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Transcrição
00:00Olá, estamos começando mais uma edição do Só Vale a Verdade.
00:12Hoje recebendo um grande professor que fez trabalhos importantíssimos
00:16da reflexão sobre a sociologia política no Brasil, o professor Bolívar Lamonnier.
00:22E como nós sempre dissemos ao início do programa,
00:24professor, nós começamos assim, o Só Vale a Verdade.
00:27A partir de agora, eu pergunto ao senhor, professor,
00:32eu acompanho toda a sua produção acadêmica, leio isso há muito,
00:36desde quando, antes de eu fazer História, eu fiz Economia,
00:38depois deixei, no último ano fui fazer História, fiquei só com a História,
00:43e li muito, grandes partes da sua produção acadêmica,
00:46e acompanho todo o seu debate através dos meios de comunicação, os jornais.
00:51O que o senhor acha desse momento que nós estamos vivendo,
00:53desse momento do governo Lula 13, esse primeiro semestre,
00:57que já se fundou, já passamos, já entramos na parte final já do governo.
01:03É possível afirmar que esse é um dos momentos mais difíceis da República Brasileira,
01:09ao menos a partir da promulgação da carta de 5 de outubro de 88,
01:13e eu falo mais difícil em termos políticos.
01:16Eu quero ouvir, primeiro, agradeço o convite.
01:19Eu acho, eu seria um pouco mais duro, não é?
01:24Para mim o Brasil está afundando, não enxerga quem nunca veja, entende?
01:29Há uma desordem generalizada na política, na sociedade, por toda parte, não é?
01:35Então, eu chego a ter a impressão que nós perdemos um pouco da nossa identidade como país,
01:47a questão da violência que se alastrou.
01:53Em 1970, mais ou menos, eu morava no Rio de Janeiro, e tinha lá uma namorada.
02:04E nós íamos à sessão das 10, no cinema, esqueci o nome do cinema,
02:13era logo ali um cinema velho, desconfortável,
02:17que passava aqueles filmes chatíssimos da Nouvelle Wagensen.
02:22E, à meia-noite, nós saímos, comíamos uma pizza na esquina
02:28e caminhávamos lentamente, tranquilamente,
02:33por Copacabana até onde nós morávamos, a pé.
02:38Até ali, eu não me lembro de nenhum problema de violência no Brasil,
02:43na escala atual, é inacreditável.
02:48Então, você veja, isso é um exemplo,
02:50mas eu pude dar um exemplo em qualquer lugar.
02:52Eu podia falar dos poderes, eu podia falar dos juízes,
02:56não tem nenhum setor, até onde eu possa ver,
03:00talvez pequenos setores,
03:02que se comportam como gente, como cidadão, como brasileiro,
03:07como gente que se leva a sério.
03:09Parece que todo mundo resolveu deixar cair mesmo.
03:13Você veja bem, nós sempre ouvimos, não é?
03:17Nós que estudamos ciências humanas,
03:20nós sempre ouvimos que é impossível uma democracia
03:24funcionar sem bons partidos políticos.
03:28Eu tenho dito e repetido que o Brasil nunca teve,
03:33e não tem, e não sei se vai ter bons partidos políticos.
03:36O que nós temos é uma coisa chamada centrão,
03:40que é uma grande ameba,
03:42uma mistura, uma maçaroca,
03:45que fica ali, evidentemente,
03:47com a exclusiva intenção de assaltar o erário.
03:52Vamos dar, pedir perdão às exceções de praxe.
03:59Não estou dizendo que todo mundo lá é desonesto.
04:02Mas que a maioria se elege para arranjar um pedaço do erário,
04:09isso eu não tenho dúvida.
04:11É evidentemente assim.
04:13E tem sido assim.
04:14E como é que você vai organizar este país?
04:17Como é que você vai recuperar a vontade de crescer,
04:21de se educar, de ser um país,
04:24não uma potência, mas um país razoável?
04:27Como é que você vai fazer isso
04:29sem lideranças e sem organizações sérias?
04:34Eu acho que não é possível.
04:36Então, a minha tese, respondendo a sua pergunta,
04:40é que nós estamos estagnados
04:42e, quiçá, retrogredindo.
04:45Na vida cotidiana,
04:50as pessoas raramente se lembram
04:53de que certos países retrogrediram seriamente.
05:00O exemplo da Argentina quase nunca ia lembrar.
05:03A Argentina foi um dos países mais ricos do mundo.
05:06Chegou a ter uma renda per capita mais alta
05:08do que a da Alemanha.
05:10E regrediu a ponto de ser o que é hoje.
05:14Quer dizer, somos nós um pouco mais desorganizado.
05:19Talvez, por ser um país menor,
05:22ele vive desorganizado e tal.
05:26Com recursos naturais inacreditáveis.
05:29Tanto na agricultura, na pecuária, no petróleo.
05:33Recursos na energia elétrica.
05:36Recursos naturais inacreditáveis.
05:38E não se arruma, não se arruma.
05:42Quer dizer, então, há países que retrogridem
05:46de maneira abrupta, violenta.
05:49E fica inviável.
05:51A Argentina é um país quase inviável.
05:54Nós estamos chegando lá.
05:56E as pessoas não se dão conta disso.
05:59E por quê?
06:00Por que chegamos a essa situação, professor?
06:03Nós não éramos assim há algumas décadas atrás.
06:08O que aconteceu?
06:09Em que momento nós perdemos o bom caminho?
06:11Tá bom.
06:11Eu citaria duas razões.
06:15Uma, eu sou obrigado a personalizar um pouco,
06:18contra a minha vontade.
06:20A outra, não é questão de personalizar, não.
06:22O Lula pegou o Brasil arrumado.
06:25Depois do Fernando Henrique,
06:27uma inflação que caminhava para a hiperinflação,
06:30tinha sido domada.
06:32Uma equipe brilhante tinha arrumado o governo.
06:36Mas o Lula começou a chamar aqui de herança maldita.
06:40Ele teve um breve período de sucesso,
06:42que foi quando a China comprava qualquer coisa
06:46que nós quiséssemos vender para ela.
06:49Mas depois, não.
06:51Ele chegou ao disparate.
06:54O Lula, que me desculpe,
06:55não é falta de respeito,
06:56mas é um assunto público, né?
06:58Ele chegou ao disparate
07:00de colocar a senhora Dilma lá na cadeira,
07:04guardando o lugar para ele voltar quatro anos depois.
07:08Ela descumpriu o trato,
07:11ficou mais um pouco,
07:12aí nós afundamos para valer, né?
07:14O produto doméstico brasileiro
07:18regrediu 10% naquele período
07:21e uma crise política que aí se instalou.
07:24Então, eu acho que isso aí
07:26não é qualquer país que aguenta
07:28uma crise desse tamanho, não.
07:30É uma coisa séria mesmo.
07:31Agora, há uma razão muito mais importante,
07:34que é a seguinte.
07:37Nós não vamos sair do lugar
07:40e engrenar no rumo do desenvolvimento
07:45enquanto nós não fizermos a ascensão social
07:51e, principalmente, educacional
07:53de uma porção enorme da população, né?
07:57Nós podemos afirmar,
07:59sem medo de errar,
08:01que pelo menos 30% dos mais pobres
08:04comem lixo, né?
08:06Vivem de comer lixo.
08:07Eles não têm o que comer.
08:09Eles são analfabetos
08:10e não têm alimentação adequada
08:12e morrem cedo.
08:15Daí para cima,
08:16você tem o que se chama classe média.
08:18A classe média baixa é baixa, né?
08:23É também pouco escolarizada,
08:25não contribui, não participa.
08:28Então, aí nós estamos falando
08:29de mais uns 30% ou 40%.
08:32Depois, nós temos a classe média alta.
08:34Essa é que me provoca
08:36uma certa antipatia,
08:39uma certa ira.
08:40Ela, se participasse mais da vida pública,
08:45se levasse as coisas a sério,
08:48se buscasse informações
08:50sobre o que acontece,
08:53se participasse, se interviesse,
08:56já era um grande salto, né?
08:58Mas aí tem uns 30% ou 40% da população
09:00que apenas quer um emprego estável,
09:05receber no fim do mês o salário,
09:07bater o ponto às seis da tarde
09:09e correr para casa para ver a novela.
09:12Essa é a verdade, né?
09:13A nossa classe média,
09:15comparando...
09:17Olha, eu fui muitas vezes à África do Sul,
09:20mesmo no tempo da segregação brava,
09:24é gente muito mais séria do que nós,
09:26do ponto de vista político, entende?
09:28E do ponto de vista social, não,
09:32porque 100 anos de segregação
09:34não há como crescer do ponto de vista econômico.
09:38Mas eu acho que do ponto de vista político
09:40é gente muito mais séria do que nós.
09:42Então, nós tínhamos desculpa
09:44até interrompê-lo, professor.
09:45De um lado, o senhor aponta
09:47a questão da ascensão do Lula em 2003,
09:51vence a eleição em 2002,
09:52assume a primeira de janeiro de 2003,
09:55imputa aos oito anos do governo Fernando Henrique,
09:57que o senhor expôs,
09:59que coordenou a estrutura,
10:01o Brasil vencia,
10:02nós tínhamos uma inflação nova,
10:04lembrar quem nos acompanha,
10:05os mais jovens,
10:06de quatro dígitos.
10:07Chegamos a 2.500% de inflação.
10:10Entrega o governo,
10:11a inflação estava em um dígito, né?
10:13E aí, o senhor fala,
10:14olha, a gestão Lula 1, Lula 2,
10:17e depois a eleição em 2010 da Dilma,
10:19seria um dos fatores que o Brasil perdeu o bom caminho.
10:22O segundo, a segunda razão,
10:24o senhor falou,
10:25não vou nominar a segunda razão,
10:27é mais uma questão,
10:28creio que estrutural.
10:29Estrutura social.
10:30Seria essa questão de,
10:32de o descompromisso,
10:33de frações das classes médias,
10:35e da, vamos chamar,
10:36numa linguagem mais vulgar,
10:38da classe alta,
10:38dos mais poderosos,
10:40tal,
10:40o descompromisso que eles têm com a coisa pública.
10:43O descompromisso,
10:44e também a quantidade, né?
10:46Porque a nossa desigualdade é a maior do mundo.
10:48Então, você fala assim,
10:51os 30% inferiores praticamente não fazem parte do país,
10:57entende?
10:58São tão pobres,
11:00tão desprovidos de educação,
11:04não sabem o que vão comer amanhã de manhã.
11:08Quer dizer,
11:08é difícil um país que tem 30% nessa situação
11:12se manter íntegro, não é?
11:14E sustentar o crescimento.
11:16Nós temos,
11:17e eu acho que há caminhos para isso,
11:19não é impossível,
11:20fazer uma mobilidade social ascendente
11:24num prazo mais rápido possível.
11:27E, dentro desse processo,
11:30fazer com que essas pessoas
11:32tivessem mais compromisso com a sociedade
11:34e também cobrassem mais
11:37o que lhes é devido, né?
11:39Porque eles também pagam impostos.
11:41Então, aí tem um longo caminho,
11:46um assunto imenso
11:48que os cientistas sociais discutem,
11:51mas não são muito ouvidos.
11:55O que nós chamaríamos de elite econômica no Brasil
11:58é uma coisa que, eu diria, misteriosa.
12:02Sabe,
12:02os três ou quatro pessoas mais ricas do Brasil
12:07detêm quase metade.
12:11da renda e da riqueza.
12:13E se lixando, né?
12:15Andando por aí.
12:17O nosso empresariado é triste, né?
12:20Os pequenos,
12:21que mal conseguem deixar,
12:24manter a porta aberta em sua lojinha,
12:27são heróis.
12:28Agora, os grandes empresários
12:30fazem quase nada pelo Brasil.
12:33Então, eu acho que nós temos que fazer uma...
12:35Nós temos que sacudir um pouco o país, sabe?
12:38Dessa jeito, é impossível.
12:40Até aqui, o leitor...
12:42Perdão, o ouvinte,
12:44que é também um leitor,
12:45certamente deve estar pensando
12:47que eu estou falando só das capitais.
12:50Não.
12:50O Brasil, se você anda por aí,
12:53é um lugar maravilhoso.
12:55Tem pequenas cidades,
12:56confortáveis, maravilhosas,
12:58mas lá não tem um centro cultural...
13:02Raramente tem um pequeno espaço
13:06para os meninos ouvirem música
13:09ou aprender a tocar alguma coisa na infância.
13:12Existem, mas são uma minoria.
13:15O Brasil tem 5.700 municípios,
13:19poucos oferecem à população pobre ou média
13:24o que deveria ser oferecido a curto prazo, certo?
13:31O sujeito, quando se elege prefeito,
13:33já tinha que ter isso na cabeça.
13:35Eu vou aumentar o nível de vida,
13:38a qualidade de vida dessa gente
13:41e, com isso, eu vou melhorar
13:42a qualidade de vida da cidade,
13:44o valor da cidade.
13:45E essa mania de sair todo mundo do interior
13:48e ir para Copacabana, para São Paulo,
13:52diminuiria também.
13:54Porque até quando São Paulo vai crescer
13:55dessa maneira, recebendo gente do Brasil interior?
13:59É, obviamente, impossível.
14:01Este ano foram construídos em São Paulo
14:03121 prédios altos.
14:07Não cabe, né?
14:09Tem uma hora que não tem jeito.
14:11Nós temos que repensar o país
14:13geograficamente, socialmente
14:16e, obviamente, politicamente, né?
14:19O senhor falou do repensar o país.
14:21Acho essa uma questão chave.
14:23Aí o senhor fez referência
14:24à questão da elite brasileira.
14:26Em certo momento da história,
14:27do século XX brasileiro,
14:29eu não sei se é um exagero,
14:31mas nós tínhamos uma elite econômica,
14:33política, comprometida com o país.
14:34Por exemplo, vamos pegar um industrial,
14:37o senhor estava falando de empresário,
14:38vamos pegar o Roberto Simos.
14:39Alguém que tem um extremo compromisso com o país,
14:41que pensou até historicamente,
14:43escreveu até sobre história.
14:45E por aí foi.
14:46O que aconteceu?
14:47Em que momento será?
14:48Eu sei que é complexo isso.
14:51Em que essa elite passou a ter um comportamento,
14:54não sei se eu estou correto,
14:56é uma pergunta,
14:56é uma indagação que eu estou fazendo agora
14:58com base nas questões que o senhor falou,
15:00que lembra um pouco um personagem lá
15:01do primo Basílio,
15:02do Wesley Queiroz,
15:03o Visconde Reinaldo,
15:05que saía de Paris e ia a Lisboa,
15:07chegava de óculos escuros
15:08porque odiava Portugal,
15:09pedia sempre um novo terremoto em Lisboa,
15:12tudo era ruim em Portugal
15:13e voltava para Paris.
15:14só que ele vivia em Paris muito bem,
15:17graças aos recursos provenientes de Portugal.
15:21Quer dizer, então havia um absoluto descumprimento dele
15:23com a vida em Portugal,
15:25e ficava muito bem lá em Paris.
15:28Em que momento essa elite,
15:30porque eu pego um trecho do que o senhor falou,
15:32ela se descola do destino do país
15:34e opta, por exemplo, por morar nos Estados Unidos
15:37ou morar na Europa,
15:38e não tem mais aquele compromisso de pertencimento,
15:41nessa noção de que todos nós fazemos parte desse país.
15:45Desde o rico, o mais rico,
15:47o rico mais menos,
15:48até o pobre, o super pobre.
15:50Quando, em que momento nós perdemos isso?
15:52Olha, Vila, eu aqui tenho
15:54pegando o seu gancho
15:58e lembrar a grande figura
16:01que foi o Roberto Simonsen,
16:05mas eu tenho que fazer uma crítica a ele também.
16:08Ele queria manter um crescimento acelerado no Brasil,
16:14a industrialização do Brasil,
16:17mas ele se esqueceu de fazer uma conta muito simples.
16:22O Brasil sempre quis crescer com o capital estatal.
16:27Mercado era uma palavra,
16:29era um palavrão.
16:31Queria crescer com o capital estatal.
16:34Pois bem, acontece que nós estamos dizendo até hoje
16:37que as contas do orçamento mal fecham.
16:40Quer dizer, para dizer,
16:41essa é a arrecadação,
16:44esse é o gasto.
16:45Até hoje, nós temos dificuldade
16:48em fazer essa operação tão simples.
16:50Agora, me explique como é que um país
16:52pode crescer até chegar a ser um país decente,
16:58uma potênciazinha respeitável,
17:01se ele insiste em usar só capital estatal e tecnocratas
17:05e não abre para o capital estrangeiro
17:11e usa mais o capital brasileiro.
17:14Isso é pão, pão, queijo, queijo.
17:17O Edmar Baixo, nosso grande professor de economia,
17:20o pai do real,
17:22tem um estudo maravilhoso
17:23em que ele mostra que os países
17:27que desde a Segunda Guerra
17:29conseguiram pular do atraso completo
17:33para o nível de países desenvolvidos,
17:36vamos dizer, uma Coreia do Sul, por exemplo,
17:37Austrália,
17:39esses países abriram a economia.
17:42Quer dizer, passaram a vender mais
17:44e a comprar mais.
17:46Se você não compra, você não vende.
17:48Isso é uma economia fechada.
17:50Nós sempre quisemos ter uma economia fechada.
17:53Mas se você não abre,
17:55se você não compra,
17:57você também não vende.
17:58E com isso você fica uma economia nacionalista,
18:02esperando que o setor público
18:05tenha um superávit capaz de ser transformado
18:08em investimento para que a indústria cresça.
18:13Muito bem.
18:14E suposto, veja bem,
18:16a indústria brasileira
18:17chegou a representar 27% do produto total.
18:23Hoje representa 11%.
18:24Então, esses nomes são aterradores.
18:29Por que aconteceu isso?
18:30Porque só com superávit público que não existe,
18:35você não pode crescer.
18:37Então, as figuras, as lideranças são admiráveis.
18:42Mas se você não cair na real
18:44de que o Brasil não pode manter
18:47um setor estatal do tamanho que tem,
18:51é impossível.
18:52Gostando ou não do palavrão liberal,
18:56é preciso privatizar
18:58e criar um mercado mais pujante.
19:01Sem isso é impossível.
19:03É simplesmente impossível.
19:06E nós já deveríamos estar fazendo isso
19:08como consequência
19:11do plano real do Fernando Henrique
19:14quando estabilizou a economia
19:15e a inflação deixou de nos atormentar.
19:18Nós já devíamos ter engrenado
19:20uma terceira num programa
19:22de reestruturação
19:24da relação entre o Estado e o setor privado,
19:27dando mais espaço
19:29para o setor privado,
19:31atrapalhando menos
19:33e dando mais incentivos
19:35a uma estrutura tributária mais correta,
19:38adequada, etc.
19:39Se tivéssemos feito isso há 20 e 2 anos atrás,
19:45quando o Lula assumiu,
19:48nós já estaríamos
19:49em outro patamar,
19:52sem a menor dúvida.
19:53Do jeito que está,
19:55quer dizer,
19:55o Lula não passa um dia
19:56sem xingar o setor privado,
19:58nós não vamos dar lugar nenhum.
20:00Nós vamos ficar nesse lugar.
20:02Nós estamos crescendo
20:03em média,
20:05vamos dizer,
20:062,5%,
20:07máximo 3%,
20:092,5% ao ano
20:10o produto.
20:12Bom,
20:13crescendo nesse ritmo,
20:15nós vamos levar
20:16uma geração inteira,
20:18quase 30 anos,
20:21para dobrar
20:23esse PIB per capita,
20:25o que já é uma mediocridade.
20:27O que já é uma mediocridade.
20:29Eu estou falando
20:30de uma geração inteira.
20:32Nós estamos tendo
20:34essa crise agora,
20:35que é meramente orçamentária,
20:38é briga de congresso,
20:39mas daqui a 15 anos
20:41nós vamos ter
20:41uma muito mais grave,
20:43porque nós não estamos
20:44criando um mercado privado,
20:49investidores privados,
20:50que tragam tecnologia,
20:53entende que sejam,
20:54de fato,
20:55empreendedores,
20:56a gente que quer ver
20:58o país crescer rapidamente.
21:00A razão é essa,
21:01não há outra.
21:03Eu me lembrei também
21:04da uma música
21:05do Chico Buarque,
21:08Carolina.
21:09Carolina,
21:10o tempo passou na janela
21:13e só Carolina
21:14não viu, né?
21:15Então,
21:16nós não vimos.
21:17Nós não vimos.
21:18Agora, professor,
21:19nós estamos
21:20tomando uma encalacrada,
21:21numa linguagem
21:21mais popular.
21:23De um lado,
21:23nós temos uma elite
21:24que não consegue ser elite,
21:25no sentido de ser elite
21:26e dirigente.
21:27os partidos políticos
21:28não conseguem se construir
21:30ideologicamente
21:30como partidos políticos.
21:31São ajuntamentos,
21:33numa linguagem mais vulgar.
21:34Não são partidos
21:35no sentido clássico
21:36daquilo que nós aprendemos.
21:38Nós temos uma parte
21:40do eleitorado,
21:40o senhor mesmo apontou,
21:42que vive uma situação
21:43econômica gravíssima,
21:45que luta pela sobrevivência,
21:47luta pela alimentação
21:48do amanhã.
21:49E olha lá
21:49se vai conseguir.
21:51Numa escolaridade
21:52muito baixa,
21:53que leva
21:55uma baixíssima qualificação
21:56da força de trabalho,
21:57no momento que o mundo
21:58passa pelas mais radicais
22:00transformações
22:01do mundo do trabalho
22:01da história,
22:02no menor espaço
22:03de tempo.
22:04Bem,
22:04como é que nós ficamos,
22:05então?
22:06Olha,
22:06eu acho que há vários caminhos,
22:08mas o meu predileto
22:10é o seguinte,
22:11em vez de política
22:13ser um palavrão,
22:14vamos tornar
22:14uma palavra séria.
22:16Eu estou começando
22:17uma espécie
22:18de uma pequena escola
22:19para discutir,
22:23ensinar mesmo,
22:24ensinar,
22:25eu vou perder um pouco
22:26aqui a modéstia,
22:28política,
22:29discutir política séria.
22:30É claro que as universidades
22:32fazem isso muito bem
22:33do ponto de vista curricular,
22:35você tem que começar
22:36em algum lugar,
22:37então as universidades
22:39começam,
22:40Aristóteles,
22:40Platão, etc.,
22:42ensinam a fazer pesquisa,
22:44ensinam a fazer pesquisa
22:45de opinião,
22:46tudo bem,
22:46isso é necessário
22:47e as universidades
22:49fazem isso muito bem,
22:50mas eu estou falando
22:51uma coisa muito mais séria.
22:52O que é política?
22:55Por que que nós
22:56nos encalacramos
22:58dessa maneira?
22:59Nós temos que ir fundo
23:01na questão,
23:01quer dizer,
23:02cada cidadão
23:04razoavelmente
23:05alfabetizado,
23:08vamos dizer,
23:09metade do bacharelado
23:11na universidade,
23:12após graduação
23:13e os profissionais
23:15já estabelecidos,
23:17mas que já esqueceram
23:19grande parte
23:20do que aprenderam.
23:22Só para te dar um exemplo,
23:24é uma conta
23:25muito interessante
23:27que eu gosto de fazer,
23:28você se lembra
23:29daqueles quatro anos
23:31fatídicos
23:32quando os militares
23:34queriam vetar
23:35a posse do Jango?
23:38Sim.
23:38Não é?
23:38tentaram,
23:40aí ficou
23:41vai ou não vai.
23:44Só para lembrar
23:45quem nos acompanha,
23:46foi em 1961.
23:48Ah, 64.
23:49É,
23:50foi a crise
23:50que de renúncia
23:51de 25 de agosto
23:52do presidente
23:53Jânio Quadros,
23:54o vice-presidente,
23:56ele estava no exterior
23:56numa viagem oficial.
23:58legitimamente eleito,
24:00embora não
24:01pertencesse a uma
24:02mesma chapa,
24:04porque assim
24:04era a Constituição.
24:05Lembrar quem nos acompanha,
24:06foi a característica
24:07da Constituição de 46,
24:09você votava
24:10para prefeito
24:11e para vice,
24:13separado,
24:13não tinha chapa,
24:14governador e vice,
24:16presidente e vice,
24:17porque na composição
24:18do presidente
24:20João Goulart,
24:21candidato a vice
24:21pela segunda vez,
24:22tinha sido vice
24:23de Juscelino Kubitschek,
24:24era o Marechal Lotte,
24:26era o candado,
24:27então só lembrar,
24:28e aí começamos
24:28uma grave crise
24:29que foi até
24:31o final de março,
24:32abril de 1964,
24:33uma crise política gravíssima.
24:35Que quase nos levou
24:35a uma guerra civil.
24:36Perfeito.
24:37Veja,
24:38então,
24:38quando o Jango,
24:40que era o vice
24:41legitimamente eleito
24:43dentro das regras
24:44da época,
24:45que não o obrigavam
24:47a estar no partido
24:48do presidente eleito,
24:50ele estava em viagem
24:51oficial à China.
24:53Quando o Jânio
24:54renunciou,
24:57imaginando que o povo
24:58ia levá-lo de volta
24:59nos ombros ao palácio,
25:01os militares,
25:03então,
25:03os três comandos militares,
25:05disseram,
25:06ele será preso
25:07no momento
25:08em que pisar
25:09no solo brasileiro.
25:10Bom,
25:11nós estamos falando
25:11uma coisa séria,
25:12né?
25:13Muito séria.
25:15Então,
25:16conversa para lá,
25:17conversa para cá,
25:18mesmo os militares,
25:21embora percebendo
25:24que aquilo podia nos levar
25:26a uma guerra civil
25:26muito séria.
25:28O Brizola,
25:28lá no Rio Grande do Sul,
25:30levantou a brigada militar
25:31do Rio Grande do Sul,
25:32que era muito forte.
25:34Então,
25:35aquilo foi indo
25:36e o Jango
25:38não tinha como
25:38assumir o poder
25:40e finalmente
25:42o Jango
25:43aceitou
25:44assumir
25:45numa fórmula
25:47supostamente
25:48parlamentarista,
25:49que de parlamentarismo
25:50não tinha nada,
25:51só para assumir.
25:53Agora,
25:53até a pedra
25:54da minha rua
25:55sabe
25:55que o Jango
25:57assumiu
25:57
25:58com o plano
25:59de no dia seguinte
26:01começar a sabotar
26:02o sistema
26:03para
26:04uma hora
26:05qualquer
26:06antecipar
26:07o plebiscito
26:08previsto
26:09para 1965
26:11e aí então
26:13assumir
26:13a presidência
26:14na plenitude
26:16dos poderes.
26:17Bem,
26:17você está falando
26:18de um momento
26:19absolutamente
26:21crucial
26:21na história
26:22do Brasil.
26:24Eu vou concluir
26:24a minha
26:26peroração.
26:28Uma pessoa
26:29que naquela época
26:30tivesse
26:31uma pessoa
26:33que tenha
26:33hoje 30 anos
26:34não sabe
26:36desses acontecimentos.
26:37Não era nascida ainda.
26:39não era nascida.
26:40O que tinha
26:4180 anos
26:42sabe,
26:44mas já esqueceu
26:45o que foi,
26:46quem falou,
26:48sabe por que
26:48que deu aquela
26:49confusão toda,
26:50por que
26:50que não foram
26:52no feijão
26:55com arroz,
26:55como diz o Maílson,
26:56cumprem o que está
26:57escrito,
26:58como no Jogo do Bicho,
26:59cumprem o que está
27:00escrito,
27:01põe o sujeito
27:02da presidência
27:03e estamos conversados.
27:05Aquilo não teria
27:05acontecido.
27:06o resultado
27:07daquilo
27:07foi uma
27:08quase
27:08guerra civil,
27:10entende?
27:11E no final
27:12do período
27:12Jango,
27:14uma inflação
27:14de 80%
27:16ao mês,
27:18sem correção
27:19monetária,
27:20coisa que é
27:21impensável,
27:22né?
27:22Ou seja,
27:23foi um trauma
27:24terrível
27:25que as pessoas
27:26no Brasil
27:27desconhecem,
27:28porque os muito
27:28jovens
27:29não sabem,
27:30os muito velhos
27:31já se esqueceram.
27:32Então,
27:33quando eu falo
27:33eu quero
27:34ensinar,
27:37eu quero,
27:37na verdade,
27:38lembrar
27:38as pessoas
27:39coisas que elas
27:40de fato sabem,
27:42mas precisam
27:43ter aquecida
27:44a memória
27:45para que elas
27:46vejam
27:47que uma crise
27:48política,
27:50uma pancadaria,
27:51uma guerra
27:52em alguma
27:52região,
27:54acontece muito
27:55mais facilmente
27:56do que elas
27:57imaginam.
27:58E nessa
27:59situação,
28:00então,
28:00professor,
28:00que a gente
28:02está passando
28:02agora,
28:03conflitos
28:03constantes
28:04entre os
28:05três poderes,
28:06né?
28:07Há uma disputa
28:07o executivo
28:09legislativo
28:10e aí
28:11os dois
28:12acabam
28:12um ou outro
28:13demandando
28:14o Supremo
28:14Tribunal Federal.
28:15Lembrando a quem
28:16nos acompanha
28:17que o poder
28:18judiciário
28:18ele é inerte,
28:19ele só age
28:20quando demandado
28:20ou quando
28:21provocado,
28:21se assim preferir,
28:23no sentido jurídico.
28:24E nós vivemos
28:25crises constantes
28:26nos últimos
28:26anos,
28:27o Supremo
28:28Tribunal Federal
28:28agindo porque
28:30é demandado,
28:31aí é acusado
28:32de estar
28:32judicializando
28:33a política
28:34ou legislando
28:35em nome
28:35do legislativo.
28:36E o legislativo
28:37deixa de legislar
28:39inclusive matérias
28:40constitucionais
28:41que vem de
28:411988,
28:43que está
28:43sendo legislado
28:44há um tempão.
28:44E o executivo,
28:46muitas vezes,
28:46através da medida
28:47provisória,
28:48acaba também
28:49legislando
28:50o que seria
28:51a tarefa
28:51do legislativo.
28:52O legislativo
28:52quer ver a execução
28:54das emendas
28:55parlamentares,
28:56que é a tarefa
28:57do executivo
28:58à execução.
28:58bem,
28:59em suma,
29:00vivemos
29:01um carnaval,
29:03como se dizia
29:03antigamente,
29:04uma confusão
29:05entre os poderes.
29:06Como é que nós
29:06vamos pôr ordem
29:07nesses poderes?
29:08É uma nova
29:08Assembleia Constituinte?
29:10É as pessoas
29:10terem bom senso?
29:12Como que nós
29:12podemos resolver
29:13essa questão?
29:14Essa é a questão.
29:16O Supremo
29:18Tribunal Federal
29:19muitas vezes
29:21faz coisas
29:21que eu não gosto,
29:22mas
29:22o Supremo
29:23muitos membros
29:26dele
29:27foram nomeados
29:28pelos últimos
29:29presidentes,
29:30ali tem problemas,
29:32mas lá
29:33nós não podemos
29:34mexer,
29:34é o sagrado.
29:38Agora,
29:38veja bem,
29:42é como eu tenho
29:43dito
29:43desde
29:44as cavernas,
29:47os partidos
29:50políticos
29:50confiáveis
29:52são uma peça-chave
29:54de qualquer democracia.
29:57Os nossos
29:57não eram
29:58grande coisa
29:59antes de 64,
30:01mas
30:01bem ou mal
30:02estavam evoluindo.
30:05Depois
30:05do período
30:06militar
30:07em que se abriu
30:08a porteira,
30:09a boiada
30:09passou.
30:10Então,
30:11nós passamos
30:11a ter
30:12micropartidos,
30:14micropartidos
30:16com lideranças
30:17inexpressivas.
30:19Na verdade,
30:20o sujeito
30:20para conseguir
30:21ser candidato
30:23tem que pedir
30:24a benção
30:24do chefão,
30:26do oligarca
30:27que manda
30:28no partido
30:28e aí nós chegamos,
30:31se não me engano,
30:31agora a 25 partidos
30:33e tem mais uns 10
30:35na fila.
30:36Se as coisas
30:37conseguirem
30:37prosseguirem
30:39assim,
30:40nós vamos chegar
30:40a 100 partidos
30:41um dia desse.
30:43A verdade,
30:44eu entendo
30:45por partido
30:46uma organização
30:48com amplitude
30:50e força
30:51suficiente
30:52para enfrentar
30:54os interesses
30:55corporativos,
30:57quer dizer,
30:58os grupinhos
30:59que se inserem
31:00na administração
31:02pública
31:02e metem
31:03a mão
31:05em tudo
31:06e não cumprem
31:07nada
31:07e etc.
31:09Um partido
31:10que é menor
31:11do que um grupo
31:12corporativo
31:13não é um partido.
31:14então nós temos
31:16que começar
31:17como é que nós
31:19vamos fazer isso?
31:20No momento
31:20eu não vejo
31:21como
31:21porque nós
31:22temos também
31:23uma constituição
31:25que é
31:26o samba
31:27do crioulo
31:27doido
31:28como dizia
31:29o Stanislau
31:29Ponte Preta.
31:32Primeiro,
31:33ela tem
31:33essa coisa
31:34extraordinária
31:35que é
31:35o passado
31:36bem julgado.
31:38O sujeito
31:38se for
31:39medianamente
31:41rico
31:41ele não
31:43precisa fazer
31:43nada
31:44
31:44contrata
31:44um advogado
31:45espera o tempo
31:46passar
31:47a acusação
31:50prescreve
31:51e ele se
31:52livra
31:52da acusação
31:54em vez de
31:54cumprir
31:55a sentença
31:56logo
31:57foi acusado
31:57condenado
31:59cadeia
32:00aí nós
32:01já temos
32:01uma bobagem
32:02colossal
32:03nós temos
32:04os correios
32:05falidos
32:06há muito
32:07tempo
32:08mas a
32:09constituição
32:10proíbe
32:10que ele seja
32:11privatizado
32:12então
32:13é claro
32:14que nós
32:14estamos
32:15no angu
32:16no beco
32:17sem saída
32:18então
32:19nós temos
32:20que
32:20este ano
32:21a partir
32:22de agora
32:23passar
32:25por cima
32:26no bom
32:26sentido
32:27dessas
32:28loucuras
32:28todas
32:29que foram
32:30esculpidas
32:32na constituição
32:33e temos
32:34que fazer
32:34uma eleição
32:35muito mais
32:37com muito mais
32:38qualidade
32:38do que nós
32:40temos feito
32:41nós temos
32:41que ter
32:41consciência
32:42desses problemas
32:43porque
32:44convocar
32:45outra
32:46constituição
32:46fazer
32:48uma nova
32:49constituição
32:49teria que
32:50convocar
32:50uma nova
32:52constituição
32:52e ninguém
32:53garante
32:53que ela vai ser
32:54melhor do que
32:54atual
32:55então
32:56nós temos
32:57que mudar
32:57os atores
33:02do drama
33:03os dramátis
33:05personae
33:06os que já
33:09tem condições
33:09de agir
33:10nós temos
33:11que começar
33:12com toda
33:13seriedade
33:13uma convocação
33:15em alto
33:16e bom som
33:17ao que eu chamei
33:18a classe média alta
33:19e através dela
33:21uma outra parte
33:23que vem depois
33:24que vote
33:26pensando
33:27que ir à urna
33:29não é uma brincadeira
33:30não é uma brincadeira
33:32o voto
33:33não é só
33:35o fato
33:36de uma pessoa
33:36te representar
33:38o voto
33:38é também
33:39um poder
33:39que te permite
33:41mandar nele
33:42se não está
33:43cumprindo
33:44as coisas
33:45do jeito
33:45que devem ser
33:46cumpridas
33:46que seja
33:48afastado de lá
33:49impeachment
33:50qualquer coisa
33:51mas nós temos
33:52que mudar
33:52essa mecânica
33:53já agora
33:55porque se nós
33:56não fizermos isso
33:57aquela crise
33:58que eu mencionei
33:59para daqui a 15 anos
34:01não vai ser
34:02para almas frágeis
34:03vai ser para almas
34:05endurecidas
34:06pelo tempo
34:06ou seja
34:08nós temos
34:09é isso que eu falo
34:10ensinar a política
34:11para adultos
34:13universitários
34:15avançados
34:16e profissionais
34:17estabelecidos
34:18essa gente
34:19pode fazer a diferença
34:20é a alta classe média
34:22são os profissionais
34:24que já
34:24que já
34:25estão
34:26na lide
34:28mas que
34:28já esqueceram
34:30quase tudo
34:31e por isso
34:32se enfurnaram
34:33em casa
34:34preferem
34:34ficar
34:35curtindo televisão
34:37mas que
34:38não se associam
34:39não fazem uma reunião
34:41não organizam
34:42na casa
34:44de um amigo
34:44uma turma
34:46de 20
34:46vamos ver
34:48como é que está o Brasil
34:49vamos ver
34:49como é que está o congresso
34:50vamos pensar nisso
34:52não
34:52esse pessoal
34:53não faz nem isso
34:54então assim
34:55nós somos
34:56um país
34:57democrático
34:58sem democratas
35:00não dá
35:00não dá
35:01é muito difícil
35:02eu me lembrei agora
35:03do título
35:04de um livro
35:05do Ortega
35:05ser Espanha
35:06invertebrada
35:07nós podemos dizer
35:08que o Brasil
35:08é um país
35:09invertebrado
35:10exatamente
35:10é isso que nós somos
35:12agora
35:14nós somos
35:17um país
35:17também marcado
35:18por privilégios
35:19recentemente
35:20toda a discussão
35:21que tem no congresso
35:22que envolve
35:23a questão
35:23orçamentária
35:26descobriu-se
35:28porque os valores
35:29eram estimados
35:30já eram muito altos
35:31mas não eram tão altos
35:32como foram divulgados
35:33que as renúncias fiscais
35:35da união
35:36lembrando que tem
35:37renúncia fiscal
35:37dos governos
35:38das 27
35:39das federação
35:40renúncias fiscais
35:41das prefeituras
35:42também
35:42mas da união
35:43seria um valor
35:44astronômico
35:45anual
35:45800 bilhões
35:47de reais
35:48e aí
35:50vão dividindo
35:52de onde vem
35:52essas renúncias
35:53fiscais
35:54algumas
35:55claro
35:55tem a questão
35:56do programa
35:56questão simples
35:57ou tem a ver
35:57com a questão
35:58de imposto de renda
35:59mas outras
36:00tem a ver
36:00grandes empresas
36:02que não pagam impostos
36:03e em troca
36:04elas deveriam
36:05uma série
36:06de instituir
36:08criar empresas
36:08aumentar o número
36:09de trabalhadores
36:10contratados
36:11o que
36:11tudo indica
36:12não tem ocorrido
36:13e o governo
36:14sequer fiscalizou
36:15como é que
36:15num país
36:16com tantos privilégios
36:17aí parece que o Raimundo
36:19Faura tinha razão
36:20com os donos do poder
36:21e olha
36:22nós estamos falando
36:22do final dos anos 50
36:23do século passado
36:24como é que é possível
36:26romper esses privilégios
36:27entranhados
36:28na estrutura de estado
36:29por uma elite
36:30com as características
36:31que o senhor expôs?
36:32Vila
36:32o termo renúncia fiscal
36:35não devia existir
36:36entende?
36:38se uma
36:38uma entidade
36:40econômica
36:42comercial
36:42industrial
36:43precisa
36:44de que o governo
36:45lhe perdoe
36:47o que ela deve
36:48ao governo
36:49então o imposto
36:50é inviável
36:52ele existe
36:54para enforcar
36:55as empresas
36:56aí entra
36:57eu volto lá atrás
36:58nós temos que mudar
37:00a estrutura
37:01a espinha dorsal
37:03da sociedade
37:04e da economia
37:05para que
37:06o mercado
37:07as empresas
37:08sejam viáveis
37:09sem necessidade
37:11de pedir
37:12caridade
37:15ao governo
37:16
37:17nós nos lembramos
37:18por exemplo
37:18no tempo do Delfim
37:19todo
37:20todo empresário
37:23que entrava
37:23em dificuldades
37:24ia para lá
37:24o próprio Delfim
37:26inventou a expressão
37:27e eu
37:28é
37:29como é que era mesmo
37:31era
37:31mamar nas tetas
37:32do governo
37:33é isso
37:34um país
37:35em que o empresariado
37:36precisa mamar
37:38nas tetas
37:38do governo
37:39
37:39entenda-se
37:41por tetas
37:41o erário
37:42o tesouro
37:43
37:43ele
37:44é evidente
37:45que essa economia
37:45não é viável
37:46que ela tem que ser
37:47reformada
37:48estruturalmente
37:49
37:50nós temos
37:51seis bancos
37:52oficiais
37:52nós temos
37:53uma máquina
37:55de estado
37:57gigantesca
37:58com a folha
37:59de pagamento
38:00inacreditável
38:02
38:02nós temos
38:03as funções
38:05públicas ligadas
38:06ao legislativo
38:07que começa
38:08com o salário
38:09do deputado
38:10na meia dúzia
38:11de secretárias
38:15que ele tem
38:16na meia dúzia
38:17de assessores
38:18no carro
38:19oficial
38:20no combustível
38:23pro carro
38:24oficial
38:24até chegar
38:25no apartamento
38:27funcional
38:27mas como
38:28entendeu
38:29então o Brasil
38:30trabalha
38:31para manter
38:32a máquina
38:33do governo
38:34e o legislativo
38:35é evidente
38:36que não pode
38:37entende
38:37e um dia
38:39isso vai dar
38:40em confusão séria
38:41é evidente
38:42porque nós
38:43estamos
38:43como eu disse antes
38:44eu não acho
38:45que o Brasil
38:46esteja
38:47apenas
38:48estagnado
38:49o Brasil
38:50está em
38:50retrocesso
38:51retrocesso
38:53a qualidade
38:54da educação
38:55piora
38:56entende
38:56quantas entidades
38:58respeitáveis
39:00do ponto de vista
39:01técnico e científico
39:02tem no Brasil
39:03a Embraer
39:04a Embrapa
39:06não é
39:06é difícil
39:07chegar a 10
39:08muito difícil
39:09porque nós
39:11regredimos
39:13demais
39:14quando você anda
39:15mais devagar
39:17com menos
39:19rapidez
39:20do que os outros
39:21fatores
39:22e o resto do mundo
39:23estão andando
39:24depressa
39:25você está regredindo
39:26em termos relativos
39:27você veja
39:28como eu citei
39:29a pouca questão
39:30do fechamento
39:31da economia
39:32só o Brasil
39:34não pulou
39:35do nível
39:36do subdesenvolvimento
39:38para o nível
39:39do desenvolvimento
39:40no período
39:41que eu citei
39:41porque
39:42é o único
39:43que insiste
39:44em manter
39:44fechado
39:45e não comprar
39:46e não vender
39:47é assim
39:48quer dizer
39:49vender
39:49atualmente
39:50ele vende
39:51vende o agronegócio
39:53ele vende soja
39:54ou seja
39:55produtos primários
39:56ou um pouco
39:57de minério
39:58e vende
39:59poucos produtos
40:01para poucos
40:02compradores
40:03isso é a pior
40:04forma
40:05que você pode
40:06inventar
40:07em matéria
40:07de comércio
40:08exterior
40:08em vez de você
40:10comerciar
40:11com um leque
40:12amplo
40:13de parceiros
40:14internacionais
40:15nós vendemos
40:16poucos produtos
40:18para poucos
40:19compradores
40:20a China
40:21não é
40:21não é
40:22ela parece
40:25que nunca
40:26vai mudar
40:26que vai ser
40:27para sempre
40:28um estado
40:29totalitário
40:29eu não acho
40:30isso não
40:31mais uns
40:32cinco anos
40:32a China
40:33estará
40:34enfrentando
40:35problemas
40:37extremamente
40:38graves
40:39e não terá
40:40esse condão
40:42de salvar o mundo
40:44com as compras
40:44que ela faz
40:45lá na China
40:46tem uma
40:47porção
40:48um número
40:49eu não vou citar o número
40:50porque eu posso errar
40:51no número
40:51mas eu posso citar
40:53a proporção
40:53algo como
40:55um quarto
40:56um terço
40:59ou um quarto
41:00da população chinesa
41:01vive no campo
41:02em condições
41:03de vida
41:04razoável
41:05mas não pode
41:06ir à grande cidade
41:07para isso
41:07ela precisa
41:08de uma autorização
41:09individual
41:10entende
41:11porque se todo mundo
41:12decidisse
41:13eu vou para
41:14Xangai
41:14o salário médio
41:16de Xangai
41:16afundava
41:17e aí ficavam
41:18todos os pobres
41:19então eles
41:20tem que exercer
41:21aquela violência
41:22inacreditável
41:24sobre a sociedade
41:25para que
41:26essa estrutura
41:27de uma desigualdade
41:28cômica
41:29brutal
41:30se mantenha
41:31então
41:32nós podemos
41:33contar com a China
41:34agora
41:35a curto prazo
41:36sim
41:37podemos daqui
41:38a 20 anos
41:39não
41:39então
41:40nós temos que
41:41cair na real
41:42que nós temos
41:43que fazer
41:43a nossa estrutura
41:44o nosso trabalho
41:45de reforma
41:46aqui dentro
41:47fazer reformas
41:49que vão doer
41:51em alguns setores
41:52mas e eu com isso
41:53eu não sou
41:55não estou mamando
41:56as tetas
41:57de governo nenhum
41:58deixa eu perguntar
42:00pegando a expressão
42:01que o senhor falou
42:02o Brasil está
42:03regredindo
42:04o senhor disse
42:05isso é claro
42:05evidente
42:06em todos os setores
42:07aí o senhor
42:07deu alguns exemplos
42:09porém
42:10desde 1988
42:11com a promulgação
42:12da carta
42:13de 5 de outubro
42:14a Constituição Cidadã
42:16como diz lá
42:17o doutor Ulisses
42:17nós nunca tivemos
42:18tanta liberdade
42:20política no país
42:21eleições a cada
42:23dois anos
42:23amplamente
42:24transparentes
42:26um tribunal
42:26subeleitoral
42:27tribunais regionais
42:28que fiscaliza
42:29o processo eleitoral
42:30hoje não é possível
42:32falar em fraude
42:32como na primeira república
42:34não tem eleições
42:35a bico de pena
42:36qualquer um pode ser
42:38candidato
42:38se ampliou
42:39o colégio eleitoral
42:41como nunca
42:41na história do Brasil
42:42então como é possível
42:44nós termos passado
42:45estamos passando
42:46desde 1988
42:47pelo período
42:48mais democrático
42:49da história republicana
42:50e nós vivemos
42:51uma situação
42:52desse
42:53nó górdio
42:54que não sei
42:55se vai ter um
42:55Alexandre Magno
42:56para resolver
42:57como o senhor
42:57expôs
42:58olha o Brasil
42:58hoje
42:59viu uma situação
43:00gravíssima
43:00e daqui 15 anos
43:02ou 20
43:02vai estourar
43:03essa bomba
43:03o que aconteceu
43:04é a nossa democracia
43:05que falhou
43:06não veja
43:07eu acho
43:07a Constituição
43:08de 88
43:09do ponto de vista
43:11dos direitos
43:12do cidadão
43:13uma beleza
43:14o problema
43:16é que aqueles
43:17direitos
43:18na verdade
43:20não são
43:20plenamente
43:21implementáveis
43:23porque em qualquer
43:24lugar
43:24onde se for
43:25alguma barreira
43:27esvazia aquele direito
43:29e ele se torna
43:29teoria
43:30flatas vossas
43:32ele não é
43:34verdadeiro
43:35eu dei o exemplo
43:36dos partidos políticos
43:37nós temos
43:38agora
43:39todo mundo
43:39está cansado
43:40de saber
43:40que se você
43:41quer ser candidato
43:42por um partido
43:43político
43:44você tem que pedir
43:45a benção
43:45do presidente
43:47desse partido
43:48porque ele é
43:49uma oligárquica
43:50que controla
43:52inteiramente
43:52a estrutura
43:53e existe até
43:54uma coisa chamada
43:55fundo partidário
43:57que é dinheiro
43:58para o partido
43:59fazer campanha
44:00eu se fundasse
44:01um partido
44:02eu começaria
44:03pensando
44:04como é que eu vou
44:04pagar as despesas
44:06como é que eu vou
44:07financiar a eleição
44:09não
44:10no Brasil
44:11está tudo previsto
44:11entende
44:12você
44:12tem de saída
44:14que existe
44:16o dinheiro
44:16público
44:17destinado
44:19aos partidos
44:20para financiar
44:21as eleições
44:22e quem
44:23controla
44:24este fundo
44:24é o presidente
44:26do partido
44:26é a
44:28curiola
44:29para falar
44:30em termos
44:30populares
44:31que o controla
44:32quer dizer
44:32nós temos
44:33uma estrutura
44:34partidária
44:35que impede
44:36o pleno
44:38exercício
44:38dos direitos
44:39que poeticamente
44:41foram lindamente
44:42reduzidos
44:43na constituição
44:44ou seja
44:45nós temos
44:46vamos ser bem
44:48claro
44:48a nossa estrutura
44:50institucional
44:51constituição
44:53poderes
44:54é
44:54é falsa
44:56é uma camada
44:57é como se aqui
44:59sobre São Paulo
45:00houvesse uma
45:01uma grande nuvem
45:02parada aqui em cima
45:05
45:06é
45:07dizendo
45:08transmitindo
45:09mensagens
45:09lindas
45:10para nós
45:11sobre o nosso futuro
45:12mas nós não temos
45:13como afastar
45:14essa nuvem daí
45:15porque ela impede
45:15essa
45:16essa operação
45:18de limpeza
45:20
45:20é
45:21cada pessoa
45:22cada cidadão
45:23que pega
45:24o metrô
45:25a 5 da manhã
45:26em casa
45:27ele
45:28vai
45:29fazer uma
45:30longa viagem
45:30ele ganha pouco
45:32ele corre risco
45:34de violência
45:35ele corre risco
45:36até
45:37de roubar
45:38o celular
45:39essa é a realidade
45:40
45:41quer dizer
45:41então
45:42a sociedade
45:43que nós temos
45:45no papel
45:45está linda
45:46eu acho que
45:46é só pôr em prática
45:48mas nós não temos
45:49como colocá-la
45:50em prática
45:51porque
45:52a maior parte
45:54dos cidadãos
45:55não quer nem saber disso
45:57não quer entender isso
45:58ou não quer conversar
46:00sobre isso
46:00mal e parcamente
46:02ler o jornal
46:03se é que dê
46:04entende
46:04então
46:05assim não dá
46:06
46:07meia dúzia de
46:08meio
46:09vamos dizer
46:115%
46:11da
46:12desta sociedade
46:14detém metade
46:15da riqueza
46:16entende
46:17se falou
46:17a pessoa que vive
46:19lá em Paris
46:19tem pessoas
46:20que vivem
46:21em
46:22em
46:23em
46:23em
46:24em
46:25em
46:25em
46:25em
46:25em
46:26em
46:26em
46:27como é que é o nome mesmo
46:29esqueci
46:29o que é de
46:30é
46:31sim sim
46:32é
46:33então
46:33você não pode
46:35viver
46:36dessa maneira
46:37então vamos
46:38ao essencial
46:40sim
46:40estudo
46:41eu acho que
46:43eu acho que nós
46:43temos
46:43que
46:44que deixar
46:44de ser
46:45paternalistas
46:47e irresponsáveis
46:48e fazer com que os
46:50estudantes
46:51estudem
46:53entende
46:53eu não quero contar vantagem
46:55mas
46:56certos livros
46:57que um universitário
46:58hoje
46:59não consegue ler
47:00eu li com 13
47:0114 anos
47:02entende
47:03no ginásio
47:04porque havia
47:05entende
47:06havia realmente
47:07pressão
47:09naquela época
47:10foi quando saiu o livro do Fernando Sabino
47:13Encontro Marcado
47:14sim
47:14quando saiu o
47:16o
47:17o
47:18o
47:18lá de
47:19de Curvelo
47:20
47:21o
47:21o Guimarães
47:22de Marlos Rosa
47:23essa maravilha
47:26da nossa
47:26isso eu li
47:27naquela idade
47:28sim
47:29entende
47:29não só eu
47:31sou de um gênio
47:32não
47:32aliás eu nunca fui de ler
47:33muito não
47:34o que acontece
47:35aqui naquela época
47:36nós
47:36todos
47:37tínhamos que
47:38ir estudar
47:39entende
47:39e tínhamos a noção
47:41de que estudar
47:42além de ser
47:43um prazer
47:44é uma obrigação
47:45sua
47:45como o seu
47:46como um futuro
47:47cidadão
47:48entende
47:49você tinha que
47:50chegar
47:50a cada nível
47:52com o nível
47:52previsto
47:54de escolaridade
47:56como no Japão
47:57como no Japão
47:58
47:58no Japão
47:59as famílias
48:00controlam
48:01em
48:02em
48:02conexão
48:04com as escolas
48:05o avanço
48:06do estudante
48:07ao longo
48:08do
48:08do prazo
48:09de estudos
48:10se
48:11a
48:12a escola
48:13percebe
48:14que determinados
48:16alunos
48:16estão ficando
48:17para trás
48:18elas vão
48:19na casa
48:19do rapaz
48:21
48:21vamos lá
48:22falar com a família
48:23o que que
48:23acontecendo
48:24a senhora
48:25não está
48:25acompanhando
48:26os estudos
48:27dele
48:27é preciso
48:29colocar
48:30a sociedade
48:31no ritmo
48:33paralelo
48:35constante
48:36forte
48:37para nós
48:38sairmos
48:39dessa tristeza
48:40em que vivemos
48:41então seria
48:41cosmético
48:42professor
48:43falarmos
48:44como muitos
48:44dizem hoje
48:45olha vamos
48:46adotar o
48:47semipresidencialismo
48:48eleição direta
48:49de presidente
48:49da república
48:50mas
48:51um primeiro
48:52ministro
48:52que tenha
48:53com base
48:54na câmara
48:55no brasil
48:56na câmara
48:57dos deputados
48:57seria o melhor
48:58regime
48:59o presidente
49:00com mais
49:01menos
49:01no sentido
49:02ou no modelo
49:03francês
49:04ou português
49:05e com isso
49:06nós podemos
49:06enfrentar esses
49:07grandes dilemas
49:08nacionais
49:09isso seria uma
49:09questão cosmética
49:10frente a questões
49:11estruturais
49:12tão graves
49:13como o senhor
49:13expôs
49:14ou seja
49:14se não
49:15colocar o dedo
49:16nessas feridas
49:16não adianta
49:17pensar em mudar
49:18o regime
49:18ouvi-la
49:19eu entre
49:20o semipresidencialismo
49:22francês
49:23e o nosso
49:24eu prefiro
49:25deixar como está
49:25entende
49:26eu
49:27absolutamente
49:28não acredito
49:29no semipresidencialismo
49:31francês
49:31aquilo deu certo
49:33
49:33em parte
49:35em Portugal
49:35por uma razão
49:37muito simples
49:37a França
49:38tinha sido
49:39destroçada
49:40na guerra
49:41o plano macho
49:43jogou
49:44dinheiro na França
49:45e a França
49:46tinha
49:46uma linhagem
49:48de estadistas
49:49como poucos países
49:50tem assim
49:51em sequência
49:52o vice
49:53desculpe
49:54o sucessor
49:56do De Gaulle
49:57era o Pompidou
49:58outra pessoa
49:59de grande envergadura
50:00e depois
50:01Alandestand
50:02e outros
50:02o próprio
50:03Mitterrand
50:04que era de esquerda
50:06teve a responsabilidade
50:08de reconhecer
50:09que a plataforma
50:11dele era inviável
50:12estava fora de lugar
50:13e mudou de posição
50:15passou a defender
50:16a privatização
50:18na França
50:19o Felipe Gonzalez
50:21na Espanha
50:22que era socialista
50:23partido socialista
50:24partido socialista
50:26operário
50:26da Espanha
50:28ele era evidentemente
50:30um esquerdista
50:31furibundo
50:32privatizou
50:34um monte de coisas
50:35vendeu um monte de coisas
50:36reestruturou
50:37a economia
50:38da Espanha
50:39ou seja
50:40só aqui
50:41é que nós
50:42enfiamos a cabeça
50:44na areia
50:45e não queremos
50:47enxergar
50:47nós somos
50:48220 milhões
50:50de avestruzes
50:51um país de avestruzes
50:54a avestruzlândia
50:56não funciona
50:58nós temos que
50:59realmente
51:00pegar no pesado
51:01entende?
51:02temos que
51:02alguns setores
51:04tem que
51:05ou se adaptam
51:06ou vão sofrer
51:07com um ajuste
51:08que virá
51:09por bem
51:09ou por mal
51:10quando temos
51:12alguns minutinhos
51:13só no final
51:13da nossa conversa
51:14que eu acho
51:15foram muito boas
51:17muita série
51:17de questões
51:18importantes
51:18que o senhor
51:19destacou
51:19eu queria falar
51:20desses dois livros
51:21que o senhor
51:21urgentemente
51:22trouxe
51:22me ofereceu
51:23o primeiro
51:24antes que me esqueça
51:25crônicas
51:26contos
51:27e outros escritos
51:28fala rapidamente
51:29para quem nos acompanha
51:30professor
51:31ele diz exatamente
51:33o que
51:33está no título
51:35sabe
51:36eu vivi
51:37uma vida
51:38bastante
51:39movimentada
51:40por várias razões
51:42e eu queria
51:43pôr no papel
51:44alguns momentos
51:45ou que foram engraçados
51:47ou que foram duros
51:48para mim
51:49e aquele mundo
51:51todo
51:51dos anos 50
51:52que era
51:53mais interessante
51:54do que esse
51:55que nós temos
51:56hoje no Brasil
51:56então
51:57assim
51:58na base
51:59do bom humor
52:00eu não sou escritor
52:01nem nada
52:01apenas pôndo um pouco
52:03de bom humor
52:04para contar
52:05essas histórias
52:06eu coloquei
52:07antes que me esqueça
52:09é esse aqui
52:10o antes que me esqueça
52:11estou mostrando aqui
52:12para vocês
52:13inclusive
52:13conversando aqui
52:14tem aqui também
52:15lembrando que o professor
52:17Bolívar Lamunião
52:17vascaína
52:18olha
52:18com grandes histórias
52:20sobre o vasco
52:21e esse outro professor
52:23uma revolução
52:24pela alegria
52:25três estudos
52:26sobre música
52:27bom
52:27aí a minha
52:28a minha premissa
52:29foi
52:29todos nós
52:31nos achamos
52:31muito musicais
52:32o Brasil
52:34é um país
52:34de gente
52:35musical
52:35em alguns momentos
52:37foi mesmo
52:38você pega a música
52:39que se produz
52:40no Brasil
52:40nos últimos
52:4120
52:4130 anos
52:42é uma dureza
52:43de ouvir
52:44eu no táxi
52:45peço
52:46para desligar
52:46então
52:47acontece o seguinte
52:49nós temos
52:51de fato
52:51grandes instrumentistas
52:54o brasileiro
52:55tem uma facilidade
52:56para aprender
52:57violão
52:57cavaquinho
52:58trombone
52:59qualquer coisa
52:59agora
53:01se você olha
53:02a história
53:04da música brasileira
53:05há muito
53:06o que criticar
53:07além
53:07de grandes
53:09nomes
53:10para louvar
53:10Bixinha
53:11lá atrás
53:13Chiquinha Gonzaga
53:15lá atrás
53:16ao contrário
53:17de muitos
53:19países
53:19onde a crítica
53:21através da música
53:23vem tarde
53:24no Brasil
53:24ela vem cedo
53:25a Chiquinha
53:27foi na virada
53:28do século
53:28ela era maestra
53:30ela compunha
53:32músicas
53:33de tirar sarro
53:37com as elites
53:38da época
53:39que eram extremamente
53:40racionais
53:41ela chegou a ser
53:42criticada
53:44nos termos
53:45mais veementes
53:47pelo Rui Barbosa
53:48pelo deputado
53:49Rui Barbosa
53:49porque as músicas
53:51dela não eram
53:52conservadoras
53:53bom
53:53salto da Chiquinha
53:55para os anos 30
53:56o maior nome
53:57da música brasileira
53:58não é o Rosa
53:59entende
54:00a crítica de costumes
54:02o retrato
54:04da sociedade brasileira
54:05em 200 composições
54:07em
54:08em
54:0912 anos
54:12porque ele começou
54:13aos 16 anos
54:15e morreu em 34
54:16quer dizer
54:17ali é uma coisa
54:18eu acho que conhecer
54:19a música
54:20e as letras
54:21do Manuel Rosa
54:22devia ser um dever
54:23nacional
54:24por isso eu as transcrevi
54:26várias delas
54:27e por último
54:29o maestro
54:31Tom Jobim
54:32a música mais sofisticada
54:34mais extraordinária
54:35de sua época
54:36no mundo
54:38então é uma coisa
54:39fantástica
54:40o brasileiro
54:41se sente musical
54:43mas
54:44raramente canta
54:45porque ele não sabe
54:46as letras
54:47então eu nesse livro
54:48além de contar
54:49a história
54:50eu também transcrevi
54:52várias letras
54:53os baianos
54:55que tiveram um papel
54:56extraordinário
54:57na nossa música
54:58são letras muito longas
55:00e aquele humor
55:03extraordinário
55:04do Gilberto Gil
55:05e de outros
55:05estão aí
55:07quem quiser
55:09se divertir um pouco mais
55:10e aprender um pouco mais
55:12está aí
55:12eu também contei
55:14a história
55:14vou terminar rapidamente
55:16eu também contei
55:17a história
55:18da substituição
55:20do piano
55:20pelo violão
55:21no mundo inteiro
55:22em tempos
55:23remotos
55:27o instrumento
55:28da família
55:29era o piano
55:29na sala
55:30o piano
55:31é muito caro
55:32muito difícil
55:33ocupa muito espaço
55:36em pequenos apartamentos
55:37e o violão
55:39nesse mesmo período
55:41evoluiu
55:42de uma maneira
55:42extraordinária
55:44extraordinária
55:45graças a mestres
55:47de uma
55:48capacidade
55:51fora do comum
55:52eu estou falando
55:53de Francisco
55:54Tárga
55:55na Espanha
55:56meu Deus
56:03da Espanha também?
56:04o Paco de Lucia
56:05não
56:06André Segovia
56:07a minha memória
56:10o ouvinte me perdoa
56:11e mais recentemente
56:14um que quase ninguém conhece
56:17mas que hoje
56:18é parte obrigatória
56:21em qualquer recital
56:23de violão
56:25o André
56:26o Salvo Mangoré
56:29lá do Paraguai
56:31nascido de família
56:33o meu
56:33do Paraguai
56:34autodidata
56:35quase autodidata
56:36hoje não há
56:38um violonista
56:40profissional
56:40de prestígio
56:41que não inclua
56:43na sua gravação
56:44uma música
56:45do Mangoré
56:47o Mangoré
56:48é o nome
56:49da tribo
56:50de que ele
56:50tinha origem indígena
56:53então eu
56:54abordei
56:55esses temas aí
56:56e o capítulo final
56:58como não pude
57:00deixar de ser
57:01eu
57:01expressei
57:02o meu amor
57:03pelos Beatles
57:04que foi o marco
57:06indelével
57:08da nossa geração
57:10perfeito
57:11olha
57:11acho que foi uma conversa
57:13muito boa
57:13tenho certeza
57:14vocês que
57:15nos acompanham
57:17viu que nós
57:17passamos aqui
57:18por grandes questões
57:19estruturais
57:20do Brasil
57:21as questões
57:21contemporâneas
57:23questões que são
57:25complexas
57:26para a compreensão
57:27dos mais jovens
57:29especialmente
57:30e o professor
57:32Bolívar Lamoni
57:32apontou e colocou
57:33o dedo
57:34nessas feridas
57:35nacionais
57:36e no final
57:36discutimos
57:37o professor
57:37fez uma síntese
57:38desses dois belos
57:39trabalhos
57:40o Antes Que Me Esqueça
57:41Crônicas, Contos
57:42e Outros Escritos
57:43e o
57:44Uma Revolução
57:45pela Alegria
57:46Três Estudos
57:47sobre Música
57:47como sempre
57:48aqui no
57:49Só Vale a Verdade
57:49tem esse objetivo
57:50e vocês que nos
57:51acompanham
57:52que é fazer uma
57:53reflexão
57:54sobre os principais
57:55assuntos do Brasil
57:56no mundo
57:56e sempre trazendo
57:57entrevistados
57:58que consigam fazer
57:59a gente avançar
58:00na tentativa
58:01de compreensão
58:02do que vivemos
58:02então agradeço
58:03muito ao professor
58:04Bolívar Lamoni
58:05e a todos vocês
58:06que nos acompanham
58:07e até a próxima
58:08semana
58:09até
58:09A opinião
58:13dos nossos comentaristas
58:15não reflete
58:16necessariamente
58:16a opinião
58:17do Grupo Jovem Pan
58:18de Comunicação
58:19Realização Jovem Pan
58:25Realização Jovem Pan
58:25do Grupo Jovem Pan
58:26do Grupo Jovem Pan
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