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00:00Sr. José Aldemar, o Pinheiro Filho, vulgo Léo Pinheiro, né?
00:03Isso.
00:04O senhor sabe do que está sendo acusado, os fatos imputados ao senhor nesse processo.
00:09O senhor sabe que tem o direito de ficar em silêncio se preferir, né?
00:12Que isso não é usado em prejuízo à sua defesa.
00:15E ao mesmo tempo a chance de explicar esses fatos aqui, eventualmente ter alguma tenuante de pena
00:19por disposição legal.
00:23Pergunto se o senhor quer falar, quer ficar em silêncio.
00:25Vou falar, sim.
00:26Vai falar.
00:27Eu vou inverter a ordem aqui, que nem fiz ontem.
00:30Vou perguntar primeiro, dos fatos específicos, a reforma do sítio de Atibaia e em que ponto
00:36foram custeados pela OAS.
00:39Como começou, como foi o pedido, se o senhor puder me explicar.
00:44Bom, em fevereiro de 2014, possivelmente no final do mês, eu fui convocado pelo ex-presidente
00:53Lula para um encontro no Instituto Lula.
00:57Chegando lá, ele me explicou que queria fazer uma reforma, não era uma reforma grande,
01:05num sítio em Atibaia, e era numa sala e numa cozinha.
01:13E também tinha um problema num lago que estava dando infiltração.
01:18Se eu podia mandar alguém, uma equipe, para dar uma olhada tal.
01:22Eu disse, não, presidente, eu gostaria de ir pessoalmente.
01:26Se eu marco o dia que eu vou estar presente.
01:29Então ele marcou num sábado o seguinte.
01:30Fui eu e o Paulo Gordilho, que era diretor da OAS Empreendimentos.
01:36Já tinha conhecimento dos serviços que nós vínhamos fazendo no Triplexo do Guarajá.
01:43Então eu preferi que o Paulo também continuasse para que essa coisa não ficasse muito divulgada dentro da organização.
01:49Então eu fui com o Paulo, num dia de sábado, o presidente combinou comigo de eu ficar aguardando após o pedágio da Fernão Dias,
01:59que eu não sabia onde é que ficava, era difícil de chegar.
02:02E isso ocorreu, eu fiquei esperando e fui seguindo o carro dele, estivemos no sítio.
02:09Ele e a dona Marisa me mostraram, a minha Paulo, os serviços que eles gostariam de fazer na sala.
02:17E atingiria a cozinha, porque tinha uma parede, tinha que desmanchar e tal.
02:24E nós dissemos, o presidente é melhor.
02:25Bom, a gente já sabe o que Paulo, além de arquiteto, ele é arquiteto, mas é um grande engenheiro também.
02:35Deixa a gente fazer um projeto e mostrar ao senhor.
02:38E fomos ver o lago, que estava tendo infiltração,
02:42aí nós demoramos um pouco para tentar entender como é que estava acontecendo aquilo.
02:47Então eu disse, olha, o lago a gente vai ter que esvaziar, porque está percolando água por baixo e tal.
02:53Isso foi num sábado e ficamos de fazer um pequeno projeto e tal, para voltar a estar com ele.
03:05Ele então marcou na residência dele em São Bernardo, também um dia de sábado.
03:11Eu acredito que umas duas ou três semanas depois, estava ele e dona Marisa,
03:17eu fui com o Paulo e mostramos a ele como é que seria a reforma da sede do sítio,
03:24que tinha uma abrangência na sala e interferiria na cozinha.
03:29Então tinha que mudar os armários, fazer algumas coisas.
03:32E no lago, o que teria que ser esvaziado e tal.
03:34Então o presidente combinou comigo o seguinte, olha, tudo bem, pode iniciar o serviço.
03:41Eu só lhe pediria, Léo, que as pessoas não se apresentassem na cidade de Atibaia,
03:48questão de sigilo, que as pessoas não tivessem o uniforme, essas coisas da OAS,
03:53que não tivessem nenhuma identificação.
03:56Então combinei com o Paulo Gordilho de que, se possível, trouxesse pessoas que não fossem nem de São Paulo
04:01e vieram de Salvador, pessoas da confiança dele, para que pudesse fazer.
04:06E essas pessoas foram um encarregado, se não me falo a memória, três ou quatro operários.
04:14E ele determinou que qualquer coisa conversasse com um caseiro,
04:19desculpe, com um caseiro, acho que é o Maradona o nome,
04:25e que tirou um lugar para essas pessoas dormirem e tal.
04:28E assim foi feito.
04:29Isso foi durante o mês de março até, talvez, julho, agosto de 2014.
04:39Tá.
04:40Foi a primeira vez que o senhor foi...
04:42Tem água aqui, se eu li.
04:43Aqui também.
04:44Ah, tá.
04:45Essa foi a primeira vez que o senhor foi no sítio?
04:48Foi com essa...
04:49Primeira e única vez.
04:50Foi a única vez que o senhor foi no sítio.
04:51E o presidente, quando o senhor falou com ele no Instituto Lula,
04:55ele falou de quem que era o sítio?
04:58Não.
04:59Não?
04:59Não me falou.
05:00Eu também não perguntei.
05:02Mas a reforma era para ele, no interesse dele?
05:04Eu estive com ele e com Dona Marisa.
05:06Tá.
05:06No sítio e na casa, na residência dele em São Bernardo,
05:10com ele e Dona Marisa.
05:11Eles que determinaram tudo como é que devia ser feito.
05:13Tá.
05:14Na primeira visita ao sítio, o Fernando Bittar estava junto?
05:17Eu me lembro, me recordo bem, do filho dele.
05:20Do filho do Lula.
05:21Do presidente.
05:22Do senhor Fábio?
05:23Fábio.
05:23E eu acho que me apresentaram o Fernando.
05:26Eu não tenho certeza, mas me parece que sim.
05:28Mas o senhor conversou sobre a reforma com o presidente e com a Dona Marisa.
05:31Eu só conversei com o presidente.
05:33Tá.
05:33Ela estava presente nas duas vezes que eu tive contato com os dois.
05:37O senhor daí passou o serviço para o Paulo Gordilho sem falar de valor?
05:42Ou depois o Paulo te falou de valor?
05:43Como é que foi?
05:44Paulo, depois que a gente teve a aprovação do que deveria ser feito, me informou que tinha pedido orçamento da Kit,
05:55para fazer os armários, que era o ponto que talvez fosse o custo maior.
05:58Eu apenas pedi a ele que tentasse coordenar junto com o que estava se fazendo no triplex,
06:04para quando a gente fosse conversar com o presidente, tivesse autorização para os dois,
06:08para não ter que incomodar o presidente e a Dona Marisa.
06:12Isso foi feito, o Paulo me informou, que estava em negociação, a proposta da cozinha tinha,
06:21acho que me parece, 170 mil reais, que ele ainda iria negociar.
06:25Eu autorizei ele que pudesse fazer e o resto dos serviços tinham autorização,
06:31ele atendeu o que fosse necessário ser feito.
06:34Ele te passava detalhes, por exemplo, de como foi pago a Kitchens,
06:39ou que a Kitchens exigiu que o proprietário assinasse a nota fiscal?
06:43O Paulo te passava esses detalhes?
06:44Me passou, sim.
06:45E ele te passou que daí era o Fernando Bittar que constava como proprietário e que tinha assinado?
06:50O presidente tinha me orientado que eu não fizesse nada em nome da OAS.
06:58Não pode ser feito nada em nome da OAS.
07:00E as compras eram feitas na cidade de Adibaia, pelo encarregado que estava lá,
07:08e ele recebia um dinheiro que a empresa disponibilizava para ele,
07:12ele fazia as compras, segundo me consta, me parece até em nome dele,
07:15porque era recibo, não era nota fiscal.
07:18A Kitchens era mais complexo isso, porque é uma empresa grande,
07:22e além da fabricação dos armários, tinha que fazer também a montagem.
07:26e tinha que se deslocar, tinha que ter nota fiscal e tal.
07:31Então, o Paulo me falou que iria fazer o pagamento por fora,
07:35quer dizer, caixa 2 para a Kitchens,
07:37e deveria botar em nome de uma pessoa que fosse orientada por ele.
07:41Ele me falou que a nota fiscal foi tirada em nome do senhor Fernando Bittar.
07:45Agora, eu não sei quem deu essa orientação para que fosse em nome do Fernando.
07:48Eu, quando recebi a informação...
07:50Ele te falou, mas o senhor não sabe porquê,
07:52e o senhor não sabia em que estava registrado o sítio.
07:54Não, não sabia.
07:58Aí o senhor mencionou que esse valor seria pago do caixa 2.
08:03O que alimentava esse caixa 2?
08:05O que que...
08:06De onde era esse valor que a OAS tinha?
08:08Esses valores devem ter tido origem na construtora,
08:15porque a OAS Empreendimentos é uma imobiliária,
08:18ela não transita com esse tipo de...
08:22não tem esses envolvimentos que na construtora,
08:25pelas relações públicas, tem.
08:27E a construtora tinha uma área de controladoria,
08:30então, que gerava esses caixa 2.
08:33Então, deveria ter sido feito através da construtora,
08:36dado para a OAS Empreendimentos,
08:38para ela poder operacionalizar através das pessoas
08:41que vão fazendo a obra e o pagamento da kit.
08:44Mas essa ordem direta não partiu do senhor?
08:47Deve ter partido.
08:48Deve ter partido.
08:51Tem, acho que, mensagens ou e-mails
08:54falando de centro de custos do sítio e do...
08:58Praia?
08:59Sítio e praia, eu acho.
09:01Essas mensagens, o senhor pedia para discriminar, então,
09:04o centro de custos de cada uma das duas obras
09:07que o senhor estava fazendo a pedido do...
09:09É.
09:10Nós temos um regime de contábil
09:15que são individualizados, né?
09:17Cada tipo de obra tem o seu centro de custos e tal.
09:20E toda despesa, ela tem que ter uma referência a alguma coisa.
09:24Então, tinha um código que foi criado,
09:27deve ter sido por mim,
09:28para o sítio e para...
09:30Não sei se era praia ou Guarujá,
09:33uma coisa assim.
09:35Para o triplex.
09:36Como eram coisas distintas,
09:37e os valores do triplex eram muito maiores,
09:40e também tinha uma característica diferente no triplex,
09:43porque era um apartamento dentro de um empreendimento
09:47da própria OS Empreendimentos.
09:49O sítio não.
09:49A gente usou um empreendimento,
09:53se eu não me falo a memória,
09:54o nome é absoluto,
09:56porque esse empreendimento, logisticamente,
09:58era o mais adequado.
10:00O presidente até tinha me sugerido
10:01pegar o meu pessoal que estava fazendo o triplex.
10:04Eu, na época, expliquei a ele,
10:05que era muito distante,
10:07e era uma empresa subcontratada nossa,
10:10a Talento, que fez o triplex do Guarujá.
10:13E que esse serviço, quando é muito menor,
10:15ia ser feito por pessoas nossas mesmo,
10:17que ficariam morando no sítio.
10:18Então, por isso que tinha que ter o centro de custos reparado.
10:21Mas, na verdade, isso não era custo da OS Empreendimentos,
10:24isso era custo da construtora.
10:26Tá.
10:27Mas mesmo pago por caixa dois,
10:30o senhor fazia a contabilização dos custos de cada obra?
10:33Informalmente.
10:34Informalmente.
10:34Sim, sim.
10:36E essa vinculação, esse empreendimento absoluto,
10:40é por causa dos funcionários?
10:43Não, porque ficava na Zona Norte de São Paulo,
10:48mais próximo, não é muito próximo,
10:52uns 50 quilômetros, 60 quilômetros do sítio.
10:55Então, qualquer coisa que as pessoas precisassem de emergência,
10:58tiriam uma base logística só.
11:01E foram, algumas coisas foram debitadas nesse empreendimento.
11:05E aí o senhor falou que formava-se um caixa dois com valores da construtora,
11:13mas eram oriundos de sobras de contratos diversos?
11:19Na verdade, a operação de caixa dois tem um pulmão, uma reserva.
11:30E essa reserva é direcionada para os diversos negócios onde tinham essas ilegalidades.
11:35Então, era desse recurso que era remetido para essa obra ou outra qualquer que solicitasse.
11:42E por qual razão que a OAS, naquela época, pagava duas reformas no interesse do ex-presidente?
11:51Bom, a primeira do triplex foi uma solicitação feita a gente em 2009,
11:59para se nós tínhamos interesse em comprar os empreendimentos do Bancorp.
12:03Eram uns oito ou nove empreendimentos em diversos locais.
12:08Eu até me recusei a estudar o de Guarujá,
12:11porque não fazia parte da nossa estratégia de atuação na área imobiliária.
12:16No interior, nem da Bahia a gente fazia.
12:19Só nós, Salvador, Brasília, Porto Alegre, estávamos começando em São Paulo.
12:24Foi aqui que o João Bacari me explica que esse não.
12:27Esse só teria interesse se nós fizéssemos esse,
12:31porque a gente tratava de um triplex que era do presidente.
12:34Foi aí que eu soube e tivemos que fazer por causa disso.
12:38O sítio, porque o presidente me solicitou.
12:40Eu não podia negar até pelo nosso relacionamento,
12:43pelo que ele fez pela empresa, eu tive que atender.
12:47Não era uma coisa comum.
12:50O que ele fez pela empresa?
12:53Eu conheço o presidente desde 1993, 1992.
12:57E as nossas relações, a OAS era uma empresa da Bahia,
13:05que estava entrando no mercado de São Paulo nessa época.
13:09Um dos nossos sócios era o gênero de Antônio Carlos Magalhães,
13:13o senador Antônio Carlos.
13:15Nós tínhamos alguns problemas com as oposições na Bahia,
13:19por causa dessa relação, e existia isso.
13:22Então, dentro de um projeto estratégico de longo prazo da organização,
13:30a gente já vislumbrava a possibilidade do PT vir,
13:35até porque já tinha ganho a Prefeitura de São Paulo,
13:38o Prefeito Arundino, nós fizemos duas obras lá para a Prefeitura,
13:41o Sambódromo e o Palácio das Indústrias.
13:45E tínhamos que abrir essa relação de uma forma mais próxima,
13:52uma questão de alternativa de poder.
13:55E daí eu conheci o presidente,
13:56estava com ele algumas vezes,
14:00tive muita orientação dele, do ponto de vista da visão estratégica dele.
14:04Quando ele assumiu a presidência,
14:06nos ajudou, a mim pessoalmente,
14:08que eu que tinha relação com ele em diversas coisas.
14:11em empreendimento, em negócio nosso no Estariô.
14:15Na Petrobras, que nós tínhamos muitos problemas,
14:17nós não fazíamos parte do clube da Petrobras,
14:20nós estávamos impedidos de atuar na Petrobras,
14:23isso foi uma briga muito grande para a gente poder participar.
14:27E daí vem essa relação.
14:29Daí vem a relação com o João Bacari,
14:30que era o presidente do Pancop,
14:33depois tesoureiro do PT.
14:35Então, essas eram muito amplas,
14:39tem muitos negócios.
14:41Então, especificamente no que consta na denúncia,
14:44estão narrados alguns contratos da Petrobras,
14:48que teria sido pago propina,
14:50para funcionários da Petrobras,
14:53ao Partido dos Trabalhadores,
14:55e que isso formaria um centro de custos,
14:58não lembra a palavra que o senhor usou,
15:01junto com o tesoureiro do PT?
15:02Nós fizemos várias obras com a Petrobras,
15:07ao longo desses anos,
15:10durante o governo do PT.
15:15Acredito eu que,
15:17num montante de 5 a 6 bilhões de reais.
15:21Essas obras tinham um valor determinado de 1% para o PT.
15:26Esses valores começaram a ser gerenciados,
15:30no primeiro momento, por Delúvio Soares,
15:32que era o tesoureiro do PT,
15:34e depois o João Vacari,
15:36que eu conheci ele um pouco antes,
15:39porque foi nessa história do Bancop.
15:42Então, nós tínhamos uma conta corrente.
15:44A cada faturamento de cada obra dessa,
15:47a gente tinha que fazer um pagamento de 1%
15:49do valor que nós recebíamos.
15:50Mas isso não era pago imediatamente.
15:53Às vezes, juntava mais um pouco,
15:55e o Vacari determinava,
15:57olha, eu quero que você me pague isso,
16:00um caixa 2,
16:01quero que você faça doações ao Diretório Nacional do PT,
16:04ao Diretório Estadual tal,
16:06que ajude o político tal.
16:09E foi assim,
16:10a vida toda juntava-se um montante.
16:12Eu tinha uma participação direta nisso,
16:16tá certo?
16:17Eu pouco delegava isso,
16:19até por uma questão de ser um partido no poder,
16:22ter o presidente,
16:23eu não queria,
16:24mas tinha um pessoal da controladoria
16:25que operacionalizava,
16:28o Vacari combinava comigo,
16:30ou diretamente com essas pessoas,
16:31e a gente faria os pagamentos.
16:33Então, qualquer despesa extra
16:35que tivesse a mando do PT,
16:38no caso,
16:40essas duas coisas que foram feitas
16:43diretamente para o presidente,
16:44a nível pessoal,
16:46como as outras despesas,
16:47eu sempre combinava com o Vacari
16:48e fazia-se um encontro de contas,
16:51como ocorreu também com o Bancop.
16:53O Bancop,
16:54quando foi passado para a gente,
16:56nos deixou vários passivos ocultos,
16:58que nós não foram informados,
17:00a gente durante as negociações.
17:04Não era uma coisa ruim para a empresa.
17:07Ela tinha diversas características,
17:09esses empreendimentos,
17:10que nos atraíam a nível de mercado.
17:16Mas quando começamos a fazer essas obras,
17:18começamos a ver muitas coisas
17:20que não nos foram informadas.
17:22E isso é montante.
17:24Eu me lembro bem que no final de 2013,
17:26eu procurei o João Vacari,
17:28que disse,
17:28olha, o pessoal da rede de empreendimento
17:30está me colocando coisas aqui
17:31que nós não fomos informados,
17:35não sabíamos,
17:36e nós não vamos continuar
17:37alguns empreendimentos,
17:39não vamos nem iniciar,
17:40porque as despesas são muito elevadas.
17:43Era problema de negociação
17:44com proprietários de terreno,
17:45com IPTU antigo,
17:46que tinha atrasado,
17:48uma confusão.
17:49O Vacari me disse,
17:50Léo, você levanta tudo isso,
17:54não paralise,
17:55nós estamos com um problema muito sério
17:56com o Ministério Público de São Paulo.
17:58Então, você não pare os empreendimentos.
18:01Eu digo, não,
18:01eu não vou iniciar nenhum.
18:03Tudo bem,
18:04não vou parar,
18:05mas não vou iniciar mais nenhum,
18:06até que se resolva isso.
18:09E de janeiro, fevereiro,
18:12aí surge a história do triplex,
18:13e logo em seguida do sítio.
18:15Então, eu combinei com ele,
18:16tive uma reunião com ele,
18:18num restaurante em São Paulo,
18:20chamado,
18:23não sei se é carne,
18:24casa da carne,
18:26é do bar,
18:27ele marca comigo,
18:29pede para eu chegar antes,
18:31e marcou com toda a diretoria do Banco Op,
18:33e pediu que eu levasse a diretoria
18:35da OS Empreendimento.
18:36E me disse,
18:37mas Léo,
18:37você não vai misturar as conversas,
18:39vamos ter a conversa
18:40desses problemas que você está tendo,
18:43que eu gostaria que quando você entrasse,
18:45no mesmo restaurante,
18:46mas numa sala à parte,
18:48que foi marcado um horário depois,
18:49você confirmar-se que você vai continuar as obras.
18:54E eu vou resolver todas essas pendências
18:56através de um encontro de contas.
18:59Tudo bem,
18:59levei para ele um encontro de contas,
19:01ele viu,
19:02me aprovou,
19:03tinha já os valores do triplex,
19:05e o valor do sítio,
19:07mais ou menos os valores,
19:09isso foi abril, maio.
19:11Isso abriu maio de 2014.
19:132014.
19:14E ele me autorizou,
19:16o seguinte,
19:17você pode reiniciar
19:19todas as obras
19:20e esses pagamentos
19:21que você está me devendo aqui
19:22da Petrobras,
19:24vamos fazer um encontro de contas,
19:25que eram de várias obras
19:26que nós tínhamos com a Petrobras.
19:28Era um montante
19:29já significativo.
19:31E essas dívidas
19:33que o Banco Corp
19:34tirou conosco também.
19:35E ele me disse,
19:36o Banco Corp não pode pagar isso,
19:37porque é um sistema de cooperativa,
19:39não pode.
19:40então vamos abater
19:42do que você está me devendo
19:44das propinas da Petrobras.
19:46Agora,
19:48como tem o triplex,
19:49o triplex e o sítio,
19:53eu vou,
19:53eu vou falar com o presidente
19:55e lhe dou o retorno disso.
19:59Passado...
20:00Isso,
20:01eu vou falar com o presidente
20:02e o Vacari.
20:02O Vacari.
20:03Ele volta a mim,
20:05talvez uma semana depois,
20:07tudo ok,
20:07e nós reiniciamos as obras
20:09e fizemos.
20:11Então,
20:11ele se comprometeu a ir
20:12falar com o presidente
20:13se podia
20:14colocar essas reformas
20:17nesse encontro de contas.
20:19Me parece que esse encontro
20:20de Vacari,
20:21isso eu não posso lhe afirmar,
20:22mas porque ele me falou
20:23que foi no sítio,
20:25inclusive.
20:26De qualquer forma,
20:27o presidente,
20:28o senhor fez a reforma
20:29do sítio
20:30e a questão do triplex
20:31até que já foi julgada
20:32a pedido do presidente,
20:35a pedido diretamente do presidente,
20:35estudiado tudo pela OAS,
20:37pela Constituição,
20:38nunca foi indenizado
20:40ou repassado nada,
20:41nem pelo...
20:42proprietário de registro,
20:44nem pelo presidente.
20:45Não.
20:45E o senhor fez isso
20:46porque o senhor entendeu
20:48que devia favores
20:49ao presidente
20:50pelas facilidades
20:51ou pela...
20:52Nos ajudou muito.
20:54Nos ajudou,
20:54ajudou a empresa OAS
20:56durante o governo dele.
20:58Sim.
20:59Tá.
21:00Na Petrobras,
21:01especificamente,
21:02o senhor falou
21:02que você tinha dificuldade
21:03porque o senhor,
21:04no início,
21:04não participava
21:05desse pool
21:08de empresas
21:09que faziam
21:10a maioria dos contratos.
21:11na Petrobras,
21:12não era chamado.
21:15E por conta do que
21:16que o senhor conseguiu
21:17entrar,
21:18através de que contato
21:20que o senhor conseguiu
21:20a empresa OAS
21:21entrar nessas obras?
21:24Nós...
21:25A primeira obra
21:26que nós fizemos
21:27era fora do clube,
21:31chamaram de clube,
21:32que esse setor
21:35não fazia parte
21:36e nós tivemos
21:38que ofertar
21:40um preço
21:40muito menor
21:41dos concorrentes
21:43para poder ganhar.
21:44A primeira obra
21:45do clube
21:46foi a Repá,
21:47que nós não
21:48estávamos chamados
21:49e tivemos
21:50uma posição
21:51que eu informei
21:52na época
21:56era o Delubio Soares,
21:58não era o Acari.
22:00Informei
22:01que nós
22:02não estaríamos
22:04de acordo
22:05em OAS
22:05ficar de fora
22:06dos grandes empreendimentos
22:07de refinaria
22:08da Petrobras
22:08e que nós
22:10iríamos
22:10atrapalhar
22:11esse clube
22:12que gera
22:13de conhecimento
22:13de todo mundo
22:14e fizemos isso,
22:15preparamos proposta
22:16para lá,
22:17independentemente
22:18do que estava
22:19o colômbio
22:20das empresas
22:21com a Petrobras.
22:21Foi aí que eu fui
22:23chamado
22:24pela Odebrecht
22:25e pela OTC
22:25e disseram
22:26não faça isso
22:27para prejudicar
22:27todo o setor
22:29e tal
22:29e nós entramos.
22:30Lógico que eu tive
22:31a respaldo
22:32do PT
22:33para fazer isso.
22:35Não ia fazer isso,
22:36brigar com todo
22:37o setor de engenharia,
22:38eu tinha o respaldo
22:39do governo
22:40para que fizesse.
22:40O senhor já tinha
22:40uma proximidade
22:41com o Delubio?
22:42Já, já.
22:43Já tinha proximidade
22:44com o presidente,
22:45inclusive?
22:45Sim,
22:46desde 93,
22:4792 que eu conhecia.
22:49E aí,
22:50por conta disso,
22:50o senhor
22:51entrou no clube
22:53e esses três contratos
22:56que estão listados
22:57na denúncia
22:57faz parte
22:58desses negócios
22:59com o clube?
22:59Todos eles.
23:01Só me parece
23:02que Pilar
23:03e Pujuca,
23:04que é um gasoduto,
23:05que também
23:06não faz parte
23:07do clube,
23:08porque a área
23:08de gasoduto
23:09não era do clube,
23:10não tinha esse entendimento
23:12entre as empresas.
23:14Os outros,
23:15a SEMP
23:15também não fazia
23:17parte do clube,
23:17foi um cartel
23:19à parte.
23:20Até pela sua proximidade
23:21que o senhor
23:21disse ter com o ex-presidente,
23:23o senhor sabe dizer
23:24se ele participava
23:26de decisões
23:28dentro da Petrobras?
23:31Acredito que sim.
23:32Mas o senhor
23:32não presenciou nada?
23:34Não.
23:35O senhor já chegou
23:35a conversar
23:36com o senhor presidente
23:37diretamente
23:37sobre algum contrato,
23:38sobre algum diretor
23:39que estava causando problema,
23:41alguma questão da Petrobras?
23:42Conversei com ele
23:43algumas vezes.
23:44Primeiro que estava
23:44tendo um atraso
23:45muito grande
23:46nos aditivos.
23:47Não sei se propositadamente
23:48ou não,
23:49mas tinha aditivo
23:50de obra nossa
23:50que levava um ano e meio
23:51para ser aprovado.
23:54Eu tive com ele
23:55uma vez
23:55para me queixar,
23:56dizendo,
23:56a relação que a empresa
23:59tem com o governo,
24:01eu acho que não é admissível
24:02esse tipo de coisa
24:05para forçar a empresa
24:06a remunerar mais
24:08A, B ou C.
24:09Falei claramente com ele.
24:11Tá.
24:11E teve alguma resposta
24:13depois?
24:14Não, eu soube
24:15que ele procurou saber
24:17o que estava acontecendo
24:18e foi feito
24:19um levantamento
24:20de todos esses aditivos
24:21que não era só
24:22da OAS,
24:23de outras empresas também.
24:25Isso já
24:26perto
24:27da saída dele
24:28da presidência.
24:30E o senhor soube
24:31pela Petrobras
24:32ou por ele?
24:34Eu soube por ele.
24:35Por ele.
24:35Ele deu um retorno.
24:37Deu um retorno.
24:37Tá.
24:40Eu vou passar
24:41para o Ministério Público
24:42a palavra,
24:44que eu acho que eles estão
24:45com os e-mails
24:46e conversas
24:48separados já.
24:50Boa tarde,
24:50Sérgio Léo.
24:51Boa tarde.
24:52Sérgio Léo,
24:52o senhor mencionou
24:53agora,
24:55recentemente,
24:55essa questão
24:56do clube de empresas
24:57organizado em cartel
24:58para obter os contratos
24:59com a Petrobras.
25:01O senhor se lembra
25:02mais ou menos
25:03quando que a OAS
25:04entrou nesse clube?
25:05Quem que representava
25:06a OAS nesse clube?
25:07OAS deve ter entrado
25:08em 2007.
25:112007, 2008.
25:13Quem representava
25:14era o diretor.
25:16Nós tínhamos uma divisão
25:19na empresa setorial,
25:21setor de petróleo,
25:23era como se fosse
25:24uma empresa, né?
25:26E era o Agenô Medeiros
25:28durante um período.
25:30Depois foi o Henrique
25:33e o Frederic,
25:34mais subordinado
25:35ao Agenô Medeiros,
25:36que tinha muitas reuniões
25:37desse clube.
25:38A quem que o seu
25:39Agenô Medeiros
25:40se reportava?
25:41A mim.
25:42Certo.
25:44Nesse contexto
25:45desse clube
25:47de empresas
25:48cartelizadas,
25:49houve pagamentos
25:50de vantagens indevidas
25:51também
25:52para agentes,
25:54funcionários públicos
25:55da Petrobras?
25:56Sim.
25:58O senhor se recorda,
25:59o senhor mencionou
26:03quando o senhor
26:03foi ouvido
26:04na ação penal
26:05do Triplex
26:06que o Grupo AES,
26:07em virtude de contratos
26:08celebrados com a Petrobras,
26:10efetuou de maneira
26:10frequente
26:11pagamento de vantagens
26:12indevidas
26:13a agentes da Petrobras
26:14ligados a diretorias
26:15de abastecimento
26:16e diretoria de serviços.
26:18Sim.
26:19O senhor confirma?
26:20Confirmo.
26:21O senhor tinha conhecimento
26:21de que essas diretorias
26:22eram loteadas
26:25entre partidos políticos?
26:27Tinha, sim.
26:28O senhor sabe me dizer
26:28que diretoria
26:30era relacionada
26:30a qual partido?
26:32A diretoria de abastecimento
26:33ao partido
26:34Pepeira
26:35e a diretoria
26:36de serviços
26:37ao PT.
26:38Certo.
26:39O senhor falou antes,
26:41respondendo as questões
26:42da doutora Juíza,
26:45que existia
26:47esse pagamento
26:48de vantagens
26:49indevidas
26:49ao PT,
26:51no percentual
26:52de 1%.
26:521%.
26:53Certo.
26:54Para a diretoria
26:55de abastecimento
26:56também havia
26:57esses pagamentos?
26:58Havia,
27:01só que
27:02na obra
27:03da Repar,
27:04parece que
27:05os consorciados
27:05nossos aqui
27:06faziam esses pagamentos.
27:08Na Reneste
27:09e nas outras obras,
27:10os gasodutos
27:12não eram
27:13dessa diretoria,
27:14mas fazia sim.
27:16Nós fazíamos também.
27:18Não da Repar,
27:19mas nas outras sim.
27:20quando o senhor
27:23foi ouvido
27:23ainda
27:24no caso
27:25do Triplex,
27:26que eram objetos
27:27o consórcio
27:28Compar
27:29e Reneste
27:30Coneste,
27:31o HDT's
27:32e o DA's,
27:34o senhor relatou
27:35que esses contratos
27:36foram obtidos
27:36mediante ajustes
27:37de mercados
27:38e foram efetuados
27:38pagamentos
27:39de vantagens
27:39indevidas.
27:40Sim.
27:41É importante esse fato
27:43porque esses contratos
27:44são também crimes
27:44antecedentes aqui,
27:46objetos dessa denúncia.
27:48Com relação específica
27:50aos contratos
27:51que estão
27:52denunciados
27:53por corrupção
27:53nesses autos,
27:55o senhor já mencionou
27:56com relação
27:57ao gasoduto
27:58Pilar e Poujuca?
28:00O gasoduto
28:01Coari e Manaus
28:03foi o primeiro.
28:05Apesar de não fazer
28:07parte do cartel
28:08do clube,
28:10é uma concorrência
28:11independente.
28:12São três lotes,
28:13nós ganhamos um
28:13na competição
28:15sem nenhum tipo
28:16de arranjo
28:16entre as empresas.
28:18houve pagamento
28:19de vantagem
28:20devida
28:20para a diretoria
28:21e para o PT.
28:23O SEMPES
28:24houve pagamento
28:25para a diretoria
28:28de serviço
28:29e para o PT.
28:32O Pilar e Poujuca,
28:36na cronologia
28:38não me lembro agora
28:38quem foi,
28:39antes de SEMPES
28:39ou Pilar e Poujuca,
28:41que são nomes
28:41que demoraram muito tempo.
28:43O SEMPES
28:44teve pagamento
28:44da diretoria
28:45de serviço
28:46e ao PT.
28:48Pilar e Poujuca,
28:49me parece,
28:50eu não tenho como afirmar,
28:52mas nós não fizemos
28:54pagamento
28:55à diretoria,
28:57só nos aditivos,
28:58parece que houve
28:59algum tipo de acerto.
29:01O Agenova
29:02vai depor
29:03e tem mais detalhes
29:04sobre isso,
29:04mas teve também.
29:07Não houve,
29:08parece que para o PT,
29:09no Pilar e Poujuca,
29:11por causa
29:12do...
29:13Nós tínhamos entrado
29:14com um preço
29:15muito baixo
29:16e estávamos
29:16com prejuízo
29:16muito grande,
29:18mas para a diretoria
29:19de serviço
29:19me parece que houve
29:20numa fase
29:21de aditivo
29:22ou alguma coisa,
29:22mas a Agenova
29:23pode explicar
29:24isso mais detalhadamente.
29:25Sim,
29:27doutora.
29:28Obrigada.
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