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Em plena celebração do 4 de Julho, Trump sanciona a polêmica Megabill, aposta no engajamento patriótico e mira a próxima eleição. André Pagliarini, professor de estudos internacionais da Louisiana State University, analisa os impactos políticos e econômicos da nova lei.

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Transcrição
00:00A gente conversa agora com o André Pagliarini, que é professor de estudos internacionais na Louisiana State University.
00:07Queria agradecer, então, o professor Pagliarini por conversar com a gente nos Estados Unidos.
00:12E parou um pouquinho do feriado, um dos mais importantes nos Estados Unidos, para poder conversar com a gente.
00:19Professor Pagliarini, é claro que a gente fez um recorte dos desdobramentos econômicos desse big and beautiful bill do Donald Trump.
00:32Mas eu queria começar a conversar contigo sobre os desdobramentos políticos.
00:38Claro que no discurso do Donald Trump, ele repete hoje o que ele falou ontem em Iowa.
00:43Uma dura crítica aos democratas, também apontou o dedo para republicanos, embora poucos,
00:50que não votaram a favor da lei orçamentária, que era um dos alicerces da campanha que o elegeu agora para o segundo mandato.
01:00E agora eu gostaria, com a sua expertise, para a gente projetar o que deve ser o ano que vem,
01:04nas chamadas mid-turn elections, quando os eleitores americanos vão renovar o Congresso.
01:10Porque nessa votação, que foi crucial para o capital político do Donald Trump,
01:15bateu na trave, na primeira votação entre os deputados.
01:19Um ponto de, um voto de diferença.
01:22Quando vai para o Senado, o J.D. Vance, o vice-presidente, que segundo a Constituição americana,
01:28também é presidente do Senado, vai lá para fazer o voto de desempate.
01:32E agora, quando retorna para uma ratificação pelos deputados, mais uma vez, uma mínima margem de vitória.
01:43A gente entende que os dois lados estão bem divididos, mas que o Donald Trump não é unânime dentro do partido republicano.
01:50Estes supostos desdobramentos, esse cálculo que se faz, que haverá ali perda de benefícios para o americano mais pobre,
01:59devem se refletir nas eleições, para um presidente que não é muito popular, não é unânime dentro do próprio partido.
02:07O senhor que está aí, estuda a história americana, vê a análise política dos presidentes.
02:12O que a sua bola de cristal está dizendo sobre esses mid-turn elections?
02:16Boa noite mais uma vez.
02:19Boa noite, super prazer estar conversando contigo nesse feriado.
02:23Então, eu acho importante lembrar, antes de projetar para frente, o seguinte, fala-se muito sobre o Trump como uma divergência da história do partido republicano,
02:36do modo que ele fala, do estilo político dele, com razão.
02:40De certa forma, ele é bem diferente do que os seus antecessores.
02:43Mas também, por outro lado, as prioridades desse Big Beautiful Bill estão perfeitamente em linha com as prioridades do partido republicano há muito tempo.
02:55Cortar despesas governamentais, especialmente com programas sociais.
03:01Por exemplo, a jornalista falava sobre os cortes do Medicaid, por exemplo,
03:06que foi grande parte do sucesso, quando foi bolado o Obamacare.
03:14Parte do Obamacare, que foi projeto de lei avançado no presidente Barack Obama,
03:19que expandiu o programa de saúde pública nos Estados Unidos, precisava do American.
03:27Então, muita gente que ganhou acesso à saúde vai perder.
03:30Só que, agora, respondendo a sua pergunta, muitos desses cortes mais dolorosos do Big Beautiful Bill só entrarão em efeito depois dos midterms,
03:42depois dessa eleição do meio de mandato.
03:45Imagina-se justamente para tentar conter os danos.
03:49E o Partido Republicano, feito o que você falou, está, em certo ponto, dividido sobre como falar sobre esse projeto de lei.
03:59Por exemplo, o estado que eu moro, em Louisiana, bem conservador, bem republicano,
04:03mas nossos dois senadores, o Mike Johnson, inclusive, presidente da Câmara, representa o nosso estado aqui.
04:09Os nossos dois senadores, um deles é bem, eu diria, estilo Trump, meio populista, meio desse estilo.
04:16O outro se apresenta mais como moderado.
04:19Ele é médico, ele, enfim, criticou certas nomeações do Trump no início do mandato,
04:24só que os dois votaram nessa lei.
04:27Os dois buscaram coisas dentro da lei para dizer que apoiam.
04:32Então, eu acho que, olhando para o midterm elections, essa eleição do meio de mandato,
04:38resta a seguinte pergunta.
04:39Como que os democratas, afinal, partidos de oposição,
04:43vai falar sobre essa lei e se isso surtirá efeito?
04:47Qual narrativa sairá por cima, dentre essas duas?
04:54Eu achei super interessante ouvir o Trump, na parte que a gente escutou aí,
04:59falando que, olha, esquece o que os democratas vão falar, é tudo mentira,
05:04a lei é fantástica, é tudo de bom e tal.
05:07Vamos ver se os democratas vão conseguir vender para as pessoas,
05:10ou, pelo menos, convencê-los de que essa lei, o Big Beautiful Bill,
05:15faz mais mal a eles do que ajuda.
05:18E, na minha opinião pessoal, não sei se o Partido Democrata
05:22está numa posição de avançar uma narrativa coesa nesse momento.
05:28É partido na posição, concordo com a sua análise,
05:32que o Partido Republicano, a agenda do Trump não é necessariamente unânime,
05:36só que existe bem menos consenso, atualmente, no Partido Democrata.
05:41Então, resta ver se o partido consegue se unir em torno de um discurso realmente crítico
05:49e que foca convincentemente nos danos, na percepção deles, dessa lei.
05:56Uma característica do Trump, que já é antiga,
05:59desde quando ele era uma personalidade da televisão,
06:01que até os programas de humor nos Estados Unidos caricatam isso,
06:06do superlativismo do Trump.
06:09Tudo é the most, I haven't seen it before,
06:12eu nunca vi isso na história, pela primeira vez e tal.
06:16E ele, claro, aproveitando o 4 de julho,
06:19essa enorme vitória que foi a aprovação,
06:22mesmo que tenha batido a bola na trave, mas foi um golaço,
06:25da lei orçamentária,
06:26ele aproveita o ufanismo do americano, justamente nessa data,
06:29para cacifar essa vitória dele.
06:34E aí, algo que me chamou a atenção,
06:37porque ontem a gente apresentou o discurso que ele fez em Iowa,
06:40acompanhamos aí o discurso dele na Casa Branca,
06:43e ele fala do engajamento do americano.
06:45Olha, nunca tantas pessoas se alistaram no Exército,
06:50quiseram ser policiais, bombeiros,
06:53e nunca vimos tantas pessoas preenchendo o formulário
06:56para serem funcionários públicos.
06:58É meio contraditório, porque ele começa o governo
07:01limpando o funcionalismo público,
07:03enxugando a máquina.
07:05Na sua percepção, professor,
07:07além dos dados acadêmicos,
07:09mas a sua percepção como um cidadão
07:12de um Estado republicano,
07:14conservador, no sul dos Estados Unidos,
07:17faz sentido esse discurso,
07:18ou está mais nessas ideias
07:21que o Donald Trump joga ao vento?
07:23O Trump tem uma habilidade,
07:26talvez justamente pela exuberância retórica,
07:31que muitas vezes os dados bons
07:33se atribuem a ele,
07:36os efeitos das políticas dele.
07:38Quando aparece uma coisa meio ruim,
07:40por exemplo,
07:41o enfraquecimento do mercado de trabalho
07:43no setor privado,
07:45ele consegue muitas vezes
07:47apresentar isso
07:49quando ele de fato encara
07:50essas realidades inconvenientes
07:52como tendo nada a ver com ele.
07:55Isso é porque, sei lá,
07:57houve uma coisa natural,
07:59outra razão qualquer.
08:01Então isso, para um político,
08:03é um dom bem útil
08:07de falar que as coisas boas
08:08são por causa do meu governo,
08:09as coisas ruins têm nada a ver com isso.
08:11Tanto é que ele falava,
08:12quando o Elon Musk
08:14com o Doge,
08:16essa operação que você mencionou
08:17de tentar drasticamente,
08:19muito rapidamente,
08:20cortar o tamanho do governo federal,
08:23quando isso começou a azedar um pouco
08:26na opinião pública,
08:27o Trump falava mais ou menos assim,
08:28eu mal conheço ele,
08:30ele veio me ajudar um pouco,
08:31mas já já vai embora.
08:33Então, eu acho que isso dificulta,
08:35feito eu falava,
08:36também o trabalho dos democratas.
08:39Porque na percepção do americano médio,
08:41que talvez...
08:42talvez não adora o Trump,
08:43mas também não detesta o Trump,
08:46ele se leva um pouco
08:47nessa atitude dele
08:48de quase apresentador de TV,
08:50de que é isso que tem hoje,
08:53esse Big Beautiful Bill,
08:55mas semana que vem já é outra pauta,
08:57é outro assunto.
08:58Então pouca coisa de ruim
09:00cola nele
09:01e ele fala tanto das coisas boas
09:03que isso acaba penetrando
09:06na mente de muitas pessoas.
09:08E, de novo, repito,
09:08eu acho que o Partido Democrata
09:10já faz mais de 10 anos
09:13que o Trump é uma figura
09:14política nacional,
09:16ainda, eu acho,
09:17não conseguiram decifrar
09:18a fórmula para atacar isso,
09:22para trincar isso.
09:23Fora a calamidade do Covid,
09:25que contribuiu, em grande parte,
09:28para a perca do segundo mandato,
09:30em 2020.
09:32Mas, fora isso,
09:33ele continua um político muito...
09:34cujo marketing é bem sintonizado
09:38com o americano médio.
09:40Professor Palharini,
09:41foi um prazer
09:42essa nossa primeira conversa,
09:44espero que tenha sido
09:44a primeira de muitas.
09:46Já lhe faço um pedido,
09:47anota,
09:47porque eu já tenho a ideia
09:48da nossa próxima conversa.
09:50Será que estamos vivendo
09:51uma crise na democracia,
09:53principalmente uma crise
09:54em partidos como os democratas?
09:57Vai pensando,
09:58a gente remarca essa conversa,
09:59queria agradecer o papo
10:01que eu tive,
10:01bastante esclarecedor,
10:02com o André Palharini,
10:04professor de estudos internacionais
10:05na Louisiana State University.
10:08Professor,
10:08bom restinho de sexta-feira,
10:09bom restinho de 4 de julho,
10:11acho que dá tempo ainda
10:12de ver o show de fogos.
10:13Até uma próxima.
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