00:00Começamos o ano com os somelhês de vacina. Depois, com a morte de Marília Mendonça,
00:06vieram os somelhês de velório, analisando se as parceiras dela estavam demonstrando
00:11adequadamente o luto. E agora, nessa semana, descobrimos os somelhês do tal dom de línguas,
00:17avaliando se a Michele Bolsonaro o exerceu de forma convincente, sem sotaque.
00:22Eu sou André Marcília e esse é o assunto de hoje na coluna.
00:25A imprensa e as pessoas em geral foram críticas à performance da primeira-dama,
00:30supostamente falando línguas celestiais durante a comemoração da nomeação de André Mendonça para
00:37o STF. E aí, tirar sarro da crença dela não seria intolerância religiosa? Não. Ou melhor,
00:44não necessariamente. Pode ser que eu ache engraçado o modo de alguém exercer sua crença,
00:49ache caricato e isso seja uma crítica, e não um ato de intolerância.
00:54Intolerância religiosa é quando você impede ou constrange o exercício de alguém à sua crença.
01:01Isso é ilícito. Criticar, ainda que de forma satírica, a crença ou exercício de crença de
01:08alguém é lícito. Aliás, estão aí os programas de fim de ano do Porta dos Fundos sempre satirizando
01:15para não me deixar mentir. Todos os anos eles são questionados do Judiciário, todos os anos eles são
01:22liberados pelo Judiciário. Então, meus caros, impedir o exercício de crença de alguém é intolerância e,
01:30portanto, ilícito. Criticar é liberdade de expressão e, portanto, lícito. Alguém deve estar pensando,
01:37ok, mas se alguns religiosos têm de aguentar ser alvo de críticas, o que acontece quando alguém é alvo
01:44da crítica de alguns deles, como, por exemplo, os homossexuais? A questão é complexa, mas é boa.
01:52E se você me seguir aqui no Twitter e me pedir o tema, eu volto nela numa próxima oportunidade.
01:58Até a semana que vem. Tchau.
02:07Tchau.
02:08Tchau.
02:09Tchau.
02:10Tchau.
02:11Tchau.
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