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Categoria
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NotíciasTranscrição
00:00Então, na ação penal 504-65-12-94, depoimento do senhor Agenor Franklin Magalhães Medeiros.
00:09Excelência, tem uma questão de ordem?
00:10Qual seria?
00:12Depois que vossa excelência adiou o depoimento do ex-presidente Lula de 3 para 10 deste mês,
00:19começou a haver um movimento de pedidos de reinquirição e de colaborações informais.
00:27O portal UOL noticia hoje que o interrogando estaria num processo de colaboração informal.
00:36Então, eu gostaria de perguntar ao Ministério Público se existe esse acordo informal
00:42ou se há alguma tratativa de delação premiada com o interrogando.
00:50Não há nenhum acordo informal do Ministério Público, seja com esse réu ou quaisquer dos outros já interrogados.
00:57O que há são negociações de acordo de colaboração com alguns executivos da empreiteira OAS.
01:07Como já foi afirmado, inclusive, na audiência em que foi inquirido Léo Pinheiro.
01:16É que eu gostaria de saber, quer dizer, porque nós estamos na véspera do depoimento do ex-presidente,
01:24me parece que houve uma intensificação de movimentos nessa linha.
01:30E a defesa precisa saber o que está acontecendo, porque se essas negociações estão ocorrendo nesse período,
01:37me parece que há um prejuízo claro para a defesa, porque não se sabe em que situação que o interrogando está depondo.
01:46Hoje, ele não tem formalmente o compromisso de dizer a verdade, ao contrário.
01:51E essas conversas que estão ocorrendo com o Ministério Público parecem colocar a defesa numa clara desvantagem na relação processual.
02:00Então, é preciso que haja transparência e que se diga quais são as pessoas que estão em negociação e qual o status dessa negociação.
02:10Acho que o Ministério Público já esclareceu, doutor, que existem negociações em andamento e que envolvem, inclusive, o depoente em questão, não é?
02:17Não sei, não participo dessas negociações.
02:20Ah, bem, eu sabia dizer.
02:21Ah, sim.
02:23Pode passar o microfone, por entende?
02:25Doutor Cristiano, sim, existem tratativas em andamento, não existe nenhum acordo formalizado e a orientação de falar a verdade e de colaborar partir da defesa,
02:45que eu estou assumindo agora, não só nesse caso, como nos outros, e é um direito que lhe assiste.
02:52Então, eu não resolvi a questão, né, doutor?
02:54Não, excelência, eu gostaria de ter a palavra.
02:55Eu, frente à colocação, eu respeito o trabalho do eminente colega, mas o fato é que hoje a situação jurídica do interrogando lhe permite faltar com a verdade.
03:09Então, a defesa precisa saber quais foram as conversas havidas com o Ministério Público, em que termos, o que se prometeu ou se está prometendo para a hipótese de uma delação premiada, para que não haja desvantagem.
03:22Quando for no momento da defesa, eu vou fazer a pergunta.
03:25É que fora a questão de perguntar ou interrogando, excelência, existe uma questão, o Ministério Público é parte nessa ação, é o órgão acusador.
03:32Então, o Ministério Público deveria informar, até por lealdade processual, o que está negociando, qual é a proposta que foi feita e mais, qual o status desse acordo de delação.
03:44Eu acredito que está em andamento, doutor, então se não está definido, então está definido.
03:47Mas andamento é muito vago, excelência. A defesa não pode ter...
03:51Não está indefinida a sua questão de ordem, é muito bem colocada, mas se as negociações estão em andamento, então me parece que não é possível solicitar que seja informada exatamente o que irá conter um eventual e ainda incerto acordo de colaboração.
04:07Certo, eu só gostaria de terminar o raciocínio, se vossa excelência permitir, apenas que a defesa tenha a palavra e possa fazer o seu registro.
04:14Já não fez? Então peço que seja rápido.
04:16Pois não. É que não basta, excelência, o esclarecimento de que há tratativas. É preciso saber o que está sendo ofertado, qual a situação...
04:25Isso, doutor já disse.
04:26Oi?
04:27Doutor já disse isso.
04:28Certo. E porque hoje, quer dizer, nós vemos na imprensa notícias dessa colaboração e a defesa não tem nada formalizado nos autos para poder escrutinar a legalidade dos atos que estão ocorrendo e a extensão dos prejuízos que estão sendo impostos à defesa.
04:46Tá bom, então fica registrado aí o protesto e, como disse, como existe, foi informado aqui uma negociação em andamento e uma orientação da própria defesa do acusado de falar a verdade, de colaborar, não tem como não deixar de colher o depoimento.
05:02Mas ele está compromissado, excelência? É isso que eu não estou entendendo. Ele só está compromissando ou interrogando?
05:06Não, eu não fiz isso. Eu não fiz isso. Não, a questão está diferida, doutor.
05:10A questão, excelência, o pedido é que a vossa excelência proceda como fez da vez anterior, advertindo que, em que pese não ter compromisso, se imputar um crime que não seja verdadeiro a alguém, que pode responder para a enunciação caluniosa, etc.
05:30O mesmo procedimento que a vossa excelência fez na audiência anterior.
05:34Então, perfeito. Então fica indeferida a questão de ordem colocada.
05:37Eu tenho um pedido a fazer, vossa excelência?
05:38Um pedido, um pedido, um requerimento.
05:42Diante dessa informação do Ministério Público de que efetivamente existe uma negociação de delação premiada com o interrogando,
05:52eu pediria que o ato fosse suspenso e o Ministério Público comunicasse se vai fechar ou não esse acordo
05:59para que a defesa possa aí exercer a sua função, ciente de qual é a situação jurídica do interrogando.
06:08Então eu pediria a suspensão do ato diante das razões expostas.
06:12Se o requerimento não tem base legal, doutor, não existe nenhuma previsão de suspensão da ação penal com base nessa hipótese,
06:17então fica também indeferido.
06:18Bem, vamos aqui então.
06:22O senhor Agenor Franklin Magalhães Medeiros.
06:27O senhor foi acusado de um crime pelo Ministério Público Federal, na condição de acusado.
06:32O senhor tem o direito ao silêncio.
06:34O senhor utilizar esse direito pela nossa lei, isso não lhe traz nenhum prejuízo.
06:38Mas essa é a oportunidade também que o senhor tem de falar no processo.
06:41Tudo que o senhor falar vai ser considerado para o julgamento.
06:44O senhor advogado mencionou que o senhor teria essa intenção de colaborar,
06:48mas de fato o senhor não tem nenhum acordo garantido e celebrado com o Ministério Público.
06:52Então o senhor permanece com o direito ao silêncio.
06:55Agora, se for sua intenção de alguma maneira colaborar com a justiça,
06:59eu vou deixar claro para o senhor que o que interessa à justiça é apenas a verdade,
07:04e nada além da verdade.
07:05E a mesma advertência que eu fiz ao senhor José Aldeimário que esteve aqui,
07:12que pese o senhor ter esse direito ao silêncio,
07:14ele não vai ao ponto de autorizar que o senhor, por exemplo,
07:19incrimine indevidamente alguém depondo como acusado.
07:25Então nós temos tipos penais no Código Penal, denunciação caluniosa,
07:30que não estão abrangidos pelo direito ao silêncio.
07:33Certo?
07:33O senhor prefere falar ou o senhor prefere ficar em silêncio?
07:37Eu vou falar em silêncio.
07:39E quero deixar claro que eu quero colaborar para esclarecer a verdade dos fatos que eu presenciei.
07:53Tá certo, senhor Jandr.
07:54Quero colaborar para esclarecer a verdade dos fatos que eu presenciei.
07:59Perfeito, então vou lhe fazer umas perguntas e vou pedir para o senhor respondê-la, certo?
08:04Certo.
08:05Antes só de nós entrarmos aqui no objeto específico da gestão penal,
08:08algumas questões mais gerais.
08:11O senhor trabalhou como diretor na Construtora OS.
08:17Trabalhei.
08:18O senhor pode me dizer o período que o senhor trabalhou como diretor na Construtora OS?
08:23Eu trabalhei como diretor de janeiro de 90 até 14 de fevereiro de 2014, quando eu fui preso.
08:3414 de novembro, né?
08:41Janeiro de 90 até 14 de fevereiro de 2014, a data da minha prisão.
08:47Foi em novembro, só se coligiu.
08:4914 de novembro de 2014.
08:52Estou lhe corrigindo isso.
08:53O senhor falou fevereiro, mas é um ápice de memória.
08:5614 de novembro.
08:57E o senhor tinha esse cargo de diretor, uma diretoria específica?
09:03Como é que era?
09:04Eu fui diretor de operações no Rio de Janeiro, chamada Base Leste, durante três anos.
09:11A partir de janeiro de 90 a dezembro de 92.
09:16Depois passei a ser diretor administrativo e posteriormente operacional de uma empresa chamada Ultratec,
09:24Ultratec, que a OAS havia comprado e eu permaneci nessa empresa durante quatro anos.
09:29Certo.
09:30Logo depois voltei a ser gerente de contrato no Rio de Janeiro.
09:35Em 99, eu passei a ser diretor de obras privadas, aí a nível nacional.
09:43Meados de 2003, passei a ser diretor da área de petróleo e gás da Construtora OS,
09:51onde permaneci até 13 de fevereiro de 2014.
10:02Nessa função de diretor, o senhor estava subordinado a quem dentro da empresa?
10:07Nessa última função de diretor da área de petróleo.
10:10Léo Piero.
10:10No exercício dessa função de diretor da área de petróleo, o senhor teve contato com essas obras da OAS no consórcio COMPAR e no consórcio CONEST?
10:24Tive.
10:26O senhor é que representava a Construtora OS nesses consórcios?
10:29Eu representava.
10:30O Ministério Público faz uma afirmação de que haviam ajustes de licitação, de resultados de licitação, entre diversas empreiteiras.
10:43Inclusive, que desses ajustes participaria a OAS.
10:48O senhor confirma se isso acontecia ou não acontecia?
10:52Acontecia, excelência.
10:53Se o senhor me permitir, eu posso fazer um breve relato de como isso ocorreu.
10:57Existia um grupo de empresas, nove empresas, que dominavam as concorrências da Petrobras no que diz respeito às obras industriais.
11:13Quando eu falo em obras industriais, são as obras na área de refino, um grupo de nove empresas.
11:18Essas nove empresas direcionavam as cartas convites em cumplicidade com alguns agentes da Petrobras, os diretores da área de abastecimento e da área de serviço.
11:36E nós estávamos fazendo um esforço muito grande para participarmos dessas concorrências.
11:41Já havíamos passado três anos onde nós não éramos convidados para esse tipo de concorrência.
11:47Foi aí que nós fizemos uma ação através de Léo.
11:52Ele me cobrava para viabilizar a diretoria que não tinha nenhuma obra nessa área industrial.
11:58E ao mesmo tempo, nós comentávamos que estávamos tendo dificuldades por conta desse domínio dessas nove empresas no que diz respeito a essas concorrências.
12:07Léo fez uma ação junto ao governo federal, porque ele tinha a competência para isso, não era a minha competência para isso, pelas relações que ele tinha com o governo federal.
12:21E a partir daí, nós fomos convidados em 2006, no último trimestre de 2006, nós fomos convidados para a carteira de gasolina da Repar.
12:35E nos associamos a uma empresa que não fazia parte desse grupo de nove empresas.
12:42Nos associamos a Etesco, um consórcio onde nós tínhamos 70%, a Etesco 30%.
12:49A Etesco era uma empresa tradicional, de boa reputação na Petrobras.
12:54Então, nos associamos a essa empresa e começamos a fazer a nossa proposta.
13:00Quando o mercado soube, esse mercado de nove empresas, soube que nós estávamos realmente orçando, o que eles sabiam?
13:09Porque os fornecedores sabiam que nós estávamos fazendo cotação e é comum as empreiteiras saberem quem está orçando firmemente,
13:20porque fazem cotações com esses fornecedores.
13:23A partir daí, eles sentiram que nós poderíamos incomodá-los.
13:29Foi aí que o Léo teve um contato com o Ricardo Pessoa e falou, olha, nós vamos participar dessa concorrência.
13:39Eles se sentiram ameaçados.
13:41O fato é, nós estávamos, eu me lembro bem desse fato, porque foi um fato muito marcante,
13:48e nós estávamos em uma reunião de comitê executivo que nós tínhamos mensalmente na OAS.
13:56Por volta de 21 a 22 horas.
13:59O senhor Ricardo Pessoa ligou para Léo, dizendo, olha, vamos marcar um encontro.
14:05Hoje, agora, eu estava presente e o Léo falou, vamos lá.
14:08Nós fomos num jantar, num restaurante chamado Bar Desartes, no Itaim, em São Paulo.
14:16Esse restaurante era muito conhecido na época.
14:19Nós já chegamos por volta das 22 horas.
14:23Esse restaurante hoje tem um prédio no local onde era esse restaurante, mas muito conhecido.
14:28Bar Desartes, no Itaim.
14:29Lá encontramos com o Ricardo, o Márcio Faria, e aí eles nos fizeram uma proposta de participarmos com eles no consórcio.
14:39Essa discussão durou aí umas duas, três horas, porque eu sei que nós somos os últimos a sair desse jantar, nesse restaurante.
14:48Por isso que o fato é marcante.
14:49A partir daí, eles nos ofereceram 24% do consórcio, onde a Odebrecht teria 51%, a UTC 25%, nós ficamos com 24%.
15:03Posteriormente, nós tratamos com a Etesco, que tinha 30% desses 24%, ia ficar com 6, poucos por cento, e acertamos a saída da Etesco.
15:14Ficamos sozinhos nesse consórcio com 24% e liderança da Odebrecht.
15:21O fato é que naquela oportunidade, nos foi dito, tanto por Márcio Faria quanto por Ricardo Pessoa,
15:28que nós teríamos que contingenciar na proposta 2% para atender a compromissos políticos.
15:38Entendemos que ali teria agentes públicos e agentes políticos.
15:43Não sabíamos quem, porque estávamos ainda iniciando nesse processo.
15:47Certo.
15:48E que as propostas de cobertura para essa concorrência já estariam organizadas.
15:56Isso foi informado na reunião?
15:57Foi informado nesse encontro.
15:59Então.
15:59O fato é que tinham outros pacotes na Repar, tinha um pacote do COC,
16:05um pacote do Offsite, da Repar, onde o pacote do Offsite tinha um consórcio da Mendes Júnior, Cetal e Promont.
16:18E o pacote do COC ficou com a Camargo Correia.
16:22Então, esses três pacotes, as empresas, mutuamente, fizeram coberturas mútuas.
16:32O fato é que esses três pacotes foram ganhos por essas empresas que eu me redacionei.
16:37Certo.
16:38Nós assinamos esse contrato da Repar, 30 de agosto de 2007.
16:45Valor aproximado aí de 2 bilhões.
16:48E com aditivos aproximadamente 2 bilhões e 400.
16:54Essa obra durou de 2007 a 2012 aproximadamente.
16:59O fato é que para fazer os pagamentos das vantagens indevidas a esses agentes,
17:09foi feito no instrumento de constituição de consórcio.
17:14Tinha um aditivo que dizia o seguinte, vamos pagar um FII de liderança.
17:20O consórcio pagaria um FII de liderança para o Debreche,
17:25no valor de...
17:26Houve dois aditivos, no caso.
17:28O valor final para o Debreche ficou na faixa de 33 milhões e meio.
17:35E para a UTC, 20 milhões e meio.
17:38A UTC tinha 25% e tinha um FII de liderança.
17:42Então, a somatória desses dois FII de liderança totalizaram 54 milhões aproximadamente.
17:49Esses foram os valores que o consórcio repassou para o caixa da Udebreche,
17:54para o caixa da UTC, para atendimento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos.
18:03Nós imaginávamos quais seriam esses agentes, mas não tivemos conhecimento de quanto foi para cada agente público e para cada agente político.
18:15E nem a forma como isso foi feito.
18:18Vou fazer uma indagação.
18:18Só um resumo.
18:20Sim.
18:20E estou aberto a ir a qualquer...
18:22O senhor mencionou que o senhor Del Pinheiro teria feito uma ação junto ao governo federal...
18:27para que a OS fosse convidada.
18:30Exatamente.
18:30O senhor pode esclarecer que a ação foi essa?
18:32Olha, essa ação, Léo, tinha uma ligação forte com o partido que governava o país na época, 2005, 2006, que era o PT.
18:46E ele tinha, eu diria, um ativo político diferenciado com esse partido.
18:53Mas o senhor sabe o que ele fez exatamente?
18:55O que ele fez foi pedir, porque estava tendo um bloqueio, para que nós não fôssemos convidados,
19:03embora nós já tivéssemos um cadastro na Petrobras, já tínhamos o CRCC, já éramos cadastrados.
19:12Só que essas empresas, elas direcionavam, direcionavam...
19:18Não, entendi, mas assim, o senhor sabe com quem ele falou, por exemplo?
19:22O agente com quem ele falou, não sei, excelência, eu não sei.
19:28Eu só sei que Léo tinha uma forte ligação, eu diria, uma ligação estreita com o ex-presidente Lula,
19:40que isso remonta dos tempos de sindicato.
19:43Então, era uma relação muito forte, e todos nós, na empresa, sabemos dessa relação forte.
19:50Agora, ele deve ter procurado, certamente, os cardeais do partido.
19:55Não sei quem foram.
19:56Ele não me falou.
19:58Ele não me falou.
19:58Seguindo em frente, pelo que eu entendi, o senhor estava falando da obra Reparo,
20:05aquilo que virou o consórcio Compar, é isso?
20:07Compar.
20:08Eu quero também registrar que nós não tratamos, não oferecemos nada de vantagens indevidas
20:17para qualquer agente, público, político, até porque nós estávamos iniciando naquele momento.
20:22Não é uma defesa, mas é um registro.
20:24E seguindo em frente, a OS começou a participar em outras licitações desses ajustes?
20:30Aí, o que acontece?
20:31Esse grupo de nove empresas, a partir desse momento, passou a C10, a inclusão da OS.
20:38E, a partir daí, logo em seguida, veio um grupo de 16 empresas.
20:43Por que esse grupo aumentou tanto?
20:46Pelo volume de investimentos que a Petrobras tinha no seu planejamento estratégico para investir na área de refino.
20:54As refinarias brasileiras estavam há mais de 20 anos sem investimentos.
20:59Então, em função disso, houve um fluxo, uma demanda muito grande de obras.
21:07E esse clube, que era de 17, 10, a empresa era 9, passou a 10, então 16.
21:14E o senhor passou a participar, ou alguém da OS passou a participar desses acertos em licitação, em outros contratos?
21:20Olha, nós tivemos, eu participei de algumas, alguns ajustes, e teve um colega meu também que dava sequência a esses ajustes.
21:31Eu me lembro que logo em seguida, logo em seguida, teve um grande pacote de obras, tanto no Contege quanto na Reneste.
21:39Certo.
21:40E se quisermos já mudar para a Reneste, se o senhor me permitir, para poder completar a minha descrição,
21:48isso foi em 2007, em 2008, em algumas reuniões desse grupo de empresas, de 16 empresas,
22:02eu me lembro que eu conversei, tive uma conversa prévia com Márcio Faria, no sentido de que nós nos habilitássemos
22:11para irmos juntos, nós e a Odebrecht, em alguns pacotes a ser definido na Reneste, que estaria mais distante.
22:19Sim.
22:19E assim decidimos que se tivesse algum pacote na Reneste, nós iríamos juntos.
22:25Por que definimos com a Odebrecht?
22:28Porque, na verdade, existia naquela oportunidade uma afinidade empresarial e até de pessoas também.
22:35Certo.
22:36Houve ajustes nessas licitações do Odebrecht?
22:39Houve ajustes nesse do ajuste que eu estou dizendo de empresas combinarem o resultado de licitação, não de consorciarem.
22:47Eu me lembro que dos três pacotes que foram simultaneamente lançados, nós escolhemos os pacotes Tauda, HDTs e o GH.
23:00Foram dois contratos.
23:02A Camargo Corrêa optou pelo COC e a Queiroz Galvão e a Eza optaram pelos offsides, as tubovias.
23:11E esses três grupos também fizemos coberturas mútuas no sentido de burlar a licitação.
23:22E assim foi feito.
23:24Essas empresas assinaram os contratos.
23:27O senhor mencionou que houve essa informação no consórcio Compar de valores que seriam contingenciados para pagamento de propinas a agentes públicos.
23:39Houve também nos demais contratos?
23:42Houve.
23:42Havia uma regra mais ou menos fixa em relação a esses pagamentos?
23:48Eu diria que não é uma regra fixa.
23:51Dependia, por exemplo, esses dois contratos são contratos de valores maiores.
23:57Então, o valor contingenciado foi em torno de 2% nos dois contratos.
24:01Do Renest, o senhor está falando agora?
24:03Renest, 2% também ficou contingenciado.
24:05E em relação a esse contrato, o senhor já tinha mais informação a respeito de como isso era, quem eram os destinatários, como era dividido?
24:17Excelência, o que ficou claro a partir do momento que nós assinamos o contrato da Repar é que os agentes da Petrobras que atuavam nesse trabalho eram as diretorias de serviço e abastecimento.
24:34No caso, o senhor Renato Duque, diretoria de serviço, e o senhor Paulo Roberto, abastecimento.
24:42Aliado ao Pedro Barusco, que era uma pessoa, uma gerência executiva quase no nível de diretor que atuava na área de serviço.
24:49Então, esses três aí, ficou claro, embora nesses dois contratos, nós da OAS não tratamos com nenhum deles esses valores.
25:02Por quê? Porque tinha uma liderança forte, que era a liderança da Odebrecht.
25:08A Odebrecht é uma empresa que já atuava nesse setor há muito mais tempo do que nós.
25:14Então, esses agentes tinham a preferência de atuarem com a Odebrecht do que uma empresa iniciante que éramos nós.
25:23Estou querendo tirar a nossa responsabilidade do fato.
25:26E o senhor mencionou que havia uma destinação política também?
25:30Tinha.
25:30O senhor pode esclarecer?
25:31No caso da Renéste, ficou muito claro, me foi dito por Márcio Faria, e assim foi feito,
25:41que ele havia estabelecido um valor absoluto.
25:46Ao invés de falar em percentual, por se tratar de uma obra de grande valor,
25:51esses dois contratos da Renéste totalizaram 4,7 bilhões aproximadamente.
25:57Nós tínhamos 50%, mas a liderança era da Odebrecht.
26:02E ele, Márcio, havia acertado um valor de 72 milhões para pagamento de vantagens indevidas,
26:10onde cada empresa arcaria com 36 milhões.
26:13Desse 72, o consórcio, através de distribuição de dividendos, distribuiu para a Odebrecht 36, para a OAS 36.
26:27Onde?
26:28Quais seriam as responsabilidades de cada empresa?
26:33A Odebrecht se encarregou das responsabilidades com relação aos agentes da Petrobras,
26:41onde se chamava que tinha Casa 1 e Casa 2.
26:45Eu entendi, não me foi dito, mas era muito perceptível,
26:53que Casa 1 era a diretoria de serviços e Casa 2 a diretoria de abastecimento,
26:59que já tinha uma relação antiga de confiança, de segurança,
27:05e por conforto, tanto da parte da Odebrecht e por conta desses agentes da Petrobras,
27:12eles continuaram preservando da forma que vinham sendo...
27:18Mas, assim, por exemplo, o senhor nunca tratou com o senhor Paulo Roberto Costa?
27:22Nunca tratei com o senhor Paulo Roberto Costa.
27:24Com o senhor Alberto Yussef.
27:25Aí eu vou entrar no detalhe.
27:27Aí eu vou entrar no detalhe.
27:29Então, dos 36 milhões da OAS, o que é que ficou estabelecido por Márcio Faria?
27:35Márcio Faria me disse o seguinte, olha,
27:38para o PP, ele me disse que tinha estado com Janene,
27:43eu não conheci o senhor José Janene,
27:47jamais podia ter estado com ele, não conheci.
27:51Não era minha atribuição, nunca foi minha atribuição,
27:55dentro da empresa, tratar com agentes políticos,
27:58parlamentares, não tem registro de que eu tenha tratado.
28:03Não era minha função.
28:05Então, ele esteve com o José Janene,
28:08estabeleceu que 13 milhões e meio para o PP
28:13seria pago via Alberto Yussef.
28:17O senhor Márcio Faria me apresentou ao senhor Alberto Yussef
28:22no Café Starbucks do Shopping Eldorado,
28:26anexo à torre da Aldebrecht que tinha ao lado.
28:31E me apresentou e disse o seguinte, olha,
28:33tem que pagar, era época de campanha majoritária,
28:372010,
28:40porque nós assinamos o contrato da René,
28:42dezembro de 2009.
28:44Logo em seguida, vieram as eleições majoritárias.
28:48Então, nós temos que pagar esses 13 milhões do PP
28:52esse ano de 2010, durante a campanha.
28:56Isso no primeiro trimestre.
28:58Me apresentou, no primeiro trimestre,
29:00o senhor Alberto Yussef, nesse Café Starbucks.
29:02E aí, nós estabelecemos que,
29:07para atender aquele cronograma de 13 milhões e meio,
29:11seriam aproximadamente nove parcelas de um milhão e meio,
29:15que totalizariam esses 13 milhões e meio.
29:19Essas parcelas começaram a ser pagas
29:22a partir de maio de 2010.
29:26Eu apresentei posteriormente
29:30a pessoa que cuidava disso na OAS,
29:32o senhor Alberto Yussef,
29:33logo depois, uma, duas semanas depois,
29:36no mesmo Café Starbucks,
29:38para que fosse operacionalizado.
29:41Isso depois de eu ter comunicado à empresa,
29:43porque doação para partidos,
29:46quem define a forma é a empresa.
29:50Mas eu acho que não precisava entrar nesse detalhamento aqui.
29:52Certo, ok.
29:56Eu vou interromper o meu título,
29:57até o tamanho do outro.
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