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00:00Retomando então, passo de novo a palavra ao Ministério Público para terminar suas perguntas.
00:04Senhor Presidente, vou repetir a pergunta que a gente teve um treveiro aí e não foi respondida.
00:10No caso do Triplex, Sr. Presidente, o senhor alegava que as obras de melhoria do apartamento não foram para o senhor, argumento que o senhor nem ia lá.
00:18Agora, Sr. Presidente, o senhor constantemente estava no sítio, mantinha lá bens pessoais de toda a ordem, e os empresários aleiam que a obra era para o senhor.
00:27Eu gostaria, Sr. Qual a explicação que o senhor tem para dar aí, Sr. Presidente?
00:31Eu vou dar a explicação. Primeiro, o Triplex. O Triplex. Não era, não é e não será. A história vai mostrar o que aconteceu nesse processo.
00:43O senhor alegou que não ia lá, não é isso?
00:44Segundo, o sítio. Eu vou lá, porque o dono do sítio me autorizou aí lá. Que bens pessoais que eu tinha no sítio.
00:54Cueca. Roupa de dormir. Sabe? Isso eu tenho em qualquer lugar que eu vou.
01:05E nenhum empresário pode afirmar que o sítio é meu se ele não for meu.
01:11Mas eles afirmaram que fizeram obras para o senhor.
01:12Ah, meu Deus do céu. Sem eu pedir.
01:15Delatores, né?
01:16Você não acha muito engraçado?
01:19Talvez alguém fazer uma obra que eu não pedi, sabe?
01:23E depois alguém negociar uma delação, sob a pressão de que é preciso citar o Lula, sabe?
01:31E vocês colocam isso como se fosse uma verdade?
01:35Sr. Presidente.
01:36Eu até nem ia responder coisa de delator aqui, mas eu tenho muitos amigos que eu sei como é que é a vida na cadeia,
01:44eu sei como é o sofrimento, eu sei qual é o preço da liberdade, eu sei qual é...
01:48Eu me ativo a ficar quieto.
01:50Agora, eu repudio qualquer tentativa de qualquer pessoa dizer que foi feita uma obra para mim naquele sítio.
02:00Sr. Presidente.
02:00Porque se o Fernando Bittar amanhã vendeu o sítio...
02:06Sr. Presidente, o senhor pode alegar que não pediu, mas existe um...
02:12Eu não estou alegando, eu estou afirmando categoricamente.
02:15O senhor pode afirmar que não pediu, mas o crime de corrupção tem a modalidade de receber.
02:19E eu te pergunto, depois que o senhor recebeu as obras...
02:22Ele não recebeu, mas o senhor V. Exª que está dizendo, e V. Exª está querendo tratar uma questão técnica que não é o momento...
02:30Eu não estou tratando, eu estou só explicando para ele.
02:32E nem a premissa está correta.
02:34Ele falou várias vezes que não recebeu, a excelência tem que levar em currículo.
02:37Eu posso concluir minha pergunta, então?
02:38Exª.
02:39Exª a modalidade de receber no crime de corrupção, Sr. Presidente.
02:42E eu pergunto várias vezes, por isso que eu insisti com o senhor.
02:45O senhor, depois que tomou conhecimento que essas obras foram feitas pretensamente para o senhor,
02:51o senhor não quis procurar as pessoas para pagar por elas, o senhor confirma?
02:54As obras não foram feitas para mim, portanto eu não tinha que pagar porque achei que o dono do CIT tinha pago.
03:00Mas o dono do CIT falou que não ia pagar porque achou que o senhor ia pagar.
03:03Mas ele falou, paciência.
03:05Que não é delator, por sinal.
03:07Eu sei, mas se ele falou que não pagou, achando que a Marisa tinha pago, eu não tenho mais como perguntar.
03:13O que eu acho grave, o que eu acho grave que você deveria perguntar, era por que o Léo não cobrou?
03:20Por que o Léo não cobrou? O cara que tem que receber, é o cara que vai todo santo dia cobrar.
03:28O cara que tem que pagar, se puder, nem passar perto.
03:30O senhor Léo Pinheiro não cobrou porque ele disse que fez a obra em benefício do senhor.
03:36Você vai debater agora?
03:38Não, eu estou falando, eu estou explicando, eu vou perguntar.
03:39No caso desse debate, podemos debater, mas vamos debater com a defesa técnica.
03:45Essa questão vai ser debatida nas alegações finais, essa questão está dita pelo Léo Pinheiro.
03:49O senhor ex-presidente, o senhor pode ficar em silêncio.
03:54Ele disse ao senhor, ele disse que fez as obras em benefício do senhor, em contrapartida a benefícios que ele teve.
04:01Eu pergunto, é verdade?
04:02Já foi respondido.
04:03É porque ele falou que eu teria perguntado, falou que eu perguntei.
04:05Já foi respondido e vossa excelência quer chegar a uma resposta que não vai obter.
04:09Eu vi vários depoimentos do Léo, antes dele ser, antes dele trabalhar com a ideia de fazer delação, sabe?
04:19Isso o Léo falou, que entrega a obra para mim, ele disse simplesmente uma mentira desnecessária.
04:25Senhora ex-presidente, boa tarde.
04:30Boa tarde.
04:31Muito embora tenha sido determinada que a utilização dos depoimentos anteriores do senhor...
04:36Procuradora, se falar um pouco mais perto do microfone, mais alto, eu consigo entender.
04:40É mais alto porque o microfone não amplifica.
04:43Muito embora a juíza tenha determinado a utilização dos depoimentos anteriores do senhor,
04:51como houve a insurgência da sua defesa técnica, vou fazer algumas perguntas pontuais
04:55sobre temas sobre os quais o senhor já se manifestou nos processos anteriores, está certo?
05:01O senhor mencionou agora, inclusive, nesse depoimento, que o senhor fazia o encaminhamento de um nome
05:07para o Conselho de Administração da Petrobras, para a nomeação dos diretores da Petrobras, correto?
05:13Eu mencionei o critério todo, como é que chegava.
05:16Até o nome chegar a mim, e eu então encaminhava ao Conselho da Petrobras.
05:22Certo.
05:22No depoimento anterior que o senhor prestou, na ação penal do Triplex,
05:26o senhor disse que recebeu a informação de que a nomeação do senhor Paulo Roberto Costa
05:31foi um pleito do Partido Progressista.
05:34O senhor confirma?
05:35Talvez dele e de outros partidos.
05:36Certo.
05:37Que outros partidos, senhor presidente?
05:39O senhor não se recorda.
05:40Deixa só lhe contar para...
05:41Por favor.
05:42Primeiro porque essa coisa não é articulada com o presidente da República.
05:48O presidente da República tinha designado quem iria cuidar da indicação do segundo escalão,
05:55que era o ministro-chefe da Casa Civil, os líderes do partido, o ministro da Relação e Coordenação Política.
06:03Eles é que discutiam o nome das indicações.
06:07E essas pessoas, então, chegavam a mim, iam para a Casa Civil, para o GSI e depois, então, iam para a Petrobras.
06:16Certo.
06:16O senhor tem conhecimento de qual era o interesse dos partidos na indicação para as diretorias da Petrobras?
06:21Olha, o interesse de qualquer partido é participar do governo.
06:26Todos que participam da campanha participam do governo.
06:29a todos, em qualquer regime democrático do mundo, no Brasil e na Alemanha, na França e nos Estados Unidos.
06:38Correto.
06:40O senhor mencionou aqui, respondendo a um questionamento da doutora Juíza,
06:43que o senhor não se recorda se houve um trancamento de pauta lá,
06:46relativo à nomeação do senhor Paulo Roberto Costa para a diretoria de abastecimento da Petrobras.
06:52Desculpa, doutora, ele disse que não se recorda, não, que ele não tem conhecimento desse fato.
06:58Correto.
06:58O senhor não tinha conhecimento desse fato.
06:59Quando o senhor foi ouvido na ação penal anterior, o senhor mencionou que houve um café da manhã
07:06com 35 dos 53 deputados do Partido Progressista, nessa época referida como anterior à nomeação do senhor Paulo Roberto Costa.
07:15O senhor se recorda?
07:15Eu não disse que foi anterior.
07:17Eu não sei qual é a data.
07:18Mas eu fiz reuniões com todos os partidos da base eleitoral.
07:23Só não fiz com a bancada do PSDB, porque era oposição, e talvez com o DEN, que era oposição.
07:29Mas todos os outros, eu fiz reunião com todas as bancadas, e se votasse a ser presidente, faria outra vez.
07:35Certo.
07:36Quais que eram os assuntos debatidos?
07:37Tudo, tudo, tudo.
07:39Pauta do Congresso Nacional, a situação política do país, o que é interesse votar, o que não é interesse votar.
07:49Tudo é discutido.
07:50Nessas reuniões eram também discutidas sobre indicações de cargos?
07:53Não.
07:54No depoimento anterior da ação penal do Triplex, o senhor relatou que a indicação de Nestor Severo para a diretoria internacional era um pleito do partido PMDB.
08:07O senhor se recorda?
08:07Era.
08:09O senhor tem conhecimento de como ocorreu a substituição nessa diretoria do senhor Nestor Severo?
08:15Não tenho.
08:15O senhor mencionou aqui no seu depoimento anterior, respondendo a um questionamento do juízo, o questionamento do juízo foi o seguinte,
08:25o senhor ex-presidente pode descrever as circunstâncias da substituição de Nestor Cunha Severo por Jorge Luiz Zelada como diretor internacional?
08:33Aí o senhor respondeu, me parece que era uma reivindicação do PMDB.
08:37É.
08:38O senhor se recorda disso, então?
08:39Eu me recordo disso.
08:39Correto.
08:43E eu achava plenamente normal que um partido que faz a base aliada tentasse indicar.
08:49Correto.
08:51Sobretudo, baseado na competência técnica e profissional de cada pessoa que era indicada.
08:58Todos eram funcionários com muitos e muitos e muitos anos de carreira da Petrobras.
09:03Concursados.
09:04O senhor também mencionou no seu depoimento anterior, da outra ação penal, senhor ex-presidente,
09:10que pela informação que o senhor teve, a indicação do senhor Renato Duque para a diretoria de serviços da Petrobras foi um pleito do Partido dos Trabalhadores.
09:19E também acho que de outros partidos.
09:21Correto.
09:21Chegou pelo mesmo critério que chegou aos outros.
09:24Certo.
09:24Nesse mesmo depoimento anterior, senhor ex-presidente, o senhor relatou um encontro que o senhor teve com o senhor Renato Duque,
09:31já após a deflagração da Operação Lava Jato, em razão de notícias de corrupção praticadas pelo senhor Renato Duque.
09:38O senhor se recorda desse encontro?
09:41Eu devo uma vez ter encontrado com o Duque no aeroporto de Congonhas.
09:46Eu ia embarcar não sei para onde e ele foi lá.
09:49Certo.
09:49O senhor se lembra o que o senhor tratou com ele nesse encontro?
09:51Deixa eu ver qual é o assunto que eu tratei com o Duque.
09:56É alguma coisa relativa a denúncias de corrupção e que eu chamei a atenção do Duque, sabe?
10:05Que ele tinha dinheiro no exterior.
10:09A imprensa dizia que ele tinha conta no exterior.
10:12O senhor questionou ele sobre esse fato.
10:13E ele disse que nunca tinha conta no exterior, que ele não participava de nada.
10:18Para mim estava resolvido o problema.
10:20Certo.
10:20Caso ele dissesse que tinha recursos ilícitos no exterior, qual que era a...
10:24Isso é hipótese, excelência.
10:25Não cabe projitar aqui.
10:26Eu não posso discutir hipótese.
10:28Eu tenho uma pergunta concreta, eu não vou...
10:30Certo.
10:32Não vai responder.
10:34Nesse mesmo depoimento anterior que o senhor prestou, senhor ex-presidente,
10:37o senhor disse que esse encontro com o senhor Renato Duque foi agendado,
10:41que o senhor pediu o agendamento desse encontro com o Renato Duque para o senhor João Vacari.
10:45Eu não tinha relação com o Duque.
10:50Eu não tinha relação com o Duque.
10:52Certo.
10:52E o senhor João Vacari tinha relacionamento...
10:53Eu não sei se ele tinha relação.
10:54Eu perguntei pro Vacari se ele tinha como ligar pro Duque, ele ligou.
10:58Certo.
10:59Então foi o senhor Vacari que agendou esse encontro.
11:00O senhor relatou ainda nesse mesmo depoimento, senhor ex-presidente,
11:18que o senhor procurou especificamente o senhor Renato Duque nessa data
11:22e não outros diretores da Petrobras, como o senhor Paulo Roberto Costa,
11:25por que o senhor Renato Duque teria sido indicado pela bancada do PT e os outros diretores não.
11:31Eu não relatei.
11:33O senhor disse assim...
11:33Não relatei.
11:34O PT indicou o Duque com outros partidos políticos.
11:37Por isso, eu falei...
11:39O PT e outros partidos políticos.
11:40Exato.
11:41É isso.
11:41E por que o senhor não manteve esse mesmo contato com os outros diretores da Petrobras
11:46e apenas com o senhor Renato Duque?
11:47Porque o nome dele não estava sendo anunciado de conta no exterior.
11:51O nome do senhor Paulo Roberto Costa não foi anunciado?
11:53Não estava.
11:53Qual que era o seu relacionamento, senhor presidente, com o senhor João Vacari?
12:00Olha, menos porque o Vacari entrou no movimento sindical depois que eu saí,
12:04depois o Vacari foi para a direção do partido depois que eu saí.
12:09Mas o Vacari é uma pessoa que eu tenho o mais profundo respeito como ser humano,
12:14como dirigente político.
12:16Sabe?
12:18No depoimento que o senhor prestou na outra ação penal, o senhor mencionou,
12:22o senhor afirmou que encontrou muitas vezes o senhor João Vacari.
12:25O senhor confirma?
12:26Há muitas vezes, em reunião do PT, em reunião da CUT.
12:29Certo.
12:30Durante a presidência do senhor e mesmo após o senhor ter deixado a presidência?
12:33Antes, durante e depois não, porque vocês prenderam ele.
12:38Corre.
12:44Ainda nesse depoimento que o senhor prestou anteriormente, senhor ex-presidente,
12:48o senhor foi indagado se havia conversado com o João Vacari sobre depoimentos de colaboradores
12:54que apontavam que ele era o responsável por receber vantagens indevidas no Partido dos Trabalhadores.
13:01O senhor confirma?
13:01Que ele recebeu o quê?
13:03Vantagens indevidas em nome do Partido dos Trabalhadores.
13:06Eu, sinceramente, não acho que o Vacari tenha recebido vantagens indevidas.
13:11Se você pegar as finanças do PT, você vai perceber que as finanças do PT foram feitas
13:16igual for a finança do PSDB, do PP, sabe, de todos os partidos políticos.
13:21Certo.
13:21Eu brigava muito com o Vacari, que eu achava que ele deveria,
13:25era exigir a confrontação dele com outros tesoureiros
13:29para saber a forma de arrecadação dos partidos políticos.
13:31Certo.
13:32Mas eu estou mencionando...
13:33Porque houve um momento em que só o PT e o Vacari pagaram a conta.
13:38Depois de muitos anos, começaram a pegar outro tesoureiro aqui e ali.
13:42E eu achava que era importante, era interesse dele
13:44a mostrar o que acontecia no financiamento das campanhas nesse país.
13:49Certo, senhor presidente, a pergunta foi de outro sentido.
13:52Já no decorrer da Operação Lava Jato, o senhor teria procurado o senhor João Vacari
13:56para questioná-lo sobre esse fato.
13:58O senhor se recorda?
13:59Eu não procurei para questioná-lo sobre esse fato.
14:01O Vacari participava da reunião do diretório do PT.
14:03Mas o senhor conversou com ele sobre isso?
14:05Deve ter conversado.
14:06Como eu sabia da tentativa de criminalizar o PT,
14:18uma das formas que está no PowerPoint, procurador, desculpa,
14:22mas tentar vender o PT como uma quadrilha.
14:25Sabe o que ganhou para roubar o país?
14:28Era tentar levar o PT para a criminalização.
14:31Então eu achava que o Vacari deveria defender o partido.
14:34Consta dos Autos aqui, senhor presidente,
14:39um acórdão do TCU com apontamentos de superfaturamento
14:46sobre preço e falhas de projetos em obras da Petrobras,
14:49entre elas a Renest, Comperde e Repar.
14:52Na época, o senhor era o presidente da República,
14:56nessa época, o senhor liberou o fluxo de pagamentos
14:58ao vetar o dispositivo da Lei Orçamentária de 2010.
15:01Tal fato foi muito comentado na imprensa nessa época,
15:04lá em 2010.
15:05O senhor se recorda desse fato?
15:06Ô, procuradora, o presidente da República
15:08não libera dinheiro para pagar a obra da Petrobras.
15:13Não cabe ao presidente da República fazer isso.
15:16Certo, mas o senhor...
15:16E nem tão pouco, isso é coisa de orçamento.
15:19O senhor se recorda de...
15:20Receber, responder, excelência.
15:22Isso é coisa da Petrobras.
15:24O presidente da República não tem, nem eu...
15:27Talvez o único presidente que tenha tido poder na Petrobras
15:30foi o Geisel, porque saiu da presidente
15:32e foi ter presidente da Petrobras.
15:34Consta uma mensagem de veto aqui da presidência da República
15:36com relação a esse acórdão do TCU?
15:39Se o senhor quiser dar uma olhada...
15:39O presidente, veja, o presidente não veta
15:41pagamento de Petrobras.
15:43Me desculpe, mas o presidente não veta.
15:46Segundo, tem depoimento da Petrobras
15:49sobre o comportamento do TCU.
15:51Certo, o senhor tomou conhecimento, então...
15:52O senhor disse que existe corrupção.
15:54Não, eu falei que existiam irregularidades nas obras.
15:56Não falei corrupção, senhor presidente.
15:57Pois é, mas se tem irregularidade,
15:58me parece que está sendo discutido até hoje.
16:00Certo.
16:01O senhor tomou conhecimento, então,
16:02desses acórdãos do TCU?
16:05Na verdade, não chega ao presidente da República
16:07essas coisas.
16:08Correto.
16:09Você tem ministro de Minas e Energia
16:11que cuida da Petrobras,
16:12você tem a Casa Civil que cuida dessas coisas.
16:16Isso para chegar ao presidente da República
16:18é muito difícil.
16:19Correto.
16:22O senhor foi indagado já anteriormente
16:24sobre diversas reuniões que o senhor realizou
16:26com o senhor Léo Pinheiro.
16:27O senhor já mencionou que tinha um vínculo
16:28de amizade com ele, um vínculo antigo.
16:34Reuniões, inclusive, no ano de 2014
16:36que o senhor teve com o senhor Léo Pinheiro.
16:38O senhor Léo Pinheiro, ele prestou depoimento aqui
16:40e ele disse que numa determinada reunião em 2014
16:43o senhor teria solicitado a ele
16:45a destruição de documentos.
16:46O senhor se recorda disso?
16:47Mentira.
16:50Se eu não destruir documento meu,
16:52vocês estão cansados de falar de documento no Instituto?
16:55Estão falando de documento na minha casa?
16:58Nessas reuniões que o senhor teve em 2014
17:00com o senhor Léo Pinheiro,
17:02o senhor chegou a questioná-lo sobre esses...
17:04já que havia essas notícias já da Operação Lava Jato,
17:07questionou ele sobre receber pagamentos de vantagens indevidas
17:10a diretores da Petrobras, a partidos políticos?
17:13Não.
17:13O senhor não questionou?
17:14Mas o senhor confirma que encontrou com ele,
17:17teve reuniões com ele no ano de 2014?
17:19Encontrei com o Léo muitas vezes.
17:21O Léo viajou muitos países
17:23com dezenas e centenas de empregados
17:26que viajavam comigo.
17:32O senhor conhece João Santana e Mônica Moura?
17:35Conheço.
17:36O senhor tem conhecimento que em razão de campanhas
17:38do Partido dos Trabalhadores,
17:40eles receberam vantagens, pagamentos por fora?
17:43Pela imprensa.
17:45Certo.
17:46O senhor tem conhecimento que alguns pagamentos
17:48foram realizados pela Odebrecht no exterior?
17:50Pela imprensa.
17:51O senhor tem conhecimento que João Santana e Mônica Moura
17:54trabalharam na campanha de Maurício Funes
17:56para o governo de El Salvador em 2009?
17:59Eu não sei se trabalharam.
18:01Não tem conhecimento?
18:01Não sei se trabalharam.
18:03O senhor se recorda da campanha do senhor Maurício Funes
18:06ao governo de El Salvador?
18:07O senhor não apoiou a campanha dele
18:09ao governo de El Salvador em 2009?
18:11Não, eu torcia para que ele ganhasse.
18:13Como eu torcia para todos os candidatos de esquerda
18:15para que ele ganhasse.
18:16Correto.
18:17O senhor conhece Vanda Pignato?
18:19É brasileira, ex-mulher do presidente Maurício Funes.
18:24Certo.
18:26O senhor tem relacionamento de amizade?
18:28Eu não tenho, eu não tenho,
18:29porque ela não veio ao Brasil faz tempo,
18:30ela teve câncer.
18:32Aliás, eu soube que ela está presa, inclusive.
18:34Certo.
18:35E que o marido está na Nicarágua.
18:38Essa é a informação da imprensa que eu tenho.
18:42Eram essas perguntas.
18:43Agradeço a sua paciência.
18:44Senhor presidente, uma boa tarde.
18:45Obrigada, excelência.
18:46Excelência, no início da audiência.
18:48No microfone, por favor.
18:52No início da audiência,
18:54eu tinha avisado o senhor escrevente,
18:56a dona,
18:57que eu ia ter que me retirar da audiência
19:00por volta.
19:01Então, vou pedir licença,
19:02Vassa Excelência,
19:03o meu colega continua aqui na defesa.
19:06Agradeço e desejo a todos aí
19:08bom feriado.
19:11As defesas dos demais fãs,
19:13me leva com você.
19:16Se o senhor quiser ficar em silêncio,
19:18também podemos encerrar.
19:20O senhor quer responder as outras perguntas
19:22ou quer encerrar?
19:24Pergunta da defesa financeira.
19:26Tá.
19:26Tá.
19:26Tá.
19:26Tá.
19:31Boa tarde, presidente.
19:50Meu nome é Luísa Oliver,
19:51eu sou advogada do Fernando Bittar.
19:53Eu tenho duas questões muito rápidas
19:55para o senhor.
19:56O senhor disse aqui algumas vezes
19:58durante o seu depoimento,
19:59a frase,
20:00quando eu ia para casa,
20:01eu queria cuidar da minha família,
20:02eu não falava de política.
20:03E pelo que eu entendi
20:04do depoimento do senhor
20:05e de todo mundo
20:06que foi ouvido até agora,
20:08a sua relação com o Fernando Bittar
20:10e família
20:10não tinha nada a ver com política.
20:12Era uma relação
20:12pessoal e familiar,
20:14correto?
20:14Era quase que uma relação
20:16de pai para filho.
20:17Tá ótimo.
20:17Eu conheci eles muito jovem,
20:21o Jacob Bittar
20:22passei a ser um dos grandes,
20:23ele junto com o companheiro
20:25Olívio Dutra,
20:26os dois melhores dirigentes sindicais
20:28que me ajudaram
20:29a criar o PT,
20:31criar a CUT
20:32e eu tenho o Fernando
20:34como filho.
20:35A minha relação com ele,
20:37com a mulher dele,
20:37com o filho dele,
20:39como filho.
20:40E nesse âmbito
20:41de relação familiar
20:42que o senhor tinha com ele,
20:45na própria vivência
20:46no sítio,
20:47em Brasília,
20:47era discutido política,
20:48Petrobras,
20:49OAS,
20:50Odebrecht,
20:50tinha algum assunto
20:51tratado sobre isso?
20:52Se fosse lá em casa,
20:54eu tinha uma plaquinha
20:55atrás da porta,
20:56chato não entra.
20:58Se fosse para discutir,
20:59eu tinha duas coisas na minha vida,
21:01nem eu discutia política
21:01na minha casa,
21:02nem eu brigava com a Marisa
21:03quando eu voltava da noite.
21:05Porque eu falava,
21:06ó, brigar eu brigo na rua,
21:07com você eu não vim aqui
21:08para brigar,
21:08então não adianta,
21:10se quiser brigar,
21:10vai brigar sozinha.
21:11E eu não admitia
21:12que quando meu filho
21:13fosse na minha casa,
21:14ou fosse um amigo dele
21:15como o Fernando
21:16ou como o Calil,
21:17que a gente fosse discutir política.
21:18Eu não admitia,
21:19ou vim aqui para a gente
21:20brincar e conversar,
21:22qualquer bobagem,
21:23ou não dá para conversar de política,
21:25que eu passo das nove da manhã
21:27às dez da noite
21:28no Palácio do Planalto
21:30discutindo política.
21:31E o senhor Fernando Bittar
21:33tinha com o senhor
21:33alguma relação,
21:34sem ser essa relação familiar,
21:36ele participava da política do país
21:37com o senhor de alguma maneira,
21:39ou era uma relação
21:39exclusivamente familiar?
21:41Era uma relação exclusivamente familiar.
21:41Está ótimo.
21:42A doutora Gabriela...
21:44É importante lembrar
21:45que o Fernando Bittar,
21:46quando o Jacob Bittar
21:47saiu do PT
21:48e foi para o PSB,
21:49me parece que
21:50os dois meninos foram
21:52e ainda assim
21:54a gente não
21:55fez nenhum problema,
21:57meus filhos mantiveram
21:58a mesma relação
21:59com o Fernando Bittar,
22:00porque eu não confundo
22:01uma relação política
22:03com uma relação de amizade.
22:05Ótimo.
22:07Respondendo a uma pergunta
22:08da doutora Gabriela,
22:09ela fez algumas referências,
22:12alguns e-mails
22:13que existem nos autos
22:14que foram enviados
22:15pelo Maradona,
22:15caseiro do sítio,
22:16que tratam do Gambá,
22:17do Pintinho.
22:18Algumas pessoas,
22:19diversas pessoas foram ouvidas,
22:20inclusive o Fernando,
22:22e disseram que assunto horta
22:23e assunto bichos,
22:24a dona Marisa gostava muito,
22:26então ela tocava isso
22:27por conta dessa relação familiar.
22:29Queria saber se era isso mesmo,
22:30se existia no sítio
22:32uma liberdade dada pelo Fernando
22:33para que a dona Marisa,
22:34na qualidade de tia,
22:35quase mãe,
22:36cuidasse da horta
22:37e dos bichos.
22:37Olha, eu queria ter para você
22:39que eu tenho orgulho,
22:42profundo orgulho,
22:43o Fernando,
22:44ele chegava a tratar a Marisa
22:46quase que como mãe.
22:48Ali, eu vou dizer para você
22:49uma coisa,
22:50ele tinha mais medo da Marisa
22:52do que ele tinha da mãe dele.
22:53Já me disse algumas vezes isso.
22:55Porque a Marisa era baixinha,
22:56mas era brava.
22:58Então, ele tinha medo
23:00de qualquer coisa.
23:00Então, o que acontece?
23:01A Lilia do Fernando
23:04é uma mulher
23:05que não é de cuidar de horta,
23:07não faz parte da menina
23:08melhor formada.
23:09Agora, a Marisa,
23:11eu morava numa casa
23:12que tinha 30 centímetros
23:13de corredor
23:14e a Marisa plantava
23:15alface,
23:15plantava almeirão,
23:16plantava agrião.
23:17E aquela chácara
23:19que já estava no sítio
23:20quando eles compraram
23:21a horta
23:23era a bênção
23:27da Dona Marisa.
23:28Ela cuidava daquilo
23:29de manhã,
23:29de tarde e de noite.
23:30Ela podava,
23:31ela cortava,
23:32ela plantava,
23:33sabe?
23:34Então, ela cuidava.
23:35Além disso,
23:36o senhor,
23:36a sua esposa,
23:37cuidavam de alguma coisa
23:38do sítio
23:38ou era tudo o Fernando
23:39que fazia?
23:40Não, tudo.
23:41Administratar só o Fernando.
23:42A Dona Marisa,
23:44eu brigava com a Dona Marisa
23:45porque ela queria
23:46criar galinha poedeira.
23:47Eu falava,
23:47Marisa, pelo amor de Deus,
23:49é mais barato,
23:50é mais barato
23:51a gente,
23:51no final de semana,
23:52comprar duas dúzias
23:53de ovos caipira
23:54em qualquer lugar
23:55do que tentar
23:56criar galinha,
23:57porra.
23:58Sabe?
23:58São só as perguntas,
23:59excelência.
24:00Obrigada.
24:01Outras defesas
24:01que não sejam
24:02do presidente.
24:05Tem lá a defesa
24:07de Eugenio Ormedeiros.
24:09Excelência,
24:10pela ordem,
24:11a defesa técnica
24:13orienta o senhor
24:14ex-presidente
24:14a não responder
24:15perguntas
24:17de delatores
24:17porque
24:18há contestação,
24:20inclusive,
24:20feita pela defesa
24:22de que esses
24:23delatores
24:23faltaram
24:25com a verdade.
24:26Então,
24:26a orientação
24:28da defesa técnica
24:29é para que,
24:31por este fundamento
24:32que eu acabei de dizer,
24:33para que o senhor
24:34ex-presidente
24:35não responda
24:36perguntas
24:37de delatores
24:38que nós já
24:39apresentamos
24:39com testação
24:40quanto à veracidade
24:42das suas afirmações.
24:43Só para registrar
24:44que o senhor
24:44Eugenor
24:45não é delator,
24:46colaborador,
24:47qualquer nome que ele queira.
24:48O senhor
24:49Eugenor
24:50é um colaborador
24:52claro,
24:53inclusive,
24:54em negociação,
24:56assim como o senhor
24:57Léo Pinheiro.
24:58Então,
24:59nós classificamos...
25:00A pergunta
25:01era,
25:02meu cliente
25:02na oportunidade
25:03falou,
25:03disse que nunca
25:04teve nenhuma relação
25:06com ele,
25:06nunca esteve
25:07com o ex-presidente,
25:09e eu só queria saber
25:10se o ex-presidente
25:10confirma isso,
25:12se ele conhecia
25:13Eugenor,
25:13se ele esteve
25:14com a Eugenor,
25:14e se ele teve
25:16algum entendimento
25:17com a Eugenor
25:18diretamente
25:19ou por meio
25:19de alguém.
25:20Eram essas
25:21minhas perguntas.
25:23Tá,
25:23o senhor quer responder
25:24ou não quer responder?
25:24Quem que é a Eugenor?
25:26Não conhecia a Eugenor.
25:26O senhor vai responder?
25:27Não conhecia a Eugenor.
25:29Não, só isso,
25:30eu não conheço a Eugenor.
25:32Não conheço a Eugenor.
25:33Obrigado.
25:34Nada.
25:34Mais alguém
25:35quer registrar perguntas?
25:37Doutor Cristiano?
25:40Pega o outro,
25:41doutor,
25:41por favor,
25:42que daí esse fica
25:42com o presidente.
25:43Aí fica mais fácil.
25:51Senhor ex-presidente,
25:53hoje nós ouvimos aqui
25:55algumas afirmações
25:58relativas à denúncia
26:00e à acusação
26:01que foi apresentada
26:05contra o senhor.
26:06Mas há um fato inequívoco
26:08que não foi apresentado
26:10aqui ao senhor.
26:11que essa denúncia
26:13foi direcionada
26:15pelo Ministério Público
26:17à Lava Jato
26:17de Curitiba
26:18sob o fundamento
26:20de que o senhor
26:20teria atuado
26:22em contratos
26:24específicos
26:25da Petrobras
26:26a pedido
26:28de Marcelo Debrecht
26:29e a pedido
26:30de Léo Pinheiro
26:31e
26:32a Genoa Magalhães.
26:34isso foi desconsiderado
26:36pelo Ministério Público.
26:38Mas mesmo assim
26:38eu pergunto,
26:40embora inclusive
26:41o senhor
26:41Marcelo Debrecht
26:42já tenha aqui
26:43mesmo na condição
26:44de delator
26:44negado isso,
26:46assim como o senhor
26:47a Genoa Magalhães.
26:49Eu pergunto ao senhor,
26:50o senhor teve
26:51alguma atuação
26:53a pedido
26:54de Marcelo Debrecht
26:56no contrato
26:58firmado
26:58pela construtora
27:01Nobeto Debrecht
27:03com a Petrobras
27:04em relação
27:05ao consórcio
27:06Reneste e Coneste?
27:08O senhor teve
27:08alguma atuação?
27:09Primeiro que eu
27:10eu só queria
27:12inclusive
27:13para o nosso
27:15amigo
27:15do Ministério Público
27:17há uma visão
27:19equivocada
27:20de vocês
27:21na questão
27:22da relação
27:23com a Petrobras.
27:23nenhum
27:26Presidente da República
27:27eu já vi isso
27:28do Presidente
27:28Fernando Henrique Cardoso
27:29nenhum Presidente
27:30da República
27:31se mete
27:32em obras
27:34específicas
27:34da Petrobras.
27:35É tanta
27:36diretoria
27:37é tanto engenheiro
27:39é tanto poder
27:39que o Presidente
27:40da República
27:40Fernando Henrique Cardoso
27:42dizia quando era
27:43Presidente
27:44umas vezes o seguinte
27:44ou seja
27:45a Petrobras
27:47é uma caixa preta
27:48que ninguém sabe
27:48o que acontece
27:49e eu dizia
27:50em muito discurso
27:51eu dizia
27:52vai haver um momento
27:53na história do Brasil
27:54em que a gente
27:56vai indicar
27:57o Presidente
27:57vai eleger
27:58o Presidente
27:58da Petrobras
27:59eleição livre e direta
28:00e a Petrobras
28:01indica o Presidente
28:01da República
28:02tal é a capacidade
28:04de investimento
28:05sabe
28:06que tem a Petrobras
28:07então não é possível
28:09um Presidente
28:10da República
28:10se meter
28:11se alguém
28:12se alguém
28:13se o meu querido
28:14Papa Francisco
28:15vier aqui
28:16e falar
28:16dizer que o Lula
28:17pediu para a Petrobras
28:18fazer uma coisa
28:19para ele
28:19pode saber
28:20que é mentira
28:21porque é impossível
28:22é impossível
28:23o Presidente
28:24da República
28:24não participa
28:26de reunião
28:26de obra
28:27da Petrobras
28:27o Presidente
28:28da República
28:28não participa
28:29de deliberação
28:30da Petrobras
28:30o Presidente
28:31da República
28:31é um neutro
28:33quem participa
28:34são a diretoria
28:35da Petrobras
28:36e o Conselho
28:37é humanamente
28:39impossível
28:40imaginar
28:40que o Presidente
28:42da República
28:42seja ele
28:43quem quer
28:44decida
28:45obra da Petrobras
28:47doutor Cristiano
28:48
28:49abrir um outro
28:49vídeo
28:50
28:50de
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