suma, a incrível demanda vai impulsionar essas empresas em alguns desses momentos.
06:18Agora, com a mesma rapidez com que esses controles de exportação foram suspensos,
06:23a preocupação geopolítica de que eles sejam colocados de volta no lugar,
06:27quero dizer, vemos essas situações comerciais mudando todos os dias,
06:30mas tem sido incrivelmente encorajador ver como os Estados Unidos e a China
06:34realmente progrediram muito mais rápido do que a maioria esperava.
06:38E acredito que isso se manterá,
06:39pois acho que os Estados Unidos também precisam de uma série de coisas da China.
06:43Portanto, a troca dessas tecnologias avançadas e terras raras, por exemplo,
06:47acredito que manterá o fluxo comercial nesse estado atual.
06:53E só para ampliar um pouco com os dois apenas competindo e construindo seu próprio modelo.
06:59Então, como a China, como os modelos fundamentais da China,
07:02você sabe, com uma busca profunda por como eles se comparam aos dos Estados Unidos,
07:07líderes americanos, como a IA, a Bertha e a Antropique.
07:10Bem, as novidades nesta área mudam constantemente, Helene.
07:16Modelos são lançados com frequência, sendo elogiados como o da OpenAI ou menos eficazes,
07:21como o da Meta.
07:22É um cenário dinâmico e imprevisível.
07:25E no início do ano, o DeepSeek surgiu do nada,
07:28revolucionando completamente o mercado e pegando as pessoas de surpresa.
07:30E havia muito a ser aprendido com isso.
07:33Parte disso tem a ver com as técnicas, parte tem a ver com a disponibilidade de pesquisadores,
07:38parte tem a ver com o silício ao qual esses pesquisadores realmente têm acesso.
07:42Certamente, os pesquisadores chineses são muito competitivos.
07:46Vimos Mark Zuckerberg contratar vários da OpenAI que lideraram muitos dos modelos mais avançados.
07:52Eles também estão fazendo o desenvolvimento avançado de modelos na China.
07:55Portanto, esperamos que seja uma corrida.
07:57Os semicondutores, a infraestrutura e a energia fazem parte dos ingredientes
08:01para vencer e liderar essas corridas.
08:03Por isso, acho que a China e os Estados Unidos continuarão a se enfrentar.
08:07A vantagem dos Estados Unidos é que eles têm os mais avançados sistemas Blackwell
08:11e os mais avançados sistemas AMD Instinct.
08:14O Google possui TPU, enquanto a Amazon está desenvolvendo
08:18o seu próprio silício e rede com as ferramentas Tranium.
08:21Eles são mais avançados e integrados verticalmente,
08:24um pouco à frente nos Estados Unidos.
08:26No entanto, a determinação da China não deve ser subestimada,
08:30embora os Estados Unidos estejam atualmente um pouco à frente.
08:34Isso pode mudar a qualquer momento.
08:37E ainda falando da NVIDIA, o Jensen Wang disse hoje
08:41que a empresa está fazendo o melhor para atender o mercado chinês de semicondutores
08:45depois de ter a permissão dos Estados Unidos para vender para o país.
08:49A gente também falou ontem aqui no Money Time sobre essa mudança recente,
08:53que demonstrou uma reaproximação mais clara das duas maiores economias do mundo.
08:59Não é, Felipe?
08:59E é um ótimo momento também para a NVIDIA que atingiu a marca histórica
09:03de 4 trilhões de dólares recentemente de valor de mercado, não é?
09:07Exatamente.
09:08O que aconteceu, Paula, só para a gente lembrar um pouquinho,
09:11o Donald Trump proibiu a exportação de chips da NVIDIA para a China
09:15para tentar, é uma corrida, a gente sabe, pela tecnologia,
09:19para tentar evitar que a China alcance os Estados Unidos.
09:21Os Estados Unidos estão um pouquinho na frente.
09:23Só que o que aconteceu?
09:24A China também está com uma possibilidade, sem esses chips,
09:28ela começou a desenvolver muito as suas próprias alternativas,
09:32principalmente com a Huawei, que é uma empresa chinesa.
09:36E daí teve aquela questão.
09:38Então, a China não vendia mais para os Estados Unidos,
09:40os Estados Unidos não vendiam chips,
09:42e a China também deixou de vender minerais raros para os Estados Unidos.
09:45Bom, finalmente chegaram no acordo, a China passou,
09:48voltou a vender minerais raros ali numa escala menor,
09:51mas começou, voltou a vender.
09:52E os Estados Unidos voltou a vender, a permitir que a NVIDIA vendesse seus chips,
09:56mas não o H100, que é o modelo mais sofisticado, apenas o H20.
10:01Mesmo assim, o H20, agora voltando para a China,
10:03já passa a ser um chip bastante robusto,
10:06a China já vai voltar, com certeza, a comprar os chips da NVIDIA.
10:10Como é que o Jensen Huang trabalhou com o Donald Trump nessa questão?
10:14O Jensen Huang falou o seguinte,
10:15olha, Trump, presidente Trump,
10:17se a China começar a investir muito nos chips,
10:21elas podem, de repente, daqui a pouco estar na frente ou nos alcançarem.
10:26Então, o que seria melhor?
10:27Seria melhor que a NVIDIA volte a vender os chips menos poderosos para a China
10:31para poder controlar um pouco essa velocidade
10:34e ir ali meio que monitorando o sucesso da China
10:39nessa questão da inteligência artificial,
10:41que os dois países estão brigando muito por essa supremacia.
10:43Então, agora, a NVIDIA voltou a vender chips para a China
10:48e o Jensen Huang, inclusive, está na China nesse momento,
10:51participando de um evento lá.
10:53O Jensen Huang está uma mistura de CEO com diplomata.
10:57Ele tenta fazer ali um meio de campo entre a China, entre os Estados Unidos.
11:01Lembrando que ele é nascido em Taiwan,
11:02que também é onde são feitos semicondutores.
11:05Tem ali a China e Taiwan, tem aquela relação problemática ali.
11:10Enfim, Taiwan é vinculada à China, mas quer a sua independência também.
11:16Então, o Jensen Huang trabalha numa mistura meio de CEO e meio diplomata
11:20para tentar normalizar as relações entre os Estados Unidos e China
11:25em relação a esses chips.
11:26Então, a gente vai ver muito sobre isso ainda nessa corrida.
11:29Por enquanto, a relação está normalizada, Paula.
11:32Obrigada, Felipe.