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Em entrevista ao Real Time, Cláudio Azevedo, presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Maranhão (Sifema), alertou que tarifas americanas de 50% podem levar ao fechamento de todas as siderúrgicas da região, afetando 3,5 mil empregos.

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Transcrição
00:00Tarifas de 50% comprometem a competitividade da indústria de mineração brasileira no mercado americano.
00:06É sobre isso que eu converso agora com o Cláudio Azevedo, que é presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Guza do Maranhão.
00:13Bom dia para você, Cláudio. Seja muito bem-vindo aqui ao Real Time.
00:17Bom dia, bom dia a todos vocês. Obrigado pela oportunidade.
00:21Por tudo que você ouviu até agora, Cláudio, você tem preocupação em relação aos produtos que você exporta para os Estados Unidos
00:28ou que os representados pelo seu sindicato exportam?
00:34Travou um pouquinho a imagem do Cláudio, mas pela nossa experiência costuma voltar em 10 segundos.
00:39Como eu disse, voltou agora. Mais uma vez a gente comprovou a minha tese.
00:43Vamos lá, Cláudio. Você ouviu o que eu tinha dito?
00:46Não, desculpa. Pode repetir, por gentileza?
00:48Claro. Bom, eu queria saber que pelas notícias que você recebeu até agora,
00:56você tem alguma expectativa de prejuízo para as empresas que você representa aí no seu sindicato?
01:02Evidentemente, nós estamos muito preocupados, né?
01:06Porque você tem toda uma cadeia produtiva na cirurgia do Ferro Guza.
01:11E nosso mercado sempre foi praticamente 95% é o mercado norte-americano.
01:17Então, nós estamos apreensivos porque você, como eu disse, você tem uma cadeia toda produtiva.
01:21Você tem uma cadeia produtiva que diz respeito à questão do minério,
01:25você tem uma questão aí do carvão vegetal, porque esse Ferro Guza nosso hoje,
01:31ele precisa muito do carvão vegetal, que é justamente das florestas de eucaliptos,
01:37que hoje são detentoras.
01:39E, evidentemente, você tem, como eu disse a vocês, você tem o carvão,
01:42você tem o pessoal de floresta, você tem todo um pessoal
01:43que está envolvido nessa cadeia produtiva, né?
01:48Da produção do Ferro Guza, que nós exportamos aqui para as mini-stils lá nos Estados Unidos.
01:54Só para destrinchar um pouco esse número, você está dizendo para mim
02:01que 90% de tudo que vocês produzem vai para os Estados Unidos
02:06ou 90% do total de exportação de vocês?
02:1290% das nossas exportações, 90% até 95% vai diretamente às mini-stils lá nos Estados Unidos.
02:20E quanto isso representa da receita total do setor?
02:24Representa, como eu disse você, praticamente quase 100%, né?
02:29Porque vocês não vendem para o mercado nacional também?
02:32Muito pouco.
02:33Nós aqui estamos localizados no Arco Norte, né?
02:35Que a proximidade com o Porto do Itaqui, né?
02:40Nós não temos como colocar esse produto em outro mercado, né?
02:43Do que levar a proximidade de trem, que seja para São Paulo, Paulo,
02:50já tem essas...
02:52Nós estamos enfrentando aí a competitividade das celerogias de goza das indústrias de Minas Gerais.
02:59Então, o nosso mercado e tudo que foi constituído aqui é visando o mercado norte-americano.
03:04Se hoje vocês tivessem dificuldade em vender para os Estados Unidos,
03:08a primeira reação seria tentar abrir que outro mercado?
03:14Ah, talvez...
03:15Eu não vejo assim, talvez a competitividade aí é muito difícil.
03:18Não temos outro mercado, não temos outras opções.
03:21Não temos.
03:21Quantos empregos estão em risco aí, Cláudio?
03:24Nós estamos em emprego praticamente em risco em torno de 3 mil empregos.
03:273 mil empregos a 3 mil e 500 empregos diretos.
03:31São quantas empresas aí no seu sindicato?
03:35Nós temos hoje no sindicato, nós temos quatro empresas envolvidas aqui.
03:39Quatro celerogias de ferro-goza.
03:41Eu estou falando aqui em termos de Maranhão.
03:43Você tem mais a questão também de Marabá, do Pará, né?
03:46E tem outras...
03:47Nós temos mais quatro celerogias lá operando lá em Marabá.
03:51Também produzindo ferro-goza, visando o mercado norte-americano.
03:54Eu imagino que além dos empregos também, fica um risco aí a contribuição que vocês dão para a economia local.
04:02Em que cidades que essas siderúrgicas estão localizadas aí no Maranhão?
04:05Pois bem, nós estamos localizados no município de Açailândia, né?
04:09Que é justamente o município de Açailândia, onde é hoje a Açailândia é a maior rede de trocavamento da estrada de ferro.
04:20Norte e Sul com Carajás e também da ferrovia, da rodovia Belém-Brasília, né?
04:26A BR-010 com a BR-222.
04:29Então, a Açailândia hoje está numa posição muito estratégica com relação à questão de ferrovias e rodovias.
04:36Foi o motivo que as indústrias ali se instalaram na década de 80, 90, nessa faixa mais ou menos aí.
04:42É, baseado em outras negociações feitas pelos Estados Unidos, não está descartada a possibilidade de que alguns componentes da nossa pauta de exportação,
04:51como petróleo e minerais, possam ficar fora dessa disputa comercial.
04:55Você tem essa esperança, Cláudio? Você tem visto notícias a respeito disso?
05:00Tenho, tenho. Nós temos acompanhado, inclusive a posição do presidente da CNI, do doutor Albano,
05:05mostrando, sim, uma preocupação muito grande.
05:09Também nós estamos muito, assim, confiantes que haja uma negociação, né?
05:16Que a gente consiga encontrar um denominador para que a gente não possa, como disse a você,
05:21se nós não tivermos um mercado norte-americano, vamos encerrar nossa atividade.
05:25Praticamente se encerra, né?
05:26Eu espero que a diplomacia do governo brasileiro trabalhe rapidamente para solucionar esse problema
05:33que nós começamos já a enfrentar aqui no Estado, aqui no Maranhão.
05:37Bom, hoje a gente deu a notícia de que o presidente Lula vai se reunir com os maiores exportadores brasileiros
05:42para tentar, justamente, sentir a temperatura aí dos setores que vão ser mais prejudicados.
05:47Caso você não esteja nessa reunião, Cláudio,
05:50que mensagem você daria para o governo federal a respeito da sua atividade
05:54e das consequências que podem existir para a atividade aí do ferro-guzo do Maranhão?
06:01Eu espero que o presidente Lula realmente encontre um denominador, né?
06:07E consiga ter uma negociação ou dele ou da diplomacia brasileira
06:12ou do nosso, da nossa, tanto da Câmara como do Senado, né?
06:16Com o governo norte-americano que reabra as portas
06:20para que a gente possa continuar trabalhando e continuar produzindo
06:23e gerando os empregos aqui no Estado.
06:25Mas o seu recado aí...
06:27Acho que é muito importante isso.
06:28Desculpa te interromper, Cláudio, mas o seu recado aí do ponto de vista de consequência
06:32é que se essas tarifas de 50% forem aplicadas sobre o negócio de vocês aí,
06:38as empresas param, é isso?
06:41Param completamente, não tem como operar.
06:43O nosso mercado sempre foi, nós trabalhamos e foram constituídos
06:46para a exportação do ferro-guzo ao mercado norte-americano.
06:49Nós não temos outro mercado.
06:51Nós não temos como competir com a China, competir com outros países, está certo?
06:54Com a Ucrânia, enfim, para avisar que o grande está naquela guerra, né?
06:57O nosso mercado, dos nossos competidores, era a Ucrânia, né?
07:02Então, nós não temos outro mercado onde ser os Estados Unidos.
07:04Como eu disse a vocês, espero que o governo brasileiro, através do presidente Lula,
07:08encontre uma solução para essa questão de tarifas de 50%.
07:11Agora, uma última pergunta, Cláudio.
07:13A gente viu no começo do ano, quando aumentaram as tarifas do aço para 25%,
07:17muita gente pensou que as exportações das empresas que estão em Minas, por exemplo,
07:22fossem cair, e a gente teve um feedback de que no começo elas aumentaram.
07:26Por quê?
07:27Porque as empresas americanas que compravam esse aço aqui do Brasil,
07:31elas não conseguiram substituir rapidamente e elas acabaram pagando mais para ter esse aço.
07:36No caso do Ferro Guza, as empresas para quem vocês vendem nos Estados Unidos,
07:41você acha que elas se enquadram também nesse modelo?
07:44Elas poderiam comprar mais caro por não ter de quem comprar?
07:47Ou tem uma competitividade, uma oferta maior no mundo?
07:51Tem, tem uma oferta.
07:52O mercado hoje está extremamente ofertado, né?
07:54Elas têm para quem é onde adquirir esse produto Ferro Guza, né?
07:57Nós produzimos aqui um Ferro Guza de altíssima qualidade de carbono,
08:02que o nosso, todo o Ferro Guza produzido hoje aqui no Maranhão,
08:05ele provém de floresta plantada, ele provém do carvão vegetal, né?
08:10Então nós já enfrentamos a competitividade daquele Ferro Guza que é produzido através do COC,
08:14do carvão mineral.
08:16Eu acredito que é uma situação muito difícil.
08:18Como eu te disse, espero que realmente que a nossa, o governo, o presidente Lula,
08:22com a diplomacia brasileira, encontre um caminho para que nós possamos voltar
08:26a operar no mercado norte-americano.
08:29Cláudio Azevedo, presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Guza do Maranhão,
08:33muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
08:35Bom dia.
08:37Bom dia, muito obrigado.
08:38Um abraço a todos vocês.
08:39Um abraço.
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