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  • há 6 meses
A montanhista, que pagou parte de sua aventura no Everest com dinheiro de reciclagem, fala sobre os desafios de antes e depois da escalada.

Assista ao programa completo: https://youtu.be/qMqsfhP2AHA

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Transcrição
00:00Tem muita gente que está nos assistindo, está achando, mas eu quero saber do Everest, eu quero saber lá da escalada.
00:06Calma, a gente já vai falar da escalada.
00:08Eu quero fazer uma trajetória, um caminho diferente, até porque a parte mais difícil, pelo que eu já li, pelo que eu conheço,
00:17eu sou um amante da escalada, do montanhismo, quando era jovem fazia de forma absolutamente amadora e irresponsável,
00:27lá no Rio de Janeiro, adolescente, subia o pão de açúcar, subia a Pedra da Gávea, sem equipamento, sem nada, pelas pedras.
00:39Uma vez eu quase fui, quase caí, fui contar isso para os meus pais, quando já era adulto, já velho.
00:45Mas, assim, eu queria que você, toda a sua história aqui me toca profundamente, e eu acho que toca muitas pessoas,
01:01e, assim, voltando à pergunta, que eu já estava me perdendo no caminho aqui,
01:07o mais difícil do Everest é a descida, né? É isso mesmo?
01:11Exatamente, exatamente. Primeiro, eu queria dizer que você morou num lugar que eu tinha um lindo quintal, né?
01:17Viver no Rio de Janeiro, porque eu gosto de montanha e de praia, isso realmente é um espetáculo, fantástico.
01:23E, de modo geral, realmente, existem formas, a gente tem muito medo da prática do montanhismo brasileiro,
01:27não tem essa cultura de praticar o montanhismo, eu tinha menos ainda, né?
01:31Onde eu morava e moro até hoje, não tem montanha, só não tem morro nenhum para eu escalar,
01:35por isso, então, a dificuldade de ter acesso a esse esporte também, mas, de modo geral,
01:39a gente pode realizar e praticar sempre focada na segurança.
01:43A gente tem que ter, sim, bom desempenho, mas o principal tem que ser a segurança,
01:46é a nossa prioridade. Foi assim que eu pensei quando eu fui para a Everest.
01:51Realmente, a gente sobe muito focado, muito determinado, com clareza do objetivo que a gente quer alcançar,
01:57e, geralmente, quando desce, a chance de acidente é maior, porque, primeiro, a gente já está esgotado, né, fisicamente.
02:05Subir a montanha é muito mais difícil fisicamente do que descer, mas também porque, às vezes, a gente esquece
02:11que a gente ainda não terminou. Subir a metade do caminho, a gente precisa manter o foco na descida,
02:15manter a hidratação, manter a consciência, manter o estado físico ali bom para retornar.
02:21No meu caso aí do Everest, eu tive muita dificuldade, porque, além de estar esgotada,
02:25a minha água havia congelado. Quando eu saí para ataque ao cume, eu saí com 2 litros e 400 ml de água.
02:31Então, saí do campo 4, rumo ao topo, com essa quantidade.
02:34Na descida, eu fui acessar a garrafinha ali na mochila, a água estava completamente congelada,
02:38porque eu fazia menos 30 graus. Isso é terrível.
02:42Praticar uma atividade física, praticar uma atividade física no ar rarefeito, em altitude,
02:47é pior ainda sem água. Então, foi muito adverso.
02:50Eu levei 11 horas para subir, 6 horas para descer, mas com muita cautela, com muito cuidado,
02:55consegui chegar ali no campo 4. Ali eu voltei a me hidratar, ali eu voltei a comer
03:00e tirei até uma suplementação de oxigênio do rosto para fazer um vídeo, um depoimento,
03:04porque eu estava contente demais, contente por ter conseguido chegar ao topo
03:07e contente por ter voltado em segurança.
03:10Essa descida que me interessa, a gente vai falar dela, da parte prática,
03:17do Everest do meio aí, do segundo Everest.
03:20Mas esse terceiro Everest, que você agora está fazendo essa sua turnê,
03:28contando a sua história, você volta para a sua...
03:32Você continua morando no mesmo lugar?
03:34Você continua convivendo com as mesmas pessoas?
03:37Você continua na grade 6 lá?
03:41Você continua fazendo o seu trabalho de guia?
03:47Me conta um pouquinho, porque, assim, quando você fala de toda essa tua...
03:51da tua sensibilidade de olhar para o que está em volta,
03:57e eu acho que isso é muito pessoal, é de cada um,
04:02você está lá, não importa onde você nasça, você cresça,
04:08tem pessoas que simplesmente vêm com aquela sensibilidade de olhar o entorno,
04:14se preocupar com o que está em volta, e tem pessoas que fazem isso,
04:19ficam esperando que alguém lhes dê isso.
04:23E você...
04:25E tem pessoas como você que vão na busca de condições para mudar essa realidade,
04:32de colocar realmente a mão na massa.
04:36E você tem promovido...
04:40O que você tem conseguido promover de mudança na tua realidade,
04:46nessa tua comunidade?
04:48Eu gosto muito, assim, de dar essa perspectiva para os nossos espectadores,
04:53porque...
04:55Gente, se a gente passar a olhar mais para o lado,
05:00passar a olhar mais para quem está do nosso lado,
05:03para quem está na nossa frente, atrás, mas quem está no nosso entorno,
05:08e a gente entender que você pode estender a mão, segurar a mão,
05:14fazer um, sabe, um grupo, como você conseguiu, né?
05:18Com a questão da expedição, de reunir sucata,
05:22daqui a pouco começa, isso cria uma onda, as pessoas olham,
05:25querem te ajudar, porque vem em você aquele desejo de realizar um sonho,
05:29começam a doar, começam a participar de alguma maneira,
05:35a dar visibilidade para o teu trabalho.
05:39No fundo, no fundo, a sociedade, e a sociedade brasileira,
05:43ela é muito potente, muito forte, muito rica,
05:46porque existem muitas aretas, né?
05:50E a gente precisa valorizar isso,
05:52e a gente precisa despertar, ativar essa nossa capacidade individual
05:58e coletiva em sociedade para melhorar a nossa realidade, né?
06:03E não ficar esperando que isso caia do céu,
06:06ou que isso venha como um benefício, né?
06:08Sei lá, da política,
06:11ou de alguma, né?
06:12De coisas que possam vir como externas a gente, né?
06:17É verdade, Cláudio, é verdade.
06:20Eu aprendi que essa capacidade,
06:23eu até dei um nome, viu, Cláudio?
06:24Eu comecei a chamar de PIB,
06:26e PIB aqui não é o produto interno bruto,
06:28índice econômico dos países,
06:30o PIB aqui é poder interno bruto,
06:33é um poder que eu encontrei em mim,
06:35eu identifico o que eu tenho,
06:36e acredito que existe em todo mundo,
06:38em todo mundo mesmo.
06:39Algumas vezes esse PIB, né?
06:40Esse produto, esse poder interno bruto
06:42não é lapidado, não é ativado,
06:44porque as pessoas estão descrentes,
06:46talvez tenha faltado alguma estrutura
06:49familiar, emocional, financeira, social,
06:52mas a gente, todos nós temos
06:54essa capacidade de grandes realizações,
06:56todos nós podemos sempre melhorar
06:57nosso estado, nossa condição de vida,
06:59e buscar realmente gerar
07:01uma sociedade cada vez mais,
07:03cada vez melhor,
07:04bom para todo mundo,
07:05todo mundo feliz,
07:06isso é o que eu venho buscando.
07:06Então, eu identifico que a minha família
07:08proporcionou muito disso,
07:09de eu perceber esse meu poder.
07:11A educação que eu tive acesso,
07:13o meu ensino médio,
07:13já foi numa escola particular,
07:15profissionalizante,
07:16a partir de uma bolsa de estudos
07:17que eu acessei,
07:18a escola passou,
07:19a educação passou a ter
07:20uma melhor qualidade,
07:21quando eu tive esse acesso,
07:23eu comecei a vislumbrar,
07:24e perceber novas oportunidades
07:25disponíveis no mundo,
07:27e a partir daí,
07:28realmente eu fui percebendo
07:29que há muito mais a ser experimentado,
07:31a ser realizado.
07:33Então, o que eu venho fazendo
07:34é, de fato,
07:34tentar ajudar pessoas
07:36a encontrar o seu PIB,
07:37ativar o seu PIB
07:38para ter a própria realização,
07:39a própria conquista,
07:40para que elas sejam realmente
07:41protagonistas das suas histórias.
07:44Não fica dependendo
07:44do contexto de adversidades
07:46que vivam,
07:47não ficam dependendo
07:47de vontade política
07:49de um ou de outro,
07:50dependendo do outro,
07:51não pode,
07:51não pode,
07:52a gente não pode determinar,
07:53passar por essa vida
07:54que é maravilhosa,
07:55e é limitada
07:56de maneira triste,
07:58sem conquista,
07:59sem abundância.
08:00Nós temos que buscar
08:00a prosperidade, sim.
08:02E essa conexão
08:03que nós temos uns com os outros
08:04nos deixa mais fortes.
08:05Quando a gente busca
08:06esse resultado coletivo,
08:07essa conquista coletiva,
08:08a gente fica mais potente,
08:10mais crente
08:11que pode dar certo.
08:12Eu continuo, sim,
08:13morando no Jardim da Fivari,
08:15eu digo que não tenho vontade
08:16de mudar de lá,
08:17a menos que eu já veja,
08:18nossa,
08:18a gente está totalmente transformado,
08:19está maravilhoso,
08:20já posso tentar viver em outro lugar,
08:22mas, enquanto isso,
08:23não vou mudar, não.
08:24Eu quero participar
08:25dessa transformação,
08:26eu quero ser realmente
08:26agente ativo
08:27nessas mudanças
08:28que eu tanto desejo.
08:29A mudança que eu tanto desejo
08:30tem que começar por mim.
08:31E se eu puder transformar
08:32uma vidinha,
08:33uma criancinha,
08:34já está excelente.
08:35Eu passei a receber
08:35muitos depoimentos,
08:37Cláudio,
08:37via telefone,
08:39rede social,
08:40pessoalmente,
08:41de crianças,
08:42de jovens e de mulheres,
08:43principalmente,
08:44dizendo,
08:45você é um exemplo
08:45para mim, Aretha,
08:46você é inspiração,
08:47se você consegue,
08:48eu consigo também.
08:49Gente, durante a pandemia
08:50que estava depressivo,
08:51de repente,
08:52eu via trabalhando
08:52com resíduo,
08:53com lixo,
08:54se sentiu em condição
08:55também de seguir em frente
08:56à independência
08:57da diversidade
08:57que estava vivenciando.
08:59Eu, por exemplo,
08:59consegui ativar
09:00algumas ações sociais,
09:02por exemplo,
09:02levar crianças
09:03da periferia
09:04até a ginásio de escalada,
09:05que fica no centro da cidade,
09:06praticar esse esporte,
09:08mas o meu sonho verdadeiro
09:09não é ter que fazer
09:10esse deslocamento,
09:10o meu sonho verdadeiro
09:11é instalar paredes escaladas
09:12em todas as periferias
09:13do Brasil,
09:14a gente vem trabalhando
09:15para conseguir fazer
09:16esse projeto acontecer.
09:18O livro,
09:18propriamente dito,
09:19tem essa intenção
09:22de que essa história
09:23de uma mulher
09:24afrodescendente
09:25esteja acessada
09:26por muita gente,
09:27a gente sabe
09:27que as histórias
09:28de muito afrodescendente
09:29foram ceifadas,
09:30muitas histórias
09:31não são contadas,
09:32essa era a ideia
09:33de que a primeira negra
09:34latino-americana
09:35que chegou ao topo do Everest
09:36fosse contada
09:37muitas e muitas vezes
09:38para que não parem por aí,
09:39que eu tenha sido
09:40apenas a primeira,
09:41mas de muitas,
09:41muitas e muitas mulheres
09:43alcançando o seu próprio Everest.
09:46A gente quer fazer
09:47um livro biográfico
09:48infantil,
09:49infanto-juvenil
09:49em quadrinhos
09:50para que essa história
09:51chegue também em jovens.
09:53Eu venho ministrando
09:54palestras sociais
09:55em escolas públicas
09:56de Campinas e região.
09:57Esse ano foram 12 palestras,
09:59eu tenho essa meta mínima
10:00de 12 palestras por ano
10:01para fazer a coisa acontecer.
10:04Eu me transformei
10:04em uma embaixadora
10:05de uma empresa
10:06que faz transformação
10:07ecológica no Brasil,
10:09é uma multinacional,
10:10sou embaixadora
10:11da empresa aqui no Brasil
10:12para falar de reciclagem,
10:14de colégia seletiva,
10:15de sustentabilidade
10:16e de promover também
10:18ações para mulheres
10:18empreendedoras
10:19no entorno
10:20das operações
10:21dessa empresa,
10:21justamente porque
10:22todo negócio
10:24para mim
10:24não pode gerar
10:25somente lucro
10:26para a empresa,
10:26todo negócio para mim
10:27pode gerar também
10:28impacto positivo
10:29social e ambiental.
10:30Então,
10:30é assim que eu venho
10:31trabalhando.
10:32A conquista que eu tive
10:33no Everest
10:33foi apenas o primeiro passo
10:34do meu sonho grande.
10:36Meu sonho grande,
10:37volto a dizer,
10:37nunca foi escalar.
10:38Meu sonho grande
10:39é de que todo mundo
10:40tenha oportunidades
10:41equalizadas.
10:42Música
10:43Música
10:44Música
10:45Música
10:46Música
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