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No Só Vale a Verdade, Marco Antonio Villa recebe o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para uma conversa sobre os principais desafios do Ministério da Saúde e do SUS (Sistema Único de Saúde). Padilha detalha as complexidades de garantir o direito à saúde para todos os brasileiros, em um sistema que lida com dimensões continentais e demandas crescentes.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/UlPobs69nBI

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00:00Ministro, nós temos mais de 5.540, por aí, 60 municípios, por aí.
00:065.570, 5.570.
00:075.570 municípios, né?
00:10Como é possível fazer um trabalho?
00:12Porque muitas das pessoas, elas não sabem, e é natural que não saibam, porque ninguém informa.
00:17Quais são as atribuições no campo da saúde, da Prefeitura, do Estado e da União?
00:24Afinal, qual é o papel da União, do Ministério da Saúde nesse trabalho?
00:28É só um trabalho de coordenação, é de acompanhamento, é um trabalho das questões mais gerais,
00:34mas não das questões específicas. Como é que é essa relação?
00:37Esse é o maior desafio, né, Vila? Porque o Brasil tem dois desafios.
00:43Na verdade, são três, e aqui um é derivado do segundo, que nenhum país do mundo tem relação à saúde.
00:49Primeiro, nós somos o único país com mais de 100 milhões de habitantes
00:53que tem o compromisso de garantir a saúde como direito das pessoas.
00:58O SUS é a maior aposta de saúde universal dos grandes países do mundo.
01:05Então, não é simples você conseguir garantir esse direito.
01:09Um país diverso como o nosso, diversidade regional, tamanho,
01:14tudo que a gente incorpora passa a ser o quarto ou quinto maior mercado de compra.
01:19A gente acabou de introduzir no Ministério da Saúde uma medicação que custa de 8 a 11 milhões de reais a dose.
01:28Se uma família tivesse que aplicar, não tem condição nenhuma.
01:328 a 11 milhões de reais. A gente conseguiu fazer a incorporação desse medicamento,
01:36criando um mecanismo inovador que a gente chama de compartilhamento de risco,
01:40baixando esse valor.
01:42Quando a gente faz isso, o Brasil passa a ser um dos cinco países do mundo a ter esse medicamento
01:46pelo seu sistema público e o maior deles.
01:49Então, primeiro é essa dimensão do tamanho do Brasil.
01:53O segundo grande desafio é que é garantir a saúde num país federativo.
01:58Ou seja, os outros países que têm sistemas nacionais públicos,
02:02que são as nossas grandes referências, o sistema nacional público inglês,
02:05é um serviço só, é uma estrutura só, não tem estrutura federativa.
02:09O Canadá são dois níveis da federação.
02:12O Brasil tem três níveis da federação.
02:15E aí tem um terceiro desafio que é decorrente do segundo.
02:18São três níveis com tempos de governo diferentes.
02:22Ou seja, quando a gente está no primeiro ano da gestão do Ministério da Saúde,
02:27dos governos estaduais, começa a planejar,
02:29o município já está no terceiro ano,
02:31e já não quer assumir coisa nova, já está pensando na sua reeleição
02:35ou na eleição ou no final da eleição.
02:37Então, é um grande desafio.
02:38O que cabe ao Ministério da Saúde?
02:41Regulamentar as questões, garantir as grandes regras, os regramentos.
02:47E algumas questões a gente compra direto.
02:49Por exemplo, eu citei esse exemplo desse medicamento.
02:52Medicamento que custava 8 a 11 milhões uma dose para uma doença rara,
02:57é o Ministério que faz a compra.
02:58Quando a gente faz essa compra, a gente ganha uma escala enorme.
03:01Vacinas.
03:02É o Ministério que compra a vacina.
03:04Porque a nossa compra é uma escala enorme.
03:06Você consegue não só ter um preço melhor,
03:09mas, inclusive, estimular o produtor a produzir.
03:13É o que faz você ter o...
03:15São importadas ou produzidas?
03:17Uma parte grande são produzidas aqui,
03:19mas você tem algumas que são importadas.
03:22Por exemplo, vacina para varicela,
03:24que é um problema mundial hoje.
03:26Só para você ter uma ideia, nesses últimos dois anos e meio,
03:29o Ministério já está no quarto fornecedor,
03:32porque os outros não estavam dando conta de garantir o fornecimento.
03:36Então, a gente está no quarto, que foi uma produtora chinesa,
03:38que agora garantiu.
03:40A gente conseguiu regularizar.
03:42Tem a vacina.
03:42E estamos estimulando a produção aqui no Brasil.
03:46Fazer uma parceria com um laboratório público brasileiro,
03:50o Butantan, o Fiocruz, para produzir aqui no Brasil.
03:52Então, o Brasil é o que produz a vacina da febre amarela.
03:55A gente produz para cá e exporta.
03:57Então, vacinas.
04:00É o Ministério da Saúde que compra.
04:02Agora, nós estamos mudando a lei, inclusive,
04:06para permitir que o Ministério da Saúde
04:07possa entrar para contratar atendimento de média e alta complexidade.
04:13Isso era só do município, dos municípios maiores ou do estado.
04:17Às vezes, você tem um estado que é muito pequeno,
04:19ele sozinho não consegue organizar seus serviços.
04:22Então, o Ministério vai entrar para ajudar esse estado,
04:24o município, até conseguir condições melhores,
04:27a escala é maior, você consegue contratar com valor menor,
04:30para você garantir esse atendimento.
04:32Então, o Mais Médicos, é o Ministério que põe,
04:35são 28 mil médicos.
04:37Farmácia Popular, você anda no centro de São Paulo,
04:40você pega a drogaria, você tem aquele cartazão,
04:42aqui tem Farmácia Popular,
04:44é o Ministério da Saúde que faz isso direto.
04:46Eu uso, eu uso.
04:46Então, é, você e mais 27 mil médicos.
04:50É o Ministério que garante,
04:53você garante aquele medicação,
04:55porque você consegue, numa escala maior,
04:57garantir algo que é decisivo.
04:58Agora, o dia a dia da gestão,
05:01dos atendimentos,
05:02organização de serviços,
05:03aí é do município ou do estado?
05:06É, a gente sempre brinca,
05:08porque eu sou historiador, né,
05:10que o Brasil, bem,
05:11esquece,
05:13não tem memória.
05:14E a Assembleia Constituinte,
05:1587, 88,
05:17o papel de alguns médicos,
05:18médicos, sanitaristas,
05:19me lembrei agora,
05:20rapidamente, do Sérgio Arouca,
05:21entre outros,
05:22foram fundamentais na criação do SUS.
05:25SUS foi uma revolução.
05:26Você mesmo lembrou, ministro,
05:28que nós não temos um sistema semelhante a esse,
05:33em países que tem a mesma população que a nossa, né?
05:37A grande questão depois foi o problema que criou o SUS,
05:40mas como financiá-lo?
05:41Aí foi o grande desafio.
05:43Eu acho que um grande desafio hoje,
05:45não sei se estou certo, ministro,
05:46é só como financiar, por exemplo.
05:49O ministro lembrou esse remédio caríssimo,
05:52que seria impossível uma pessoa comprar.
05:53A questão de equipamentos,
05:55a complexidade da medicina, exames,
05:57e quando se fala em cortes,
06:00agora nós temos uma discussão no Brasil,
06:02você corta e desgaste,
06:03eu vejo, eu falo assim,
06:05puxa vida,
06:06o pessoal olha,
06:07primeiro, saúde, educação,
06:09justamente o que os mais pobres demandam, né?
06:11A previdência social precisa se transver,
06:13eu também acho,
06:14precisa resolver tudo.
06:15Mas eu acho,
06:16pô, você vai cortar da saúde.
06:18Qual é o orçamento do Ministério da Saúde?
06:22Porque eu, por exemplo, não sei,
06:23eu sei que deve ser,
06:24provavelmente,
06:24o maior orçamento dos ministérios, né?
06:27Quantos funcionários tem?
06:28É só para a gente ter uma ideia disso.
06:30Hoje o nosso orçamento,
06:32para aquilo que são ações e serviços de saúde,
06:36em torno de 247 bilhões de reais.
06:40As pessoas pensam,
06:40puxa, é muito dinheiro,
06:41é muito dinheiro,
06:42mas é muita gente para atender.
06:44É muita gente.
06:45A gente faz saúde pública no nosso país
06:48com 3, 4 vezes menos per capita
06:51do que o Sistema Nacional Público Inglês faz,
06:54do que o Sistema Nacional Público Espanhol,
06:56do que o Chile,
06:56do que a Argentina.
06:58Os Estados Unidos,
06:58então, nem se fala que os Estados Unidos
06:59não têm saúde pública,
07:00é tudo privado.
07:01Então, chega a ser 10, 11 vezes maior
07:03o valor per capita que é feito lá.
07:06O Ministério da Saúde tem,
07:09dentro da estrutura do Ministério,
07:10cerca de 40 mil trabalhadores,
07:12porque o Ministério da Saúde não é ele que faz
07:16o funcionamento da Unidade Básica de Saúde,
07:18do pronto-socorro,
07:19mesmo do SAMU,
07:20são contratados pelos municípios.
07:22Você tem ideia,
07:22hoje a gente tem mais de 6 mil hospitais
07:27em funcionamento,
07:29ligados ao Sistema Único de Saúde,
07:31contratados pelo SUS.
07:33Unidades Básica de Saúde são mais de 40 mil
07:35Unidades Básica de Saúde espalhadas no país.
07:39Só o SAMU agora,
07:40que ficou um tempão sem ter reposição de ambulância,
07:43o presidente Lula comprou as ambulâncias
07:44e foram disciplinas de mais de 2.100.
07:46Vamos entregar mais 2.000
07:48até o final do ano que vem.
07:50Então, você tem uma estrutura enorme,
07:52porque é muita gente para ser atendida.
07:54E quando eu sempre defendo os recursos da saúde,
07:57não só pela importância
07:59de cuidar das pessoas,
08:01ainda é subfinanciado,
08:03mas porque saúde também é desenvolvimento.
08:06Saúde faz a economia girar.
08:08Uma coisa muito direta,
08:11que são os equipamentos que a gente compra,
08:13as vacinas que a gente produz aqui.
08:15Eu fui lá para a China,
08:16junto com o presidente Lula,
08:17e a gente fez um acordo
08:18de trazer produção de equipamentos aqui para o Brasil,
08:21vacinas, medicamentos,
08:23que vão gerar emprego e renda aqui no Brasil.
08:25Tecnologia, emprego e renda.
08:28Esse é um impacto direto na economia.
08:33Além disso, tem um impacto indireto.
08:34Eu sempre falo uma coisa,
08:36eu fui secretário de saúde,
08:38gestão municipal,
08:40fui, tanto em São Paulo,
08:41eu fui coordenar um núcleo de medicina tropical da USP,
08:44lá no meio da região amazônica,
08:46vivi 6, 7 anos lá na região amazônica.
08:49Toda vez que surge um hospital,
08:51em torno dele surge um comércio,
08:53surge restaurante,
08:56ou seja, gira a economia.
08:58Não à toa,
08:59não à toa,
09:00a saúde mobiliza de 8% a 9% do PIB brasileiro.
09:04Então,
09:05o investimento na saúde também gera renda,
09:08emprego, desenvolvimento,
09:10atividade econômica,
09:11ainda mais um setor que mexe com tecnologia,
09:15com conhecimento,
09:16com incorporação tecnológica o tempo todo,
09:18com aquilo que é mais importante hoje
09:21no dinamismo das economias do mundo.
09:23Então,
09:24o Brasil tem que continuar investindo
09:26e a gente tem uma oportunidade única,
09:27viu, Vila,
09:28nesse momento.
09:29Porque,
09:30o que aconteceu pós-pandemia?
09:33Os países todos
09:34estão tentando se reorganizar
09:37as suas cadeias globais de produção na saúde,
09:40porque ninguém quer ficar dependente mais
09:41da China, da Índia,
09:43todo mundo viveu aquilo na pandemia.
09:45o desespero de não ter medicamento,
09:48de não ter luva,
09:48tudo.
09:49Então,
09:49o Brasil tem a oportunidade de...
09:50Não tinha nem máscara, né?
09:51Não tinha máscara.
09:52O Brasil tem essa oportunidade
09:53de aproveitar essa reorganização
09:55e ocupar um espaço nisso, né?
09:58A produção de vacina,
10:00de medicamentos,
10:01de insumos para a saúde,
10:03equipamentos.
10:04Como que a gente pode fazer isso?
10:05Fazendo parcerias com o mundo.
10:07A gente vai assumir a presidência
10:08do Mercosul agora.
10:10Então,
10:11para mim,
10:11o objeto central
10:12da nossa presidência do Brasil
10:14na saúde do Mercosul
10:15é fazer avançar o acordo
10:17Mercosul
10:18e União Europeia
10:19na saúde.
10:21Atrair investidores europeus
10:22que estão preocupados
10:24com o que o Trump
10:25está fazendo nos Estados Unidos
10:25em relação à saúde,
10:26porque está cortando investimento,
10:28cortando investimento
10:29para pesquisa,
10:30cortando investimento
10:31de produção
10:31de vacina,
10:33e estão procurando
10:34um país para investir.
10:35A gente vai querer atrair
10:36uma parte
10:36desses investimentos
10:37para cá,
10:38na indústria europeia.
10:40A gente está fazendo
10:40uma coisa muito importante
10:42que é regulamentar
10:43um novo marco
10:44de pesquisa clínica,
10:46permitir que essas empresas
10:47possam investir no Brasil,
10:49porque o Brasil
10:50é um campo de inovação,
10:51de pesquisa,
10:52isso também facilita
10:53o acesso desses medicamentos
10:55à população brasileira.
10:57A gente tem uma grande oportunidade
10:58que a gente não pode perder
10:59nesse momento
11:00de fazer com que a saúde
11:01também mobilize
11:02o desenvolvimento econômico
11:03no nosso país.
11:05Agora,
11:06é...
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