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Ilson José Redivo, vice-presidente da Famato, analisou os riscos da tarifa de 50% imposta pelos EUA. Mato Grosso exportou mais de 39 mil toneladas de carne bovina ao país em 2023. A medida pode gerar perdas bilionárias e abalar uma cadeia que representa 25% do PIB nacional.

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Transcrição
00:00A gente segue falando sobre o tarifaço, agora sobre um outro lado dele.
00:05O estado de Mato Grosso, maior exportador de carne bovina do país,
00:09acompanha com preocupação a decisão dos Estados Unidos de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
00:16Só neste ano, por exemplo, o estado já exportou mais de 26 mil toneladas de carne para o mercado norte-americano.
00:23Sobre os possíveis impactos da medida para o setor, eu vou conversar agora com o Ilson José Redivo,
00:30vice-presidente da FAMATO, Federação da Agricultura e Pecuária do estado de Mato Grosso.
00:36Ilson, boa tarde para você, muito obrigado pela gentileza da entrevista aqui.
00:40Ilson, boa tarde.
00:41É sempre um prazer falar com o Times Brasil e a gente se coloca à disposição aqui
00:49para tecer alguns comentários sobre o problema que nós estamos vivendo
00:54com esse tarifaço que está sendo imposto pelos Estados Unidos.
01:00Muito obrigado pela disponibilidade, Ilton.
01:01Eu queria começar te perguntando sobre de que forma a notícia já mexeu com o setor.
01:06A gente sabe que essa tarifa, se vier, começa a valer no dia 1º de agosto.
01:11Mas de que maneira isso já está mexendo com o mercado?
01:15Nós recebemos com bastante preocupação, com muita preocupação,
01:19uma vez que o estado de Mato Grosso é um grande fornecedor de carne bovina
01:22para os Estados Unidos.
01:25Somente no ano passado, dos 303.149 toneladas de carnes exportadas pelo Brasil,
01:33o Mato Grosso exportou para os Estados Unidos mais de 39 mil toneladas de carne bovina.
01:40Então é um grande parceiro comercial e essa notícia do tarifaço deixa-nos muito preocupados.
01:47Nos deixa muito preocupados.
01:50O que é que representa o mercado americano para a agropecuária do Mato Grosso?
01:57Então, com relação à exportação do ano passado, 12,87% da carne exportada foi para os Estados Unidos.
02:06É um número bastante significativo.
02:08Quase 13% do total da carne exportada brasileira foi para os Estados Unidos.
02:13Então são números que são muito significativos para a economia mato-grossense.
02:18E o estado do Mato Grosso é o maior produtor de carne bovina do país.
02:23E tem no seu rebanho bovina de mais de 30 milhões de cabeças de gado,
02:2833 milhões de cabeças de gado,
02:31tem uma atividade comercial muito forte, tem um peso comercial muito forte.
02:36E uma taxação dessa, com toda certeza, não é absorvida.
02:40Você não consegue absorver uma taxação de 50%.
02:43O que nós temos que ressaltar é que o governo brasileiro,
02:48o que a gente pede e que a gente deixa como mensagem,
02:52é que o governo brasileiro tem que ter a preocupação de olhar,
02:56de negociar, de partir para uma negociação,
02:59que a gente sabe que foi anunciada essa tarifa de até 50%,
03:06que passa a melhorar a partir do 1º de agosto.
03:09Mas nós temos em mais de 15 dias, duas semanas,
03:12que eu creio que o governo brasileiro, os nossos embaixadores,
03:17devem estar preocupados em fazer uma negociação para amenizar
03:21e ajustar essas diferenças que existem entre os dois países.
03:27Então, a gente espera que essa negociação ocorra
03:30no sentido de não prejudicar uma cadeia produtiva
03:34tão importante para o Brasil.
03:36Agora, como é que fica essa janela,
03:39agora de mais ou menos duas semanas,
03:41sendo que a gente tem hoje em vigor uma tarifa de 10%
03:45e, em 1º de agosto, possivelmente 50%.
03:48Como é que isso opera no mercado,
03:50com o fechamento de novos contratos, por exemplo,
03:53ou embarque de mercadorias contratadas anteriormente,
03:56com essa perspectiva de quintuplicar o imposto de importação lá?
04:01Eu digo assim que nós não podemos exportar imposto.
04:04Eu acho que setor, cadeia produtiva nenhuma,
04:07consegue majorar em 40% o seu produto.
04:12Então, com toda certeza, vai ter quebra de contratos,
04:15vai ter redução de venda no futuro muito próximo.
04:19E se, de fato, isso ocorrer, que eu não creio que aconteça,
04:24essa majoração de 50%, eu não creio,
04:26eu penso que ela pode ser negociada
04:28e ela deve ser negociada de forma muito categórica.
04:36Eu acho que o governo brasileiro tem que sentar na mesa de negociação
04:39e buscar alternativas.
04:40Nós não podemos aceitar uma imposição,
04:45um tarifazo desse de 50%
04:47e nós temos que ajustar.
04:50Eu acho que se veio essa tarifa de lá para cá,
04:53por algum motivo ela veio.
04:55Então, acho que nós temos que falar um pouquinho menos
04:58e negociar um pouquinho mais.
05:01Acho que nós temos que ser mais pragmáticos
05:03nas negociações para fazer com que o setor produtivo
05:08não arque com o ônus
05:09daqueles que, às vezes, falam aquilo que não devem falar.
05:17Caso essa tarifa se confirme,
05:20a partir do dia 1º de agosto,
05:23o que é que aconteceria com a carne brasileira
05:26que, eventualmente, não fosse negociada com os Estados Unidos?
05:29Qual caminho, provavelmente, ela seguiria?
05:31Buscar novos mercados.
05:33Nós temos que buscar novos mercados
05:35para colocar essa demanda,
05:38essa carne que seria exportada para os Estados Unidos.
05:42Mas isso envolve várias negociações,
05:45envolve tempo,
05:46não é uma coisa que você constrói da noite para o dia.
05:50Mas o caminho vai ser esse,
05:52buscar novos mercados para acomodar essa carne
05:55que deixa de ser exportada para os Estados Unidos
05:57em função dessa majoração de 50%,
06:00que eu não creio que ela vá se configurar.
06:03Eu, com toda a expectativa e tenho a esperança
06:07de que o governo brasileiro é capaz de sentar na mesa de negociação
06:12e buscar alternativas que não venham impactar no setor produtivo,
06:17não venham impactar naqueles que tanto contribuem
06:19para o desenvolvimento do Brasil,
06:20que é o setor produtivo nacional.
06:22Agora, na sua leitura,
06:23existe comércio com os 50% de tarifa
06:26ou isso, na prática, funcionaria como um embargo?
06:30Eu acho que é um embargo.
06:32Eu acho que é muito difícil.
06:34Eu não vou dizer que você não exporte mais nada com os 50%,
06:38mas você vai reduzir muito o volume de exportação para os Estados Unidos
06:43com uma tarifa de 50%.
06:45Eu acho que o mercado não absorve isso.
06:50O mercado não absorve isso,
06:51porque tem outros países que são exportadores também
06:53e que podem aumentar o volume de carne exportada para os Estados Unidos
06:58que não estão recebendo essa tarifa.
07:01Então, penso que o maior prejudicado seria o produtor brasileiro.
07:05O maior prejudicado seremos nós, brasileiros.
07:08E o produtor é o que menos tem a ver com o produtor brasileiro.
07:15Eu digo assim, é o mais inocente.
07:17É o patinho que está caindo de patinho nessa briga
07:24entre os grandes.
07:29Então, acho que nós temos que trabalhar mais e falar menos.
07:33Não adianta nós ficarmos com ofensas, querendo trucar, querendo...
07:40Acho que não é esse o caminho de uma boa negociação.
07:43O caminho da boa negociação, eu penso que é sentar na mesa,
07:47diplomaticamente, e buscar as alternativas para o problema que está implantado.
07:52E o problema está implantado, a gente está sabendo que está.
07:55Mas nós temos que administrar isso de modo que não venha impactar
07:59o setor produtivo de forma tão agressiva como está sendo.
08:03Os cortes de carne que a gente vende para os Estados Unidos,
08:08são cortes que têm grande concorrência?
08:12A gente tem grandes concorrentes no mundo para fornecer esses mesmos cortes
08:16para os Estados Unidos?
08:18Ou há algum corte desse, por exemplo, que a gente seja mais ou menos exclusivo?
08:22Algum mercado que a gente conseguiria garantir,
08:24mesmo com tarifas de importação mais altas?
08:27Não, eu acho que o impacto vem de um modo geral,
08:33porque nós vendemos, acho que o boi, a peça inteira também.
08:36Vende quase que a totalidade do bovino,
08:41vende as duas planchas do boi, né?
08:43Ele vai processado, mas você vende toda a carne,
08:47toda a carne processada vai para os Estados Unidos.
08:50vai, a de primeira, segunda, terça, toda ela vai para os Estados Unidos.
08:54Então, eu avalio como negativo, muito negativo,
08:58muito preocupante essa taxação.
09:01E ela, o que a gente pede é que os governantes
09:05tenham habilidade para tentar demover isso e tirar isso da água, né?
09:10Tirar isso dessa pauta aqui, buscar o melhor caminho
09:14para que isso não ocorra e não venha a impactar o setor produtivo
09:19que já está tão penalizado, né?
09:21Já está tão difícil você produzir dentro do Brasil,
09:25porque o custo do Brasil já é um dos custos mais altos do mundo.
09:31Nós temos aí a carga tributária que é mais onerosa,
09:35nós temos os fretos mais onerosos, enfim.
09:37Nós temos todo tipo de dificuldade para atravessar
09:40e cai sempre no setor primário.
09:43Então, o setor primário não pode ser mais penalizado
09:45do que já vem sendo.
09:47Nós confiamos no governo brasileiro
09:50que ele busque soluções para tentar demover isso
09:53para não prejudicar o setor produtivo,
09:58que é a galinha dos ovos de ouro desse país.
10:01O agronegócio, a agricultura, a pecuária,
10:04é a galinha dos ovos de ouro,
10:05responde por um quarto da produção do PIB nacional.
10:09O setor agropecuário responde por mais de um quarto,
10:14de 25% do PIB nacional.
10:17Então, é um setor muito relevante economicamente
10:19e ele sendo afetado,
10:22eu acho que afeta os demais setores da economia brasileira,
10:25porque é uma cadeia.
10:26Você quebra um dente dessa engrenagem,
10:29a engrenagem toda para derrondar.
10:31Então, essa é a preocupação que a gente tem.
10:34O efeito cascata que isso possa ocorrer
10:37se vier, de fato, acontecer essa taxação de 50%.
10:40Wilson José Redivo, vice-presidente da FAMATO,
10:44Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso.
10:48Muito obrigado, Wilson, pela gentileza da entrevista.
10:51Boa semana para vocês.
10:52Nós é que agradecemos e desejamos que a coisa se resolva
10:57nesses 15 dias que nós temos pela frente
11:00e temos a certeza de que a melhor opção será buscada
11:06e nós sairemos daqui a 15 dias menos preocupados
11:12do que estamos hoje.
11:13Muito obrigado, Wilson.
11:15Obrigado, a gente.
11:16Obrigado.
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