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  • há 7 meses
Em conversa com Felipe Moura Brasil, de O Antagonista, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) comenta as informações preliminares sobre o vídeo da reunião ministerial em que Jair Bolsonaro teria associado a troca do Superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro à proteção de sua família e avalia as atitudes do presidente durante a pandemia. Assista.
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Transcrição
00:00Salve, salve, sejam bem-vindos, leitores e espectadores de O Antagonista.
00:03Eu sou Felipe Moura Brasil e recebo mais um convidado especial nessa minha série de entrevistas.
00:07Ele que falou comigo umas semanas atrás, antes de muita coisa acontecer.
00:12Eu sei que já estava querendo falar de novo sobre tudo que aconteceu nas últimas semanas.
00:17É o senador Alessandro Vieira, do Cidadania, do Sergipe.
00:20Muito boa noite. Já é noite, 18h35, estamos gravando aqui.
00:25Seja bem-vindo de novo, senador.
00:27Boa noite, Felipe. Um abraço, pessoal do Antagonista.
00:30Muito bem, um dia quente aí em Brasília, senador, com a revelação, por enquanto,
00:36das informações a respeito do conteúdo do vídeo, que está lá em mãos do ministro do STF, Celso de Mello.
00:43Muita gente nas redes sociais já subindo hashtag para que ele divulgue tudo.
00:47E as informações dão conta de que o Jair Bolsonaro associou a troca no comando da superintendência
00:55da Polícia Federal no Rio de Janeiro à proteção da família,
00:59dizendo que ela está sendo perseguida.
01:01Nós estamos gravando aqui para deixar bem claro para a posteridade,
01:04antes da divulgação do vídeo.
01:07Então, tem muita gente que ainda quer ser mais prudente, esperar o vídeo para divulgar,
01:11em razão até de acontecimentos passados, que houve informações preliminares,
01:15que não condiziam exatamente com o conteúdo do material.
01:19Mas isso já gerou uma grande ebulição aí no debate público.
01:23E não foi só isso, porque também tem lá o Bolsonaro, segundo essas notícias de bastidor,
01:28preocupado com o impeachment em relação aos exames de coronavírus que ele não apresentou até hoje.
01:34Tem o Abraham Weintraub, repito, tudo de acordo com as notícias de bastidor,
01:38falando que os ministros do STF teriam de ir para a cadeia.
01:42A Damaris Alves, também ministra, falando em prisão para governadores e prefeitos.
01:48Parece que teve briga do Paulo Guedes com o Rogério Marinho.
01:51Quer dizer, essa reunião ministerial a julgar por esse noticiário foi um grande circo.
01:57Mas há informações importantes que podem levar a um desenlace mais forte, digamos assim,
02:05do inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal.
02:07Senador, quais são as suas primeiras impressões?
02:09Bom, primeiro de tudo, a gente está aguardando ansiosamente que o vídeo seja divulgado.
02:14É uma urgência, é uma obrigação que o Brasil tenha acesso a essas informações.
02:19A gente precisa conhecer quem são essas pessoas que comandam os nossos destinos,
02:23no seu nível mais alto.
02:25A gente já tinha pedido, você acompanhou, que o ministro de São Sérgio de Mello acelerasse as diligências.
02:29O prazo inicial, que era de 60 dias, caiu para cinco dias, por conta de um pedido nosso,
02:34em parceria com a deputada Tabo, com a deputada Felipe Rigoni.
02:37Mas, dessa vez, o próprio ministro, no despacho em que ele agendou esse dia de cineminha na Polícia Federal,
02:44Aras, AGU e o próprio Sérgio Moro, ele já despachou dizendo que, brevíssimo,
02:49decidiria sobre a divulgação, a publicação da íntegra ou de parte do vídeo.
02:54A gente tem a expectativa que seja divulgado integralmente,
02:56porque é importante que a gente tenha acesso a essas informações.
02:57E, se algumas delas se confirmarem, como, por exemplo, a exigência de uma mudança na superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro,
03:04para atender ao presidente da República, no sentido de proteger seus filhos, proteger seus amigos,
03:10você tem claramente o cometimento de um crime gravíssimo de responsabilidade.
03:13E isso é incompatível com a permanência de Jair Bolsonaro no cargo.
03:17Vamos aguardar a confirmação dos fatos, mas fatos se impõem.
03:21As pessoas tentam enrolar, a gente vai ter aquele mundo de robôs se movimentando pelas redes,
03:27versões em cima de versões, mas o vídeo, uma vez divulgado, deve esclarecer essa situação.
03:32É óbvio que um vídeo, um conteúdo audiovisual, tem muito mais contundência do que qualquer coisa escrita.
03:40Já houve uma prova bastante forte, que foi a conversa de WhatsApp entre o presidente
03:45e o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro,
03:48na qual ele cita, inclusive, uma postagem do antagonista que repercutia alguns trechos
03:52da coluna do Merval Pereira, falando sobre a investigação que teria chegado a deputados
03:58bolsonaristas e que poderia atingir ao Carlos Bolsonaro, ao filho 02, como eles chamam,
04:06do presidente Jair Bolsonaro.
04:08Então, essa informação sobre o Carlos Bolsonaro, fiz um comentário a respeito disso,
04:11ela estava lá naquela nota, a qual se seguiu a declaração do presidente
04:15de que isso seria mais um motivo para a troca.
04:19E lembrando que o Carlos Bolsonaro é vereador lá no Rio de Janeiro,
04:22portanto, está tudo mais ou menos aí dentro do contexto dessas declarações
04:26que o Bolsonaro eventualmente deu aí nessa reunião ministerial, no final de abril,
04:32a qual o Moro se referiu no pronunciamento quando deixou o governo
04:35e se referiu também depois na Polícia Federal.
04:38Havia também, senador, o depoimento da Polícia Federal do Maurício Valeixo,
04:44do ex-diretor-geral da Polícia Federal, que a CLAC, como eu chamo, a militância bolsonarista
04:50e os seus comentaristas nos veículos Chapa Branca, estava tentando minimizar de todas as formas.
04:58E eu fui lá avaliar, inclusive, as íntegras dos depoimentos e eu vi que o depoimento
05:03do Maurício Valeixo estava, essencialmente, convergente com o pronunciamento do Sérgio Moro
05:10na sua saída do ministério.
05:12Porque o Sérgio Moro falou que ele, no aspecto do apedido,
05:16que foi publicado no Diário Oficial sobre a exoneração,
05:19o Sérgio Moro falou que ele nunca formalizou um pedido de exoneração.
05:23O que ele estava cansado, como, inclusive, usou, explorou o presidente da República,
05:28era justamente com as pressões para que ele saísse do carro.
05:31E aí, recebeu um telefonema, a altas horas, falando,
05:35o senhor está exonerado e tal, posso colocar aqui o apedido?
05:39Quer dizer, isso lá é maneira de se fazer as coisas?
05:41Quer dizer, se o sujeito pede uma exoneração, aí se publica que é a pedida.
05:46Agora, você o exonera, você o demite, o constrange a concordar com essa exoneração
05:53a pedido, não é a mesma coisa do que a formalização.
05:58Sem dúvida, é um caso de constrangimento.
06:00Um assédio quase, pelo menos, quase um assédio moral.
06:03É muito claro que o presidente Bolsonaro tem muita dificuldade em entender
06:06qual é o papel, como figura pública, que ele deve exercer.
06:09Quais são os limites de atribuição de um presidente da República.
06:12Ele deveria estar liderando o país nessa missão de combater a pandemia
06:16e recuperar a economia que vai estar absolutamente estraçalhada ao final desse processo.
06:22Ele escolhe o oposto.
06:23Ele escolhe atacar adversários políticos reais ou imaginários.
06:27Ele escolhe fazer passeio de jet ski no Lago Paranoá, enquanto o Brasil chora 11 mil mortos.
06:33Então, ele está na contramão da história.
06:35Jair Bolsonaro, aparentemente, insiste em seguir nesse rumo totalmente desnorteado.
06:41É um perigo para a nação continuar dessa forma.
06:43A gente tem que ter um trabalho sempre muito cuidadoso, muito transparente,
06:46aguardar a divulgação do vídeo, aguardar que essas provas todas que foram indicadas
06:52cuidadosamente pelo Sérgio Moro sejam levantadas, sejam publicizadas.
06:57E, a partir daí, sem dúvida, tanto o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República,
07:01mas também o Congresso Nacional vão ter que tomar providências.
07:04O Brasil precisa de liderança nesse momento.
07:06Você não pode ficar brincando de presidente da República.
07:09A gente tinha toda uma construção, uma promessa de governo que iria combater a corrupção,
07:14que iria mudar as práticas do Toma-la-da-cá, que iria fazer uma política liberal sólida
07:19para reorganizar as finanças do Brasil, que você tem, na realidade, ao contrário.
07:22Um governo que abraçou o Centrão, que faz vídeo abraçado com o investigado pela Polícia Federal,
07:27processado na Justiça, que recebe condenados ex-presidiários,
07:32e, a partir de um determinado momento, isso começou a parecer normal.
07:35Criou uma falsa impressão de normalidade.
07:37Não é normal você lidar com um bandido quando você quer cuidar da gestão pública brasileira.
07:42É, pelo contrário, o que se prometeu para chegar ao sucesso nas urnas foi o oposto disso.
07:46Eu continuo cobrando da forma mais forte possível que o governo tenha um rumo certo.
07:53E, se ele não consegue atender a isso, se ele não consegue respeitar a cadeira que ele ganhou no voto,
07:58nós vamos trabalhar também para que a situação seja corrigida pelos meios possíveis, inclusive o impeachment.
08:03E aí, há vários problemas.
08:05Tem os problemas mais da esfera criminal, quer dizer, uma instrumentalização política da PF,
08:13o que acaba resvalando, pelo menos, na esfera criminal.
08:17Embora, é claro que o Sérgio Moro, ao sair e ao declarar tudo o que ele declarou,
08:21ele estivesse querendo evitar o pior, quer dizer, evitar que a PF fosse aparelhada
08:27e, a partir daí, houvesse uma blindagem.
08:29Mas o que se avalia é justamente a gravidade das motivações e da finalidade das substituições das trocas de comando.
08:37Há as questões morais aí por trás disso tudo que abrangem todas essas esferas.
08:43E há também as questões de estelionato eleitoral, de quebra de promessa, de campanha.
08:49Eu tenho mostrado aqui nos meus vídeos também.
08:51O general Augusto Heleno, numa convenção do PSL, em 2018, cantou lá,
08:55se gritar, pega centrão, não sobra um, meu irmão.
08:59Parodiando a música eternizada na voz do Biserra da Silva, que fala em ladrão.
09:03O Eduardo Bolsonaro, naquela mesma convenção, desafiando as pessoas.
09:07Quando o couro comer, em 2019, quero ver quem vai se deixar seduzir pelo discurso do centrão
09:12e quem vai se manter firme e forte com o Bolsonaro.
09:15E o próprio Bolsonaro, a própria família Bolsonaro, está aí ligada a esses parlamentares do centrão,
09:22vários dos quais são réus, alguns até em mais de um processo, outros investigados em vários processos.
09:30Tem gente ali condenada no Mensalão, como Valdemar da Costa Neto.
09:34Como é que o senhor vê essa convivência, essa mudança de discurso, de uma forma assim tão flagrante,
09:41com as atitudes correspondentes?
09:42Porque o Diário Oficial não mente.
09:44Então, tem as indicações ali do centrão para órgãos públicos, autarquias, etc.
09:51Como é que o senhor vê isso aí no Congresso?
09:54Acho que, mais que tudo, é uma tristeza para o Brasil ter novamente acreditado num projeto
09:58que não se confirma na realidade.
10:01Era um projeto de marketing eleitoral.
10:04Eram promessas que tentaram encaixar esse personagem, que é Jair Bolsonaro,
10:08naquilo que o brasileiro queria naquele momento.
10:10O brasileiro queria mudar. Ele não aceitava mais aquele grupo que foi muito simbolizado pelo PT,
10:16mas que estava espalhado por vários partidos.
10:18O brasileiro não aceitava mais a corrupção, não aceitava mais o Toma Lá da Cá.
10:22E escolheu o candidato que se apresentou com essas bandeiras, que foi Jair Bolsonaro.
10:26Infelizmente, era só um discurso. Isso se mostrou muito rapidamente.
10:30A gente está vendo que não teve nenhuma ação concreta do Jair Bolsonaro para mudar o quadro do Toma Lá da Cá.
10:35Pelo contrário, ele vem fazendo isso com toda a graça, com vídeos, com piadas, com nomeações,
10:42para cargos estratégicos, para orçamentos gigantescos.
10:46No momento em que a saúde passa para a maior crise, ele está loteando o Ministério da Saúde,
10:51dividindo entre militares e integrantes do Centrão.
10:54Não tem nenhuma chance de isso funcionar.
10:56Não tem nenhuma chance de ser bom para o Brasil.
10:59Eu faço questão, Felipe, de lembrar, porque agora você vê os robozinhos repetindo,
11:03cadê a CPI da Lava Toga, cadê a apuração de conduta de ministros.
11:08Quando a gente apresentou a proposta lá atrás,
11:10quem foi a campo para evitar que a CPI acontecesse foi justamente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio.
11:15Isso foi público, foi notório.
11:17Nós apresentamos pedido de impeachment de ministros, apresentamos pedido de CPI,
11:20conseguimos a assinatura, mas o governo trabalhou forte para evitar que andasse.
11:24Porque naquele momento a justiça interessava para eles.
11:27Porque naquele momento a justiça paralisava as investigações de Flávio Bolsonaro.
11:31E agora deve ter pedido pela terceira vez música no Fantástico,
11:34ele entrou com o décimo recurso e perdeu o décimo recurso
11:37para evitar que sejam apurados os fatos lá ligados ao seu mandato de deputado estadual.
11:42Então essa turma não trouxe práticas novas.
11:44Trouxe as práticas antigas, uma nova roupagem e farda.
11:47Não muda a essência.
11:49E o Brasil precisa mudar na essência, precisa ter um país novo.
11:52É bom lembrar que a revelação sobre a investigação no gabinete do Flávio Bolsonaro,
11:58ela ocorreu depois da eleição.
12:01Então o eleitorado brasileiro votou, é claro que havia vários elementos no ar
12:05para escolher cada um o seu candidato,
12:07mas sem saber da movimentação bancária atípica do Fabrício Queiroz,
12:11ex-assessor do Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual lá no Rio de Janeiro.
12:15Queiroz, que é amigo de décadas do Jair Bolsonaro,
12:19então era um amigo do próprio atual presidente, não era um amigo do filho,
12:23e que atuava ali centralizando, segundo a investigação,
12:27aquela coleta de parte do salário dos outros servidores, dos outros assessores.
12:32A partir daí, houve várias tentativas de parar essa investigação.
12:36O Dias Toffoli, presidente do STF, suspendeu as investigações baseadas em dados do COAF.
12:41Aí houve a tentativa dos senhores parlamentares de instalar a CPI da Lava Toga
12:46e o Flávio Bolsonaro acabou atuando como quem não quer melindrar o Toffoli
12:52que havia suspendido a sua própria investigação.
12:54O Eduardo Bolsonaro também fez campanha na internet contra a instalação da CPI da Lava Toga.
12:59É claro que eles não assumiam essa motivação,
13:02eles tentavam dar outras alegações, mas que não colavam.
13:06A gente via ali que aquilo não para em pé,
13:08como muitas alegações que estão sendo dadas agora, no caso envolvendo o Sérgio Moro.
13:13Quer dizer, aquela descoberta ali da rachadinha de gabinete
13:16acabou trazendo outras decisões do próprio presidente da República
13:22para tentar evitar qualquer mal maior
13:26e, aos poucos, ele foi sabotando, na minha análise,
13:30que é pública aqui, eu posso falar,
13:32a pauta anticorrupção defendida pelo Sérgio Moro.
13:36Até que o Sérgio Moro cansou com esse último ato,
13:38que ele considerou a bota d'água,
13:40deu entrevista e usou essa expressão, inclusive,
13:42que foi a exoneração do Maurício Faleixo da direção-geral da PF.
13:45Então, o senhor vê, senador,
13:47essa investigação do Flávio como um ponto central
13:51para uma série de tomadas de decisões
13:54que não foram compatíveis com aquelas bandeiras de campanha?
13:58Certamente.
13:59A gente teve logo a clareza de que, para Jair Bolsonaro,
14:03acima de tudo está a família,
14:05acima de tudo está o grupo próximo dele.
14:07Não é Deus, não é a pátria, é a família.
14:11E isso é incompatível com a Constituição,
14:13é incompatível com o cargo de presidente da República.
14:16Ele foi legitimamente eleito.
14:18Todos nós queremos que ele possa concluir o seu mandato.
14:21Nós queremos normalidade democrática no Brasil.
14:24Mas, se ele não se comporta de acordo
14:26com o que se exige de um presidente da República,
14:28a gente tem que usar justamente a Constituição
14:30para resolver o problema.
14:31O Brasil não merece ficar submetido
14:32aos interesses de uma família.
14:33O tempo da monarquia e a relação do Brasil já tem certos.
14:37Aliás, senador, a gente não pode aqui,
14:39obviamente, analisar detalhes do vídeo
14:42que ainda não foi divulgado.
14:44No entanto, já dá para analisar as declarações
14:47que o próprio presidente da República deu.
14:50Ele foi à TV, depois da divulgação dessas notícias,
14:52ele deu uma coletiva ali em Brasília
14:54e passou na televisão, evidentemente.
14:57A gente fez a repercussão no site.
14:59E ele tentou dizer que, na frase
15:01que estava sendo noticiada
15:03como a associação da troca da superintendência
15:05com a proteção à família,
15:07que, na verdade, ele não usou a palavra
15:09superintendência, nem polícia federal,
15:12e que ele sempre se preocupou
15:13com a proteção da família
15:15no sentido de protegê-la contra eventuais atentados,
15:18depois que ele recebeu a facada
15:20do Adélio Bispo Oliveira.
15:23Agora, se isso for usado
15:25como uma motivação para a troca
15:28da superintendência da PF no Rio,
15:30também não estaria errado,
15:32ainda que se leve em consideração
15:34esse tipo de alegação.
15:36Quer dizer, para proteger a família,
15:38se troca a superintendência da PF,
15:42ele está querendo desviar, por essa alegação,
15:45da questão de interferência em investigação.
15:47Não seria para blindar contra investigação,
15:50seria para proteger a saúde física mesmo
15:55dessas pessoas contra eventuais atentados.
15:57Me pareceu isso, num primeiro momento,
15:59a declaração do presidente da República.
16:01Agora, isso em si já não é uma motivação espúria,
16:05digamos assim?
16:08É uma motivação que foge do interesse público.
16:11Não é essa a função da Polícia Federal.
16:14Quando você tem a necessidade de fazer a proteção
16:16de uma autoridade, você tem mecanismos para isso.
16:18E o presidente da República tem acesso
16:19a todos esses mecanismos.
16:21Então, é evidente que não falta cobertura de segurança
16:23do presidente para seus familiares.
16:25Não é à toa que esse é o presidente que mais gastou
16:27com os cartões corporativos na década,
16:30ou nas últimas décadas.
16:31Então, é muito claro que não é por aí.
16:33É mais uma desculpa que está sendo criada.
16:35E a gente entende a agonia de quem ainda está apaixonado,
16:39que foi lá, depositou seu voto, confiou.
16:41Como são os apaixonados do Lula.
16:43Os apaixonados do Lula são muito parecidos
16:45com os apaixonados do Bolsonaro.
16:47Eles se negam a ver os fatos,
16:48mesmo quando os fatos batem na cara deles.
16:51Mas não tem como evitar.
16:52A verdade é um bicho muito teimoso.
16:55Por mais que se tente esconder esse só papel nele,
16:58ele vai continuar aparecendo.
16:59Não tem como.
17:00E a imprensa livre e o Congresso Nacional
17:02têm esse papel fundamental de levar a verdade para o cidadão.
17:06Para que você possa ter uma democracia verdadeira no Brasil.
17:09Exatamente.
17:10E também está sendo noticiado que ele teve a questão
17:12de preocupação naquela reunião
17:15com o impeachment em decorrência
17:18da questão do exame que ele ainda não divulgou.
17:22Aí a gente ainda não sabe direito
17:24como é que ele colocou isso na reunião.
17:26Mas na minha análise,
17:28quem está preocupado com o impeachment por causa do exame
17:31é quem mentiu sobre o exame.
17:33Agora, se ele está preocupado com o impeachment
17:35por não divulgar o exame,
17:38aí já me parece demais.
17:41Mas é isso que ele está tentando alegar agora.
17:43O senhor não acha que ele deveria divulgar o exame
17:46para acabar com esse assunto?
17:50Porque se ele deu negativo para o coronavírus
17:53como ele disse publicamente, sem provar,
17:57é isso, bola para frente e tudo continua.
18:00Mas ele posa ali de quem está querendo defender a privacidade.
18:03Só que a partir do momento que o presidente
18:04está participando de manifestações,
18:08interagindo fisicamente com as pessoas,
18:11parece que é do interesse público
18:13saber se ele está contaminado ou não.
18:16Sem dúvida.
18:18Mais ainda porque a conduta pessoal do presidente
18:20influencia diretamente na postura do cidadão na rua.
18:24Quando ele vê o cidadão,
18:25o presidente da República, andando sem máscara,
18:27participando de aglomeração,
18:29fazendo piadinha,
18:31tentando mostrar que não tem medo de ser contaminado,
18:34e quando, na hipótese,
18:36possivelmente, ele já foi contaminado,
18:38a gente tem uma situação absurda.
18:39além da gravidade de você mentir reiteradamente
18:43para os brasileiros,
18:44porque ele disse dezenas e dezenas de vezes
18:47que o resultado dele deu negativo.
18:49Se ele deu negativo, como você bem falou,
18:51basta mostrar o exame.
18:53Todos os líderes do mundo fizeram isso.
18:55Você tem a todo dia, praticamente,
18:57a notícia de algum parlamentar,
18:59algum cargo do executivo,
19:00prefeito, governadores,
19:01que adoeceram,
19:03publicam a situação,
19:04vão se recuperar,
19:05e voltam para o trabalho normalmente.
19:07É incompreensível essa postura
19:09do presidente Bolsonaro.
19:10Realmente, não dá para a pessoa
19:11com a mente comum entender.
19:13Deve ter alguma coisa muito especial,
19:15e ele vai aguardar que ele faça a divulgação.
19:17E, eventualmente,
19:18se ele já tivesse tido
19:21os sintomas, a doença,
19:23ter estado positivo,
19:25fica um exemplo
19:26descaracterizado para a população,
19:29porque ele pode estar imunizado,
19:31e, por isso,
19:32andando sem tantas precauções assim,
19:35pelo menos,
19:35de acordo com boa parte das autoridades,
19:38se fica imunizado,
19:39pelo menos por algum tempo.
19:40Existe ainda uma certa discussão
19:41a respeito disso,
19:43mas a tendência é pela imunização.
19:45Então, ele estaria imunizado,
19:47dando um exemplo ruim
19:48para as pessoas que não estão.
19:50Quer dizer,
19:50sendo uma influência,
19:52por ser o presidente da República,
19:54e cada atitude,
19:54cada declaração,
19:55tem muita repercussão,
19:56ser uma influência negativa
19:58nesse sentido,
19:58que estimula a pessoa
19:59a sair sem máscara e tal,
20:01e, de repente,
20:02se contaminar aquela pessoa
20:04que ainda não foi contaminada.
20:05E aí, eu pergunto
20:06para o senhor, senador,
20:07a sua postura em relação
20:09à pandemia do coronavírus,
20:11a esse momento
20:12dessa tensão
20:13entre medidas restritivas,
20:15entre flexibilização,
20:17a necessidade de girar a economia,
20:20mas, ao mesmo tempo,
20:20de preservar a vida da população.
20:23Ontem, surgiu também
20:24mais um fato curioso
20:25desse governo,
20:27que o ministro da Saúde,
20:28Nelson Tais,
20:28foi surpreendido
20:29por uma entrevista coletiva
20:30com uma decisão
20:31do próprio presidente da República,
20:33da qual ele não sabia,
20:34sobre a qual não fora consultado,
20:37que é a ampliação da lista
20:38de atividades essenciais.
20:41O Bolsonaro decretou lá
20:42que salão de beleza
20:44e academias
20:45faziam parte agora
20:47das atividades essenciais,
20:48e o próprio ministro da Saúde
20:49não sabia disso.
20:51Então, o que está faltando?
20:52Qual é a sua visão
20:52a respeito disso?
20:55É, me parece
20:55que o presidente Bolsonaro
20:56decretou
20:57que o Ministério da Saúde
20:58é uma atividade
20:59não essencial
21:00e que cabeleireiro
21:01e salão de beleza
21:02e ginástica é.
21:03É uma tristeza para o Brasil.
21:05Você não pode cuidar
21:06de uma situação dessa
21:06tão técnica,
21:07desprezando a ciência.
21:09Quem consegue fazer
21:10os melhores casos
21:11de descompressão,
21:13ou seja,
21:13da abertura gradual
21:14no mundo
21:15e aqui no Brasil
21:16são aqueles
21:17que se apegam à ciência,
21:18que montam grupos
21:19de técnicos para orientar.
21:21Você tem exemplos
21:22do consórcio
21:23de governadores do Nordeste,
21:24você tem exemplos
21:25do governador Eduardo Leito
21:27no Rio Grande do Sul,
21:28você monta um grupo técnico,
21:29estabelece critérios,
21:30comunica para a população
21:31e vai fazendo
21:32esse trabalho técnico,
21:33dialogado,
21:34mostrando seriedade
21:36e respeito com os problemas.
21:38Mas, infelizmente,
21:39o presidente segue
21:39na linha oposta.
21:41Quando ele decide
21:41fazer uma liberação
21:42desse tipo,
21:43sem sequer ouvir
21:44o ministro da Saúde,
21:45ele mostra que a preocupação
21:46dele não é com vidas.
21:48A preocupação dele,
21:49aparentemente,
21:49é criar um tumulto
21:50cada vez maior.
21:51E isso é profundamente lamentável.
21:53Em relação às medidas
21:54que estão sendo tomadas
21:55pelo Congresso Nacional,
21:57como o auxílio emergencial,
21:59socorro aos estados,
22:00aos municípios,
22:02qual tem sido
22:02a sua posição?
22:03O que o senhor
22:04tem achado
22:04das deliberações legislativas?
22:09Eu fui relator
22:10aqui no Senado
22:10do projeto de auxílio
22:11e fui autor
22:12do projeto
22:12que fez aquela ampliação
22:13do auxílio emergencial.
22:14O auxílio emergencial
22:15é indispensável,
22:16está acontecendo no mundo todo,
22:18vai manter as pessoas
22:19com segurança em casa
22:20e vai manter
22:21um determinado nível
22:22de atividade econômica,
22:23porque as pessoas
22:23continuam tendo
22:24uma renda mínima
22:25para poder consumir.
22:26Isso vai ter que se prolongar.
22:28Não pode ser uma coisa
22:29permanente,
22:29de forma não planejada,
22:31mas vai demorar um pouco mais,
22:33três meses,
22:33é insuficiente.
22:34É uma ação importante,
22:36só que ela está vindo,
22:36como tudo nesse governo,
22:37de forma desorganizada
22:38e fragmentada.
22:40Você tinha que comunicar
22:41bem para as pessoas
22:42que elas precisam ficar em casa
22:43e que o governo
22:43vai cuidar delas
22:44nesse período.
22:45que elas vão poder retornar
22:47e garantir seus empregos,
22:48ou pelo menos
22:48naquilo em que for possível.
22:51Mas as medidas,
22:51por exemplo,
22:52para garantir a folha
22:53de pagamento
22:53não saem do papel.
22:55Os empréstimos,
22:56todos aqueles valores
22:57que nós apresentamos
22:58em termos de políticas
22:59para garantir
23:00que pequenas,
23:01médias e grandes empresas
23:03tenham fonte de renda
23:04nesse momento,
23:04não decolaram.
23:06Falta uma coordenação,
23:07falta liderança no processo
23:08e isso é muito ruim.
23:09E por mais que o Congresso Nacional
23:10queira fazer algumas coisas,
23:12o nosso sistema
23:13é presidencialista.
23:15Então,
23:15várias atribuições
23:16são essencialmente
23:17do presidente da República.
23:18O presidente da República
23:18se recusa a liderar o processo.
23:21Ele é negacionista.
23:22Ele vai continuar
23:23durante todo esse tempo
23:24negando a importância
23:25da pandemia,
23:26negando os fatos.
23:28Ele prefere ouvir
23:29um ex-ministro
23:29que dizia
23:30que um ter 800 mortes
23:31e já passamos de 12 mil
23:33e o ministro
23:34continua falando
23:35com toda empáfia
23:36e certeza
23:37de que ele tinha a convicção
23:38e estava correto.
23:39Falta talvez juízo
23:40ou vergonha na cara,
23:41eu não sei.
23:42E isso corre ignorado.
23:44O senhor está falando
23:44do tipo do mundo.
23:46O senhor está falando
23:46do Osmar Terra, não?
23:47Que nem é ministro?
23:49Exatamente.
23:50O ex-ministro Osmar Terra.
23:52É surpreendente
23:53que a pessoa
23:53manifeste uma opinião
23:55no sentido
23:56de que vai ser
23:57uma gripezinha,
23:58que vamos ter
23:58800 mortes,
24:00o mundo fica paralisado,
24:01você tem a mais
24:02de 12 mil mortes
24:03no Brasil
24:04e o cara continua
24:05falando
24:05que é só uma gripezinha
24:07e que ele está certo
24:07e que seria melhor
24:09se tivesse
24:10todo mundo na rua.
24:11Quer dizer,
24:12ou é um caso
24:12de talvez
24:14alguma insanidade
24:15temporária
24:15ou é um caso
24:16realmente de uma pessoa
24:17que quer um cargo público
24:18a qualquer custo,
24:19está atrás do ministério
24:21a qualquer custo
24:21e quer agradar o presidente
24:22que tem um pensamento igual.
24:24Então,
24:24o negacionismo
24:25não leva a nada.
24:25A gente tem que respeitar
24:26a ciência,
24:26respeitar os fatos
24:27de fazer a coisa acontecer.
24:29Eu tenho esperança
24:30que o Brasil consiga
24:30entrar nos trilhos.
24:32Nós temos um compromisso,
24:33uma responsabilidade
24:34com os brasileiros
24:35de traçar um caminho
24:36para sair desse momento
24:38de crise.
24:38A nossa situação econômica
24:40seguramente vai ser
24:40a pior da história
24:41quando essa pandemia acabar.
24:43A gente vai ter que traçar
24:44uma rota
24:44para poder sair disso.
24:45Isso passa
24:46por Congresso,
24:47passa pela presidência
24:48e passa pela sociedade.
24:50Liderados
24:51por quem estiver sentado
24:52na cadeira
24:53da presidência da República.
24:54Senador,
24:55eu noticiei hoje
24:56uma frente democrática
24:58independente
24:59que foi criada
24:59na Câmara dos Deputados
25:01por deputados
25:01que já eram críticos
25:03ao PT,
25:03se tornaram críticos
25:05ao bolsonarismo,
25:06como alguns ali
25:07da ala dissidente
25:08do PSL,
25:09que ficaram,
25:10depois que o Jair Bolsonaro
25:11saiu,
25:12como o Júnior Bozella,
25:14a professora Daiane Pimentel,
25:16Joyce Hasselman,
25:17junto com o Kim Kataguiri,
25:19com outros deputados,
25:21Marcelo Calero
25:22do seu próprio partido,
25:23Cidadania,
25:25estão criando ali
25:25uma frente
25:26para unir as pessoas
25:27arrependidas
25:28de terem votado
25:29no Jair Bolsonaro,
25:30decepcionadas
25:30com o presidente
25:31ou que não querem
25:33mais a escalada
25:34autoritária,
25:36sejam elas favoráveis
25:37ou não ao impeachment,
25:38mas com o objetivo
25:39final ali
25:40de se tudo
25:41correr
25:42nesse sentido,
25:44de vir uma base
25:44cada vez maior
25:45para motivar
25:46uma iniciativa
25:47como essa,
25:48de fato,
25:48lutar pelo impeachment
25:50do presidente.
25:51Como é que o senhor vê,
25:53monitora,
25:54a situação hoje
25:55no Senado Federal?
25:56E o que pode acontecer
25:58se vier realmente
25:59uma declaração grave
26:01dessa associação
26:02da troca
26:03na superintendência
26:04da PF no Rio
26:05com a proteção
26:07à família?
26:07Quer dizer,
26:08dá para ter
26:08uma iniciativa
26:09no Senado?
26:10É preciso esperar
26:11a posição do STF
26:12e do Procurador-Geral
26:13da República?
26:13Como é?
26:15O Senado
26:16já tem um grupo
26:17de independentes
26:18bastante forte,
26:19a gente sabe disso,
26:20acompanha as votações,
26:21tanto aqueles
26:22que estão no Muda Senado,
26:23que a gente,
26:24desde o início
26:25do ano passado,
26:27atua buscando
26:28pautas mais ligadas
26:29à ética,
26:29ao combate à corrupção,
26:31mas também hoje
26:31cada vez mais senadores
26:32de outros grupos
26:33se aproximam,
26:35buscando identificar
26:36nessa situação
26:37de independência
26:38a melhor condição
26:39para atuar hoje
26:40em benefício do Brasil.
26:41Se você se vincula
26:42ao governo
26:43de uma forma cega
26:44e no Senado
26:45praticamente você não tem
26:46essa figura
26:47para parlamentar,
26:48você não consegue
26:49produzir em benefício
26:50do Brasil,
26:50porque você vai estar
26:51acatando,
26:52aceitando qualquer tipo
26:52de loucura
26:53que vem do Bolsonaro.
26:54Se você se coloca
26:55do outro lado
26:56em oposição cega,
26:57da mesma forma
26:58você prejudica
26:58o Brasil.
26:59Então a independência
27:00me parece ser
27:01a melhor posição agora.
27:02Uma independência
27:03que garanta a democracia
27:04no Brasil,
27:05uma normalidade democrática
27:06e que traça caminhos
27:07para que o Brasil
27:07possa se recuperar
27:08na saúde e na economia.
27:10Tenho certeza
27:10que o Senado
27:11vai fazer seu papel também.
27:13Senador Alessandro Vieira
27:15do Partido Cidadania
27:16do Sergipe,
27:16muito obrigado aqui
27:17por essa entrevista
27:19no calor do momento
27:21em Brasília
27:21depois da divulgação
27:22desse conteúdo
27:23que a gente espera
27:24que seja divulgado
27:25na íntegra,
27:26o conteúdo audiovisual,
27:27não só o informativo
27:28sobre o vídeo
27:29da reunião ministerial.
27:31Senador,
27:31bom trabalho,
27:31boa noite,
27:32seja sempre bem-vindo
27:33aqui ao Antagonista.
27:36Obrigado,
27:37um abraço
27:37para você mesmo.
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