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  • há 6 meses
A montanhista Aretha Duarte fala sobre o desafio de reunir recursos para conseguir escalar o Everest.

Assista à íntegra da conversa: https://youtu.be/qMqsfhP2AHA

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Transcrição
00:00Antes de mais nada, quero apresentar o livro para quem não conhece a Aretha
00:04e quer ter um pouquinho, uma pequena medida aqui da vida dela.
00:08Está aqui o livro da Sucata ao Everest,
00:13dos jornalistas Débora Rubim e Rodrigo Grilo,
00:18que tem vários trechos de conversas com ela,
00:22com pessoas ligadas à trajetória dela.
00:25Esse livro traz, Aretha, toda a sua vida em família,
00:34desde a infância, o caminho que você percorreu
00:38até encontrar no esporte uma profissão,
00:42no esporte do montanhismo e na escalada uma profissão
00:46e usar isso como uma forma de superação,
00:54um exemplo de superação e de inspiração para tanta gente.
00:58Então, assim, eu quero que você que fale.
01:00Aqui é você que é a estrela.
01:03Então, eu queria que você resumisse um pouquinho
01:05dessa tua trajetória para os nossos espectadores.
01:09É muito legal, Claudio.
01:10Esse livro acabou de sair do forno,
01:12ele foi lançado recentemente.
01:14Na verdade, estou até passando por uma turnê,
01:16passando por algumas cidades do Brasil para apresentar esse livro.
01:18É um livro biográfico.
01:20E eu contei justamente com esses dois jornalistas
01:22que me ajudaram a escrever.
01:24Débora Rubinho e Rodrigo Vila,
01:25eles entrevistaram a mim, alguns familiares e alguns amigos.
01:29E a ideia desse livro, o nome do livro
01:31é exatamente o nome do projeto que eu realizei,
01:33Da Sucato à Ibereste,
01:34porque tem a ver com uma jornada
01:39que buscava realmente alcançar recurso financeiro
01:41para escalar a mais alta montanha do planeta.
01:43Algo que parecia extremamente desafiador,
01:46bastante ambicioso para a realidade que eu vivo.
01:48Eu sou filha de pernambucanos, Claudio.
01:51Vivo aqui na cidade de Campinas, no bairro de Jardim Capivari.
01:54Jardim Capivari é periferia da cidade.
01:57E vivo aqui desde que nasci.
01:59Mas com muito orgulho.
02:00Eu diria que nesse livro também conta muito disso,
02:02dessa vivência na periferia,
02:04dessa vivência de ser descendente de nordestinos.
02:07E que, de fato, me gerou muita força,
02:09muito empoderamento.
02:13A minha estrutura familiar, por conta desses nordestinos,
02:16meus pais, avós, tios, todo mundo vindo lá de Pernambuco,
02:19me garantiu sempre a mentalidade de que eu posso sim sonhar
02:22e que eu posso sim realizar,
02:24principalmente através da força do trabalho.
02:26Então, esse livro conta muito sobre isso.
02:28Mas a jornada da Sucato à Ibereste começou muito recentemente também.
02:32Eu, durante a faculdade de educação física,
02:36eu fui a primeira pessoa da família que ingressou no ensino superior.
02:40Eu escolhi exatamente educação física
02:42porque eu entendi que seria o meu instrumento
02:44de gerar transformação social.
02:46Eu queria que mais pessoas da periferia
02:48tivessem a oportunidade de sonhar, de realizar,
02:50de ter grandes experiências pelo mundo.
02:52O fato é que no segundo ano de faculdade,
02:55eu assisti a uma palestra sobre montanhismo, escalada, trekking.
02:59Eu achei que era um esporte maravilhoso, lindo.
03:01E a forma que eu encontrei para viabilizar essa prática
03:03foi realmente trabalhando.
03:05É um esporte ainda elitizado, é um esporte caro,
03:08com o ponto de vista de logística, de preparação, cursos, equipamentos.
03:12Mas trabalhando, eu consegui praticar
03:14e realmente me tornei atleta nesse segmento.
03:18Muito bem.
03:20Me fala um pouquinho da tua família.
03:22Eu queria...
03:23Porque você é uma mulher forte, empoderada.
03:30E você tem na sua família a sua mãe,
03:34que, pelo que vocês relatam aqui no livro,
03:37é a tua grande referência familiar,
03:42que também traz essa força aí no DNA.
03:47Absolutamente.
03:48A gente sempre é questionado, né?
03:50Quem é a sua inspiração?
03:51Quem é a sua referência?
03:52Eu costumo dizer que as pessoas que são referência para a gente
03:54são as pessoas mais próximas, geralmente,
03:56aquelas que a gente conhece realmente na intimidade.
03:59Minha mãe é uma grande guerreira.
04:01Ela que veio à cidade de Campinas,
04:03junto com o meu pai, o Ailton.
04:05Meu pai atualmente já é falecido.
04:08Mas quando eles vieram para cá,
04:09para vocês terem noção, não tinha nem onde morar.
04:11Eles ocuparam um terreno,
04:13construíram um barraco de madeirite,
04:15e ali puderam formar a família.
04:17Eu sou a caçula de três crianças,
04:18eu tenho os irmãos Estênio e Ailton Júlio.
04:21E foi através do trabalho que eles puderam o tempo todo garantir para a gente
04:25todo o subsídio que era essencial para a gente ser feliz.
04:28Quando eu era criança, eu me lembro que eu não via falta de nada na minha casa.
04:33Eu tinha o que comer, eu tinha onde estudar,
04:35apesar de ser escola pública de menor qualidade,
04:37mas eu tinha educação, eu tinha onde morar, eu tinha onde dormir,
04:41eu tinha assinamento básico no bairro onde eu morava.
04:45Porque quando eu nasci, isso tudo já estava garantido naquele lugar.
04:47Mas os meus pais passaram muitas dificuldades
04:50para garantir esse mínimo essencial às crianças.
04:54Mas eles não contavam para a gente as dificuldades.
04:56Hoje no livro a gente consegue ver, ouvir, ler depoimentos ali da minha mãe,
05:00que em algum momento ela ficou sem comer,
05:01o meu pai ficou sem comer, para garantir comida aos filhos.
05:04Então, a minha mãe, toda vez que ela via alguma dificuldade,
05:08alguma adversidade, e ela é assim até hoje,
05:10ela transforma aquilo num verdadeiro sim para a vida dela,
05:13um verdadeiro impulsionador para ela seguir em frente,
05:15e superar qualquer problema que ela encontre.
05:18Quando alguém fala para ela, você não vai conseguir,
05:20isso é motivo suficiente para ela conseguir,
05:22para ela seguir em frente, impulsionador de verdade.
05:24Então, ela é a minha maior inspiração.
05:27E ela te apoiou nessa tua aventura ao Everest,
05:30apesar até do custo.
05:32Eu acho que é o grande...
05:34Muita gente...
05:35A gente ainda vai falar de como funciona essa coisa
05:37de uma expedição a um lugar como o Everest,
05:41mas ainda citando a sua mãe,
05:45o seu irmão achava que não era possível reunir,
05:49conseguir 400 mil reais para poder bancar essa expedição.
05:55E nem passou pela cabeça da sua mãe que isso...
05:57Não, ela vai, vai ser em 2021, vai subir,
06:02não tem o que se discutir.
06:03Eu não sei, Cláudia,
06:06se é uma característica feminina,
06:08ou uma característica da mãe,
06:10de que, poxa, quando eu contei para ela,
06:12ela e o meu irmão foram as primeiras pessoas
06:14que souberam desse meu projeto,
06:16dessa minha vontade de escalar mais automotriz no planeta,
06:19e automaticamente eu falei,
06:21o valor necessário para esse investimento
06:23era aproximadamente 400 mil reais,
06:2667 mil dólares na ocasião,
06:28o meu irmão racionalmente falou,
06:30não vai dar certo, Aureta,
06:31você quer conseguir 400 mil reais a partir da reciclagem?
06:34Algo que eu já tinha feito na infância, na adolescência,
06:36ele falou, não vai dar certo.
06:37E a minha mãe deve ter enxergado o brilho dos meus olhos
06:39no momento que eu contei.
06:41Ela falou, vai dar certo, eu vou te ajudar,
06:43nós vamos te ajudar,
06:45e você vai realizar esse sonho.
06:48Interessante que, na sequência,
06:49o meu irmão também foi convencido
06:50por essa força, potência da minha mãe,
06:53todos os familiares se engajaram realmente,
06:56amigos e até desconhecidos
06:57passaram a fazer parte dessa jornada.
06:59A gente conseguiu, sim, embarcar o Nepal,
07:01não somente através da reciclagem,
07:03racionalmente falando,
07:04realmente foi insuficiente,
07:06é um trabalho bastante marginalizado ainda,
07:09pouco remunerado, pouco valorizado,
07:12mas a gente conseguiu embarcar
07:13com algumas outras ações
07:14em aproximadamente 13 meses.
07:29E aí
07:34E aí
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