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NotíciasTranscrição
00:00Então, nessa ação penal 502-365-32, continuando o depoimento do Sr. Federico Marcos de Almeida Horta Barbosa, a palavra da defesa.
00:13Sr. Federico, boa tarde.
00:15Boa tarde.
00:15Pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva.
00:18Em primeiro lugar, gostaria de registrar que esta ação penal, a acusação que foi apresentada pelo Ministério Público, está relacionada a nove contratos que foram firmados entre a Petrobras e alguns consórcios envolvendo a Odebrecht e envolvendo a OAS.
00:42O senhor participou do processo de contratação relativo a algum deles?
00:50Nenhum deles, eu desconheço.
00:52O senhor não tem nenhum conhecimento?
00:53Não tenho.
00:54Nenhum a respeito desse contrato?
00:56Não, meu vínculo é só na obra da Aquapolo, ligado ao meu superior, que era o Emi Costa.
01:00Certo. A acusação aqui do Ministério Público diz que o ex-presidente Lula teria praticado, estaria sendo processado, por praticar e omitir atos de ofício no interesse desses nove contratos.
01:17O senhor tem conhecimento de algum ato de ofício ou de alguma omissão que o ex-presidente Lula tenha cometido em relação a esses nove contratos?
01:26Desconheço.
01:27O senhor, respondendo aqui a perguntas do Ministério Público, o senhor esclareceu que deixou de trabalhar na Odebrecht, correto?
01:43Em 3 de janeiro desse ano.
01:45Certo. Isso foi deste ano de 2018?
01:502018.
01:50Correto. Então, quando o senhor firmou o acordo de leniência, o senhor aderiu ao acordo de leniência, o senhor era funcionário da empresa?
02:00Sim.
02:00Correto. E naquele momento em que o senhor aderiu a esse acordo de leniência, foi feita alguma proposta de que o senhor continuaria recebendo remuneração mesmo após deixar a empresa?
02:15Isso é uma excelente pergunta, porque eu como funcionário que iniciei na CBPO e fiquei 36 anos na empresa,
02:25eu somente recebi meus direitos trabalhistas, um aviso prévio que eu pedi para cumprir como funcionário antigo,
02:33dois avisos prévios decorrentes da minha permanência de mais de 30 anos na empresa, um aviso prévio por aposentadoria,
02:43férias, décimo terceiro, proporcionais e meus três dias proporcionais que eu trabalhei, que foi considerado em 2018.
02:54E além disso, a empresa, houve uma multa na empresa por minhas férias não lançadas anteriormente, que eu desconhecia, mas a empresa cumpriu exatamente.
03:05Eu não pedi nada à empresa, a minha vida foi lá dentro da empresa e eu não tenho nada a reclamar.
03:15Então, foi seguido exatamente a lei trabalhista.
03:19Pelo que o senhor está declarando, então, o senhor aderiu ao acordo de leniência espontaneamente,
03:25porque o senhor tomou conhecimento desse acordo e então decidiu aderir.
03:29Foi dessa forma?
03:30Sim.
03:35Hoje o senhor fez uma narrativa aqui, que é bastante diferente de uma narrativa que o senhor apresentou ao jornal Folha de São Paulo,
03:45no dia 29 de janeiro de 2016.
03:48Positivo.
03:50Naquela oportunidade, o senhor disse que prestava serviços para uma empresa contratada pelo proprietário e que não tinha nada a ver com o Odebrecht.
04:01Sim, eu estava numa reunião, quatro pessoas na mesa, uma ligação privativa, sem número, e eu descartei.
04:11Foi um descarte, até para me interar na empresa, porque nessa situação eu não tinha nem como responder.
04:19Certo, o senhor respondeu ainda mais.
04:22O senhor foi perguntado se tinha conhecimento de que o sítio viria a ser frequentado pela família do ex-presidente Lula,
04:28e o senhor respondeu, não, para mim é uma surpresa.
04:35Então, quer dizer, esta afirmação que o senhor fez no dia 29 de janeiro de 2016,
04:41quando, aliás, sequer havia uma investigação em curso, porque o inquérito policial relativo a esta ação penal...
04:52Pela hora, doutor, certamente deveria ter um pique no Ministério Público sobre isso.
04:57Estou falando do inquérito policial que originou a esta ação penal.
04:58Mas existe uma investigação.
05:00É o dado concreto que eu tenho aqui.
05:02Tudo bem, mas o Ministério Público não estou de forma informal, não, apesar que você está falando de uma declaração da imprensa.
05:06Não, eu estou falando de uma declaração da imprensa e estou dizendo o inquérito policial que originou a esta ação penal.
05:11Mas, me permita voltar aqui, o inquérito policial foi instaurado em fevereiro de 2016.
05:20Então, o senhor deu esta declaração.
05:22O que justifica hoje, o senhor, mudar a versão que o senhor apresentou de forma espontânea à imprensa,
05:30no momento em que não havia nenhuma investigação?
05:33Esta declaração foi minha.
05:35Eu estava em uma reunião, na presença de três pessoas,
05:39eu fui pego de surpresa e eu, na hora, a única coisa que eu disse,
05:44fui eu quem estive lá, na execução da obra.
05:48Não neguei que eu fiz a obra.
05:51Eu não quis avançar em qualquer informação para a imprensa antes que eu me comunicasse à empresa.
05:57Porque eu não sabia que seria assim esse desdobramento.
05:59Certo, mas então o senhor confirma que o senhor deu essas declarações à Folha de São Paulo naquele momento.
06:05Dei.
06:07Correto.
06:09Posteriormente, no dia, mais precisamente, no dia 25 de fevereiro do mesmo ano de 2016,
06:18a empresa Odebrecht emitiu uma nota,
06:21que também foi retratada na imprensa,
06:24dentre outros veículos do próprio jornal Folha de São Paulo,
06:27na qual a empresa diz que havia identificado uma participação do senhor numa obra em Atibaia,
06:39mas que não custeou, de qualquer modo, os materiais utilizados.
06:45Então, é uma segunda declaração, agora, a partir de uma nota da empresa, que faz referência ao senhor,
06:52que é incompatível com a narrativa que o senhor apresentou aqui hoje.
06:55Então, eu pergunto mais uma vez, por que é que há tantas versões sobre o mesmo assunto?
07:02Eu não considero uma versão desse assunto.
07:06A empresa, ela é uma holding, é uma empresa imensa, e o nosso contrato era um contrato com responsabilidade de um diretor independente da empresa,
07:15que tem toda a delegação da empresa para tomar as decisões.
07:19Então, a empresa, à medida que ela foi se interando do assunto, ela foi se posicionando.
07:25Eu vejo dessa forma.
07:27Ela não tinha, vamos colocar assim, a obrigação de ter todos os detalhes de cada contrato, que são independentes e funcionando.
07:35Certo, mas o senhor tinha os detalhes.
07:37E o senhor fez uma declaração totalmente diferente.
07:39Não, a minha declaração foi para a imprensa, porque eu não saberia me posicionar frente à imprensa da forma que eles se conduziram.
07:47Eu estava em uma sala, vou repetir, eu não poderia nem falar naquele momento.
07:53Eu, para não desligar o telefone, eu dei essa informação para a imprensa e comuniquei à empresa.
08:00Eu fui acionado, eu quero que a empresa se posicione, só isso.
08:04Certo.
08:05O senhor, também respondendo a perguntas aqui, disse que estava vinculado a uma obra chamada Acopolo, correto?
08:15Isso.
08:15Essa obra diz respeito à empresa Sabesp, ligada ao governo do estado de São Paulo?
08:21Não, essa obra, a empresa construiu dentro da área da Sabesp, uma estação de produção de água industrial,
08:33usando o esgoto tratado da Sabesp, um tratamento secundário, que era lançado no tamanho do ATI.
08:40Esse efluente é tratado e utilizado.
08:43Mas a relação da obra é com a Sabesp?
08:45A relação é com a Sabesp e com o investimento da empresa.
08:49Não é com a Petrobras?
08:51Não, não é com a Petrobras, não.
08:52Certo.
08:53Durante, o senhor trabalhou nessa obra Acopolo, qual foi o período em que o senhor ficou vinculado a essa obra?
09:09Mais ou menos, se não me engano, um ano e quatro meses.
09:14Eu saí da obra em abril de 2011.
09:22Aproximadamente, abril para mais de 2011, quando eu saí da obra.
09:25Certo.
09:26E o senhor sabe dizer se esses recursos que o senhor diz ter recebido do senhor Emi,
09:33se eles estão relacionados a um centro de custos relativo a essa obra Acopolo?
09:43Não sei.
09:44Eu gostaria, o senhor já disse aqui, mas eu gostaria de deixar bem claro,
10:00o senhor fez pagamentos, o senhor comprou materiais de construção, supostamente relacionados a esse sítio de Atibaia,
10:15usando o seu cartão de crédito, usando de cheque da sua titularidade, correto?
10:22O cheque eu não tenho certeza, mas o cartão de crédito e dinheiro em espécie que eu comprei e tirei nota fiscal em meu nome, isso eu fiz.
10:31Certo. Mas o senhor passou o seu próprio cartão de crédito?
10:34Passei, eu paguei.
10:35Certo. Ficou então registrada essa...
10:37Está registrada, está...
10:38Esta compra.
10:40Isso.
10:41Certo.
10:45Com relação à construtora Rodrigues do Prado,
10:50Pelo que eu entendi, a construtora Rodrigues do Prado também prestou serviço nesta obra Acopolo,
11:01a qual o senhor estava vinculado.
11:03É correto isso?
11:04Correto.
11:05No início, um ano antes dessa mobilização, eu vou estimar,
11:11porque nós estamos falando há oito anos de diferença,
11:14mas o trabalho dela foi muito pequeno no início da obra,
11:18e essa prestação de serviço já tinha mais de um ano anteriormente a essa solicitação dela fazer o trabalho lá no sítio.
11:27Certo. E esse serviço que ela prestou nesta obra, nesta planta Acopolo,
11:34o senhor sabe dizer se foi remunerado ou não?
11:37Ah, deve ter sido. Não tinha trabalho sem remuneração na empresa.
11:40Ela fez lá um... ajudou, acho que na mobilização do canteiro,
11:45na construção do canteiro de obras, ao iniciar a obra.
11:48Só... e findou muito rapidamente, não teve duração, não foi nada expressivo.
11:54Certo. E o senhor sabe dizer quem fez o pagamento a essa empresa?
11:58A Rodrigues?
11:59A própria obra.
12:01O departamento de pagamento da obra lá, da área comercial,
12:05contratação de subempreiteiro, de prestador de serviço.
12:08Isso. O senhor chegou num ponto muito importante.
12:11Como é que funciona essa questão relativa ao departamento de custos de uma obra?
12:19Quer dizer, o senhor pode detalhar como é que funciona,
12:23se existe, digamos assim, um caixa geral dentro da empresa,
12:27ou se cada obra da empresa tem um centro específico de custos?
12:32Cada obra tem um centro.
12:34Cada obra tem a... cada diretor de contrato faz, administra o seu recurso.
12:42E a empresa consolida de forma centralizada, mas cada... tem a independência do diretor, no caso.
12:51Certo. Então, quer dizer, cada obra, então, o senhor tinha lá registrado as entradas e saídas,
13:01e sempre vinculadas àquela obra específica.
13:05Era isso?
13:06Não, a obra, eu... a minha parte lá era a produção.
13:10Certo.
13:10Então, eu... efetivamente, eu produzia, realizava.
13:16Então, o insumo material, quem comprava era o suprimento, quem contratava era a área comercial.
13:20Então, perfeito. Eu queria, na verdade, deixar mais claro esse funcionamento do centro de custos de cada obra.
13:28Não, e tem a área comercial que controla, não é nem a produção.
13:32Sim, mas o senhor, pelo que o senhor declarou, o senhor tinha conhecimento de que cada obra tinha um centro de custos.
13:37Correto?
13:37Cada obra tem, elas são independentes.
13:39Então, o senhor pode detalhar, dar algum detalhe a mais em relação a esse centro de custos?
13:45Quer dizer, como é que funciona?
13:46Sai um recurso para esta obra Copolo.
13:50Isso fica registrado.
13:52Correto?
13:52Aí, eu... cada diretor tem sua autonomia para fazer.
13:58Eu, dentro da obra, eu sou operacional.
14:01Eu estou produzindo dentro da obra, a área comercial da obra trabalha, recebe as medições,
14:07aquela medição que recebe do cliente é revertida dentro da obra, para aplicação na obra, para o andamento da obra.
14:13O senhor não tinha, então, nenhum conhecimento sobre o centro de custos da obra Copolo?
14:17Não, a área comercial cuidava disso.
14:20Mas o senhor tinha conhecimento?
14:21A parte financeira, não.
14:22Não.
14:22Não é a minha área.
14:24Se um recurso estiver vinculado à obra Copolo, esse recurso foi utilizado na obra Copolo?
14:33Se o recurso estiver vinculado, não sei afirmar isso.
14:37A minha área, eu vou voltar a informar.
14:40Eu trabalhava operacional, produzindo toda a parte financeira, trâmite financeiro dentro da obra,
14:47empréstimos, medições, recebimentos, pagamentos, isso não passava por mim.
14:52Certo.
14:52O senhor não trabalhava com nenhuma gestão financeira, nada?
14:57Não, gestão financeira não.
14:58Certo.
14:58O senhor sabe dizer de que forma foi paga a construtora Rodrigues do Prado?
15:03Eu já afirmei que não.
15:04Ela não passou por mim, esse pagamento.
15:06O senhor disse que, se eu não estiver errado, o senhor esteve na cidade de Atibaia,
15:24nessa obra, de dezembro de 2010 a janeiro de 2011, correto?
15:31Correto.
15:31Alguma vez o senhor encontrou, nesse local, o ex-presidente Lula ou a dona Marisa?
15:37Não encontrei.
15:40Algum filho do casal?
15:42Também não.
15:43A única pessoa que eu me relacionava e encontrei foi o Aurélio.
15:47Certo.
15:48Durante o período que eu estive lá.
15:49Certo.
15:50Então, nesse período em que o senhor trabalhou, o senhor não teve nenhum contato com o ex-presidente Lula?
15:55Não.
15:56Nenhuma oportunidade eu tive.
15:58Certo.
15:59E ele nunca fez qualquer solicitação ao senhor relativa a essa obra?
16:04A mim, não.
16:06Certo.
16:06Tá bom.
16:07Sem mais perguntas, excelência.
16:09Algum advençor tem indagações?
16:12Algum...
16:13Oi?
16:14Sem?
16:15Ah, então só alguns clarecimentos pontuais aqui do juiz, o senhor Federico.
16:20Sim.
16:21O senhor estimou esses custos em 500 mil.
16:24Eu não compreendi se esses 500 mil estão já englobando os valores pagos a essa segunda empresa do senhor Carlos Prado.
16:33Não, não estão.
16:34Então, a do Carlos Prado seria um valor adicional ainda?
16:36Seria um valor adicional a isso.
16:38E o senhor sabe quanto foi aproximadamente?
16:39Não sei.
16:40Do Carlos, não.
16:41E mais de uma vez, quando o senhor respondeu as perguntas do Ministério Público, o senhor utilizou a expressão que eu não iria me expor ou não iria expor a empresa.
16:54O senhor pode esclarecer melhor para mim?
16:56Não expor no quê?
16:58Não entendi.
16:58É o seguinte, se eu fosse fazer uma compra dos materiais, eu não tinha um CNPJ, eu não tinha como elaborar uma nota.
17:10E se eu tirasse usando o CNPJ da obra que eu estava trabalhando, seria um desvio dentro da obra.
17:19Então, o recurso que o EMIB passou, ele falou bem assim, esse recurso não é para ser pago oficialmente, usando o nome da empresa.
17:31Então, eu não poderia, se eu fosse lá, eu teria que fazer.
17:34Então, era para usar o nome da Aldebrecht, então?
17:35Não era para usar o nome da Aldebrecht.
17:36Se eu fosse, eu teria que usar.
17:38Ou o meu.
17:39Mas como eu não dispunha também de valores expressivos assim para fazer pagamentos, não tinha como eu proceder.
17:46Salve engano aqui, de memória do que o senhor declarou, o senhor mencionou, inclusive, que quando havia esses pagamentos ao depósito Dias,
17:55o senhor não quis ir, o senhor mesmo pagar, o senhor resolveu passar para Aurélio, porque o senhor não queria se expor.
18:02Não, a recomendação foi do diretor, do EMIB.
18:05E o senhor falou isso para o senhor Aurélio, que o senhor não iria pagar porque o senhor não queria se expor?
18:09Cheguei a comentar com ele, que isso aí, como ele era o responsável, ele que deveria fazer o pagamento,
18:15eu estou responsável da obra.
18:17Mas o senhor chegou a utilizar essas expressões com ele, eu não vou porque eu não quero me expor?
18:21Falei com ele que a recomendação do EMI era para proceder o pagamento ele,
18:27que eu não poderia fazer esse pagamento em nome da empresa.
18:31Também não sei se entendi muito bem.
18:32Nas obras da Aldebrecht, os obreiros ali, eles usam o uniforme com o logo da Aldebrecht?
18:39É, depois da... invariavelmente, todas as obras, eles são identificados com o nome da obra e com o nome da construtora.
18:52Isso no uniforme do...
18:53No uniforme.
18:54Do operário.
18:55No uniforme.
18:55E os operários da Aldebrecht que trabalharam nesse sítio de Atibaia utilizaram esse uniforme?
19:00Não usaram porque os uniformes que nós tínhamos eram específicos da obra do Aquapolo,
19:07e a orientação e a recomendação que eu recebi era que não usasse esses uniformes,
19:15mas usasse uniformes sem identificação, porque aí também não teria exposição do nome da construtora.
19:23Certo. O senhor começou a tratar dessa obra do sítio de Atibaia, foi quando aproximadamente?
19:33Segunda semana de dezembro já, já aproximando de meados de dezembro.
19:37No período que o senhor foi lá, o senhor até já respondeu, mas o senhor encontrou o senhor Fernando Bittar ou Jonas Sossuna?
19:43Não encontrei, não os conheço.
19:45Teve algum contato com eles?
19:46Nenhum.
19:47Alguma vez o senhor Aurélio falou no nome deles?
19:51Não, o Aurélio não. Eu acho que quem me falou foi o arquiteto, o Higienes que estava lá,
19:58que comentou que era do Fernando Bittar a propriedade, mas o Aurélio em si,
20:03nossas conversas foram somente sobre a execução da obra.
20:09E esse arquiteto foi contratado por quem?
20:12Eu desconheço de quem ele era contratado.
20:16Ele mencionou a quem ele estava respondendo?
20:18Não, não sabia.
20:19Ele foi que fez o projeto, coisa assim?
20:21Eu acho que ele fez o projeto e começou a obra, porque eu encontrei com ele em algumas vezes lá na obra,
20:30a segunda vez que eu estive lá, encontrei com ele e ele permaneceu em Atibaia.
20:35Então, para mim, ele era o que iniciou a obra.
20:39E o senhor se acorda o nome dele?
20:40É Higienes Neto Igarai.
20:47Acho que é Igarai o nome dele, Igarai.
20:50Alguma vez foi discutido com o senhor Aurélio, com alguma outra pessoa no sítio,
20:56os custos nos quais a Aldebrecht estava incorrendo em realizar aquelas obras específicas?
21:02Não, não foi.
21:03Alguma vez foi falado ao senhor sobre pagamentos, reembolso da Aldebrecht, acerca desses custos?
21:12Reembolso como?
21:13Ao proprietário da obra, ao proprietário do sítio pagar a Aldebrecht?
21:17Não, não.
21:18Nunca foi falado?
21:20Que a Aldebrecht ia receber, teria uma receita para executar a execução da obra.
21:24Isso?
21:26Isso, isso.
21:27Não, não teve.
21:28Não foi.
21:29Ela não estava ali executando de graça, provavelmente.
21:32Não, o recurso era oriundo do EMI.
21:35Sim.
21:35Então, se houve alguma remessa para o EMI, isso eu desconheço.
21:40Eu sempre me reportei a ele.
21:42E nunca foi discutido com o senhor ou o EMI, falando, ó, quem está pagando essa obra é fulano X ou fulano Y?
21:48Não, não.
21:49O senhor mencionou que ele foi dito que esse sítio era do presidente Lula, ou que a obra é do presidente Lula, ou que a reforma é do presidente Lula.
21:57Não sei muito bem as palavras aqui.
21:59Quem que ele disse isso, especificamente?
22:01Ele disse que foi o EMI.
22:02E ele falou o quê?
22:03Que a reforma, o sítio, era do ex-presidente?
22:06Não, ele falou que era para o presidente Lula.
22:09A reforma era para o presidente?
22:10É, isso foi a forma que ele me expressou na ocasião.
22:17E ele falou, ele mencionou de quem que ele tinha recebido ordens para fazer esse trabalho?
22:22Não, não, não falou.
22:23O meu contato era com ele.
22:25Alguém mais falou do ex-presidente Lula, naquela época, sobre esse sítio?
22:31Não.
22:32O senhor Aurélio?
22:34O Aurélio nunca mencionou isso.
22:38Ficamos um mês com essa frequência de encontros, mas ele nunca mencionou.
22:45Não foi nunca tratado esse assunto.
22:46E o que que ele, ele falou alguma coisa, esclareceu ao senhor qual o motivo dele estar ali, naquele lugar?
22:51Não, também não.
22:52Eu desconheci a função dele.
22:55E a apresentação foi só nominal.
22:58Eu não sabia a função, não sabia...
23:01Eu só sabia que ele era o responsável pela construção.
23:04Quem apresentou ele ao senhor?
23:07Foi o EMI, me passou um telefone para eu entrar em contato com ele.
23:10E ele não falou quem que era essa pessoa?
23:13Não.
23:13Quem que era esse...
23:14Não, o EMI não.
23:16Só falou o senhor Aurélio.
23:22Acho que ficou aqui, talvez o senhor tenha dito, mas eu não me recordo particularmente.
23:26O senhor era formalmente vinculado a qual empresa da Aldebrecht?
23:31Do grupo Aldebrecht?
23:32Era o Aldebrecht Infraestrutura, que o EMI era o diretor de contratos da Aquapolo.
23:39Era uma obra dessa área.
23:41E qual que era a sua posição, encargo?
23:44Responsável...
23:44Ali eu era responsável pela área de produção.
23:47Isso é gerente?
23:48É, equivalente à gerência.
23:50Eu tinha um responsável pela comercial, um responsável pela parte administrativa financeira,
23:57um responsável pela engenharia e técnica, e eu era o responsável pela produção.
24:02Os operários que trabalharam ali no sítio, eles...
24:06Eu entendi muito bem.
24:07Como é que eles tinham refeição?
24:08Como é que isso...
24:09Eles eram adquiridos em restaurantes lá da própria Atibaia, pelo administrativo nosso.
24:15Quem adquiria?
24:16O nosso administrativo.
24:18Ele que fazia toda a parte de suprimento.
24:21E essas compras eram com nota?
24:25Como é que era?
24:25Em dinheiro também, da mesma forma.
24:28Nada com nota.
24:29E quem fazia esse pagamento?
24:31Eu levava ele, apresentava o custo semanal, eu apresentava a poema e entregava pra ele.
24:38Pra fazer o pagamento lá do fornecedor.
24:40Quem que era o fornecedor das infeições?
24:42Ah, eu não sei.
24:43Não me recordo.
24:43O senhor chegou a ir até lá, não?
24:45Não, não foi.
24:46Alguma vez, alguma dessas pessoas, o senhor tratou no sítio, se preocupou assim, vamos
24:50dizer, com os custos, em baixar o valor, o preço estava muito alto, os gastos estavam
24:55muito elevados, está o debreche na reforma?
24:59Toda obra, isso é inerente até da nossa profissão.
25:02Você está numa obra, você vai trabalhar pra reduzir custos.
25:06Melhorar, fazer um aproveitamento melhor de recursos, isso é a nossa função.
25:11Dentro da produção e da engenharia, nós trabalhamos muito vinculado à produtividade.
25:16Então, a preocupação é sempre fazer o mais barato possível.
25:19Mas havia essa preocupação, por exemplo, da parte do senhor Aurélio?
25:25Não, do Aurélio não.
25:26O Aurélio interferiu pouco na questão da execução da obra.
25:31Ele interferiu e deu as informações na parte executiva.
25:37Olha, vai ficar assim, assado, estamos fazendo assim.
25:40Então, isso ele acompanhou a evolução da obra, aprovando o que a gente ia fazer, mas
25:45na obra em si, não.
25:46Tá bom, só essas indagações do juízo aqui.
25:51Excelência.
25:52Vou interromper então aqui a gravação.
25:54Só uma questão em razão da pergunta de vossa excelência, com relação a quem teria sido,
25:59se a obra seria do presidente ou se a propriedade seria do presidente.
26:03Como eu anotei exatamente o que ele falou, se eu queria deixar consignado, posso formular uma nova pergunta,
26:08só pra ficar bem claro?
26:08Ele disse que era pra reforma, né?
26:10A reforma era para o presidente, é isso que o senhor disse?
26:13Do apartamento?
26:14Não, do sítio.
26:14Eu fui fazer a vistoria.
26:15Do sítio, quem me falou foi o Emir.
26:18O diretor falou, é uma obra que é para o presidente Lula.
26:21Você faz uma avaliação lá, o que está acontecendo, faz uma vistoria e traga pra mim a situação que está lá.
26:29E com relação a propriedade, foi o senhor Higines que disse que era do Fernando Bittar, é isso?
26:33Se não me engano, pelo tempo, porque era o Aurélio e eu.
26:38O Aurélio não me falou.
26:39Ele falou que com relação a propriedade, o senhor Higines teria dito que a propriedade era do Fernando Bittar.
26:44O senhor Higines.
26:46Higines, Higines.
26:46Ah, Higines.
26:47O arquiteto, não sei exatamente.
26:48Mas eu vou explorar, ele respondeu isso.
26:50Não, não, só porque quando o vossa excelência falou que não lembrava bem o que ele tinha dito,
26:53só pra não ficar dúvida, com relação ao ponto central da defesa do Fernando Bittar, excelência.
26:57Sim, mas ele respondeu já.
26:58Então não tem porquê perguntar novamente.
27:00Eu tenho, só em razão da pergunta do vossa excelência, excelência.
27:03E ele respondeu a minha pergunta da forma como respondeu agora.
27:06Não tem necessidade de perguntar novamente.
27:08Bem, então vou declarar encerrado aqui o depoimento do senhor Frederico Marcos.
27:13Pode interromper.
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