- há 1 ano
***
Assine nossa newsletter:
https://goo.gl/y5m9MS
Confira mais notícias em nosso site:
https://www.oantagonista.com
Curta O Antagonista no Facebook:
https://www.fb.com/oantagonista
Siga O Antagonista no Twitter:
https://www.twitter.com/o_antagonista
Siga O Antagonista no Instagram:
https://www.instagram.com/o_antagonista
___
Assine nossa newsletter:
https://goo.gl/y5m9MS
Confira mais notícias em nosso site:
https://www.oantagonista.com
Curta O Antagonista no Facebook:
https://www.fb.com/oantagonista
Siga O Antagonista no Twitter:
https://www.twitter.com/o_antagonista
Siga O Antagonista no Instagram:
https://www.instagram.com/o_antagonista
___
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Então, nessa ação penal 502.365.32, depoimento do senhor ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
00:10Senhor ex-presidente, V. Exª foi arrolado aqui como testemunha nesse processo?
00:16Na condição de testemunha, V. Exª tem um compromisso com a Justiça em dizer a verdade e responder as perguntas que lhe forem feitas, certo?
00:23De acordo. Por força de mandamento legal, senhor ex-presidente, eu vou lhe advertir que se o senhor ex-presidente faltar com a verdade, fica sujeito a um processo, certo?
00:36Como é habitual.
00:38Senhor ex-presidente, não é a primeira vez que o senhor ex-presidente é arrolado como testemunha pela defesa do senhor Luiz Inácio Lula da Silva?
00:48É a segunda vez.
00:50Segunda vez, né? E nós, estou convencionado aqui, nós utilizarmos, aproveitarmos o termo de depoimento que o senhor prestou anteriormente e fazermos só perguntas complementares.
01:03O senhor prestou esse depoimento no ano passado, certamente o senhor não se lembra os detalhes, mas eu indago ao senhor ex-presidente se teria alguma coisa a retificar daquele depoimento anterior
01:16ou o que o senhor disse que corresponde à verdade, alguma coisa diferente?
01:20O que o senhor diz corresponde à verdade, alguma coisa diferente?
01:24Perfeito, então. Então, fica determinado que vamos utilizar esse termo e eu passo para as perguntas complementares
01:34da defesa do senhor Luiz Inácio Lula da Silva.
01:42Sim?
01:44Bom dia, senhor ex-presidente.
01:47Bom dia.
01:50Senhor ex-presidente, no depoimento anterior que o senhor prestou para este juízo, o senhor já fez referência ao fato de que o senhor foi eleito em 1994
02:06por meio de uma coligação de partidos. Além do partido do senhor, do PSDB, outros partidos acabaram aderindo ao seu programa de governo, correto?
02:19Correto. Fui eleito para a coligação e depois fui eleito, ampliei essa coligação e para ter apoio do Congresso Nacional.
02:28Sim, isso é verdade.
02:28Perfeito. Naquele depoimento, inclusive, o senhor chegou a fazer referência de que o presidente da República, o seu partido, elege em média 20% do Congresso
02:42e que para governar é necessário expandir esse apoio em relação aos demais partidos.
02:50O senhor poderia dar uma rápida explicação de como isso funcionou no seu governo?
02:55Bom, não. Olha, eu fui eleito, eu creio que, se eu me recordo bem, além do PSDB, me apoiavam o PFL e o PTB.
03:07Provavelmente foi isso. Uma vez eleito, eu procurei o PMDB.
03:14O presidente do PMDB era, então, o deputado, que tinha sido meu colega na Constituinte, eu era líder do PMDB.
03:25Só um pouquinho, senhor ex-presidente, felizmente aqui houve uma falha técnica, nós perdemos os últimos minutos.
03:46O senhor ex-presidente falava que o apoio era do PTB e do PSL.
03:56Eu peço que o senhor ex-presidente retome, por gentileza, a partir desse momento, porque realmente perdemos aqui.
04:01Então, uma vez eleito, eu vou explicar até melhor.
04:08Eu tinha a intenção de fazer reformas na Constituição, o qual implicava em ter três quintos da Câmara e três quintos do Sábado.
04:15Várias vezes. É um processo complicado.
04:18Então, eu mesmo me dispus a pedir ao PMDB que ele entrasse na coligação, no apoio.
04:24Por quê? Porque eu lidava com o presidente do PMDB, o Luiz Henrique, que eu tinha sido eu próprio líder do PMDB no Senado, durante a Constituinte.
04:35E o Luiz Henrique era líder do PMDB na Câmara.
04:38Isso tudo sobre os hospitos do Luiz Guimarães.
04:41Então, eu tinha um bom relacionamento com o Luiz Henrique.
04:43E nós colocamos cartas programáticas, para poder justificar e motivar o apoio.
04:50Bom, e mais adiante, isso foi sendo ampliado.
04:54Agora, qual era o objetivo?
04:57Como já mencionava, fazer a aprovação de certas reformas na Constituição.
05:03Designei ministros desses partidos.
05:06Eu designei os ministros.
05:08Por exemplo, no caso do PMDB, eu designei o ministro Nelson Rubi, que foi ministro da Suprema Corte e foi ministro da Justiça.
05:16E designei o ex-vígio do PMDB na Assembleia para a medida dos transportes.
05:24E assim foi.
05:25Mesmo no PFL, eu designei os ministros, embora eu tivesse conversado com o líder do PFL.
05:30Mas a história era minha.
05:32E tinha um certo programa.
05:33Com isso, eu recebi a chamar depois de presidencialismo de coalizão.
05:38Ou seja, você faz uma coligação, ou você, como seu partido, não tem a maioria na Câmara, não tem como governar.
05:45Ou melhor, não tem como fazer modificações que o Brasil prefere.
05:49Então, esse foi o processo.
05:51Perfeito.
05:52Exatamente nesse ponto, presidente, o presidencialismo de coalizão.
05:57Pela experiência do senhor, não só como presidente da República, mas também como parlamentar,
06:05é necessário efetivamente que um presidente da República compõe uma maioria do Congresso.
06:11E isso leva ao presidencialismo de coalizão, correto?
06:15Correto.
06:16É isso.
06:17Como nós temos um sistema pelo qual o presidente é eleito,
06:21no meu caso, eu fui eleito duas vezes no primeiro turno.
06:24Se eu ser eleito direto, então você tem que ter mais de 50% dos votos.
06:27Mas o seu partido nunca tem isso.
06:30Seu partido tem, em média, em média, não tem muito.
06:32É 20% do Congresso.
06:34Então, o arreligio, na prisão da Constituição, na Constituição, na Constituição, na Constituição,
06:39na Constituição, na Constituição, na Constituição, na Constituição, na Constituição,
06:41era esse.
06:41Você criava esse sistema, ficando assim, um pouco híbrido.
06:45Porque ele é presidencialista, portanto, a população acha que o presidente tudo pode,
06:51mas o presidente precisa do Congresso, ele não pode tudo.
06:53Então, ele tem que compor a maioria do Congresso para poder governar.
06:57Ele tem que explicar ao país o que ele quer fazer.
07:00Não é fácil ser presidente, não é conselho ninguém.
07:01Senhor presidente, o senhor fez referência à questão da adesão dos partidos
07:12a cartas programáticas que foram elaboradas pelo senhor e pelo partido.
07:19Agora, o presidencialismo de coalizão pressupõe também que os partidos da base aliada
07:25participem do governo, tenham, por exemplo, possam indicar pessoas para compor o governo,
07:32para estar em empresas públicas, dentro de outras coisas?
07:37Veja, aí depende da orientação do presidente.
07:41Obviamente, quando você faz uma coligação, está dividido por poder.
07:45Uma outra maneira de fazer coligação é o objetivo.
07:48Só os partidos totalitários querem governar sozinhos, ou seja, economicamente.
07:53Em geral, não é assim que se dá.
07:55E por que você tem um objetivo, um problema?
07:57Esse não, para dar o critério, para você compor.
08:00Isso em tese.
08:01Então, você, de fato, você, ao compor o seu ministério,
08:06especialmente quando você tem força, ou seja, quando você é elente com muita votação
08:09e no começo, você, mais ou menos, você dá as regras, você escolhe.
08:14No meu caso, eu não posso falar do caso dos outros, no meu caso,
08:18eu tinha muito claro que eu precisava preservar um conjunto de posições.
08:22Então, tudo que diz respeito à área econômica,
08:25eu não me dei para o pedido da fazenda,
08:27Pedro Balan, que já era o presidente do Banco Central,
08:28e que já é um livro de muitos anos anteriores a isso,
08:31até os estendores do Arca, isso foi lá, o professor de Stéfano, enfim.
08:37E tinha uma combinação com o Pedro Balan.
08:39Nada de interferência.
08:40O que é uma coisa que não é fácil, a receita, a doana, tudo isso,
08:46e aí o outro, realmente, houve até que ruptura, não vou entrar em detalhes,
08:50como o partido que queria um cargo na doana.
08:53Bom, fazenda não se mexe nesse assunto aqui, é técnico.
08:58No meio da educação, o Paulo Renato.
09:00Tanto como o Manoel quanto o Paulo Renato foram vindo,
09:03oito anos foram vindo.
09:05Oito anos.
09:06E o Paulo Renato e a educação é a mesma coisa.
09:08São isso aí, uma área de preservação do interesse do governo nacional,
09:12área de solidariedade.
09:13Saúde também.
09:14Tive vários ministros, tive o Jatene,
09:17tive o papai do senhor, do Rio Grande do Sul,
09:20que ele ajudou muito,
09:22e tivemos o Zé Serra.
09:25O Zé Serra e o Paulo Renato eram membros do PSDB,
09:29os outros não.
09:30Agora, não estavam lá na qualidade de membros do PSDB,
09:32estavam lá na qualidade de pessoas que foram levadas adiante
09:35com a transformação na educação e na saúde,
09:37o que eles fizeram.
09:39Bom, isso, digamos,
09:40um bom argumento do governo.
09:43E eu sempre achei também que a Casa Civil
09:45é um lugar que tem que ser preservado.
09:47E a Casa Civil, minha opinião,
09:48que o Ernesto permite a quem lhe sucedeu.
09:51A Casa Civil tem que ser para alguém
09:52que seja capaz de levar adiante a administração.
09:56Porque o presidente não tem tempo,
09:57o presidente, para acompanhar o dia a dia dos ministérios.
10:00O chefe da Casa Civil é o chefe da administração em geral.
10:05Isso não é o título dele,
10:05mas a marca básica funciona assim.
10:08Ele tem que ser uma pessoa com competência gerencial
10:10para a máquina pública.
10:13E, no meu modo de entender,
10:14não deve ter muita ligação com o setor político do Congresso.
10:17Porque, para aí, você tem um outro ministro,
10:20que é o ministro,
10:20que é o nome do chefe de Guilherme,
10:22que faz um enlace com o Congresso.
10:25Por que esse cuidado?
10:26Porque esse ministro vai fazer acordo com o Congresso
10:28que nem sempre vão ser cumpridos.
10:30Porque o Dr. Michel da Casa Civil não deixa.
10:33Porque, atualmente, os acusadores do Congresso
10:34são por interesses partidários, políticos.
10:37E, se você quiser preservar certas áreas da administração,
10:39você tem que ter um recurso de defesa.
10:42Então, você faz uma coisa,
10:43mas o outro não deixa cumprir.
10:44O presidente fica um pouco de rei da Graterna.
10:46A Graterna, manobrando aquilo ali,
10:49mas um pouco acima do outro.
10:51A mesma maneira de entender,
10:53esse tipo de presidencialismo tem vários efeitos
10:55e alguns em posições necessárias,
10:57depende do que o presidente tem que entender
10:59que ele é uma espécie de poder moderador.
11:03Essa enorme quantidade de interesse que há no Brasil
11:06e ele tem que ter um rumo.
11:08Ele tem que tentar explicar ao país esse rumo.
11:11Esse é o nosso sistema.
11:12Difícil de funcionar, mas é assim.
11:14Correto.
11:15Só para deixar bem claro, presidente,
11:18o senhor explicou que,
11:20em relação a alguns ministérios essenciais,
11:23o senhor nomeou pessoas da sua confiança, evidentemente.
11:28Agora, a administração pública, direta e indireta,
11:32tem diversos cargos.
11:34Quer dizer, nesses cargos da administração pública,
11:37direta e indireta,
11:39durante o governo do senhor,
11:40também foram preenchidos, digamos assim,
11:43dentro desse modelo de coalizão.
11:46Quer dizer, os partidos da base aliada
11:47poderiam sugerir nomes para esses cargos.
11:52Não, valiavelmente.
11:54Depende de quem.
11:55Por exemplo,
11:55eu nunca me recordo
11:57certas áreas sensíveis.
12:00Pedro Brás, por exemplo.
12:01Eu mantive o presidente
12:05que o presidente da marcha é postular.
12:07Por algum tempo.
12:08Depois, quando eu coloquei o presidente
12:10com minha indignação própria,
12:12isso também foi decidido,
12:15que ele vai,
12:16as indicações seriam técnicas.
12:18Houve uma exceção.
12:20Sempre possível.
12:20Mas não é que fosse um não técnico.
12:22Houve uma indicação de um partido.
12:25Quando uma pessoa era técnica também,
12:27depois,
12:27um partido diferente do mesmo.
12:29Mas, enfim.
12:29na Caixa Econômica,
12:31a mesma coisa.
12:32Você tem que ter sempre a preocupação
12:34de evitar que nesse sistema
12:36que é o nosso,
12:37que partilha,
12:38que resulte em uma espécie
12:39de espacelamento
12:40do interesse público
12:42em função dos interesses partidários.
12:44Consegue sempre?
12:45Não.
12:45Não consegue sempre.
12:46Mas tem que ter um esforço permanente
12:48de ver o máximo que você consegue
12:49para apresentar.
12:51Eu já referi às áreas
12:52essenciais.
12:55Não vejo que o Banco do Brasil,
12:56por exemplo,
12:56jamais tivesse indicado
12:57pessoas com
12:58um político
12:59do interesse partidário.
13:01Mas eu vou lhe dizer
13:02que isso foi geralmente assim.
13:04Não.
13:04Em certas áreas
13:05não tem como
13:05o senhor não ter.
13:07Esporte e turismo.
13:09Será que o Ministério
13:10se tivesse...
13:11Isso vai variar
13:12de governo para governo.
13:13O que o governo
13:14tem como mira,
13:15como objetivo fazer?
13:16Aí você cessa o seu fogo.
13:18Se você não tem
13:19tanto interesse,
13:20embora tenha...
13:21os outros possam ter,
13:23isso aí pode ceder um pouco mais.
13:25Mas tem que estar sempre.
13:26É o disco que eu...
13:28Hoje é fora de moda.
13:29Não vem.
13:30Sempre.
13:30A liberdade
13:31é que a queda é a vigilância.
13:33Isso aí também é o governo.
13:34A queda é a vigilância.
13:35Está livre o tempo todo.
13:35Correto, presidente.
13:38O senhor falou na Petrobras.
13:41O senhor se recorda
13:42de que a Petrobras
13:45até março de 99
13:48ela tinha um sistema
13:50pelo qual o presidente da República
13:53indicava diretamente
13:55o presidente do Conselho,
13:59três conselheiros
14:00e toda a diretoria.
14:03O senhor se recorda
14:04desse período até 99
14:05em que as indicações
14:06eram diretamente realizadas
14:09pelo presidente da República?
14:11Eu até pensei
14:12que fosse sempre assim.
14:14Mas não,
14:15eu não recordo exatamente.
14:16Eu procurei
14:17a posição da Petrobras.
14:18Eu procurei
14:19trazer para o Conselho
14:20da Petrobras
14:21pessoas representativas
14:22do mundo civil.
14:24Importante.
14:25Não me lembro mais ou menos
14:26eu creio que ia dar uma vez.
14:27Não me lembro.
14:28Pessoas que eram
14:29influentes na...
14:31Por quê?
14:32A Petrobras
14:33para o Conselho
14:34é quem vai...
14:35É o responsável por tudo.
14:36Era que se tivesse gente
14:37de outras áreas lá também.
14:40Agora,
14:41os diretores da Petrobras,
14:43como eu disse aqui,
14:44que eu me lembro,
14:45a partir do momento
14:45que eu nomeei
14:47que ele passou a ser,
14:51só houve uma exceção.
14:54Não foi uma indicação...
14:56Eu posso ter assinado,
14:57eu não sei se não é que era o sistema,
15:00mas não foi uma indicação partidária.
15:03Isso que eu me lembro.
15:06Correto.
15:08No período do senhor,
15:09também,
15:10muitos ou alguns,
15:13pelo menos diretores da Petrobras,
15:15eram funcionários de carreira
15:17da empresa.
15:18Sim.
15:19Aí,
15:20é possível citar,
15:21como,
15:22por exemplo,
15:23diretor
15:23Delcídio do Amaral
15:26e
15:27gerente
15:28Nestor Severo.
15:30Delcídio do Amaral
15:31não era de carreira, não.
15:33Delcídio do Amaral,
15:33ele tinha sido,
15:35eu acho,
15:35da distribuidora,
15:38ele tinha formação técnica,
15:39isso sim.
15:40Ele foi da Shell,
15:41ele trabalhou na Urana,
15:42ele foi da Shell,
15:44ele foi,
15:44antes de tudo,
15:45uma empresa de energia elétrica,
15:47no sul do Brasil,
15:50mas ele não era,
15:50porque eu me lembro,
15:52não era dos quadros da Petrobras.
15:55Perfeito.
15:56Agora,
15:56de qualquer forma,
15:57essas pessoas tiveram
15:59cargos na Petrobras.
16:00No depoimento anterior,
16:03o senhor disse,
16:04com toda ênfase,
16:06quer dizer,
16:07o presidente da República
16:08não tem condições
16:09de saber de tudo.
16:10então,
16:10se eventualmente
16:11havia problemas
16:12em relação a pessoas
16:14da Petrobras,
16:15isso não pode ser,
16:17essa responsabilidade
16:18não pode ser transferida
16:20para o presidente.
16:22Certamente,
16:24se tem várias instâncias
16:25de responsabilidade,
16:26o presidente é responsável,
16:27o reino do Rio,
16:28depois lá dentro
16:29você não tem,
16:30o presidente não tem
16:31nem tempo
16:31de saber de tudo.
16:32não é o Brasil,
16:36o presidente pode
16:39tudo,
16:39sabe tudo,
16:40tomara.
16:42Perfeito.
16:44Presidente,
16:45durante o seu mandato,
16:49o senhor tinha por hábito
16:50dialogar com empresários,
16:54chamar empresários
16:56para discutir
16:57questões de interesse público,
16:59enfim,
17:01trazer próximo ao senhor
17:03empresários
17:04para fazer uma discussão
17:05em relação
17:06aos interesses do país?
17:08Não só empresário,
17:09líderes sindicais,
17:11líderes religiosos,
17:13é só ler meus diários
17:13da presidência,
17:14tudo está contado lá.
17:16É natural
17:17que o presidente
17:17se comunique
17:18com as pessoas
17:19representantes da sociedade.
17:21Aí, recentemente,
17:22eu avancei
17:22com o cardeal
17:23do Rio de Janeiro,
17:24que ele reclamava
17:26do fato
17:26de não haver
17:27influência maior
17:29ou não.
17:29A questão não depende
17:30do presidente,
17:32depende do que você
17:33tem influência,
17:33tem que falar com eles.
17:36É parte da vida presidencial
17:38ouvir,
17:39conversar,
17:40discutir
17:40com todo o setor.
17:42MST,
17:42quando você recebeu
17:43uma MST?
17:44Inúmeras vezes.
17:45Inúmeras vezes.
17:48De vários setores,
17:49o sindicato,
17:50nem se falha.
17:51Igreja,
17:52nem se falha.
17:52De todos os setores,
17:54de várias igrejas,
17:55mais a católica,
17:56que era a mais ativa
17:56naquele momento.
17:58CNBB e tal.
18:00Falaram com o pessoal
18:01do CNBB e tal.
18:02Falaram com empresários,
18:03que estão fazendo
18:04o ministério lá.
18:06É verdade.
18:08No livro de memórias,
18:09o senhor narra,
18:10realmente,
18:11vários encontros
18:13com movimentos sociais,
18:16sindicatos
18:17e também com empresários.
18:19E, presidente,
18:20dentro desse contato
18:23que o senhor tinha
18:24com os empresários,
18:26também fazia parte
18:27das agendas
18:28contatos com
18:30o senhor
18:31Emílio Odebrecht,
18:32correto?
18:32Estão registrados aí.
18:35Perfeito.
18:36E o senhor
18:37Emílio Odebrecht
18:39levava para o senhor
18:40questões de interesse público,
18:43questões de interesse nacional?
18:44Eu disse aí também.
18:48Geralmente, sim.
18:49E não era o único.
18:50Eu falava com todo mundo.
18:52O que continuam falando?
18:53Eu pergunto ao senhor,
18:57faço essa pergunta específica,
19:00porque nesta ação penal
19:03foram juntadas algumas agendas,
19:07encontros,
19:08agendas entre o ex-presidente Lula
19:11e o senhor Emílio Odebrecht.
19:13Então, eu queria, na verdade,
19:15o testemunho do senhor,
19:17se esses encontros,
19:19o senhor também manteve com o senhor Emílio,
19:21se eram profícuos e se eram
19:23de interesse público.
19:25Ainda que tratassem,
19:27eventualmente,
19:28de temas relacionados
19:30a petróleo,
19:32a indústria petroquímica.
19:35Olha, eu não me lembro
19:36de ter conversado
19:37sobre indústria petroquímica
19:38com o Emílio.
19:39Me lembro.
19:40Posso conversar.
19:42Eu comecei quantas vezes
19:43com o Zona Emílio de Moraes,
19:44com o Lá,
19:45para o Centro do Uruguai.
19:46O que você quer.
19:47Nem mítico,
19:48como dizem em inglês.
19:49Mas pode dominar.
19:50Quem seja aí,
19:51eu comecei.
19:52Agora,
19:53sempre pensando
19:54no interesse público,
19:55obviamente.
19:56E do jeito que eu sou,
19:58é difícil que alguém
19:58venha para conversar
19:59com o mesmo interesse,
20:00fazer uma distorção
20:02do seu interesse próprio.
20:03Qual eu quero fazer?
20:04Eu, tipo,
20:05vejo o outro
20:06e faço o que eu acho
20:07que é meu dever.
20:09A função
20:10do que está governando
20:12não é
20:13escolher o interlocutor.
20:15Você escolhe o interlocutor
20:16quando você não está na vida pública.
20:17Você está na vida pública,
20:18você tem que lidar
20:19com os personagens públicos.
20:21Agora,
20:22você tem que ter uma
20:22atitude,
20:23uma forma de ser,
20:25que os impeça
20:26até mesmo
20:26de dizer
20:27depois de inconveniência.
20:29Mas eu vou contar
20:29um caso,
20:30um pequeno caso
20:31que me questionou muito.
20:32Eu fui dar muito jovem,
20:33fui eleito
20:34para o Conselho de Universidade
20:35da Universidade de São Paulo.
20:36Mas eu tinha 20 e tantos anos,
20:3827, 27 anos,
20:40que era o lugar
20:42que mandava
20:42para a Universidade.
20:44E quando eu cheguei lá
20:44eu tinha assustado
20:45porque para mim
20:46era aquele dinossauro
20:48que mandava
20:49na Universidade e tal.
20:50Eu era um professor
20:51de boa parte,
20:52eu sou educado,
20:54essa coisa toda.
20:55Então,
20:55no fim,
20:56eu saí,
20:56já almoçava,
20:57jantava
20:58com o saldo
20:59às vezes e tal.
21:00E eles também me surpreenderam
21:01porque achavam que ele
21:02jogava bomba no Conselho.
21:03Mas eu era possível, né?
21:05Bom,
21:05eu estava muito impressionado,
21:07eu tinha um professor
21:07que eu conheci lá,
21:09chamado Camargo,
21:10Camargo,
21:10professor da Politécnica.
21:12E ele me disse uma coisa
21:13que me marcou muito,
21:14ele me disse,
21:14olha aqui,
21:15o problema não são os malandros,
21:17o malandro é malandro
21:18de vez em quando,
21:19o burro é burro sempre.
21:22Então,
21:22essa é a atitude,
21:23o que é do malandro?
21:25Você sabe que ele é malandro,
21:26você não vai entrar
21:27na malandragem dele,
21:28você tem que ver
21:29na malandragem dele
21:30o que ele quer.
21:31E ele não pode ser malandro
21:33o tempo todo,
21:33tem momentos que não é.
21:35E se for um coitado,
21:36vai fazer o quê?
21:37Ele não tem que ser...
21:38discriminado.
21:40Enfim,
21:41eu acho que quem tem função pública
21:43tem o dever de ouvir
21:45e a obrigação
21:46de cumprir o que é
21:47a sua convicção.
21:49Tentar levar o país
21:50para uma certa direção.
21:51É o que eu acho.
21:52Certo,
21:53eu vou interromper aqui
21:54um pouquinho
21:54pelo tamanho do áudio.
21:55Pode interromper aqui?
21:56Obrigado.
21:57Obrigado.
21:58Obrigado.