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NotíciasTranscrição
00:00Doutores, vamos começar?
00:04Sra. Agenor Franco e Magalhães Medeiros, certo?
00:06Exato.
00:06Sra. Agenor, o senhor sabe que está sendo acusado nesse processo, os fatos que são imputados ao senhor.
00:12O senhor sabe que tem o direito de ficar em silêncio, se preferir.
00:15Se preferir ficar em silêncio, isso não é usado em prejuízo à sua defesa.
00:19Ao mesmo tempo, a chance de explicar os fatos que são imputados ao senhor.
00:22Então, eu pergunto se o senhor quer falar, se o senhor quer ficar em silêncio.
00:24Eu quero falar.
00:25Pelo que eu vi do depoimento que o senhor prestou no último processo, aqui em juízo,
00:34o senhor foi diretor da área de petróleo e gás da Construtora OAS por um longo período, né?
00:40Foi. Meados de 2003 até 13 de fevereiro de 2014.
00:45É importante dizer que em 2014 eu já não estava mais nessa área, eu estava na presidência da área internacional.
00:52Tá, no começo de 2014 o senhor tinha saído.
00:55Exatamente.
00:57Por conta desse cargo, os contratos celebrados pela OAS com a Petrobras, o senhor tinha conhecimento...
01:04Foram todos sob minha responsabilidade.
01:06Era sob sua responsabilidade.
01:09O senhor Léo Pinheiro narrou aqui, no outro depoimento e hoje, que a OAS teve uma dificuldade inicial em entrar nos contratos com a Petrobras.
01:18Total, totalmente.
01:20E que com alguma proximidade com o governo conseguiu entrar nesse público empreendedor.
01:27Exatamente.
01:27Ele tinha uma relação muito forte com o PT, que era o partido que presidiu o país nessa época, o presidente Lula.
01:34Então, ele tinha uma ligação forte, essa ligação de Léo com o ex-presidente Lula, eu acho que remota dos tempos de sindicato, todos nós sabíamos na OAS disso.
01:50Além do presidente Lula, ele tinha relações fortes também com outras pessoas do partido.
01:54No partido dos trabalhadores.
01:56E ele usou dessa proximidade para tentar fazer com que o OAS participasse das contratações da Petrobras.
02:03Exatamente.
02:04O senhor presenciou isso ou isso lhe foi relatado?
02:07Olha, isso foi um fato comprovado.
02:10Eu posso...
02:12Eu falei em outro processo aqui, que nós tínhamos dificuldades...
02:16Basta dizer o seguinte, eu assumi a área de petróleo e gás em 2003, justamente quando o presidente Lula assumiu.
02:26E o primeiro contrato que nós viemos a ter na área de petróleo e gás foi em 2006, três anos depois.
02:34Até essa data, algumas empresas, um grupo que eu já citei em outros processos aqui,
02:39dominavam e direcionavam as cartas convite.
02:46Eu diria que em combinação com a diretoria da Petrobras, direcionavam.
02:52Até que, no caso citado nesse processo, são três contratos,
03:01na área de dutos não houve esse direcionamento.
03:05Não houve, depois eu vou detalhar mais tarde.
03:08Mas na área, por exemplo, na área de refina, na área industrial.
03:13Foi um fato claro, eu relatei aqui no processo do Triplex,
03:18falei sobre a obra da... a contratação da Repar,
03:22o contrato da Repar, onde nós tínhamos 24%.
03:26Não...
03:28Tínhamos dificuldade em entrar num grupo de oito, nove empresas que dominavam,
03:32até que, quando essas empresas perceberam que nós poderíamos ameaçar aquele reinado que elas tinham,
03:43elas nos convidaram a participar.
03:45Então, foi o nosso primeiro contrato, foi o da Repar,
03:49que foi 30 de agosto de 2008, se eu não me engano.
03:542008.
03:54Foi o primeiro contrato na área de refino.
03:57Então, isso por influência de Léo, porque ele atuou fortemente no sentido que fôssemos convidados.
04:05Não tinha sentido a empresa do nosso porte ser...
04:07E desde o primeiro contrato, já se sabia dessa necessidade de pagamento, de propina em todos os contratos?
04:17Nesse primeiro contrato, Excelência, eu posso dizer o seguinte.
04:21Nós, no contrato da Repar, nós não oferecemos, nós não pagamos nada a nenhum agente da Petrobras.
04:31O contrato da Repar, que foi assinado em agosto de 2008.
04:34Nós não pagamos, nem oferecemos nada a nenhum agente público, nem a gente da Petrobras.
04:41Sabíamos, tivemos conhecimento, nós pagávamos um FII de liderança para o líder do consórcio,
04:47que era a Odebrecht, e também para a UTC.
04:51Basta dizer que a UTC tinha 25%, nós tínhamos 24% desse consórcio.
04:57Então, nós pagávamos um FII, o consórcio pagava um FII de liderança para a Odebrecht,
05:02e para a UTC, para atender essas demandas de vantagens indevidas,
05:08tanto para agentes da Petrobras, quanto para agentes políticos.
05:11Então, os senhores não pagaram...
05:12Isso eu expliquei detalhadamente.
05:14Os senhores não pagaram direto, mas sabiam que era pago.
05:16Tivemos conhecimento.
05:18E sabia já desde o início dessa divisão, de que uma diretoria era direcionada a um partido,
05:25ou outra diretoria da Petrobras...
05:26Sabíamos que a diretoria de abastecimento, o Paulo Roberto, representava o partido, o PT,
05:35e sabíamos que a diretoria de serviços atendia ao PT.
05:41Isso era de conhecimento geral do mercado.
05:43E nós passamos a entender a partir daí.
05:46Por que nós não pagamos na Repar?
05:48Porque tanto a Odebrecht quanto a OTC, elas dominavam há mais tempo e não queriam perder aquele feudo do domínio.
05:58Não queriam que nós...
05:59Tanto que nós não pagamos nada.
06:01A OAS não pagou zero nesse contrato.
06:04Nós tivemos conhecimento.
06:05Pagamos através de FII de liderança.
06:07Eu expliquei isso.
06:08Aí, na evolução de cada contrato, aí fomos evoluindo e eu posso detalhar também como houve essa evolução.
06:17Cada contrato teve a sua particularidade, tem um histórico diferente.
06:22Então, você pode narrar os três contratos que estão narrados no início da denúncia?
06:26Vamos falar sobre os três contratos.
06:28De forma sucinta de cada um deles.
06:29De forma resumida, se a excelência quiser, eu posso depois detalhar da melhor forma possível.
06:36O contrato do SEMPS, por exemplo, Centro de Pesquisa na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.
06:43Inclusive, eu já fui julgado e condenado nesse processo.
06:48As empresas formaram um cartel, duas empresas formaram um cartel para dividir a sede de Vitória,
06:58o CIPD Centro Integrado de Processamento de Dados da Petrobras na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.
07:06E o Centro de Pesquisa do Rio de Janeiro também, na Ilha do Fundão, e a sede de Santos.
07:13Essas duas empresas se reuniram e dividiram.
07:18A Camargo Correia, a Odebrecht e a Roctif optaram e assinaram o contrato lá da sede de Vitória.
07:27Todas essas empresas se cobriram mutuamente em todas essas licitações.
07:36Eu detalhei muito bem isso e posso detalhar aqui também.
07:39Se cobriram.
07:40Nós escolhemos, nós e a Carioca, a Carioca de Engenharia, escolhemos o SEMPS.
07:45Depois agregamos a Chaim, a Construcap e a Construbase.
07:52Então, nós formamos um consórcio de cinco empresas e assinamos o contrato do SEMPS, em janeiro de 2008, com a liderança da OAS.
08:01Cada empresa tinha 20% nesse consórcio.
08:05E todas as decisões desse contrato eram colegiadas.
08:10Embora nós fôssemos o líder, nós não decidimos nada sem ter.
08:15Isso faz parte da Constituição do Consórcio, um documento que também pode ser anexado ao processo.
08:20E em relativo a esse processo, foi pago propina?
08:23Foi.
08:24Em relação a esse processo, o que acontece?
08:26Teve a fase pré-contrato e a fase pós-contrato.
08:30Na fase pré-contrato, Léo Pinheiro me pediu para contingenciar na proposta 1% para o PT.
08:41Eu comuniquei isso a todos os outros consorciados e todos concordaram que sabíamos que era normal aquilo, naquela época.
08:51Essas empresas não fazem parte daquelas empresas da área industrial.
08:55São obras diferentes, são obras prediais.
08:58Então, nós concordamos com isso.
09:03Além do mais, o senhor Pedro Barusco, dias antes da entrega da proposta, me procurou também, querendo 2% para a casa.
09:14A casa era para atender a ele e a outras pessoas, que depois eu descobri quem era.
09:20Eu falei com ele que 2% encareceria demais a proposta.
09:25Depois de muita discussão, eu tive inclusive um almoço com ele na churrascaria majórica no Rio de Janeiro, dias antes da entrega dessa proposta, no bairro do Flamengo.
09:36Aí acertamos que seria 1,75%.
09:42Então, todas as empresas concordaram.
09:46E antes da entrega da proposta, nós incluímos no preço.
09:51Incluímos de que forma?
09:521,75% para atender a casa do Pedro Barusco, que 1% para o PT, dá 2,75%.
10:00Para se gerar notas e pagar através de Caixa 2 ou qualquer outra demanda, multiplica-se normalmente por 1,25%.
10:12Nós fazíamos isso internamente. Por quê?
10:15É o custo dessas notas.
10:17Então, nós contingenciamos na nossa proposta 3,23% ou 3,43% aproximadamente.
10:26Isso está contingenciado na nossa proposta e eu posso também anexar alguma coisa que comprove isso.
10:33Então, nessa obra que durou, nós assinamos um contrato em 2008, janeiro de 2008, ela foi até 2012.
10:43Meados de 2012. Isso é a obra do SEMPS.
10:46O pagamento das propinas, como era um consórcio, ficava concentrada uma empresa?
10:52Não. Inicialmente, o senhor Pedro Barusco me pediu para que eu procurasse o senhor Mário Góes,
10:58que seria a pessoa encarregada por ele para receber esse dinheiro.
11:03Por quê?
11:04Ele queria centralizar em uma única empresa.
11:07Isso no caso do Pedro Barusco. Ele queria centralizar em uma única empresa.
11:11e eu achei aquilo um trabalho... cada um pagaria o seu, 20%.
11:16Eu achei aquilo um pouco trabalhoso para mim.
11:18Então, os primeiros pagamentos foram feitos com a minha interlocução.
11:26O senhor Mário Góes, as empresas de São Paulo, quais são?
11:30O senhor Mário Góes, o senhor Mário Góes saía do Rio de Janeiro e ia a São Paulo para receber dinheiros e endereços determinados por essas empresas.
11:45As empresas... a OAS pagava por si só também.
11:49A nossa sede era São Paulo.
11:52E a carioca de engenharia, Rio de Janeiro, recebia no Rio.
11:55Isso funcionou por uns primeiros pagamentos.
11:59Aí o senhor Mário Góes me procurou e disse, olha, estou tendo dificuldades.
12:03Em primeiro lugar, essa logística de eu ir a São Paulo.
12:06Pegar dinheiro em São Paulo para trazer para o Rio de Janeiro é muito complicado.
12:10Eu falei, olha, está muito complicado para mim também, porque eu não posso me responsabilizar pelos outros.
12:15Então, a partir daí, o senhor Mário Góes tinha relações com o senhor Luiz Fernando Reis, da Carioca de Engenharia,
12:23e com outros executivos da Carioca de Engenharia, que se conheciam de outras datas.
12:29Aí eles passaram a receber diretamente no Rio de Janeiro, da Carioca.
12:34No início, no caso da Carioca, já era assim, mas não mais com a minha interlocução.
12:39Ele falou, olha, se acerte com ele lá.
12:41No caso da Chaim, tinha o senhor Edson Coutinho, que era o executivo da Chaim, responsável pela área, pelo negócio.
12:51Ele se conhecia de um clube de golfe.
12:54Eu acho que o Edson Coutinho morava em São Conrado, o clube de golfe ficava perto.
12:58Ele se conhecia do clube de golfe.
13:00Ele tinha conhecimento tanto com o Pedro Barosso quanto com o Mário Góes.
13:04Então, passa a receber você lá direto, o senhor Edson Coutinho.
13:07Eu não quero me envolver com isso.
13:09A ConstruBase também tinha seus canais lá com o Barosco, que eu desconheço de que forma.
13:16Então, passou a fazer.
13:18A ConstruCap, corrijo.
13:21E a ConstruBase foi a única empresa que a OAS continuou a fazer essa interlocução.
13:27A OAS recebia da ConstruBase.
13:29Até porque o executivo da ConstruBase se queixou uma vez que saiu de São Paulo com um dinheiro vivo para entregar.
13:40E quase foi barrado pela Polícia Federal e começou a dizer que aquela logística era difícil também.
13:47Então, a ConstruBase, nós fizemos essa interlocução.
13:50Então, recebíamos da ConstruBase e entregávamos no Rio de Janeiro.
13:53A área de controladoria da OAS é quem fazia essa interface, porque eu não me envolvia com isso.
13:59E para o Partido dos Trabalhadores?
14:01Para o Partido dos Trabalhadores.
14:03O Partido dos Trabalhadores, então, esse 1,75 era chamado, tabela 175, era distribuída para cada empresa,
14:11para cada recebimento e cada um tinha suas responsabilidades.
14:14A tabela 100, que era a tabela do Partido dos Trabalhadores, era 1% de cada recebimento também.
14:21Então, nós distribuíamos para cada, a obra distribuía para cada representante de cada empresa
14:27e cada empresa tinha seus canais com o PT, com tesoureiros, ou seja lá com quem for do PT, e pagava a sua parte.
14:36A OAS também pagava a sua parte.
14:39Então, o que acontece no nosso caso?
14:41A OAS tem um caixa geral, Léo Pinheiro, administrava um caixa geral de pagamentos que ele fazia ao PT.
14:52Não só de obras da Petrobras, também de outras obras.
14:55Então, esse dinheiro ia para o caixa geral da OAS.
15:00E era administrado esse caixa geral por Léo Pinheiro.
15:05Eu tinha conhecimento daquilo que caía nos centros de custos da minha responsabilidade,
15:11até porque eu precisava controlar.
15:13Olha, se tem 1% do PT, então eu tenho que...
15:18O pessoal da obra me falava, olha, foi debitado mais ou menos, então eu fazia esse controle.
15:24Isso era obrigação.
15:25Mas tudo isso era administrado por Léo Pinheiro, às vezes por doação oficial, às vezes por caixa dois, às vezes pagando fornecedores.
15:36Então, era dessa forma que era feito.
15:37Inclusive, Excelência, eu quero dizer o seguinte.
15:40Embora a denúncia fale, que está na denúncia, que o contrato do SEMPS fala-se 1 bilhão e 50 milhões, se eu não me engano.
15:52Na verdade, essa obra atingiu 1 bilhão e 252 milhões.
15:56Por quê?
15:58Teve dois IPTES, além dos aditivos, dois IPTES.
16:03O que é o IPTES?
16:04Instrumento Particular de Transação Extrajudicial.
16:08Um no valor de 2 milhões e o outro no valor de 226 milhões.
16:16Então, esses 1,50 somado com esses 128 milhões dá aproximadamente a 1,252, que foi o valor do contrato.
16:26Então, o senhor remetia, providenciava remessa para essa conta geral, que era de responsabilidade...
16:33Era debitado internamente pela empresa.
16:35Debitado internamente.
16:36Para essa conta.
16:37Para essa conta, a conta geral.
16:39E dali, Léo Pinheiro destinava...
16:41Como destinava o Léo Pinheiro, o senhor não participava, ou se era pago do fornecedor de IPTES?
16:46Eu tinha conhecimento de alguns fornecedores, porque prestavam contas, assim, olha, esse fornecedor, agora, que tipo de contrato?
16:54Como foi feito esse contrato?
16:55Não era de minha responsabilidade.
16:56Eu não participava da operacionalização, nunca participei da operacionalização da controladoria.
17:04Controladoria era uma área da empresa, que em outras empresas se chama de projeto estruturado.
17:09Eu talvez na UAS tenha chamado, eu acho que de projeto estruturado durante um certo período, mas em outro período foi controladoria.
17:16Ela fazia contratos fictícios, pagava fornecedores com contratos fictícios para gerar Caixa 2.
17:24Mas o que eu pergunto dessa Caixa Geral é, assim, se o dinheiro que ia para o Caixa Geral era pago para a Caixa 2 de campanha, se era pago para a doação oficial de campanha, se era pago para a propina...
17:38Agora, quem destinava o que era oficial, por exemplo, vai oficialmente para um partido, era Léo Pinheiro.
17:45Ou então, vou pagar através de Caixa 2, vou apagar...
17:49A propina para um político, existia isso também?
17:51Existia, sempre existia.
17:53Nesse Caixa do PT também?
17:54Nesse Caixa ele sempre existia, pagar diretamente o político para...
17:58E quem controlava era o Léo Pinheiro?
18:00Léo Pinheiro com controlado, operacionalizado...
18:03Não, mas no PT.
18:04Era Léo Pinheiro.
18:05Não, o Léo Pinheiro pela UAS, mas quem fazia o encontro de contas no PT, quem era o interlocutor do Léo Pinheiro?
18:12Olha, o encontro de contas era Léo Pinheiro, eu não fazia encontro de contas, eu fornecia por...
18:17A senhora não queria me perguntar, no PT, quem conversava com o Léo Pinheiro, o senhor sabe dizer, se era o tesoureiro...
18:22Claro, o tesoureiro João Vacari, na época os tesoureiros eram Paulo Ferreira, até 2009, Paulo Ferreira, a partir de 2010, João Vacari, eu pessoalmente, entreguei ao senhor Paulo Ferreira, na sede do PT, no centro do Rio de Janeiro, perto do Fórum, lá perto da Catedral.
18:42Essa tabela 100, porque o Paulo Ferreira não tinha interesse somente na parte da UAS, ele queria saber cobrar dos outros também.
18:50As outras empresas tinham os canais com ele.
18:53Eu entreguei pessoalmente a João Vacari essa tabela.
18:56João Vacari foi algumas vezes no nosso escritório, no Rio de Janeiro, e eu entreguei para ele essa tabela também.
19:02Eu tenho o registro de entrada do senhor João Vacari.
19:04Do senhor João Vacari e o senhor já entregou para o Paulo Ferreira.
19:07Então, o que acontece? Eles tinham aquilo e...
19:11E o Léo tinha partido.
19:12O Léo, ele controlava e era operacionalizado pela controladoria.
19:20Tanto para tal deputado, para tal diretório, aí vai oficial, tal fornecedor.
19:27Eu tinha conhecimento de alguns fornecedores porque, de vez em quando, chegavam lá.
19:30Olha, pagamos a tais fornecedores, mas pagou de que forma? Não sei.
19:34Qual foi o contrato? Não sei.
19:35Essa alteração de contratação, de fazer contratos fictícios, nunca foi da minha responsabilidade.
19:43Jamais foi.
19:44Mas o senhor sabe dizer, então, por exemplo, no consórcio Novo Sempes, 1% do valor do contrato...
19:501% do valor do contrato foi para a conta geral do PT.
19:53Foi.
19:53Quanto representa isso?
19:54Nós tínhamos 20% de um 252.
19:57Isso dá 250 milhões.
19:591%, a OAS pagou 2,5 milhões pela obra do Sempes.
20:07Entrou nesse caixa geral para poder atender a partir dos trabalhadores.
20:11Isso, estou falando do contrato do Sempes.
20:13Cada contrato tem sua particularidade.
20:15O consórcio Gazan.
20:17Consórcio Gazan.
20:19Como funciona o consórcio?
20:20Como aconteceu o consórcio Gazan?
20:23A Petrobras precisava de gás em Manaus.
20:28Tinha um campo de produção de gás na floresta amazônica chamado Urucu.
20:34De Urucu a Manaus dá aproximadamente 650 quilômetros.
20:39Mais ou menos.
20:41A Petrobras lançou simultaneamente três licitações.
20:45Uma de Urucu a Aquari, que são 279 quilômetros, que foi o trecho que nós escolhemos.
20:52Outra vai de Urucu, ou de Coari a Manaus, que dá mais de 280 para 650, mais uns 380 quilômetros.
21:04Esses dois trechos foram divididos a metade, porque eram muito complexos também.
21:08Então foram três licitações simultâneas, trecho A, B e C, que foram licitados pela Petrobras.
21:16Nós optamos por um trecho e cada empresa optou pelo outro, porque nenhuma empresa no Brasil e no mundo tem capacidade de orçar ao mesmo tempo um gasoduto de uma complexidade dessas, 650 quilômetros na selva.
21:31O problema do gasoduto na selva é a severidade do clima.
21:35Tem problema de cheias de rio, tem problema de chuvas ininterruptas.
21:42Tanto é que o nosso contrato tinha adiamento de prazo por conta de chuvas.
21:47Eu posso detalhar isso mais um pouco.
21:49Isso foi o maior problema que eu...
21:51Então, três trechos, nós optamos.
21:55A Etesco, uma empresa, a Etesco Engenharia, uma empresa tradicional nessa área de construção de dedutos, nos convidou, através de Léo, para entrarmos em consórcio com elas, 50 com 50.
22:07Próximo da entrega da proposta, ele quis desistir.
22:10Falou, pô, o pai dele não permitiu que ele entrasse.
22:13Ele é licinio machado do filho, licinio machado do pai.
22:17Meu pai está com medo dessa obra.
22:19Mas toda a documentação já estava em nome do consórcio.
22:23Então, ele ficou com 1%.
22:25A Etesco ficou com 1%.
22:27Nós ficamos com 99%.
22:28Então, o projeto Gazan é 100% de responsabilidade da OAS.
22:32Ele não participou da gestão, ele não participou de nada.
22:36Mas é por isso que se chama Gazan.
22:41Anteriormente a essa concorrência, houve uma tentativa de ajuste,
22:47por conta de 8 empresas na sede da Camargo Correia, eu participei desse encontro.
22:53Participaram desse encontro.
22:55A Camargo Correia, a Queiroz Galvão, a CNO, a OAS, a Tequinte, a Escanska, a OAS e a Etesco, está faltando alguma aí?
23:09Andrade Gauthier.
23:10Então, essas 8 tentaram fazer, houve uma tentativa de ajuste, mas foi impossível,
23:18porque foram convidadas 14 empresas.
23:21Aí, cada um orçou seu trecho.
23:25E até porque não se orçava mais de um trecho,
23:28porque nenhuma empresa no Brasil tem capacidade de executar dois trechos ao mesmo tempo.
23:34Uma obra de alta complexidade.
23:36E nesse contrato foi pago propina?
23:40Nesse contrato.
23:41Esse foi o primeiro contrato da OAS na gestão do PT.
23:47Então, o que acontece?
23:48Nós não contingenciamos nada, zero.
23:52Porque era a primeira obra, uma obra complexa.
23:55Não houve nenhum contingenciamento.
23:56Após a assinatura do contrato,
24:01Léo me debita no centro de custo da obra, a cada recebimento, 1%.
24:06O gerente da obra me procura, eu falo, pô, estão debitando 1% a cada recebimento.
24:11Eu procuro o Léo e ele me diz o seguinte,
24:14é um contingenciamento para o PT.
24:17Eu vou contingenciar.
24:20Mas nós não estamos, mas vai ser contingenciado.
24:23E foi debitado no centro de custo da obra, 1% para o PT.
24:28Que foi também para esse caixa geral?
24:29Foi para esse caixa geral e eu não sei como foi pago também.
24:34Então, 1% de tudo que a OAS recebeu?
24:36Esse contrato foi um contrato de R$ 343 milhões.
24:42Inclusive, eu gostaria de fazer uma correção também,
24:45que na denúncia fala com os aditivos,
24:49deu R$ 583 milhões.
24:52Na verdade, são R$ 589 milhões.
24:56Esse contrato atingiu o valor de R$ 589 milhões.
25:001% desse valor dá R$ 5,89 milhões.
25:04R$ 5,890 milhões.
25:06Isso foi para esse caixa geral também.
25:09Embora não tivesse sido acertado,
25:12eu não acertei por ninguém.
25:14Inclusive, Excelência, eu quero dizer o seguinte,
25:17eu jamais acertei com o PT.
25:20Com agentes da Petrobras, eu falei que acertei lá com o Barusco,
25:24mas com agentes do Partido Político,
25:28eu jamais acertei qualquer valor.
25:31Isso era uma atribuição.
25:31E esse do consórcio Gazan não foi nada para casa?
25:33Para casa, aí entra outro capítulo.
25:40Essa obra foi assinada em julho de Dormista.
25:42Isso era uma atribuição de, quando ele estava falando do Partido Político?
25:48Sempre foi atribuição de Léo Pinheiro,
25:50dizer se paga numa obra ou não paga na outra.
25:53Eu nunca acertei nada com o Partido Político.
25:56Eu não tinha essa atribuição na empresa.
26:01É bom que fique claro.
26:04Com os agentes da Petrobras, a responsabilidade sempre foi minha.
26:06Então, o que acontece?
26:09Essa obra estava sendo adiada indefinidamente.
26:14Tinha uma cláusula de chuva no contrato,
26:16onde chuva e suas consequências adiam o prazo.
26:21A Amazônia chove o ano todo.
26:24Tem período que chove o dia inteiro.
26:27Às vezes faz sol e você não consegue andar na selva amazônica.
26:32As máquinas todas, os ônibus tinham trator, tinham esteiras, não conseguiam.
26:38Se pensa que a Amazônia é plana, a Amazônia não é plana.
26:41A cada 100 metros tem uma ondulação de 50 metros.
26:44É uma loucura construir na Amazônia.
26:46Essa obra foi contratada, como se diz, perdeu-se a janela dos rios.
26:53Ela deveria ter sido contratada em abril e foi contratada em julho.
26:57Isso fez com que a logística ficasse impossível, ficasse adiada.
27:02Perdeu-se uma janela da logística, levar os equipamentos e tudo mais para lá.
27:07E com a chuva, essa obra não seria inaugurada no prazo.
27:10Então, o que a Petrobras fez?
27:12A gente falou, olha, vamos fazer o seguinte, dobrem as frentes de trabalho, dobrem os equipamentos.
27:18Essa obra teve 19 aditivos.
27:21Essa obra chegou a ficar negativa para a gente, quase 150 milhões.
27:26Porque os aditivos eram muito demorados.
27:27Teve 19 aditivos.
27:29Quatro dos aditivos foram aditivos de aumento de preço.
27:35Esses aditivos, eu vou chegar lá.
27:38Quando chegou, 2006, então nós não pagamos nada, foi contingenciado para o PT, mas para a casa não.
27:47Quando chegou em meados de 2008, esses aditivos não tinham...
27:52O aditivo principal, que era um aditivo de 160 milhões, os quatro aditivos dão 200 e pouco,
28:00só um aditivo desse aumento de prazo de equipamento, 160 milhões.
28:06O senhor Pedro Baruso, quer dizer, em nenhum momento ele tinha me procurado para falar nisso.
28:10Foi em 2006, em meados de 2008.
28:13Ele me procura porque nós tínhamos acertado do SEMPS em 2007.
28:19Ele me procura e fala, olha, vocês vão pagar 1% para casa também nesse contrato.
28:25Eu falei, olha, não temos condições.
28:26Não foi contingenciado.
28:28No outro foi, nesse não temos condições.
28:30Eu tive um jantar, um almoço com ele, na Jorascaria Majórica, no Flamengo, no Rio de Janeiro.
28:40Isso, agosto, setembro de 2008.
28:43Aí, nesse almoço, eu falei, olha, não temos condições de pagar 1%.
28:46Aí acertamos 1% sobre os aditivos.
28:51Somente sobre os aditivos.
28:52Eu falei, olha, não tenho condição.
28:53Ele queria a mesma condição que tinha sido acertado lá no SEMPS.
28:58Então, o que é que acontece?
29:00Essa obra, estou falando de Urucu Coari, ela teve 246 milhões de aditivos.
29:11246 milhões, com o contrato foi 343, com 246, dá 589, contra os 583 que a denúncia fala, na verdade, é 589.
29:22Então, nós pagamos ao senhor Pedro Barusco, 2 milhões e 460 mil, que refere-se a 1% justamente desses aditivos.
29:35Aí ele me diz, olha, procure o Mário Góes também, faça o pagamento.
29:39Como ele já vinha fazendo o pagamento pelo SEMPS, nós já estávamos pagando, a Mário Góes, pelo SEMPS, que começou em meados de 2008.
29:51Então, a partir de final de 2008, início de 2009, acrescentou-se também esses 2 milhões e 460 para, 246 é isso mesmo, 2 milhões e 460 para, referente a Pedro Barusco, a casa em Urucu Coari.
30:11Então, o Urucu Coari teve...
30:14É que eu tenho que interromper o Vicky.
30:15Ah, tá.
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